Notas iniciais
Oláaaa!!! Que saudade que eu tava disso aqui! ♥ Como vocês estão? Eu to surtando com tanta ideia de fanfic pra escrever que vocês não têm ideia. Comecei duas one-shots aqui ao mesmo tempo em que estava escrevendo esse capítulo extra com duas cenas diferentes pra vocês. São duas cenas desconectadas que eu quis escrever meio que pra mostrar as dificuldades e os atritos do dia-a-dia de Rin e Sesshomaru como pais. A primeira cena se passa antes do nascimento do bebê Hayashi, a Miyuki ainda é pequena. Já na segunda ela já é maiorzinha, se passa cronologicamente um pouco depois do fim de Unintended, então o Hayashi já é nascido. Enfim, não é nada sério, só algo que eu quis escrever. Espero que dê pra matar a saudade :3

1 — Caçada noturna

Sesshomaru abriu os olhos para a escuridão, os olhos dourados refletindo em um clarão brilhante a tênue luz da lua que adentrava pela janela.

Adaptando-se ao ambiente escuro, percebeu com certa confusão que estava só. Tateou por um momento o espaço vazio ao seu lado no futon como que para se certificar de que sua mente sonolenta não lhe pregava peças. E, de fato, estava mesmo só.

Se esforçou para lembrar da última vez que havia visto Rin e, logo, a memória da curta conversa que tiveram no corredor mais cedo veio à superfície. Ela havia lhe dito que iria apenas cuidar do jantar de Miyuki e logo estaria com ele para a noite.

O daiyoukai não tinha perfeita noção de quanto tempo havia se passado desde aquela conversa, mas o fato de que ele se deixara adormecer — não por cansaço, mas por tédio — era um bom indicativo de que havia ficado a esperá-la por um longo tempo.

Franzindo o cenho, ele se levantou, buscando um haori pendurado em um gancho na parede e usando-o para cobrir o torso nu antes de sair no corredor pela madrugada.

Nem mesmo precisava tomar a decisão racional de procurar o rastro de Rin, seu nariz já detectava seu cheiro automaticamente e guiava seus pés para encontrá-la. Não ficou exatamente surpreso quando a curta busca o levou ao familiar quarto de Miyuki.

Ao abrir a porta delicadamente, foi recebido com a imagem da esposa adormecida. Teria sido uma imagem adorável, não fosse pelo detalhe de que Rin dormia sentada em um futon ainda vestindo as roupas sociais, as costas desconfortavelmente apoiadas na parede, os cabelos desgrenhados que pareciam não ser penteados há dias. Parecia realmente exausta para ter caído no sono naquela posição que certamente lhe renderia uma dor no pescoço no dia seguinte.

A única coisa mais desorganizada do que Rin naquele quarto era o próprio quarto. Os lençóis e almofadas estavam espalhados pelo chão e deviam haver no mínimo quatro tigelas diferentes de comida largadas perto do futon, contendo ingredientes distintos que logo começariam a apodrecer.

Não conseguia nem imaginar o que havia acontecido naquele quarto para que estivesse em condições tão deploráveis, mas algo lhe dizia que a mulher adormecida poderia explicar.

Cuidadosamente, o youkai se abaixou ao lado da esposa, gentilmente sacudindo-a pelo ombro e sussurrando seu nome em uma tentativa de despertá-la.

A humana despertou com um arfar assustado apesar de toda a delicadeza, e Sesshomaru rapidamente tratou de acalmá-la.

— Você caiu no sono. — Ele explicou para ela, que parecia surpresa com o ambiente.

Rin, ainda um pouco grogue de sono, ajeitou a postura, correndo os dedos pelos cabelos em uma tentativa sem sucesso de deixá-los um pouco mais apresentáveis.

— O que houve aqui? — Sesshomaru perguntou, realmente intrigado.

A pergunta forçou a humana a olhar ao redor, tentando descobrir do que ele estava falando e, quando seus olhos cruzaram com a bagunça, seus olhos imediatamente se voltaram para o cesto ao seu lado onde a pequena Miyuki dormia tranquilamente.

Rin suspirou de cansaço, mexendo no cabelo emaranhado mais uma vez como se tivesse acabado de se lembrar de um exaustivo problema. Permaneceu em um silêncio esquisito por algum tempo, como se ainda processasse a pergunta que o parceiro havia feito e, justo quanto Sesshomaru começava a ficar impaciente com a demora e se preparava para perguntar novamente, a humana começou a chorar.

As lágrimas sobressaltaram o youkai, que de imediato se moveu para o lado dela, apoiando uma mão em seu braço em uma tentativa tanto de confortá-la quanto de chamar sua atenção.

— Rin? O que foi? — Questionou, preocupado. — Tem algo errado?

— Tem algo errado, — admitiu, a voz embargada pelo choro repentino. — Miyuki…

Ele estava ainda mais atento agora, voltando a observar o berço.

— O que tem ela? Está doente? — Ele farejou brevemente, não captando mais do que o característico cheiro saudável da criança e de leite materno. Não estava doente.

— Eu não sei, — Rin confessou, desolada. — Ela não quer comer nada há dias! Já tentei de tudo.

