Unfolding
2 Roxo Amoreira
Notas iniciais
Ele estava quente.
Ele estava quente e não era o calor dos sentidos sobrecarregados, não era o calor da raiva ou da vergonha. Era calmante, tranquilizante e, por uma fração de segundo ele se lembrou de ser criança, embrulhado em tantas camadas quanto sua mãe poderia sufocá-lo contra o frio da manhã.
Abrir os olhos foi um processo lento, como se eles tivessem se colado fechados depois de uma boa soneca da tarde, quando você acorda com os membros pesados e desorientado. O teto que o cumprimentava era iluminado por faixas de laranja e vinho, as vigas projetando sombras sobrepostas que se olhadas de perto, quase se pareciam com animais.
Havia, em direção ao que Jaskier pensava ser uma porta, muitos ruídos vindos dela, mas abafados como se o barulho em si receasse perturbar a paz dentro da sala.
"Jaskier?" Veio da direita, seu nome murmurado com uma voz rouca. Ele achava que havia algo muito reconfortante nela. "Você está acordado?" A voz continuou, sussurrando como se falar mais alto fosse o quebrar. Jaskier virou a cabeça um pouco, seus movimentos ainda lânguidos.
Ele piscou.
Geralt ainda estava lá, sentado em uma cadeira pequena demais para ele com o cabelo caindo desgrenhado em volta do rosto angustiado.
Ele piscou e manteve os olhos fechados por um momento antes de abri-los novamente.
Nada mudou.
Jaskier olhou para o homem ao lado dele, imóvel como uma estátua. Dentro de sua cabeça, pela primeira vez em muito tempo, houve silêncio. Não a dormência que vem de chorar até dormir, mas o silêncio que somente a meditação profunda poderia trazer. Os olhos amarelos de Geralt ardiam tão brilhantes e intensos como sempre, e eles não deixaram o rosto de Jaskier.
"Você sabe onde está?" O bruxo tentou depois de um tempo não obter uma resposta. Ele parecia estar a um fio de cabelo de pular na cama e sacudir o bardo até obter algum tipo de reação.
Jaskier sentou-se lentamente, encostado na cabeceira da cama, sem tirar os olhos do bruxo. Ele juntou as mãos como se quisesse se assegurar de que ainda estava acordado, vivo e presente. Elas estavam tremendo.
"Em uma pousada" E a voz de Jaskier era baixa, trêmula e quase não estava lá. Sua cabeça estava silenciosa, mas clara, e ele não tinha de repente uma tirada de perda de memória. Ele sabia que sua voz estava bem até desmaiar. Ele olhou ao redor da sala rapidamente, notando apenas a armadura de Geralt jogada na mesa de canto e as espadas perto da porta, onde ele largou o alaúde.
Com medo do que poderia ter acontecido, Jaskier olhou de volta para o bruxo, apontando para a garganta. O rosto de Geralt era uma mistura muito confusa de emoções que mudavam rapidamente, então Jaskier nem tentou decifrá-las.
"Você dormiu por uma semana." ele ofereceu, sua voz ainda estranhamente gentil. "Nenhum dano duradouro, você só precisa se acostumar a falar novamente." Geralt levantou-se, atravessou para o outro lado da sala e voltou com apenas cinco passos, carregando uma caneca cheia até a borda. Ele ofereceu para o bardo pegar, seu medalhão tilintando como sinos contra os botões de sua camisa. Jaskier apenas olhou entre ele e a caneca, olhos incertos. O bruxo apertou os lábios em uma linha muito fina antes de falar,
"Água. O estalajadeiro trouxe isso, junto com comida." Jaskier aceitou a caneca então, bebendo tudo de uma só vez, mas ainda mantendo o bruxo à sua vista.
Depois que a água se foi, eles ficaram no lugar como animais se fingindo de mortos. Geralt não se moveu nem um centímetro de sua posição ao pé da cama.
"O que aconteceu?" Jaskier soltou em um suspiro, tom fraco. Ele colocou a caneca de lado, balançando as pernas para fora da cama e avançando na direção do bruxo, tentando forçar seu discurso a parecer firme. "Por quê você está aqui?" Foi quase implorativo, se não pela urgência do seu tom. Geralt olhou para baixo, as mãos fechadas ao redor do poste da cama.
"Eu acho que você deveria se-"
"Me responda!" Jaskier forçou a sair, uma dor aguda como perfurações de agulhas emergindo de seu pescoço. Não era um comando gritado, e Geralt não acreditou que Jaskier teria gritado, mesmo que sua voz não estivesse comprometida.
"Vim me desculpar." As sobrancelhas de Jaskier se ergueram prontamente para perto do seu cabelo. "É verdade", disse Geralt olhando para ele de novo, olhos sérios.
"Pedir desculpas. Pelo quê?" Não poderia ser por causa de ...
"As coisas que te disse na montanha. Eu não realmente qui-"
"Isso ocorreu há um ano." Jaskier sibilou. "E agora você vem ... pedir desculpas?"
"Você se foi!" O bruxo soltou-se da cama e avançou sobre o bardo, segurando-o pelos ombros. "Nem Yennefer conseguiu encontrá-lo. Nenhuma taberna falou seu nome, nem um único aldeão o viu."
