Unkiss Me

4 Maybe tomorrow...


Notas iniciais
Ooi! Boa leitura

Mal cheguei no apartamento do Ben e ele já me olhou de cima a baixo. Revirei os olhos.

– Parece que você será uma boa aluna. Adorei seu look de hoje.

– Obrigada.

– Tá vendo? Não existe mulher feia. Existe mulher que nunca passou pelas mãos do Ben! — Ri. Depois me toquei no que ele falou.

– Ei! Eu não era feia!

– Era brega. Senta aí. — Sentei no sofá. — Que horas é o seu encontro hoje?

– Sete e meia. O menino grudou em mim, Ben!

– Ele quer te pegar.

– O encontro é no cinema.

– Vai rolar troca de saliva? — Olhei pra ele, que deu de ombros. — Ué. Você tá num disfarce. Tudo pela execução da lei. Ainda mais se ele for gato.

– Ele é bonito sim. — Falei pensativa. — E preciso continuar falando com ele durante a festa de amanhã.

– Exatamente! Trouxe algumas roupas? — Apontei pra mala do lado da porta. Ele pegou e colocou em cima do sofá, abriu e começou a fuçar. — Amei essa blusa! Queria ser mulher só pra usar! Olha esses detalhes! Quem foi a diva que comprou mesmo? Ah, é! Eu! — Ele riu e jogou a blusa em mim. — Usa essa.

– Mas já?! Era mais fácil você ter me falado antes.

– Veste, menina! To querendo ver se combina com esse shorts que você tá usando.

– Onde é o banheiro?

– Ali. — Ele apontou pra uma porta do lado esquerdo da sala. — Mas pode se trocar aqui se quiser. Não estou interessado em peitos. — Obrigada por avisar, Ben. Isso não é nem um pouco visível. Tirei a blusa e coloquei a que ele me deu. — Ficou horrível. Misericórdia! Que tal um vestido?

– Não vou ficar servindo de Barbie Top Model. Já aviso.

– Não precisa ficar na defensiva. Você tem que estar linda! Ah, o vestido deixa pra amanhã. Só não vai se embebedar e ter algo com o boy.

– Você tá louco?! Claro que não.

– Ele é muito gato?

– Hm... Ele dá pro gasto sim.

– Deixa eu ver o Facebook.

– Você devia me ajudar a arrumar uma roupa.

– E eu vou. Mas tem que ter alguma outra diversão além disso. — Ele pegou meu celular. — Qual o nome dele?

– Adam. — Ele procurou e me mostrou. — Esse mesmo.

– Uau. Quantos anos ele tem?

– Acho que 22. Ou 23. Ele tá no último ano de engenharia.

– To precisando de um engenheiro na minha vida. — Olhei pra ele.

– Foco nas minhas roupas. — Falei apontando pra mala.

– Um vestido acho que é uma boa. Só cuidado com a mão boba do boy! E precisamos de uma roupa pra sábado também. — Fiquei acho que mais duas horas no apartamento do Ben. Quando cheguei na república, tive que me arrumar correndo. Desci 10 minutos depois do horário combinado. Adam já estava lá, checando o relógio de pulso.

– Oi! Desculpe o atraso. — Falei, fazendo A simpatia em pessoa.

– Oi. Pensei que iria me dar um bolo.

– Não faria isso. — Fiz cara de ofendida. Ele sorriu e pegou na minha mão. Mas que avanço. Sem nem um beijinho?

– Você gosta de pipoca? Porque lá só vende isso pra comer. Se você não gosta, eu meio que posso tentar fazer um contrabando de salgadinho pra dentro do cinema. — Ri baixo.

– Gosto. — Fomos no carro dele. Não conversamos muito durante todo o caminho. Eu tentava saber se ele me contaria alguns segredos. O grupinho dele era o típico de tráficos em escolas/faculdades. — Então, você sempre foi o certinho da turma?

– Hm... — Ele se mexeu desconfortável. — Posso dizer que sim. Quer dizer... Eu bebo. Mas só isso. Não sou muito fã de usar outras coisas.

– Como assim? Seus amigos usam?

– Difícil achar alguém na faculdade que não use maconha. Mas... Acho que não saiu no noticiário. Então, você não deve saber.

– Há outro tipo de droga na faculdade?

– Sim. Uma menina morreu de overdose no último semestre. O reitor tentou esconder o caso de todo mundo. Mas foi impossível os alunos não saberem.

– Você a conhecia?

– Não. Dizem que a polícia continua investigando. Mas não sei, não...

– As coisas devem se espalhar tão rapidamente pela faculdade... Como será que ela conseguiu acesso a droga?

– Sei lá, Sarah. — Olhei pra ele. — Sério. Não sei. Mas, olha só, dizem que vem da república feminina. Não vai se meter com isso. Calouro sempre quer provar de tudo quando chega a faculdade. Apesar de que também dizem que vem do prédio de humanas. O que é bem provável, já que não conheço uma pessoa de filosofia e sociologia que não curta uma erva. — Ri.

– Não vou aceitar nada. — Ele deu um sorrisinho de canto.

(...)

Adam era divertido. Mas tentou me beijar acho que três vezes, mas fingi que não reparei e dei vários "olés" nele.

– Espero te ver na festa amanhã. — Ele falou com o carro já estacionado na frente da república feminina.