Aquilo explicava o porquê de tantas tigelas intocadas espalhadas pelo quarto, cada uma com uma comida diferente. Sesshomaru não deixou de reparar o quanto era estranho que a situação já viesse ocorrendo há dias e, no entanto, Rin havia claramente se esforçado ao máximo para fingir que não havia nada de incomum acontecendo. Ela parecia perfeitamente tranquila quando se falaram mais cedo naquele mesmo dia.

— Por que não me disse nada? — Perguntou, intrigado.

Rin abaixou a cabeça, distraidamente brincando com uma das fitas no berço de Miyuki para evitar encará-lo diretamente. Sentia-se um fracasso por não conseguir ter lidado com aquilo por conta própria.

— Eu não queria incomodá-lo com esses problemas. — Admitiu, envergonhada. A medida que seu desespero aumentava, ela desatava a falar sem pausas para respirar. — Esperava que fosse se resolver com o passar dos dias, mas claramente não tem funcionado. Ela obviamente está tendo interesse na comida, já está crescida demais para viver só do leite. E só os deuses sabem como amamentar tem sido uma tortura agora que os dentinhos estão nascendo, o senhor não tem ideia! Não é a mesma coisa que dentes humanos comuns, sabia? Mas ela apenas cheira tudo que eu trago e não quer comer nada, apenas fica me pedindo mais e não consigo encontrar nada de que ela goste! Já tentei todos os legumes, cereais, massas, frutas…

— Carne? — Sesshomaru interrompeu, franzindo o cenho para todas as opções de comida que ela havia listado. Não podia culpar a filha, quem é que comeria aquelas gororobas repulsivas?

— Sim, carnes também. Peixes, aves, porco… Eu não sei mais o que ela pode querer.

O daiyoukai podia sentir que realmente havia faisão como ingredientes de um dos pratos, mas, com todos os outros legumes misturados em volta e o claro uso de calor excessivo pelo cheiro de brasa, iam-se todas as esperanças de que aquela comida pudesse ser apetitosa para qualquer um. Bom, pelo menos para um inuyoukai.

E ali ele podia detectar claramente o erro que Rin vinha insistindo em cometer aquele tempo todo:

— Você está oferecendo comida humana.

A humana o olhou com confusão, como se o que ele havia acabado de dizer não tivesse nem passado pela cabeça dela em nenhum momento. Até porque… quem daria comida de youkais para um bebê? Os pratos que eram servidos aos youkais durante os banquetes eram tão repulsivos que Rin não tinha coragem nem de olhar para eles para tentar averiguar no que consistiam exatamente.

— Não vejo como isso seria um problema. — Ela defendeu, agora se acalmando um pouco com o debate, enxugando as lágrimas restantes na manga da youkata. — Miyuki é metade humana. Inuyasha come apenas da nossa comida. Aliás, se deixar, ele come tudo e não sobra nada para mais ninguém.

Sesshomaru revirou os olhos com isso e, elegantemente, pôs-se de pé, inclinando-se sobre o berço de Miyuki para pegá-la no colo. O filhote adormecido se mexeu em uma tentativa de aconchegar-se no novo leito dos braços do pai, mas não despertou. Esse comportamento ainda surpreendia o daiyoukai.

— Eu não a compararia a Inuyasha. — Ele disse, enquanto a esposa também se colocava de pé. — Eles são muito diferentes em constituição. Não diria nem mesmo que ela seja metade humana.

— Ué, como não? — Rin perguntou, realmente confusa. Não ia dizer isso para não chatear o marido, mas Miyuki e Inuyasha eram sim bem parecidos de certa forma, pelo menos na formação física. E ambos apresentavam o mesmíssimo tipo de combinação sanguínea, logo, fazia sentido compará-los.

Sesshomaru começou a caminhar enquanto falava, saindo do quarto e sinalizando com a cabeça para que a humana o seguisse.

— A sua contribuição está claramente presente nela, é claro. — Ele explicou, enquanto andavam pelos corredores escuros na noite. — Mas meu youki domina muito facilmente os seus traços, de forma que a parte humana fica praticamente apagada na maior parte do tempo. Resumindo, Miyuki é mais inuyoukai do que humana. É de se esperar que ela não vá querer comer coisas que crescem da terra ou que sejam cozidas.

Ele falou a última palavra com repulsa e, quando Rin percebeu o que aquilo significava, sentiu o estômago se embrulhar e, prontamente, se colocou na frente dele para impedi-lo de avançar.

— Espere, o senhor por acaso não está pensando em dar carne crua para um bebê pequeno, está? — Ela perguntou, chocada com a possibilidade. Quando ele apenas permaneceu a olhando sem dizer nada, Rin soube que estava mesmo falando sério. — De jeito nenhum! As pessoas ficam doentes com isso, sabia? Até morrem! Kagome diz que tem coisas que a gente não consegue ver e que nos fazem mal, mas que morrem com fogo e é por isso que é bom cozinhar tudo antes de comer.

— Rin, se um filhote meu morrer para um pedaço de carne, eu vou revivê-lo apenas para poder deserdá-lo. — Ele disse em um tom perfeitamente sério, mas Rin sabia que estava brincando. Pelo menos sobre a parte de deserdá-lo.

Percebendo que realmente já havia esgotado todas as outras opções e que, àquela altura, ficaria feliz se Miyuki decidisse comer alguma coisa — qualquer coisa -, a humana assentiu, permitindo que prosseguissem pelo castelo noite adentro até que, por fim, chegaram à cozinha.

