Unintentionally Yours.
1 Just Give Me a Reason.
Notas iniciais
Just give me a reason, just a little bit it's enough. Just a second, we're not broken, just bent...
Seus olhos estavam maravilhados com a beleza incomparável daquele Reino. Apoiada à borda do navio, Regina admirava a coloração esverdeada do céu que se quebrava apenas por um ponto amarelo distante, agora um pouco fraco. O sol estava se pondo um pouco atrás das montanhas que eram rodeadas por nuvens de um verde mais claro do que aquele que preenchia o céu. Algumas estrelas que já começavam a brilhar misturavam-se com os milhares de vagalumes – ou seriam fadas? – que sobrevoavam o navio. A morena sentiu uma lágrima solitária escapar de seu olho direito, mas não deu tempo para que ela se mostrasse o suficiente. Esfregou lentamente as costas da mão no rosto e mordeu o lábio inferior, numa tentativa falha de reprimir as outras lágrimas que estavam por vir. Tudo que conseguia pensar naquele momento eram a admiração e a surpresa que veria estampadas nos olhos de seu filho se ele estivesse ao lado dela, abraçando sua cintura tão docemente como costumava fazer desde que teve tamanho o suficiente para abraçá-la daquela maneira. Minutos antes de partir, Regina parecia ser a pessoa que mais tinha esperanças dentro do Jolly Roger. Ela e Emma, claro. Encontrar Henry era tudo que mais importava para as duas naquele momento... E por mais que Regina odiasse admitir, elas eram mães da mesma criança, tinham os mesmo objetivos quanto ao seu filho e iriam até o fim do mundo para resgatá-lo caso fosse preciso. Mas depois de cinco dias de viagem tendo visitado a seis ilhas diferentes, a Rainha estava começando a achar que seu filho estava... “Não, Regina! Henry não está morto” ela dizia para si mesma em todos os momentos do dia, mas estava cada vez mais difícil de acreditar em suas palavras.
Ela sentiu seu pescoço molhado. As lágrimas. Seus cabelos estavam bagunçados; ela não os penteara pela manhã. Seus trajes não passavam de uma calça jeans surrada que emprestara de Mary Margaret – porque as malditas calças ridiculamente justas da Xerife não a deixavam confortável – e uma camiseta branca de algodão. Para completar o “look” da noite, um pesado manto verde-musgo jogado por sobre os ombros para protegê-la do frio. Ela estava mais magra. Não perdera muito peso, mas pela péssima alimentação que estava tendo, sua aparência havia piorado em... 70 por cento. Olheiras profundas emolduravam os grandes e belos olhos castanhos, cada vez mais vermelhos de tanto chorar. Ela passava as noites em claro pensando em seu filho... Em como ele estaria em alguma dessas malditas ilhas... Sozinho, com medo...
– É lindo, não é? – a voz acolhedora de Emma fez com que a Rainha desse um pequeno pulo de susto. Ela secou os olhos rapidamente, emitindo um som que deveria ter sido entregue a Xerife como um “aham”, mas pareceu mais um gemido sem sentido algum. – Hook disse que cada parte do Reino tem um por do sol diferente. É magnífico.
– De fato... – Regina sussurrou de cabeça baixa, tentando ao máximo esconder seu rosto abatido.
– Eu... – Emma começou a falar, parando ao lado da morena com as mãos nos bolsos da jaqueta de couro azul. – Eu não consigo te ver chorar, Regina.
Os olhos da Rainha arregalaram-se involuntariamente ao ouvir aquelas palavras. Ela olhou de rabo de olho para a loira, que tinha a cabeça baixa, fitando o oceano, e os graúdos cachos dourados cobrindo seu rosto. Regina sentiu uma onde súbita de felicidade invadir seu coração, mas não demonstrou isso. Muito pelo contrário: ela voltou seu olhar para o horizonte e ergueu a cabeça.
– Eu não preciso da sua preocupação – a morena falou com aquele ar de superioridade que Emma tanto adorava. Inconscientemente, é claro. – Mas obrigada – sua voz falhou nessas últimas palavras e ela se puniu mentalmente por isso. A Xerife continha agora um sorriso vitorioso nos lábios.
– Precisa, sim – ela disse, e Regina baixou a cabeça novamente. Emma segurou seu queixo com a mão esquerda e levantou o rosto da Rainha para que pudesse olhar em seus olhos. No fundo deles... Tão negros como a noite que já estava tomando conta do Reino.
