Universo Paralelo
3 Acampando
Captulo 3
Acampando
As semanas passaram rápido e eu fiz de tudo para ficar longe do Pablo mas ele sempre acabava me encontrando na escola ou indo para minha casa.
Era o dia da excursão minha mochila já estava arrumada e bem leve. Não tinha muito o que levar. Ouvi batidas na porta peguei a mochila e desci as escadas.
Eu nunca vi a necessidade de ter uma campahia ao que ninguém vinha me visitar. Agora meu único visitante estava de pé em frente á minha casa.
— Dormiu bem? – Ele perguntou enquanto caminhávamos.
— Não, só consegui dormir de madrugada. – Falei.
Eu não ia contar a ele sobre meus sonhos ele ia realmente me achar louca. Mas algo que me incomodava foi que dês daquela noite que ele dormiu lá eu tenho sempre o mesmo sonho. Eu correndo na floresta até que alguém me pega.
— Você deveria tomar remédios para dormir. – Ele falou. – Não é bom você ficar acordada até tarde.
— Eu já me acostumei. – Falei.
— Você sempre diz isso. – Ele falou ficando serio.
— O ônibus já chegou. – Falei, antes que ele começasse um outro sermão.
O motorista não estava no ônibus que tinha as portas fechadas. Coloquei minha mochila no chão e sentei no meio fio, Pablo fez o mesmo.
— Odeio ser o primeiro a chegar. – Ele falou.
— Se você não tivesse me ligado tão cedo, eu ainda estaria dormindo! – Falei meio indignada.
— Por você chegaríamos atrasados. – Ele falou. – Quem sabe até perderíamos o ônibus.
— Espero que não demore muito para entrarmos no ônibus.- Falei. – Para eu poder dormir.
Ele passou uma mão pela minha cintura e me puxou para perto dele.
— Pode dormir. – Ele falou sorrindo. – Como no dia em que nos conhecemos.
— Por falar daquela noite eu queria saber como foi que você foi acabar no sofá comigo. – Falei sorrindo torto.
— Você não se lembra? – Ele falou sorrindo.
— Eu deveria? – Falei fazendo uma careta.
— Achei que se lembraria de ter me puxado para o sofá e de achar que eu sou uma almofada. – Ele falou.
— Humm. – Falei.
— Sabe o normal das garotas seriam ficar envergonhadas. – Ele falou mais para ele mesmo. – Mas você não. Você sempre foi diferente.
Ele nem me deu tempo de responder.
— Gosto disso. – Ele falou ainda pensativo. – Ser diferente.
oo0oo
Eu ainda estava falando quando eu a olhei e vi que ela estava dormindo. Acho que eu já tinha me acostumado a ela passar a maior parte do tempo calada, e nem percebi quando ela dormiu, realmente parecia como da primeira vez.
Eu não sabia quanto tempo passamos ali até que os primeiros alunos começaram a chegar, pelo menos as pessoas estavam agindo normalmente. Era ridículo como todo mundo parava de falar quando a Thalia passava.
Ela ainda estava dormindo quando o motorista apareceu em meio aos alunos. Meus olhos encontraram os dele e uma mistura de medo e raiva se espalhou em mim; Não temia por mim mas sim pela garota que dormia ao meu lado.
Era ele eu tinha certeza.
oo0oo
Era o mesmo sonho, eu admirava a floresta na minha frente e atrás dela o mesmo castelo parecia reluzir á luz do sol. Esse sonho pelo menos era mais reconfortante que o outro.
Me deitei no campo de trigo que parecia feito de ouro. O sol estava forte mas não me incomodava fechei os olhos ainda podendo ver a claridade através das pálpebras e sorri.
Eu me sentia bem ali. A claridade diminuiu e eu abri os olhos rápidos para ver o que estava criando aquela sombra. O garoto estava parado em minha frente. Seus cabelos estavam bagunçados e suas roupas sujas.
Eu sorri para ele involuntária mente. Eu não era muito de sorrir mas ele retribuiu meu sorriso.
— Pablo? – Falei. Ele nada me disse. Só me estendeu a mão, eu a segurei e ele me puxou para ficar de pé.
— Luiza! – Ouvi a voz juntamente com um leve balançar. Fechei os olhos sentindo um peso em minhas pálpebras. – Luiza!
— Pablo? – Repeti, mas quando abri os olhos, não havia campos de trigo nem florestas e nem castelos. Somente a escola e o meio fio onde eu estava sentada.
— Temos que entrar no ônibus. – Ele falou. Eu ainda estava meio sonolenta enquanto levantava. Eu subi as escadas primeiro ainda bocejando já estava no corredor do automóvel quando ouvi dentes trincando atrás de mim.
— O que houve? – Perguntei tentando conter outro bocejo.
— Nada. – Ele falou mas eu pude vê-lo lançar um olhar para a cadeira do motorista. Eu segui seu olhar mas eu não podia ver o motorista.
