Universo Paralelo

21 Voto de Silencio


Capitulo 21

Voto de Silencio

A pequena porta que tinha no touro foi aberta pelo próprio Max que revelou um lugar pequeno e apertado por um momento Max hesitou e fechou a porta.

— Sabe acabo de ter uma grande ideia, na verdade você me deu essa ideia. – Ele falou. – O melhor é que não precisamos de instrumentos nenhum, somente duas coisas que facilmente conseguiríamos nesse castelo.

Eu estava atordoada de mais pra conseguir pensar no que ele estaria falando, seja lá o que for não seria bom pelo menos não para mim porque os olhos sadistas de Max me encaravam e seu sorriso me assustava e eu me perguntava como uma pessoa poderia sentir prazer em torturar pessoas.

Ele manda um dos seus guardas arranjarem agua e o guarda que fica me solta no chão, eu deito de lado numa poça formada pelo meu sangue e por um segundo eu acho que isso é bom, é quente, mas não diminui minha tremedeira. O guarda não demorou a voltar, para o meu azar preferia ficar ali deitada na poça quente de sangue eu sabia que não demoraria muito para o meu sangue congelar, mas com as feridas que pareciam jorrar com certeza eu teria um bom estoque para continuar aquecida. Max manda um dos seus soldados me levantarem e me leva até a parede.

— Você se lembra do seu primeiro dia aqui? – ele perguntou. – Foi um grande alvoroço para conseguir desgrudar você e o generalzinho do portal na entrada do castelo. No entando dessa vez vai ser muito mais divertido.

O guarda jogou agua em uma das paredes e demorou alguns minutos até os dois me carregarem eu tentei me soltar deles me debatendo com o me sobrava de energia mas eles conseguiram grudar meu braço á parede.

— Inúteis! Seria muito mais divertido se fosse as costas junto com os dois braços. – Ele falou e estalou a língua. – Bom vamos aguentar o que temos agora. – Ele sorriu para mim.- Tirem ela dai agora.

Os guardas começaram a se aproximar de mim e eu tentei afasta-los distribuindo chutes no ar em todas as direções até que um deles foi mais rápido e deu um soco na minha barriga atingindo minha ferida e me fazendo cair de joelhos e com uma das mãos em cima da ferida que parecia sangrar mais. Os dedos gelados dos guardas me fizeram voltar ao próximo ato eles agarram forte o meu braço e puxaram de vez, eu tentei gritar, mas não houve som somente mais sangue escorrendo.

Eu cai deitada de cara no chão frio, meus dentes batiam involuntariamente, eu queria ter forças para poder me levantar, mas isso não seria preciso.

— Agora sim! – Gritou Max e eu não precisava olha-lo para saber que estava sorrindo. – O Grand Finale.

Os guardas me levantaram e me arrastaram de volta para o touro e me jogaram dentro do pequeno espaço que tinha dentro da escultura e fecharam a porta, não tinha como ficar de pé ali e o único lugar que entrava ar era uma pequena abertura que iluminava o interior da estatua o lugar abafado tinha o cheiro de carne podre e queimada dificultando minha respiração.

Tive que reunir todas as minhas forças para conseguir me aproximar da única abertura que tinha respirei fundo e ao mesmo tempo eu pude ouvir um som que se assemelhava ao de um touro, eu me lembrava de ter estudado sobre isso, torturas medievais, mas nunca achei que fosse testemunhar de perto e muito menos ser torturada.

As risadas ecoaram no pequeno espaço em que eu estava, Max ria como se estivesse assistindo algum tipo de programa humorístico.

— Esse com certeza é o meu brinquedo preferido. – Ele falou. – Sabe isso vai começar a esquentar e eu não sei até quando você pode aguentar, e se você acha que por estarmos no pais do gelo isso vai ajudar desista esse fogo é magico.

Oo0oo

~Richard~

Eu corria o mais rápido que eu podia e mesmo assim era pouco, cada segundo contava, eu não fazia a menor ideia do que poderia estar acontecendo dentro daquele castelo, Frederick é conhecido principalmente por conseguir todo o tipo de informações e eu sei muito bem como ele consegue essas informações a sua equipe de tortura é ótima.

