Capitulo 11

Fugindo

Ele passou longos segundos ali me encarando imóvel dês que entrou no quarto.

Respirou fundo e caminhou na minha direção, eu estava de pé mais imóvel que uma estatua. Ele parou por um segundo a centímetros do meu rosto e se ajoelhou ouvi o som do metal caindo no chão.

— Quem é você? – Ele perguntou se levantando. Dei um passo para traz algo nele me incomodava. – Nem mesmo uma palavra?

Não que eu quisesse ficar calada, mas algo me fazia ficar calada.

— Humm. – Em fim percebeu que eu não responderia. Se sentou numa poltrona não muito longe de onde eu estava.

— Creio que a senhorita esteja cansada, além de que tenho certeza de que fora drogada para chegar até aqui e acorrentada, espero que me perdoe. Mas por enquanto sinta-se em casa vou me retirar para que você possa dormir.

Ele falou já estava metade do caminho para a porta quando pareceu se lembrar de alguma coisa.

— A Porta a esquerda é o banheiro mandarei alguém lhe trazer roupas. – Ele falou e saiu do quarto.

Esperei alguns segundos e fui até a porta e a abri. Dei de cara com um guarda do tamanho da porta, dei um passo para traz.

— Desculpe, mas não posso deixa-la sair dai. – Ele falou. Assenti com a cabeça e fechei a porta.

Resumindo eu fui sequestrada, drogada, acorrentada no quarto do garoto loiro e sendo vigiada por um guarda. Eu não iria ficar ali. Mal sabia o motivo de tudo aquilo nem ao menos sabia o porque me trouxeram para cá.

Vaguei o olhar pelo quarto havia uma janela no que parecia um escritório. Corri até ela, talvez se eu fizesse uma corda com os lençóis da cama conseguisse descer. Me apressei em amarrar os lençóis ponta com ponta esperava que fosse o suficiente para chegar ao chão. Amarrei a ponta da minha corda improvisada na corrente que estava em meus pés. Aquilo tinha que aguentar.

Eu nunca tinha descido ou subido em cordas, mas não me pareceu difícil, mas minha corda acabou e eu ainda estava distante do chão não pensei duas vezes quando soltei a corda e cai com um baque surdo na grama.

Me pus de pé num salto, tinha que sair dali. Atravessei o jardim inteiro era estranho não ver vários guardas ali, cheguei até o portal principal. Os portões de madeira maciça eram enormes e finalmente os primeiros guardas estavam montando guarda em torres na única saída que eu conhecia.

Por mais maluca que fosse, só me faltava uma ideia.

— A garota fugiu! – Ouvi um grito ao longe. – Não pode ter ido muito longe.

Tinha que me apressar. Os muros que rodeavam o castelo tinham detalhes como ramos de flores salientes o que me ajudou a escalar o muro, já estava no topo quando um dos guardas me viu. Me virei preparada para pular, mas me deparei com o precipício.

— Encontrei! – Um guarda gritou atrás de mim, nem mesmo me virei para olha-lo. – Vamos desça logo dai!

Ele gritou e agarrou meu pé, mas eu o chutei com força, eu tinha chutado meu único apoio e agora estava caindo num precipício.

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A culpa era toda minha, eu não deveria ter feito aquilo. Não deveria ter deixado ela sozinha ali. Agora ela não estava em lugar nenhum.

— Ela não está aqui. – Luiza falou atrás de mim.

— Como assim? – Perguntei. – Ela tem que estar aqui. Deve ter se perdido ou...

— Não Pablo ela não está aqui. – Ela repetiu.

— E onde ela pode estar? – Perguntei.

— Não faço a menor ideia. – Ela respondeu. – Melhor voltarmos para casa.

— Voltar?! – Perguntei parando de andar. – Não podemos deixa-la aqui.

— Pablo eu posso me comunicar com ela. – Ela começou a falar. – Mas para isso eu e ela precisamos estar dormindo.

— Mas...

— Sem mais, nos temos que voltar.

— Não acham que é ela? – Ouvi um grupo de homens sussurrarem quando passamos.

— Sim, certamente é a feiticeira. – Um dos caras falou se levantando.

— Temos que detê-la e destruí-la. – Um outro falou se levantando. Eles começaram a se levantar um por um.

— E o garoto que ela está arrastando? – Um terceiro perguntou. – Talvez uma vitima.

— Agora! – Ela falou pegando no meu braço e me arrastando. Ela era forte, mas agora eu era mais forte que ela.

— Tem uns caras vindo para cá. – Falei me adiantando. – Falaram algo de feiticeira é você?

— Merda. – Ela falou. – Consegue se virar sozinho?

