Unidos Para Sempre - H2, Drinny, R/L
9 Jantar com os Weasley
Notas iniciais
"Os patos? Os patos...", pensava Ginny.
– Mãe!
– Agora não, Ginny! Oh meu Merlin! Queimei os três patos... Três patos... Custou tanto dinheiro. Oh...
– Mãe, não te preocupes. Isso também já me aconteceu e o Draco conseguiu resolver o problema.
Draco esbugalhou os olhos e encolheu-se contra a parede.
– Vem!
Ginny dirigiu-se a ele, furando a multidão de Weasleys amontoados à porta da cozinha, pegou-lhe na mão e arrastou-o até ao centro da cozinha. Molly olhava-o com suspeita.
– Vá Draco, faz aquele comer que fizeste e que estava tão bom. Se funcionou com frango, funcionará com pato também. Vá...
Ginny foi interrompida pela tosse de Molly que só terminou num espirro.
– Anda mãe, senta-te aqui. — Ginny segurou-a pelo braço e levou-a para um banco. — Deixa que eu e o Draco tratamos do jantar.
– Mas filha ele é um convidado.
– Não importa mãe. É um excelente cozinheiro também.
Os Weasley riram.
– Quem dera às vossas mulheres terem um homem que cozinhasse tão bem quanto o Draco. E digo mais, quem dera às vossas mulheres cozinharem tão bem quanto ele! — este comentário só serviu para intensificar ainda mais o riso. — Esperem e verão então.
Molly continuava a olhar desconfiada para ambos.
– Molly, — chamou Harry. — posso-lhe garantir, por experiência própria que ele não lhe irá estragar o pato.
– Os patos. — corrigiu Molly, decepcionada, dirigindo-se para a sala de família.
Todos a seguiram. Foi nesse momento que a mão de Harry e Hermione rasparam uma na outra, fazendo com que eles se esquecessem do mundo real e se enterrassem nos olhos um do outro.
– És capaz de acreditar nisto Hermione? — perguntou-lhe Ron, interrompendo-lhe o contacto com Harry.
– Desculpa, podes repetir?
– Em que mundo estavam vocês? Estava a perguntar se consegues acreditar que o Harry agora se dá com o Draco? Sinto-me traído pela minha irmã e o meu melhor amigo.
– Realmente é algo estranho, é.
– Não sejam tão dramáticos vocês dois. Habituar-se-ão. Tal como eu me habituei. Para além disso, tu também já falaste com ele depois da Guerra.
– Pois. Mas só devido a questões de trabalho.
– Harry. Vem cá. — chamou Molly.
Harry dirigiu-se a ela e por isso passou por Hermione. Mais uma vez os seus olhos cruzaram-se.
– Vamos ter que falar. — sussurrou Harry, recebendo um rápido aceno de cabeça como resposta.
– Harry... — Molly deu-lhe a mão e ele aceitou-a, sentando-se à sua frente. — Parece que ainda estou a sonhar. O que é que se está a passar Harry? Quero tentar entender.
Harry passou a mão pelo cabelo, despenteando-o ainda mais. Hermione arrepiou-se com este gesto e acabou por se sentar também numa tentativa de esconder as pernas quebradiças.
– Bem... — começou. — Não há muito que explicar.
– Quando é que isto começou?
– Deixe-me pensar... Se ainda não fez um ano deve estar para breve.
– Um ano?!
Harry deparou-se com cinco caras de espanto: Ron, Hermione, Molly, Arthur e George. No entanto todos os outros Weasleys ficaram em estado de alerta com o grito, incluindo Katrina que lia sossegadamente um livro.
– É. — confirmou Harry.
– Haaam... Um ano parece-me... Demasiado tempo? Para uma relação casual.- sugeriu Hermione.
Harry passou as mãos pelo cabelo arrepiando-o ainda mais. Mas não foram somente os cabelos de Harry que ficaram arrepiados, as pernas de Hermione também. Outra vez...
– É o que ando a tentar dizer a vocês e a eles.
Molly abanava a cabeça incessantemente.
– Não. Não pode ser. Ela vai sofrer. Muito. Ela estava tão bem contigo, Harry. Porque é que teve de se meter nesta trapalhada.
– Aaaah! — exclamou Ron. — Alguém ganhou juízo nesta casa de loucos!
– Nós temos que fazer alguma coisa. — continuou Molly.
– Não. Não podemos fazer nada. — afirmou Arthur que se tinha levantado.
– Não?! — indignou-se Molly. — Ela é a nossa menina Arthur! Não acredito que desistirás assim tão facilmente.