E não foi preciso muito tempo para a Alexia entender o que estava acontecendo com a Thalia. Ela consegue estabelecer uma pequena ligação com certas pessoas e assim pode ter relances do que a pessoa está vendo ou sentir o que ela está sentindo.

Thalia estava fraca, com certeza foi algo causado por aqueles comprimidos tanto poder instantaneamente tinha que ter um preço para o usuário, e mesmo que estivesse bem, ela não conseguiria escapar daquele lugar, e pensar que neste momento ela está sendo torturada por minha culpa me dava mais raiva ainda.

Eu estava correndo tão rápido que meus pés mal tocavam o chão coberto de neve porque mesmo sendo rápido correr na neve é uma tarefa difícil e assim que eu vi o brilho da luz da lua refletido na torre mais alta do castelo de gelo eu usei toda minha força para correr mais rápido, o meu ódio me movia.

oo0oo

~Thalia~

Eu me deitei dentro do boi com a respiração rápida aproveitando um pouco do calor em quanto ele ainda estava tolerável e como esperado não demorou muito pra meus dentes pararem de bater e eu começar a suar e então se tornou totalmente insuportável. Tentei me levantar sem tocar em nada ao redor o que não aconteceu e eu acabei me apoiando na parede lateral minha mão ardeu, mas eu aguentei e finalmente consegui ficar agachada, o suor escorria cada vez mais pelo meu rosto e eu tentava manter o equilíbrio, mas meus pés estavam queimando, as feridas doíam e minhas pernas estavam tremendo.

Um cheiro invadiu o pequeno espaço, borracha queimada, o material das botas que eu estava usando começou a borbulhar sob meus pés, mas eu não sentia nada o que não era um bom sinal, meu pé já deveria estar tão queimado que eu já não podia sentir nada porque não havia pele alguma.

Eu estava no meu limite minhas pernas balançavam ameaçando me fazer cair, eu podia sentir a dor que seria encostar meu rosto naquele chão. Devagar puxei o medalhão para que eu pudesse ver eu sabia que ele não derreteria tão fácil, mas eu queria que pelo menos ele pudesse chegar as mãos de Pablo.

Pablo, ele esta preso, quando Richrd souber que eu morri o que ele fará com ele? Eu não fazia a menor ideia e algo me dizia que eu não podia morrer ali eu tinha que voltar pelo menos pra salva-lo, mas parecia tolice pensar em algo assim minhas pernas tremeram e eu cai de joelhos no mesmo instante em que minhas pernas tocaram o chão eu gritei e por impulso me atirei pra trás onde outra parede fervente estava, minhas costas encostaram por um segundo e eu gritei novamente tentando voltar para minha posição inicial, mas acabei novamente de joelhos e com as mãos também apoiadas no chão meu corpo inteiro tremia eu tentava me acalmar e devagar voltei pra posição inicial, era obvio que qualquer esperança de eu sair inteira daqui eram mínimas.

Os risos de Max ecoavam pela minha cabeça, e derrepente houve um estrondo, ou deveria ser coisa da minha cabeça, o estrondo veio seguido de uma gritaria e derrepente algo foi jogando contra o lugar onde eu estava e um grito se seguiu.

— Thalia!? – A voz dele me fez despertar, mas não havia nenhuma chance dele realmente estar lá, ele nunca conseguiria chegar a tempo meu corpo tremeu de novo, houve outro barulho dessa vez de metal e eu cai para frente, mas em vez de tocar o chão fervente algo macio e extremamente gelado estava lá.

Max cansou de brincar comigo? Tinha desistido e agora iria me deixar agonizar até que morrese por perda de sangue? Essa era a ideia dele? Mas havia algo errado, aqueles braços me segurando são tão aconchegantes. Minhas costas tocam o chão extremamente frio que faz o meu corpo tremer imediatamente e logo uma manta estava me cobrindo.