A cozinha era certamente o ambiente mais rústico do palácio, com móveis em madeira pouco trabalhada que mostrava claramente sinais do tempo. Estava completamente vazia àquela hora da noite, os servos já tendo sido dispensados para os seus aposentos desde que Rin havia requisitado a última leva de opções de refeições para a filha.

Apesar da aparência despreocupada, a cozinha estava limpa e arrumada, os utensílios devidamente guardados e nenhum sinal de resíduos perecíveis a vista.

Sesshomaru se aproximou da parceira após uma breve análise do local e a entregou o filhote ainda perfeitamente adormecido em seus braços, ainda maravilhado que ela conseguisse permanecer inconsciente mesmo com toda a conversa. Rin aconchegou o bebê, apoiando-a em ambos os braços para sustentar o peso com mais facilidade. Miyuki já não era mais tão leve quanto costumava ser.

— Não há nada aqui que vá servir. — Ele explicou, já voltando-se para a saída, seu interesse em outra direção. Não estava surpreso com a falta de suprimentos, já que as caças só eram trazidas para o castelo no momento de serem preparadas para as refeições diárias da senhora do oeste ou então para serem servidas durante os banquetes semanais da corte, a fim de garantir o frescor dos ingredientes delicados.

— O que faremos, senhor Sesshomaru? — Rin perguntou, preocupada, o seguindo cozinha afora com a criança nos braços.

O daiyoukai virou-se para olhá-la, a expressão em seu rosto era promissora.

— O que me diz de um jantar como nos velhos tempos?

A humana inclinou a cabeça em confusão, sem entender realmente o que ele queria dizer com aquela sugestão. Sesshomaru não se deu o trabalho de elaborar mais a fundo, apenas prosseguindo até que os três saíram pelos portões principais do castelo, a lua cheia brilhante os recebendo no céu negro.

Alguns soldados do turno da noite os saudaram quando os viram passar, curvando-se em respeito, mas Sesshomaru apenas os ignorou e seguiu até o centro do pátio, analisando a amplitude do espaço disponível antes de se dirigir à humana que o acompanhava.

— Você tem sua lâmina?

Rin apalpou as roupas, sentindo a adaga encapada presa em algum lugar por entre os tecidos. Procurava sempre tê-la por perto, mesmo que só fosse usá-la para aparar os caules das flores do jardim antes de colhê-las para algum arranjo. Assentiu.

Com a confirmação, o daiyoukai reuniu seu foco, concentrando sua energia sinistra e subitamente a libertando, deixando-a correr livre das restrições. A força se espalhou pelos seus músculos como fogo consumindo folhas secas, explodindo finalmente na forma de um rugido feral quando ele se apresentou orgulhosamente sobre enormes quatro patas.

Os soldados se moveram, alarmados com a transformação repentina, mas voltaram aos seus estados tranquilos quando o inu apenas agitou a pelagem e se pôs deitado sobre a barriga. A humana ao seu lado parecia ridiculamente minúscula em comparação e o bebê que ela carregava — agora completamente acordado e atento — parecia tão pequeno quanto uma pulga.

Rin analisou a postura convidativa do cão, percebendo pelo aceno da cabeça que ele pretendia que ela subisse em suas costas. Ela ergueu uma sobrancelha para os olhos vermelhos que a observavam, levantando um pouco Miyuki para lembrá-lo de que a menina ainda estava lá. Como diabos ele esperava que ela conseguisse escalar um cachorro gigante com uma criança no colo?

A solução se mostrou rapidamente quando um dos soldados se aproximou, oferecendo sua ajuda.

— Senhora, se me permite, posso segurar a jovem princesa para que suba.

Rin sorriu em agradecimento. Conhecia bem aquele guerreiro, como era o caso para quase todos os outros, portanto lhe confiou a filha sem hesitar e, uma vez livre da carga, tratou de elevar-se até as costas do grande youkai, usando tufos de pelo e elevações nos músculos proeminentes como apoio na curta escalada.

Uma vez confortável e segura entre as omoplatas da fera, acenou positivamente para o soldado que aguardava lá embaixo e este a entregou de volta o bebê sem dificuldades, com um único salto. A mãe cuidadosamente aninhou a criança em um dos braços enquanto segurava firmemente com a mão livre uma porção dos pelos longos e espessos que formavam uma juba ao longo do pescoço do youkai. Sesshomaru voltou a se levantar sobre as quatro patas, certificando-se de que suas passageiras estavam estáveis antes de alongar os músculos e pegar impulso com as patas traseiras, elevando-os do chão a uma altura impressionante, um pulo elegante que os permitiu passar por sobre os muros com facilidade. Uma vez do lado de fora dos limites do castelo, com a floresta se estendendo ao seu redor, a fera pôs-se a correr com velocidade por entre as árvores espaçadas, seus instintos predadores se ativando instantaneamente.

Ele podia sentir o cheiro de cada criatura viva ao seu redor e, embora reconhecesse a injustiça e o tédio de caçar um animal de hábito diurno durante a madrugada, estava disposto a trabalhar com o que estivesse disponível, dada a situação emergencial.

