Capitulo 14

Desiludida

Acordei arfante. Eu estava conversando com o Pablo, ele me explicou que eu conseguia conversar com as pessoas por meio dos sonhos. E a Alexia apareceu no meu sonho sorrindo ironicamente eu senti uma pontada de dor e o sonho se dissolveu.

— Agora não pode mais se comunicar com ele. – Ouvi a voz dela enquanto a escuridão crescia ao meu redor.

Não fazia ideia do que ela tinha feito, eu estava confusa, com fome e com dor de cabeça.

— Dormiu bem? – Richard falou saindo do escritório com um sorriso nos lábios. – Não lembra da noite passada?

— Noite passada? – Perguntei tentando me lembrar o que tinha acontecido antes do sonho, mas eu só me lembrava de ter sido obrigada a seguir aquele homem gordo e estranho.

— Sim, quando disse que eu era perfeito e que queria que eu a beijasse novamente. – Ele falou indo até uma pequena mesa e pegando uma bandeja.

— Eu disse isso? – Perguntei me sentando na cama, como eu tinha ido parar ali? — Bateu forte com a cabeça?

— Que pena que não se lembra. – Ele falou parecendo realmente decepcionado, colocou a bandeja no meu colo cheia de frutas e torradas. – Deve ter bebido demais.

— Eu não bebo. – Respondi e engoli uma das torradas.

— Mas bebeu ontem. – Ele falou. – Estava totalmente embriagada tão embriagada que disse que tinha mentido.

— E sobre o que eu menti? – Perguntei estava começando a ficar com raiva do sorriso divertido dele.

— Sobre eu ser repulsivo. – Ele falou e riu. – Disse que sou perfeito.

— É eu realmente tenho que estar bêbada para fazer uma coisa dessas. – Respondi com frieza pegando outra torrada. – Pode me dizer como fiquei bêbada?

Ele cerrou os dentes por um segundo.

— Não importa pelo menos nada aconteceu. – Ele falou num tom de incerteza.

— Só me lembro de um cara gordo e feio me obrigando a ir para o quarto dele e... – Eu comecei a me lembrar o que aconteceu, ele me obrigou a beber o vinho enquanto passava a mão em mim, o rosto do motorista me veio a cabeça. – Ele...

— Não. – Richard se sentou do meu lado e me abraçou de lado. – Ele não fez nada com você, eu não deixaria que fizesse.

— Claro que não eu sou seu brinquedinho. – Falei empurrando ele.

— Ele disse isso? – Ele perguntou se levantando. – Aquele velho idiota.

Ele começou a caminhar em direção da porta.

— O que vai fazer? – Perguntei, mas ele me ignorou.

Eu já deveria ter aprendido a minha lição e não tentar mais fugir dali, das duas ultimas vezes que tentei não deu muito certo. Mas mesmo assim abri a porta devagar e sai, mas eu estava parada dentro do quarto em frente a porta.

Presa.

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Abri as portas duplas com um estrondo. Agrios estava deitado na cama com as duas garotas do arem que se levantaram assustadas com o barulho.

— Saiam! – Gritei dando tempo a elas vestirem suas roupas e saírem do quarto atordoadas.

Agrios não tinha movido um musculo, essa era sua maior fraqueza se alguém decidisse mata-lo com certeza conseguiria se ele estivesse dormindo.

— Acorda velho imundo. – Falei jogando-o no chão.

— O que você quer? – Ele rugiu tentando se levantando.

— Nunca mais toque nela, nem mesmo pense em faze-lo! – Peguei seus cabelos e o fiz olhar para mim.

— E o que faria se eu a quisesse? – Ele perguntou com um sorriso no rosto.

— Se tocar nela eu mesmo te matarei. – Falei largando os cabelos escorridos dele.

— Que egoísta da sua parte! – Ele falou rindo quando estava prestes a sair de seu quarto. – Não dividir seu brinquedo com os outros.

— Ela não é um brinquedo! – Falei pegando uma pequena adaga do meu tornozelo e cravando na barriga dele.

Ele urrou de dor enquanto o sangue escorria manchando sua camisa.

— Não se preocupe, infelizmente você não vai morrer hoje. – Falei sorrindo e limpando a adaga na manga da camisa dele e a guardando.

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— Então não podemos mais falar com ela? – Perguntei.