Sentamos nas ultimas cadeiras. E embora eu ainda estivesse com sono não consegui dormir por todo o resto da viajem. Não sabia quanto tempo tinha se passado dês que saímos da escola mas o Pablo nem sequer falou.
Olhei para ele, mas ele parecia imerso em pensamentos. Bocejei outra vez o que pareceu puxá-lo de volta para o que estava acontecendo.
— Porque não dorme um pouco? – Ele perguntou.
— Não quero dormir mais. – Falei bocejando de novo. – Só quero chegar logo.
— Humm. – E então ele voltou para seu estado de transe novamente.
Ficamos em silencio pelo resto da viajem até que o ônibus parou ao lado de uma pequena trilha onde estavam de pé o professor de Biologia e um outro homem que aparentava ter trinta anos ou menos, estava com uma camisa branca e tinha um lenço amarrado ao pescoço como fazem os escoteiros e vestia uma bermuda que ia até os joelhos. Só de olhá-lo eu já sabia que ele era um guia.
— Chegamos. – Falei cutucando ele. Ele assentiu e nos saímos do ônibus.
Nós fomos os últimos a sair do ônibus. O guia se chamava Carlos ele era sorridente demais. Ele fez uma rápida palestra antes de começarmos a trilha e dos cuidados que tínhamos que tomar, mas a maioria dos alunos estavam muito ocupados conversando entre si para prestarem atenção.
Nós não caminhamos muito, logo estávamos na área onde acamparíamos. Ali parecia ser um lugar tranqüilo, mas agora infestado de adolescente parecia impossível ser um lugar silencioso.
Não demorei em arrumar minha barraca foi só ler o manual, o que muitos não fizeram de inicio e depois de muito tempo decidiram verificar. Dês que comecei a armar minha barraca não vi o Pablo. Coloquei a cabeça para fora da barraca procurando por ele.
Logo voltei para dentro da barraca, ainda não entendia o porque de ele estar tão calado; E muito menos por que isso me preocupava tanto com isso. Me deitei na barraca com apenas minhas pernas para fora e quase dormi ali.
— Acorda Thalia. – Pablo falou. – O professor esta chamando.
— Já vou. – Falei bocejando. – Já vou.
oo0oo
A Thalia parecia não ter percebido mas eu tinha certeza que aquele motorista era o mesmo cara que estava no beco, naquela noite e que tentou...
Fechei os punhos e trinquei os dentes. Eu tinha que ficar de olho nela e também naquele cara. Pensei em contar para ela, mas eu poderia ter me enganado e também não queria assustar ela.
O professor pediu ajuda para buscarmos gravetos para ascender a fogueira, eu estava cansado então não quis ir. Já estava de tardinha; Respirei fundo deixando aquele ar entrar nos meus pulmões. O lugar tinha um cheiro de grama cortada que era aconchegante.
Fui até a barraca da Talhia e a abri. Mas ela não estava lá!
— A esquisitona foi buscar gravetos também. – Um garoto falou. Esquisitona? Eu tive vontade de socá-lo mas me contive. Olhei ao redor mas aquele motorista também havia desaparecido.
Cerrei os dentes. Como eu pude ser tão idiota. Peguei minha mochila e me embrenhei na mata. Eu tinha colocado de tudo dentro dela, e quando eu digo de tudo eu estava falando serio.
Eu passei por alguns alunos, mas nem sinal da Thalia. Eu tinha descido um barranco e agora já estava bem distante do acampamento quando eu ouvi seu grito que logo foi abafado.
Uma imagem percorreu minha cabeça. Joguei a mochila no chão e comecei a correr. Como eu podia ter sido tão idiota? A culpa de tudo isso era minha. Não podia deixar nada acontecer com ela ou nunca me perdoaria.
oo0oo
Eu não vi o Pablo quando estava indo buscar gravetos para a fogueira. Talvez eu o encontrasse em quanto caminhava. Estava tentando não ficar muito longe do acampamento. E de onde eu estava ainda dava para ver algumas barracas montadas.
Comecei a juntar os gravetos segurando-os contra minha blusa, provavelmente ficaria suja mas eu não me importava eu estava numa floresta iria ser impossível ficar limpa por muito tempo.
Eu estava numa floresta... Repeti a frase mentalmente. Era a primeira vez que eu ia para uma floresta, pelo menos na realidade porque eu sempre me via em uma floresta em meus sonhos.
Seria esta a mesma floresta de meus sonhos, e se fosse o que significava todos aqueles sonhos? Balancei a cabeça espantando aqueles pensamentos.
Já tinha galhos suficientes para ocupar meus dois braços sorri satisfeita.
— Que estranho não acha? – Ouvi a voz e me virei para saber quem era. O motorista estava parado encostado em uma arvore e tinha um sorriso no rosto.
— Como assim? – Perguntei meio confusa.
— De um beco para uma floresta e desta vez... – Ele olhou para um lado e para o outro ironicamente. – Seu amiguinho não esta por perto.
O sorriso dele se abriu mais ainda. Não podia ser, como eu não tinha percebido que era ele? Os gravetos em minha mão caíram.Eu estava em pânico ele sorriu mais ainda quando percebeu meu medo.