Me esforcei para enxergar, minha visão estava embaçada, mas logo reconheci aqueles cabelos loiros e seu rosto começou a entrar em foco, eu conseguia saber o que estava sentindo só de olhar para mim, raiva e dor.

— Richard – Minha voz quase não saiu. Ele me olhou com um olhar preocupado e se apressou passando a mão na bochecha que estava suja de sangue...

Ele se ajoelhou ao meu lado e me carregou assim que ele me levantou eu pude ver os corpos o sangue imediatamente me lembrei dos pesadelos que tive, as pessoas que eu amava rodeadas por poças de sangue, meu corpo começou a tremer involuntáriamente ele percebeu isso e puxou meu rosto de modo que eu não visse nada além do rosto dele.

Eu não sentia meus pés, mas isso não era o mais importante agora, o som de pessoas correndo ecoou pelo lugar, Richard estalou a língua e voltou a me colocar no chão e me cobrindo com o que parecia a capa dele ele caminhou dando uma boa distancia de mim quando os primeiros soldados entraram na sala, Richard impaciente puxou a espada da bainha e foi em direção aos guardas que apareciam cada vez mais e era só uma questão de tempo para que eles estivessem caídos no chão rodeados por uma poça de sangue, e logo todos estavam amontoados e rodeados por sangue. Ele se virou devagar encontrando meus olhos, eu não conseguia imaginar qual seria a minha aparência naquele instante.

Ele voltou a me carregar do mesmo jeito que fez antes, para que eu não visse os corpos de perto, minha cabeça estava girando enquanto ele corria pelos corredores do castelo, estávamos próximos da porta principal quando ele parou de repente me inclinei um pouco e ele deixou que eu visse uma barreira de guardas e Frederick estava á frente deles.

— Ela tem muita sorte de ainda estar viva, o Max realmente deve ter sido bonzinho demais. – Ele falou sorrindo.

— Achei que você usaria suas tropas para fugir e se esconder como sempre faz, mas vejo que dessa vez me dará a chance de te matar.- Richard falou, ele sorria de lado como se estivesse esperando á muito tempo por isso.

Eu me agarrei a camisa dele, eu não sabia o que eu queria, talvez que ele não matasse mais pessoas por minha causa ele me olhou por um segundo e o rosto dele expressava pura raiva.

— Richard, não... – Mas eu não consegui terminar a minha frase, minha cabeça doía e as feridas ardiam em minha pele e eu desmaiei.

Meu corpo inteiro doía eu não queria abir os olhos e ver o estado em que eu estava, mas uma coisa eu tinha certeza eu estava viva e isso era a coisa mais importante no momento eu teria ficado ali de olhos fechados se não fosse o pano encharcado que foi colocado na minha testa me fazendo levantar de um salto, mas braços fortes e gentis me seguraram rapidamente.

— Está tudo bem, volte a deitar. – Richard ele vestia roupas que eram bem diferentes do normal, e podia-se perceber que tinha acabado de sair do banho ele tinha os cabelos molhados escorrendo pela testa, eu sorri não achei que vê-lo novamente seria tão bom, mas como um choque eu me lembrei de como eu fui parar naquela sala de tortura e as lembranças de tudo levaram o sorriso do meu rosto.

Ele deveria estar zangado eu o olho buscando por um traço de raiva ou irritação e não encontro nada, se não fosse por mim tudo teria ido bem, mas pensar em Pablo preso em algum lugar por minha causa doía ele nunca teria vindo parar nesse lugar se não fosse minha culpa eu tinha que manda-lo de volta são e salvo, e agora eu não sabia o que ia acontecer, o que Richard faria era um mistério.

oo0oo

~Richard~

Como ela podia acordar e sorrir em quanto me encara? Eu me lembrava muito bem de como ela me olhou antes de fugir, raiva era a única coisa que havia nas expressões dela, e agora ela sorri para mim desse jeito estava tentando realmente me enlouquecer, só podia ser isso.

