Universo Paralelo
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Notas iniciais
Captulo 1
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Eu estava quase dormindo quando o sinal do fim da aula bateu. Aleluia, pensei enquanto pegava meu caderno e andava devagar para fora da sala. Tinha sido um dia longo e eu estava morrendo de sono. Havia alguns dias que eu não dormia direito. Sonhos e mais sonhos estranhos invadiam minha mente me acordando em meio a noite.
Quando sai da escola o céu estava num tom rosa e havia poucas nuvens no céu. Rumei para minha casa, logo avistei um muro não muito alto formado de pequenos tijolos. A casa era branca com um portão preto.
Entrei em casa ela estava vazia e silenciosa, como sempre, nem mesmo me dei o trabalho de ascender as luzes mesmo estando escuro. Eu não iria demorar muito ali. Joguei minha mochila na cama e fui direto para o banheiro.
Sempre achei bom a sensação a água quente em meu corpo e o vapor que subia devagar pelo Box e deixava os vidros embaçados. A única coisa que podia escutar naquele momento era o som das gotas d’água batendo no piso branco.
Sai do banheiro enrolada na toalha que não me impediu de tremer e bater os dentes até eu me vestir completamente. Fui até a cozinha a geladeira estava completamente vazia. Eu tinha me esquecido de fazer as compras; agora teria que comer fora.
Peguei meu casaco e sai para a rua novamente e como eu previ estava ventando muito. Mas isso não me incomodava muito, pelo menos não estava o mesmo calor de sempre. E então o que eu iria comer dessa vez? Decidi ir a uma pizzaria e me empanturrar com uma pizza quatro queijos.
Sorri com o pensamento e comecei a atravessar a rua, eu estava na metade da travessia quando um carro despontou na esquina e ao invés de frear acelerou, eu tentei correr mas minhas pernas pareciam fincadas no chão. Eu ouvi gritos de varias pessoas e as luzes segando meus olhos.
Que belo fim morrer atropelada, nada mal pelo menos algo aconteceu. Já basta dessa vida triste. Eu podia ver as imagens passando na minha cabeça como um filme acelerado.
Meus pais nunca ligaram muito para mim e dês que eu sai da casa de meus pais vivo sozinha na minha casa silenciosa, nunca tive amigos, não que eu me lembre. Minha vida era e sempre foi monótona. Nem mesmo tenho uma lembrança de algo bom quando era pequena.
De uma coisa eu tinha mais que certeza: Ninguém sentiria minha falta.
oo0oo
Eu tinha acabado de chegar da escola, não sabia o porque de não conseguir tirar aquela garota da minha cabeça. Algo nela me incomodava. Não que ela fosse feia, ela era bonita tinha cabelos castanho claro cacheado da cor da areia, tinha olhos castanhos claro que se observados melhores é possível ver ao redor da Iris um circulo amarronzado.
Sim era o olhar dela que mais me chamava atenção, um olhar triste que vagava pelas pessoas e de repente se fixava no nada; Mas eu sabia que pensava e mil e uma coisas. No que ela estaria pensando? O que a deixava tão triste?
— Pablo? – A voz da minha mãe me puxou de volta para o presente.
— Oi mãe. – Falei passando por ela. – Como foi seu dia?
— Foi ótimo, estou cheia de trabalho na empresa. – Revirei os olhos para ela. Só mesmo a minha mãe para ficar alegre com trabalho.
— Só a senhora mesmo heim mãe. – Falei começando a subir as escadas para meu quarto.
— Ei Pablo. – Ela me chamou e eu parei na escada voltando a encará-la deitada no sofá assistindo á um documentário.
— Sim mãe? – Falei rápido.
— Preciso que você faça umas compras hoje. – Eu suspirei estava morrendo de cansaço, mas o que eu podia fazer?
— Ta bom mãe só preciso de alguns minutos. – Subi as escadas e entrei no meu quarto; eu já sabia o que ia encontrar lá só não achava que seria tão ruim assim.
Meu primo tinha ido passar uns dias lá, tudo bem menos a parte que ele era o maior bagunceiro. Haviam roupas dele jogadas por toda a cama e também no chão, a mala dele estava revirada e jogada na minha cama e havia restos de comida na cama improvisada. E ele estava sentado no meu computador jogando tranquilamente.
— O que houve aqui? – Perguntei olhando ele com raiva. — Pode sair desse computador e começar a arrumar tudo!
— Mas... – Ele me encarou com uma cara de choro.
— Nada de “Mas”. – Falei antes que ele pudesse terminar a frase. – Vamos logo o quarto não vai ficar arrumado sozinho.