— Não. – Luiza falou sentando do meu lado. – Não de mais um de seus ataques. O Yan chega hoje, com ele podemos tentar resgata-la.

— Não podemos tentar. – Falei. – Temos que conseguir.

Ela suspirou.

— Como vamos fazer a cerimonia sem ela!? – Perguntei.

— Se é com isso que se preocupa. – Ela falou. – A cerimonia pode ser feita sem ela, mas precisaríamos do medalhão dela.

— Nunca voltaria sem ela! – Falei.

— E se ela não quisesse voltar? – Ela perguntou seria.

— Eu...

— Gosta dela, então ficaria aqui com ela. – Ela respondeu por mim.

Eu não tinha certeza. Queria saber como estava minha mãe e meu primo chato e bagunceiro, sentia falta da escola. O que eles pensariam quando encontrassem a caverna com nossas coisas?

Mas de outro lado eu não poderia deixar a Thalia aqui sozinha, e era como se eu soubesse que ela iria ficar aqui dês do começo, mas eu não fazia ideia do que faria quando fossemos voltar.

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Andei calmamente pelos corredores, e bati na porta da Alexia duas vezes.

— Rick, está cedo não? – Ela falou emburrada. Eu sabia que ela odiava ser acordada tão cedo.

— Tudo bem se quiser dormir mais um pouco, mas o imperador está sangrando dois andares abaixo. – Falei me encostando na porta.

— Porque não me avisou mais rápido? –Ela perguntou passando por mim.

— Queria que ele sofresse um pouco. – Falei alcançando ela que já corria pelos corredores, ela era rápida mas não tão rápida assim.

— E se ele morrer? – Ela falou tentando me repreender, mesmo sabendo que isso era impossível.

— Fácil tomarei o trono, me casarei com uma bela mulher e assim ninguém mais terá de suportar esse idiota. – Falei. – Bom faça seu trabalho depois me encontre na biblioteca.

Ela assentiu e eu parei vendo seu vulto desaparecer rapidamente. Me virei e abri a porta atrás de mim. Thalia estava sentada numa poltrona e encarava o nada.

— Pode me desculpar por tudo isso? – Não sabia exatamente porque estava me desculpando, mas parecia o melhor a se dizer. – Eu deveria tê-la vigiado melhor.

— Não peça desculpas. – Ela falou sem me olhar. – Eu já sei qual seu interesse por mim.

— Disse que se soubesse a verdadeira razão de estar aqui, ia pensar mal de mim. – Falei eu ia toca-la quando percebi o sangue em minha mão. – Eu preciso de um banho urgente se não se importa.

Ela não respondeu.

Quando sai do banheiro ela ainda estava sentada na poltrona com o mesmo olhar.

— Agrios mandou que te sequestrassem, e envenou meu cavalo para me atrasar, e quando cheguei no meu quarto você estava aqui. – Ele falou. – Se eu a soltar ele vai te perseguir até te raptar novamente e além disso parte de mim a quer aqui.

— Se me soltasse não seria raptada novamente. – Ela falou.

— E como iria escapar de todos aqueles guardas grandalhões? – Tentei soar meio engraçado, mas não deve ter funcionado.

— Eu não estaria mais nesse mundo, não me encontrariam. – Ela falou e finalmente olhou para mim.

— Então sabe como passar de um laãdo para o outro? – Perguntei.

— Não exatamente. – Ela respondeu fria. – Porque quer saber isso?

— Quem sabe eu decido te visitar por lá. – Falei sorrindo.

Ela estava seria e calada, com o olhar fixo no nada.

— Ainda está zangada. O que eu poderia fazer para você me desculpar? – Perguntei.

— Eu só quero uma coisa de você. – Ela falou me encarando, olhando nos meus olhos.

— Diga o que quer. – Falei sem nem mesmo piscar, ela tinha olhos tão grandes como bolas de gude negras.

— Quero sair daqui. Sair desse quarto! – Ela falou quase gritando. – Quero ir embora!

— Farei isso. – Falei bolando alguns planos na cabeça. – Preciso ir, pode dormir na cama sei que é mais confortável que aquela poltrona.

Não sabia o porque, mas ela tinha vergonha de deitar na minha cama. Ela parecia irritada, talvez por eu estar falando algo desnecessário quando ela falava seriamente comigo. Sorri saindo do quarto, uma coisa eu sabia eu só era assim perto dela, só perto dela.

