Notas iniciais
Eu estava a procura
De um lugar para mim nesse mundo
Desisti.
Criei o meu mundo.

Capitulo 4

Na Caverna

A caverna era escura, mas pelo menos nos protegia da chuva. Estávamos encharcados, sujos e cansados.

- Thalia? – Falei estendendo o braço para alcançá-la. Mal podia ver minhas mãos.

- Aqui. – Ela falou e eu senti o braço dela.

- Olha eu tenho que ir lá fora. – Falei. Tinha que pegar minha mochila com ela estaríamos melhor. – Não saia daqui esta bem?

- Certo. – Ela falou.

Lá fora estava mais frio que dentro da caverna, a chuva caia forte e eu tinha que encontrar minha mochila. Mas depois de um tempo andar não era o suficiente então comecei a correr.

Passei pelo campo agora ele estava escorregadio e parecia querer me derrubar a cada passo que eu dava. Encontrei a floresta não demoraria muito para eu encontrar minha mochila.

Foi então que eu encontrei o motorista desacordado na grama. Eu deveria deixá-lo ali. Joguei ele por cima do meu ombro e continuei procurando pela minha mochila. Não ia demorar muito para eu encontrar o barranco.

Encontrei minha mochila perto do barranco. Coloquei o motorista ali. Talvez alguém o encontrasse. Agora eu tinha que voltar, a chuva estava começando a diminuir a mochila era uma pena se comparada ao peso do motorista.

oo0oo

O Pablo estava demorando, demorando de mais. Eu tinha que ir atrás dele. Me levantei, estava tremendo de frio. Antes que eu chegasse na entrada da caverna eu ouvi alguns ruídos.

- Paaablo? – Perguntei parando. Meus dentes ainda estavam tremendo.

- Sou eu. – Ele falou. E de repente houve um clarão. Meus olhos arderam, eu pisquei e percebi que ele estava segurando uma lanterna. – Desculpe.

Ele abaixou a lanterna.

- Ai meu deus! – Ele falou vindo para perto de mim. Ele estava com um casaco também encharcado. E me senti mais frio quando ele me abraçou.

- Voçê taaa frrrio. – Falei com os dentes ainda batendo. Ele se afastou.

- Haaa desculpa. – Ele falou. Toma isso.

Ele me jogou o casaco molhado para mim. Ele jogou a mochila num canto e colocou a lanterna virada para mim. Mesmo o casaco dele estando molhado eu o apertei contra mim. Como a lanterna estava virada para mim eu não conseguia ver o que ele estava fazendo, mas logo vi um clarão se ascendendo, ele tinha feito uma fogueira.

- Coomoo vocêee conseguuio? – Perguntei. Esperando que ele entendesse minha pergunta.

- Álcool em gel e um isqueiro – Ele falou sorrindo. – O que eu vou dizer é tenso mas... Tire a roupa.
Ele falou ficando vermelho.

- Taaaá louco? – Falei. – Vooou morrerr de friio!

- Tenho roupas aqui para você. – Ele falou.

- Cerrrto. – Falei me levantando. – Viraa.

- Haaá é certo. – Ele pareceu ficar vermelho e se virou. Segurei um rizinho. Mas também estava meio envergonhada. Tirei a roupa e fiquei só de calcinha e sutiã. – Toma.

Estendi as roupas para ele. Ele vacilou um pouco e virou para mim de olhos fechados.

- Caaadê aaa roupaa? – Falei. Me abraçando. Ele pegou a mochila sem olhar para mim e me jogou uma camisa branca e uma bermuda. Vesti as roupas dele rápido. – Prontooo.

Eu o olhei e ele estava estendendo minhas roupas num varal improvisado. Me sentei mais perto da fogueira.

- E você? – Perguntei levantando uma sobrancelha para ele. Ele revirou os olhos para mim.

- Você não vai se virar? – Ele perguntou levantando as duas sobrancelhas.

- Não. – Falei sorrindo.

- Não sabia que você era tarada. – Ele falou quase sorrindo.