Me levantei da cadeira que estava ao lado da cama, o quarto estava uma completa bagunça havia coisas quebradas e jogas no chão, mas nada se comparava ao estado da cama e da garota que estava deitada ali, havia sangue por todos os lençóis, foi bom eu ter poupado algumas pessoas desse castelo entre os vivos pude encontrar um medico que pode fazer os primeiros socorros nela, mas por ela ter tomado tantos comprimidos mágicos a cura não poderia ser acelerada como das outras vezes e mesmo que eu quisesse não poderíamos voltar com ela desse modo, íamos ter que ficar mais tempo aqui.

Fui para a sala que havia ao lado e me olhei no espelho, todas as minhas roupas haviam sido danificadas e agora eu tinha que vestir essas roupas ridículas e eu nem queria saber de quem eram essas vestes, seja lá quem for é alguém bem ridículo, pensei por um segundo se seria muito perturbador sair dali com aquelas roupas, mas não acho que seria assim, as pessoas nem mesmo olhariam para mim se eu as encontrasse pelo castelo e instantaneamente correriam para longe.

Eu estava prestes a sair quando vi Thalia se remexendo nos lençóis, ela tinha voltado a dormir eu andei até ela e tirei o pano que estava ali para tocar em sua testa, ela estava queimando em febre, mas isso passaria logo. Sai do quarto e rumei para a cozinha do castelo onde uma garota um pouco mais velha que a Thalia remexia em algumas panelas no fogão a lenha.

— Prepare algum tipo de sopa e leve ao meu quarto o mais rápido possível. – Falei e ela olhou pra mim como se tivesse visto um fantasma, não nesse caso seria um monstro, eu já estava acostumado com esse apelido. Voltei pelo mesmo caminho que ainda estava cheio de guardas em poças de sangue, eles tinham que tirar logo aqueles corpos dali logo a Thalia não aguentaria mais ficar no quarto e eu ainda não sabia o que dizer quando ela perguntasse sobre a noite passada, qual seria a reação dela ao saber que de todas aquelas pessoas que estavam aqui quando chegamos só restou mais ou menos umas dez?

Não posso negar que foi divertido depois que eu a deixei em segurança no quarto, protegida por um feitiço, foi totalmente surreal ver a cara de desespero daquele velho gordo enquanto eu derrubava um por um de seus soldados, mas se ela não tivesse fugido daquele jeito nada disso aconteceria a culpa é mais dela do que minha, eles jamais deixariam que saíssemos daqui tranquilamente e mesmo que deixassem para onde iriamos com ela desse jeito? Teriamos que ficar em algum lugar por um tempo e uma carroça não é lá um lugar confortável.

Eu não sabia como podia pensar tanto sobre o que ela vai pensar sobre isso, ela fugiu de mim assim que soube que aquele garoto estava preso talvez ela finalmente estivesse com medo de mim, mas a verdade é que ela temia por ele pelo que eu faria ao querido amigo dela. Cerrei os dentes antes de abrir a porta do quarto para encontrar a cama bagunçada e vazia.

Eu não podia acreditar que ela estava tentando fugir novamente, e principalmente naquele estado eu não fazia a menor ideia de como ela teria conseguido se levantar com as pernas daquele jeito de qualquer modo ela não estaria longe.

Andei até a portas principais do castelo que estavam meio abertas e a neve invadia o castelo, não foi muito difícil encontrar as pegadas na neve que levavam ao jardim congelado no caminho jogado entre alguns arbustos e com um pouco de neve estavam as botas que eu havia dado a ela, olhei para os rastros que continuavam os pés dela estavam enfaixados mas o gelo podia piorar o estado dela.

Comecei a andar mais rápido e logo as pegadas dela estavam sujas de sangue que aumentavam a cada pegada e lá estava ela deitada na neve com alguns flocos que pareciam tão brancos em seus cabelos ela estava sorrindo para o céu e em uma das mãos dela estavam varias flores congeladas, parei na frente dela cobrindo o sol e ela abriu os olhos assustada.

oo0oo

~Thalia~

Richard me encarava fixamente, mas eu estava alegre de mais para perceber a raiva que ele estava sentindo até ele começar a falar.

