Unfeeling
22 XXI. With you
Notas iniciais
6 anos depois...
Sentia o movimento do avião se preparando para descer, tão levemente que só alguém que já tenha sentido poderia reconhecer. Ainda era bem cedo, tanto que poderia observar o sol nascendo pela janela ao seu lado. A maioria dos passageiros ainda dormia tranquilamente, e o silêncio era aconchegante, diante do caos que era a mente dele.
Durante toda a viagem, Naruto não havia conseguido pregar os olhos. Não que não tenha tentado. O loiro fez de tudo e mais um pouco para dormir, querendo desesperadamente fechar os olhos e se perder no mundo de sonhos que era seu refúgio. E depois de falhar todas as vezes, ele preferiu apenas olhar para o teto, enquanto sua mente se perdia nos últimos acontecimentos de sua vida.
O tempo que passou nos EUA, fizeram muito bem para ele. Teve muita sorte de ter conhecido a senhora Hikari no voo para lá. Ela o ajudou muito em todos esses anos. Era uma companhia muito agradável. Aquela senhora havia sido como uma mãe e avó ao mesmo tempo. Seria eternamente agradecido.
A faculdade fora uma das melhores experiências da sua vida. Conseguiu arranjar ótimos amigos, que lhe deram forças nos momentos de recaída. O que, infelizmente, foram muitos. Os dois primeiros anos foram muito difíceis para o loiro. Mas apesar de todo o sofrimento que tinha que passar, acordando todo dia com o coração explodindo de saudades, ele não deixava nada disso afetar seus estudos.
Conseguira ótimas notas, e se formou com muitas propostas de trabalho ao seu dispor. A grande maioria era para trabalhar nos EUA, e ele havia ficado um ano em um dos hospitais mais conhecido de lá. No entanto, sentia falta de casa. Falta do aconchego da mãe, que sempre lhe dava ótimos conselhos quando precisava. Falta de Sasuke, do companheirismo dele que nunca se perdeu, mesmo com todos esses anos. E principalmente, sentia falta dela.
Nas conversas constantes que teve com Sasuke, ele nunca mencionava nada sobre ela. Naruto também nunca havia perguntado, talvez por medo. Medo do que descobriria, medo de saber que ela poderia ter se tornado ainda mais inalcançável. Muitas vezes percebia uma agitação estranha na voz do amigo, como se ele tivesse algo para contar. Era estranho e totalmente perceptível, porque a conversa se perdia do nada nesses momentos. E apesar de sua total curiosidade, ele nunca perguntava. Porque ele sentia que era relacionado a ela. E cada vez mais ele se sentia despreparado para isso.
Havia se tornado um covarde.
Suspirou, mexendo no bolso do casaco e tirando a carta de lá. O papel estava marcado e desgastado, as partes onde fora dobrado estavam bem evidentes. A carta que tinha recebido dela, a seis anos atrás, sempre o acompanhava aonde quer que ele fosse. As palavras ali contidas, estavam gravadas com ferro na sua mente e coração. Era estranho, porque apesar de ser uma carta de despedida, ele se acalmava quando pegava para ler.
Ouviu o anuncio de que estavam aterrissando, e foi impossível não se sentir ansioso. Não havia contado a ninguém que chegaria hoje, queria fazer uma surpresa. E principalmente, não queria que ela soubesse de nada. Mesmo que estivesse morrendo de saudades, não era sua intenção perturbá-la com algo do passado. Não queria ser uma sombra na vida dela.
Os passageiros foram descendo aos poucos, alguns com uma expressão saudosa no rosto, outros com um semblante sério e concentrado, o que dava na cara que tinha assuntos relacionados a trabalho por aqui. O loiro não sabia dizer como estava sua expressão. Conseguia sentir o sentimento de saudade explodindo no seu peito, o sufocando de uma maneira não tão angustiante, talvez por saber que logo iria suprir essa necessidade.
Muitas pessoas estavam com placas escritas no aeroporto, esperando pelas pessoas a quem lhes interessava. Ele observou uma mulher correr para os braços de um homem, vendo o modo como o abraço se apertava cada vez mais, e terminava com um beijo intenso. Não conseguiu evitar o aperto no peito ao ver a cena. E o aperto se intensificou, quando olhou para o mesmo lugar em que havia se despedido dela. Teve que esfregar o rosto para apagar o vislumbre que teve daquele momento. Ainda sentia o arrepio que o olhar dela lhe causou.