– Molly... — Arthur ofereceu-lhe a sua mão. — Vem cá.
Molly aceitou-a e levantou-se logo de seguida, sendo seguida por George, Ron e finalmente Harry e Hermione que tentavam a todo o custo evitarem os olhares um do outro.
– Olha.
A cena que se passava na cozinha era um tanto ou quanto estranha.
Draco estava com o avental de Molly, um avental que lhe ficava extremamente pequeno em altura mas extremamente largo no peito principalmente. Era uma visão bizarra ver Draco, um Malfoy, a cozinhar (maravilhosamente bem, devo acrescentar). Até Harry, aquele que de entre todos tinha passado mais tempo com o casal, almoçando e jantando várias vezes com eles a comida que Draco fez, tinha de admitir que Draco a cozinhar era algo merecedor de atenção.
Draco cortava o pato, tirando as partes queimadas com a normal delicadeza e fineza características dele, quando Ginny apareceu com um grande alguidar cheio de roupa, encaminhando-se à varanda mas não sem antes apertar rapidamente o rabo de Draco. O louro deu um salto e dirigiu-lhe um sorriso torto. Ela adentrou na varanda.
O balcão onde Draco cortava a carne estava de frente para a janela quadrangular que dava vista para o lado de fora. Sendo assim, a imagem da ruiva que estendia a roupa de uma forma que Draco achou extremamente carinhosa atravessou a janela até aos olhos dele que os desviou imediatamente para o pato. Não por muito tempo. Imediatamente depois, os olhos de Malfoy ergueram-se de novo para a ruiva, que estava distraída a estender a roupa sem notar nos olhos acinzentados sobre ela. Draco continuou a olhar e um sorriso apareceu-lhe no rosto.
– O Malfoy está apaixonado por ela.- afirmou Arthur. — Não há nada a fazer. Posso combater muita coisa mas não irei contra o amor.
– Arthur, como podes ter a certeza? Essas coisas nunca se sabem!
– Um homem apaixonado reconhece o olhar de outro igualmente apaixonado. Eu sei porque já olhei e continuou a olhar assim... — Arthur tocou-lhe no rosto com um dedo. — Para ti.
O rosto de Molly corou bruscamente.
– Arthur... Olha as crianças. — riu infantilmente como se fosse uma delas.
Neste momento, Ginny entrou na cozinha vinda da varanda. Draco focou-se no pato nesse momento e assim não viu Ginny nas costas dele com a varinha em punho.
– Mas... — começou Ron.
Ginny então lançou o feitiço.
Os cabelos de Draco caíram sobre os seus olhos, deixando de estar presos... Presos? Bem, deixando de estar, como hei-de dizer? Lambidos por uma vaca.
Draco olhou-a com o cabelo despenteado sobre a cabeça.
– Weasley, pára com isso.
Ginny limitou-se a sorrir e continuou a fazer o que antes fazia.
Quando Draco acabou de cortar o pato, lavou as mãos e pegou na sua varinha, fazendo o cabelo voltar ao seu estado inicial, penteado com todo o rigor.
Ginny, sem esperar um segundo, fez o cabelo ficar despenteado outra vez.
– Aiii! — reclamou Harry aborrecido, voltando a sentar-se no sofá. — Já estou farto de ver este ritual. Merlin, que chatos!
Draco virou-se para ela e começou a discutir.
– Tu importaste de parar com isso? Eu não me meto no teu cabelo logo não te metas no meu!
Levantou a varinha para fazer novo feitiço mas Ginny tirou-lha.
– Ruiva, dá-me a minha varinha!
– Não! — respondeu ela, fortemente. — Ficas mal com o cabelo como estava! Parece que foste lambido por um troll!
Ele agarrou-lhe o pulso fortemente mas sem a magoar. Estas discussões eram frequentes, ele já sabia a força exacta que podia aplicar na ruiva sem a magoar. Ginny mandou as varinhas para longe. Draco puxou-a para si, colando os corpos.
– Weasley, tu irritas-me! Tanto. Esgotas-me a paciência. Eu uso o cabelo como quero e bem me apetece. Não tens opinião quanto a isso.
Ginny aproximou-se ainda mais (se tal é possível).
– Louro deslavado, se quiseres ficar feio é contigo! Eu só te vou dizer uma coisa: sou uma mulher com altas exigências! Gosto de um homem apresentável e bonito. Se continuares a ser lambido por trolls todos os dias, eu posso começar a ficar farta de ver a tua cara.
Draco encostou-a à parede.
