Unfeeling
21 XX. Move on
Notas iniciais
A tela ia ganhando cor a medida do tempo. A morena estava tão concentrada, que nada poderia desviar a sua atenção. Já estava no galpão a um bom tempo, e não pretendia sair dele antes que acabasse. Havia acordado e nem ao menos tomou café antes de sair. O sonho que teve ainda estava vivo em sua mente.
Lembrava de se sentir muito bem nos braços do loiro, enquanto passavam um dia agradável no terraço que ela gostava. A simples imagem deles dois juntos, conversando, rindo e uma vez ou outra se beijando, tinha feito com que ela acordasse com o corpo todo arrepiado e o coração quase explodindo de tão rápido que batia. Fora um sonho simples, mas que tinha deixado ela perturbada. Queria desesperadamente entender o que era isso que sentia ao pensar em Naruto, ao estar do lado dele. Era tudo tão confuso.
Suspirou, dando os últimos retoques na pintura. Os olhos azuis a hipnotizavam. Realmente tinha ficado bom o resultado. Quase podia ser comparado com os olhos dele. Mas nunca conseguiria surtir o mesmo efeito de quando olhava diretamente para as safiras.
De todas as coisas que a faziam ficar fissurada em Naruto, os olhos estavam em primeiro lugar. E ela admitia para si mesma que eles eram capazes de deixá-la sem ar. Não que ela demonstrasse isso.
Guardou os pincéis em seu devido lugar, colocando o quadro junto com os outros. Realmente havia conseguido descobrir sua vocação. Pintar era a segunda coisa que ela mais gostava. Suspirou, pensando na primeira. Porque Naruto sempre tinha que estar na sua mente?
Apagou as luzes e fechou o galpão.
Pensar em Naruto já havia virado uma rotina. Ela não controlava mais seus pensamentos. Hinata imaginava que deveria se sentir frustrada por isso, mas o máximo que conseguia sentir era um estranho alívio. Porque pensar em Naruto a ajudava a entender esse estranho sentimento dentro de si.
Não era tão ingênua. Já havia pensando que estava começando a gostar demais dele. Mas o pensamento era estranho demais para ela. Como poderia ser possível? Nunca havia imaginado que ela poderia acabar se apaixonando também. Nunca pensou que ele iria fazer tanta falta quando partisse. Mais uma vez, estava fadada a perder alguém importante. Felizmente, a situação era diferente da de seu pai. Mas não menos dolorosa.
Suspirou, revirando os olhos diante de tantos suspiros que deu durante o dia. Pilotar pela cidade não estava surtindo o efeito que queria. Ela desejava ardentemente estar com Naruto. No entanto, estranhamente estava sem coragem de vê-lo. Quando havia se tornado tão insegura?
Com o pensamento de que deveria parar de ser tão idiota, rumou até a casa do Uzumaki.
~
Ultimo dia.
Apesar de levemente perturbado e extremamente ansioso, Naruto se sentia animado em começar a faculdade. Precisava aliviar seu corpo e mente, e nada melhor do que um novo lugar, longe de tudo e de todos. Não que fosse ingrato. Realmente sentiria falta de todos, e também não deixaria de manter contato com eles. O problema era que precisava se focar em seu objetivo e sonho. Porque corria um sério risco de se desviar dele.
Hinata era a única coisa que o fazia esquecer tudo o que sempre sonhou. Era sempre tão maravilhosamente bom estar com ela, que tudo que ele sempre havia planejado sumia da sua mente. Como uma droga que te dá um status de felicidade parcial. Era sempre ruim quando o efeito acabava.
Por isso precisava manter a mente focada. Seu estúpido coração o tentava a ir por outro caminho. E ele sabia o quão doloroso era se manter nesse caminho. Hinata poderia ter ficado mais receptiva com ele, e também tiveram um momento intimo — corou ao pensar nisso — mas isso nunca mudaria nada. Ela não iria aparecer falando que o ama e adoraria ficar com ele. Não. Isso somente aconteceria em seus mais profundos sonhos.
As malas prontas, no canto do quarto, faziam seu estômago se revirar em uma mistura de expectativa e apreensão. O tic-tac do relógio parecia alto demais, como se fosse um alerta irritante, indicando a passagem do tempo.
Sasuke havia saído de sua casa a pouco tempo, alegando ter um encontro com Tenten. Era bom ver que o amigo havia tomado jeito. Nunca imaginou que um dia alguém iria domar o Uchiha. Riu com gosto, lembrando da cara um pouco avermelhada de Sasuke, ao falar de Tenten.