"Eu estava em todas as tabernas daquela montanha maldita até aqui! Todo mundo já me esperava passar". Ele sussurrou alto, e honestamente isso foi o melhor que ele pôde fazer. "E você não é um dos melhores rastreadores? Para o inferno que você não conseguia me encontrar. Você simplesmente não queria." Ele se libertou do aperto que as mãos muito quentes e muito grandes tinham sobre ele, apontando um dedo trêmulo para cima no nariz de Geralt. "Então eu pergunto novamente, por que você está aqui?"
O bruxo parecia que comeu um peixe rápido demais e esqueceu de tirar a espinha.
“Essa é a verdade. Eu me arrependi do que disse no momento em que disse, Jaskier. Mas quando parei na estalagem no sopé da montanha, você se foi, e não havia mais vestígios. Yennefer disse que magia a estava escondendo, e não havia maneira de saber que tipo de merda você conseguiu para se esconder, só que ela não conseguiu quebrar. " Esse foi provavelmente o mais que Jaskier já ouviu Geralt falar. Ele levantou o pescoço para olhar nos olhos do bruxo, na mesma altura, e se ele não soubesse melhor diria que eles pareciam assombrados.
"Eu não acredito em você." Ele murmurou. "Você deixou claro o quanto queria que eu fosse embora. Você nem gostava de eu ir junto." Geralt balançou a cabeça, frenético.
"Eu estava decepcionado comigo mesmo e descontei em você! Eu não quis dizer aquilo, nada do que eu disse." Ele fez uma pausa para respirar fundo. "Por favor, me escute." E essa foi a primeira vez que Jaskier ouviu isso.
"Por que você diria coisas tão cruéis se realmente não quis dizer nenhuma delas? Essas coisas ... Essas coisas só saem depois de muito tempo mantendo-as sob chave e cadeado, bruxo." No título, Geralt visivelmente se encolheu como se tivesse sido atingido no rosto por um tijolo.
"A verdade é ..." Geralt parecia estar se perdendo na agonia de ser escandalosamente honesto. "Eu estava com medo do dia em que você partisse. Você não podia viajar comigo para sempre, o caminho não é um lugar para gente como você. Mas eu me acostumei..." Jaskier foi chocado ao silêncio. Geralt estava olhando para a lareira, todo o corpo rígido, braços colados ao seu lado. "Eu ... não queria andar sozinho de novo. Mas você iria embora, eventualmente."
"E então você me empurrou para longe antes que eu pudesse te deixar." Jaskier sussurrou, embasbacado. Geralt se recusou a olhar para ele, mas fez um breve aceno de cabeça. "Isso não foi ... muito maduro da sua parte." Ele não pôde deixar de dizer, sem malícia em seu tom. O bruxo fez uma cara resignada.
"Nem todos nós somos tão habilidosos." Respirando no ritmo de alguém se preparando para algo muito perigoso, Geralt olhou para Jaskier diretamente: "Sinto muito. Pelo que eu disse. E por ser egoísta". E foi a maneira como ele entregou, quase como uma criança lendo as desculpas que sua mãe disse que ele deveria dar, que fez o bardo sorrir.
"Você me quer por perto, então." Geralt parou por um momento, tentando decidir se o bardo estava brincando com a vunerabilidade do bruxo, e então ofereceu um pequeno sorriso.
"Mais do que você imagina."
—---
Estava ficando claro de novo lá fora e Jaskier tinha comido o suficiente para duas legiões redanianas quando Geralt perguntou em voz baixa.
"Então, o que você arranjou para ficar escondido?"
"Eu te disse, não estava me escondendo." Jaskier disse, levantando-se do seu poleiro de cabeça para baixo na cama "Eu não fiz nada além de ir de pousada em pousada". Geralt cantarolou, não convencido, colocando os pés em cima da mesa.
"Então alguém te queria fora de vista. Você comprou roupas novas?" Uma batida passou e, em seguida, Jaskier estava se lançando do outro lado da sala para sua mochila, onde descansava uma pequena bolsa amarela do couro mais macio.
"Borch me deixou isso." Ele ergueu a sobrancelha franzida. "Vi quando estava na primeira pousada; estava cheia de moedas. Você acha que isso é mágico?" Geralt estendeu a mão e Jaskier deu uma corrida estúpida de volta imediatamente.
"Hmm. É. Mas não cheira a ... magia maliciosa." O bruxo disse, virando-o em suas mãos. "Parece leve em energia, então o que quer que seja não pode ter sido o que causou a interferência."
"Oh." Jaskier diz com esperança, um sorriso sonhador aparecendo em seu rosto. "Você acha que é mais uma coisa de proteção então? Ou um sinal de amizade?" Geralt bufa, virando o rosto como se quisesse escondê-lo.
"Você gostaria disso, não gostaria?" Ele balançou a cabeça quando o rosto de Jaskier ficou levemente rosado. "Provavelmente é. Não imagino que tenhamos que ficar muito preocupados com isso."
"Mas precisamos nos preocupar?" Jaskier perguntou, tentando entender a lógica do bruxo. Geralt assentiu novamente.
"Algo aconteceu, Jaskier. Ou eu teria encontrado você mais cedo. Como você disse, eu sou o melhor rastreador por aí". Era para ser uma brincadeira, mas suas palavras deixaram um sabor agridoce no ar. Ele e o bardo se entreolharam por um momento.
"E isso pode esperar?" Geralt sorriu então, não se virando completamente para esconder. O calor que isso emprestava ao seu rosto era absolutamente algo sobre o qual Jaskier escreveria poesia sobre, mesmo que apenas para sua própria mente.
"E isso pode esperar."
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