Capitulo 7

Um beijo

Cavalgar era uma das coisas que eu nunca tinha feito, era uma sensação boa, quando saímos da floresta havia um campo e a luz da lua criava sombras estranhas. Luiza tagarelava em meu ouvido algo como conseguir roupas para mim, mas eu não estava com frio.

Passamos por um vilarejo que parecia abandonado e logo entramos em outra floresta. E foi por entre as arvores que eu vi um lago e logo á frente havia um chalé.

A casa era toda feita de pedras com telhado de madeira tinha janelas redondas de madeira, na porta havia um símbolo incrustados na madeira.

— Vamos fazer o seguinte, Pablo eu arrumo um lugar para você dormir e a Luiza arranja um lugar para a Thalia. – Yan falou.

Luiza arrastou a Thalia casa á dentro e o Yan arrumou lençóis e uma almofada para eu dormir em algo que parecia um sofá.

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A Luiza me deixou dormir num quarto separado do dela, o quarto era simples tinha uma cama de casal bem forrada um criado mudo e uma janela.

Eu estava morrendo de frio a Luiza tinha me dado dois cobertores, mas eu não conseguia dormir. Levantei coloquei meus tênis e me enrolei com um cobertor. Ia ser estranho se alguém me visse rondando a casa com um cobertor, então decidi sair de lá.

Fui até a sala, minha sorte foi que a porta estava aberta eu já ia fechá-la.

— Thalia? – Me virei, o Pablo estava sentado no sofá me encarando ainda estava de bermuda, mas agora usava uma camisa meio estranha. – O que foi.

— Não consigo dormir. – Falei ainda parada na porta.

— E o que esperava encontrar lá fora? – Ele falou caminhando até mim. – Fecha a porta ta fazendo frio.

— Não sei. – Respondi enquanto ele fechava a porta.

— Eu fico com você até dormir. Certo? – Ele sussurrou e pegou a minha mão.

— Olha só como você está fria! – Ele sussurrou sentando no sofá. Sentei do lado dele e encostei minha cabeça no seu ombro. Quentinho. Ele me abraçou e eu fiquei ali encarando as arvores através da janela redonda.

Não sei quanto tempo demorei para conseguir dormir, mas eu tive outro sonho ou pesadelo não sei ao certo o que foi. Eu estava numa sala enorme com estantes refinadas quadros retratando natureza morta, e o quadro que me chamou mais atenção.

Um garoto, não muito mais velho que eu. Tinha os cabelos loiros não muito longos e olhos verdes, acima de sua cabeça havia uma coroa, ele parecia serio e tinha aquele olhar triste. Então ouvi o barulho de passos, e uma das três portas que tinha naquela sala o garoto do retrato entrou na sala.

Ele era exatamente como no quadro, mas seus olhos pareciam diferentes agora não eram mais tristes. Eu olhava dele para o quadro e estremeci ao sentir a mão dele no meu ombro. Ele me girou com facilidade e segurou meu queixo o rosto dele estava a centímetros do meu; E então eu acordei.

Abri os olhos devagar, Pablo estava dormindo tranquilamente. Minha respiração estava acelerada respirei fundo e fiquei olhando a lua através da janela.

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Quando acordei a Thalia estava dormindo, mas já dava para ver o sol atrás da janela, eu também podia ouvir vozes, Luiza parecia estar sussurrando algo para alguém provavelmente o Yan.

Tirei os braços de volta da Thalia e encostei a cabeça dela no braço do sofá e me levantei devagar.

— Pablo. – Thalia sussurrou e segurou minha mão. Nem precisei olhar para ela para saber que ela estava de olhos fechados, voltei a me sentar no sofá e apoiei a cabeça dela no meu colo.

Não demorou muito e eu logo dormi. Meu sonho foi meio estranho, eu estava flutuando em direção daquele castelo branco; era uma sensação estranha flutuar, era bom. Uma força invisível parecia me puxar para o castelo, mais especificamente uma das torres.

Não deu tempo de gritar quando atravessei a parede como se não fosse nada, era meio estranho e dava um arrepio no estomago eu já estava atravessando outra parede quando cai no chão em um corredor com varias portas.

Eu escutei passos, mas algo me prendia ao chão, e um garoto apareceu, ele era loiro parecia mais alto que eu e tinha um olhar superior que me irritou, atrás dele dois guardas trajando cinza o seguiam.