— O que você está fazendo aqui? – Ele perguntou quase gritando. – Porque se levantou? E ainda por cima tirou os sapatos! Você já viu o estado do seus pés? Dessa vez não vamos conseguir cura-lo como um passe de magica como antes por causa do que você tomou! Você percebeu que não há nenhum guarda e que o castelo está quase vazio mais de cem pessoas morreram nas minhas mãos e a culpa é sua por fugir daquele jeito. O que você pretendia? Chegar no castelo ser pega pelos guardas e ficar presa com ele? Ou quem sabe aquele velho nojento te prenderia no quarto dele. Era isso que você queria?

Me sentei na neve enquanto ele gritava as palavras dele eram como facas afiadas eu não sabia o que falar, mas de todas as coisas que eu poderia dizer eu escolhi a pior:

— O que você vai fazer com o Pablo? – Perguntei olhando nos olhos dele.

— Ele é tão importante pra você a ponto de te fazer fugir desse jeito? – Ele perguntou ainda olhando nos meus olhos.

— Se não fosse por mim ele nunca estaria aqui. – Falei me lembrando de como acabamos chegando aqui tudo parecia ter acontecido a tanto tempo. – Tem pessoas esperando por ele no outro mundo.

— E quanto a você? – Ele falou e eu estava começando a me sentir dentro de uma piscina da cor dos olhos dele de um azul tão claro e bonito eu estava tão longe que as ultimas palavras dele foram como um sussurro. – Ninguém está te esperando no outro mundo?

Era tudo branco como a neve e eu não conseguia encontrar o azul e foi ai que tudo ficou negro.

A claridade incomodou meus olhos, era a primeira vez dês de que eu tinha acordado que meus pés doíam daquela maneira, abri os olhos devagar era manha de novo, eu já não sabia quanto tempo tinha passado ali dês do dia em que o Richard me salvou e dizimou as pessoas daqui, ele fez questão de dizer aquilo para mim, eu já sabia que ele tinha feito isso mas eu tenho mais que certeza de que não foi nenhum tipo de sacrifício para ele, ele dele até mesmo ter gostado de tudo aquilo.

Meus pés estavam novamente enfaixados e alguns fios do meu cabelo estavam dançando em minha testa levantei a mão para prende-los atrás da orelha quando percebi que meu braço estava acorrentado á cama.

— Medidas de precaução, já que você não consegue ficar quieta. – Ele falou parecendo mais calmo do que antes.

Houve uma batida na porta e uma mulher entrou, ela tremia da cabeça aos pés e o que mais sinalizava isso era como a bandeja balançava junto com tudo que estava em cima dela, Richard pegou a bandeja das mãos da moça e a rapidez e com que ele foi até ela quase derrubou a bandeja a mulher não esperou por mais instruções e desapareceu pela porta.

Richard sorriu de lado em quanto trazia a comida e colocava no

meu colo.

— Você precisa se alimentar, faz mais de cinco dias que você não come nada.

— Não. – Falei empurrando a bandeja para longe de mim e voltando a me deitar.

— Então agora você está pretendendo morrer de fome? – Ele falou mais irritado ainda. – O que você pode fazer para ajudar seu querido amigo se estiver morta heim?

— E o que eu poderia fazer mesmo estando viva?! Vou melhorar e voltar para aquele lugar e ficar trancada no seu quarto para seu entreterimento em quanto meu amigo fica trancado no calabouço? – Começei a gritar em quanto me inclinava na direção dele até que estávamos a centímetros de distancia.

— E o que você faria se eu o deixasse livre? – Ele perguntou levantando uma sombrancelha.

— Eu não quero só que ele esteja livre eu quero que ele volte em segurança para o nosso mundo e para isso ele precisa de mim também.

— E assim você fugiria com ele. – Ele falou, eu estava olhando fixamente para ele e tentava formular uma resposta, mas os olhos dele me hipnotizavam, eu não tinha nenhum motivo real para voltar para meu mundo a não ser Pablo. Ele ainda estava esperando uma resposta, mas percebendo que não a teria voltou a falar. – Vou levar o seu silencio como um sim.

