Capitulo 5

O Medalhão

Eu já estava com os braços cheios de galhos, isso deveria ser o suficiente. Voltei pelo mesmo caminho que vim da caverna. Agora era só fazer uma outra fogueira e esquentar água para fazer o macarrão instantâneo.

Deixei a Thalia na caverna, ela provavelmente deve querer tomar um banho primeiro. Eu ia esperar o macarrão depois eu penso em higiene. Minha barriga roncou.

Nem para as pessoas da excursão conseguir chegar aqui. E além do mais nós não iríamos conseguir escalar aquele barranco, era um pouco alto e agora que choveu aquilo é lama pura, seria mais fácil ficarmos soterrados de lama do que conseguirmos escalar aquilo.

Provavelmente vão começar as buscas hoje. E se encontraram aquele motorista, (uma parte de mim queria que ele se perdesse na selva e morresse por lá.) espero eu que ele pelo menos diga para que lado fomos, talvez assim nos encontrem mais rápido.

— Thalia? – Chamei quando entrei na caverna. O céu ainda estava nublado e não iluminava nem um centímetro dentro da caverna.

Talvez ela estivesse tomando banho na fonte lá em baixo; Aposto que nem mesmo uma roupa ela levou, como ela pretendia voltar? Talvez ela vestisse a mesma roupa.

Abri minha mochila e peguei uma toalha e um vestido da Thalia. Ela não ia gostar nadinha de eu ter pegado as roupas dela.

Coloquei tudo em cima da minha mochila, daria a ela quando voltasse. Peguei os gravetos e comecei a fazer a fogueira, usei o álcool de novo, os gravetos ainda estavam úmidos pela chuva de ontem e não pegariam fogo tão facilmente.

A água já estava fervendo quando eu decidi ir atrás dela, talvez a fonte fosse de água quente, ela adora água quente; Mas e se não fosse isso? Teria acontecido alguma coisa com ela? Aquele motorista, ele conseguiu encontrar a caverna?

O ultimo pensamento me fez correr pela caverna. Como eu podia ter sido tão idiota? Deveria ter levado ela comigo!

Mas quando eu cheguei perto da fonte e parei para tomar fôlego, não havia nada alem da Thalia ali. Ela estava de costas para mim, a cascata que saia por entre as rochas molhavam o cabelo dela, por um segundo foi como se eu não conseguisse tirar os olhos dela.

Balancei a cabeça e pigarreei. Antes que ela se virasse de frente eu me virei de costas.

— Pablo? – Ela perguntou.

— Eu? – Respondi rápido.

— Como assim “eu”? – Ela falou. – O que você ta fazendo aqui?

— Você estava demorando de mais e então eu achei que poderia ter acontecido alguma coisa com você. E eu também trouxe uma toalha e uma outra roupa. – Falei.

Coloquei o vestido e a toalha em uma rocha e comecei a voltar.

— E saia logo da água. – Falei. – Seus dedos já devem estar enrugados.

oo0oo

Olhei para meus dedos involuntariamente, e não é que estavam realmente enrugados.

— Obrigado. – Falei. – Pela roupa e por se preocupar comigo.

— Não há de que. – Ouvi a voz dele ecoar pela caverna. E então ele desapareceu.

Fiquei só mais um pouquinho na água e sai, me arrepiei estava muito frio ali!. Andei o mais rápido possível para onde Pablo tinha deixado a toalha e a roupa.

Me vesti o mais rápido possível, mas mesmo vestida ainda estava morrendo de frio.

Quando eu cheguei no nosso acampamento a fogueira já estava acesa. Me sentei do lado do Pablo, ele estava sorrindo de pernas cruzadas e bem próximo do fogo.

— E então o que temos para o café da manhã? – Perguntei olhando para a base de ferro em cima da fogueira que estava sustentando uma vasilha pequena.

— Lamen! – Ele falou sorrindo. – È fácil de levar e de preparar então eu trouxe essa base e a vasilha.

— E como tudo isso coube na sua mochila heim? – Perguntei.

— É só arrumar as coisas dos menores para os maiores, no fim acaba cabendo tudo. – Ele falou cutucando a fogueira com um graveto. – Organização. Uma das coisas que você desconhece.

— Hummm. – A fogueira estalou. – Já está pronto? Estou morrendo de fome.

Simplesmente engolimos a comida.

— Vou tomar meu banho agora. – Pablo falou.

— Por falar em banho. – Falei antes de ele sair do circulo de luz. – Dês de quando você rouba minhas roupas?

— Há isso? – Ele falou passando a mão na cabeça. – Foi só para o caso de acontecer alguma coisa como essa.

— Será que na sua mochila não tem calcinha e sutiã também? – Perguntei.

— Tenho mesmo que responder isso? – Ele falou fazendo uma careta.

— Não me diga que você... – Me levantei de um salto indo na direção dele.

— Brincadeira! Brincadeirinha! – Ele falou andando para trás.

— Não ia tomar seu banho? – Falei me sentando.

— To indo. – Ele falou e desapareceu.

oo0oo

A água estava morna quando, dava para entender a demora da Thalia. A caverna era bem escura naquela parte, eu tinha deixado a lanterna ligada.

Eu tentei tomar um banho rápido, sem sucesso. Parecia ter passado muito tempo dês que eu tinha entrado. Eu já tinha vestido minha bermuda quando eu peguei a lanterna e eu vi algo brilhar na fonte.

Me aproximei da fonte, provavelmente era só o reflexo da água. Eu tive que entrar de novo na piscina, o brilho vinha de traz da cascata que caia.

Não foi difícil arrancar o relevo que tinha incrustado na rocha. Era um medalhão, uma circunferência com escrituras nas laterais, que tipo de língua era aquela?

