Capitulo 10

Raptada

— E o que exatamente o Yan foi buscar? – Perguntei.

— Não sei muito bem, mas é uma erva congelada. – Ela respondeu. O silencio se instalou ali com uma sensação estranha no ar, mas não sabia ao certo o por que.

— Que clima estranho... – Luiza falou se levantando da cadeira. Não fazia muito tempo que o Yan tinha ido embora, mas ainda estávamos sentados na cozinha. A Luiza tinha um olhar preocupado, talvez ser rápido não fosse o suficiente para atravessar a tal fronteira, imaginava o que era tão horrível a ponto de deter aquele garoto.

A Thalia tinha um olhar estranho e distante, e por mais que eu tentasse evitar, olhar para ela me fazia lembrar do meu sonho. Era estranho como vê-la com outro cara me dava agonia. Tentei evitar de encara-la, sem sucesso.

— Okay. – Luiza falou levantando. – Temos que nos animar! Hoje a noite em um povoado vai ter um festival e nos iremos lá.

Nem mesmo eu fiquei interessado naquele festival. A Thalia assentiu e voltou a encarar o nada eu também assenti.

Eu já tinha devorado metade da mesa e bebido uma jarra inteira de suco quando a Luiza apareceu com um vestido azul marinho de mangas curtas e detalhes bordados, eu tinha duvidas se aquele vestido era mais curto que os outros vestidos que ela normalmente vestia.

— Isso aqui é para você. – Ela falou sorridente e jogou umas roupas no meu colo. – E esta é minha obra prima.

Ela falou saindo da porta e revelando uma Thalia confusa e envergonhada. Ela estava vestindo uma replica do seu vestido preto, mas esse era vermelho sangue, uma mecha do seu cabelo estava igualmente tingida de vermelho e ela usava um batom também vermelho. Em resumo ela estava deslumbrante.

— Vamos se vista logo. – A Luiza falou me puxando. – Também irei te deixar lindo.

Ela falou e fechou a porta do quarto do Yan. Ela tinha me dado uma camisa sem mangas preta com um corte V e cordões prateados, a calça era igualmente preta. Me troquei rápido e sai do quarto.

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O Pablo saiu do quarto do Yan logo depois da Luiza. Tinha os cabelos puxados para traz com o que parecia um gel, estava totalmente vestido de preto e a camisa sem mangas revelavam músculos que eu não sabia que existiam.

— Perfeito. – Sussurrei.

— Vamos logo! – A Luiza gritou nos puxando, dei uma ultima olhada nele e a segui. – Assim não chegaremos a tempo.

— Como vamos ir para lá? – Falei. – Só temos um cavalo.

— Claro que não! – Ela falou sorrindo e assoviou. – Eu tenho dois cavalos.

Dois cavalos um preto e outro branco saíram de traz da casa um seguido do outro.

— Mesmo assim não podemos ir os três num mesmo cavalo e nem eu nem ela sabem cavalgar. – O Pablo falou.

— Tem mesmo certeza de que não consegue cavalgar? – Ela falou num tom desafiador. – Experimente.

Pablo deu de ombros e subiu no cavalo preto, como se fizesse isso sempre. Pegou as rédeas e fez o cavalo girar em volta de si mesmo e depois deu uma volta completa em volta da casa e parou em frente a Luiza que estava montada no cavalo branco.

— Como? – Ele perguntou espantado.

— Aquela tora de madeira, não é qualquer tora de madeira. – Ela falou. – Ajude a Thalia a subir e me siga!

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Era estranho de uma hora para a outra estar cavalgando como se fizesse isso todos os dias. “Não é qualquer tora de madeira” então a tora de madeira era magica? A Thalia deveria estar com sono pois encostou a cabeça nas minhas costas e afrouxou os braços na minha cintura.

Estava começando a anoitecer e o sol desaparecia atrás das montanhas e do castelo.

— O por do sol parece triste. – Ela sussurrou.

— As vezes eu acho o mesmo. – Respondi.

Logo tudo escureceu criando sombras estranhas, o cavalo branco em que a Luiza estava era como um ponto branco no meio de toda aquela escuridão.

A Thalia parecia atônita, e olhava para as moitas como se algo se escondesse ali e pudesse atacar a qualquer momento. Segurei sua mão estava fria isso pareceu acalma-la. Sabia que ela não precisava de mim, sabia que ela conseguiria se virar sozinha como fez com o tal tigre, mas a queria perto de mim a todo custo.

Não demoramos a chegar na pequena cidade. Amarramos os cavalos nas arvores na entrada da cidade que parecia um parque de diversões. A Luiza nos agarrou e foi levando para dentro do tumulto.