O hálito dele esquentava meu rosto ele ainda estava ali olhando para mim, talvez tão hipnotizado por mim quanto eu estava por ele.

— Eu pensei que nunca mais ia te ver. – Falei por fim.

— Você não deveria estar preocupada em voltar para seu mundo? – Ele perguntou.

— Eu nunca quis voltar.- Ele me encarou confuso.

— Então a resposta para a pergunta que eu tinha feito antes era não, não tem ninguém de importante no outro mundo para você ou você esta dizendo isso para me convencer a deixa-la livre com aquele garoto e finalmente fugir de mim.

— Eu... – Eu não sabia mais o que dizer, não importava o que eu falasse ele iria distorcer para o que ele queria acreditar e de repente ele sorriu.

— Agora está tentando me seduzir com essa carinha de tristeza?- Ele falou e estalou a língua em reprovação. – Conheço garotas que fazem isso melhor que você.

— Idiota! – Falei e empurrei ele ou pelo menos tentei porque as correntes não eram longas o suficiente.

— Foi uma grande ideia a da corrente. – Ele falou sorrindo de lado. – Se bem que nesse estado será bem difícil pra você fazer algo contra mim.

— Me solte para eu poder ter certeza. – Falei desafiando ele.

— Como você conseguiu aquelas pílulas? – Ele falou mudando a expressão. – Aquela que ampliou seus poderes?

— Eu... Eu não lembro. – Falei. Eu não podia contar de Yan ou de Luiza.

— Como assim não lembra? – Ele falou como se soubesse que eu estava mentindo. – Sua memoria não foi nenhum pouco alterada.

— Eu não lembro! Já disse! – Falei quase gritando.

— Melhor me contar logo, de qualquer modo eu vou acabar descobrindo. – Ele falou dando uma pequena pausa e continuou falando. – Você sabe que mente muito mal.

— Se lembra daquele dia que estávamos chegando ao castelo que eu me perdi na neve? – Eu perguntei. – Eu poderia ter fugido de você naquele dia eu poderia estar agora com o Pablo, mas eu decidi ficar e eu estou aqui, mas não importa o que eu digo você não acredita em mim!

oo0oo

~Richard~

E em um segundo ela estava gritando, ela realmente estava zangada. Eu tentei me lembrar de algo daquele dia, mas não me lembro de nada estranho e se o que ela diz é verdade a pessoa que iria resgata-la era tão rápido quando eu e sabia apagar a sua presença facilmente porque nem mesmo pegadas eu vi na neve além das dela.

— Isso é verdade? – Eu perguntei mas tudo o que ela fez foi virar o rosto para o outro lado. – Pelo menos coma.

Esperei pela resposta que não veio então peguei a bandeja que estava na mesa mexi um pouco a sopa quente e levantei a colher perto do rosto dela, mas ela nem ao menos se moveu.

— Se você não comer isso por conta própria eu vou te dar a sopa por boca-boca. – Isso pelo menos a fez se remexer na cama ela me olhou eu podia ver que ela estava com raiva então ela pegou a sopa da minha mão e simplesmente virou bebendo tudo de vez e depois me devolvendo a vasilha. – Pelo menos de fome você não vai morrer.

Eu disse e sai do quarto levando a bandeja comigo e quando voltei ela estava dormindo. Sentei-me na cadeira ao lado da cama e fiquei observando-a deitada na cama dessa vez os lençóis estavam limpos diferentes da primeira noite em que os lençóis estavam manchados de sangue e sujeira, e ela tinha as feridas abertas sangrando que agora estavam bem enfaixadas.