O sorriso foi morrendo aos poucos, fazendo com que ele suspirasse descontente. Porque não conseguia se sentir completo? Porque não parava de pensar nela?
Estava começando a se irritar de verdade. O pior é que não sentia raiva dela, mas sim dele mesmo. Porque no final das contas, ele que fora o ingênuo que acabou se apaixonando por quem não devia.
– É, a vida é mesmo uma droga – sorriu amargurado.
Com a cabeça a mil, decidiu sair e tomar um ar. Parecia uma boa opção no momento. Não era muito legal ficar em casa sozinho, e ainda por cima com pensamentos depressivos. Sua mãe estava saindo constantemente com Jiraya. Não queria nem imaginar o que aquele pervertido estava fazendo com ela.
O tempo havia esfriado, então se agasalhou e trancou a casa assim que saiu. O ar frio era agradável. Parecia dar algum resultado, aliviando um pouco a dor de cabeça que estava sentindo por conta de tantos pensamentos.
Como estariam as coisas quando ele retornasse? Imaginava que o amigo estaria liderando a empresa, e estaria casado com a sua tão amada Tenten. Riu com gosto disso. Sua mãe provavelmente ficaria com aquele pervertido, afinal eles sempre foram apaixonados um pelo outro.
Mas, mesmo que se esforçasse o máximo possível, ele não conseguia imaginar como estaria Hinata. Não que ele não acreditasse em um bom futuro para ela. É que, por ela ser tão misteriosa desde sempre, ele já se conformava que com toda a certeza seria surpreendido. Só não sabia dizer se seria uma boa surpresa.
Parou em uma lanchonete, e comprou um café forte e bem quente. Só pelo pouco tempo que andou, já sentia seus membros protestarem pelo frio. Andou até o parque, se sentando nos bancos afastados. Certas horas era bom ficar sozinho. Em sua mente levemente ingênua, ele imaginava que ficar o resto dos dias sem vê-la, poderia tornar mais fácil sua partida.
Como sempre ele se enganava.
Nada tornaria mais fácil. Porque nada poderia apagar o que se passou, e tudo ficaria guardado para sempre dentro dele. Mesmo que nunca mais a veja. Então, por que se negava a procurá-la? Qualquer pessoa no lugar dele estaria aproveitando os últimos minutos que restam.
Se levantou depressa, forçando suas pernas congeladas a andarem o mais rápido possível. Não sabia se ela estaria em casa, mas iria pelo menos tentar. Se não desse certo, ele pelo menos havia tentado. "Nunca deixe o medo de errar impedir que você jogue.", era uma frase boa para esse momento, pensou.
Depois de alguns minutos de caminhada, sentindo seu corpo virar uma pedra de gelo, ele finalmente chegou na casa de Hinata. Estava prestes a tocar a campainha, quando escutou o barulho da moto atrás de si. Sabia que ao virar, estaria dando início ao que havia decidido. Fechou os olhos e pediu força e coragem.
Hinata estava tirando o capacete, e assim que ele pode ver o rosto dela, sentiu o coração vibrar loucamente. O rosto dela parecia um pouco confuso, em uma mistura de tensão e alívio. Não era algo que Naruto poderia entender no momento, apesar de querer desesperadamente isso.
Esperou ela guardar a moto na garagem, sentado em frente a porta, apesar de estar congelando. Não sabia dizer porque não entrou logo. Talvez fosse porque ele sabia que tinha muitas chances de se deixar levar, sem cumprir o que tinha decidido. Ali fora, juntamente com o ar frio, ele estaria mais alerta.
Ouviu os passos dela, e seu coração saltou no peito. O rubor cobriu seu rosto ao olhar as pérolas que lhe encaravam curiosas. As palavras não pareciam querer sair, e ele não sabia dizer quantas vezes havia aberto a boca para falar. Seria engraçado se não fosse totalmente constrangedor. Naruto suspirou, lembrando a si mesmo que não tinha tempo para protelar.
– Boa noite, Hinata.
Surpreendeu a si mesmo ao sentir a segurança em sua voz. Com toda a certeza escolhera uma boa hora para fazer isso.
– Boa noite.
A voz dela sempre seria música para seus ouvidos. Chegou um pouco para o lado, indicando que ela poderia sentar se quisesse. Naruto sentiu aquela corrente elétrica de sempre quando ela sentou do seu lado, e tentou não encará-la demais. Sabia que não tinha mais controle de si mesmo perto dela.
– Então, como vão as coisas?