A loira estava próxima demais, o que fez Regina estremecer e agarrar as pontas que segurava do cobertor com mais força do que anteriormente. Emma desceu seu olhar par os lábios carnudos da Rainha, seus olhos devorando e desejando cada beijo que aqueles lábios poderiam lhe oferecer... Então ela voltou sua atenção aos olhos agora confusos da morena. A Xerife traçou delicadamente do queixo até a testa de Regina com os dedos da mão esquerda, fazendo todo o caminho vagarosamente de volta até, por fim, eu braço cair e repousar ao lado do corpo da loira. Ela afastou-se da Rainha e andou até o outro lado do navio. Regina a seguiu.
– Nós vamos encontrá-lo, sabe – Emma debruçava-se na borda do navio com um sorriso esperançoso nos lábios.
– Não tenho mais tanta certeza – a ex-Prefeita assumiu seus pensamentos, pela primeira vez, em voz alta. Estremeceu com a certeza em sua própria voz e encolheu-se no cobertor.
– Ele é nosso filho, Regina – a loira respirou fundo antes de ajeitar sua postura e olhar, sorrindo, para a morena parada à sua frente. – Filho da Salvadora e da Rainha Má. Ele é uma criança durona.
Regina riu ao ouvir aquelas palavras. Como era possível Emma estar sempre tão certa de que as coisas iriam se acertar? A Rainha não entendia como ela conseguia ser tão otimista, tão engraçada, tão incrível mesmo em uma situação como essa. Seus olhos demoraram-se nos lindos olhos verdes da Xerife que analisou demoradamente cada detalhe do rosto perfeito de Regina. Os lábios carnudos e umedecidos, o nariz proporcional, a cicatriz no lado direito do seu lábio superior... E seus olhos. Olhos estes que costumavam ser tão desafiadores, assustadores, sedutores... Naquele momento demonstravam fraqueza, tudo aquilo que Regina quis esconder a sua vida toda. Cortava o coração de Emma ver a falta de esperança naquele olhar, ver o quão apagado ele estava. As luzes nos grandes mastros do navio acenderam-se.
– O jantar está pronto! – Mary Margaret apareceu na escada que levava à pequena cozinha e às cabines.
– Já estamos indo – Emma respondeu e viu sua mãe sorrir para ela antes de desaparecer na escada.
– Acho que deve ir – Regina sussurrou. – Eu... Vou ficar mais um pouco.
– Espero que goste de companhia – a loira sorriu e sentou-se em umas grandes caixas que estavam encostadas à borda. Deu leves tapinhas no espaço ao seu lado, convidando Regina a sentar-se com ela. Depois de relutar por alguns segundos, a Rainha cedeu. Ela não entendia o porquê de tanta proximidade da parte da Xerife à essa altura do campeonato, mas ela não queria ficar sozinha. Seu corpo estremeceu quando sentiu um dos braços fortes de Emma repousando sobre seus ombros.
– Um centavo pelos seus pensamentos? – a Xerife perguntou.
– Henry... – Regina começou, sua voz indicava que ela estava prestes a chorar. Ela não queria chorar. Não ali, nos braços de Emma Swan. Mas se o fato de estar nos braços da Xerife mais irritante da história a incomodava tanto, porque ela simplesmente não levantava e se dirigia à cozinha ou qualquer outro lugar? Porque, então, ela se sentia tão confortável naquele abraço? – Henry é a minha família – as lágrimas escorreram livres por seu rosto cansado. – Eu não posso perdê-lo... Ele... Ele é tudo que eu tenho...
– Lamento discordar, Madame Prefeita, mas a senhorita está completamente enganada – Emma sorriu de canto antes de encontrar os olhos de Regina com os seus. – Ouvi histórias sobre certa Rainha que dedicou todo o seu tempo e todas as suas forças para conseguir o que queria, e não acho que ela desistiria dessa vez.
– Não se esqueça de que essa “certa Rainha” destruiu a vida de todos os habitantes do Reino que ela governava – Regina respirou fundo. – De todos que você ama, Senhorita Swan.
– É, você tem um ponto – a loira fez uma cara pensativa. – Tudo bem, foram os motivos errados. Mas... – Emma ajeitou-se e puxou Regina para mais perto. A Rainha inconscientemente se aconchegou nos braços da Xerife, deixando que sua cabeça repousasse no ombro dela. Emma continuou. – Você é uma mulher forte. Eu digo... Olha tudo o que você passou! Não tô falando só sobre a maldição, não. Eu sei que tem muita coisa por trás disso.
– Sabe? – Regina levantou o olhar até alcançar o rosto tranquilo da loira.
– Você teve um motivo para se tornar assim, não teve? – ela perguntou. Regina assentiu baixando o olhar. – Mas você mudou. Mudou pelo Henry, e isso não é algo a ser esquecido. As coisas vão dar certo.
