Uniforme de Astronauta
5 Caos
Notas iniciais
Depois de torturantes minutos de inspeção, os guardas da Nova Corps permitiram que o capitão dos Saqueadores passasse por entre as portas da sala de controle. Yondu ouvia sussurros e murmúrios enquanto andava, e aquilo o fazia sorrir de lado. Sua reputação era bem conhecida em toda a galáxia, o que não era exatamente bom em sua situação naquele momento, mas pelo menos o fazia ter alguma dignidade.
Estava sozinho, sem sua tripulação ou sua flecha vermelha, mas não vulnerável. Nunca vulnerável. Haviam guardas em cada porta e alguns apontando suas armas para suas costas.
— Yondu Udonta. — Nova Prime cumprimentou ao vê-lo. Sua postura estava rígida e Yondu sabia que estava escondendo seus medos embaixo daquele terno azul desbotado horrível.
— Sua Majestade, — disse com desdém e sarcasmo. — Eu até me curvaria, mas você ameaçou minha nave, minha tripulação e roubou um membro da minha equipe. Então não estamos em bons termos.
— Você raptou uma criança. — Seus olhos estreitaram, mas sua postura não mudou.
— Tenho meus motivos, — rosnou. — Cadê Peter?
—
Quill tentou limpar suas lágrimas com a mão. Queria muito ouvir seu Walkman, mas este não podia fazer muita coisa sem bateria.
— Peter — ouviu um sussurro. Olhou para cima e viu Theo o encarando com simpatia nos olhos. Peter recuou e fez cara feia.
— Não, — murmurou baixinho. — Quero Yondu.
— Peter—
— Não. — Tentou sair dos braços de Theo quando este o levantou. — Não quero mais ficar aqui. Quero ir pra casa.
Ele se remexeu até se soltar e fitou o chão, envergonhado. Peter não era alguém que fazia birra ou chorava por qualquer coisa, mas desde que saiu da nave, tudo tinha dado errado.
— Casa? — Theo disse. — Quer dizer a Terra?
Peter balançou a cabeça, e ambos sabiam a resposta certa para aquilo. Terra não. Saqueadores. Yondu.
Theo suspirou.
— Muito bem, então. Vamos até Yondu. — O garoto levantou a cabeça ao ouvir aquilo e pegou a mão de Theo quando ele ofereceu.
Os dois caminharam até a sala de controle, que não estava muito longe. As portas se abriram e revelaram inúmeros guardas da Nova Corps, uma Nova Prime com uma cara não muito satisfeita e um Yondu com olhos vermelhos brilhando de raiva. Até que ele viu o garoto.
Peter foi correndo até Yondu e o abraçou. Foi uma ação tão inesperada que ninguém soube exatamente o que fazer.
— Hey, pirralho. — murmurou, balançando os cabelos de Peter. Quando este levantou a cabeça para encará-lo, Yondu parou e ficou tenso, suas sobrancelhas franzidas. — Estava chorando?
Quill prendeu a respiração, envergonhado, e desviou o olhar. Seus olhos propavelmente estavam vermelhos e inchados devido às lágrimas derramadas alguns minutos atrás.
— Bom, eu acho que já peguei o que queria — Yondu anunciou para Nova Corps, cujos todos os guardas apontaram suas armas para ele. Sua voz estava carregada de fúria e desprezo, e Peter escondeu-se atrás do casaco do capitão.
— Yondu Udonta. Você está preso pelos crimes que cometeu contra a galáxia. — Nova Prime declarou, fazendo com que todos os guardas se aproximassem perigosamente. Peter engoliu em seco.
— Bom, acho que essa é nossa chance de dar no pé. — Quill ouviu Yondu dizer, e em seguida escutou seu típico assobio no qual sempre seguia sua mortal flecha vermelha. No entanto, não veio nenhuma flecha, e não havia nenhum guarda caído no chão.
O que aconteceu foi que todas as luzes de apagaram.
O que se seguiu foi um caos. Gritos e tiros para todos os lados. Peter foi puxado por Yondu enquanto este corria para a saída. As portas se abriram de repente para os dois e luz começou a entrar novamente. Peter tentava não tropeçar nos próprios pés quando avistou alguém familiar. Extremamente familiar.
— Laika?!
Havia barulho. Explosões. Pessoas correndo para todos os lados e luzes vermelhas não paravam de piscar e atrapalhar sua visão. Seu casaco era puxado com força e Peter estava ofegante. Mal conseguia enxergar para onde ia.
E Laika estava sentada no meio de todo o caos com sua cauda abanando levemente ao avistar o garoto.
Merda.
Usando seu pequeno tamanho ao seu favor, Peter se livrou das mãos de Yondu e correu na direção oposta, ignorando os chamados desesperados do capitão. Só tinha uma coisa em mente agora.
Correr na linha de fogo entre Nova Corps e os Saqueadores foi provavelmente uma das coisas mais assustadoras e idiotas que já fez na vida e Peter se lembraria para sempre do medo e da adrenalina constante que pulsava em suas veias. Cada segundo parecia uma eternidade e tudo acontecia rápido demais. Felizmente, com a maior sorte do universo e seu pequeno tamanho, Quill conseguiu chegar até Laika — que estava extremamente despreocupada, o garoto notou de um jeito indignado — e puxou o cachorro pela coleira até um lugar relativamente seguro.
Escondeu-se atrás de uma parede e Peter tentava em vão acalmar seu pobre coração. Laika lambia seu rosto pálido, mas o garoto não sentia nada além da incessável adrenalina.
— Peter. — Ambos garoto e cachorro pularam de susto ao ouvir a voz de Theo.
— Theo, um dia desses você vai me matar do coração! — Quill tentou controlar sua respiração com uma mão em seu peito. Laika grunhiu como se estivesse concordando.
— Peter, me escute, eu tenho um plano.
Peter e Laika trocaram olhares.
— Se for um plano para eu voltar lá, eu não vou — Peter balançou a cabeça, ainda em choque e agora com lágrimas nos olhos. — Foi estúpido da minha parte, e agora Yondu vai me matar.
Houve uma explosão e o garoto avistou uma flecha vermelha voando rapidamente em direção ao seu alvo. Peter estremeceu.
— Yondu está te procurando, ele vai te encontrar, — Theo o confortava. — Leve Laika com você e dê meus cumprimentos ao capitão.
Peter franziu o cenho e o viu levantando e apertando um botão vermelho na parede ao lado.
— Espera, mas e você? Theo? — Um barulho ensurdecedor ecoou pelo lugar. — Theo?!
Laika começou a latir e em seguida tentou puxar pela boca a manga da blusa do menino, fazendo-o correr por uma direção. Não sabia aonde ia, mas por algum motivo imprudente, confiava em Laika. Confiava que ela saberia o caminho.
De repente todas as luzes se apagaram de novo e Peter se viu vagando em um breu completo com um som agudo irritante em seus ouvidos. Não depois de muito tempo, sentiu-se batendo em alguma coisa ou alguém. Nesse instante, as luzes se acenderam e Quill olhou para cima e viu Yondu o encarando de volta. Sua expressão ficou indecifrável e ele falou algumas palavras da qual Peter não conseguiu ouvir.
O garoto então foi de novo puxado até a saída e dessa vez decidiu não sair correndo para a linha de fogo. Nunca mais, Peter pensou, e segurou o casaco do capitão com força.
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