Merda! Que pergunta idiota, pensou. Já estava começando a ficar nervoso, precisava acabar com isso logo.
– Bem, eu acho.
Hinata deu um sorriso divertido, deixando o loiro encantado por um momento. Ele sabia que deveria estar fazendo a maior cara de bobo, mas não se importou. Já havia decidido que aproveitaria seus últimos minutos. Desviou os olhos dela, soltando um suspiro profundo antes de começar a falar.
– Bom, não era exatamente isso que eu queria falar... – coçou a nuca, totalmente nervoso e constrangido – Acho que você deve saber que amanhã estarei viajando. Nas últimas semanas eu pensei bastante sobre isso, mas só agora tive coragem de tomar alguma iniciativa. Pensei: como eu me sentiria quando lembrasse de tudo e me questionasse do porque eu nem ao menos tentei? Então, por isso eu vim até aqui – soltou um riso ansioso, olhando para suas próprias mãos – Sei que o que falo não deve estar fazendo nenhum sentindo, mas...
Sentia os olhos dela em si, e com um jorro de coragem, encarou os olhos dela antes de completar:
– Eu te amo, Hinata.
O rubor queimava em suas bochechas, mas ainda sim ele se manteve firme. No máximo ganharia um olhar indiferente dela, mas não deixaria isso o abalar.
– Te amo a muito tempo. Não sei como e nem o porque disso. Só sei que amo com toda a minha vida. Não digo isso para forçá-la a algo. Não mesmo. Falo isso porque me sentirei muito melhor ao partir, sabendo que fiz tudo ao meu alcance. Sei que você nunca sentirá o mesmo – sorriu sem vontade, encarando os olhos pérolas concentrados nele – mas isso não importa. Me sinto melhor agora que deixei isso claro.
O silêncio que se seguiu não foi do tipo incômodo. De certa maneira, Naruto se sentia aliviado e compreendia a falta de palavras da morena. Agora não existia a desculpa de estar dormindo. Estava se confessando pessoalmente. Não era tão assustador como imaginava.
Seu coração ainda batia acelerado, e depois do jorro de coragem e adrenalina, ele já começada a bater os dentes de frio. Esfregou os braços com as mãos, afim de pelo menos espantar um pouco o frio. Olhou meio de lado para Hinata, que estava encarando a rua com olhos perdidos. Decidido a não incomoda-la, o loiro levantou suavemente, ganhando a atenção de Hinata.
– Aonde vai?
Naruto corou, tentando focar seus olhos nos dela.
– B-Bem... E-Eu vou pra c-casa. A-Acho que você vai querer ficar s-sozinha agora, e-então...
Fechou os olhos, se punindo em pensamentos por ter deixado a voz gaguejar como sempre. Hinata ficou o encarando por um tempo, a expressão séria o deixando mais nervoso. Por fim, ela sorriu levemente, se levantando e parando na frente do loiro. Próxima demais. Naruto inspirou o cheiro único dela, revirando os olhos em deleite. Ele sabia que faria tudo que ela quisesse a partir de agora.
– Que tal entrarmos? – Hinata colocou os braços ao redor do pescoço do loiro, enquanto falava no ouvido do mesmo – Vai estar bem mais quente – beijou levemente o pescoço dele, sentindo ele estremecer.
Naruto se encontrava em um conflito interno. Ele sabia o quão difícil já seria partir sem isso. Com toda certeza iria sofrer depois. No entanto, não sabia como negar isso ao seu corpo e coração. E também já havia decidido que iria aproveitar seus últimos minutos com ela. Ele queria possuí-la. E iria.
No final, sempre se renderia a ela.
Agarrou a morena pelos cabelos, capturando os lábios macios e viciantes dela. Puxava o corpo dela o máximo possível contra o dele, ouvindo os gemidos extasiados dela. Uma parte da sua mente o alertava que deveria estar morrendo de vergonha nesse momento, mas não causava efeito algum em Naruto. Tudo que queria era ela. Pelo menos mais uma vez.
Interromperam o beijo para entrar na casa, dando continuidade assim que a porta se fechou. Hinata sabia que não daria tempo de irem para o quarto, então foram andando em direção a biblioteca, esbarrando em alguns móveis pelo caminho. A morena trancou a porta ao entrarem, e logo foi puxada pelo loiro. Adorava quando Naruto perdia a cabeça.
Hinata não sabia dizer o que havia dado nela para provocá-lo. Mas vê-lo indo embora, não era uma opção para ela. Na hora em que se deu conta de que poderia ser a última vez que iria vê-lo, ela não pensou em mais nada. Sua falta de controle nos últimos dias não era algo que a incomodava, não mais.