Ela nos levou a varias barracas e numa delas conseguiu uma pulseira preta que dei a Thalia. Logo depois a Luiza nos arrastou para um ringue em que um homem corpulento e musculoso se gabava dos dois pesos que tinha carregado.

Luiza me empurrou para dentro do ringue, ela parecia ter a mesma ideia que eu e empurrou a Thalia também para o ringue, ela parecia meio envergonhada ali com todos olhando-a. Peguei os dois pesos e equilibrei em uma só mão e com a mão restante puxei a Thalia para mim e a levantei do chão.

Todos ficaram surpresos incluindo o homem musculoso. Saímos do ringue com todos assoviando e rindo. Estávamos ficando com fome e como se lesse nossos pensamentos Luiza nos levou para uma barraca que servia algo que parecia com tacos.

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Eu estava me divertindo e já tinha me esquecido dos malditos sonhos que eu tinha. Estava comendo calmamente em quanto meu olhar vagou pelo lugar. Umas crianças corriam pela praça rindo alegres e Além delas perto de uma pequena fonte no meio do parque havia um toldo vermelho estendido como uma arquibancada bem requintada, eu conseguia ver dois vultos sentados em quanto um terceiro estava de pé e totalmente imóvel.

Era estranho, mas algo dentro de mim parecia me querer perto daquela arquibancada. Me levantei da mesa mesmo sem ter terminado de comer, passei por um casal que parecia bêbado, mas continuei andando em direção da arquibancada parei por um segundo para outras crianças passarem correndo por mim.

Estava a dois metros da arquibancada, podia ver mais claramente as pessoas que estavam ali, mas não conseguia ver seus rostos. Os dois sentados vestiam roupas que pareciam requintadas e bem bonitas. Um dos que estava sentado era enorme e corpulento chegava a tomar toda a cadeira o e o outro ao seu lado estava claramente jogado na cadeira e o que estava de pé parecia inquieto vestido com armaduras aparentemente pesadas.

— Não pode se aproximar senhorita. – Uma voz grossa me advertiu, mas eu não escutei continuei a caminhar em direção a arquibancada não precisava ver seus rostos para saber que todos os três da arquibancada me encaravam.

Um outro guarda com mesmas armaduras se aproximou trazendo com ele uma tocha, no mesmo instante em que a tocha iluminou o rosto de todos que estavam sentados ali um calafrio correu toda minha espinha.

O garoto que antes estava jogado na cadeira, me encarava eu não conseguia ler suas expressões. Ele era tão lindo como no sonho, cabelos lisos loiros e olhos azuis tristes. Eu estava paralisada encarando-o.

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A Thalia levantou de repente e eu a segui. Ela ia para a parte mais deserta e escura que tinha na praça o que pretendia faze ali? Um casal bêbado caiu em cima de mim, não podia simplesmente deixa-los caídos no chão. Levei-os para uma parte mais quieta no canto de uma das barracas.

Quando voltei a olhar na direção em que segui a Thalia um cara com uma armadura completa se aproximava dela e parecia berrar alguma coisa que ela parecia não escutar. Me apressei desviando das pessoas quase correndo.

O guarda estava perto demais e eu tinha certeza de que não faria nada amigável. Vê-lo tão perto dela pareceu me dar mais força porque antes mesmo de ele toca-la eu a puxei para meu lado.

— Não podem ficar aqui! – O guarda falou.

— Fique calmo soldado! – Tanto eu quanto o soldado nos viramos para a arquibancada. Aquele garoto era ele o mesmo dos meus sonhos, a raiva subiu á cabeça.

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— Sim Senhor. – O soldado bradou me tirando do transe.

— Vamos. – O Pablo falou cerrando os dentes e me arrastou de volta ao festival. Olhei para traz, o garoto loiro estava de pé e me seguia com o olhar. Voltei a olhar para frente, mas o Pablo não estava me puxando para a mesa em que estávamos com a Luiza e sim para o que parecia um beco.

— Você o conhece? – Ele perguntou, dava para ver que estava com raiva.

— Mais ou menos. – Iria dizer a verdade para ele, mesmo que ele me achasse louca. Mas ele pareceu não gostar da resposta, me pegou pelos ombros e me prensou contra a parede.

— E o que mais ou menos quer dizer? – Ele perguntou, sentia seu hálito quente no meu rosto.

— Eu nunca o vi antes, mas já sonhei com ele. – Respondi. Ele pareceu surpreso deu dois passos para traz e saiu do beco eu tentei segui-lo, mas um grupo de pessoas se bateu comigo me fazendo cair sentada no chão.