Assim que saiu do aeroporto, sentiu o vento refrescante bagunçando seus cabelos. Olhar a sua cidade novamente, fez com que um sorriso alegre se abrisse em seus lábios. Chamou um táxi, pedindo para que o deixasse no centro. Não estava preparado para encarar os olhos avaliadores da mãe. Não ainda. Precisava acalmar a mente um pouco.
Observou tudo pela janela durante o percurso. Não havia muitas mudanças. E constatar isso lhe causou uma inquietação no estômago. Será mesmo que nada havia mudado?!
Depois de pagar o motorista, lhe dando uma quantia a mais para que deixasse as bagagens em sua casa, começou a caminhar enquanto pensava na cara que sua mãe iria fazer ao ver somente as bagagens. Suspirou, prevendo uma longa noite de sermões. Não era algo para se importar, sentia tanta falta dela que não ligaria em ouvir sermões. Soltou uma risada abafada ao pensar nisso.
Caminhou por calçadas repletas de pedestres, gente de todo tipo, cada um com seus próprios assuntos a tratar. Reparou no modo que as mulheres o olhavam, e corou com isso. Mesmo que muito tempo se passe, nunca conseguiria conter essa timidez. Mas agora entendia o que suas amigas da faculdade diziam. Elas sempre brincavam com ele, dizendo que ele arrasaria corações devido ao charme que não sabia que tinha. Suspirou, sentindo falta das pessoas que havia deixado para trás. Não via a hora de cumprir a promessa de visitá-los.
Uma aglomeração de pessoas chamou sua atenção, e ele se viu atraído pela loja em que todos estavam entrando. A fachada era simples, e não revelava nada sobre o que havia dentro. Ainda sim, ele quis entrar.
Assim que colocou os olhos nas paredes repletas de quadros, ele soube. Respirou fundo, se perguntando se alguém conseguiria ouvir as batidas furiosas do seu coração. Suas mãos já começavam a suar frio. Apesar de toda a explosão de sensações que lhe atingiam, ele não conseguiria ir embora. Não sem antes admirar todos os quadros, e se sentir orgulhoso dela.
A galeria era incrível. Além dos quadros, havia também esculturas. As pessoas ao seu redor comentavam sobre o trabalho incrível da autora, e ele sentia seu coração se aquecer com isso. Ela merecia tudo isso e muito mais. Não conseguia conter o sorriso bobo no rosto, enquanto olhava para as obras de arte.
Parou perto de um quadro particularmente familiar. Observando os detalhes atentamente, se sentiu corar da raiz dos cabelos até os pés. Era ele mesmo no quadro?!
O desenho estava bem realista, somente metade de um rosto era visível. Ainda sim, ele soube imediatamente que se tratava dele. O formato do queixo e do nariz era idêntico ao dele. Estava todo em preto e branco, e somente a paisagem que ele observava era colorida. Apesar da vergonha tremenda, o loiro observou cada detalhe com admiração.
Os quadros que estavam mais perto desse eram todos, de alguma forma, sobre o loiro. Os olhos azuis bem evidenciados na pintura, sua boca abrindo um sorriso envergonhado, suas mãos, pescoço, costas... Naruto sentia que poderia explodir de tão envergonhado.
Reconheceu os quadros que ela havia lhe mostrado no galpão, sorrindo nostálgico. Depois que havia terminado de observar tudo, reparou que uma boa parte das pessoas já haviam se dissipado. Pretendia sair e se encaminhar para o parque que ficava próximo dali, afim de pensar um pouco e aquietar seu coração desenfreado. No entanto, seus olhos se desviaram sem que percebesse para um canto do salão, e foi ai que ele se deu conta que ela estava ali.
Conversava calmamente com a recepcionista que ele havia visto quando tinha chegado ali. O loiro não pode deixar de reparar no quanto ela parecia mudada fisicamente. O cabelo um pouco mais curto, lhe deixava com um ar mais maduro. Seu corpo bem mais desenvolvido e bem delineado no vestido elegante que usava, faziam as bochechas de Naruto arderem, causando arrepios e pensamentos nada inocentes. Céus! O que ela fazia com ele? Respirou fundo, tentando recuperar o controle de si mesmo, mas sua respiração foi interrompida assim que ela colocou os olhos sobre si.
