Pov. Christine

Depois daquele fiasco, popularmente chamado de reunião, fui enviada para uma detenção provisória e fiquei lá o resto da noite.

Depois assim que amanheceu, fui acordada por dois guardas de aparência grotesca, que me trouxeram roupas, se é que eu posso chamar aquilo de roupas. Era um calça jeans azul marinho e uma camiseta vermelha e um par de all star vermelho.

Caminhei escoltada por eles, felizmente sem algemas, e não posso descrever como é boa essa sensação, você se sente livre.

Me colocaram em um carro escuro e fomos escoltados por outros quatro carros.
Olhei para os passageiros, três homens no fundo, uma mulher no banco do carona e um homem conduzindo, todos com colete a prova de balas e devidamente armados com uma quantidade surpreendente de armas. Me senti lisonjeada.

Entramos em um bairro com casas de alto padrão, todas eram bem vigiadas e protegidas, mas a que me deparei conseguia ultrapassar todos os limites, esta possuía dois andares, paredes brancas e grandes sacadas e janelas com vidros azuis.
Sai do carro e caminhei em direção a porta, que era pesada e com desenhos belíssimos entalhados na madeira.
A sala era muito bem decorada, misturando o clássico com o moderno. O papel de parede azul marinho era o fundo de belas estantes cheias de livros, entre elas havia uma TV gigante que ficava na frente de um sofá que ia do início ao final da sala. Resolvi explorar cada canto do lugar, A cozinha, a sala de jantar e os quartos. Visitei todas as seis suítes que haviam no segundo andar e encontrei a minha, que tinha o meu nome na porta e um lindo computador esperando por mim.

Abri o guarda-roupa que tinha no meu quarto e me surpreendi quando vi todas aquelas roupas lá, eles realmente me conheciam muito bem, bem até demais, acertaram até o tamanho dos sutiãs. Antes de tomar banho e trocar de roupa, resolvi voltar até a sala para ver se mais alguém tinha chegado.

E não me surpreendi ao escutar uma voz infelizmente conhecida:
— Queridinha, como foi a viagem? — Evelyn pergunta cínica.
— Minha viagem foi excelente, Evelyn, e a sua?- Pergunto mantendo a tranquilidade e educação.
— Foi excelente também. -Ela diz com um sorriso falso.
— Só você chegou? -Pergunto a Evelyn.
— Não, Matthew e Vincent já chegaram. Matthew me deu pelo menos bom dia, já o outro subiu e não falou nada, filho da puta. — Evelyn diz revirando os olhos.

Pelo que percebi, Matthew acha que é superior só porque está no lado certo da lei e explode facilmente, enquanto o Vincent se acha o maioral, nos considerando indignos de sua rude companhia.

— Parece que a nossa gênia já chegou. — A voz de Sebastian anuncia sua chegada.
— Se refere a qual de nós? — Evelyn pergunta.
— Ele falou gênia, não prostituta barata. — Terminei minha frase com um pequeno sorriso.
— A gente percebe a modéstia de longe. — Gustav diz entrando e não consigo evitar revirar os olhos.
— Bom, o circo está reunido afinal. — Diz Matthew descendo as escadas, meu Deus, o povo surge assim do nada.
— Claro, o circo está completo, só estava faltando o palhaço resolver dar o ar de sua graça. — Sebastian diz irônico e rindo com Gustav e Evelyn.
— Bom aqui estamos nós, os cinco grandes. — Gustav diz simulando uma vênia.
— Bom,esta faltando "o todo poderoso". — Digo irônica.
— Se está se referindo a mim, Senhorita Richards, obrigado pelo elogio. — Vincent diz descendo as escadas e parando na metade do caminho.

— Bom,agora que o grande santo resolveu se misturar com o pó, podemos conversar como gente civilizada? — Gustav pergunta e eu já cansei de ficar no mesmo ambiente que eles.
— Não sei vocês mais eu vou tomar um banho, então adeus. — Digo dando de costas pra eles e subindo as escadas.
Entrei no meu quarto e logo corri para o banheiro. Coloquei a água bem morna e relaxei, como a muito tempo não o fazia. Lavei meus cabelos com a maior calma do mundo, fiz questão de passar shampoo três vezes e de fazer uma bela hidratação com os produtos que tinha ali.
— Ficar nessa casa com esses Neandertais vai ser um inferno. — Digo enquanto sinto a água relaxar os meus músculos.

Pov. Sebastian

Depois que a Christine subiu para tomar banho, todos acabaram tomando a mesma decisão. Encontrei uma tesoura no meu banheiro e logo fiz questão de tornar o meu cabelo mais apresentável. Depois de um longo banho, me surpreendi com as minhas amadas camisas sociais enfileiradas e separadas por cor nos cabides do guarda-roupa, assim como todas as peças que sempre tive costume de usar. Como eu estava feliz.

Desci as escadas pronto e me sentindo uma nova pessoa, completamente renovado. Encontrei na sala de jantar: Evelyn, Gustav e Matthew.

— Merda, eu tinha apostado nele. — Disse Matthew.

— Boa noite, companheiros. Como todos estão? — Perguntei.

— Bem. — Evelyn e Gustav responderam.

— Por sua causa, 150 dólares mais pobre. — Respondeu Matthew

— Que bom. — Sorri.

Todos paramos de falar ao ouvirmos passos e risadas. E lá estava Christine, com uma saia rodada curta preta, cropped preto e salto alto preto. Ao lado dela, descendo as escadas, estava Vincent sorrindo, com seu terno bem alinhado.

— Acho que empatou Gustav. — Disse Evelyn.

— Vamos dividir os 150 do Matthew.

— Que merda. — respondeu Matthew com uma carranca.

Os dois se juntaram a nós e Christine nos mostrou uma carta que Olivia tinha deixado para nós.

— Vamos ter que nos virar aqui. Ao que parece o mais indicado é uma divisão de tarefas básica. — Disse ela.

— Quem vai fazer o que? — Perguntou Gustav.

— Eu cozinho, o Sebastian lava os banheiros, a Evelyn lava as roupas, o Vincent passa, o Matthew arruma as camas e o Gustav lava a louça. — Responde Christine.

— Eu não vou lavar roupa porra nenhuma. — Diz Evelyn.

— Deixa de frescura. — Responde Gustav.

— Frescura o seu cu. A sua é a mais fácil.

— Vai lá lavar então. Suas unhas vão ficar maravilhosas.

— Eu que vou cozinhar. — Diz Vincent.

— Não vai não, eu que vou.

— Christine, você pode ter feito o caralho a quatro de curso, mas eu que vou cozinhar, querida.

Christine respirou fundo e consentiu. A cena em si era hilária, então eu gargalhei bem alto e disse:

— Eu não vou lavar o banheiro de jeito nenhum. Sério mesmo que eu tenho que ficar com essa merda de tarefa? Vocês só podem estar de brincadeira comigo.

Todos olharam para mim e disseram juntos:

— Você vai.