– Eu vou. — Falei sorrindo. — Não vai ter nenhuma pegadinha com calouros, né?

– Prometo que não. E agora rola? — Olhei pra ele tipo "o que?!".

– Rola o que? — Ele veio se aproximando. — Hm... A gente pode deixar isso pra amanhã, quem sabe. — Saí do carro. Acenei enquanto ele ligava o carro e sumia de vista. Depois, fui até a república masculina.

Bati na porta do quarto do Stevens e fiquei esperando. Um Isaac só de samba canção do Superman me atendeu.

– Nossa, que sexy sua cueca. — Ele fechou a cara.

– O que foi? Seu irmão saiu.

– Sabe onde ele foi?

– Comprar cerveja. Quantos anos vocês tem? Ele sabe que só é permitida a venda pra maiores de vinte e um, certo? — Stevens é burro ou...?

– Ele tem uma identidade falsa. — Disse com um sorrisinho. Entrei no quarto e deitei na cama dele. — Fazia o que antes de eu chegar? Não vai me dizer que via porno.

– Eu não tava vendo porno. Tinha acabado de sair do banho, na verdade. — Ele deitou na cama dele.

– É... Tá um cheiro bom.

– Obrigado? — Isaac respondeu parecendo em dúvida e ligou a TV. Eu fiquei mexendo no celular.

"Ele tentou me beijar. QUATRO vezes"

Mandei pro Ben.

"Beijou, né? Ele é boy magya. Não se esqueça disso"

"Não beijei. Ele vai perder o interesse em mim amanhã na festa. E eu quero entrar pra irmandade. Sei que vou descobrir muitas coisas se entrar"

"Como você é lenta. Misericórdia! Eu te fiz parecer fabulosa, rainha do Olimpo! Ele não ia perder o interesse em você. Então, faça o favor de beijar esse menino amanhã!"

Um pacote de salgadinho caiu em cima de mim.

– Vai querer Coca também?

– Pode ser. — Me sentei e abri o pacote. — Então... Não saiu ainda?

– É a primeira semana ainda. E vamos na festa amanhã. — Isaac me entregou um copo de Coca bem gelada. Murmurei um "obrigada".

– Sei que é a primeira semana. E eu já tive um encontro. — Mastiguei sorrindo e ele revirou os olhos.

– E como foi lá? Não, espera! Ele tentou te beijar. Você deixou porque, vamos combinar, além de riquinho ele é popular. Só não transaram porque você é uma moça de família. Ou, pelo menos, eu espero isso. E ele vai tentar te embebedar pra transar com você na festa amanhã, provavelmente.

– Não nos beijamos. — Isaac olhou pra mim. — Eu flertei com ele. Muito. Mas não ia beijá-lo no primeiro encontro. — Ele riu. — O que foi? Eu não menti.

– "Flertei". — Revirei os olhos.

– Tá. Me fala sobre você. Quem tá querendo pegar?

– Não tenho ninguém em mente. — Estreitei os olhos.

– Mentiroso. — Ele piscou pra mim e riu baixo, colocando um pouco de salgadinho na boca. A porta abriu e Stevens entrou.

– Faz o que aqui?

– Preciso falar com você. Coisa rápida.

– Sobre?

– Aquela coisa de família. — Ele fez cara de confuso. Isaac prestava atenção em nós dois. — Sabe... Da semana passada, que nos contaram...

– O que nos contaram?

– Quando eu fiquei loira porra! — Stevens murmurou um "ah...".

– Você é loira falsa? — Isaac perguntou, mas eu ignorei a pergunta. Eu e o Stevens fomos pro lado de fora do quarto. Contei o que eu tinha descoberto pra ele.

– Então, fica de olho no povo do seu prédio. — Falei, concluindo.

– E você na república.

– Vou tentar entrar pra irmandade.

– Você? Numa irmandade? — Ele gargalhou. — É mais fácil eu entrar!

– Eu vou poder transitar tanto por lá quanto pela república. E eu vou me dar bem lá sim!

– Eu também posso transitar pela república feminina. — Revirei os olhos.

– Você entendeu. Bom, vou pro meu quarto. Agradece o Isaac pelo salgadinho. E nada de mostrar foto minha morena!

– Seu pedido é uma ordem. — Quando cheguei no final do corredor, ele me chamou. — Quer que eu te leve lá? Tá tarde.

– Não precisa. Valeu.

Quando voltei pra república, fiquei observando cada menina. Quando vi algo mais perto de ser suspeito, eram duas meninas trocando shampoo.

– Você parece distraída hoje. — Carly falou quando entrei no quarto.

– Impressão sua.

– Beijou o Adam? — Ela perguntou com um sorrisinho malicioso.

– Não. Quem sabe amanhã?

– Como ele é mole! Não que você seja fácil, claro.

– Ele tentou me beijar.

– Então você é realmente difícil. Qual é, Sarah… Ele é popular! E veterano! — Ri.

– Não vou beijá-lo só por causa disso.

– Certo… Quero ver na festa amanhã quando você estiver alta dos goros. Ou vai me dizer que não bebe?

– Depende do momento, das pessoas, do meu estado de espírito… Sabe como é.

– Certo… Só não vai deixar essa oportunidade passar. Você pode ficar popular em minutos! — É o que eu espero.

– Prometo que não vou.

– Vou dormir, Sarah. Até amanhã.

– Boa noite.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Beijos.