Universo Paralelo

8 Um Livro Com Simbolos


Capitulo 8

Um Livro Com Simbolos

Um tigre saiu do meio da relva. Era incrível e assustador ao mesmo tempo. Eu não sabia se estava paralisada de medo ou hipnotizada. O tigre parecia me olhar nos olhos. O cavalo rinchou e puxou as rédeas, isso pareceu me tirar do transe.

Dei dois passos para trás, tirei as rédeas da arvore e as segurei com força, o tigre estava imóvel e eu não sabia se isso era bom ou ruim. Respirei fundo como se pudesse saber que não ia dar tudo certo e puxei as rédeas com força para frente e pulei em cima do cavalo.

O tigre era rápido e nos alcançou. Ele avançou no cavalo e em vez da perna do cavalo os dentes afiados dele cravaram em minha perna. Eu não queria olhar, mas a dor parecia me forçar. O vestido estava ensangüentado e rasgado o que deixava a mostra o rio vermelho que escorria pela minha perna.

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Era estranho ver a Thalia chorando daquele jeito na frente de todo mundo. E mais estranho ainda o Yan, eu ainda não tinha entendido porque ele fez aquilo com ela. Soltei a faca que ainda estava na minha mão e me abaixei para carregá-la.
– Por favor faz alguma coisa! – Falei me virando para a Luiza, que deu um passo em minha direção, mas o Yan a fez parar ela o olhou por um segundo e baixou a cabeça.
Eu estava prestes a colocar a Thalia no sofá quando o Yan pegou a faca que eu tinha deixado no chão e jogou na minha direção. A faca rasgou a manga da minha camisa e acertou em cheio a perna da Thalia.

— Ela não vai suportar os dois ao mesmo tempo. – O Yan falou. – É demais para você não é ?

Coloquei a Thalia no sofá eu realmente não sabia o que podia fazer contra aquele garoto, mas eu iria tentar. Eu estava me virando quando a Thalia sorriu. Sorriu de um modo irônico como se estivesse se divertindo com tudo aquilo, e então o rosto dela começou a ficar borrado e fora de foco, esfreguei meus olhos e quando os abri de novo a Thalia havia desaparecido.

Olhei para a garota deitada no sofá, ela tinha cabelos brancos longos e tirando o sangue que lhe escorria pela perna não havia nenhuma ferida nela. Ela se sentou e arrancou a faca e lançou na direção do Yan que pegou a faca com dois dedos á centímetros do seu rosto.

— Quem é você? – Falei me afastando dela. – Onde está a Thalia.
— Não se preocupe ela já deve estar chegando. – Ela falou sorrindo ironicamente. – Não se preocupe ainda tenho um presentinho para você.

— Como assim o que você fez com ela? – Perguntei pegando ela pelos ombros, mas assim que a toquei ela desapareceu.

— Uma copia? – O Yan perguntou virando para a Luiza.

— Não era a verdadeira. – Ela falou.

— Ainda tem forças para criar copias? – Yan perguntou.

E antes que ela pudesse responder houve um estrondo seguido de um relinchar e outra Thalia apareceu na porta. Não estava muito diferente da falsa Thalia o único lugar onde sangrava era a perna, a mesma perna que o Yan havia atingido a falsa Thalia.

— Eu pensei que você fosse um pouco mais inteligente. – O Yan falou andando na direção da Thalia.

— Não! – Falei parando entre os dois. – Ela pode ser a verdadeira!

— Idiota, é isso que ela quer que você pense. – Ele falou e me empurrou com força suficiente para me fazer atravessar a sala.

Ele deu o mesmo tratamento da falsa Thalia a outra Thalia. Ele a pegou pelo pescoço e a prensou na parede. E se ela não fosse a Thalia? E pior ainda se ela realmente for a Thalia.

Eu fiquei lá parado sem saber o que fazer. Mas essa Thalia não estava se desculpando muito menos chorando ela olhava o Yan com um misto de dor raiva e confusão, uma expressão típica da Thalia. Tinha que ser ela.

— Yan solta ela. – Falei me levantando. – Ela é a Thalia eu tenho certeza.

— Como você pode dizer isso? – O Yan falou sem desgrudar os olhos da Thalia. – A alguns minutos atrás você tinha certeza que aquela era a Thalia e não era.

— Eu não sabia que isso era possível! – Falei.

— Aprenda, aqui tudo pode acontecer. – Ele falou. – Até mesmo essa garotinha ser uma copia.

Ele apertou ainda mais o pescoço da Thalia que fez uma careta de dor, mas não emitiu nenhum ruído.

— Solte ela! – Gritei. – Ela não está se desculpando, nem pedindo por ajuda e muito menos chorando. Ela é a Thalia eu tenho certeza absoluta.

