Notas iniciais
Eu diverti-me muito com este capítulo também! Ron diverte-me muito mesmo! Ele é muito engraçado!

"Os patos? Os patos...", pensava Ginny.

– Mãe!

– Agora não, Ginny! Oh meu Merlin! Queimei os três patos... Três patos... Custou tanto dinheiro. Oh...

– Mãe, não te preocupes. Isso também já me aconteceu e o Draco conseguiu resolver o problema.

Draco esbugalhou os olhos e encolheu-se contra a parede.

– Vem!

Ginny dirigiu-se a ele, furando a multidão de Weasleys amontoados à porta da cozinha, pegou-lhe na mão e arrastou-o até ao centro da cozinha. Molly olhava-o com suspeita.

– Vá Draco, faz aquele comer que fizeste e que estava tão bom. Se funcionou com frango, funcionará com pato também. Vá...

Ginny foi interrompida pela tosse de Molly que só terminou num espirro.

– Anda mãe, senta-te aqui. — Ginny segurou-a pelo braço e levou-a para um banco. — Deixa que eu e o Draco tratamos do jantar.

– Mas filha ele é um convidado.

– Não importa mãe. É um excelente cozinheiro também.

Os Weasley riram.

– Quem dera às vossas mulheres terem um homem que cozinhasse tão bem quanto o Draco. E digo mais, quem dera às vossas mulheres cozinharem tão bem quanto ele! — este comentário só serviu para intensificar ainda mais o riso. — Esperem e verão então.

Molly continuava a olhar desconfiada para ambos.

– Molly, — chamou Harry. — posso-lhe garantir, por experiência própria que ele não lhe irá estragar o pato.

– Os patos. — corrigiu Molly, decepcionada, dirigindo-se para a sala de família.

Todos a seguiram. Foi nesse momento que a mão de Harry e Hermione rasparam uma na outra, fazendo com que eles se esquecessem do mundo real e se enterrassem nos olhos um do outro.

– És capaz de acreditar nisto Hermione? — perguntou-lhe Ron, interrompendo-lhe o contacto com Harry.

– Desculpa, podes repetir?

– Em que mundo estavam vocês? Estava a perguntar se consegues acreditar que o Harry agora se dá com o Draco? Sinto-me traído pela minha irmã e o meu melhor amigo.

– Realmente é algo estranho, é.

– Não sejam tão dramáticos vocês dois. Habituar-se-ão. Tal como eu me habituei. Para além disso, tu também já falaste com ele depois da Guerra.

– Pois. Mas só devido a questões de trabalho.

– Harry. Vem cá. — chamou Molly.

Harry dirigiu-se a ela e por isso passou por Hermione. Mais uma vez os seus olhos cruzaram-se.

– Vamos ter que falar. — sussurrou Harry, recebendo um rápido aceno de cabeça como resposta.

– Harry... — Molly deu-lhe a mão e ele aceitou-a, sentando-se à sua frente. — Parece que ainda estou a sonhar. O que é que se está a passar Harry? Quero tentar entender.

Harry passou a mão pelo cabelo, despenteando-o ainda mais. Hermione arrepiou-se com este gesto e acabou por se sentar também numa tentativa de esconder as pernas quebradiças.

– Bem... — começou. — Não há muito que explicar.

– Quando é que isto começou?

– Deixe-me pensar... Se ainda não fez um ano deve estar para breve.

– Um ano?!

Harry deparou-se com cinco caras de espanto: Ron, Hermione, Molly, Arthur e George. No entanto todos os outros Weasleys ficaram em estado de alerta com o grito, incluindo Katrina que lia sossegadamente um livro.

– É. — confirmou Harry.

– Haaam... Um ano parece-me... Demasiado tempo? Para uma relação casual.- sugeriu Hermione.

Harry passou as mãos pelo cabelo arrepiando-o ainda mais. Mas não foram somente os cabelos de Harry que ficaram arrepiados, as pernas de Hermione também. Outra vez...

– É o que ando a tentar dizer a vocês e a eles.

Molly abanava a cabeça incessantemente.

– Não. Não pode ser. Ela vai sofrer. Muito. Ela estava tão bem contigo, Harry. Porque é que teve de se meter nesta trapalhada.

– Aaaah! — exclamou Ron. — Alguém ganhou juízo nesta casa de loucos!

– Nós temos que fazer alguma coisa. — continuou Molly.

– Não. Não podemos fazer nada. — afirmou Arthur que se tinha levantado.

– Não?! — indignou-se Molly. — Ela é a nossa menina Arthur! Não acredito que desistirás assim tão facilmente.

– Molly... — Arthur ofereceu-lhe a sua mão. — Vem cá.

