Universo Paralelo
2 Viagem
Capitulo 2
Viagem
Não nos falamos dês que saímos do Hospital. Ele tinha insistido em pegar um taxi, mas a minha casa estava bem perto e as chances de a mesma coisa acontecer comigo de novo não eram muitas, pelo menos eu contava com isso.
Aquele garoto ainda me seguia. Eu não sabia o porque não só o porque de ele estar me seguindo mas também porque havia me salvado. Duas vezes mesmo depois de eu ter desaparecido ele veio atrás de mim.
Olhei para ele com o canto dos olhos. Eu deveria conhecê-lo de algum lugar, seu rosto me parecia conhecido. Mas de onde? Eu não fazia a menor idéia.
Olhei de novo para ele, parecia bem cansado. Ele não deveria estar acostumado a ficar acordado até tarde. Eu já tinha me acostumado. Fazia um tempo que eu não dormia direito, aqueles sonhos estranhos sempre apareciam para me atormentar.
Ele bocejou e piscou algumas vezes. O som dos nossos passos pareciam ser as únicas coisas naquela rua. Viramos uma esquina, eu já podia ver minha casa.
— Pronto já pode ir. – Falei parando e o encarando.
— É que eu não posso voltar para casa. – Ele falou meio nervoso. – Queria saber se poderia passar a noite aqui.
— È o mínimo que eu posso fazer. – Falei suspirando e voltando a caminhar.
— Você é bem calada. – Ele falou.
— Não costumo conversar muito com as pessoas. – Falei entrando em casa.
— Seus pais não vão se importar de eu dormir aqui? – Ele perguntou.
— Eles não moram aqui. – Falei. – Eu estou morrendo de sono e acho que você também. Então vamos fazer o seguinte. Eu vou para meu quarto dormir. O banheiro social fica logo ali e o quarto de hospedes ali.
Falei apontando as portas. Ele assentiu com a cabeça. Eu fiz o mesmo e rumei para as escadas.
— Ei! – Ele falou quando eu estava na metade das escadas. Eu parei e me virei para ele. – Boa noite.
Ele falou sorrindo, eu o encarei meio confusa e continuei a subir as escadas. Porque ele estava me tratando desse jeito? Eu nem mesmo estava falando com ele. Porque ele tinha me salvado? Minha cabeça ainda estava doendo e eu ainda estava suja de lama e areia.
Fechei a porta do meu quarto e fui direto para o banheiro. Eu estava me concentrando em parar de pensar. Hoje tinha sido um dia muito... Como eu podia descrevê-lo? Muito louco.
Quase atropelada. Quase estuprada. E o meu “herói” estava no andar de baixo dormindo e eu nem ao menos havia dito um obrigado. Balancei minha cabeça tinha que esquecer o dia de hoje pelo menos para conseguir dormir.
Isso se aqueles sonhos não voltassem.
Me joguei na cama e não demorou muito para eu cair no sono. E mesmo que eu pedisse. Não, não implorasse para não ter sonhos ele veio.
Eu estava correndo o mais rápido que eu podia, olhei ao redor tentando dar forma aos borrões que eu via. Eu estava numa floresta! Mais isso não importava eu tinha que continuar correndo tinha que sair da floresta precisava chegar... Aonde eu tinha que chegar?
Eu não consegui responder. Algo passou pela minha cintura me puxando para o lado. Eu queria gritar, mas antes que eu pudesse fazer isso outra mão já estava em minha boca.
Me sentei de um salto na cama. Minha respiração estava acelerada como se eu realmente estivesse corrido. Me levantei com as pernas ainda tremendo e puxei a cortina da janela ainda estava escuro lá fora.
Esfreguei os olhos com as costas da mão. Eu não ia mesmo conseguir dormir. Respirei fundo e rumei para as escadas desci cada degrau devagar.
A sala estava silenciosa como sempre. Liguei a teve no volume mínimo. Tinha que ter alguma coisa passando na televisão que não fosse jornal, algum filme de terror ou coisa parecida.
Achei um canal que passava um filme de terror. Mas eu simplesmente não estava prestando atenção para ficar com medo. Era a primeira vez que eu me vi correndo no sonho, na maioria deles eu só estou olhando á floresta, neste sonho eu estou nela correndo de... Algo; e no fim sou pega.
oo0oo
Ela subiu as escadas sem me responder. Que garota estranha pensei enquanto entrava no banheiro. Tomei um banho bem rápido e me enrolei com uma toalha parecia novinha em folha, como se ninguém tivesse usado.