Ao ver aqueles olhos pérolas, no momento com um toque de surpresa, o observando de longe, ele não soube dizer que sentimento prevalecia dentro de si. Amor. Saudade. Angústia. Medo. Desejo. Tudo isso fazendo com que seu estômago se contorcesse desconfortavelmente. E a sensação se intensificou, quando captou o movimento sutil que os lábios dela fizeram, ao lhe direcionar um sorriso contido. Suspirou, reprimindo o impulso louco que teve de se aproximar e beijar-lhe os lábios. Só podia estar louco!
De repente se deu conta de que mesmo tendo se passado seis anos, ainda sim, ele estava ali novamente. Completamente, e ainda mais apaixonado por Hyuuga Hinata. Não sabia responder no momento se isso era bom ou ruim. Bagunçou os cabelos nervosamente, retribuindo o gesto dela com um sorriso tímido. E ao vê-la caminhando lentamente em sua direção, ele teve a certeza do quanto sua mente era boa em guardar detalhes. Ela parecia muito com a Hinata de seis anos atrás, Naruto só tinha medo de constatar se ela era ainda mais inalcançável do que antes.
– Naruto...
O loiro resistiu ao impulso de fechar os olhos ao ouvi-la pronunciar seu nome. A voz dela estava com um tom mais firme, no entanto ainda parecia com a antiga. Como ele tinha sentido saudades de escutá-la falar.
– Hinata...
Ele corou ao ouvir como o nome dela tinha saído rouco, e pigarreou para consertar a voz. Percebeu o sorriso de divertimento nos lábios da morena, e não pode evitar sorrir como um bobo.
– Chegou faz muito tempo?
– Cheguei hoje cedo. Quis dar uma volta antes de ir para casa. Aliás, meus parabéns pela galeria.
Hinata lhe direcionou um sorriso de agradecimento, fazendo as bochechas do loiro se avermelharem novamente.
– Eu estava de saída para ir almoçar, você me acompanha Naruto?
O loiro piscou os olhos rapidamente, tentando não demonstrar o quanto estava mexido com tudo isso. Assentiu ainda que envergonhado para ela, e os dois se encaminharam para a saída da galeria.
O caminho foi silencioso, o tipo de silêncio em que ambos se sentiam confortáveis. Naruto se permitia olha-la de vez em quando pelo canto dos olhos, e em uma dessas muitas vezes, ele se pegou suspirando enquanto a admirava. É claro que se reprimiu mentalmente por isso, lembrando a ele mesmo que não era mais um adolescente com os hormônios a flor da pele.
Entraram em um restaurante aconchegante, e sentaram em uma mesa que tinha a vista da cidade. Naruto observou que praticamente todos os funcionários conheciam a morena, e ele se sentiu incomodado quando um rapaz que devia ter a idade deles se aproximou para abraçar e beijar Hinata no rosto. Tentou realmente conter a careta de desgosto, e ficou aliviado por conseguir antes de Hinata voltar a encará-lo.
– Seu namorado não vai ficar irritado por você estar almoçando comigo em vez dele? – mordeu a língua tarde demais, e corou drasticamente ao se dar conta da idiotice que tinha feito.
Hinata levantou uma das sobrancelhas, em uma agradável expressão confusa.
– Namorado? Só se eu tiver virado homem. Hyde é gay – sorriu divertida para o loiro.
O loiro quis desesperadamente se jogar pela janela. Como havia ficado tão cego pelo ciúmes que nem havia reparado no jeito do cara? Analisando a cena com mais calma na sua mente, agora conseguia perceber como Hyde havia lhe olhado, e cochichado animadamente com Hinata. Claramente com mais interesse nele do que nela.
– Me sinto estúpido – sua voz saiu abafada, já que tinha as mãos no rosto devido a vergonha.
– Tudo bem. Acontece.
Ele ouviu o riso animado dela, rapidamente se esquecendo da vergonha que havia passado. Ela era ainda mais encantadora rindo. E ele se viu rindo junto com ela.
– Eu costumava vir aqui todos os dias, antes de abrir a Galeria. Fazia os rascunhos das pinturas enquanto almoçava. Acabei ficando bem próxima dos funcionários. Eles gostavam de me ver desenhar.
