Universo Paralelo

12 Passeando num labirinto


Capitulo 12

Passeando num labirinto

Já amanhecia lá fora. Eu não consegui dormir, mesmo a Luiza tendo dito que se o fizesse poderia falar com a Thalia no meu sonho. Mas eu não queria ve-la num sonho, eu a queria aqui agora.

A Luiza ainda estava dormindo, tinha medo de acorda-la e ela estar no meio de uma conversa com a Thalia. Sabendo onde ela estava eu iria sem pensar duas vezes.

Se não a encontrasse logo nunca iria me perdoar. Eu já estava me arrependendo de não ter dormido quando Luiza apareceu na cozinha, ela tinha o cabelo bagunçado e ainda estava com a mesma roupa de ontem como eu.

— E então? – Perguntei. – Onde ela está?

— Mesmo que eu diga você não pode ir lá. – Ela falou decidida.

— Porque não? – Perguntei indo até ela.

— Morreria no mesmo instante. – Ela respondeu.

— Pode me explicar tudo isso? – Perguntei com raiva e confuso.

— O Yan vai voltar depois de amanha. – Ela falou me ignorando. – O máximo que podemos fazer é esperar até lá.

— Como assim esperar? — Quase gritei. – Se eu morreria significa que a Thalia está em perigo. Me diga logo onde ela está!

— Desculpa Pablo. – Ela me abraçou.

De inicio fiquei confuso mas entendi o porque estava se desculpando assim que senti a picada de agulha no meu pescoço, minha visão ficou turva e eu adormeci.

Acordei num quarto luxuoso. Mas eu já o conhecia e sabia onde ficava a Thalia estava sentada numa poltrona.

— Thalia! – Corri até ela.

— Pablo. – Ela se levantou e eu a abracei.

— Está tudo bem com você? – Perguntei ainda segurando seus ombros.

— Eu só torci um tornozelo, mas estou bem. – Ela falou e sorriu.

— O que aconteceu com você? – Perguntei.

— Aquele guarda ele me sequestrou e me dopou e me trouxe para cá. – Ela falou.

— Thalia tome cuidado. – Falei. – Vou te salvar logo.

— Você não pode vir. – Ela falou ficando assustada. – Aqui tem muitos guardas, não vai conseguir passar por eles.

— Não me importo. – Falei. – Se não fosse por mim estaríamos na casa da Luiza esperando o Yan voltar para fazermos a tal cerimonia e voltaríamos para nosso mundo.

— Desculpe por te atrasar. – Então tudo se dissolveu na minha frente.

— A culpa é mais minha que sua. – Falei puxando uma mecha vermelha dela e colocando atrás da orelha. E tudo ficou fora de foco e eu acordei.

— Sonhou com ela não foi? – Luiza estava bem em frente a mim.

— Agora que sei onde ela está irei salva-la. – Falei decidido.

— Eu não tenho certeza disso. – Ela falou com uma mistura de divertimento e preocupação.

Foi só então que percebi que estava acorrentado á tora de madeira.

— Disse que ficaria aqui. – Ela falou. – Como você acha que vai invadir um castelo cheio de guardas?

— Não importa! – Gritei tentando me soltar. – Eu tenho que tentar!

— Essa tora pode te deixar mais forte se carregada, mas se amarrado nela é impossível sair. – Ela falou se sentando no sofá. – Desista.

— Nunca.

oo0oo

Eu estava de olhos fechados, não queria abri-los. E se abrisse queria estar deitada numa cama em qualquer lugar e que tudo o que tivesse acontecido nessa noite fosse somente um pesadelo.

Senti um formigamento na minha perna e me levantei de um salto, certa que meu pedido não ia se realizar. Mas o pior de tudo foi acordar e ver aquela garota em minha frente. Alexia.

Me sentei na cama, sem tempo de pensar em como parei ali e chutei algo que estava perto do meu pé que caiu e se espatifou no chão.

— Rick não vai gostar nada disso. – Ela falou dando um sorrisinho irônico.

O que a Alexia estava fazendo naquele lugar? Rick ela estaria falando do Richard? Era estranho eu estar ali cara a cara com ela.

— Porque se passou por mim naquela noite? – Perguntei me levantando da cama.

— Fui paga para isso. – Ela falou. – Ruffls paga muito bem para se vingar de quem se intromete em seus negócios. E me desculpe por deixar que o Yan te enforcasse, mas eu estava me divertindo abeça.

— Então também devo lhe pedir desculpas pela bela cicatriz em sua perna. – Falei em tom de desafio.

Eu deveria ser uma idiota por enfrentar aquela garota, ela deveria ser algum tipo de feiticeira. Ela se abaixou devagar no lugar onde havia uma mancha vermelho sangue e vários cacos de vidro. Por um segundo pensei que fosse usar um dos cacos para me atacar, mas quando sua mão passou por cima dos cacos eles começaram a tremer e se fundiram se transformando em uma pequena jarra.