Fui até o meu guarda roupa tomando cuidado para não pisar em alguma roupa do Eddie. Como ele consegui fazer toda essa bagunça num dia só? E só de imaginar que ele iria passar uma semana bagunçando meu quarto me dava agonia. Não que eu seja fanático por limpeza mas eu odiava pessoas bagunceiras.
— Pablo você é um saco. – Eddie falou enquanto eu entrava no banheiro.
O garoto bagunça meu quarto todo e ainda acha ruim. Reprimi a vontade que eu tive de gritar poucas e boas á ele. È só uma criança eu repetia mentalmente enquanto tomava um banho frio.
— Aonde você vai? – Eddie perguntou quando eu sai do banheiro. Ele já tinha guardado as roupas que estavam jogadas no chão na mochila que agora estava em cima do criado mudo.
— Fazer compras. – Falei enxugando o cabelo com a toalha.
— Isso é coisa de mulherzinha. – Ele falou rindo. Respirei fundo e sai do quarto.
Ia ser ótimo sair da frente daquele garoto ele já estava me dando nos nervos. Peguei a lista das coisas para comprar e rumei para o mercado. Não demorou nem dois segundos depois que sai de casa para aquela garota voltar á minha mente.
Eu devo ser muito idiota, nem ao menos sei o nome dela. E aliais o que ela veria em mim. Ela nunca falou com alguém lá na sala e nunca foi a nenhuma das apresentações. Sempre arranjava um modo de fugir, eu queria saber como eu também achava as apresentações uma chatice.
Balancei a cabeça, meu cabelo ainda estava molhado o que fez algumas gotas cair. Aposto que agora o Eddie voltou a jogar e não vai arrumar o resto do quarto. Tinha que voltar logo para casa se não dormiria ao rodeado de um lixão.
Comecei a andar mais rápido ultrapassando algumas pessoas lentas, porque as pessoas que andam na minha frente são tão lentas? Principalmente quando se está com...
Então eu á vi. Massa agora eu via alucinações. Cocei os olhos, definitivamente era ela. Ela nem sequer se deu o trabalho de olhar para os lados antes de atravessar a rua. Que problemas ela tinha? E como eu temia um carro apareceu do nada e pelo jeito que acelerava não iria conseguir frear antes de atropelá-la.
Eu a olhei por um segundo, ela estava parada e encarava o carro do mesmo modo como sempre passava a maioria das aulas. Não pensei duas vezes quando corri para a rua e a puxei para longe do carro á tempo.
Eu poderia dizer que aquilo era um sonho, mas o medo que eu via nos olhos dela era muito real. Ela me encarava ainda nos meus braços sem realmente me ver. Eu tinha caído sentado no passeio segurei os ombros dela balançando-a devagar.
— Você está bem? – Falei ainda ofegante. Ela piscou e me olhou de cima á baixo. – Você está bem?
Repeti. Ela me olhou com um misto de confusão e alivio. Num salto ela já estava de pé anda me encarando. Também me levantei. As pessoas ao redor me nos encaravam murmurando algo que eu não conseguia escutar.
— Eu não morri? – Ela falou tremendo um pouco.
— Não. – Falei. – Desculpa pelo puxão é que...
Ela me deu as costas e desapareceu em meio a multidão.
— Ei espera! – Falei tentando alcançá-la.
— Pare de me seguir! – Ela falou eu ainda podia ouvir as pessoas falando. Eu tentava abrir caminho por elas, mas isso parecia impossível. Olhei para frente ela já tinha desaparecido, algo me dizia que eu precisava alcançá-la empurrei as pessoas que ainda estavam na minha frente.
Eu não fazia a menor idéia de onde ela estaria indo, já estava tarde dava para perceber isso pelas ruas quase desertas. Andei direto pela rua do acidente no fim dela havia duas encruzilhadas fui pela direita e do jeito que eu tinha sorte não iria encontrá-la.
oo0oo
Estava ficando tarde e frio eu me abraçava. Ainda não acreditava que ainda estava viva. Quem era aquele garoto que me salvou? Porque ele iria querer me salvar? Porque eu seria importante para alguém? Que diferença faria se eu estivesse morta? A vida não continuaria a mesma?
Eu virei a primeira esquina que vi. Queria sair daquela confusão toda e também eu tinha medo de médicos, embora ninguém soubesse. Não que fosse um segredo, mas ninguém nunca me perguntou.
Isso me fez lembrar aquele garoto novamente. Eu estava emersa em tantos pensamentos que gritei quando senti a mão fria no meu braço. Mas ela foi mais rápida tapou minha boca e me puxou para dentro de um beco.
