Notas iniciais
AGOOOORA o capítulo é meu. Só pra deixar claro: O DeadPotter escreve os POVs do Kurt, enquanto eu, W.S., da Alexia. Sim, a nossa diva vai narrar esse cap. Raven= Corvo em inglês Eu sempre coloco aspas em "góticos" porque esse termo é genérico, visto que a palavra em questão originou-se para designar um povo germânico (os Godos). Espero que gostem!! PATOS SÃO MALIGNOS!!!!!!!! W.S.

Quem era aquele pequeno e insignificante idiota pra ficar apontando para mim no meio do corredor?

Claro que eu podia ter deixado passar. Afinal, quantas pessoas apontavam para mim todos os dias? Não é como se fosse normal ver uma menina branca feito algodão andando por aí com uma camisa que continha um belíssimo dedo do meio estampado, ou palavrões, ou referências à bruxaria... Acho que deu pra entender. Mas ele estava com a Lissa, e isso era motivo suficiente para eu poder me aproximar e arrumar briga.

Depois do nosso pequeno confronto, fui direto para a sala de aula. Não era a coisa mais comum do mundo, mas eu estava puta da vida tanto com a Lissa e o Scott quanto com as únicas pessoas que ainda me aceitavam: Os famosos “góticos”.

Tinha arranjado briga com a “líder” deles e agora todos estavam temporariamente me evitando. Isso aí, Alexia. Sempre descendo a ladeira. Você inspira a si mesma.

Deitei a cabeça na carteira e peguei no sono.

Acordei novamente com uma voz vagamente familiar sussurrando perto da minha carteira.

– A sua primeira escolha foi péssima, cara. Sério, eu acho que até a Lissa seria melhor. E mais fácil. – era inconfundivelmente Scott. Falando merda, como sempre. Mas pelo menos consegui uma informação útil: o moreninho novo era primo da Víbora. Não tinha muita semelhança entre eles. Enquanto a pele dela era branca (típica de ruivas) e os olhos, verdes, ele exibia cabelos castanhos lisos e curtos, pele natural e levemente bronzeada e olhos amendoados.

– Você tem certeza que ela está dormindo? Porque eu acho que a... – era a voz do... Como era seu nome? Acho que algo como Kurt.

– Alexia. Alexia White.

– Alexia não ficaria nada feliz se ouvisse isso. – terminou a sentença.

– Ela está em um sono ferrado, cara. E, de qualquer jeito, esse assunto é a nossa prioridade no momento. A culpa não foi nossa por termos chegado atrasados. – Lissa, pensei instantaneamente. Ela provavelmente ficou enrolando com alguma futilidade e eles perderam a hora. E isso deveria explicar o motivo de estarem sentados ao meu lado. Agora que nem a minha turma falava comigo, todos queriam distância, mesmo que fosse no meio de uma aula, com um professor vigiando e hipoteticamente impedindo que eu fizesse qualquer merda como, por exemplo, matar alguém com a minha tesoura.

Infelizmente.

– Mas como eu vou conseguir isso? Você sabe que eu não consigo nem falar com garotas.

– Lissa é uma garota. Você fala com ela. Pronto.

– Ela é minha prima. É diferente. Não dá pra chegar em uma garota que você quer beijar e falar simplesmente ”Oi, eu te achei bonita e queria saber se você quer ficar comigo.”

– Na verdade...

– Ah, cala a boca, Scott. Você sabe que eu não quero ficar com qualquer uma. Tem que ser, sei lá, a garota... – ele pensou um pouco antes de encontrar um adjetivo. — Perfeita, entende? Não apenas uma aleatória que vai esquecer do meu rosto em dois segundos. – o sino tocou e as cadeiras começaram a ser arrastadas. Esperei alguns segundos para abrir os olhos.

Aquela era uma informação interessante.

~°°~

Caminhei calmamente até a minha casa.

A paisagem começava a mudar a meio quilômetro da escola. As casas de família e prédios comerciais escasseavam, enquanto casinhas e prédios mais pobres e pútridos apareciam. As paredes e muros eram todos pichados (a maioria com coisas indecentes) e as calçadas e ruas, rachadas e esburacadas. Era possível ver até alguns buracos de bala em algumas janelas.

Parei em frente à porta do prédio onde morava. Um dia, a coloração fora branca, mas agora a tinta tinha descascado e o que sobrava estava preto de sujeira. Ou pichado. Tive de subir alguns lances de escadas antes de chegar ao terceiro andar e destrancar a porta carcomida de casa. O cheiro de mofo instantaneamente invadiu as minhas narinas.

Lar, doce lar.

Claro, um lar doce não teria as paredes pretas por infiltrações, uma janela quebrada e espaço suficiente para um fogão, um sofá-cama e algumas prateleiras que guardavam minhas roupas e as de Jason.

E falando nele...

Minha cintura foi envolvida por dois braços duros e meus pés pararam de tocar o chão. Senti tudo ao meu redor girar e agarrei seu pescoço buscando apoio. Seus cabelos loiros faziam cócegas na minha bochecha e o cheiro do perfume que ele usava me trazia lembranças da época em que tudo estava bem.

– Como foi a escola? – ele perguntou enquanto me colocava no chão e segurava a minha cintura para que eu não desabasse com a tontura e com os saltos.

– Eu me sinto uma criança quando você me faz essas perguntas. – respondi sorrindo. Não era como se algo que ele fizesse me desagradasse.