O Yan pareceu pensar por alguns segundos e afrouxou os dedos do pescoço da Thalia, e a abaixou até seus pés alcançarem o chão.

— A responsabilidade é toda sua. – Ele falou e desapareceu.

— Thalia você ta bem? – Corri para perto dela, tinha medo de tocá-la e ela desaparecer como aquela garota.

— Pablo.- Ela falou e caiu em mim desacordada.

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A ultima coisa de que me lembrava foi do rosto do Pablo ficando fora de foco, depois disso só a escuridão me engolindo.

E novamente eu estava naquele quarto, mas dessa vez eu não estava olhando a foto daquele garoto dessa vez eu estava acorrentada pelos pés e então ele entrava pela porta, mas diferente do primeiro sonho ele não direto a mim e não tinha aquela expressão decidida. Ele se aproximou e me olhou de cima a baixo como se fosse a primeira vez que tivesse me visto.

— Quem é você ?

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— Ela vai ficar bem não é? – Perguntei a Luiza quando ela saiu do quarto.

— Ela vai sim. – Ela falou.

— Há como sou idiota, você pode curá-la no mesmo instante. – Falei sorrindo, mas a Luiza não estava sorrindo e era estranho, ela sempre estava sorrindo vê-la seria era estranho.

— A ferida dela não era de uma faca. – Ela falou. – Foi uma mordida, provavelmente de tigre. Eu não consegui fazer muita coisa vamos ter que esperar até ela ficar totalmente boa.

— Tigre? – Falei atônito.

— Sim aqui tem vários tigres e muitos outros animais. – O Yan apareceu no corredor. – Por isso mandei ficarem aqui dentro, mas não conseguiram me obedecer...

— Poderia ter nos avisado, seria mais fácil. – Falei. A raiva me subia a cabeça e as cenas de alguns minutos atrás me vinham a cabeça. – E não toque mais na Thalia!

— Se não o que? – Ele sorriu irônico. – Você é fraco, não consegue nem mesmo protegê-la de mim.

— Se é assim. – Falei cerrando os dentes. Ele tinha razão eu era fraco. – Me ensine a ser forte.

— Interessante. – Ele falou parando na esquina do corredor. – E quando podemos começar?

— Quando você quiser. – Falei em tom de desafio.

Todos estavam dormindo quando eu fui para o quarto onde a Thalia estava e abri a porta sem fazer barulho, o quarto estava totalmente iluminado pela luz da lua.

A Luiza tinha trocado a roupa dela, ela estava usando um vestido longo e vermelho e a sua perna estava enfaixada. Ela estava bem e era isso que importava. Me deitei ao lado dela e finalmente consegui dormir.

— Aqui está você! – O Yan falou abrindo a porta do quarto. – Te dou somente dez minutos para você comer e começamos seu treinamento.

Levantei da cama ainda meio sonolento e o segui pela casa, a Luiza já tinha feito a comida e já tinha preparado dois pratos. Mas assim que sentei o Yan despejou toda a comida que havia no prato dele para o meu, eu o olhei sem entender.

— Você vai precisar. – Ele falou. A Luiza o encarou por alguns segundos e colocou mais comida em seu prato.

Assim que terminei de comer ele se levantou e mandou segui-lo. Era estranho como os dias ali pareciam ter sempre o mesmo clima, sempre ensolarado e com poucas nuvens e a noite fazia frio. Ele caminhou até a lateral da casa, e parou ao lado de uma tora de madeira que parecia recém cortada.

— E então consegue carregar isso? – Ele falou levantando a tora de madeira na altura dos ombros e depois colocando de volta na grama. Fui até ele e fiz o mesmo, levantei a tora na altura dos meus ombros, era pesada mais poderia suportar o peso por algum tempo.

— Continue carregando. – Ele falou quando eu ia por a tora no chão. – Quero ver quantos dias você consegue.

— Dias?!

— O que? – Ele falou em tom de desafio. – È muito fraco para isso?

Quando ele percebeu que eu não responderia andou até uma arvore próxima se sentou. Minhas mãos começaram a doer, mas eu tinha que agüentar.

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Já era noite quando eu acordei, não sabia direito o que havia acontecido, me lembrava de ter sido mordida por um tigre e de ter conseguido chegar aqui, mas o Yan me pegou pelo pescoço e o Pablo parecia confuso e nervoso ao mesmo tempo.

Me sentei na cama e consegui levantar mesmo com as pontadas de dor. A Luiza estava sentada na sala lendo um livro com a capa escura e uns símbolos estranhos.

— Luiza? – Ela falou me ajudando a chegar no sofá. – O que está fazendo de pé?

— Eu estou bem. – Falei me sentando no sofá. – Onde está o Pablo?