Isso explicava o porque de todos a tratarem com tanto carinho. Naruto sorriu com isso.
O almoço correu tranquilamente, com conversas descontraídas entre os dois. Naruto reparou em todas as mudanças visíveis em Hinata. Ela estava mais falante, fazendo com que ele ficasse um bom tempo somente a ouvindo contar a história da galeria. Sorria fácil agora, encantando o loiro com cada sorriso novo que ele descobria. Os olhos que eram tão solitários e misteriosos, estavam bem vívidos, brilhando sempre que ela falava ou sorria. Era uma Hinata totalmente nova a sua frente, ainda que ele conseguisse ver resquícios da antiga ali. O modo como ela olhava para ele ainda era o mesmo de antes, e ela ainda lhe provocava com seus sorrisos e olhar intenso. Era uma mistura de personalidade completamente agradável. E claro, ele ainda se surpreendia por corar tanto na frente dela.
– Senti saudades de te ver corar – Hinata soltou depois de um momento de silêncio agradável.
O coração dele falhou uma batida. O loiro teve que apertar as mãos em punhos, e respirar fundo para se recuperar. Como se parar evidenciar ainda mais a afirmação dela, ele sentiu seu rosto em brasa. E mordeu os lábios com força ao observar o sorriso provocativo nos lábios pintados de rosa. Ela fazia de propósito. E ele sentia a satisfação gostosa correr por suas veias. Se sentia feliz por ela continuar assim.
Mais tarde, enquanto se despediam em frente a casa dela, Naruto se perguntou se seu dia poderia ser ainda melhor. Se sentia mais do que bem por ter tido a chance de vê-la. Não queria que o dia acabasse.
– Podemos nos ver amanhã? Quero conversar sobre algo – Hinata mordeu os lábios meio em dúvida, parecendo não ter consciência do quanto aquilo afetava o loiro.
Ele precisou pigarrear antes de responder, sabendo que corria risco de sua voz sair rouca. Sua boca estava seca. E ele sentia fome. Fome dos lábios dela.
– Claro.
– Então, até amanhã.
Naruto ficou paralisado ao vê-la se aproximar, ficando na ponta dos pés para deixar um beijo no canto de seus lábios. No curto tempo em que os lábios dela ficaram em sua pele, ele fechou os olhos e suspirou lentamente. No segundo seguinte, ela já não estava mais lá.
Sua ida para casa se passou indistinta, tanto que se surpreendeu quando viu que já havia chegado. As luzes estavam acesas, e ele sabia que sua mãe o esperava ansiosa desde que o táxi havia chegado com as malas. Suspirou, se preparando para a explosão da Uzumaki.
Mal tinha acabado de abrir a porta quando sentiu um corpo se jogar contra si. Apertou a mãe em seus braços, ouvindo os soluços contidos dela. Sorriu saudoso, estreitando ainda mais o abraço. Ela se soltou por um momento, pegando o rosto dele com as duas mãos, parecendo fazer uma checagem.
– Naruto! Não acredito que seja você mesmo...
E novamente o agarrou, fazendo com que ele sorrisse ainda mais com isso. Quando a mesma se acalmou, foram para a sala e sentaram um ao lado do outro no sofá.
– Onde está o pervertido do Jiraya? – ele perguntou ao olhar em volta e não encontrá-lo.
– Saiu para comprar algumas coisas para o jantar. Mas agora vamos ao que interessa. Onde você estava?! Fiquei tão confusa quando o táxi chegou trazendo somente as malas. Achei que você viria logo depois, mas anoiteceu e nada de você chegar.
Naruto corou, bagunçando os cabelo como uma forma de ajudá-lo a pensar. Porém, ele sabia que não podia protelar muito, sua mãe era muito esperta, logo descobriria.
– Me encontrei com a Hinata...
Ele observou o semblante curioso e preocupado de Tsunade mudar, ficando especulativo e com um toque malicioso. Naruto se viu suspirando de descontentamento, se dando conta de que o maldito velho pervertido estava poluindo a mente de sua querida mãe.
– Você tem que parar de deixar esse velho poluir a sua mente, sério mãe, chego a me assustar...
Tsunade explodiu em gargalhadas, e o loiro a acompanhou. Era bom demais estar em casa.