Em suas costas, Rin lutava para tirar o cabelo do rosto sem poder usar nenhuma das mãos e, uma vez que conseguiu, pode observar a paisagem da floresta iluminada pela lua. As árvores passavam por ela como borrões e, mais de uma vez, achou que fosse dar de cara com algum galho pelo caminho, mas as manobras de seu senhor eram impecavelmente habilidosas, desviando de cada um dos obstáculos sem em nenhum momento negligenciar os corpos extras que lhe montavam. O vento forte era refrescante e a energia da corrida a fazia esquecer completamente o quão cansada estivera durante aquele dia. A humana amava o ar livre e sentia falta de estar solta na natureza como nos velhos tempos. O castelo podia se tornar bastante confinador depois de algum tempo, especialmente quando precisava lidar com todo o estresse de ter um bebê pequeno que parecia finalmente ter decidido lhe dar trabalho e recusar as propostas de refeições oferecidas. Até mesmo o jardim havia se tornado uma memória distante naqueles últimos dias de sufoco, mas, agora, tudo aquilo estava sendo deixado para trás.

Rin riu em deleite, inclinando-se para pressionar o rosto amorosamente no mar de pelo branco a sua frente, abraçando a filha mais próximo ao corpo. Miyuki também mostrava um sorriso fascinado, os olhos dourados brilhantes refletindo a luz lunar, as mãozinhas se estendendo para sentir a pelagem do cão com curiosidade.

O daiyoukai diminuiu a velocidade e parou de repente e, quando Rin voltou a erguer a cabeça para ver o que estava acontecendo, percebeu que estavam em um campo um pouco mais aberto. O silêncio reinou por um momento, nem mesmo os insetos ousando se pronunciarem, antes de um rosnado ameaçador da fera gigante soar estrondosamente pela floresta e, no mesmo instante, um bando de veados apareceu por entre os arbustos e tentou correr cegamente por entre a mata.

Rapidamente, Sesshomaru encurralou um deles enquanto os outros escapavam desajeitadamente. O animal mal teve tempo de lamentar a chegada de seu fim, sendo prensado entre as poderosas mandíbulas do inu e engolido quase que por inteiro, não fosse por uma única pata traseira que se desprendeu do restante do corpo pelos dentes afiados. O membro descartado caiu ao chão com um baque surdo.

Com destreza, o cão deu conta de limpar a peça, segurando-a entre as garras e trabalhando com os dentes para puxar a pele fora, expondo a carne vermelha por baixo. Uma vez terminado o serviço, ele voltou a cabeça para trás, tornando a deitar delicadamente sobre a relva e sinalizando com um aceno e um latido baixo para a humana em suas costas que era hora de desembarcar.

— O senhor não vai me deixar cair de cara no chão, vai? — Rin perguntou, receosa com a descida íngreme.

O cão apenas bufou, voltando a apontar o focinho para o chão, encorajando-a a descer.

Segurando a filha com firmeza nos dois braços, a humana respirou fundo e se permitiu escorregar pela costela do daiyoukai, deslizando facilmente pela pelagem alva. Sesshomaru se inclinou para o lado levemente para ajudá-la e, assim, os pés de Rin pisaram sobre o capim sem maiores problemas e a pequena Miyuki soltava uma gostosa risada infantil, divertindo-se com o passeio.

O inu então empurrou a peça de carne fresca em sua direção com o focinho e, de repente, as risadas de Miyuki cessaram por completo, dando lugar a uma expressão focada e atenta, os olhos fixados no alimento oferecido, as orelhas eretas, o nariz farejando freneticamente.

— Parece que o senhor estava certo, afinal. — Rin comentou, tendo que segurar o bebê com o dobro de cuidado para impedi-lo de simplesmente se jogar de seu colo na ansiedade de finalmente se alimentar de outra coisa que não fosse seu leite.

Delicadamente, a mãe colocou a criança sentada no chão, apoiada na lateral do corpo felpudo do pai que ainda permanecia tranquilamente deitado em uma posição confortável, as patas dianteiras elegantemente cruzadas uma sobre a outra enquanto ele as observava em silêncio.

Rin encontrou sua faca rapidamente entre os tecidos de seu quimono e a desembainhou, em seguida cortando um minúsculo pedaço experimental de carne e o oferecendo à hanyou que aguardava, impaciente.

No instante em que Miyuki abocanhou a porção oferecida, quase arrancando fora o dedo da mãe no processo, Rin suspirou de alívio, sua postura relaxando. Ela trocou um olhar animado com seu senhor, que apenas acenou positivamente com a cabeça em resposta.

Em um piscar de olhos, a pequena já tinha enchido a barriga e estava plenamente satisfeita. Rin a pegou de volta nos braços e beijou-lhe o rosto, sorridente por ter chegado ao fim do problema que lhe tirara o sono nos últimos dias.

Sesshomaru observou a interação, a cauda balançando casualmente por um momento, antes de ele fazer menção de se levantar. Já haviam cumprido o objetivo deles ali, era hora de voltar para o castelo.

Mas, antes de pudesse se colocar de pé, a humana pousou uma mão na lateral de seu focinho, acariciando-o gentilmente com um olhar apelativo.

— Podemos ficar aqui essa noite, senhor Sesshomaru? — Ela pediu, animada com o céu estrelado e a brisa fresca da noite. — Como nos velhos tempos.

