Unfolding
1 Azul Índigo
Notas iniciais
Faz muito tempo que eu não entro nesse site, e voltei porque pensei que podia usar minha nova obsessao como prática também. Começei a escrever essa fic em inglês, mas decidi postar ela traduzida aqui. Ela também é a primeira fic depois de um histo gigante, então ainda estou me acostumando.
Metade de mim quer morrer por ter que tag essa fic como yaoi, mas, o que se pode fazer nõa é mesmo
Disclaimers: Eu li e joguei antes da série, e enquanto eu to pegando bem mais a personalidade do Geralt dos livros (com a aparencia da série), eu tentei misturar tudo. To molhando o pé com essa fic, espero que as próximas eu já teha me decidido.
Que se saiba que, apesar de tudo, Jaskier não era um covarde.
Talvez no senso comum da palavra, alguns o chamem assim. Mas ninguém era mais corajoso nos assuntos do coração do que ele.
Ainda é mais verdade que alguns chamariam essa “bravura” como estupidez, mas Jaskier sabia que sua força estava em quanto ele podia sentir, em quanto podia ver as pessoas pelo que elas realmente eram e aceitar tudo o que via por dentro. As teatralidades do romance, do amor eram aqueles em que ele não era apenas muito bem versado, mas também desfrutava de grande alegria em participar. Ao mesmo tempo, a teatralidade do heroísmo e dos grandes feitos também prendiam sua atenção como pouco mais prende.
E o que é Geralt de Rívia, se não o resultado de uma colisão entre as duas coisas, embrulhada um rosto ridiculamente atraente adequado para um rei? Jaskier se conhecia e sabia que estava no fundo do poço no momento em que viu a cabeça branca no canto da estalagem. Ele só não sabia o quão profundo era o poço até a missão do dragão.
“Você não gosta dela, não é?” Borch perguntou a Jaskier, encostando-se ao poste ao lado dele, na segunda noite eles pararam para descansar no caminho até o topo da montanha.
“Quem? Téa? Bem, embora seja verdade que ela não parece se divertir com minhas magníficas baladas, eu-” Borch o interrompeu com uma voz calma e um sorriso estranho.
“Você é uma pessoa muito transparente, bardo.” Jakier parou de mexer no alaúde e olhou para o homem mais baixo com a boca frouxa. Borch continuou olhando para ele, calmo e enigmático. Jaskier sentia que uma corda estava sendo enrolada em seu pescoço quando considerou mentir para o outro homem.
“Tão óbvio, huh?” Ele sussurrou. “Bem. Não é um dos meus momentos de maior orgulho, admito.” Do outro lado do campo, Geralt e os anões estavam jogando cartas e bebendo. O bruxo, pela primeira vez, não parecia estar prestando atenção em Yennefer, ou qualquer coisa além do jogo por enquanto. “Mas acho que é apenas humano da minha parte me sentir esmagado por esse nível de poder e beleza. Eu sei quando fui derrotado, apesar do que todo mundo parece pensar.”
“Ah, você é inteligente, tudo bem.” Borch deu um tapinha no braço dele, rindo baixinho. “Mesmo se quem você escolher dar seu coração for um pouco ... áspero.” E aqui a voz dele levou a um som mais profundo que reverberou por dentro do crânio de Jaskier “Não se desespere, bardo. O destino é imparável, mas não tem apenas uma maneira de se desdobrar.” E como se isso fosse apenas um comentário sobre o clima, Borch bebeu o resto da cerveja e se afastou. Jaskier olhou para o local onde o homem estava um segundo atrás, como se pudesse fornecer, se não respostas, pelo menos confortá-lo contra o frio que se instalava em seu peito como as raízes de uma árvore.
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"Certo. Eu vou ... Obter a história dos outros então.” Jaskier respirou bem controlado e segurou por alguns segundos. Ele não conseguia sentir as pernas. “Vejo você por aí, Geralt.” E ele sabia que não era um "até breve", era um "adeus". E ele sabia que seu coração nunca mais seria o mesmo, pois estava deitado lá na beirada do penhasco, olhando com desprezo o sol moribundo, questionando-se sobre o desejo suicida de se entregar a um bruxo apaixonado por uma feiticeira aterrorizante.