Molly aceitou-a e levantou-se logo de seguida, sendo seguida por George, Ron e finalmente Harry e Hermione que tentavam a todo o custo evitarem os olhares um do outro.

– Olha.

A cena que se passava na cozinha era um tanto ou quanto estranha.

Draco estava com o avental de Molly, um avental que lhe ficava extremamente pequeno em altura mas extremamente largo no peito principalmente. Era uma visão bizarra ver Draco, um Malfoy, a cozinhar (maravilhosamente bem, devo acrescentar). Até Harry, aquele que de entre todos tinha passado mais tempo com o casal, almoçando e jantando várias vezes com eles a comida que Draco fez, tinha de admitir que Draco a cozinhar era algo merecedor de atenção.

Draco cortava o pato, tirando as partes queimadas com a normal delicadeza e fineza características dele, quando Ginny apareceu com um grande alguidar cheio de roupa, encaminhando-se à varanda mas não sem antes apertar rapidamente o rabo de Draco. O louro deu um salto e dirigiu-lhe um sorriso torto. Ela adentrou na varanda.

O balcão onde Draco cortava a carne estava de frente para a janela quadrangular que dava vista para o lado de fora. Sendo assim, a imagem da ruiva que estendia a roupa de uma forma que Draco achou extremamente carinhosa atravessou a janela até aos olhos dele que os desviou imediatamente para o pato. Não por muito tempo. Imediatamente depois, os olhos de Malfoy ergueram-se de novo para a ruiva, que estava distraída a estender a roupa sem notar nos olhos acinzentados sobre ela. Draco continuou a olhar e um sorriso apareceu-lhe no rosto.

– O Malfoy está apaixonado por ela.- afirmou Arthur. — Não há nada a fazer. Posso combater muita coisa mas não irei contra o amor.

– Arthur, como podes ter a certeza? Essas coisas nunca se sabem!

– Um homem apaixonado reconhece o olhar de outro igualmente apaixonado. Eu sei porque já olhei e continuou a olhar assim... — Arthur tocou-lhe no rosto com um dedo. — Para ti.

O rosto de Molly corou bruscamente.

– Arthur... Olha as crianças. — riu infantilmente como se fosse uma delas.

Neste momento, Ginny entrou na cozinha vinda da varanda. Draco focou-se no pato nesse momento e assim não viu Ginny nas costas dele com a varinha em punho.

– Mas... — começou Ron.

Ginny então lançou o feitiço.

Os cabelos de Draco caíram sobre os seus olhos, deixando de estar presos... Presos? Bem, deixando de estar, como hei-de dizer? Lambidos por uma vaca.

Draco olhou-a com o cabelo despenteado sobre a cabeça.

– Weasley, pára com isso.

Ginny limitou-se a sorrir e continuou a fazer o que antes fazia.

Quando Draco acabou de cortar o pato, lavou as mãos e pegou na sua varinha, fazendo o cabelo voltar ao seu estado inicial, penteado com todo o rigor.

Ginny, sem esperar um segundo, fez o cabelo ficar despenteado outra vez.

– Aiii! — reclamou Harry aborrecido, voltando a sentar-se no sofá. — Já estou farto de ver este ritual. Merlin, que chatos!

Draco virou-se para ela e começou a discutir.

– Tu importaste de parar com isso? Eu não me meto no teu cabelo logo não te metas no meu!

Levantou a varinha para fazer novo feitiço mas Ginny tirou-lha.

– Ruiva, dá-me a minha varinha!

– Não! — respondeu ela, fortemente. — Ficas mal com o cabelo como estava! Parece que foste lambido por um troll!

Ele agarrou-lhe o pulso fortemente mas sem a magoar. Estas discussões eram frequentes, ele já sabia a força exacta que podia aplicar na ruiva sem a magoar. Ginny mandou as varinhas para longe. Draco puxou-a para si, colando os corpos.

– Weasley, tu irritas-me! Tanto. Esgotas-me a paciência. Eu uso o cabelo como quero e bem me apetece. Não tens opinião quanto a isso.

Ginny aproximou-se ainda mais (se tal é possível).

– Louro deslavado, se quiseres ficar feio é contigo! Eu só te vou dizer uma coisa: sou uma mulher com altas exigências! Gosto de um homem apresentável e bonito. Se continuares a ser lambido por trolls todos os dias, eu posso começar a ficar farta de ver a tua cara.

Draco encostou-a à parede.

– Weasley, Weasley... Tu mesmo que quisesses ir embora não conseguirias. Eu realmente sou irresistível... Não é?

Draco aproximou a sua boca da dela e lanço-lhe um sorriso torto e malicioso.

