Universo Paralelo
20 Torturada
Notas iniciais
Que já não sinto mais nada - Amanda O.
Capitulo 20
Torturada
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~ Thalia ~
Não sei quanto tempo fiquei ali, ouvi passos atrás de mim e me virei o máximo possível para poder ver quem era, talvez fosse o Richard com aquele olhar, talvez ele tivesse se cansado de mim, ou estava zangado por eu ter fugido por causa do Pablo.
Foi confuso ver aquele senhor parando em minha frente, eu nunca o tinha visto, ele parecia importante as roupas eram bem luxuosas e bonitas, e ele tinha um ar superior. Ele me lembrava Argos e pensar nisso me deu calafrios.
- Boa noite. – Ele falou estalando os dedos e dois guardas apareceram acompanhados do homem que jogou o pó em mim. Boa noite? Eu realmente tinha dormido o dia inteiro? – Soltem-na.
Os guardas me soltaram, mas eu ainda estava sentada na cadeira confusa, o que eles queriam comigo? Eu não podia fazer nada o efeito das pílulas tinha passado e eu sentia meus poderes fracos.
- Sei que não nos conhecemos, deixe-me apresentar. – O mais velho começou a falar. – Me chamo Frederick.
Ele falou e como percebeu que eu não falaria, continuou á falar:
- Acredito que seu nome seja Thalia. – Como ele sabia meu nome? – Richard me falou de você.
- Onde ele está? – Perguntei com uma voz meio rouca, percebendo que minha garganta doía. Ele pareceu surpreso por me ver falar.
- Provavelmente, á sua procura. – Frederick respondeu estalando os dedos e uma poltrona de gelo surgiu do chão. – Ele não sabe que você está aqui. Por isso temos que ser rápidos.
- O que querem comigo? – Perguntei aquilo tudo era muito estranho.
- Queremos informações. – Ele falou por fim. – Quero saber coisas sobre Richard, sobre a segurança do castelo ....
Olhei para ele meio confusa em quanto ele continuava a falar, a dor na minha cabeça parecia ter aumentado mais ainda, ele queria saber sobre a segurança do castelo? Eu não poderia dizer nada passei a maior parte do tempo naquele quarto com o Richard.
- Eu não sei nada. – Falei por fim.
- Bom Thalia podemos fazer isso do modo fácil ou do modo difícil. – Ele falou e nesse instante o homem da capa sorriu vitorioso como se tivesse acabado de ganhar um presente.
- Eu não sei de nada e mesmo se soubesse não lhe diria. – Falei trincando os dentes.
- Que pena. – Ele falou estalando a língua e se virou para o rapaz da capa. – É toda sua Max, tente não machuca-la muito.
Frederick levantou-se da poltrona que se desfez e começou a andar para uma porta que havia atrás da minha cadeira, acompanhei ele com os olhos e assim que ele saiu eu encarei Max, ele parecia ter uns trinta anos os cabelos dele eram longos e brancos e estavam presos em um rabo de cavalo.
- Creio que termos que ir para outro lugar. — Ele falou e em segundos estava ao meu lado tocando meu ombro e quando olhei ao redor não estava mais sentada numa cadeira estava de pé num lugar que com certeza era um subsolo. – É aqui onde acontecem as sessões de tortura.
Ele falou as ultimas palavras como se tivesse prazer de pronuncia-las o lugar me dava calafrios e olhar para Max era bem pior, ele parecia estar se divertindo muito com tudo aquilo.
- Tem certeza que quer continuar calada? – Ele perguntou levantando as sobrancelhas, mas eu não respondi não falaria nada. – Já torturei garotas como você se fazem de forte mas em menos de meia hora estão choramingando e falando tudo o que sabem.
Ele falou começando a rir , quantas pessoas ele já teria torturado? Olhar para ele me dava medo algo nele me lembrava Richard.
- Tudo bem se é assim, tentarei pegar leve com você. – Ele falou e três guardas entraram na sala eu não resisti quando dois dele seguraram meus braços com força em quanto o terceiro se preparava para me dar um soco direto no rosto. – Calma, calma.
Max falou fazendo o homem se afastar um pouco, o gosto de sangue invadiu minha boca.
- É só uma garotinha, não machuquem tanto o rosto dela. – Ele falou puxando meu rosto para encara-lo. – Tem certeza que não tem nada a dizer?
Eu sorri ironicamente e cuspi na cara dele.
- Lamentável, eu realmente gostei de você. – Ele falou e acenou para o guarda que voltou á me socar no estomago, a noite seria realmente longa.