— Acho que sim. – Ainda não tinha controle sobre tudo. Mas quando olhei de novo ela já não estava lá.

Certo eu tinha que chegar aos cavalos, comecei a andar mais rápido e de vez em quando empurrando algumas pessoas. Já estava perto dos cavalos quando me virei tentei enxergar o lugar onde vi aqueles caras mas eles estavam tão longe.

Deveriam estar seguindo a Luiza, eu não podia deixar ela lá. Amarrei os dois cavalos juntos e montei num deles, o caminho mais rápido: Abrir caminho entre a multidão. O cavalo relinchou alto chamando atenção das pessoas que abriram caminho e gritavam quando eu passei.

Atravessei a festa mas quando encontrei a Luiza ela estava sorrindo.

— Você fez o maior tumulto. – Ela falou subindo no outro cavalo.

— Não podia deixar você lá. – Falei. – O que fez com os caras?

— Apliquei soníferos neles em quanto estava invisível. – Ela respondeu. – Temos que voltar para casa. Juro que vou conseguir falar com ela essa noite.

Assenti e a segui pela floresta.

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Fechei a porta atrás de mim o sentinela fez uma referencia, e me pus a andar pelos corredores. Eu tinha certeza absoluta de que ela não era daqui, quem sabe uma garota do leste. A região da primavera sempre me odiou e temeu, eu diria que aquela garota é bem corajosa.

A alguns segundo estava cara a cara com um assassino, mas isso não parecia incomoda-la. E fora dito entre alguns guardas que ela tentou fugir quando percebeu que seria sequestrada.

Eu teria de encontrar um lugar para dormir, uma criada veio caminhando em minha direção, mas não parecia ter me notado pois olhava pelas janelas procurando algo.

— Você ai. – Ela deveria ser uma das novas pela sua reação. Quando me viu pareceu gelar, eu podia ver o medo em seus olhos poderia rir de sua careta de medo, mas não estava com muito humor. – Prepare um quarto para mim, agora!

Ela assentiu, e saiu do corredor quase correndo sorri ao vê-la desaparecer atrás de uma porta. Andei até a janela que ela estava, o que estaria acontecendo de tão interessante no jardim que ela nem mesmo me percebeu ali?

Assim que olhei pela janela tinha certeza que nem mesmo se um inimigo estivesse prestes a me atacar atrás de mim eu me viraria. A garota que fora raptada estava de pé no muro do jardim, talvez estivesse pensando em fugir, se fosse esse o caso lhe sugeria o muro leste que o mínimo de estrago seria uma perna quebrada, mas se ela caísse ali certamente morreria.

– Vamos desça logo dai! – O guarda gritou agarrando o tornozelo da garota que o chutou com o outro pé e agora estava caindo.

— Idiotas! – Gritei e pulei da janela no mesmo instante em que ela desaparecia atrás do muro. Assim que meus pés tocaram o muro onde ela estava a alguns segundos me joguei atrás dela.

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Era engraçado estar caindo, se eu morresse ali o que aconteceria no outro mundo? Talvez eu não pudesse mais voltar e se eu caísse naquele precipício com o medalhão, como o Pablo voltaria para o outro mundo?

Eu não vi minha vida passar na minha cabeça, além de que eu também não queria vê-la como um filme nem mesmo queria revive-la. Senti algo me puxar pela cintura e não estava mais caindo e sim subindo.

Não precisei olhar para saber quem seria, era como se eu já soubesse quem estaria ali. Mas mesmo assim o olhei ele estava caminhando no muro como se ele fosse o chão. Eu olhei para seus para seus pés assustada, nada o segurava ao muro. Ele sorriu como se lesse meus pensamentos.

— Segure-se – Ele falou segurando mais forte minha cintura e começando a correr estávamos no fim do muro quando ele saltou e aterrissou com calma na grama do jardim.

— Desculpe-me general. – Um dos guardas falou se aproximando. – A levaremos agora.

— Creio que não será necessário. – Ele falou antes que o guarda pudesse me tocar. – Eu mesmo a levarei.

Por todo esse tempo ele esteve me segurando em seu colo. Ele impulsionou os pés e saltou numa janela.

— Pode me colocar no chão. – Sussurrei.

— Então a dama finalmente falou. – Ele falou sorrindo de lado. – Mas não poderei acatar seu pedido, pois torceu o tornozelo.

— Não sinto dor alguma. – Rebati.

— Não pretendo deixa-la sentir. – Ele falou.

— General a cativa acabou de... – O guarda começou falar, mas parou assim que me viu.

— Reúna os guardas de plantão no salão principal. – Ele falou abrindo a porta do quarto com o pé. – Vá!