Como se quisesse enfatizar o pedido da mãe, a hanyou também esticou uma mãozinha para tocar o nariz úmido do cão. Ele se inclinou em direção ao toque, os olhos rubros se fechando enquanto seu corpo voltava a relaxar, um sinal claro de que não pretendia mais se mover dali.

Rin lhe sorriu alegremente, antes de ser interrompida por um longo bocejo involuntário. Miyuki a imitou, os olhinhos pesados deixando claro que não se tratava apenas de um reflexo. A humana a aninhou contra o peito, gentilmente a ninando com movimentos suaves até que a menina se entregasse ao sono com a mesma facilidade de sempre.

Com a criança adormecida, ela se dirigiu ao corpo do enorme cão ao seu lado e tranquilamente se acomodou, deixando que a pelagem espessa de seu peito a cercasse e a aquecesse enquanto ela se recostava nele.

Sesshomaru curvou-se ao redor da pequena família, formando um cerco perfeito com seu corpo, protegendo-as do resto do mundo e, por fim, deitou a cabeça sobre as patas traseiras.

— Boa noite, senhor Sesshomaru. — Rin sussurrou baixinho, abraçando o bebê mais apertado contra si.

2 — Dias difíceis

Sesshomaru colocou a fina folha de papel de lado, no topo de várias outras nas quais havia passado tempo demais trabalhando naqueles últimos dias.

Ter novos territórios para administrar exigia muito mais esforço do que ele imaginou ser possível. E não eram as batalhas a parte trabalhosa. Já fazia quase uma semana que havia se trancado em seu gabinete para cuidar de toda a papelada.

Quase uma semana desde que teve tempo para fazer qualquer outra coisa, incluindo estar com sua família.

Tinha certeza de que Rin estivera ocupada com os próprios assuntos também, tendo que cuidar de dois filhotes pequenos ou administrar conflitos entre seus leais seguidores. Gostaria de poder ajudá-la com isso, embora a humana se saísse muito melhor em ambas tarefas sem sua interferência. Ainda se lembrava da vez em que ela lhe pedira para arrumar o cabelo de Miyuki durante uma emergência e, no fim das contas, ele havia feito uma bagunça tão grande que Rin perdera o dobro do tempo desatando nós dos belos fios negros da pequena hanyou depois.

Ou, talvez, pudessem deixar tudo aquilo de lado por um momento e apenas apreciar a companhia um do outro, a sós, por fim.

Ele suspirou, balançando a cabeça ao perceber que se deixara distrair com fantasias inviáveis no momento. Precisava mesmo terminar aquilo tudo o quanto antes. Resignado, pegou um novo papel, sua caligrafia elegante rapidamente preenchendo o espaço em branco com delicados traços de tinta preta, até que a falta de foco o fez esquecer um traço de um dos caracteres, forçando-o a voltar à linha anterior e corrigir o erro.

Quase rosnou em frustração ao notar a pequena mancha que seu pulso causou quando acidentalmente encostou na tinta fresca, arruinando o documento em progresso. O quão farto ele devia estar de tudo aquilo, para cometer tantos descuidos estúpidos em sequência?

Sesshomaru massageou a têmpora por um breve instante, tentando se acalmar, e simplesmente fechou o punho ao redor do papel, amassando-o em uma bola apertada e descartando-a em seguida em algum canto esquecido do cômodo, antes de pegar uma outra folha para recomeçar. Entretanto, antes que seu pincel pudesse tocar a superfície em branco, ele parou, levantando o olhar de sua mesa pelo que parecia ser a primeira vez em um longo tempo, o nariz mexendo-se levemente com o cheiro familiar que havia acabado de entrar pela porta.

Tudo o que ele conseguia ver de sua posição elevada e com a mobília no caminho era duas pequenas orelhas triangulares aparecendo por trás de um pequeno armário de madeira. O pelo branco nas pontas se destacava na escuridão do ambiente — Sesshomaru não tinha tempo de ficar acendendo as luminárias toda vez que elas se esgotavam. As orelhas de Miyuki estavam ficando mais felpudas a cada dia, a pelagem lisa crescendo em abundância em todas as direções.

O youkai suspirou outra vez. Rin não deveria estar tomando conta da filha deles? O que a criança estava fazendo, vagando pelo castelo sem supervisão? E, mais importante ainda, o que ela estava fazendo ao incomodá-lo em seu gabinete, quando tinha tanta coisa a fazer?

— Onde está sua mãe? — Ele perguntou em um tom de voz mais monótono do que o seu normal, esforçando-se para não deixar transparecer totalmente o estado de estresse em que se encontrava.

As orelhas se mexeram, denunciando que Miyuki o havia escutado, embora a menina não lhe oferecesse resposta. Em vez disso, ela apenas colocou um brinquedo sobre a superfície do armário, exibindo uma pequena figura feita de tecido e preenchida com algodão. O cão de mentira era branco, com contas em um tom de vermelho vivo costuradas para representar os olhos brilhantes da fera e uma lua crescente pintada no centro da testa.

Em outra ocasião, Sesshomaru teria achado graça da reprodução em miniatura de sua verdadeira forma — sem dúvidas, ideia de Rin — e ficaria impressionado que Miyuki tivesse vindo procurá-lo para mostrar a nova aquisição, deixando claro que conseguia associar a figura do cão a ele, embora ela só o tivesse visto naquela forma uma única vez, quando era bem pequena.