- Tira logo. – Falei rindo.

- Ta bom ta bom. – Ele falou rindo.

Ele tirou a camisa devagar ainda sorrindo de lado. Não posso dizer que ele era totalmente malhado mas ele tinha o peitoral definido, ele colocou a camisa também no varal o sorriso no rosto dele continuava ali. Ele balançou a cabeça e baixou a bermuda, ele estava usando uma cueca preta.

- E então? – Ele falou. – Satisfeita?

- Não. – Falei cruzando os braços. – Você ainda nem fez uma dançinha sexy.

- Há ta fica ai esperando. – Ele falou rindo. – Eu também estou com frio tá.

Eu estava rindo como nunca em quanto ele vestia uma outra bermuda e uma camisa preta.

- Sabe. – Ele falou se sentando do meu lado. – Eu nunca te vi rindo assim.

oo0oo

No mesmo instante em que eu disse aquilo me arrependi, foi como apertar o botão de desliga, ela ficou tão seria do mesmo modo que antes.

- Desculpa. – Falei puxando ela para mim. – Eu não deveria ter dito nada.

- Que nada. – Ela falou sorrindo amarelo. – Eu é que tenho que te agradecer.

Ela falou, fechou os olhos, encostou a cabeça no meu ombro e continuou falando.

- Sabe eu não me arrependo por completo de ter saído de casa naquela noite. Eu quase fui atropelada e aquele cara no beco, mas naquela noite eu conheci você, nunca me arrependeria disso. – Ela sorriu e continuou – Você é a única pessoa que parece se importar comigo.

- E eu realmente me importo. – Falei. E puxei o rosto dela pelo queixo fazendo ela olhar para mim. – Por isso gosto de te ver sorrindo.

- Eu estou com sono. – Ela falou. Como é que ela conseguia mudar de assunto tão de repente? Sorri de leve soltando o rosto dela. – Vamos dormir?

- Sim vamos. – Falei. – Vou pegar o colchonete.

- Colchonete? – Ela falou meio que surpresa.

- Aqui tem de tudo. – Falei sorrindo triunfante.

- Ai também tem um edredom? – Ela perguntou levantando uma sobrancelha.

- Claro que sim. – Falei pegando o edredom de dentro da mochila. – Aqui.

Estiquei o colchonete e a Thalia se cobriu com o edredom. Eu me sentei do lado dela encostado na parede da caverna.

- Não vai dormir? – Ela falou.

- Não se preocupe vou ficar bem. – Falei sorrindo e apaguei a lanterna. O fogo da fogueira já estava baixo logo iria se apagar.

Não sei por quanto tempo fiquei ali olhando as chamas lamberem os últimos galhos que rachavam e ficavam cada vez mais escuras até ficaram completamente escuras e carbonizadas para depois se desmanchar em cinzas.

Ainda havia algumas chamas quando me debrucei para olhá-la melhor. O cabelo dela ainda estava molhado, ela havia se coberto até o nariz com o edredom mas agora eu podia ver uma parte da minha camisa. Como eu era tonto deveria ter dado uma toalha para ela se enxugar melhor, agora já era tarde, a minha camisa branca grudou no corpo dela o que deixava bem desenhado os detalhes bordados no sutiã dela que era azul marinho; Os cabelos dela estavam bagunçados, mas não estavam feios o rosto dela ainda estava sujo.

Tentei limpar o rosto dela bem de vagar, não queria acordá-la. Ela deveria estar cansada. Ela não tinha conseguido dormir direito e além de tudo ainda teve que correr de um louco pela floresta.

Eu ainda estava limpando o rosto dela quando a mão dela agarrou meu pulso, mas ela ainda tinha os olhos fechados. Revirei os olhos, tenho que manter distancia dela quando ela estiver dormindo.

Ela me puxou para perto dela, revirei os olhos e me deitei do lado dela, mas ela continuou a me puxar; não demorou muito para eu estar colado com ela o rosto dela a centímetros do meu. Eu poderia beijá-la ali, mas me contive em fechar os olhos e imaginar como seria ter feito.

