Unintentionally
3 By the Beards of Dumbledore
Notas iniciais

Foto da Judy.
Quem seria a tal garota desconhecida que quase pulverizara as minhas bolas e que eu quase beijara no meu segundo dia de aula na nova escola? Parecia que o mundo estava conspirando para que eu não descobrisse a resposta para essa pergunta. Ao levantar a cabeça, alguns doloridos segundos depois da tragédia que havia acontecido com meus futuros filhos, simplesmente vi cabelos negros esvoaçando enquanto um corpo magro que usava um curto vestido vermelho saia andando normalmente. Depois de algum tempo gemendo no chão, enquanto várias pessoas passavam por mim, levantei e me juntei aos meus únicos amigos: Lissa, com sua boca aberta em um perfeito “O”, e Scott, com um sorriso estranho que mostrava que ele se divertira com a cena.
– Cara, isso foi sensacional! Toca aqui! – disse ele, estendendo a palma da mão em minha direção. Olhei-o com uma expressão rude.
– Acabaram de explodir as minhas bolas, então não foi tão sensacional assim – a expressão de felicidade dele desapareceu (como se isso fosse possível) e abaixou a mão. — Quem era ela? Vocês conseguiram ver? – os dois balançaram as cabeças negativamente. Fiquei perplexo – Como que não a reconheceram?
– Ela estava com uma máscara, e foi tudo tão rápido que nem deu para perceber – Lissa finalmente falou. Deixei-os para trás e me dirigi rapidamente para a quadra, passando pela multidão de adolescentes suados e fétidos que se esfregavam uns nos outros.
Eu até poderia contar o que aconteceu antes de chegarmos à festa, mas consigo resumir tudo rapidamente: passei a tarde com Lissa me azucrinando sobre a roupa que usaria na festa (que foi apenas uma camisa branca com asinhas ridículas atrás e uma calça branca, e ela tentou me convencer a usar uma auréola ainda mais ridícula que as asas) e com Scott falando sobre várias das suas aventuras amorosas (ou nem tanto).
Continuando com a festa, depois de uma busca minuciosa, não encontrei nenhum sinal da tal garota. Acho que a Lissa percebeu que eu estava ficando paranoico e que não estava aproveitando a minha primeira festa na cidade, então me convidou para dançar. É claro que eu preferia dançar com uma garota que não fosse da minha família, mas já era alguma coisa. Lembram quando eu comentei sobre aquilo que as pessoas achavam sobre a Lissa ser uma puta patricinha? Depois daquele dia, eu comecei a achar isso também. Dançamos por menos de cinco minutos até ela encontrar um gostosão qualquer do time de futebol, um tal de Brad, e sair andando com ele como se eu nem estivesse ali. Foram para um banheiro que ficava no canto da quadra e, antes da porta bater, tive o vislumbre deles se agarrando loucamente, algo que me incomodou pelo resto da noite (ou pelo menos até eu conhecer aquela garota que vocês também conhecerão daqui a pouco).
De repente, o Kurt paranoico voltou e eu continuei com a busca pela garota. Meu Deus, acho que demorei mais ou menos uma hora para desistir momentaneamente dela, mas logo continuei com a busca quando percebi que o Scott havia sumido (na verdade, eu não o via desde o começo da festa) e tentei encontrá-lo. Aquele devorador de garotas deveria estar ficando com uma garota, e mesmo procurando por todos os lugares possíveis em que alguém poderia ficar com outra pessoa, não o encontrei em nenhum deles. Por isso, decidi parar um pouco e aproveitar mais aquela droga de festa.
Fui para o meio do fluxo de adolescentes metidos a dançarinos e fiquei lá parado, esperando alguma coisa acontecer. Caralho, eu não sabia o quê fazer. Afinal, por que parei de procurar pela garota desconhecida mesmo? Estava mais legal do que ficar no meio daquela algazarra toda.
Estava indo pegar algo para beber quando fui abordado por uma garota. Sim, uma garota.
– Ei, você não é o primo da Lissa? – sua voz era doce e melodiosa, e como já começou falando da Lissa, presumi que também era uma das patricinhas.
