Uniforme de Astronauta
6 O novo Saqueador
Notas iniciais
— Que merda cê tava fazendo lá atrás, garoto?! — Yondu disse, uma vez que o barulho não estava mais sangrando os ouvidos de todo mundo. Ainda estavam correndo, e o capitão estava com o punho fechado no casaco de Peter, que se esforçava para acompanhá-lo.
Laika latiu algumas vezes, como se respondesse a pergunta.
— Eu voltei pra pegar a Laika. — Peter ficou grato por sua voz não ter falhado, apesar de sua respiração ofegante.
— Quê— Houve outra explosão atrás deles. Os Saqueadores estavam com certeza se divertindo. — Droga. Vamos conversar quando chegarmos no Eclector
Os três correram como suas vidas dependessem disso — o que era o caso —, a tripulação inteira dos Saqueadores seguindo logo atrás.
—
— A criatura vai embora. — Yondu disse.
— O quê? Não!
— Quill, não vou dizer de novo. — Droga, ele já estava mole demais com o garoto, mas era hora de se manter firme.
— Laika é um bom cachorro, — Peter agachou para acariciá-la. Laika começou a abanar sua cauda em velocidade máxima e lambeu o rosto do garoto. Ew. — Ela é um pouco atrapalhada, mas ela me salvou no fim. Foi ela quem te encontrou quando eu fugi.
Yondu ficou em silêncio por um momento até que Kraglin, sempre a voz da razão, entrou na conversa.
— Peter, não temos mais tempos. Os Saqueadores conseguiram escapar por pura sorte. Não podemos ficar com o cachorro e tu tem que entender que não se pode ter tudo nessa vida, — O perigoso olhar súbito de Kraglin fez Peter se encolher. — Agora deixa esse maldito bixo fora dessa nave ou eu faço isso!
Yondu levantou suas sobrancelhas em surpresa. Até alguém como Kraglin conseguia perder a paciência, aparentemente. Quill parou e encarou Laika com olhos úmidos. Sentindo o desconforto do garoto, Laika choramingou.
— Você tem que ir agora, Laika, — Ele acariciou seu pêlo antes de abraçá-la. — Sem olhar pra atrás, agora. Você provavelmente não entende nada do que estou falando, mas tudo bem. Foi bom enquanto durou. Nunca vou te esquecer—
Laika levantou e foi até a saída antes do garoto terminar de falar. Houve silêncio
— Bem, agora que isso acabou, — Yondu anunciou, indiferente, tentando dar um fim àquela atmosfera incômoda. — Vamos sair desse lixo de planeta e ir bem longe da Nova Corps.
Todos saíram, deixando um triste terráqueo magrelo no meio da sala enquanto a espaçonave começou a decolar.
— Quill! — Yondu chamou e Peter veio como um patinho perdido, — Conhece ele? — Apontou para um homem que estava sendo preso e cutucado por alguns piratas espaciais, seus olhos arregalados e com o rosto pálido de medo.
— Theo! — Peter gritou e correu para abraçar seu quase prestes a ser assassinado amigo. Nenhum Saqueador soube o que fazer ou dizer. Theo bagunçou os cabelos do garoto e Yondu fechou seu punho.
— O cara estava espreitando na nave como um stalker doido. Disse que te conhecia quando o pegamos. — Kraglin explicou para Quill. Yondu nem entendeu porquê ele estava fazendo aquilo, já que todos simplesmente ignoravam o moleque o tempo todo.
Droga, Yondu sacrificou toda sua tripulação para pegar aquele filhote de humano de volta. Tratá-lo como um ser normal e decente era o mínimo que podiam fazer por ele agora.
— Estava preocupado com você. — Theo disse em um tom divertido e Peter deu uma risadinha.
Peter nunca deu risadinhas quando estava com os Saqueadores, Yondu notou.
— Tem alguma chance desse cara sair agora? — Yondu perguntou à Kraglin, que só mandou um olhar irritado para seu capitão.
— Tem uma frota inteira no nosso rabo, então as chances são menos de 0%.
Ambos Yondu e Theo empalideceram. Peter sorriu.
—
—Ok, garoto, eu e você precisamos ter uma conversa, — Yondu cruzou os braços e viu Peter engolir em seco. Os dois estavam a sós no quarto do garoto, que mais era a sala de depósito, mas Peter conseguiu encontrar um colchão no chão para dormir.
— Eu... Sinto muito por tudo que aconteceu, — O garoto pigarreou nervosamente, — Prometo que não vai acontecer de novo.
Yondu sabia que ia acontecer de novo, mais cedo ou mais tarde. O moleque era um ímã para problemas e dor de cabeças.
— Não vou gastar tempo te repreendendo e te dando bronca como uma mãe velha e preocupada, — Aquilo era trabalho do Kraglin. — Estou aqui pra te falar que a partir de hoje você é um Saqueador. Treinamento começa amanhã.
Yondu quase tropeçou ao sair em passos apressados até a porta e fez uma careta ao ouvir os gritos animados do menino.
— Peter ouviu a notícia? — Kraglin disse ao notar o rosto preocupado do capitão e depois deu risada quando ele acenou com a cabeça. — Esse moleque ainda vai te matar algum dia.
— Espero ansiosamente. — murmurou emburrado.
— E o que vai acontecer com o cara que pegamos quando saímos de Xandar? — Kraglin apontou para Theo, que estava com os olhos arregalados e cercado de Saqueadores ameaçadores. Yondu deu de ombros.
— Não me importo. Vamos jogá-lo no próximo planeta que passarmos.
Kraglin o encarou com seu olhar repreendido. O homem já tinha tantos olhares diferentes que Yondu tinha feito uma lista. Aquele era o olhar “você-está-escondendo-algo-de-mim-e-acha-que-eu-não-sei”. O capitão suspirou.
— Ok, fale. O que foi?
— Você não gosta do Theo, — Yondu franziu a testa. — Por causa do Peter.
— O que o moleque tem a ver com isso?
— Yondu, — Kraglin rolou os olhos. — Não tem problema você gostar do Peter, só não fique mal humorado quando ele gostar de alguém além de você—
— Eu não fico mal humorado—
— Aham.
— E eu não dou a mínima pra ele.
— Okay.
— É sério, Kraglin.
Kraglin lançou seu olhar “você-está-sendo-estúpido-mas-como-você-é-o-capitão-não-mencionarei-isso”. Yondu rosnou e fugiu para a sala de controle.
Depois de horas de dor e sofrimento escutando Peter contar para todos da tripulação que agora ele finalmente seria um Saqueador, o menino foi importunar Yondu e suas dores de cabeça.
— Agora que eu vou ser Saqueador, vou ganhar um casaco vermelho? — Quill disse.
— Não.
— Vou ter minha própria arma agora?
— Não.
— E a minha própria espaçonave?
Yondu virou-se para ele.
— Por que você não vai encher o saco do Leo?
— É Theo. E eu gosto mais de falar com você.
Yondu parou e ficou quieto por alguns segundos até abrir um sorriso.
— Bem, primeiro, você vai precisar de uns anos de treinamento, mas até lá...
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