Deitados no sofá da biblioteca, se beijando intensamente, nenhum dos dois pensava no futuro. A única coisa que importava era o agora.
Durante toda a noite, Naruto não deixou de dizer o quanto a amava. Não ligava para a falta de resposta de Hinata. Se contentava somente com as reações que provocava no corpo dela. No modo como se arrepiava, quando ele beijava cada pedaço do corpo dela. Nas mãos que o agarravam e arranhavam, sempre o puxando mais e mais em sua direção. Nos beijos envolventes e carícias ousadas. O loiro registrava tudo com o máximo de atenção.
Porque no fim, era isso que ele levaria consigo. Cada lembrança de Hinata. As que viveu com ela, principalmente.
Quando enfim se deitaram exaustos, Naruto colocou a cabeça da morena em seu peito, e acariciou os fios negros até que ela adormece-se. Dormiu logo depois dela, com um sorriso nos lábios e coração leve.
~
A parte mais difícil, no entanto, foi na hora de partir.
Somente Sasuke e sua mãe haviam ido até o aeroporto. Mas não era algo que deixasse o loiro chateado. Na verdade era um pouco mais fácil, já que não gostava muito de despedidas.
Tsunade havia ficado uns bons vinte minutos, somente o abraçando enquanto chorava. Para Naruto foi difícil ver a reação da mãe. Sempre conviveu com a imagem da mulher forte e inabalável, por isso era meio estranho passar por algo assim.
Depois do loiro a consolar, e ouvir alguns comentários sobre não ter dormido em casa novamente, coisa que o fez corar, ele foi se despedir de Sasuke.
O moreno não chorou, como era de se imaginar. Mas o simples ato de abraçar Naruto, já dizia muito. Sasuke apesar de ser bem extrovertido, nunca foi muito bom com sentimentos. Mas Naruto entendia bem até demais o amigo, por isso não era preciso trocar muitas palavras. Combinaram de sempre manter contato, e selaram a despedida com um aperto de mãos.
Antes de Naruto terminar de caminhar em direção ao portão de embarque, ouviu passos apressados atrás de si e se virou a tempo de ver Hinata andando até ele.
Imediatamente se sentiu nervoso, tentando sem sucesso esconder esse fato. Desde que havia acordado com ela em seus braços, e se despedido com um beijo nos lábios rosados dela, tinha decidido guardar isso no fundo da mente e do coração, pelo menos até que já estivesse fora do país.
E, contrariando todas as suas próprias expectativas, ali estava ela, a menos de trinta centímetros dele. Naruto começava a pensar se isso poderia se tornar ainda mais complicado.
Ele tinha certeza que sim.
– Bom dia, Naruto.
Ele sentiu que seus olhos estavam um pouco arregalados, e no momento seu coração batia descontroladamente, fazendo com que sua pulsação fosse o único som a ser ouvido. Mas na sua mente, a palavra se repetia, como um pisca-pisca infinito.
Bom dia, Naruto.
Naruto.
Pela primeira vez, Hinata falava seu nome.
Ele sempre quis ouvir seu nome sair pela boca dela, e isso era uma das coisas que já havia desistido de esperar. Parecia impossível e irônico que ela somente tenha falado agora. Exatamente na hora do adeus.
– B-Bom d-dia, Hinata...
Sua voz denunciava toda a sua surpresa, e mesmo que tenha saído trêmula de um jeito que ele detestava, Naruto não se importava no momento. Ainda estava encantado com a voz melodiosa dizendo o seu nome.
O silêncio se tornou um pouco estranho depois de um tempo. O loiro coçou os cabelos da nuca, sorrindo meio sem graça. Hinata não demonstrava muita coisa, e somente depois de Naruto desviar os olhos dela devido a vergonha, foi que ele reparou no envelope nas mãos dela.
– Não vou tomar muito seu tempo, sei que precisa pegar o avião.
Ele já ia abrir a boca para reclamar, dizendo que ela nunca atrapalhava, mas as mãos dela lhe estendendo a carta o deixaram sem fala. Não sabia bem o que falar, mesmo assim, pegou a carta que lhe era oferecida.
– Espero que faça uma boa viagem.
Naruto a olhou, observando o modo como o vento balançava os cabelos dela, a luz que era refletida nos olhos pérolas, os lábios, que no momento estavam repuxados no sorriso único. Aquele que, mesmo que fosse simples, ele amava. Era uma bela imagem para se levar.