Não sei quanto tempo consegui dormir mas quando abri os olhos ainda estava escuro lá fora. Estávamos bem perto da entrada, era melhor assim para o caso de alguém nos procurar logo iria nos ver.

A Thalia estava dormindo como uma pedra. Depois de passar um tempo perto dela ficava obvio que ela aproveitava qualquer momento que pudesse dormir, mas de vez em quando, principalmente á noite ela evitava dormir; Ela dizia ter insônia, mas eu não sei se posso acreditar. Tem horas que ela parece estar em outro lugar em outro mundo.

Tirei o braço dela que agora estava em minha cintura, e me levantei. Eu estava acabado, tenho que admitir que dormir num colchonete, e numa caverna não era nada confortável.

Me espreguicei ouvindo o estalar dos meus ossos. As nossas roupas ainda estavam molhadas não ia demorar para enxugar. Não tinha muita coisa para fazer ali. A chuva tinha parado mas um vento frio entrava na caverna.

Sentei do lado do colchonete e fiquei olhando a Thalia dormir.

Eu peguei no sono, mas eu acordei com um grito abafado. Thalia se balançava de um lado para o outro o edredom estava nos seus pés que se moviam como se ela estivesse correndo.

- Thalia! – Falei segurando nos ombros dela. – Acorda Thalia!

- Não! – Ela gritava e se debatia. – Me solta!

- Acorda Thalia! – A balancei um pouco. –Acorda!

- Pablo?! – Ela parecia mais calma e começou a piscar.

- Sou eu. – Falei afastando uma mecha do cabelo dela do rosto. Ela se levantou de vagar e esfregou os olhos. – Pesadelo?

Ela fez que sim com a cabeça.

- Com o que você sonhou? – Perguntei. Mas ela deu um grunhido de dor e colocou a mão no pescoço.

oo0oo

Aquilo tava doendo de mais, e lembrar de como aqueles roxos foram parar ali não ajudava em nada.

- Isso aqui vai ajudar. – Pablo falou estendendo um spray para mim.

- Quando você disse de tudo era de tudo mesmo. – Falei fazendo uma careta.

- Disso eu já sei. – Ele falou sorrindo de lado

Tirei a mão do pescoço, ele começou a examinar o meu pescoço.

- Isso aqui tá feio. – Ele falou.

- Disso eu tenho certeza. – Falei. – Isso tá doendo, dá para ir mais rápido?

- Tá bom. – Ele revirando os olhos. – Que apressada.

O spray gelado me deu arrepios, mas pareceu aliviar um pouco a dor. Ele puxou a manga da camisa para baixo, a camisa era bem larga e deslizou facilmente.

Era estranho eu estar ali; Mais estranho ainda com ele. Depois de uma semana eu não me imaginava mais longe do Pablo, e pensando bem se não fosse ele o que poderia ter acontecido comigo dês daquela noite, devia muito a ele.

- Pronto terminei. – Ele falou, mas eu não escutei. – No que está pensando?

Balancei a cabeça dizendo não.

- Não se preocupe vão nos achar. – Ele falou sorrindo. – Eu tenho certeza. Quando minha mãe souber que eu desapareci ela não vai descansar até me encontrar.

Eu não entendia como ele podia falar aquilo como se fosse uma coisa ruim. Perdi as contas de quantas vezes imaginei uma pessoa que faria de tudo para me proteger, uma pessoa que sempre estaria ao meu lado...

- Desculpa. – Ele falou. – Eu não deveria ficar falando nisso.

oo0oo

Era estranho como eu nunca perguntei a ela sobre os pais dela, e o porque que ela morava sozinha. Talvez eu tenha evitado esse assunto, ela nunca fala muito sobre ela.

- Porque você se importaria? – Ela sussurrou. – Eu sempre...

Ela pareceu se perder nas palavras, tinha a mesma expressão de quando esta pensando em algo, alguma coisa triste.

- Claro que eu me importo! – Falei quase gritando. Minha voz ecoou na caverna.