De repente as portas se abriram e Richard entrou no quarto. Ele estava com uma armadura completa era prata e tinha detalhes de ouro.

— E então? – Ele falou serio. – Já distorceu o tornozelo dela?

— Não. – Alexia respondeu sorrindo irônico para mim.

— E porque não? – Ele perguntou, não conseguia saber o que estava pensando.

— Como pode ver pela mancha vermelha em seu tapete, ela chutou meus medicamentos. – Ela falou com a voz calma.

— Porque fez isso? – Perguntou, mas não havia raiva na voz dele, e isso pareceu inrria-la.

— Prefiro ficar com meu tornozelo torcido á ela cuidar de mim. – Falei.

Podia jurar que ele sorriu por um segundo.

— E porque essa raiva? O que ela te fez? – Ele perguntou começando a tirar sua armadura.

— Enganou meus amigos como se fosse eu. – Falei.

— Porque fez isso? – Ele perguntou se virando para Alexia.

— Negócios extas. – Ela respondeu friamente.

Ele a lançou um olhar como se conversassem mentalmente. Ela fez uma careta e saiu da sala.

— Quem seriam seus amigos? – Ele falou tirando a camiseta e jogando numa cadeira.

Ele tinha algumas feridas recentes no tórax totalmente perfeito e definido, eu tinha me esquecido da pergunta que ele fez quando ele sorriu para mim.

— Desculpa, não deveria me comportar desse jeito. – Ele falou pegando a camisa e vestindo novamente. – Estou acostumado a ficar sozinho aqui.

— Poderia estar. – Falei. – Não sei porque estou aqui!

— Pode não parecer mas estou te protegendo. – Ele falou. – Está melhor aqui do que lá fora.

— Como pode saber disso? – Perguntei.

— Simplesmente sei. – Ele falou. E foi até o escritório vasculhou um papel que dobrou e guardou no bolso.

— Eu quero sair daqui! – Falei. – Não quero ficar dentro desse quarto.

— Entendo, quer dar um passeio? – Ele falou.

— Não eu quero ir para minha casa! – Quase gritei.

— Nesse caso seu mundo. – Ele falou sentando numa poltrona.

— Como... — Comecei a falar.

— Qualquer pessoa neste mundo saberia quem eu sou. – Ele falou como se fosse obvio.

— E porque todos te conhecem, general? – Perguntei ironicamente.

— General é? – Ele sorriu.

Trinquei os dentes, ele era simplesmente inrritante.

— Tenho que sair daqui e logo... – Falei mais para mim do que para ele. Como o Pablo iria voltar para o outro mundo sem mim? O Yan iria voltar em dois dias, tinha dois dias para sair daquele lugar.

— Vou aceitar isso como um sim. – Ele disse sorrindo.

Um sim para o que? Antes que eu pudesse perguntar ele saiu do quarto.

Me levantei da cama, minha perna não doía tanto. Fui até a janela do escritório o sol iluminava o gramado do jardim, dois guardas estavam ali encostados á parede branca conversando.

— Espero que não decida fugir hoje. – Ele falou. – Não quero me jogar de um penhasco atrás de você.

— Quando vai me dizer porque fui sequestrada? – Perguntei, tudo aquilo estava me irritando.

— Eu poderia te contar, mas seria nojento e pensaria mal de mim. – Ele falou voltando para o quarto.

— E porque se importa com o que eu penso de você? – Perguntei.

— Eu realmente não sei o que te responder. – Ele falou. – Agora vá tome um banho e vista isso.

Ele falou e me entregou um vestido branco. Eu realmente precisava de um banho.

— Vamos antes que eu decida te dar banho. – Ele falou e sorriu de lado.

Eu o olhei confusa, e então ele me empurrou para dentro do banheiro, a banheira estava cheia e a agua estava quente. Tomei um banho rápido e me vesti.

— Como previ, o branco fica tão bonito quanto o vermelho em você. – Ele falou me puxando pelo braço e me fazendo sentar numa das cadeiras.

— O que você...

— Acha mesmo que vai andar acompanhada por mim descalça? – Ele falou. – Se acha está louca.

Ele se ajoelhou e colocou os sapatos vermelhos nos meus pés.

— Vermelho. – Ele falou terminando de ajeitar o fecho. – Por causa da mecha.

Ele se levantou me puxando junto e então me puxou para fora daquele quarto. Da minha prisão. O sentinela fez uma reverencia que ele nem mesmo viu. Me puxou pelos corredores do castelo, e logo estávamos em um outro jardim.

No jardim havia uma fonte e logo atrás desta um labirinto. Ele me levou pelo labirinto esperava eu que ele soubesse que caminho tomar, o pensamento de entrar num lugar e não encontrar a saída era agoniante.

— Onde você está me levando? – Perguntei.