Nunca acreditei que ela realmente gostasse de mim, mesmo agora eu tinha minhas duvidas eu sempre estive cercado de mulheres que faziam qualquer coisa por mim, mas quando encontrei com essa garota ela parecia selvagem de mais para simplesmente me agradar e agora ela dizia que poderia ter fugido e preferiu ficar, não por medo, ela nunca teve medo de mim e se teve foram poucas às vezes, talvez ela simplesmente quisesse que eu acreditasse nela para que ela pudesse fugir tranquilamente e a melhor explicação para ela não ter fugido naquele dia era porque não tinha a menor chance dela conseguir isso.

A porta bateu e logo em seguida foi aberta e ali estava o farmacêutico e o medico que atenderam a Thalia me levantei silenciosamente e fui em direção á eles fazendo que saíssem do quarto.

— E então? – Perguntei olhando para as duas figuras, os dois altos, magros e inquietos com a minha presença e não precisava conhecê-los para saber que me odiavam por completo, mas eram totalmente covardes a ponto de fazer algo á mim.

— Com a amostra de sangue eu descobri que além das pílulas que aumentam a força e das pílulas alucinógenas ela ingeriu veneno e pelo que pude perceber ela o ingeriu muito antes de chegar aqui e posso dizer o mesmo do antidoto que ela tomou. – O farmacêutico falou rapidamente.

— E por conta de todas essas pílulas os remédios de regeneração não fazem efeito. – Concluiu o medico. – Teremos que esperar o organismo dela voltar ao normal.

— Quanto tempo? – Perguntei ainda confuso com a historia do veneno.

— Dependendo dela uma ou duas semanas. – O medico respondeu.

— Podem ir. – Falei e eles se foram.

Ela foi envenenada muito antes de chegar aqui... Mas quem a teria envenenado? Durante toda a viagem eu estava perto dela a não ser quando ela se perdeu na neve, mas também havia o antidoto que ela tomou.

Abri a porta do quarto e me sentei no escritório pondo os pés em cima da mesa. Ela foi envenenada no castelo e alguém a forneceu o antidoto, e a única pessoa que á poderia ter envenenado era Alexia ela conhece verios tipos de veneno principalmente aqueles que matam as pessoas pouco a pouco, eram os preferidos dela.

Agora tudo fazia sentindo aqueles ataques da Thalia ou quando eu a encontrava ao chão era o veneno agindo e eu não percebi, e só depois do pequeno desaparecimento dela ela voltou ao normal talvez foi ali que ela conseguiu o antidoto.

Ouvi o som das correntes se movendo e me virei a tempo de ver a Thalia se sentando na cama eu não queria que ela ficasse perambulando por ai, mas também não queria que ela ficasse acorrentada, quando estávamos no castelo ela reclamava por ficar presa dentro do quarto, e agora eu tinha que fazer algo para melhorar a situação dela ao máximo.

Levantei-me e num segundo ela estava livres das correntes, ajudei ela a se limpar usando somente um pano úmido depois de ter sofrido aquelas queimaduras mais agua quente não ajudaria e depois que a enfaixei novamente pedi que uma das empregadas a ajudasse a vestir uma roupa mais composta. O que mais me assustou foi ela não ter dito uma única palavra em todo o processo.

Pedi também para que arrumassem um piquenique no jardim congelado, e já não era tão engraçado ver a fúria nos olhos dos empregados do Frederik.

Quando voltei ao quarto ela ainda estava na mesma posição em que eu a havia deixado, eu a peguei em meu colo e caminhei para o corredor, eu queria fazer com que ela falasse, mas não me atrevi a dizer nenhuma palavra sabendo que seria ignorado. Ela estava com raiva de mim que só iria cessar quando eu libertasse ela e o meu novo prisioneiro.

A tenta estava montada impedindo que a neve caísse em nós e vários tapetes foram postos na neve para que ficássemos quentes o máximo possível e além de tudo havia uma pequena fogueira acessa, dentro da tenda havia varias almfadas e muita comida.

Entrei na tenda colocando-a nas almofadas e logo em seguida pegando uma garrafa de vinho e começando a beber do gargalo, algo me dizia que ela não comeria mesmo se eu a ameaçasse como da ultima vez e agora ela tinha declarado o seu segundo voto de silencio.