Sai do banheiro e fui para o quarto de hospedes. Era um costume meu sair do banheiro de toalha mas era estranho fazer isso sabendo que uma garota estava no andar de cima.
Vesti minha bermuda e me deitei na cama. Estava morrendo de sono. Mas não consegui dormir ainda estava pensando em tudo o que havia acontecido. Cruzei os braços e apoiei minha cabeça.
O mais estranho de tudo era que eu nem mesmo sabia o nome dela. E nem ela o meu. E ela nem ao menos me pediu um obrigado. Repassei em minha mente vários filmes nos quais as garotas indefesas agradeciam por serem salvas.
Mas ela não tinha cara de garota indefesa. Pelo menos ela me deixou dormir aqui. Talvez fosse esse o agradecimento dela. Ela realmente era bem calada, mas isso não me incomodava.
Só de pensar que depois de tudo isso eu ainda iria ter de ir a escola me cansava. Eu tinha sorte de ter deixado minhas coisas no armário da escola, assim poderia adiar a bronca que ia receber da minha mãe.
Deitei de novo na cama. Não sabia quanto tempo eu tinha passado ali deitado, mas as horas á noite podem passar rápido de mais ou devagar de mais. Olhei o relógio já ida dar três horas da manha.
Eu tinha que dormir, me deitei na cama. Mas o mínimo que eu fiz foi dar um cochilo, porque ainda estava escuro quando eu acordei ouvindo alguns zumbidos do lado de fora do quarto.
Me levantei meio sonolento e abri a porta de vagar. Da onde eu estava dava para ver a televisão ligada e a garota sentada no sofá. Pensei que ela estivesse acordada mas quando me aproximei foi que vi que ela estava dormindo.
Peguei o controle que estava ao lado dela e desliguei a televisão, mas quando fui colocar o controle de volta a mão dela segurou meu pulso. Eu tomei um susto mas quando a encarei ela ainda tinha os olhos fechados.
Ela me puxou o que me fez sentar no sofá ao lado dela. Eu estava confuso talvez aquilo fosse só mais um sonho meu. Ela ainda estava segurando minha mão quando colocou a cabeça no meu ombro. Eu não tinha duvidas aquilo era um sonho.
Eu acabei dormindo ali, cai no sono bem mais rápido que antes.
oo0oo
Eu costumava sentir frio quando dormia no sofá mas agora eu estava quente, confortavelmente quente. Eu não tinha coragem de abrir os olhos eu estava morrendo de sono ainda. Eu podia ouvir dois barulhinhos como musica de fundo.
Demorou um tempo para eu perceber que os barulhinhos eram na verdade batimentos cardíacos e uma respiração que não era a minha.
Abri os olhos de vagar para encontrar o rosto daquele garoto bem em minha frente, bem perto. Talvez até perto de mais. De repente um alarme começa a soar o que me fez pular para longe do garoto que também acordou como susto.
Ele enfiou a mão no bolso da bermuda e tirou o celular ao que apertou um botão e o barulho cessou deixando um silencio cair no lugar.
— Desculpa é que...- Ele começou a falar mas eu pude ver a luz do sol penetrando nas frestas da porta. Tínhamos que ir para a escola. Tínhamos? Eu deveria estar ficando louca mesmo.
-Vou me arrumar. – Falei me virando e indo em direção á escada. – Se não vou chegar tarde na escola.
Antes de subir as escadas dei uma ultima olhada para ele. Ele estava meio que atordoado estava sem camisa e seu cabelo estava bagunçado.
Não demorei para me arrumar a escola ficava perto mais a palavra escola também me lembrava que eu não havia feito nenhum dever.
E eu certamente não iria contar do quase estupro que eu sofri. Não iria mesmo.
Eu já estava descendo as escadas. O garoto estava sentado no sofá mas tinha vestido a camisa e tinha os cabelos meio molhados que grudavam em sua testa. Eu ainda não entendia como ele me salvou duas vezes, não se feriu nem um pouco e ainda assim não sujou se quer a roupa.
— Não seria melhor você ir para a escola? – Falei chamando a atenção dele.
— Nós estudamos na mesma escola. – Ele falou meio que desapontado.
— Se é assim melhor irmos logo. – Falei abrindo á porta. O céu estava nublado e fazia frio lá fora, de algum modo isso me fez lembrar daquele garoto.
Ainda estávamos andando, e pela primeira vez o silencio me incomodou.
— Então qual seu nome? – Falei sem olhar para ele.