– Certo, senhora White. Uma encomenda chegou para vossa senhoria umas duas horas atrás. Eu lhe acompanharei até os seus aposentos. – ele passou o braço pelo meu e, juntos, demos dois passos até chegar ao sofá-cama que dividíamos. Meus enormes aposentos.

Em cima dele, uma caixa de papelão sem ornamentos jazia. Ao abri-la, encontrei o que havia pedido para a minha prima, Valerie. Ela tinha uma loja de roupas na nossa cidade natal e sempre me mandava sobras de estações passadas que não foram vendidas ou emprestava alguns artigos da loja, quando eu precisava. Tirei o arquinho vermelho com chifrinhos vazados lá de dentro e coloquei na cabeça, já pescando o vestido de couro vermelho e postando-o na frente do meu corpo.

– Digna do inferno? – perguntei com voz ronronante. Jason abriu um sorriso de lado.

– Deixaria qualquer um com fogo no rabo. – ele falou e eu sorri. As festas da escola não eram muito legais, a menos que Jason estivesse por perto. Ele sempre fazia alguma coisa que animava a porra toda.

– Por que você não vai comigo? – perguntei.

– Eu não tenho uma prima que consegue roupas pra mim num piscar de olhos e sem ter que pagar nada. – raciocinei por um segundo.

– O tema da festa é Céu e Inferno. Só vista uma roupa preta e a gente par em uma lojinha qualquer de departamentos pra encontrar uma máscara bem bosta. Pronto! – eu disse. Ele riu, aproximou-se e beijou a minha testa. Como dava pra notar, éramos muito próximos.

– Vou ver o que posso fazer. Além do mais, acho que seria bom eu ir junto. Sabe, pra dar na fuça de todos os caras que olharem pra você. – rimos juntos. – Agora eu vou trabalhar, porque pra alguns isso é vital manter o emprego. – ele disse, me abraçou novamente e saiu pela porta.

~°°°~

Já eram sete horas. A festa começava às seis e Jason deveria ter chegado as cinco e quarenta, mas nenhum sinal dele.

Eu estava me levantando para sair quando o meu celular tocou.

– Fala, babaca. – disse.

– Alex, desculpa mesmo. A lanchonete está surpreendentemente cheia e só agora o meu patrão mal comido deu uma folga. Juro que teria ligado antes. – Jason disse. Torci a boca.

– Se eu pudesse, te tirava desse emprego e merda... – comecei a ralhar como uma velha, mas ele interrompeu.

– Calma, Alex. Eu sei que você me ama e faria qualquer coisa por mim, – rimos – mas acho que você não pode me defender de tudo ou me safar de tudo. Fazer o quê.

– Isso quer dizer que você não vai à festa comigo. – não era uma pergunta. Ele suspirou.

– Eu bem que queria, mas não vai dar. Vou sair daqui muito tarde e já consigo até me ver quando chegar em casa. Aquele sofá duro e fedido nunca me pareceu tão convidativo. – rimos novamente. Uma voz diferente surgiu do outro lado da linha. – Pare de falar com a namoradinha e volte ao trabalho, Whitmore! – caí na gargalhada instantaneamente. Era o chefe do Jason, uma velho caduca dono da Doc’s Dog. – Tchau, Alex. Se cuida. Soque alguns tarados por mim! – e ele desligou. Com um sorrisinho no rosto, coloquei um sobretudo por cima das roupas e saí de casa.

~°°°~

Pude avistar conhecidos no momento em que virei a esquina da rua da escola. A líder dos “góticos”, Raven (aposto o meu rim que aquele não era seu nome verdadeiro), estava em pé de frente para alguns de seus amigos fumando um cigarro quando me viu chegando. Aspen, o seu ficante-namorado, apontou para mim e ela me encarou com nojo, como estava fazendo desde que eu, sem saber, beijara o seu namorado-ficante... Bem, a culpa não era minha se o cara era um galinha e eu não sabia que estavam juntos, certo?

Passei pelos portões rapidamente, afinal, não tinha motivos para ficar plantada do lado de fora ou entrar em uma briguinha tediosa com Raven. Ainda não entendo como ela conseguiu virar a líder daquele grupo.

Mas, ao que parecia, ela queria um conflito, pois, no momento em que cruzei o batente das portas de entrada, ouvi sua voz chamando o meu nome:

– O que foi, Alexia? Está com medinho? – parei subitamente ao ouvir a segunda parte e só não voei para cima daquela puta porque meu corpo esbarrou com a pessoa que estava atrás de mim (e que não tinha reparado antes) e caímos no chão. Comigo por baixo.

Não conseguia ver muita coisa, visto que seu rosto estava a milímetros do meu, mas tinha certeza que era um menino, pelo e forma do corpo que prensava-me contra o chão. Os olhos castanhos desviaram das minhas orbes para os meus lábios e o rosto X aproximou-se mais um pouco.

Entreabri os lábios e...

Percebi o que estava bem a tempo. Com toda a força da minha perna, chutei suas “bolas douradas” e ele saiu de cima de mim, se curvando de dor. Ao levantar, reparei nos cabelos castanhos, no tom da pele e na ruiva que encarava a cena com expressão chocada e no moreno meio musculoso que tinha um sorriso entretido nos lábios.

Eu quase beijara Kurt Springs.

Tirei o sobretudo e joguei-o na pilha de casacos perto de onde a cena tinha ocorrido. Virei e saí andando para o meio da multidão de adolescentes suados que dançavam na quadra. Por que Jason não pudera ir comigo?

Notas finais
O que acharam? COMENTEM!! W.S.