Porém, diante de seu estado de cansaço e impaciência, ele apenas a ignorou, tentando voltar sua atenção ao papel sobre sua mesa. Enquanto tentava lembrar-se das palavras que havia escrito no documento anterior — talvez não devesse tê-lo amassado sem antes fazer uma cópia do que havia nele -, seus ouvidos captavam o som dos passos desengonçados de Miyuki avançando em sua direção e, quando levantou a cabeça novamente, os olhos dourados da menina o encaravam diretamente, bem em frente à sua mesa de trabalho.

Ele guardou o pincel no pote de tinta, observando a porta com frustração. Por que Rin ainda não havia vindo buscá-la?

— Você não devia estar aqui, Miyuki. — Ele a lembrou. — Volte.

A criança apenas olhou na direção da porta, como se ponderasse seguir a ordem ou não, voltando o rosto para o pai logo em seguida.

Sesshomaru hesitou por um instante diante daquele pedido silencioso por trás dos olhos dourados brilhantes. Poderia realmente culpá-la, já que ela não o via há tanto tempo? Lembrava-se da primeira vez em que havia visto a mãe dela anos atrás, quando a mandou deixá-lo em paz repetidas vezes e foi ignorado em todas elas. Miyuki fazia esse mesmo papel com perfeição.

Conformado com a companhia inevitável, ele voltou ao trabalho, decidindo que demoraria mais tempo lidando com Miyuki do que se simplesmente a deixasse de lado.

Aquele arranjo funcionou melhor do que ele havia esperado, o silêncio confortável preenchendo a sala por completo, enquanto a pequena hanyou se distraía com seus brinquedos em algum canto e ele finalizava os próximos três documentos na mais profunda quietude.

O recipiente com tinta que ele usava estava quase no final, o pincel precisando raspar o fundo para pegar algum resquício. Sesshomaru precisou pausar.

Necessitava de mais tinta.

Distraidamente, enquanto relia seu texto para verificar se estava livre de erros, ele estendeu uma mão sobre a mesa, procurando o pote extra de tinta negra que havia deixado por ali. Após tatear cegamente por um tempo, desistiu e decidiu finalmente usar o sentido da visão. Não havia nada ali.

O daiyoukai levou apenas um instante para desenvolver o mistério do desaparecimento da tinta em sua mente e, quando por fim chegou a uma conclusão, seus olhos se arregalaram.

Miyuki

Ele se levantou como um relâmpago, dando a volta na mesa, passando por trás das enormes pilhas de papel que o cercavam caoticamente.

E lá estava ela, por baixo de uma das pilhas, seu cachorro de pelúcia esquecido sobre a carta que ele havia escrito para as terras centrais, carta esta que, por sua vez, estava quase irreconhecível por baixo das horríveis manchas de tinta.

Manchas de tinta. Por todos os lados.

E, no centro de toda aquela bagunça, o olhar inocente de Miyuki, como se esperasse que o pai recebesse com orgulho sua mais nova obra de arte. A própria artista tinha as mãos pintadas de preto até os cotovelos, as manchas se espalhando por suas roupas claras, pelo rosto...

Sesshomaru começou a ver em tons perigosos de vermelho.

— O que pensa que está fazendo?!

O tom de voz saiu sem o menor filtro de controle, um tom que ele não usava nem mesmo quando Jaken fazia besteira, muito menos na frente dos filhotes.

Mas só de imaginar todo o trabalho de uma semana indo para o lixo, mal conseguia pensar com clareza. Justo quando estava perto de acabar com aquela tortura sem fim… começar tudo outra vez…

— Você passou totalmente dos limites, Miyuki! — Repreendeu, ainda sem acreditar no estado desastroso de seus documentos, no estado desastroso de sua filha.

Não conseguia lembrar de ter estado tão furioso com algo. Talvez fosse por causa de sua reputação, e as pessoas ao seu redor sempre se esforçassem ao máximo para não despertar a fúria do temido senhor do Oeste. Não era o caso daquele tolo filhote, pelo visto.

A expressão de Miyuki mudou claramente para alarme. Ela sempre fora sensível às alterações de nível de youki ao seu redor, ao perigo. E o youki de Sesshomaru era o mais poderoso que a hanyou conhecia, de forma que não podia deixar de se impressionar ao senti-lo inflar daquela forma. Estava claramente intimidada.

Ela permanecia paralisada, uma mão hesitante erguida com a arma do crime, o pote de tinta também quase vazio, descuidadamente virado de lado, deixando gotas espessas pingarem no papel em seu colo — dessa vez, um relatório para o continente, o que ele havia levado mais tempo para produzir.

Sesshomaru avançou, tomando-a pelo braço antes que pudesse causar mais estrago — como se fizesse alguma diferença àquela altura.

— Já chega! Saia daqui! — Ele a puxou em direção a porta. — Já!

No meio do caminho, farejou novos cheiros no corredor, o que apenas serviu para inflamar ainda mais sua irritação. Agora ela aparecia!

A porta foi aberta antes que ele a alcançasse, o rosto preocupado de Rin aparecendo timidamente pela fresta estreita, como se não pretendesse incomodar.