— Pablo? – Me virei num salto.

— Thalia. – Falei saindo da piscina. – Olha isso.

Ela pegou a lanterna e o colar da minha mão.

— Que tipo de inscrição é essa? – Ela perguntou sem olhar para mim.

— Eu não sei. – Falei passando a mão no cabelo molhado. – Mas parece antigo.

— Onde você encontrou isso? – Ela falou olhando para mim.

— Na rocha atrás da cascata. – Falei.

Ela se aproximou da piscina e apoiou o pé na beirada inregular e se inclinou, tentando ver através do véu de água que escorria.

— Cuidado para não... – Mal terminei a frase o pé dela escorregou, mas antes que ela caísse eu consegui segura-la, esperei até ela tirar o pé de dentro da piscina e a soltei.

— Pablo! – Ela falou se ajoelhando na frente da piscina. – Olhe só isso.

Segui o olhar dela para encontrar uma estrela. Ela se inclinou e pegou a estrela.

— Isso deve ser um pentagrama. – Ela falou. – Isso deve encaixar de algum modo.

Não demorou muito para ela conseguir encaixar a estrela na circunferência. E então ela estendeu para mim.

— Esse símbolos tem vários significados, representa os cinco elementos ar, fogo, água, terra e espírito. Também é símbolo de magia e era usado pelos Wicca. – Ela falou.

— Humm. – Falei. – Magia é?

Nunca acreditei muito nessa historia de magia e etc.

— Será que acontece alguma coisa se colocarmos o pentagrama completo na rocha? – Ela falou mas nem mesmo esperou a resposta e já estava entrando na piscina.

— Espera, isso não parece uma boa idéia. – Eu a segui, mas era tarde ela já estava colocando o pentagrama na rocha bem devagar.

Tentei puxar a mão dela, mas eu só consegui foi empurrar mais rápido o pentagrama na rocha. Em tão veio um clarão, e a única coisa que pude fazer antes de ficar sego com a luz, foi puxar a Thalia para perto de mim.

Quando abri os olhos eu estava sentado fora da água com as costas encostadas na piscina, a Thalia ainda estava nos meus braços.

— Thalia você tá bem ? – Perguntei, puxando ela pelos ombros para poder ver o rosto dela, mas não foi o rosto dela que me assustou, mas o que estava pendurado em seu pescoço.

— Pablo? – Ela falou colocando a mão na cabeça. – O que aconteceu?

— Eu não sei como mas você está com um colar do mesmo formato da estrela. – Falei. Ela se sentou do meu lado e pegou o pingente.

— E você está com a circunferência no pescoço. – Ela falou apontando para meu pescoço.

— Como isso foi parar em mim? – Perguntei olhando para ela meio que desconfiado.

— Eu não sou de brincadeiras. – Ela falou. – Alem do mais porque eu faria isso?

— È você tem razão. – Falei me levantando. – Mas o pingente das estrelas não tinha cordão, e agora tem.

— Temos que sair dessa caverna. – Ela falou enquanto eu a ajudava a levantar.

— Não antes de tirar esse treco! – Falei tentando tirar o colar, mas parecia que ele estava colado em meu peito e tentar puxar me tirava o fôlego. – Eu não consigo tirar... Mas o que ...

— Eu também não consigo tirar! – Ela falou meio ofegante.

— O que aconteceu? – Perguntei. – Eu só me lembro do clarão depois que o pentagrama se encaixou na rocha.

— Eu só lembro do clarão e de quando você me abraçou.- Ela falou. E então parou por um segundo e olhou para mim. – Magia, o pentagrama tem a ver com magia!

— Não vá me dizer que você acha... – Mas ela não me deixou terminar a frase e já estava correndo.

Eu a segui, mas ela continuou correndo para fora da caverna passamos de onde tínhamos acampado, mas onde estavam nossas coisas? Parei quase tropeçando.

A minha mochila tinha desaparecido, como o colchonete, a colcha o varal improvisado e até mesmo as cinzas da fogueira. O que tinha acontecido ali?

— Pablo! – Ouvi a Thalia gritar, e corri até ela. Aquela historia de pentagrama e de magia não era nada bom e agora o que poderia acontecer?

— Thalia o que... ? – Ela estava sorrindo, sorrindo com os olhos. Ela rodopiou uma ou duas vezes e se jogou na plantação de trigo. Aquele lugar, de onde eu me lembrava?

No dia que eu encontrei a Thalia, no hospital, eu sonhei com esse lugar, mas era impossível! Passei pela Thalia e olhei para a floresta que estava á frente e como eu me lembrava lá estava o mesmo castelo branco.

— Pablo? – Ouvi a Thalia me chamar. – O que foi?

— Eu já sonhei com esse lugar. – Falei sem olhar para ela.

— Você já sonhou com esse lugar? – Ela perguntou incrédula.

— Eu sei que parece loucura, mas sim eu já sonhei. – Falei me virando para ela. – Porque?

— Eu sempre sonho com esse lugar. – Ela falou.

— Você também? – Perguntei. – Quando você começou a ter esses sonhos?

oo0oo

Sim eu sonhei com aquele lugar, mas também tive pesadelos, e se fosse para acontecer alguma coisa comigo não queria que o Pablo estivesse por perto, sabe-se lá de quem era aqueles braços. Ele estava falando mas eu não o escutei.

— Pablo temos que voltar. – Falei. – Temos que arranjar um modo de voltar.

— Um segundo atrás você estava sorrindo. – Ele falou se virando para mim e logo em seguida voltando a olhar para o castelo. – É raro você sorrir. O que te fez mudar de idéia?

— Você não entende é que... – Não consegui terminar a frase uma mão cobriu minha boca e outra me puxou para trás. Era exatamente o que eu temia.