Ele passou por mim como se eu fosse completamente invisível assim que os dois guardas passaram por mim a mesma força que me puxava me fez segui-los. De todas as portas do corredor somente em uma havia um guarda de sentinela, que se levantou da cadeira quando o garoto se aproximou e fez uma reverencia formal, ele falou algo, mas eu não consegui escutar. E então ele abriu a porta.

Foi como se eu tivesse sido tele transportado, num segundo eu estava ali atrás dos guardas em outro eu estava dentro de um quarto enorme e luxuoso, tudo ali parecia branco e assim que eu me virei para ver ao redor eu vi a Thalia; Ela era literalmente um ponto negro no meio de um mar branco.

Ela estava olhando em minha direção, mas também não me via. Eu dei dois passos em sua direção e senti anciã de vomito por dois segundos, foi quando o garoto literalmente me atravessou. Eu andei atrás dele. O garoto pegou a Thalia seus rostos estavam a milímetros de distancia.

— Solta ela idiota! – Falei e fui para cima do garoto, mas eu o atravessei como antes. A Thalia tinha um misto de surpresa e medo e então ela olhou em minha direção.

— Pablo? – Ela andou até mim, o seu rosto começou a ficar turvo e borrado. – Pablo acorda!

Quando abri os olhos à casa de pedras tinha voltado, o Yan estava parado em frente á porta. Ele estava sem camisa com o cabelo meio bagunçado.

— Me siga. – Ele falou e saiu da casa. Foi ai que eu percebi que a Thalia não estava mais em meu colo. Onde ela estaria? Me levantei e fui atrás do Yan. Aquele garoto loiro quem era ele? Ele ia beijá-la!

— A Thalia, onde ela está? – Perguntei alcançando o Yan antes de ele abrir caminho por algumas moitas e arbustos.

— Pegar mais algumas coisas para comermos. – Ele falou. E parou sem mais nem menos, consegui parar antes de me bater com ele. Yan me encarou de cima a baixo se virou e continuou a andar. Ele realmente era estranho.

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O dia estava frio a Luiza me emprestou um vestido depois que tomamos banho. Era meio estranho tomar banho em um lago, mas foi bom.

Eu não queria ter saído de lá sem falar com o Pablo, mas não queria acordá-lo ele parecia estar cansado, e algo na expressão dele me incomodava até agora. A Luiza enchia minhas mãos de mil e umas coisas que eu ia prendendo em meu vestido que era meio que enorme.

— O que aconteceu? – Luiza falou em quanto colocava outras folhas em meu vestido. – Você ta com uma cara estranha.

— Nada de mais. – Respondi automaticamente. – Luiza, quem mora naquele castelo?

— A família real. – Luiza falou e se virou para mim. As mangas de seu vestido amarelo estava suja de terra. – Porque?

— Aqui nesse mundo, é normal as pessoas terem sonhos que se realizam? – Perguntei. Era meio estranho perguntar aquilo, no meu mundo já estariam falando que eu era louca ou que estava assistindo filme demais.

Mas esse não era meu mundo, coisas que são estranhas lá aqui podem não ser.

— Sonhos que se realizam. – Ela repetiu. – Você tem esses tipos de sonho?

— Sim. – Falei. – Sonhei com o castelo e com a caverna, sonhei com seu irmão me puxando...

Eu não sabia se contava sobre o sonho que eu tive noite passada. Era estranho eu contar que sonhei que beijava alguém da família real. E pensar naquele beijo dava uma sensação estranha que eu só tinha sentindo quando...

— Você esta em duvida se conta ou não o resto. – Luiza falou sorrindo. – O que esta escondendo heim?

Ela levantou as sobrancelhas curiosa.

— Eu sonhei que estava dentro do castelo, e tinha um garoto loiro...

— Loiro?! – Ela gritou. – Você sonhou com o Príncipe sem nem mesmo vê-lo? E o que acontece no sonho?

— Nós nos beijamos.

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Na cozinha da casa tinha uma das janelas redondas e essa era excessivamente grande. O Yan tinha me emprestado umas roupas dele, eu realmente estava me sentindo estranho.

As horas pareciam se arrastar e eu ali sentado naquela cadeira e por mais que eu tentasse esquecer aquele sonho a imagem deles dois se beijando... Aquilo não pode ser titulado de sonho é muito mais um pesadelo.