Ele caminhou para o acampamento, pegou sua bolsa e voltou para a trilha sem pensar para onde deveria estar indo. Ele passou por Yennefer e pelos anões sem reconhecê-los, caminhando como se estivesse em transe, com uma respiração tão cuidadosamente controlada que só podia ser forçada. Nenhum deles o notou passar.
Ele levantou a cabeça contra tudo o que sempre acreditou. Ele continuou andando, e não olhou para trás.
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As cidades se turvaram juntas, e ele tocava decentemente. Na verdade ele não precisava do dinheiro, pois encontrou em sua mochila uma bolsa de moedas muito pesada com um escudo amarelo e três gralhas bordadas nela. Mas cantar era tudo o que ele sabia, tudo o que podia dar ao mundo agora, então ele se apresentou. Até compôs algumas baladas novas, e toda multidão as apreciaram como se aprecia a primeira refeição completa depois de um inverno rigoroso que se estendeu por muito tempo.
A taberna era pequena, apertada e quente, mas tudo que Jaskier podia sentir era frio. Frio em seus membros, frio em sua cabeça, frio nas palavras que saíam de sua boca, mas não vinham de nenhum outro lugar além de sua boca.
“Sua voz foi levada pelo vento, Todo o caminho de volta para a terra onde, no sono, você podia ficar preso” E estava inacabado, e ele não sabia ao certo por que estava cantando estes versos; os que ele escreveu sobre agonia febril quatro horas atrás, na penumbra que a lua emitia através das árvores. Não fazia sentido para ele, a métrica ou a letra, mas também não parecia certo mudá-las. “Pelo seu coração compartilhar, de tortura humana.” Terminou com uma nota distinta de algo faltando, mas essas pessoas simples desta aldeia microscópica em Pedras Cinzentas não notariam. Eles aplaudiram com entusiasmo choroso e, embora sua bolsa não estivesse cheia, sua mesa estava.
Jaskier sentiu-se muito longe dos tapinhas de felicitações nas suas costas.
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Um mês se tornou dois, depois três, depois um ano se passou e Jaskier teve que sentar e respirar fundo algumas vezes quando se deu conta disso. Um ano se passou e Geralt não o procurou. Um ano se passou, e Jaskier manteve a esperança de que talvez, apenas talvez, o bruxo não quisesse isso. Que talvez eles pudessem conversar, se resolver.
Jaskier nem tinha ouvido falar do lobo branco de Rívia.
Em algum lugar entre o primeiro mês e o quinto, Jaskier começou a considerar que Geralt havia ficado longe, que ele disse o que disse por uma razão. Talvez Jaskier tenha feito todas essas coisas. Talvez ele tenha sido culpado de tudo o que foi acusado. Depois disso, foi ladeira abaixo. Isto é, mais do que já estava.
Apesar de ser um romântico incorrigível, Jaskier não realmente acreditava em almas gêmeas, nem colocava muito peso no julgamento do Destino. Mas agora ele podia sentir no fundo da medula uma corda tensa toda vez que pensava em Geralt. Uma corda sob uma angústia espetacular, que havia se desfazido e perdido a cor, e a única coisa que a mantia ainda era uma linha muito fina que parecia gritar e implorar por descanso. Às vezes, se ele estava cansado o suficiente, ou bêbado o suficiente, ele achava que podia a ver. Ele se sentia cada vez mais cansado quanto mais aquela corda índigo brilhante perdia seu brilho e sua resistência.
Ele sentia falta das aventuras e até da vida na estrada, dormindo sob as estrelas e acordando com o beijo da primeira luz do dia. Mas, acima de tudo, sentia falta dos sorrisos silenciosos de Geralt, de seu humor seco e até de sua constante expressão irritada. Verdade seja dita, ele também sentia falta de Roach, seus olhos brilhantes e conhecedores. Ele se arrependia de não ter se despedido dela.