— Confie em mim. – Ele falou. Espero que ele tenha percebido o quão irônico era aquilo. Ele esperava que eu confiasse na pessoa que mantinha em cativeiro. Mas ele tinha me salvado. Minha cabeça deu um nó, uma parte de mim confiava nele e outra preferiria ter um tigre de estimação.

Viramos uma ultima esquina, e era como se estivéssemos na sacada de uma casa luxuosa, havia uma rede e a visão do sol desaparecendo no meio das montanhas e logo abaixo um abismo sem fim. Era uma mistura estranha, mas eu gostava.

— E então o que achou? – Ele perguntou.

— É perfeito. – Falei.

— Achei que gostaria. – Ele respondeu sentando na rede. – Pelo que eu vejo seu tornozelo não dói mais.

— Não. – Falei e me sentei na sacada. – Eu queria poder entender tudo isso.

— Como assim? – Ele perguntou.

— Queria saber porque fui sequestrada e porque estou dormindo no quarto de um general e porque o general me salvou e porque o general se importa com o que eu penso e porque o general é conhecido em todo esse mundo.

— Você foi sequestrada porque o rei achou que eu me interessei em você. Está dormindo no meu quarto porque não quero que aquele homem imundo toque em você. O general te salvou porque realmente se interessou na garota do outro mundo. E sou conhecido por...

Ele respirou fundo.

— Pode me poupar dessa resposta? – Ele falou sorrindo meio sem jeito.

Então um príncipe-general acaba de admitir que tem interesse em mim. Eu o fiquei fitando naquele silencio não sabia o que dizer aliais tinha esquecido sua pergunta.

— Muda novamente. – Ele falou e sorriu. – O que eu faço com você? Num minuto me bombardeia com uma serie de perguntas no outro simplesmente fica muda.

— É para compensar todas as perguntas. – Falei.

— Prefiro você falando. – Ele falou. – Me conte sobre o outro mundo.

— O que quer saber? – Perguntei.

— Não sei, me fale sobre os carrros. – .

Eu ri.

— O que? – Ele falou me olhando sem entender.

— Nada. – Eu sorri vendo-o ficar confuso. – Os carros são como as carroças só que mais rápidos e dentro deles tem algo que deixa o carro sempre aquecido ou gelado e você também pode ouvir musica e não usamos cavalos.

— E então como você veio parar aqui? – Ele perguntou.

— Nos perdemos numa floresta e acabamos entrando numa montanha e viemos parar aqui. – Algo em mim não me deixou falar dos medalhões.

— Você falou no plural. – Ele falou. — Aquele garoto moreno...

— Sim foi ele. – Falei. Como estaria o Pablo agora? Ele disse que viria atrás de mim, tinha medo do que poderia acontecer com ele se ele viesse aqui.

— E você sente algo por ele? – Ele perguntou cortando meus pensamentos.

— Não sei. – Respondi. E algo me fez lembrar de imediato do beijo do Pablo

— Humm. – Ele falou como se visse meus pensamentos. – E quais as chances de você sentir algo por mim?

Num segundo ele estava sentado na rede e no outro estava tão próximo que prendi a respiração.

Ele me puxou pela cintura com uma mão e com a outra puxou minha nuca me fazendo sentir arrepios, e ele me beijou. Não pude evitar de comparar os dois beijos, eles eram diferentes e perfeitos.

Ele se afastou devagar e sorriu.

— Você está vermelha Thalia. – Ele falou ainda sorrindo- Melhor voltarmos você dorme demais.

Ele pegou minha mão e entramos novamente no labirinto.

— Muda de novo? – Ele falou e sorriu algo me dizia que ele ia aprontar mais uma.

Ele me prensou na cerca viva, e me beijou dessa vez menos demorado. Alguma coisa em beija-lo me incomodava, e era estranho sentir aquilo.

— Dá para parar com isso? – Sussurrei.

— Posso traduzir isso como um não e em seguida um fora? – Ele perguntou.

— Sim. – Falei decidida e comecei a andar.

— Acaba de dar um fora no príncipe mais desejado deste pais, e pior ainda deu o fora no general mais orgulhoso que conheceu. – Ele falou.

— Não tenho medo por você ser um general. – Falei. – E você nem é assim tão bonito.

— Então ele é mais bonito que eu? – Ele perguntou com meio sorriso no rosto.

— Se eu disser que sim o que você faria? – Perguntei fingindo curiosidade.

— Primeiro poderia sentir ciúmes e depois arranjaria um modo de acabar com ele. – Ele falou serio.

Fiquei em silencio o observando, talvez fosse apenas uma brincadeira, e além de tudo eu não conseguia ler suas expressões.

— Então agora tem medo de mim. – Ele perguntou com um sorriso forçado.

— Eu nunca vou ter medo de você. – Falei, e continuei num tom irônico. – Mesmo que você seja totalmente repulsivo.

— Repulsivo. – ele falou e sorriu de lado. – Realmente não faz noção do perigo.

oo0oo

E realmente não sabia.