— Acho melhor irmos rápido antes que alguém perceba nosso desaparecimento. – Ele falou sorrindo mais ainda ele deu um passo a frente e eu recuei. – Vai fugir de mim?
Nem me dei ao trabalho de responder, ele estava bloqueando a passagem para o acampamento minha única saída seria me afastar mais. Talvez eu me perdesse, mas eu não me importava com isso com tanto que eu estivesse longe daquele cara nojento.
Me virei de costas e comecei a correr, correr como nunca corri. O medo parecia me impulsionar ainda mais para a frente. As arvores passavam por mim como um borrão...
Seria a mesma coisa que eu sonhei? Era exatamente deste modo e por mais que eu corresse dois braços apareceriam do nada e me puxariam... Seria isso o que iria acontecer?
Tropecei em uma raiz e cai no chão, aquilo parecia uma resposta. Eu não tinha caído no meu sonho. Me levantei de um salto mas era tarde...
Os braços dele já estavam em volta da minha cintura, ele me fez virar. Ele ainda tinha aquele sorriso no rosto, ele era nojento. Ele me empurrou com força e minhas pernas cederam e eu cai na grama. Eu ia dar um soco nele mas como se lesse meus pensamentos ele agarrou meus dois pulsos.
— Acabou a brincadeira de pega-pega. – Ele falou. E sem perder tempo sua boca já estava no meu pescoço ele me mordeu com força, eu gritei. Não só de dor mas também de medo, aquilo não poderia estar acontecendo comigo.
Eu me debatia e tentava chutá-lo mas tudo em vão. Ele prendeu as minhas pernas com as pernas dele e continuou a me morder. Ele tirou o rosto do meu pescoço e logo elas estavam em minha boca. Mas dessa vez eu fui mais rápida, mordi a boca dele com força e senti o gosto do sangue dele na minha boca. Nojento.
— Que garota selvagem. – Ele falou sorrindo, com o sangue escorrendo pelo canto da boca. – Gostei disso.
— Seu idiota nojento! – Gritei.
— Larga ela! – Aquela voz era do Pablo eu tinha certeza. Em segundos o peso em cima de mim tinha desaparecido. Eles estavam brigando de novo. Como na noite do beco, nesse momento eu quis poder voltar no tempo e não ter saído aquela noite. Tudo aquilo parecia ser culpa minha.
Olhei em volta e vi uma pedra do tamanho da minha mão, aquilo ia servir peguei ela e me levantei devagar ainda estava ofegante, meu pescoço estava dolorido e eu forçava minhas pernas a se aproximar deles dois.
oo0oo
Com um baque surdo o motorista caiu no chão aos meus pés. Pulei o corpo dele e abracei a Thalia com força. Ela estava tremendo quando eu a abracei a pedra ainda estava na mão dela caiu na grama. O sol estava se pondo.
— Pablo. – Ela sussurrou. – Obrigado.
— Desculpa. – Falei. Ela se afastou um pouco de mim.
— Você me salvou, porque está se desculpando? – Ela perguntou meio confusa.
— Eu desconfiava que era ele. – falei. – Mas não te contei.
— Não importa. – Ela falou escondendo o rosto em meu tórax. – Você está aqui não está?
— Sempre vou estar. – Ela se afastou de mim ainda tremia um pouco. Metade do seu rosto estava sujo de terra, sua camisa não estava em melhores condições, e meus olhos se fixaram na vermelhidão no pescoço dela.
Ela pareceu perceber e tentou cobrir o lugar com a mão mas essa não era o suficiente a vermelhidão se espalhava até o ombro.
— Aquele filho da mãe! – Gritei. E me virei para o corpo que ainda estava jogado no chão. Comecei a chutá-lo com força.
— Pablo! – Ela falou. – Deixe-o! Não vale a pena!
— Olha o que ele fez com você! – Falei sem olhar ela. – O que teria acontecido se eu não tivesse aparecido?!
Silencio. Foi o que tomou aquele lugar. Já estava escuro e embora eu soubesse por onde ir para chegar ao acampamento não encontraria o caminho no escuro.
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Era estranho como aquele sentimento de culpa se alastrou dentro de mim. Eu queria abraçá-lo novamente mas me contive.
— Melhor arranjarmos um lugar para passar a noite. – Pablo falou pegando minha mão e começando a andar na mesma direção em que eu estava correndo.
Não demorou muito para encontrarmos um campo. Eu estava morrendo de cansaço e parei de repente.
— Desculpa estar te fazendo andar tanto, mas precisamos de um lugar para passar a noite e não acho que aqui seja o melhor lugar. – Ele falou.
— Tudo bem vamos continuar. – Falei voltando a andar. Ele apertou minha mão um pouco forte, como uma influencia. Eu andava por aquele campo com uma leve sensação de já ter estado lá, mas isso era ridículo eu nunca tinha ido a um campo ou uma floresta.
Tinha começado a chover quando encontramos uma caverna.
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