– Promete? – ela nem mesmo sabia o porquê das palavras da loira serem tão importantes para ela agora, mas elas eram. E ouvir Emma Swan sussurrar “eu prometo” em seu ouvido foi a melhor coisa que havia lhe acontecido desde que deixaram Storybrooke. Regina fechou os olhos e sentiu a brisa suave tocar seu rosto misturada com o doce aroma que vinha dos cabelos da Xerife. Lavanda, a morena reconheceu e respirou fundo, tentando capturar o máximo possível daquele aroma em sua memória. Ela aconchegou seu rosto na curva do pescoço de Emma, fazendo a loira tremer quando seu nariz gelado encostou-se ao pescoço da mesma. Regina riu baixinho.
– O que está acontecendo? – perguntou ainda de olhos fechados, respirando contra a pele macia e branca da Xerife.
– O que? – Emma se fez de desentendida, encarando o céu. Ele estaria assustadoramente escuro se não fossem os vagalumes – ou seriam fadas? – dançando e brincando entre as estrelas.
– Emma... – a Rainha sussurrou afastando seu rosto apenas alguns centímetros. Ainda assim Emma podia sentir a respiração quente da morena em seu pescoço, e a sensação de ouvi-la a chamar pelo seu primeiro nome era como comer brigadeiro escondida antes da festa. Uma coisa incomum, mas tão deliciosa que, vez outra, nem parecia ser real. Emma não respondeu, apenas suspirou e deixou que seus olhos encontrassem os de Regina, que esperavam por uma resposta. Um sorriso discreto estava presente em seus lábios. Emma sorriu também antes se aproximar lentamente do rosto da ex Prefeita.
– Emma, eu... – Regina recuou, mas logo o dedo indicador da loira estava sobre seus lábios. A morena assentiu e a mão quente e carinhosa de Emma acariciou seu rosto, puxando-a para mais perto.
Uma leve onda de adrenalina percorreu o corpo de ambas quando seus lábios se encontraram. Emma estava hesitante a princípio, mas quando sentiu Regina retribuir o beijo, seu corpo relaxou e indícios de um sorriso surgiram em seus lábios. A Rainha levou uma de suas mãos ao rosto da loira, deixando seus dedos perderem-se nos cabelos dourados da Xerife logo em seguida, e uma sensação gostosa a tomou quando Emma a puxou para ainda mais perto, tentando acabar com a distância inexistente entre elas. Sua língua dançava lentamente com a da loira enquanto ela explorava cada canto de sua boca, os lábios macios e molhados movendo-se com os seus em uma doce sincronia. Depois de um tempo, elas quebraram o beijo, deixando suas testas encostadas, ainda de olhos fechados. Regina sentiu o hálito quente de Emma em seu rosto quando a mesma tentou dizer algo, mas foi calada por um selinho demorado e apertado. Emma sorriu. A Rainha também.
– Não precisamos dizer nada – Regina disse enquanto acariciava as bochechas rosadas da Salvadora com as duas mãos. A loira assentiu e recostou-se à borda do navio com Regina em seus braços. Emma acariciava os cabelos negros da Rainha enquanto esta brincava distraidamente com o colar de cisne que a Xerife carregava no pescoço.
As duas ficaram ali, em silêncio, e nenhuma tinha certeza de por quando tempo estavam naquela posição. Emma deu uma olhadela para baixo e viu os olhos de Regina fechados. “Ela deve ter dormido”, pensou. “O quão adorável isso é?”.
– Eu estou acordada, Senhorita Swan – os lábios da Rainha estavam curvados em um largo sorriso. Emma riu, corando. Regina levantou a cabeça de modo que pudesse olhar para a loira, então deu um beijo carinhoso em sua bochecha se levantando logo em seguida. Quando já estava perto da pequena escada que a levaria até sua cabine ela parou e virou-se para a outra que tinha seus olhos fixos na Rainha. Os grandes olhos negros dela estavam diferentes agora. Eles tinham um... Brilho. Algo especial. Os lábios da morena moveram-se lentamente e sua voz rouca fez um arrepio gostoso percorrer o corpo de Emma.
– Obrigada, Emma.
Notas finais
E aí, gostaram? Espero que sim, e deixem reviews! *-*
Os contos funcionarão assim: vou postar alguns que já tenho em mente assim que escrevê-los, mas gostaria que vocês mandassem sugestões de situações em que gostariam de ver as duas. E vocês podem decidir também se querem contos apenas em Neverland, até que elas encontrem Henry, ou da história em um geral. O que acham da ideia?
Kisses! ♥
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