— Pablo. – Ele falou dava para ver que ele estava satisfeito por eu falar primeiro. – E como é o seu nome?
— Thalia. – Falei indiferente.
— Thalia. – Ele repetiu meu nome.
Não falamos mais nada enquanto andávamos. Parecíamos dois zumbis eu já estava acostumada. Mas o Pablo parecia bem sonolento, e por um segundo me senti meio que culpada por ele estar daquele jeito, mas ele poderia muito bem ter ido para casa depois de me deixar no hospital.
Porque ele me esperou? Porque quis me levar para casa? Porque me salvou de ser atropelada? Porque me seguiu e me salvou novamente?
Cerrei os dentes. Eu não queria pensar nessas perguntas não agora. Tinha outras coisas para me importar agora.
Ele me seguiu até meu armário peguei minhas coisas e me virei para ele.
— Vamos para a sala. – Ele falou. Eu o encarei confusa. – Nós temos a mesma aula agora.
— Biologia? – Perguntei ainda confusa. Eu nunca tinha reparado nele na sala de aula. Nunca reparei em ninguém mesmo.
— Sim. – Ele falou sorrindo. – Eu só preciso pegar minhas coisas você me espera?
Assenti com a cabeça ao que ele sorriu pegou minha mão e começou a andar pelos corredores. Eu não estava olhando para os lados mas eu podia perceber as pessoas olhando para nós ao passarmos.
Eu nunca fiquei tão próxima de alguém a ponte de ela segurar minha mão. Puxei minha mão da dele; ele se virou me encarando sem entender. Eu olhei para os lados e ele pareceu entender. Onde passávamos o corredor ficava silencioso.
Ele parou em frente ao armário o silencio caiu ali como uma pedra, eu podia sentir os olhos atrás de mim como se me perfurassem; eu já deveria ter me acostumado com isso, mas eu parecia estar mais incomodada pelo fato de estar acompanhada, deveria ser isso.
Ele fechou o armário com força, os livros já estavam em uma de suas mãos ele encarando as outras pessoas que voltaram a sussurrar coisas umas para as outras e então ele se voltou para mim. Eu estava ainda encarando a camisa dele quando ele pegou na minha mão e saiu me arrastando dali.
— Idiotas. – Ele falou baixinho.
— Eu já estou acostumada, não ligue. – Falei me sentindo meio culpada. Se ele não estivesse comigo as pessoas não estariam nos encarando daquele jeito
Ele não me respondeu, sentei no meu lugar de sempre na sala, mas dessa vez ele se sentou ao meu lado. Eu não consegui prestar atenção na aula mas tentei parecer bem concentrada.
Eu já estava acostumada até demais de todos permanecerem distante de mim e eu não ligava e não me importava em ficar longe deles. Mas o fato de eu chegar na escola acompanhada parecia um absurdo. Eu realmente tinha que ficar longe dele.
— Bom, alunos. – O professor falou sorridente. – Eu tenho o prazer de informar sobre a próxima excursão que vamos realizar. Com direito á acampamento por dois dias.
Os alunos comemoraram, eu olhei de esguelha para Pablo ele olhava em direção ao professor sem realmente ve-lo. Eu fazia isso sempre já estava acostumada, mas ver isso em outra pessoa era um pouco assustador.
A aula demorou a terminar eu peguei minhas coisas e assim que passei pelo professor ele me parou.
— Pode esperar um pouco? – Ele falou mas a pergunta soou como uma ordem e eu assenti em quanto todos saiam da sala lançando olhares para traz.
O professor esperou até que todos os alunos tivessem saído para começar a falar.
— Suas notas não estão muito boas esse ano não é? – Ele falou mas era uma afirmação e não uma pergunta, ele não esperou minha resposta para continuar. – Como já estamos no fim do ano acredito que você não consiga recuperar suas notas. E como você nunca foi a uma excursão. Façamos um trato: Você vai á excursão e te dou a nota que você precisa para passar.
— Vou pensar nisso. – Falei. Ele pareceu meio confuso estava pronto para me ver festejar e agradecê-lo pela proposta como qualquer aluno normal. Mas eu não sou normal. Mas eu provavelmente iria aceitar.
Sai da sala e me dei de cara com o Pablo ele estava me esperando ao lado da porta com os braços cruzados.
— O que ele queria? – Ele perguntou.
— Nada de mais. – Falei continuando á andar.
— E então você vai nessa excursão? – Ele perguntou.
— Acho que sim. – Falei dando de ombros.
Fale com o autor