— Senhor Sesshomaru, o senhor viu…

A voz se perdeu no instante em que ela o viu ali, não por ter encontrado Miyuki ou pela inesperada bagunça, mas pela expressão assustadora no rosto do parceiro.

O youkai percorreu o restante da distância entre eles, rudemente incentivando a pequena na direção da mãe, que terminava de abrir a porta por completo para recebê-la.

As mãos sujas de Miyuki rapidamente agarraram a barra do quimono longo de Rin, acrescentando a peça à sua crescente lista de itens arruinados.

A senhora do Oeste não pareceu se importar com isso — tinha mais quimonos do que jamais poderia contar, afinal de contas. Em vez disso, ela acolheu a menina, surpresa por ver os olhos dourados da criança marejados com lágrimas espessas.

— Leve-a daqui agora. — Sesshomaru exigiu quando ela o lançou um olhar questionador.

— O que… O que aconteceu? — Perguntou mesmo assim, confusa com toda a sujeira e a fúria do marido.

O daiyoukai levantou o queixo, o olhar rígido se dirigindo à parceira.

— Eu é que deveria perguntar isso. Você não devia estar tomando conta dela?

A expressão no rosto da humana vacilou, enquanto ela olhava hesitantemente para uma das servas que a acompanhava no corredor.

— Eu estava! — Explicou. — Mas precisei lidar com Hayashi só por um instante… O senhor sabe como ele é… E então Miyuki sumiu e-

Sesshomaru ergueu uma mão em um sinal para que ela parasse de falar, nem um pouco disposto a aceitar aquela explicação como um motivo justo para o desastre que a desatenção de Rin havia causado.

— Não me interessa o que você estava fazendo. — Disse ele, estreitando os olhos para ela e, em seguida, para os criados que observavam a cena com curiosidade demais para o seu gosto. — Se não consegue dar conta da sua tarefa como deveria, peça a alguém competente que o faça.

A severidade das palavras dele fez com que Rin cambaleasse por um instante, tamanha a agressividade e o insulto por trás delas. Ela o encarou em descrença a princípio e, quando ele a encarou de volta sem demonstrar o menor sinal de que pretendia retirar o que havia acabado de dizer — basicamente, que havia gente mais competente do que ela para cuidar dos próprios filhos -, a humana começou a sentir umidade demais se acumulando em seus olhos.

Respirou fundo antes que fosse começar a chorar — algo inaceitável para o seu posto -, ou pior, que pudesse dar-lhe uma resposta à altura. Afinal, se ele estivesse fazendo o papel dele e fazendo companhia às crianças de vez em quando, talvez Miyuki não sentisse a necessidade de quebrar as regras e ir visitá-lo por conta própria, para começo de conversa.

Em vez de mencionar este detalhe, ela apenas pegou a mão negra de tinta da menina, pretendendo tirá-la logo dali, como ele havia pedido.

— Não vai acontecer de novo, senhor Sesshomaru. — Prometeu, sem fazer contato visual, o tom de voz sem emoção em uma tentativa de controlar a própria mágoa com toda aquela situação. Aquele havia sido o primeiro encontro do casal desde dias e dias atrás e não havia sido nada do que Rin vinha esperando esse tempo todo.

Ela voltou pelo corredor de onde viera, sendo seguida pelas acompanhantes que haviam se unido à ela na missão de encontrar a princesa perdida. Rin as dispensou ao chegar no quarto dos bebês, a tempo de resgatar a babá que havia ficado com o pequeno e exigente príncipe enquanto procuravam pela irmã dele. Hayashi só parou de espernear quando conseguiu farejar a mãe retornando.

Colocando Miyuki no centro do quarto para que pudesse analisar melhor suas condições, a humana soltou o ar em uma lufada pesada. Sua filha estava coberta de tinta dos pés até a ponta das orelhas. Mal sabia por onde começar a lidar com aquilo.

— Minha nossa, Rin! — A babá ofegou, igualmente surpresa. — Precisa de ajuda com-

— Não! — Ela a cortou de imediato, talvez bruscamente demais. Mas, definitivamente, não precisava de ajuda de ninguém, podia fazer aquilo sozinha. — Você está dispensada, obrigada.

Diante de uma negativa tão determinada, a criada tratou de obedecer e se retirar, deixando mãe e filhos a sós no cômodo.

Rin se arrependeu amargamente daquela decisão não muito tempo depois. Não que realmente precisasse de ajuda, mas teria facilitado bastante aquela situação toda que só podia ser descrita como um verdadeiro inferno.

Por mais que se esforçasse, não conseguia de jeito nenhum remover as manchas de tinta por baixo das garras de Miyuki e das pontas das orelhas. Os pelos brancos estavam invisíveis embaixo do negrume de sujeira indesejada e a água da banheira de madeira já estava começando a esfriar de tanto tempo em que estava ali tentando deixá-la apresentável.

Enquanto isso, Hayashi não se calava por um único instante e Rin se perguntava como uma criança tão pequena conseguia reunir tanto fôlego para berrar sem motivo por tanto tempo.

A humana exausta o repreendeu pela milésima vez e, embora tivesse certeza de que a audição do filho era infinitamente melhor do que a sua própria, sua represália pareceu ser recebida por ouvidos surdos.

— Quieto, Hayashi! Não vê que estou ocupada?

Sim, ele via, mas simplesmente não se importava enquanto exigia sua atenção de qualquer maneira.