Me debati até que ele passou um braço pelo meu pescoço e eu senti a lamina do canivete, o choque me parou e ele riu. Essa era a segunda vez que algo acontecia comigo. Não dava para eu simplesmente morrer?
Dois batimentos cardíacos e eu estava jogada no chão e aquele cara estava em cima de mim. Foi quando ele começou a rasgar minha camisa que eu percebi que ele não queria só me matar.
— Larga ela! – Ouvi a voz que ecoou pelo beco. E o peso que estava sobre mim sumiu. Levantei de um salto, depois de tudo isso eu estava ficando meio tonta, talvez fosse pelo impacto com o chão.
Olhei para frente, só conseguia distinguir dois vultos se atracando. Só pude saber quem era o garoto quando vi a lamina do canivete brilhar á pouca luz que tinha ali dentro.
Me lancei sobre o cara que segurava o canivete tentando segurar também seus braços. Assim que fiz isso o garoto deu um belo soco nele, mas ele acabou me cortando o braço eu o larguei assim que a dor me invadiu.
Me sentei no chão tudo ao meu redor girava, senti braços ao meu redor, não eram os mesmos braços que haviam me jogado no chão esses eram braços aconchegantes.
— Meu deus! – Ele falou assim que a luz amarela de um poste nos iluminou por completo. – Vou te levar á um hospital!
— Não! – Falei quase gritando. – Médicos não!
— Calma, calma. – Ele falou me puxando para mais perto dele. – Vai ficar tudo bem.
E isso foi a ultima coisa que eu escutei minha cabeça pareceu pesar mais que devia. Deixei ela tombar no peito do garoto e fechei os olhos.
oo0oo
Eu estava suando frio enquanto andava apressadamente pela rua deserta. Um taxi apareceu como uma luz no fim do túnel; acenei para ele que parou de imediato. O hospital não ficava muito longe.
Sentei no banco traseiro, e acomodei a cabeça dela no meu colo com o maior cuidado possível. Ela tinha ficado inconsciente. O rosto dela estava bem sujo, tirei as mechas de cabelo do seu rosto. Ela tinha a camisa rasgada o que mostrava parte da sua barriga.
Eu tentava gravar cada pequeno detalhe dela na minha mente. Não sabia exatamente o porque mas gravei todo e qualquer detalhe dela.
Eu estava quase que dormindo em pé quando a enfermeira veio falar comigo.
— Ela logo ira acordar. – Ela falou depois de eu fazer algumas perguntas. – Ela estava sem documentos. Você tem algum telefone que eu possa entrar em contato com os responsáveis dela?
— Não eu não tenho. – Eu nem mesmo sabia o nome dela. – Vou ficar aqui.
Eu já tinha ligado para minha mãe e avisado que não iria para casa. Ela provavelmente está pirando, mas esse era meu menor problema. Encarei a porta branca fechada. E como se eu tivesse algum tipo de visão raio X eu imaginei ela deitada na maca, meio pálida, e os cabelos escuros se destacando contra a pele.
O tempo se arrastava e pensar na garota atrás da porta parecia o melhor modo de passar o tempo ali. Os ar condicionados deixavam o lugar frio, tudo era branco e raramente se via pessoas transitando por aquele corredor. Era como num jogo de terror.
Não sei quando peguei no sono, mas tive um sonho muito estranho. Era um lugar completamente diferente de todos que eu já fui. Havia uma floresta e alem delas havia uma montanha e nesta montanha um grande castelo branco brilhava a luz do sol.
Acordei com a enfermeira me balançando de leve.
— Ela já pode ir. – Ela falou enquanto seu rosto entrava em foco. – Você vai levá-la?
— Sim. – Falei ficando de pé. – Onde ela está?
— Ela está naquele quarto. – Ela falou e saiu andando pelo corredor.
Ainda achava aquele lugar assustador. Olhei o relógio eram duas da manha, minha mãe iria me matar, eu poderia contar a verdade ou apenas dizer que eu decidi passar a noite na casa de um amigo ou alguma coisa parecida.
Entrei no quarto distraído, qual das desculpas seria melhor?
— Você? – A voz da garota me trouxe de volta. – Ainda está aqui?
— Sim. – Falei. Ela estava ainda deitada na maca sentei numa poltrona ao lado da maca. – Você já foi liberada.
Ela se levantou devagar e logo estava do meu lado.
— Vou te levar para casa. – Falei sem pensar muito.
— Não seria melhor você ir para a sua casa? – Ela falou indo para á porta. – Já está bem tarde.
— Não importa. Vou te levar. – Falei indo atrás dela
— Tanto faz. – E foi isso que ela disse.
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