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Era estranho tê-la visto tão perto de mim sem nem ao menos poder fazer nada, nem ao menos perguntar seu nome. Ela parecia calada, mas não tímida ela era simplesmente perfeita. E aquele garoto que interceptou o guarda que era aquele?

A gargalhada cortou meus pensamentos.

— Muito interessante. – Agrios falou ainda rindo. – Soldado!

— Diga senhor. – O soldado falou se aproximando dele, que fez menção para que se aproximasse mais e sussurrou-lhe no ouvido coisas que eu bem sabia não eram boas. Depois o soldado fez outra reverencia ao seu supremo rei e desceu as escadas da arquibancada para sussurrar as mesmas palavras no ouvido do sentinela que se voltou para o rei fazendo uma reverencia e adentrou na festa.

— O que pretende fazer Agrios? – Perguntei-lhe.

— Saberá em breve Richard. – Ele falou num tom zombeteiro. Odiava todo aqueles joguetes que ele sempre fazia. Voltei a olhar todos aqueles idiotas lá em baixo sorrindo, ou talvez eu os achasse idiotas por não ter um motivo para sorrir tanto quanto eles.

Estava cansado de ficar ali.

— Soldado! – Falei. E esperei o se aproximar. – Traga meu cavalo!

— Sim general. – Falou e desapareceu por alguns segundos voltando acompanhado com meu cavalo preto.

Não demorei a montar no meu cavalo e sair dali. De todo aquele circulo alegre. Agrios também não compareceria a tais festivais se não tivesse uma única coisa em mente do que sequestrar para ele novas cativas.

Ele iria acabar arranjando um modo de sequestrar aquela garota e eu não poderia impedi-lo. Tentei não pensar em nada em quanto subia a montanha para o palácio, mas aquela garota não me saia da cabeça e como se não fosse o suficiente também me arrastava para seus sonhos.

O cavalo relinchou e caiu no meio da trilha, mas antes que ele me arrastasse com ele consegui me desviar. Tinham envenenado o cavalo que relinchava e espumava semimorto deitado na grama.

Desembainhei minha espada e o golpeei no coração o sangue escorreu pelo peito do cavalo vermelho vinho, limpei a lamina da minha espada na grama e comecei a correr em direção ao palácio, não tardaria a chegar lá.

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— Luiza. – Falei me sentando na cadeira da pequena mesinha. – Como pode a Thalia sonhar as mesmas coisas que eu?

— Pesquisei isso em quanto você treinava. – Ela pode tanto prever o futuro como criar sonhos e levar qualquer pessoa para ele. Mas pelo que vejo ela não sabe que tem esse tipo de poder.

Ela olhou por cima do meu ombro.

Aonde ela esta? – Luiza perguntou já ficando de pé.

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Me levantei do chão limpando a sujeira do vestido com as mãos. Quando levantei o olhar aquele sentinela estava em meio as pessoas empurrando algumas se preciso, parecia estar procurando alguma coisa ou alguém. Ele virou o rosto na minha direção encontrando o meu olhar e no mesmo segundo eu já sabia o que ele estava procurando.

Não iria conseguir encontrar o Pablo a tempo me virei para o beco e corri na direção da luz. Eu não sabia o porque estava correndo, mas algo no olhar daquele guarda me deu medo. Já estava perto da saída do beco quando vi a silhueta do guarda. Tentei voltar, mas era tarde demais.

Ele me agarrou pela cintura e com a outra mão me fez cheirar um pano encharcado com um liquido com cheiro de rosas, tentei me soltar, mas a minha visão ficou turva e perdi todo movimento do corpo mas continuava acordada.

Eu vi quando ele me jogou em cima de um cavalo marrom e amarrava minhas mãos atrás das costas. Quando montou no cavalo e também vi a lua minguante iluminado a trilha em que ele me levava. E quando chegamos no castelo, mas exatamente nesse ponto desmaiei.

Acordei no mesmo quarto em que sonhei com o garoto. Mas desta vez não podia admirar o lugar. Me levantei decidida mas em menos de dois passos algo me fez perder o equilíbrio e eu cai no chão. Me sentei meio tonta no tapete que cobria quase todo o chão do quarto e só então notei as correntes em meu tornozelo que estavam presas há um aro na parede.

Caminhei até a parede e experimentei puxar as correntes, tentei uma duas três vezes, como se eu pudesse arrancar aquelas correntes. Sentei no chão sentia uma agonia dentro de mim olhei para a parede a minha frente e lá estava aquele mesmo quadro, o som de passos se aproximava e como no sonho um garoto loiro entrou no quarto com o olhar decidido, a porta se fechou atrás dele e estávamos sozinhos naquele quarto imenso.