– Weasley, Weasley... Tu mesmo que quisesses ir embora não conseguirias. Eu realmente sou irresistível... Não é?
Draco aproximou a sua boca da dela e lanço-lhe um sorriso torto e malicioso.
– Malfoy idiota! Larga-me! És uma pessoa estúpida, egocêntrica e arrogante até dizer chega! E não tens sequer noção disso!
– Calma fogosa. É que bem... Também não podes falar muito. Tu és a pessoa mais convencida que conheço.
– Eu não sou convencida. — Ginny aproximou a sua boca de Draco. — Eu tenho noção daquilo que possuo e não tenho medo de o admitir.
Ginny afastou-o e dirigiu-se à comida, deixando um Draco a morder os lábios.
– Aaaai! Que raiva! — Ron estava vermelho como um tomate. — Eu vou lá!
– Calma Ron... — disse Luna, aproximando-se, travando-o.
– Ai! Eu não consigo. Irrita-me tanto! Tanto! Ele a tocar assim nela! Mas o que é que a Ginny tem na cabeça? Nada?!
– Oh Ron... Ten... — Hermione parou de falar ao ver a cara paralisada de Ron a olhar para a cozinha.
– Não, não, não, não... — murmurava ele.
Na cozinha, Draco e Ginny estavam próximos, Draco mantinha as mãos na cintura da ruiva. Ginny dizia qualquer coisa ao louro, qualquer coisa que o fazia rir e os da sala não conseguiam ouvir. Draco tirou uma madeixa ruiva da frente dos olhos da ruiva que corou e sorriu. Isso fez o louro sorrir ainda mais e puxar o queixo da ruiva para cima até os seus lábios se tocarem calmamente. Draco abraçou-a e elevou-a no ar, fazendo-a rir.
– AAAAAAAAAHHHHHH!
Ron pegou numa cadeira e atirou-a ao chão, partindo-lhe uma das pernas e rachando-lhe as costas. E, consequentemente, chamando a atenção dos dois da cozinha.
– Ronald Bilius Weasley! — ralhou Molly.
O peito de Ron subia e descia a uma velocidade impressionante.
Draco largou Ginny e acabou de preparar a comida.
Pouco depois, levou-a para a mesa grande da sala de jantar ainda Ron, a mando de Molly, apanhava todos os pedaços de madeira. Ginny seguia Draco com o resto da comida. Nisto, sentaram-se todos e começaram a comer.
Ron trouxe uma garrafa de firewhisky e depositou-a à sua frente, tirou-lhe a rolha e bebeu metade do conteúdo da garrafa.
– Ron! — Hermione tirou-lhe a garrafa das mãos.
– Herms! — Ron arrotou o que causou risota geral, excepto de Draco que considerou aquilo nojento. — Passa-me a garrafa imediatamente. Eu preciso dela!
Harry sabia bem que o amigo tinha pouca tolerância ao álcool mas não estava preocupado. Ron bêbedo era hilariante e ainda mais simpático.
Ron arrematou a garrafa das mãos de Hermione e bebeu o resto.
– Que belo exemplo dás as crianças! — sussurrou-lhe Hermione.
Ron riu.
– Eu não te digo como educar a Katrina pois não? E agora temos de falar de assuntos mais sérios. — Ron olhou Hermione seriamente nos olhos, cuspindo-se todo logo de seguida com o ataque de riso espontâneo.
Pôs o braço no ombro de Hermione e perguntou-lhe:
– O que fazes para ficar assim?
Hermione olhou-o com cara confusa.
– Assim! Cada vez mais bonita. E estás com um rabo!
Hermione riu.
– Obrigado Ron!
– Não achas também Harry?- Ron deu-lhe um empurrão que o fez ir para cima do prato com comida.
– Acho. — respondeu naturalmente enquanto limpava o peito, arrependendo-se de seguida: — Não! Quer dizer... Sim. Mas não sei... Não olhei bem.
Ron gargalhou com absoluto contentamento.
– Oras Harry! Toda a gente viu a tua cara! — agarrou Hermione pelos ombros e abanou-a. — Ele sentiu tantas saudades tuas! A sério que já não o podia aturar! Ainda bem que voltaste não o aguento sozinho! Ele é muito chato!
Draco riu discretamente.
Harry serrou os olhos na direcção de Malfoy.
– Tens alguma coisa a dizer?
– Só que pela primeira vez na vida eu concordo com o Weasley.
Ron olhava atentamente para o seu prato, analisando cada milímetro do mesmo, completamente abstraído.
– Eu não tenho comida no prato. — concluiu.
Hermione olhou-o com ironia.