Teve sorte que Jiraya chegou com os ingredientes, adiando assim as perguntas que sua mãe estava pronta para fazer. O velho como sempre jogou piadinhas maliciosas para cima dele durante o jantar, e apesar da vergonha, Naruto não pode evitar rir das besteiras que ele falava.
Realmente o dia tinha sido maravilhoso. E deitado na cama, pronto para dormir, ele deixou sua mente vagar para a despedida da morena. Ainda sentia os lábios dela pressionados na sua pele, lhe causando calor só de lembrar.
Seu sonho foi uma mistura de todos os beijos que já haviam tido. Fazendo com que sorrisse em meio ao sono.
~
Acordou mais cedo do que queria, ouvindo o toque insistente do seu celular. Nem olhou no visor ao pegá-lo, não queria apagar a imagem fascinante da Hinata sensual que sorria provocadora para ele em seus sonhos.
– Alô?
– Alô? É só isso que fala para o seu melhor amigo? E porque está com essa voz? Estava tendo um sonho erótico com a Hinata?
Ouviu a gargalhada divertida de Sasuke no outro lado da linha, e sentiu seu rosto formigar com o calor. Maldito Uchiha!
– Como sempre inconveniente – resmungou, levantando da cama.
– Ao seu dispor – quase podia ver o sorriso pretencioso nos lábios do moreno – Soube que chegou ontem.
– Minha mãe te ligou? – andava pelo quarto enquanto falava.
– Não. Hinata me falou.
Parou a meio caminho do armário ao ouvir o nome dela. Pigarreou, tentando recobrar o raciocínio.
– Ah sim...
– E então, como foi revê-la? – a voz de Sasuke era cautelosa.
– Foi...– relembrou do dia que teve, sorrindo bobo ao lembrar dos sorrisos dela –...muito bom.
– Você parece feliz. Devo presumir que deu tudo certo então.
Naruto pensou na situação por um momento. Não era como se tivesse algo definido entre eles. Somente conversaram amenidades, não decidiram nada. Se questionou sobre o que ela queria conversar hoje, e sentiu seu estômago se retrair com as possibilidades.
– Acho que sim.
– Como assim ''acha''? Não se resolveram?
O loiro suspirou, já sabendo o que o amigo iria falar.
– Não conversamos sobre isso.
A linha ficou em silêncio por um momento, cada um dos garotos com seus próprios pensamentos.
– Você sabe que não pode adiar isso por mais tempo.
– Eu sei. Ela me chamou para conversar hoje. Veremos o que irá acontecer.
Tinha certeza que Sasuke havia reparado no leve desespero contido no seu tom de voz.
– Tudo vai dar certo Naruto. Só deixe as coisas rolarem naturalmente.
– Sim, obrigado Sasuke.
– Disponha.
Conversaram um pouco mais, e Naruto o questionou sobre seu namoro com Tenten. Sasuke falou que tudo corria perfeitamente bem, e o modo como o amigo falou lhe dava a certeza que ele estava apaixonado. Sorriu feliz pelo amigo.
Depois de desligar, tomou um banho relaxante, pesando as possibilidades sobre a conversa que teria com Hinata hoje. Naruto sinceramente esperava pelo melhor. Se arrumou devidamente, e desceu para tomar café da manhã.
Sorriu com carinho ao ver Tsunade e Jiraya juntinhos na mesa do café, conversando calmamente e sorrindo um para o outro. O loiro se sentia imensamente bem ao ver sua mãe tão feliz. Sentou com eles, contemplando uma manhã animada igual ao jantar do dia anterior.
Antes que sua mãe pudesse questioná-lo sobre ontem e sobre ele estar tão arrumado para um café da manhã, escutaram buzinas do lado de fora. Naruto corou disfarçadamente, se levantando e pedindo licença. Beijou a testa de Tsunade, e deu um soco de leve no ombro de Jiraya. Antes de sair pela porta da frente, escutou sua mãe gritar lá de dentro.
– Boa sorte querido!
Abriu a porta ainda sorrindo por isso.
Hinata estava montada na moto, com os dois capacetes no guidão. As coxas grossas totalmente expostas devido ao short jeans. As costas igualmente expostas, com a blusa caída sobre seus ombros. O loiro teve certeza de que ela escutou seu suspiro. Quando ela virou e sorriu para ele, ele pode perceber o cordão no pescoço dela. Sorriu de volta, corando de vergonha e satisfação.