Eu já estava enlouquecendo afogado no meu pesadelo, que quase não percebi a Luiza e a Thalia saindo de trás de uns arbustos. Ela estava vestida com um vestido preto com um cinto vermelho caído em sua cintura.

A Luiza se apressou em direção á janela, pensei que ela fosse ultrapassar a parede então ela empurrou uma porta que e o canto da janela se abriu dando passagem as duas.

Eu não conseguia falar com a Thalia de modo algum, eu queria perguntar sobre o garoto loiro quem era ele. Mas o problema era como eu ia fazer isso alem do mais era somente um sonho.

A Thalia estava segurando o vestido em concha que esta cheio de ervas e o que pareciam ser umas frutinhas.

— Vem coloca isso aqui. – Luiza falou pegando uma vasilha grande e redonda.

— Eu ajudo ela. – Falei pegando a vasilha e puxando as ervas do vestido da Thalia. – Dormiu bem?

— Dormi. – Ela falou balançando o vestido já vazio. – E você?

— Mais ou menos. – Falei colocando a vasilha na estante perto da pia.

— E mais ou menos quer dizer...? – Ela falou se sentando em uma das cadeiras de madeira que estava ao redor da mesa.

— Quer dizer que eu tive um pesadelo. – Falei me sentando na frente dela.

— Que tipo? – Ela falou pegando a ponta vermelha do cabelo e enrolando no dedo. – Eu também tenho muitos pesadelos.

— Thalia! – Luiza entrou na sala. – Eu descobri! Vem comigo.

E então ela saiu arrastando a Thalia para fora da cozinha. Logo depois o Yan entrou na cozinha com algo nas mãos que eu realmente não queria saber o que era.

— Você parece estranho dês de que acordou. – Ele falou e então se virou para mim com um sorriso no canto da boca. – Sonhou com o que?

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— Então você quer me convencer que eu vejo o futuro e que eu tenho poderes? – Falei meio incrédula.

— Eu tenho certeza. – Ela disse sorridente. – Agora que eu sei que você tem jeito pra coisa eu posso te ensinar.

— Me ensinar o que? – Perguntei.

— Magia!

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— Então você sonhou com o Príncipe? – O Yan falou cortando algo na bancada. – Mesmo nunca tendo visto a família real e nem mesmo o castelo por dentro.

-Principe? – Falei e balancei a cabeça. – Aqui nesse mundo isso é normal?

— Não são muitas as pessoas desse mundo que podem usar a magia. – Ele falou. – A maior parte dos bruxos foram caçados e mortos.

Ele decepou algo com um só movimento, e respirou fundo.

— Minha irmã pode te ajudar. – Ele falou lavando a mão e saindo da cozinha.

Serio aquele garoto me assustava, ele é muito estranho. Talvez eu devesse falar com a Luiza depois e ela possa me explicar esse sonho e talvez quem sabe o sonho que eu tive quando conheci a Thalia. È verdade eu comecei a ter esses sonhos depois que á conheci.

— Que tal vocês virem logo comer?! – Ouvi o Yan gritar. E então ele voltou para a cozinha e começou a arrumar a mesa, e eu o ajudei. O cardápio era frango assado.

Logo as meninas apareceram na cozinha, posso dizer que todos estávamos morrendo de fome. Eu e a Thalia eu estávamos morrendo de fome, alem do macarrão instantâneo não tínhamos comido nada dês que saímos de casa. Depois de literalmente engolir a comida, eu ajudei o Yan a tirar a mesa em quanto a Luiza e a Thalia lavavam os pratos.

— E agora? – A Luiza falou assim que terminamos todas as nossas tarefas.

— Bom como estamos com visita.- O Yan falou entrando na sala. – Vamos fazer o que não fazemos á muito tempo.

— Há mano fala serio. – Luiza falou fazendo beicinho. – Eu to a fim de trabalhar hoje.

— Não dá para trabalhar hoje. – Yan falou se sentando no sofá do lado da Luiza. – Eles vão acabar atrapalhando.

— Há maninho! – Ela falou se encostando no braço do Yan. – Eles não vão atrapalhar não.

— Nós podemos ficar aqui, assim não atrapalhamos. – A Thalia falou, ela estava sentada numa poltrona.

*

— Viu mano. – Luiza falou e começou a passar o dedo na boca do Yan puxando o lábio inferior para baixo. – Deixa, Deixa, Deixa!