– Que observador Ronald.
Ele olhou-a.
– Roubaste-me a comida.
– Claro! Que mais poderia ser?
– Porquê Mione? Não sabias tirar para ti? Porque tiveste de fazer uma coisa destas?
Ron estava genuinamente ofendido.
– Ronald, tu não chegaste a pôr comida no teu prato!
– Como não?! Lembro-me perfeitamente!
– Nota-se!
George ria desalmadamente. O resto da família já comia, excepto Draco e Ginny que aproveitavam a distracção dos Weasleys para falar.
– Bem... Parece que já sabem... — disse Draco puxando assunto.
– De nós?
O louro acenou.
– Sim. É verdade. — confirmou-lhe a ruiva.
– Acho... Aham.
– Diz.
– Que devias ir à minha casa.
– Huum... Draco agora não pode ser. — Ginny mandou-lhe um sorriso maroto.
– Não. Não à minha-minha. À Mansão Malfoy.
Ginny ficou petrificada.
– Eu conheci toda a tua família. Tem lógica conheceres a minha. Aliás isto saber-se-à, tal como a tua mãe disse, penso que é preferível eles saberem por mim do que serem surpreendidos na rua.
– Draco eu...
– Vens.
– Mas...
– Draco... — chamou uma voz baixinho.
Era Miriam.
Draco sorriu, encantador.
– Sim?
– És lindo! — disse depressa e foi a correr ter com Katrina, sem esperar resposta.
– Hey! — chamou Draco.
Miriam olhou-o por entre os cabelos ruivos.
– Tu também és.
A resposta deixou Miriam nas nuvens, a rir-se muito com Katrina a acompanhá-la.
– Boa! Agora tens uma admiradora com mais de metade da tua idade. — comentou Ginny.
– Eu encanto todas as mulheres, vermelhinha!
Sentiu um puxão na camisola. Era Miriam outra vez. Draco sorriu.
– Queres vir à minha festa de anos?
– Ah! Pois é! — gritou Ginny.
Draco hesitou. Os olhos de Miriam ficaram muito abertos e brilhantes com a possibilidade de recusa.
– Se quiseres que eu venha terei o maior gosto. — respondeu então.
Miriam pulou de contentamento.
– É daqui a dois dias. — disse. — O tema é Disney!
– Disney?
– Sim. Tens de vir mascarado!
Ginny voltou-se para a comida e começou a comer.
– Hum... Está bem e tu vais-te mascarar de quê?
– Oh... — encolheu os ombros. — Um vestido de princesa do Carnaval passado.
Draco sorriu.
– Qual é a tua princesa favorita?
Miriam sorriu amplamente:
– A Cinderella.
– Muito bem. Também gosto muito dela.
– Então vens?
– Estarei cá.
Miriam sorriu e voltou aos saltinhos para Katrina.
A noite passou divertida. E com muita algazarra. Os Weasley eram barulhentos e mais ficaram quando acabaram com o stock de garrafas de firewhisky do pai.
Harry já tinha o braço por cima dos ombros de Hermione e esta encostava-se cada vez mais ao seu peito. Tinham bebido um pouco (a mais...). As crianças já estavam deitadas tal como os mais velhos. O resto da família tinha ido para casa. Só sobraram Harry, Hermione, Luna, Ron, Draco e Ginny.
– Aquele penteado não dava com nada mesmo.
Riram-se e Harry apertou-a contra si o que a fez sentir um frio por baixo do estômago. Ron quase dormia na barriga grande de Luna. Ela estava quase no fim da gestação.
– Ron-ron, devias ir deitar-te. Vem. — Luna guiou-o até ao quarto com a ajuda de Draco e Ginny e voltou para a sala.
– Vamos vestir o pijama Luna? — perguntou Ginny.
– Está bem.
– Então eu vou embora. Talvez. — disse Hermione, Harry segurou-a mais forte contra si.
– Disparate! — gritou Ginny. — Vens vestir o pijama connosco e depois podes ir embora. O Harry pode levar-te a casa. Draco ficas a fazer companhia ao Harry como é óbvio enquanto eu vou com as meninas vestir o pijama.
– Ah não ruiva! Eu não caio nessa! Vocês vão demorar uma eternidade e eu estou com sono!
– Não sejas rude! Ficas e pronto! Até já!
Draco afundou-se no sofá amuado.
Ginny meteu a sua cabeça do lado de dentro da sala.
– Hermione... Entao? Vamos!
Harry suspirou e soltou Hermione que se dirigiu a Ginny e a seguiu até ao quarto.
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