– Obrigado Hinata.
Sua garganta travou na hora de dizer adeus, e rapidamente reprimiu as lágrimas que queriam vir a tona. Não poderia estragar esse momento com lágrimas. Sorriu para ela, mesmo que seu coração doesse por deixá-la.
Virou de costas e caminhou rapidamente, ouvindo seu vôo ser anunciado nos alto-falantes. Enquanto esperava na fila, ficou encarando a carta em suas mãos, remoendo a curiosidade que o atiçava.
O processo do embarque demorou no máximo uns vinte minutos, e quando Naruto se viu sentado em sua poltrona, pode enfim respirar aliviado. Abriu a carta com todo o cuidado do mundo, sentindo sua pulsação disparada. Respirou fundo, e começou a ler.
"Naruto,
Quando acordei hoje de manhã e me vi sozinha, decidi que lhe escreveria essa carta pelo fato de que sabia que não conseguiria me despedir adequadamente. Já faz um tempo que venho pensando em uma maneira de lhe agradecer.
Ontem a noite, antes de eu te encontrar em frente da minha casa, eu tinha ido até a sua. Tomei a decisão assim que tinha saído do galpão. Já tinha planejado o que iria te falar e tudo. No entanto, eu não te encontrei lá. E depois, quando conversamos, o assunto meio que se perdeu dentro de mim.
Sei que somente lhe agradecer não seria o suficiente, mas pelo menos é alguma coisa. Deve estar se perguntando o porque disso. Bom, você fez muitas coisas Naruto.
Antes de você chegar, eu somente sabia uma coisa: que a morte era certa, no fim. Não tinha objetivos, muito menos amigos próximos o suficiente. Mas, eu não ligava para isso. A morte do meu pai me tirou toda a vontade de viver. Ouve um tempo em que eu desejava estar no lugar dele. Sei que provavelmente é um pensamento estúpido, agora eu sei.
Então você chegou, no momento que eu já havia desistido de viver a muito tempo. Eu me lembro de pensar: O que esse garoto pensa que está fazendo? Não vê que eu não tenho mais solução?. Agradeço por ter insistido. Porque mesmo que já tivesse conformada com minha solidão, no fundo, eu imaginava como seria ter minha vida de volta. Os momentos que você me proporcionou foram muito bons. Guardarei todos eles comigo.
Então, agradeço por tudo que fez, tentando me tirar da escuridão. Depois que te conheci, comecei a sonhar em cores. E isso é muito para alguém que era apenas conhecida por viver no escuro. Muito obrigada novamente, e me desculpe por não ser capaz de lhe dar a resposta que deseja. Espero sinceramente que realize todos os seus sonhos.
Adeus, Naruto."
Naruto só percebeu que estava chorando, quando viu os pingos molhando o papel. O mais engraçado era o sorriso estampado em seu rosto. Porque mesmo que estivesse triste pelo ''adeus'', se sentia feliz pelas palavras que havia lido. Feliz por saber que havia proporcionado boas coisas em Hinata.
– Desculpe me intrometer, mas está tudo bem com você?
O loiro se assustou um pouco, enxugando as lágrimas e olhando para o lado. Uma senhora que deveria ter idade para ser sua avó, o encarava com dúvida. Tinha olhos castanhos e cabelos grisalhos. Parecia realmente preocupada.
Naruto sorriu, guardando a carta e respirando fundo antes de responder.
– Não sei dizer ao certo. Mas vou melhorar, eu acho.
A senhora sorriu, mostrando as rugas que marcavam suas bochechas e olhos, e estendeu a mão para cumprimentá-lo.
– Me chamo Hikari, prazer em conhecê-lo meu jovem.
Ele apertou a mão dela, sorrindo de volta.
– Naruto. É um prazer também senhora.
Hikari segurou a mão de Naruto com as duas mãos, e olhou dentro dos olhos dele.
– O amor realmente machuca, jovem Naruto. Mas quando se ama de verdade, ás vezes a dor acaba valendo a pena. Porque se for para dar certo, todo seu sofrimento será recompensado.
O loiro retribuiu o olhar dela, repassando as palavras em sua mente. Nunca se imaginou passando por isso, sendo consolado por uma senhora desconhecida. Sorriu caloroso para ela, assentindo levemente.
– Obrigado senhora Hikari. Espero realmente que dê tudo certo.
E enquanto Hikari lhe contava o motivo da sua viajem, Naruto olhou pela janela, dando um breve adeus para sua cidade.
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