Rin ficava mais irritada e frustrada a cada instante que se passava, esfregando incessantemente as orelhas de Miyuki até que a pele clara por baixo dos pelos começasse a ficar avermelhada com a fricção.

— Mas que droga. — Xingou em voz baixa, um comportamento que havia aprendido com InuYasha mas nunca se permitia usar dentro do refinado castelo, muito menos na presença das crianças. — Isso nunca mais vai sair.

As orelhas de Miyuki se abaixaram em desânimo quando Rin finalmente pareceu desistir de lavá-las, mas se levantaram em alerta quase no mesmo instante e, não fosse por isso, Rin não teria percebido que havia mais alguém no quarto.

O som estridente do choro de Hayashi cessou antes que ela pudesse se virar para a figura silenciosa que agora segurava o herdeiro nos braços, finalmente dando-lhe a atenção que estivera implorando por todo aquele tempo.

Rin ainda estava brava com ele pelo o que havia dito no corredor, mas o simples fato de Sesshomaru ter trazido o silêncio novamente para o cômodo lhe provocou uma sensação imediata de gratidão. Achava que teria ficado louca se aquele caos tivesse durado mais um segundo que fosse.

Virou-se de volta para a tina de água com a pequena hanyou e decidiu voltar ao trabalho, nem que fosse apenas para evitar olhar para o marido e deixá-lo pensar que o havia perdoado tão rápido assim.

— Achei que o senhor estivesse ocupado. — Falou, mais como uma acusação do que uma tentativa de puxar assunto.

— Já que Miyuki destruiu todo o meu trabalho dos últimos dias… — Ele explicou, lançando um olhar duro à menina, que apenas se encolheu em culpa. — Cheguei à conclusão de que os documentos serão enviados com grande atraso de qualquer maneira agora. Não há sentido em me apressar para refazê-los.

O daiyoukai calmamente caminhou até o outro lado do quarto e pegou o objeto pelo qual Hayashi estivera pedindo por todo aquele tempo, uma pequena bola laranja, e o entregou ao filhote em seu colo, colocando-o de volta no cesto onde o havia pego.

Enquanto o menino agora brincava alegremente com sua distração, Sesshomaru se aproximou da esposa que ainda trabalhava incansavelmente na limpeza da filha. Sabia que Rin estava chateada, e não havia sido sua intenção descontar nela suas frustrações. Apenas quando ela saiu de seu escritório após todo o incidente foi que percebeu o quanto havia sentido falta de simplesmente olhar para ela.

E agora ali estavam.

Ele segurou sua mão, impedindo que continuasse com os movimentos de esfregação.

— Deixe-a, Rin. A tinta vai sair gradualmente.

Ele sabia bem o que estava dizendo. Com seus cabelos inconvenientemente longos, não era tão incomum assim que uma mecha ou outra escorregasse por cima de seu ombro e caísse por cima de uma folha com tinta ainda fresca. Um dos malefícios de se ter cabelos de cor tão clara, eles sujavam com facilidade. Sesshomaru se solidarizava com a filha naquele quesito, mesmo que ela só tivesse herdado uma pequena porção daquela característica em particular.

As mãos de Rin imediatamente obedeceram ao conselho, parando o seu trabalho. Ela podia ver que não estava mesmo tendo nenhum avanço com aquilo, afinal.

Ela sentiu o corpo dele se encostar no dela por suas costas e pode apenas fechar os olhos em deleite ao experimentar o calor daquele toque. Deuses, como havia sentido falta daquele contato nos últimos dias.

Sesshomaru se inclinou sobre ela, os lábios ternamente tocando a lateral de seu rosto enquanto ele falava em voz baixa.

— Vejo que seu quimono também está sujo de tinta. — Comentou, sugestivo. — Acredito que terá que trocá-lo…

Rin sorriu em timidez com a provocação, imediatamente lançando uma toalha sobre a cabeça de Miyuki para liberá-la do banho. Ela podia ver o que as palavras dele queriam dizer, sabendo que ele nunca seria explícito em admitir, mas, ao vir até ali e sorrateiramente seduzi-la em seu abraço, ela quase podia ouvir o “me desculpe” por trás da fachada.

Virou-se nos braços do amado, olhando-o nos olhos finalmente.

— Vou colocar as crianças para dormir.

O olhar afiado prendeu a atenção dela, as sobrancelhas se erguendo provocantemente.

— Estarei esperando. — Sussurrou.

Notas finais
Ai gente, eu não vou mentir, eu adoro o dog-Sesshomaru, se eu fosse a Rin ia ficar o dia inteiro fazendo carinho nesse bicho HSIHISHEIS E eu tava louca pra ver o Sesshy lidar com criança aprontando presepada e perturbando hahaha Já to com ideias pra escrever o próximo extra! Mas com tanta ideia de histórias brotando não sei quando vai sair nenhum desses projetos. Eu devia ir com calma e tentar fazer um de cada vez mas olha, tá difícil. To com o sono todo desregulado por causa das férias e com a mente hiperativa, não consigo dormir de noite só pensando em mil coisas pra escrever e não consigo escrever de dia porque to com muito sono HSIAEHISHASI Mas enfim, espero que vocês tenham gostado. E que nos vejamos por aí logo, seja aqui ou em outra fic :) Beijos a todos!