Caminhei calmamente até a biblioteca. Abri as portas duplas vendo Alexia sentada em uma das poltronas com um livro nas mãos.

— O que queria falar comigo Rick? – Ela perguntou se levantando e deixando o livro na poltrona.

— General. – Falei calmamente.

— Como assim General? – Ela falou estranhando.

— Não me chame mais de Rick. – Falei serio, sabia o que ela estava vendo em meu rosto sem expressões, mas era inevitável, eu não a queria mais. – Me chame de General de hoje em diante.

— O quer dizer com isso Richard? – Ela perguntou e me puxou quando ia me virando para sair.

— G-N-E-R-A-L. – Soletrei friamente.

— È aquela garota não é? – Ela perguntou, mas já sabia a resposta. – Porque ela?

Ela gritou me puxando, fazendo-a encara-la.

— Eu a amo. – Respondi. — Quero que avise aos meus guardas para arrumarem minhas coisas, irei partir amanha para as terras congeladas. – Falei segurando-a antes que pudesse desaparecer na minha frente e então a soltei.

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Eu estava cansada de ficar dentro daquele quarto. Queria saber como o Pablo estava e se o Yan já tinha voltado. E se por acaso o Pablo conseguir se livrar da Luiza, eu saberia se ele foi preso? Richard me contaria?

Mesmo que o Yan tenha voltado com as tais ervas congeladas não serviria de nada se eu estivesse presa dentro desse castelo. Fui até um vaso de frutas e peguei uma maça. Eu estava com fome mesmo depois daquele café da manha.

A porta rangeu revelando uma moça baixinha com um vestido longo e avental branco parecia totalmente inofensiva. Ela andou devagar até a cama evitando me olhar, aliais me ignorando totalmente.

— Me desculpe mas você...

A moça deu um pulo como se minha voz fosse totalmente mortal, largou algumas roupas na cama e saiu correndo pela porta se batendo com Richard, por quem pareceu ter mais medo ainda, desviou dele fazendo uma reverencia e saiu correndo pelos corredores.

— Me desculpe, aqui as paredes tem ouvido. – Ele falou indo até mim e parando a uma distancia segura. – Meus criados sabem que você veio de outro mundo.

— Parecia ter mais medo de você que de mim. – Falei lembrando do olhar que a mulher lançou á ele como se o implorasse a ele para esquecer que tinha sequer chegado perto dele.

— Sobre o que você me pediu. – Ele falou desviando da conversa inicial. – Irei te tirar daqui.

Ele me olhou vasculhando todo o meu rosto e estendendo os dedos para enrola-los em meus cabelos.

— Amanha bem cedo. – Ele falou e sorriu. Senti uma sensação estranha, uma vontade maluca de puxar o rosto dele para perto do meu eu o olhava quase que hipnotizada pelos meus pensamentos e ele continuou. – Preciso ir agora, voltarei de noite.

Ele beijou a minha testa rapidamente, quando notei já estava na porta.

— Tente não assustar muito minhas empregadas. – Ele falou dando um ultimo sorriso e fechando a porta.

Era estranho que ele decidisse me soltar assim do nada. Provavelmente estava mentindo, mas pior que isso foram meus pensamentos malucos que de repente me levaram para aquela sacada no precipício, e me dei conta que tinha gostado daquilo e isso me assustou.

Me virei para a cama e lá estava ela sentada como se fosse dona de tudo aquilo, mas havia algo em seu olhar raiva, ódio. O cabelo branco dela escorria para o chão quase tocando-o.

— O que você quer? – Ela não me respondeu simplesmente sorriu, e num segundo estava em minha frente segurando minha boca com força.

— Precisa do seu remediozinho. – Ela falou irônica. E eu senti a capsula escorregando pelos meus lábios e mesmo que eu tentasse não conseguia me impedir de engolir aquilo. Já era tarde demais quando empurrei a Alexia que pareceu voar pelo quarto e se bater na parede.

— Aprendeu alguns truques com a Luiza foi? – Ela falou se levantando e rindo. – Desculpe lhe informar, mas agora é tarde demais.

Eu teria xingado ela se minha visão não estivesse ficando turva e estivesse tonta demais para me equilibrar.

— A parte engraçada é que não vai se lembrar da nossa conversa. – Ouvi ela dizer antes de cair no chão.