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O Kingfisher era provavelmente a maior estalagem que Jaskier havia se apresentado. Talvez o maior lugar, ponto, se você não considerasse o palácio de Cintra. Ele gostava muito de fingir que aquela noite nunca aconteceu.
Quando ele se viu nos portões de Novigrad, não conseguia nem se lembrar de como chegou lá. E ele também não conseguia se lembrar de como acabara em um banquinho no Kingfisher com tantos clientes — ricos e importantes também — quase rastejando ao ouvir suas baladas.
Em outros tempos, ele estaria tendo o tempo de sua vida. Isso, bem aqui, era tudo o que ele sempre quis.
Mas o sucesso tinha um gosto amargo no fundo da garganta, pois ele nunca teria chegado aqui se não fosse por suas histórias dos feitos de Geralt. Parecia traição, ainda usá-los depois do que aconteceu, mas eles eram seu único conforto e depois sua única fonte de renda. Seu repertório se expandiu bastante, mas ele não amava nenhuma das músicas que compôs nesse meio tempo. As pessoas os amavam, as coisas genéricas que eram.
Jaskier nunca quis ser um bardo genérico.
Mas parecia que ele não tinha muita escolha, pois suas canções sobre empregadas sem nome e cavaleiros inexistentes superavam as poucas que ele realmente amava, aquelas sobre Geralt, sobre dragões dourados e lobisomens, princesas amaldiçoadas e reis tiranos derrubados. E um homem precisava de comida, mesmo que não tivesse mais certeza do que o fazia continuar.
Ele desempenhou seu papel, sorriu seu melhor sorriso, até conversou um pouco com os nobres que se aproximaram dele, mas por dentro ele se sentia como um estranho olhando para dentro. Uma voz distante dentro de sua cabeça parecia irritada por sua apatia, mas ele não podia ouví-la com clareza.
A noite estava longe de terminar, mas Jaskier francamente não aguentava mais tanto barulho. Depois de passar a maior parte do ano longe de pessoas ou com grandes lacunas entre as reuniões, a multidão o dominou. Era melhor do que a sensação morna de vazio que ele carregava, mas ainda era demais por enquanto.
Ele silenciosamente se afastou de seu poleiro sobre a mesa, os bêbados criando uma distração doce com seus altos gritos e promessas de castração, e subiu correndo as escadas para o quarto que lhe fora dada pelo tempo que ele quisesse se apresentar lá.
Assim que ele trancou a porta, seus ombros caíram, aliviados mas não completamente, e encostou a testa na parede.
Um minuto se passou com ele congelado e colado na parede. Ele sentiu vontade de chorar e não sabia o porquê. Ele se sentiu aliviado, mas agonizando nos cantos de sua própria cabeça, como quando seus pés foram pegos no pé da cama, quando você estava tentando ajudar sua mãe a movê-la e isso foi doloroso, droga, mas de alguma forma levando a madeira pesada de seus pés proporcionou um alívio muito breve e depois continuou sendo uma dor pulsante.
Jaskier tentou respirar controlado, movendo-se lentamente, como se ele se movesse mais rápido poderia provocar um ataque de pânico em si mesmo.
E ele estava certo.
Só que não foi ele se movendo rápido ou devagar que o empurrou no limite; Era a figura enorme que ele viu no canto do olho, encostada na janela, silenciosa e imóvel. Olhos amarelos queimaram um buraco em seu peito, o calor irradiando como uma flor desabrochando por dentro, como não fazia à tempos.
Jaskier permaneceu inerte, ainda meio virado para a porta, incapaz de piscar. Ele podia sentir o calor rapidamente se espalhando por seus braços e pernas como um banho quente depois de uma noite muito fria, deixando uma sensação de formigamento para trás que sentia como estática se parecia.
O calor passava por seus ouvidos agora, ensurdecedor em sua intensidade, e Jaskier sentiu como se não pudesse puxar ar suficiente em seus pulmões. Suas costas atingiram o chão antes que ele pudesse piscar novamente.
Ele não acordou de novo por um longo tempo.
Notas finais
A fic "original" em inglês eu postei aqui: https://archiveofourown.org/works/22262107/chapters/53160895 se tiverem preferência.
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