- Passei dez anos sozinha! – Ela gritou. – Não preciso que se preocupe comigo. Mesmo sozinha eu consigo me virar.

- Thalia... – Mas ela não me deixou terminar.

- Não preciso de você! – Ela falou e me empurrou, cai sentado contra o chão pedregoso enquanto ela desaparecia na escuridão. Me levantei rápido peguei a lanterna que estava perto da minha mochila e fui atrás dela. Mesmo de manha dentro daquela caverna deveria ser escuro, e não enxergar um palmo a sua frente não ia ser nada bom para a Thalia.

- Thalia! – A lanterna só iluminava uma pequena parte da caverna. Lancei a luz ao redor da caverna ela era enorme. Continuei indo em frente, não demorou muito quando eu cheguei até um buraco na rocha estreito.

Desci por ele tomando cuidado para não me cortar, um esforço em vão, me choquei com uma pedra que cortou meu braço. Me esquivei de outras pedras e comecei a ouvir o som de água. Não demorei muito para saber de onde vinha aquele som.

Era como uma piscina, a água caia como uma cachoeira na piscina mas num canto dessa mini piscina tinha um buraco que era o motivo de a água da piscina não transbordar.

Como ela podia ter ido tão longe? Eu estava acabado! A viajem foi cansativa, e correr atrás dela e daquele cara, e ainda aquela caminhada no meio da chuva até aqui todo o dia de ontem foi exaustivo.

Não demorei muito para encontrar a Thalia. Ela estava sentada num canto da caverna, de onde ela estava dava para ver a piscina. Ela olhava a água que jorrava sem realmente enxergá-la, queria poder saber o que estava pensando, mas isso sempre parecia impossível.

- Thalia... – O que eu poderia dizer? Nada simplesmente nada. Eu não sabia como era ser uma pessoa sozinha. – Desculpa...

- Não se desculpe! – Ela gritou. – Não quero que você tenha pena de mim!

- Eu nunca tive pena de você! – Falei sem pensar, as palavras simplesmente saiam da minha boca. – Eu sempre te admirei! Em tudo, seu jeito sempre calada, e como consegue resolver tudo sozinha. Mas ninguém vive sozinho!

- Eu sempre fui sozinha. E ainda estou aqui, não estou?! – Ela falou se levantando e me encarando com raiva, eu podia saber que ela estava na ponta dos pés para parecer maior que eu.

- Você era sozinha. – A corrigi. – Agora que te conheci, você nunca mais ficará sozinha. Nunca mais.

Puxei ela para perto de mim, e a abracei. Eu a abracei com força, e com o pensamento de que jamais a soltaria, minha camisa ficou úmida exatamente onde o rosto dela estava. A Thalia estava chorando?

Era estranho a ver chorar. Carreguei ela com bastante facilidade, ela era bem leve. O rosto dela ainda estava colado em meu peito quando me sentei apoiando as costas nas roxas.

Afaguei o cabelo dela, baguncei-o um pouco e o assoprei. Ela permanecia imóvel. Enterrei os dedos nos cabelos dela e suspirei. Ouvi ela fungar baixinho e só então levantou o rosto.

Seus olhos não estavam vermelhos, seu rosto sim estava um pouco rosado, e algumas lagrimas ainda escapuliam dos seus olhos. Ela tratou de enxugá-los com as costas da mão.

- Obrigado. – Ela sussurrou. Então se afastou de mim se levantando. E então deu um sorriso meio torto. – Eu encontrei uma fonte.

- Que bom assim se a água acabar podemos pegar um pouco aqui.. – Falei retribuindo o sorriso.

- Bom eu pensei em nos tomarmos banho. – Ela falou.

- Boa idéia. – Falei sorrindo.

- Espero que você tenha mais roupas naquela mochila. – Ela falou.

- Claro que tem. – Falei. – Vamos voltar tenho uma surpresinha para você.

- Eu não gosto muito de surpresas.- Ela falou enquanto começávamos a andar.

- Dessa eu tenho certeza que você vai gostar.