– A-acho que sim. Sou o Kurt. Você é amiga dela? – gaguejei, o que fez com que ela desse uma risada. Dá pra acreditar? Eu pensei que nunca mais conseguiria falar direito com uma garota depois da... Esquece, isso fica pra outro capítulo.
– Sim, meu nome é Judy — repentinamente, a música agitada parou e uma lenta tomou o seu lugar. Nós nos entreolhamos por alguns segundos, e ela quebrou o gelo.
– Ei, quer ir dançar? — Judy nem me deu tempo de responder: postou-se na minha frente, agarrou minhas mãos e colocou-as em sua cintura, depois colocando as suas próprias mãos em meus ombros. Foi assim que eu esqueci completamente da garota misteriosa. Eu só tinha olhos para a Judy. Ela era única que importava naquele momento e em todos os outros da minha vida. Depois de um pouco de dança e conversa, eu tomei uma decisão. E foi então que eu fiz a maior idiotice que alguém poderia fazer em seu segundo dia de aula numa fucking escola nova: falei apenas três palavras. As três malditas e perversas palavras que destroem milhares e milhares e milhares de corações todos os anos. Eu repeti a frase que os meus ancestrais repetiram dos ancestrais deles, e isso foi uma burrice e tanto.
– Quer ficar comigo?
~*~
Fui pegar alguma coisa para beber, afinal, estava mais puto que a Lissa depois de perder a hora para ir ao cabeleireiro. Finalmente tinha achado o Scott e, depois de contar toda a merda que aconteceu para ele, o garanhão estava tentando me ajudar com seus conselhos de pegador nível 1000.
– Cara, mesmo que você tenha levado um fora, pense pelo lado positivo: você ainda tem a garota misteriosa – de repente, ele foi puxado pelo braço por uma ruiva qualquer e os dois sumiram no meio de todo mundo.
Como estava perto de uma mesa, no canto da quadra, peguei um copo de refrigerante para esfriar a cabeça. Do outro lado da mesa, uma gótica de gélidos olhos azuis e que usava um sobretudo preto com botões dourados(e um deles estava faltando) me fitava, rindo da minha roupa. A mesma garota que me encarara na entrada da escola. Alexia White.
– Deixe-me adivinhar: foi aquela putinha quem escolheu essa roupa, não foi? – perguntou, gargalhando. Não respondi e simplesmente peguei um copo com refrigerante. Ela olhou para o recipiente e gargalhou novamente – Por que não pega algo mais forte? Pelo que ouvi da sua conversa com o traidorzinho agora a pouco, você acabou de levar um fora de uma das vadias da Lissa.
– Acho que preciso de todos os meus neurônios inteiros esse ano.
– O álcool não mata os neurônios, seu idiota, ele só ajuda-os. O problema é que, se a pessoa exagerar, os benefícios não aparecem, apenas os malefícios.
– Foda-se. Eu estou meio mal agora, então, por favor, não me enche o saco – E é claro que ela não me escutou.
– Cara, você é patético. Não consegue nem pegar alguém, e olha que isso é algo muito fácil de fazer. Você só precisa chegar e beijar. Aposto que aquele cabeça de cenoura podre já te falou isso antes.
– Não é tão fácil assim quando você é uma pessoa como eu, mas não preciso te dar satisfação sobre isso.
– É fácil, sim. Quer que eu prove?
Eu nem precisei responder. Ela correu para o garoto mais próximo que encontrou (que, por ironia do destino, era o Brad, o cara que tinha ficado com a Lissa nessa mesma festa) e puxou-o pelo braço, agarrando-o logo em seguida. E eles ficaram assim por alguns minutos, ali, enquanto vários outros alunos dançavam ao seu redor. Ao se separarem, Alexia fez um sinal para o Brad sumir dali, e o grandalhão foi embora feliz da vida.
Acho que a Lissa estava certa sobre a Alexia: eu deveria ficar longe daquela garota. Ela exalava problemas por cada poro. Acabei de tomar o meu refrigerante e fui embora da festa sem dar satisfação para ninguém. Eu só queria poder ir para casa, deitar na minha cama e dormir até que minha barba crescesse e ficasse igual à do Dumbledore.
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