O Yan olhava para frente com uma cara meio estranha enquanto ela puxava a boca dele com o dedo, eu poderia até mesmo dizer que ele iria sorrir a qualquer segundo.

— Tudo bem. – Ele falou se levantando de repente. – Se arrume rápido.

A Luiza saiu da sala como um foguete.

— Vocês dois. – Ele falou olhando para mim e depois para a Thalia. – Nem sonhem em sair dessa casa entenderam?

— Sim senhor. – Falei meio irônico. A Luiza voltou com uma bolsa no braço.

— Desculpa por deixar vocês sozinhos. – Ela falou enquanto abraçava e dava um beijo no rosto da Thalia que ficou meio perdida e com uma expressão bem estranha. – Mas tudo menos trabalho em casa. – Ela falou e veio para cima de mim eu poderia ter caído com o sofá. Ela me abraçou forte e me deu um beijo no rosto, eu devo ter feito uma cara pior que a da Thalia. – Adeuszinho!

Eles saíram da casa, mas ainda dava para vê-los através da janela. Luiza me deu um tchauzinho antes de desaparecer no meio daquele matagal.

— E agora? – Falei tentando imitar Luiza.

— Gosto dela. – Ouvi a Thalia dela. – Não sei como mas gosto dela. Ela mal nos conhece e nos trata como se fossemos amigos de muito tempo.

— É um pouco estranho não é? – Falei me sentando do lado da poltrona em que ela estava sentada. – Mas de algum modo é bom.

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Eu já estava entediada de ficar dentro daquela casa, não fazia idéia de onde o Pablo estava, eu tinha pego no sono, mas não deveria ter dormido muito, o sol ainda estava lá fora.

Me levantei e fui para fora, o sol não estava tão quente, andei até uma arvore grande e me sentei em sua sombra. Eu estava sozinha naquele momento, como sempre estive.

Mas era diferente, era bom, era calmo, era interessante.

— O Yan disse para não sairmos da casa. – Pablo falou sentando do meu lado.

— O Yan não esta aqui. – Falei olhando o céu, as nuvens pareciam algodão. – Você sabe que depois de termos encontrado esse lugar nada mais será como antes.

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— Isso é verdade. – Eu não sabia se ouvir aquilo era bom ou ruim, eu não queria que tudo mudasse só queria poder voltar para minha casa e ter uma vida normal.

— Você quer voltar não é assim? – Ela falou sem me encarar.

— Claro que sim! – Falei sem pensar. – Nossos pais devem estar morrendo de preocupação!

Silencio. Demorou um segundo para eu ter percebido o que tinha falado. Ela se levantou de vagar. O que eu poderia dizer? Como eu era idiota! Antes que ela pudesse andar eu peguei seu braço.

— Thalia desculpa eu não devia ter... – Minha cabeça era uma completa bagunça.

— Meus pais. – Ela falou como se sentisse nojo de falar aquilo. – Eles estão mortos para mim. Estou melhor sem eles.

— Escuta aqui! – Gritei e a prensei contra a arvore. – Eles são seus pais! Você não pode falar assim deles.

— Como você pode falar alguma coisa?! – Ela gritou de volta. – Não conhece nenhum deles, se conhece me entenderia.

O fim da frase foi como um sussurro. De algum modo senti dor naquelas palavras. Ela me olhou, olhos completamente escuros o cabelo dela estava meio bagunçado. O rosto dela estava tão perto, sentia sua respiração no meu rosto. Não sei bem o que foi aquilo, mas meu rosto parecia estar mais e mais perto do rosto dela.

E então nossos lábios se tocaram, a Thalia não mexeu um músculo em quando coloquei minhas mãos na cintura dela e a puxei para mais perto de mim, ( Se é que isso era possível) ela colocou as mãos nos meus braços.

Ela me empurrou de leve e eu pude jurar que ela olhou nos meus olhos antes de correr na direção da casa. Eu deveria estar enlouquecendo. Sentei de baixo da arvore e respirei fundo, era estranho eu ter beijado ela. Ela era minha amiga certo? Ou eu gostava dela mais do que pensava?

Minha cabeça misturava mil e uma coisas em minha cabeça. E aquela cena parecia não sair da minha cabeça, parecia que quanto mais eu me esforçava para tira-la da minha cabeça mais ela se fixava ali.

