Uniforme de Astronauta
4 Hora do resgate
Notas iniciais
— Hey, Yondu.
— Hum?
— Estou curioso. Sobre Peter.
Yondu apenas suspirou e pareceu desapontado.
— Pela décima vez: sim, aparentemente Terráqueos podem beber Coca-Cola sem ficar bêbados. É verdade, eu pesquisei. Pare de me perguntar sobre isso.
Kraglin adotou uma expressão bem confusa, e Yondu por alguma razão achou aquilo extremamente irritante. Ah, verdade. É porquê aquele maldito moleque fazia essa cara o tempo todo.
— O quê? Não! Eu queria perguntar porquê você está passando por tantos problemas por ele. Merda, eu te conheço há anos e nunca vi você arriscar toda sua tripulação com a Nova Corps por causa de um garoto da Terra — Ele olhou seu capitão nos olhos e viu algo que já sabia o que era. Sentimentos. — O quê? Você de repente se importa com ele?
— Não seja estúpido. — Yondu bufou, mas soou mais como um aviso. Kraglin sorriu de lado e tomou um gole da sua Coca. Ele era o único que conseguia fazer o capitão confessar alguma coisa, e ambos sabiam disso.
— Aquele discurso que você deu para a Nova Prime? Você disse para todos que era falso, mas pareceu bem real pra mim.
O Centauriano encarou sua bebida por um tempo, pensando no que responder, o que era bem raro, e Kraglin ficou surpreso. Ele começou a beber a Coca outra vez quando o Capitão declarou:
— Estou pensando em torná-lo em um Saqueador.
Kraglin cuspiu toda a sua bebida.
— O QUÊ?! — Ele derrubou sua lata de refrigerante e fitou Yondu, seus olhos arregalados. — Você ta de brincadeira comigo?!
Yondu crispou nervosamente, porém não disse nada. Ele honestamente já estava esperando esse tipo de reação. Além do mais, não era todo dia que o Capitão anunciava um novo membro da tripulação. Especialmente quando era uma criança de 8 anos.
— Ele é uma criança de 8 anos!!
— Eu sei disso — Yondu disse, irritação clara na voz. — Não sou estúpido.
— Tem certeza? Quer dizer, você tem realmente certeza disso? — Kraglin exclamou e ele soou tão confuso que Yondu não sabia se ele estava falando sobre o recrutamento ou o fato de Yondu ser estúpido. Provavelmente ambos.
— Sim, tenho certeza. Estou certo de que ele vai ser um excelente Saqueador. — Uma pausa. — Uma vez que eu perguntar.
— Você ainda nem perguntou pra ele?!
— Bem, eu não tive tempo com toda essa merda acontecendo, não é?!
— A gente tem que deixar ele com o pai dele!
— O pai dele é um idiota de merda!
— Bom, você também é!
— O que você disse, seu pedaço de—
— Capitão!!
Os dois idiotas pararam sua discussão e viraram para Horuz, que encarava ambos com uma expressão confusa. Yondu queria socar a cara dele. Rostos confusos estavam realmente começando a incomodá-lo.
— O que foi agora? — O Capitão questionou.
— É o Quill — disse Horuz, e Kraglin notou no canto de seus olhos Yondu ficando tenso de repente.
— Você o achou? Vamos logo, seu merda, abra o bico.
— Bem, nós não os achamos, por assim dizer. Ele que nos achou.
Agora aquele com a expressão confusa era Yondu. Antes de alguém dizer mais alguma coisa os três ouviram algumas batidas nos tubos de som e a voz de Peter ecoaram pela nave.
— Atenção, idiotas! — O tom divertido do garoto causou ambos Kraglin e Yondu a franzir o cenho.
— Mas que merda?
— Oi, Yondu! — disse Peter, animado — Você não vai acreditar! Eu encontrei esse cachorro e ela é da Terra! Eu me lembro dela quando apareceu na TV, o nome dela é Laika—
Kraglin e Yondu trocaram olhares confusos.
— Tá, tá, eu sei, — Peter sussurrou para alguém ao seu lado. — Tenho que seguir o roteiro, ok — ele pigarreou — Uma mulher chamada Prime Nova ou sei lá me disse pra falar pra vocês que estou bem e saudável, mesmo que esteja muito frio aqui e não tenha aquecedor. Essa última parte não era pra eu falar, mas tudo bem.
Yondu foi rapidamente até a sala de controle e pegou o microfone de comunicação.
— Quill, o que você contou à Nova Prime? — Se ele soubesse o que Nova Corps sabia, talvez ele poderia dar a volta por cima e dar conta da situação e de toda aquela bagunça.
— Não muito, só que vocês me raptaram da Terra e estou com vocês até agora — Silêncio. O capitão não queria acreditar naquela situação. Parecia um pesadelo. — Theo está me mandando falar que tráfico de crianças é ilegal em mais de 50 galáxias, o que quer que isso seja.
Yondu levou a mão no rosto. Queria muito bater em alguma coisa.
— Enfim, agora é pra eu dizer que se você me quiser de volta é pra você vir pessoalmente ou a Nova Corps vai atirar na sua nave.— Houve uma comoção atrás do microfone e a tripulação ficou tensa e nervosa — Yondu, mais uma coisa.
— O quê? — Yondu apertou o microfone e a flecha vermelha no painel de controle ao seu lado começou a brilhar.
— Posso ficar com o cachorro?
— Não.
E com isso a ligação foi encerrada.
A tripulação começou a sussurrar entre si e Kraglin se aproximou do capitão.
— Usando o garoto como isca emocional e vítima. Não sabia que Nova Corps chegaria tão baixo. — Kraglin comentou.
— Eles estão desesperados, — Yondu murmurou. — Estão com medo e querem acabar com isso o mais rápido possível.
Kraglin o olhou por alguns momentos, pensativo. Os Saqueadores já tiveram momentos não muito agradáveis com a Nova Corps, mas nada perto disso. Todos estavam aflitos.
— O que você vai fazer?
Yondu pegou sua flecha vermelha e deu meia volta.
— Eu vou buscar o meu menino.
—
Enquanto isso, na sala de comunicação, Peter abaixou a cabeça e mordeu o lábio, preocupado. Theo pôs a mão em seu ombro.
— Você fez bem, Peter. — declarou.
Quill tirou o ombro, negando a fraca tentativa de conforto.
— Não encoste em mim.
Ele tentou evitar as lágrimas que ameaçavam sair. Os Saqueadores eram a única família que ele tinha e ele acabou de ameaçá-los. Nunca devia ter aceitado a fazer isso. Nunca devia ter saído da nave ou fugido com Laika. Yondu deve odiá-lo agora.
Não ficaria surpreso se a tripulação fugisse imediatamente pra bem longe. Para outro planeta ou outra galáxia. Nunca mais o veria.
— Peter? — Theo tentou chamar sua atenção.
Cansado de tudo aquilo, Peter levantou-se e saiu correndo para a porta de saída sem hesitação. Theo pensou em segui-lo, mas decidiu deixar o menino a sós com seus sentimentos. De qualquer jeito, ele poderia rastreá-lo caso fosse muito longe.
Depois de algumas horas perambulando pelos corredores, o garoto achou uma pequena sala de depósito vazia e se escondeu lá. Chorou até seus olhos arderem.
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