Ela demorou alguns segundos para responder.

— Lá fora com o Yan. – Ela falou apontando para a janela.

Fiquei sentada no sofá o que me pareceu uma eternidade, eu realmente tinha perdido a noção de tempo dês que vim para esse outro mundo. A única coisa que eu tinha certeza era de ter dois dias naquele lugar.

Será que ainda estavam nos procurando? E quando encontrassem as coisas dentro da caverna o que iram pensar? Eu realmente não me importava muito, mas o Pablo tinha a mãe dele...

Olhei ao redor a Luiza tinha saído da sala. Me levantei me apoiando no sofá e sai da casa eu estava andando quando parei de repente. O Pablo estava de pé, parecia cansado e estava carregando uma tora de madeira enorme, não muito longe dele o Yan estava sentado em baixo duma arvore e parecia dormir.

— Thalia, não era para você estar de pé. – Ele falou.

— Porque está carregando isso? – Perguntei.

— Treinamento do Yan. – Ele falou.

— Quando você vai entrar? – Perguntei.

— Eu realmente não sei. – Ele respondeu e lançou um olhar de poucos amigos para o Yan.

— Como assim? – Perguntei.

— Eu vou ficar aqui por um tempo. – Ele falou em tom de brincadeira e sorriu para mim.

— Isso parece pesado. – Falei.

— Isso é pesado. – Ele falou fazendo uma careta, e a barriga dele roncou.

— Porque não come um pouco e depois volta? – Perguntei.

— Ele não pode soltar essa tora. – O Yan falou, quando o olhei ainda estava de olhos fechados. Pablo trincou os dentes.

— Há quanto tempo você esta aqui? – Perguntei preocupada.

— Vai fazer um dia daqui a duas horas e meia. – O Yan respondeu.

— Porque está fazendo isso? – Perguntei.

— Porque ele é fraco. – O Yan respondeu.

— Fraco? – Perguntei. E as imagens daquela noite vieram claras na minha mente como um filme. – Você esta fazendo isso por causa daquela noite?

Ele me ignorou olhando em outra direção e trincou os dentes.

— Quanto tempo você pretende passar aqui? – Perguntei ficando irritada.

— O quanto tempo for necessário. – Ele falou.

— Há sei até você desmaiar de fome? – Falei.

— Você também me acha fraco não é? – Ele falou olhando através de mim.

— Eu nunca te achei fraco. – Respondi e me sentei na frente dele.

— O que esta fazendo? – Ele perguntou.

— Se você vai ficar aqui eu também vou ficar. – Falei.

— Você tem que se recuperar a sua perna...

— Eu sei, mas eu vou ficar aqui. – Falei e não consegui segurar um bocejo.

— Você está com sono, vá para casa e durma. – Ele falou

Eu nem mesmo me dei o trabalho de responder, deitei na grama fria. O céu estava lindo parecia um tecido preto com varias contas brilhantes.

— Você não pode dormir aqui fora...

— Você vai ficar aqui então eu também vou. –Falei e fechei os olhos. Era a primeira vez que eu dormia literalmente abaixo das nuvens pelo menos peguei logo no sono, por sorte um sono sem sonhos.

Quando acordei o sol estava no meu rosto e eu podia ouvir os pássaros cantando, abri os olhos devagar e me sentei na grama.

— Bom dia. – O Pablo falou irritado

— Bom dia. – Falei me espreguiçando e minha barriga roncou.

— Melhor ir comer alguma coisa. – Ele falou e olhou para a casa.

— Você vai comer também? – Perguntei ficando de pé.

— Se você souber um jeito de eu comer segurando isso, sim eu como. – Ele falou em tom de desafio.

— Certo. – Falei e fui para a casa.

A Luiza estava deitada no sofá com o mesmo livro em cima do seu rosto. Ela deve ter passado a noite lendo, mas o que seria aquele livro? Bom tanto faz hoje eu vou fazer o café da manha.

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Ela voltou com dois pratos na mão entregou um ao Yan e veio com o outro para perto de mim.
— E então qual sua idéia brilhante para que eu coma? – Falei sorrindo de lado.

— Simples. – Ela falou. – Diga haaaaaaa

E foi assim que conseguimos esvaziar um prato inteiro.

Todos nós já tínhamos comido, mas eu não tinha visto a Luiza ela não saiu da casa um segundo.

— Thalia como está a Luiza? – Perguntei.

— Ela ta lendo um livro estranho com uns símbolos... – Ela parou por um segundo se levantou da grama e puxou meu medalhão. – Com símbolos parecidos com esses.

E então a Luiza saiu correndo da casa e parou ofegante apoiada na arvore em que o Yan estava.

— Já sei como vocês vão fazer para voltar.