A sensação de andar de moto com ela ainda era a mesma. No entanto, parecia ainda mais intenso tê-la tão perto assim, talvez devido ao tempo sem isso. Quando começaram a andar e ele a abraçou, sentiu aquela corrente elétrica de sempre, e podia jurar ter ouvido um suspiro dela. Talvez ficar perto dela novamente tenha causado alucinações nele.
Naruto soube para onde estavam indo quando avistou ao longe o prédio do colégio. Ao que parecia, o terraço continuava sendo o local favorito dela. Guardaram a moto na garagem, e subiram os lances de escada em silêncio.
O vento que os recebeu quando chegaram no alto era muito agradável. O céu de um azul intenso, com somente algumas nuvens branquinhas ao redor. Sentaram no banco, e contemplaram em silêncio o belo dia.
O loiro não se importava com o silêncio dela, apesar de já ter constatado que ela havia se tornado mais falante ao longo dos anos. Entendia que ela estava pensando no que falar, já que ela que havia o chamado para conversar. Expulsou qualquer pensamento ruim de sua mente, esperando pacientemente que ela estivesse pronta.
– Sabe Naruto, ultimamente eu pensava que você não fosse mais voltar.
O vento balançava os cabelos dela, criando uma bela visão para o loiro que a observava atentamente, tentando conter as batidas de seu coração enquanto a escutava. Ela olhava para a frente, com um semblante calmo.
– Aquela carta que eu te entreguei no dia que você partiu, não disse tudo que eu queria. E com o passar do anos, eu me arrependi cada vez mais por isso.
Naruto fazia força para respirar calmamente, observando cada reação da morena. Ela se mexeu, colocando ambos os braços no banco, e de olhos fechados levantou a cabeça para o céu. Pareceu respirar fundo antes de continuar a falar.
– Eu comecei a faculdade de artes logo depois da sua partida. Cada ano que passei lá foi gratificante. Abri a galeria logo depois de ter me formado. Como você deve ter percebido, eu tinha um bom material para pintar – ela o observou por um momento, sorrindo ao ver o rubor em seu rosto – Quando já havia se passado cinco anos e meio, eu comecei a me convencer de que nunca mais o veria...E o arrependimento só pareceu piorar.
Sem que Naruto pudesse evitar, sua mão foi de encontro a dela, e ele se permitiu apertá-la carinhosamente, de uma forma que lhe passava conforto. Mostrando que ele estava ali com ela. Os olhos pérolas se fixaram nas mãos unidas por um momento, e ao se desviarem para o rosto do loiro, os lábios rosados se abriram em um sorriso tímido.
– Eu fiquei surpresa em vê-lo ontem. Já estava conformada com o pior, e me senti mais leve quando tive a certeza que de estava errada. Ainda sim, confesso que fiquei apreensiva quanto a nossa conversa de hoje.
O clima ficou um pouco mais sério, e os dois suspiraram ao mesmo tempo. O sorriso embaraçoso não ajudava a amenizar a tensão que se estabeleceu ali. Por fim, a morena pigarreou e encarou Naruto nos olhos.
– Eu não queria somente lhe agradecer naquela carta. Mas, enquanto eu escrevia, eu percebi que não poderia lhe dizer tudo que eu panejava naquele momento. Você estava partindo para a faculdade dos seus sonhos, e eu sei o quanto seria egoísta falar algo que fizesse com que você desistisse de ir. Apesar de me arrepender por não ter falado, não me arrependo por ter deixado você ir. Eu me arrependeria muito mais se tivesse sido o motivo de você ter ficado. Nunca poderia ser tão egoísta a esse ponto. Você merecia ser feliz e sempre irá merecer. E mesmo que eu soubesse que sentiria sua falta, não poderia impedi-lo de fazer o que sempre quis.
Ele sabia que devia estar com o rosto mais confuso de todos. Sua mente parecia entorpecida, impossibilitando que ele pensasse no significado de tudo isso. Já havia desistido de tentar respirar calmamente. Seu lábio sangraria daqui a pouco de tanto que ele o mordia.
Hinata usou sua mão que estava livre para colocar no rosto do loiro, e acariciou levemente. Naruto suspirou extasiado, fechando os olhos por um momento. Quando tornou a abri-los, a morena estava com o rosto a centímetros do seu. Perto demais para sua sanidade.