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Por algum motivo o cavalo da Luiza estava selado perto da casa, parei meio arfante do lado dele respirei fundo e montei o cavalo. O cavalo trotava cada vez mais para longe da casa e cada vez mais para dentro da floresta.

*

Porque ele tinha me beijado? Ele era meu amigo não é? Por um segundo me lembrei do beijo, a mão dele na minha cintura a respiração dele no meu rosto, senti um arrepio correr todo meu corpo.

Não sabia a quanto tempo estava cavalgando dentro da mata, mas parecia já ter escurecido. Parei o cavalo, o prendi no galho de uma arvore e me sentei na grama. Uma floresta á noite pode ser bem assustadora.

Eu estava tentando enxergar um pedaço do céu através de todos aqueles galhos quando ouvi um barulho de gravetos sendo quebrados. Será que o Pablo me seguiu e eu não o vi? Sim eu queria muito que fosse isso.

— Pablo? – Não houve resposta mas os barulhos pareciam se aproximar cada vez mais. – Pablo é você?

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— Thalia?! – Gritei quando entrei na casa. – Desculpa eu não sei o que deu em mim. Somos amigos certo? – Falei entrando no quarto da Luiza. – Eu não deveria ter falado dos seus pais, me desculpe! Pode por favor aparecer?

Silencio.

Não, eu realmente não queria imaginar onde ela estava agora. E a janela parecia realmente me mostrar o que eu já sabia. Ela tinha entrado na floresta.

Ela deve ter endoidado, como ela entrou dentro da floresta mesmo depois de termos escapado daqueles caras. Sabe-se lá o que ele ia fazer conosco. Eu tinha que encontrá-la.

Fui até o quarto do Yan, antes de irmos dormi percebi que ele tinha uma faca bem afiada no tornozelo. A faca estava bem em cima do criado mudo peguei ela e amarrei no meu braço. Fui até o quarto da Luiza e peguei uma mistura que era idêntica o que ela usou para minha ferida parar de sangrar.

Eu estava pronto. Pelo menos me considerava pronto, mesmo sem saber em que direção ela tinha ido nem mesmo como ia voltar.

— Aonde você pensa que vai? – Ouvi a voz do Yan. Eu não sabia se ficava feliz ou se ficava com medo.

— A Thalia sumiu. – Falei rápido. – Tenho que encontra-la!

— Pablo me diz como a Luiza curou seu ferimento? – Yan perguntou me encarando de cima a baixo.

— Porque está perguntando isso? – Perguntei franzindo o cenho.

— Simplesmente responda. – O Yan falou ficando mais serio e sombrio.

— Ela usou umas folhas e uns liquidos que estavam na bolsa dela. Um para parar de sangrar e outro para fechar a ferida. – Falei.

— Limpo. – Ele falou jogando a cabeça para trás e saindo da porta.

— Eu te disse! — Luiza falou entrando na sala e se jogando na poltrona. – E onde está a Thalia?

— A Thalia desapareceu! – Falei.

— Como assim desapareceu? – A Luiza perguntou ficando de pé.

— Ela entrou na floresta! – Falei.

— E ela levou seu cavalo, Luiza. – O Yan falou voltando para a sala.

— Temos que ir atrás dela. – Falei.

— Não precisa ela já está chegando. – Yan falou se sentando no sofá. – Só precisamos ter certeza.

A porta se abriu com um rangido e a Thalia caiu de joelhos, estava com os cabelos bagunçados, tinha o vestido rasgado em varias partes e suas mãos estavam sujas de sangue

— Thalia! – Falei mas antes de chegar perto da figura ensangüentada de joelhos na porta o Yan passou na minha frente e me empurrou.

— Idiota. – Eu cai sentado no chão á tempo de ve-lo erguer a Thalia pelo pescoço.

— Pablo. – Ela falou meio sufocada.

— Yan solte-a! – Gritei e me levantei. – Vai machuca-lá mais ainda!

— Desculpa Pablo... – A Thalia falou com a voz abafada. – Eu não deveria ter fugido.

— Pablo se acalme... – Luiza puxou meu braço.

— Você encena muito bem heim. – Yan falou apertando ainda mais o pescoço da Thalia.

— Solte a agora! – Falei saltando em sua direção e tirando a faca do meu braço e colocando ela no pescoço dele.

— Idiota. – Ele repetiu. – Vai se arrepender.