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~Richard~
Ela não poderia ter desaparecido do nada, ela poderia estar mais rápida, mas não tinha conhecimento para se tele transportar nem mesmo eu conseguia tal coisa, e a Alexia só conseguia em distancias pequenas. Voltei para a carruagem tombada havia pegadas, poderia se dizer que ela estava saindo da parte de traz provavelmente para voltar á guiar o cavalo mas as pegadas param no meio do caminho e ainda há essa pegada era bem maior e estava virada de frente para onde á Thalia estava vindo, mas não havia mais pegadas daquele tamanho.
Era certo que algo aconteceu com ela, de quem seriam essas pegadas? Não havia nenhum povoado por perto e nenhum ladrão seria idiota de atacar uma carruagem com meu emblema, a não ser que soubesse quem estaria nela.
Não eram muitas pessoas que sabiam onde ela estava, mas talvez... Precisava falar com a Alexia.
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~ Thalia ~
O sangue escorria na minha boca, as únicas coisas que me sustentavam de pé eram os braços dos guardas, Max parecia cada vez mais irritado. Provavelmente porque eu não abri a boca dês que eles começaram a me bater, talvez porque eu já estivesse acostumada com a dor.
Era difícil respirar, meus pulmões se enchiam de ar tão rápido quanto saiam, Max estava sentado numa cadeira em meio aquele lugar fechado e imundo. Ele se levantou fazendo barulho suficiente para o guarda que estava á minha frente interromper seu próximo soco.
- Já chega. – Ele falou puxando meu rosto me fazendo olha-lo. – Você realmente parece durona, talvez dor não seja o suficiente.
Ele voltou á cadeira onde estavam três frascos que com toda certeza não estavam lá antes, ele pegou um dos frascos nenhuma das cores me agradavam o frasco que ele havia pego era vermelho sangue e o outro que ainda estava na cadeira era preto.
Ele tirou um comprimido do frasco e segurou minha boca antes de colocar um comprimido igualmente vermelho na minha boca, nem mesmo tive tempo de cuspi-lo ele derreteu na minha língua e foi o suficiente para tudo ao meu redor girar.
- Podem solta-la. – Ouvi a voz de Max e cai no chão, a minha visão ia escurecendo quando ele me carregou até á cadeira e me colocou sentada lá. – Bons pesadelos.
Eu acordei, estava quente e escuro, onde eu estaria agora? Eu estava molhada na verdade encharcada, mas tinha uma sensação quente eu sabia que estava naquele castelo ainda conseguia lembrar mesmo que minha cabeça parecesse prestes a explodir, mas eu ainda não entendia como eu fui parar ali... Talvez Richard tivesse me encontrado e me salvado e agora eu estava num lugar segura, mas o que me molhava? Quase imediatamente uma luz se ascendeu do nada deixando amostra todo o sangue que estava em mim, arregalei os olhos, eu não sentia dor eu não estava ferida então de onde vinha todo aquele sangue?
Me levantei cambaleando meu corpo inteiro doía, olhei ao redor totalmente escuro e automaticamente outra luz se ascendeu e eu pude ver uma silhueta deitada no chão deitado uma poça de sangue e só ai me dei conta que havia um rastro de sangue que ia da silhueta até mim.
Eu dei o primeiro passo para onde a silhueta estava mas minhas pernas tremeram e eu cai no chão, e eu comecei a me arrastar na direção dele e eu tive que usar todas as minhas forças para vira-lo de barriga para cima, e quando vi seu rosto não consegui conter o grito que veio em minha garganta e cobri a boca sem me importar com o sangue.
Era o Pablo eu tinha certeza, mesmo que o rosto dele estivesse cheio de feridas e roxos e além disso a fonte de tanto sangue, ele tinha uma ferida enorme na barriga, eu não fazia ideia do que estava acontecendo como ele foi parar ali eu não fazia a menor ideia.
Minha cabeça estava explodindo, mas isso era só o começo. Outra Luz se ascendeu e eu nem precisei andar até a outra silhueta para saber que era a Luiza e outra luz se ascendeu revelando outra silhueta era Yan e outra luz ascendeu e eu sabia que essa era a ultima, reconheceria ele de qualquer modo em qualquer lugar Richard se virou devagar para mim, estava completamente sujo de sangue do sangue dos meus amigos!
Mas não era só isso que me deixou horrorizada a expressão de Richard era totalmente grotesca e assustadora. Ele matou todos? Algo me dizia que sim, e a voz dele sussurrava em minha cabeça agora que você não tem nada com o que se importar virá comigo não é? Levantei-me com aquela frase ecoando em minha cabeça.