– Malfoy idiota! Larga-me! És uma pessoa estúpida, egocêntrica e arrogante até dizer chega! E não tens sequer noção disso!

– Calma fogosa. É que bem... Também não podes falar muito. Tu és a pessoa mais convencida que conheço.

– Eu não sou convencida. — Ginny aproximou a sua boca de Draco. — Eu tenho noção daquilo que possuo e não tenho medo de o admitir.

Ginny afastou-o e dirigiu-se à comida, deixando um Draco a morder os lábios.

– Aaaai! Que raiva! — Ron estava vermelho como um tomate. — Eu vou lá!

– Calma Ron... — disse Luna, aproximando-se, travando-o.

– Ai! Eu não consigo. Irrita-me tanto! Tanto! Ele a tocar assim nela! Mas o que é que a Ginny tem na cabeça? Nada?!

– Oh Ron... Ten... — Hermione parou de falar ao ver a cara paralisada de Ron a olhar para a cozinha.

– Não, não, não, não... — murmurava ele.

Na cozinha, Draco e Ginny estavam próximos, Draco mantinha as mãos na cintura da ruiva. Ginny dizia qualquer coisa ao louro, qualquer coisa que o fazia rir e os da sala não conseguiam ouvir. Draco tirou uma madeixa ruiva da frente dos olhos da ruiva que corou e sorriu. Isso fez o louro sorrir ainda mais e puxar o queixo da ruiva para cima até os seus lábios se tocarem calmamente. Draco abraçou-a e elevou-a no ar, fazendo-a rir.

– AAAAAAAAAHHHHHH!

Ron pegou numa cadeira e atirou-a ao chão, partindo-lhe uma das pernas e rachando-lhe as costas. E, consequentemente, chamando a atenção dos dois da cozinha.

– Ronald Bilius Weasley! — ralhou Molly.

O peito de Ron subia e descia a uma velocidade impressionante.

Draco largou Ginny e acabou de preparar a comida.

Pouco depois, levou-a para a mesa grande da sala de jantar ainda Ron, a mando de Molly, apanhava todos os pedaços de madeira. Ginny seguia Draco com o resto da comida. Nisto, sentaram-se todos e começaram a comer.

Ron trouxe uma garrafa de firewhisky e depositou-a à sua frente, tirou-lhe a rolha e bebeu metade do conteúdo da garrafa.

– Ron! — Hermione tirou-lhe a garrafa das mãos.

– Herms! — Ron arrotou o que causou risota geral, excepto de Draco que considerou aquilo nojento. — Passa-me a garrafa imediatamente. Eu preciso dela!

Harry sabia bem que o amigo tinha pouca tolerância ao álcool mas não estava preocupado. Ron bêbedo era hilariante e ainda mais simpático.

Ron arrematou a garrafa das mãos de Hermione e bebeu o resto.

– Que belo exemplo dás as crianças! — sussurrou-lhe Hermione.

Ron riu.

– Eu não te digo como educar a Katrina pois não? E agora temos de falar de assuntos mais sérios. — Ron olhou Hermione seriamente nos olhos, cuspindo-se todo logo de seguida com o ataque de riso espontâneo.

Pôs o braço no ombro de Hermione e perguntou-lhe:

– O que fazes para ficar assim?

Hermione olhou-o com cara confusa.

– Assim! Cada vez mais bonita. E estás com um rabo!

Hermione riu.

– Obrigado Ron!

– Não achas também Harry?- Ron deu-lhe um empurrão que o fez ir para cima do prato com comida.

– Acho. — respondeu naturalmente enquanto limpava o peito, arrependendo-se de seguida: — Não! Quer dizer... Sim. Mas não sei... Não olhei bem.

Ron gargalhou com absoluto contentamento.

– Oras Harry! Toda a gente viu a tua cara! — agarrou Hermione pelos ombros e abanou-a. — Ele sentiu tantas saudades tuas! A sério que já não o podia aturar! Ainda bem que voltaste não o aguento sozinho! Ele é muito chato!

Draco riu discretamente.

Harry serrou os olhos na direcção de Malfoy.

– Tens alguma coisa a dizer?

– Só que pela primeira vez na vida eu concordo com o Weasley.

Ron olhava atentamente para o seu prato, analisando cada milímetro do mesmo, completamente abstraído.

– Eu não tenho comida no prato. — concluiu.

Hermione olhou-o com ironia.

– Que observador Ronald.

Ele olhou-a.

– Roubaste-me a comida.

– Claro! Que mais poderia ser?

– Porquê Mione? Não sabias tirar para ti? Porque tiveste de fazer uma coisa destas?

