Uniforme de Astronauta

3 Saqueadores, as piores babás da galáxia


Notas iniciais
Um capítulo um pouco mais longo pra compensar o meu hiatus hihihu ;u; Tem alguns palavrões nesse cap, mas tenho certeza que não é nada que ninguém nunca ouviu.

— 20 minutos?! Esse homem é insano, os Saqueadores nem são capazes de nos causar dano, e ainda ele vai esperar para nós entregarmos o que ele quer? — Soldado Ghales foi o primeiro a quebrar o silêncio após o discurso de Yondu.

— Não sabemos disso. — Nova Prime interrompeu.

— O quê?

— Não sabemos se ele é capaz de nos destruir ou de fazer alguma coisa. É muito provável que seja uma armadilha.

— Ele poderia estar blefando. — Outro soldado respondeu.

— Sim, ele poderia — disse a comandante. — Mas o que eu aprendi com Yondu Udonta é que ele não pode ser subestimado. Faremos um plano. Nós podemos usar nossas forças e cercá-los—

— Nova Prime, temos um problema! — Um dos responsáveis pelos computadores e tecnologia da sala de comando avisou. Ele continuava digitando no teclado com uma velocidade extraordinária, mas com uma cara preocupada. — O sistema parece ter sido invadido.

— O quê?!

–-

— Espera, deixa eu ver se entendi... — Theo, o enfermeiro que estava falando com Peter desde que este chegou à Xandar, tentava entender o que diabos tinha acontecido. — Yondu te abduziu da Terra e agora você vive com os Saqueadores. Ontem vocês foram até o Coletor, você acidentalmente libertou um cachorro espacial e então a Nova Corps pegaram você. E agora, aqui está.

— Aqui estou. — Peter repetiu e abraçou Laika mais fortemente. Theo só não conseguia superar uma certa coisa.

— Então... Os Saqueadores estão basicamente criando você? — Quill puxou um pirulito verde embrulhado em um plástico transparente do bolso e mostrou ao enfermeiro.

— Às vezes Kraglin me dá doces quando Yondu não está olhando, porquê ele não deixa — Ele parou e observou o pirulito com uma expressão pensativa no rosto. — Mas Kraglin mandou eu não contar pra ninguém.

— Então... Qual é a sua idade, mesmo? — Theo massageou suas têmporas, tentando absorver toda a informação.

— Tenho 8 anos. — Para alguém que tentou não dizer nada no começo, o garoto era muito tagarela. Talvez seja porque finalmente alguém está disposto a escutar. Yondu e os outros sempre o ignoravam.

Oito?! — Os olhos do homem arregalaram-se. — Desculpa, mas como idade funciona na Terra?

— Ah, é verdade — Peter suspirou, e Laika saiu do abraço apertado do menino. — Yondu disse que o ciclo de idade da Terra é muito diferente do de vocês. Ou do resto do mundo, aparentemente. Segundo o padrão de Xandar, Kraglin disse que eu tenho 27 ciclos. Ou o que quer que isso signifique.

Antes que Theo pudesse perguntar mais qualquer coisa, ele foi chamado para a Sala Principal. Tentando entender o que estava acontecendo, Peter puxou a manga do jaleco do Xandariano.

— Você vai embora? — O homem sorriu tristemente ao notar a voz amarga do garoto. Quill não queria ficar sozinho.

— Só por um tempinho. Eu vou voltar. Prometo. — E com isso, ele saiu. Peter olhou para baixo e viu Laika tentando sem sucesso tirar seu uniforme de astronauta, mordendo e rasgando qualquer forma de tecido que estava embutido na roupa.

— Acho que só somos eu e você agora, Laika. — A cadela levantou de repente ao avistar Theo deixando o quarto e o seguiu, a porta fechando automaticamente atrás dela.

Peter encarou Laika enquanto esta o deixava.

— Ah. Tá bom, então.

Ele foi até sua mochila — da qual Theo trouxera de volta para ele — e puxou seu Walkman, mas só para descobrir que as baterias tinham acabado quando Quill pressionou play.

