Unfeeling
17 XVI. Comforting
Notas iniciais
Quando acordou na manhã seguinte, Hinata se sentia estranha por falta de definição melhor. A lembrança das palavras de Naruto ainda estavam gravadas em sua mente, e sentia como se cada palavra lhe ferroasse, como um enxame de abelhas. E ainda havia o sonho. Lembrava perfeitamente dos olhos azuis, como um céu em um dia límpido, lhe admirando com ternura.
Não sabia o que fazer diante de tudo isso.
Se levantou, caminhando lentamente em direção ao banheiro. Primeiro trataria de se arrumar. Não demorou muito no banho, e depois de fazer toda a higiene necessária, foi em direção ao closet. Era seu último mês no colégio, e as provas finais já se aproximavam. Colocou o uniforme, e terminou de se arrumar.
Enquanto caminhava até a cozinha, com a bolsa no ombro, tentava tomar uma decisão. Já tinha admitido para si mesma que Naruto estava certo. Realmente estava presa ao passado. No entanto, não era tão fácil como parecia. Seu modo de pensar não mudaria de um dia para o outro. Mas concordava que já estava na hora de seguir em frente.
Sasuke e Itachi estavam tomando café da manhã, sentados a mesa e conversando entre si. Quando a morena chegou ao ambiente, deixou a bolsa em uma cadeira, e se sentou, logo sendo servida pela empregada.
– Bom dia – seu tom de voz era ameno.
No momento em que ela se pronunciou, todos pararam o que estavam fazendo. Em choque, encaravam a Hyuuga como se fosse uma estranha. Ninguém conseguia falar nada, totalmente desarmados com a atitude repentina da morena.
Ela não ligou como já era de se imaginar, e continuou tomando seu café da manhã calmamente. O primeiro a se pronunciar fora Itachi, que depois do choque que teve, se forçava a responder a saudação.
– Bom dia senhorita Hyuuga.
Sasuke ainda não tinha se recuperado do choque, mas ainda sim continuava a se alimentar, sem nunca desviar os olhos de Hinata. Quando acabaram, foram os três em direção a garagem. Enquanto Itachi manobrava o carro, Sasuke pensava o que poderia ter ocorrido com a Hyuuga. O pensamento de que o amigo loiro poderia finalmente estar mudando a mesma lhe fez sorrir.
Torcia verdadeiramente para as coisas darem certo de agora em diante.
~
Já estavam no terceiro tempo de aula, e o loiro não havia conseguido se concentrar até agora. Parecia que os seus ouvidos estavam com tampões, e as falas dos professores não atingiam os mesmos. Suspirou totalmente frustrado, desviando o olhar levemente para o lado.
Hinata parecia estar concentrada na aula, fazendo as anotações que o professor escrevia no quadro. Ele já podia sentir suas bochechas quentes, só por observa-la dessa maneira.
Ainda estava totalmente confuso com o comportamento dela durante a manhã. Assim que ela e o amigo chegaram ao colégio, ele já os esperava na entrada. Quando a morena se aproximou dele lhe desejou um bom dia, com um sorriso divertido, e continuou a caminhar em direção ao seu armário. Embasbacado com essa atitude, ficou apenas parado a observando, sem realmente encontrar sua voz para se pronunciar. Olhou ao seu lado e pode ver o amigo do mesmo jeito que ele. Depois de se recuperarem, Sasuke lhe contou que desde que a morena acordara, demonstrava esse comportamento estranho.
É claro que ele ainda se lembrava das palavras que havia dito na noite anterior. Corou ainda mais ao pensar em como tivera coragem para fazer o que fez. Nunca passou pela sua cabeça fazer algo do tipo, já que sua timidez era tão grande que ficava ruborizado por coisas mínimas. Mas vê-la daquele jeito, lhe deu coragem para falar. Não sabia se ela tinha pensado a respeito, mas cogitou a possibilidade devido ao comportamento estranho que ela estava mantendo.
Ainda continuava a observa-la, absorto em seus pensamentos, e por isso tomou um susto quando foi cutucado nos ombros pelo Uchiha. Ruborizou drasticamente, ouvindo a risada de todos os presentes, e ainda mais por ter os olhos dela sobre si. O professor repetiu a pergunta que havia lhe feito e ele respondeu rapidamente, dando graças por ser estudioso, já que caso contrário se daria mal com sua desatenção.
Suspirou aliviado quando o sinal tocou, e se pôs a guardar tudo em sua mochila rapidamente. No caminho até o refeitório, Hinata ia na frente como sempre, e ele ia logo atrás junto de seu amigo e Tenten. Se sentaram na mesa de sempre, e enquanto Sasuke e Tenten iam pegar seus lanches, ele ficou sozinho com Hinata.