Ron estava genuinamente ofendido.

– Ronald, tu não chegaste a pôr comida no teu prato!

– Como não?! Lembro-me perfeitamente!

– Nota-se!

George ria desalmadamente. O resto da família já comia, excepto Draco e Ginny que aproveitavam a distracção dos Weasleys para falar.

– Bem... Parece que já sabem... — disse Draco puxando assunto.

– De nós?

O louro acenou.

– Sim. É verdade. — confirmou-lhe a ruiva.

– Acho... Aham.

– Diz.

– Que devias ir à minha casa.

– Huum... Draco agora não pode ser. — Ginny mandou-lhe um sorriso maroto.

– Não. Não à minha-minha. À Mansão Malfoy.

Ginny ficou petrificada.

– Eu conheci toda a tua família. Tem lógica conheceres a minha. Aliás isto saber-se-à, tal como a tua mãe disse, penso que é preferível eles saberem por mim do que serem surpreendidos na rua.

– Draco eu...

– Vens.

– Mas...

– Draco... — chamou uma voz baixinho.

Era Miriam.

Draco sorriu, encantador.

– Sim?

– És lindo! — disse depressa e foi a correr ter com Katrina, sem esperar resposta.

– Hey! — chamou Draco.

Miriam olhou-o por entre os cabelos ruivos.

– Tu também és.

A resposta deixou Miriam nas nuvens, a rir-se muito com Katrina a acompanhá-la.

– Boa! Agora tens uma admiradora com mais de metade da tua idade. — comentou Ginny.

– Eu encanto todas as mulheres, vermelhinha!

Sentiu um puxão na camisola. Era Miriam outra vez. Draco sorriu.

– Queres vir à minha festa de anos?

– Ah! Pois é! — gritou Ginny.

Draco hesitou. Os olhos de Miriam ficaram muito abertos e brilhantes com a possibilidade de recusa.

– Se quiseres que eu venha terei o maior gosto. — respondeu então.

Miriam pulou de contentamento.

– É daqui a dois dias. — disse. — O tema é Disney!

– Disney?

– Sim. Tens de vir mascarado!

Ginny voltou-se para a comida e começou a comer.

– Hum... Está bem e tu vais-te mascarar de quê?

– Oh... — encolheu os ombros. — Um vestido de princesa do Carnaval passado.

Draco sorriu.

– Qual é a tua princesa favorita?

Miriam sorriu amplamente:

– A Cinderella.

– Muito bem. Também gosto muito dela.

– Então vens?

– Estarei cá.

Miriam sorriu e voltou aos saltinhos para Katrina.

A noite passou divertida. E com muita algazarra. Os Weasley eram barulhentos e mais ficaram quando acabaram com o stock de garrafas de firewhisky do pai.

Harry já tinha o braço por cima dos ombros de Hermione e esta encostava-se cada vez mais ao seu peito. Tinham bebido um pouco (a mais...). As crianças já estavam deitadas tal como os mais velhos. O resto da família tinha ido para casa. Só sobraram Harry, Hermione, Luna, Ron, Draco e Ginny.

– Aquele penteado não dava com nada mesmo.

Riram-se e Harry apertou-a contra si o que a fez sentir um frio por baixo do estômago. Ron quase dormia na barriga grande de Luna. Ela estava quase no fim da gestação.

– Ron-ron, devias ir deitar-te. Vem. — Luna guiou-o até ao quarto com a ajuda de Draco e Ginny e voltou para a sala.

– Vamos vestir o pijama Luna? — perguntou Ginny.

– Está bem.

– Então eu vou embora. Talvez. — disse Hermione, Harry segurou-a mais forte contra si.

– Disparate! — gritou Ginny. — Vens vestir o pijama connosco e depois podes ir embora. O Harry pode levar-te a casa. Draco ficas a fazer companhia ao Harry como é óbvio enquanto eu vou com as meninas vestir o pijama.

– Ah não ruiva! Eu não caio nessa! Vocês vão demorar uma eternidade e eu estou com sono!

– Não sejas rude! Ficas e pronto! Até já!

Draco afundou-se no sofá amuado.

Ginny meteu a sua cabeça do lado de dentro da sala.

– Hermione... Entao? Vamos!

Harry suspirou e soltou Hermione que se dirigiu a Ginny e a seguiu até ao quarto.

Notas finais
Estava difícil Harry deixar a Mione ir! Heheh! Geovanio: Obrigada pela review! Filha de Afrodite e Zeus: Espero que não tenhas deixado de acompanhar. Os outros que nao comentam... Por favor... É Natal, façam esse favor... *-* E por ser Natal... Dupla postagem!!!