— Que ótimo... — Ele murmurou irritado. Seria obrigado a pedir baterias novas para Yondu depois. Isso é, se Peter conseguir sair desse planeta de alguma forma. E se Yondu, Kraglin e os outros simplesmente o abandonaram em Xandar e fugiram? Era uma possibilidade bem mais provável do que aquela em que os Saqueadores pegariam o garoto de volta.

Seus pensamentos foram interrompidos com o som das portas se abrindo, revelando Theo ofegante e com uma cara assustada.

— Peter — anunciou. — Nova Prime quer vê-lo.

Peter pegou sua mochila e a encaixou em suas costas. Ele pensou em recusar e tentar escapar, mas do que iria adiantar?

— O que é um Nova Prime? — Ele seguiu o enfermeiro até um pequeno corredor.

— Não é uma coisa, é uma comandante. A mais poderosa de Xandar. — Eles saíram do corredor e entraram em um elevador.

— O que ela quer comigo? — Peter olhou para ele. — Ela quer me matar? — Theo congelou e encarou o garoto com um olhar indignado.

— O que?! Não! — Ele nem conseguia imaginar Nova Prime assassinando uma criança inocente a sangue frio. Só o pensamento em si dava revira voltas em seu estômago e se isso jamais acontecesse, Theo não hesitaria em interferir.

— Ah. — Quill bocejou. — Tá bem.

— O que faz você pensar isso? — O garoto deu de ombros.

— Já tive muitas pessoas loucas querendo me matar desde que saí da Terra. Não ficaria surpreso. — O enfermeiro engoliu em seco e tentou não imaginar os piores cenários que essa criança deveria ter passado.

A porta do elevador se abriu e ambos seguiram outro corredor que depois os levou até a Sala de Controle.

— Wow —Peter disse, admirando os muitos Xandarianos e outras espécies que nem sabia que existiam trabalhando com computadores e conversando entre si com sotaques engraçados. — O que é aquilo? — Ele apontou para uma grande tela que mostrava pontos e linhas brilhantes e coloridas se movendo rapidamente.

— É o mapa da capital — Theo pegou a mão do garoto para que este não saísse perambulando por aí. — Cada ponto é um cidadão e cada linha é o caminho que estão passando.

— Uau! E isso aqui? — Peter estava prestes a apertar um botão azul em um grande painel, porém o enfermeiro rapidamente o parou.

— Não aperte isso — Ele puxou o Terráqueo para longe do painel. — A não ser que queira começar uma guerra civil.

— T-Tá bem... — Peter começou a suar frio. Um tempo depois eles continuavam a andar quando Quill avistou Laika sendo acariciada por uma jovem e bonita Kree.

— Traidora. — O garoto murmurou, passando pela cadela.

— Você disse alguma coisa? — Theo chamou. Peter somente balançou a cabeça em negação.

— Não, nada.

Os dois pararam e Theo viu Nova Prime conversando com seu Segundo Ministro. Depois do diálogo a comandante reconheceu o enfermeiro e foi até eles.

— Olá, Peter. Eu sou a Nova Prime — Ela introduziu-se e sorriu, simpática.

— Oi... — O garoto tentou sem sucesso se esconder atrás da capa do jaleco de Theo. Peter podia gostar de falar bastante, mas ainda era tímido entre estranhos como qualquer outra criança.

— Ouça, Peter. Eu quero que faça algo por mim. Não precisa fazer se não quiser. — Ela ajoelhou-se no chão para ficar ao nível de Quill.

Os olhos do garoto brilharam e ele saiu do seu esconderijo.

— Quer que eu faça o quê?

–-

— Horuz, você conseguiu? —Yondu perguntou ao tripulante, a tensão da sala evidente para todos.

— Sim, capitão. O sistema tecnológico da Nova Corps foi invadindo e já estamos procurando pelo pirralho.

Yondu sorriu convencido e Kraglin suspirou aliviado. O Capitão sabe que não é páreo para a Nova Corps. Droga, todo homem são o suficiente sabe que não podem vencer aqueles bastardos. E é por isso que eles fizeram um plano.