– Eu não sei como Naruto, mas eu me apaixonei por você... – ela sussurrou, ainda olhando nos olhos dele. Ele arquejou, totalmente sem palavras. Hinata roçou os lábios levemente sobre os dele. O loiro conseguia ver o reflexo dos seus olhos nos dela, e ambos refletiam um sentimento: Desejo.
Tomando a iniciativa, ele a puxou pela cintura a colocando sentada em seu colo, juntando os lábios em um beijo necessitado. Ela passou os braços pelo pescoço dele, agarrando os cabelos dourados com as mãos. Naruto soltou um suspiro em meio ao beijo, apertando a cintura dela com ainda mais força. A sensação de estarem finalmente onde queriam estar era satisfatória.
Os beijos foram ficando mais lentos, até que terminaram com a morena sugando o lábio inferior dele, o fazendo soltar um suspiro em deleite. Naruto enfiou a cabeça em seus ombros, sentindo o cheiro gostoso dela, enquanto a apertava em seus braços. Queria ficar ali para sempre. Se afastou depois de um momento, encarando o rosto bonito dela. Hinata sorria do modo que ele mais amava, o sorriso que ele sabia ser somente dele. Sentiu o coração palpitar mais intensamente só com isso.
– V-Você.... realmente m-me a-ama?
Praguejou em pensamentos por ter gaguejado, e corou ao ver o sorriso divertido dela.
– Voltou a gaguejar? – ainda sorrindo, ela se inclinou e depositou um beijo em seu pescoço, apertando seus cabelos levemente. Foi inevitável não gemer e se excitar ainda mais. Hinata sabia como atiça-lo.
Ela voltou a olhar em seus olhos, sorrindo provocante ao se mexer levemente em seu colo. As mãos do loiro se fecharam ainda mais intensamente na cintura dela, e ambos morderam os lábios para segurar o gemido.
– Sim... – a morena sussurrou calmamente, com as bochechas rosadas pela excitação e pela confissão – ...Eu te amo Naruto. Me dei conta disso na nossa última noite juntos. E não te falei porque sabia que desistiria dos seus sonhos se soubesse. Sinto muito.
Naruto sorriu, pensando como poderia amá-la ainda mais. Finalmente, depois de todo o sofrimento, teria sua tão sonhada felicidade. Lembrou da senhora Hikari lhe dizendo quando estavam se despedindo: "Meu jovem, na próxima vez que nos encontrarmos, você me apresentará sua garota!". Não via a hora de cumprir a promessa e agradece-la pela confiança que sempre depositou nele.
A puxou novamente, beijando os lábios que ele tanto amava. Nada tinha um sabor tão bom quanto os lábios dela. Se separaram, com as testas coladas e respiração acelerada. O loiro olhou para as pérolas desejosas, sentindo o frio na barriga já conhecido.
– Eu te amo Hinata, mais do que seria possível explicar – Naruto sussurrou, com o rubor de sempre.
– Eu sei – ela sorriu, acariciando o rosto dele lentamente – Vem, vamos para casa.
Se levantaram, e de mãos dadas, foram até a moto. No caminho até a casa dela, ele se sentia feliz ao abraça-la fortemente. O sorriso bobo não saia de seus lábios.
Ao entrarem na casa, encontraram tudo em silêncio, e foi somente olhar nos olhos um do outro, para que já estivessem com os lábios unidos. Subiram para o quarto dela, derrubando um vaso que estava no corredor. Soltaram risadas descontraídas, e Naruto sorriu abertamente ao vê-la tão a vontade. Se embolaram pela cama, depois de trancar a porta, jogando as roupas pelo quarto.
Fizeram tudo calmamente, captando cada pedacinho um do outro. Diferente de todas as outras vezes, estavam fazendo amor. E ao constatarem isso, se sentiram ainda mais extasiados. O loiro admirou o modo como ela gemeu seu nome, jogando a cabeça para trás quando atingiu o orgasmo, e se derramou dentro dela logo depois.
Deitados, com ela em cima de seu peito, eles se permitiram dormir, sabendo que a partir desse dia teriam um ao outro para sempre.
O "eu te amo" foi a última coisa que ouviram um do outro, antes de se entregarem ao mundo dos sonhos.
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