A verdade era que eu nunca tive ninguém para me preocupar nem ninguém para se preocupar comigo até encontrar com o Pablo e depois que cheguei nesse mundo fiz mais dois amigos, poderia dizer que tê-los como amigos era a coisa mais preciosa que eu tinha e agora eles estavam mortos...
Olhei de novo para aquele Richard, e me levantei sem desviar os olhos dele, com passos pequenos eu andei até ele passando por todos os corpos mortos no chão e parei na frente dele eu o encarei olhando-o nos olhos.
Não é ele, não sei como, mas não é ele.
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~Pablo~
Eu não estava bem, nada esta bem, tudo ao meu redor girava minha respiração estava acelerada, eu estava suando frio, minha cabeça estava prestes a explodir e a única coisa que estava morna em mim era o medalhão, não faço a menor ideia de como sei mas a Thalia precisava de mim, precisava de ajuda.
Me levantei com o apoio da parede que parecia mais quente que minha própria mão e caminhei em direção dá grade, não sabia como eu ia sair dali mas tinha que conseguir de algum modo.
- Onde pensa que vai? – Aquela voz me deu calafrios, mas eu não tive tempo de fazer nada ela me puxou pra uma cama que não estava ali antes e se deitou em cima de mim a quentura do corpo dela era tanta que me dava arrepios. Eu queria poder falar ou ao menos ter forças para afasta-la de mim.
- Já que você é bonitinho não vai ser um sacrifício tão grande. – Ela falou examinando meu rosto e logo em seguida se inclinando em minha direção, e então ela me beijou, mas aquilo de algum modo me fez sentir bem, minha cabeça parou de doer e então ela se afastou de mim e segurou o medalhão analisando-o.
– Não sei que tipo de magia tem nisso mas, você pode sentir o que ela sente através disso. Estranho. – Ela falou mais para ela do que para mim e depois me encarou. – Tenho que ir.
A dor na minha cabeça tinha parado mais mesmo assim as informações ainda se embaralhavam, eu sentia o que a Thalia estava sentindo? Então eu tinha razão ela precisa de ajuda, mas o que eu podia fazer preso nessa sela e com aquela pessoa como carcereira? Talvez eu ainda conseguisse falar com ela.
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As luzes atrás de mim tinham se apagado e agora eu estava num único circulo de luz encarando aquele Richard eu não sabia o que fazer se ele teria coragem de fazer isso, sim eu sabia que sim, mas eu queria acreditar que não.
Dei mais um passo na direção dele, mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa ele segurou meus braços me fazendo girar e me encostando na parede atrás dele uma das suas mãos pegou o meu pescoço e ele me levantou do chão, eu estava sem ar e minha cabeça girava logo eu iria desmaiar.
- Thalia!? – Aquela voz, eu conhecia aquela voz... Pablo? Mas ele não estava morto? – Thalia o que esta acontecendo? O que houve?
Então quando as pessoas estão morrendo podem ouvir a voz de outras pessoas? Eu queria poder vê-lo, me desculpar, nunca mais voltaríamos ao outro mundo e a culpa seria minha.
- Não diga isso nós vamos conseguir sim! – A voz dele ecoou alto em minha cabeça. – Eu estou esperando por você!
Eu abri os olhos e não havia mais nada, nada de corpos e nada de Richard eu estava naquela cadeira naquela sala estava suando frio e minha cabeça ainda doía, minha respiração ainda estava acelerada e eu precisei de algum tempo para me lembrar do que havia acontecido, então tudo o que eu tinha visto, foi apenas uma alucinação criada por aqueles comprimidos.
Meu rosto estava encharcado de lagrimas eu os enxuguei com as mãos tremendo.
- Interessante. Você conseguiu sair do efeito antes do tempo normal. – Max falou e meu corpo tremeu só de olha-lo. – Seria interessante fazer algum teste com você, pena que nosso tempo é curto. Então prefere contar o que sabe ou mais alguns comprimidos?
Ele sorria para mim de um modo que me dava calafrios, e mesmo que eu quisesse falar eu não tinha forças para isso.
- Sabe seria melhor se você decidisse falar agora, eu não sei se sua cabecinha irá aguentar o próximo comprimido, você pode acabar presa em sua mente sem saber o que é real ou sonho, o que seria um problema já que eu não sei se você poderá nos fornecer informações nesse estado. – Ele falou como se realmente estivesse preocupado comigo.
- De qualquer forma... – Comecei a falar e percebi que minha garganta doía como se eu tivesse gritado por horas – Eu não pretendo te contar nada.