Yondu distrairia a Nova Prime e os outros estúpidos Xandarianos na sala para que então Horuz, o melhor hacker que os Saqueadores têm, pudesse quebrar o código do sistema e invadir um dos computadores sem causar uma confusão e procurar pelo garoto. Foi tão fácil que Yondu nem conseguiu acreditar nos primeiros 5 segundos depois que ele desligou a comunicação.

— Eu sou um gênio. — O Centauriano se gabou.

— Err, foi o meu plano... — Kraglin murmurou, porém Yondu agiu como se não tivesse o escutado.

— Lembre-se de me dizer pelas próximas duas horas sobre o quão foda eu sou. — Yondu falou para Kraglin, que só fez uma cara frustrada. — Agora, Horuz, quanto tempo você vai precisar para achar o pirralho? 20 minutos?

Antes que Horuz pudesse responder um Kree apareceu e o interrompeu, declarando irritado:

— Isso é um absurdo! Estamos gastando tempo e combustível, apenas deixe a maldita criança para atrás e vamos logo! A Nova Corps vai nos matar!

Yondu virou-se para o tripulante e estreitou seus olhos vermelhos.

— Nós vamos trazê-lo de volta porque ele ainda é carga. E porque eu mandei. Eu que sou o maldito capitão aqui.

Além do mais — mesmo que Yondu nunca admitiria — ele não queria que Peter ficasse nas mãos de Nova Prime, muito menos em Xandar. Quando descobrissem que o garoto não é Xandariano, eles só vão descartá-lo em algum lugar qualquer. Claro, Xandar era “um planeta de todas as raças”, mas era tudo besteira. Nacionalismo extremo tem existido no planeta muito antes da Nova Corps, e todos sabiam disso.

Peter ficaria muito melhor com os Saqueadores. Absolutamente.

— Essa é uma desculpa de merda e você sabe. — O Kree cuspiu as palavras como se fosse veneno. — Aquele moleque idiota não é mais carga. Eu não sei o que você tá planejando fazer com ele, mas eu não quero morrer por causa de um merdinha como aquele.

— Você deveria ter cuidado ao falar com o Capitão desse jeito. — Kraglin ameaçou e a tripulação inteira parou para assistir a discussão.

— Se não gosta, vai embora — O Centauriano respondeu com um tom calmo. Ele não estava a fim de perder tempo ficando com raiva de uma merda como essa. — Eu não vou fazer o que vocês querem. Essa é a minha nave e se vocês não seguirem as regras vocês podem todos se escapulirem pela saída de ar do Eclector, entenderam?

A sala ficou quieta e o Kree engoliu em seco, encarando o chão. Alguns segundos se passaram com ninguém se atrevendo a falar nada e Yondu bufou. Droga, eles estavam perdendo tempo precioso com tudo isso.

— Então, Horuz. Só me fale quando você achar o garoto. Preciso de álcool. — E com isso ele levantou-se da cadeira e se retirou da sala de controle, Kraglin o seguindo logo atrás. Ambos queriam deixar a tensão para trás, então o capitão começou a falar sobre a conversa com a Nova Corps.

— Há! Você viu a cara deles? Os soldados devem ter cagado nas calças, tenho certeza que eu até vi um cara desmaiar. — Ele abriu uma caixa, tirou duas latas de cerveja e entregou uma a Kraglin, que aceitou de bom grado. — Especialmente quando eu soquei o painel de controle!

Kraglin fez uma careta descontente.

— Pois é, vamos ter que ver sobre isso depois. Horuz comentou que você pode ter quebrado uma das teclas.

O capitão só deu uma risada.

— Nah, não se preocupe, tenho certeza que tá tudo bem. Eu pareço ser, mas na verdade não sou tão forte assim.

Kraglin revirou os olhos, e depois Yondu fez o seu caminho para sair, mas o outro o impediu.

— Hey, Yondu.

— Hum?

— Estou curioso. Sobre Peter.

Notas finais
Ainda tem gente lendo essa fic? Será que vai aparecer um milagre e eu vou receber um comentário? Quem sabe ç.ç E aí, o que acharam? :3