O guarda fez uma careta e saiu andando pelo corredor coisa boa certamente não aconteceria. O garoto loiro me colocou sentada na cama.

— Qual seu nome? – Ele perguntou sentando na poltrona.

— Thalia. – Respondi. – E o seu?

— Não sabe o meu nome? – Ele riu.

— Não. – falei confusa.

— De onde você veio? – Ele falou. – Nunca ouviu falar de mim?

Não podia falar que vinha de outro mundo, seria estranho. E a Luiza tinha dito que as pessoas acreditavam que a caverna era amaldiçoada ou coisa parecida.

Balancei a cabeça em negativa.

— Isso é bem estranho. – Ele falou. — Me chamo Richard. È bom encontra-la pessoalmente. Agora vou trazer alguém para tratar do seu tornozelo.

Ele se levantou da poltrona.

— Te peço desculpas por tudo o que está acontecendo, tenho uma parcela de culpa nisso, mas não tente fugir. – Ele falou e saiu do quarto.

O que ele queria dizer com “È bom encontra-la pessoalmente”? Teria alguma coisa a ver com os meus sonhos? Eu estava muito cansada para pensar naquilo. Eu não iria dormir naquela cama enorme me levantei e teria caído se não tivesse me segurado na cama.

De fato tinha torcido meu tornozelo. Me levantei evitando colocar o pé torcido no chão e me sentei na poltrona em que ele estava e dormi ali.

— Thalia? – Era a voz da Luiza.

Abri os olhos devagar e não estava mais num quarto enorme e luxuoso, tinha voltado para a casa da Luiza e do Yan. Eu estava deitada no sofá e a Luiza estava de pé na minha frente. Será que tudo não tinha sido um sonho? Pensar nisso me dava um alivio, mas parte de mim se sentia estranha com aquilo.

— Thalia o que aconteceu com você? – Ela perguntou. – Desapareceu no meio do festival.

— Fui sequestrada por um dos guardas. – Respondi meio sonolenta.

— Aonde você está agora? – Ela perguntou e a pequena casa oscilou e desapareceu, estávamos de novo naquele quarto. – Você está no castelo?

— Sim. – Falei. Mas a imagem estava ficando borrada e a voz da Luiza ficou distante de repente.

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O salão principal estava abarrotado de soldados que quando entrei formaram uma fila organizada. Andei até o guarda que estava de vigia no quarto da Thalia.

— Volte ao seu posto. – Falei.

Ele fez uma reverencia e saiu do salão. Voltei meu olhar para os outros guardas, dispensei todos e sobrou somente um guarda no salão. Parei na frente dele, ele parecia saber o que viria a seguir.

— Você quase a matou. – Comecei a falar. – O que pretendia fazer se eu não estivesse por perto para salva-la?

— Por favor general não sabia que ela era sua protegida, pensei que era mais uma...

— Agora é tarde demais. – Falei e num único movimento o guarda caiu no chão.

Abri as portas, um guarda me aguardava ali fora.

— Leve o corpo daqui e mande alguém limpar a sujeira. – Falei. – Por sorte não sujou nenhum tapete.

Ele fez uma reverencia e entrou no salão.

— Há depois de fazer isso chame a Alexia imediatamente. – Ele fez outra reverencia e fechou a porta.

Caminhei até o quarto que mandei prepararem para mim. O quarto tinha os mesmos padrões que todos os outros quartos, o único quarto diferente naquele castelo era o meu.

Sentei numa poltrona. Thalia. Era um nome bonito e estranho ao mesmo tempo, eu gostava. Era estranho ela não me conhecer todos nas quatro regiões sabem da minha fama, a não ser que. Não era impossível que aqueles boatos fossem verdadeiros.

Me levante e fui até a biblioteca. Haviam vários registros de desaparecimentos alguns conseguiam retornar, mas eram dados como loucos por afirmarem outro mundo com coisas nunca vistas. Me lembrava que num dos registro um homem alegava ter visto o que chamou de carro, era algo de metal em que a pessoa se movimentava mais rápido que uma carruagem ou um cavalo.

— General. – Um guarda entrou na biblioteca. – O comandante pede sua presença na sala de reuniões.

— Em breve estarei lá. – Falei sem olha-lo.

O que Erick queria a essa hora da noite?

Além do Erick, Agrios estava lá com seus conselheiros repugnantes. Trinquei os dentes sentando na mesa.

— O que quer de mim Erick? – Perguntei.

— General estamos prestes a ter uma guerra civil no leste. – Ele falou.

— Interessante. — Falei. – Uma invasão durante a guerra?

— Isso mesmo. – Erick falou sorrindo.

— Autorizado. – Falei. Olhei o velho repugnante e sujo ao meu lado. – Faça algumas prisioneiras.