- É uma pena mais de qualquer forma, te darei um tempo para pensar. – Ele estalou os dedos e os dois guardas se aproximaram de mim, e me levantaram pelos braços e colocando de pé encostada na parede fria, eu mal conseguia ficar de pé minhas pernas tremiam. Eles começaram a me bater, era estranho, eles me batiam seguidas vezes, mas nesse momento eu não sentia completamente nada.
Talvez depois de verem que eu realmente não ia falar, ou que eu tinha enlouquecido com as pílulas eles me deixassem em paz e caso Richard me encontrasse e Pablo soubesse ele conseguisse voltar para o outro mundo.
Eu tentava me concentrar em outra coisa, qualquer coisa, eu queria saber quanto tempo tinha passado ali eu me lembrava de ter chegado aqui de manha, já seria de noite? O que Richard estaria fazendo agora? Talvez esteja me procurando, e eu não sabia o que ele faria se não me encontrasse talvez esses caras tenham tirado a carruagem de lá e se livrado dela, assim ele pensaria que eu tinha conseguido fugir então agora ele estaria chegando no outro castelo?
Meus pensamentos se embaralhavam a medida que eu tentava organiza-los Max levantou uma das mãos e os guardas me soltaram me fazendo cair no chão que parecia mais frio que a parede, meu corpo inteiro tremia de dor e de frio.
- Sabe acabei tendo ideias! – Ele falou como se tudo aquilo fosse tão normal, o entusiasmo dele estava começando a me assustar ele era totalmente sádico e não se preocupava em esconder isso. – Eu acho que você deve estar sentindo muito frio, olha como está tremendo vamos leva-la para um lugar mais quente.
Ele sorriu e meu corpo começou a tremer mais que antes, os guardas me carregaram pelos braços e me arrastaram para uma porta de gelo, seria como todos os cômodos naquele castelo se não fosse pelo que havia dentro, era uma sala enorme e completamente lotada de coisas, havia manchas de sangue por todo lado, mas o que me chamou atenção foi um tipo de estatua de touro que tinha no centro da sala.
- Não se preocupe você ainda vai poder brincar naquele, mas por enquanto, vou deixar o melhor para o final. – Ele apontou um tipo de guarda roupa com estacas que estava no canto mais escuro da sala e os guardas me arrastaram até ele e assim que abriram a porta do mesmo eu pude ver as pontas afiadas das estacas que estavam a mostra.
Os guardas me jogaram dentro do guarda roupa e assim que minhas costas tocaram o fundo do guarda roupa eu senti de imediato o sangue escorrer pelas minhas costas, e eu sabia que mesmo que conseguisse ficar ali de pé imóvel, aquilo não era tudo, o guarda roupa tinha uma pequena abertura o suficiente para eu conseguir enxergar Max sorrindo.
- Voce ainda pode mudar de ideia e começar a falar. – Ele falou e quando percebeu que eu não responderia eu pude ouvir ele estalar os dedos e o som de algo se movendo, uma das estacas afiadas parecia se aproximar mais e mais do meu joelho, eu tentei afastar minha perna ao máximo, mas a única coisa que consegui foi me ferir mais, não tinha para onde ir, não havia saída. A ponta afiada perfurou meu joelho com tanta lentidão que eu não pude conter o grito que surgiu na minha garganta.
Meu grito ecoou pelo lugar e eu pude escutar risos o meu sangue escorria quente pela minha perna eu não podia me mover, mas mesmo assim minhas pernas tremiam de frio e de raiva e o movimento fazia doer mais ainda. De repente o mesmo som novamente e uma lança na altura da minha testa começou a se aproximar mais e mais do meu rosto e ela parou bem próxima ao meu rosto, eu estava esperando, eles me matariam de vez, mas o que houve foram mais risos e logo em seguida uma das lanças perfurou meu estomago me projetando para frente cortando de leve minha testa.
E no mesmo instante a lança que estava no meu joelho e a que estava na minha barriga saíram de vez me fazendo arranhar novamente a testa, a porta se abriu e eu cai de joelhos no chão e me deitei nele, meu sangue escorria pelo chão gelado e eu ainda estava tremendo.
- Não se preocupe, não atingimos nenhum ponto vital, vai demorar muito até que você morra. Aliais se fosse rápido não teria graça não é? – Ele falou sorrindo depois fez uma careta. – Você parece esgotada, mas talvez ainda consiga falar... Se é assim vamos para o próximo brinquedo!
E logo eu estava sendo arrastada pelos guardas deixando para trás um rastro de sangue e eles me soltaram em frente ao touro que eu havia visto de inicio, agora olhando mais de perto eu conseguia ver que tinha uma porta que foi aberta pelo próprio Max.
- Todos a bordo!
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