Se remexeu inquieto em sua cadeira, com os olhos grudados em qualquer lugar que não fosse ela. Sua respiração saia tensa, e as mãos se remexiam sobre a mesa. Pode ouvir o barulho da cadeira se mexendo ao seu lado, e sem que pudesse evitar levantou os olhos para ver pra onde ela havia ido. Sua surpresa não poderia ser maior, ao constatar que ela não havia ido embora, somente tinha se aproximado mais dele, de modo que seus braços se encostassem um no outro.
Seu coração vibrava no peito, totalmente eufórico com o que estava acontecendo. Podia sentir o rubor já se formando, e inutilmente tentou conter. Ela não lhe encarava, no entanto ele podia ver seu rosto perfeitamente, e viu os lábios dela se abrirem em um sorriso divertido, e ele sabia que provavelmente era devido a reação dele. O cheiro dela era tão encantador, que o Uzumaki se sentia um viciado depois de ganhar sua droga.
Pode ver Sasuke e Tenten saindo do refeitório, e o moreno ainda lhe lançando um sorriso malicioso antes de sumir. Apesar da vergonha, se sentia grato por eles terem respeitado seu momento. Sem saber o que falar para puxar assunto, decidiu apenas apreciar a presença dela ao seu lado. Mas se surpreendeu quando ela se pronunciou.
– Obrigada.
Novamente em choque, ele não conseguia achar sua voz. Hinata estava o surpreendendo demais em somente um dia, e o dia não estava nem na metade ainda.
– P-pelo o q-que?
Ela lhe olhou nos olhos, e ele sentiu sua pulsação disparar furiosamente.
– Por tudo.
Conseguia ver sua expressão de choque refletida nos olhos de lua, e concluiu que não havia reação diferente para essa situação. Sua mente dava voltas, causando uma ligeira dor de cabeça pela quantidade de pensamentos. Queria entender o que havia acontecido com ela, pois não conseguia acreditar que somente suas palavras tenham causado tudo isso. Respirou fundo, tentando se recompor. Ela parecia aguardar uma resposta, e ele corou ao admirá-la, pensando em como ela ficava linda assim, tão serena.
– N-não fiz na-nada d-demais...
E o rubor aumentou ainda mais ao ver o sorriso dela. Não era o tipo de sorriso aberto e estonteante. Era somente um repuxar de lábios, mas que ainda sim, fora o sorriso mais verdadeiro que o loiro já tinha visto até agora. Sua pulsação enchia seus ouvidos, e ele só conseguia focar seus olhos nos lábios dela.
O sinal o despertou do transe que se encontrava, e ele novamente abaixou a cabeça envergonhado. Se levantou juntamente com a morena, e caminharam lado a lado em direção a sala de aula.
~
Jogou a mochila em qualquer canto, e caiu na cama logo em seguida. Sua cabeça latejava desde o fim do intervalo. Suspirou, colocando o braço em cima dos olhos, tentando relaxar um pouco.
Quando Hinata e ele chegaram na sala depois do intervalo, o professor já estava organizando as duplas para fazerem o último trabalho do ano. Como todos já tinham seus pares, só sobraram ele e a morena. É claro que ele ficou vermelho na hora, mas se recuperou rapidamente, tentando prestar atenção na aula.
Suspirou novamente, pensando em como estava perto o final do ano. Faculdade não era problema para ele, já que como era estudioso, tinha sido aceito em três. Escolhera a dos EUA, Harvard, pois sempre sonhou em terminar seus estudos lá. Queria ser médico, um clínico geral, pois gostava de ajudar as pessoas. Sabia que o caminho era demorado e difícil, mas era seu sonho, e ele não desistiria tão fácil.
Difícil era também o que deixaria para trás. Sua mãe se sentiria sozinha, mas no fundo ele sabia que ela saberia se cuidar. Sasuke também poderia ajudá-la com qualquer coisa, já que faria faculdade por Tókio mesmo, pois também tinha que ficar ao lado do pai administrando a empresa. Sentiria falta do amigo, até mesmo de Tenten.
E principalmente dela.
Hinata.
De olhos fechados, ele conseguia vê-la perfeitamente. O sorriso que dera hoje mais cedo, ainda estava em sua cabeça. Junto com várias outras vezes em que tiveram contato. Os olhos de lua tão misteriosos o enfeitiçavam sempre. Seu coração doía ao pensar que provavelmente não a veria mais. E se tornasse a vê-la, estaria casada e feliz. E ele nunca deixaria de ama-la.
Fechou os olhos com força, tentando conter as malditas lágrimas que teimavam em sair de seus olhos. O que ele queria afinal? Desde o início sabia que sairia machucado no fim. Hinata nunca dera uma mínima esperança se quer de que poderia sentir o mesmo que ele. E ainda sim, fora impossível evitar sentir esperança. Porque seu coração sempre fora bobo, e quando fosse a hora de partir, ela ficaria com ele.
Passou as mãos pelos olhos, e foi tomar um banho. Tinha que ir até a casa dela para fazerem o trabalho. E ao se dar conta disso, seu coração pulsou desesperadamente no peito. Sorriu tristonho, pensando que havia se tornado um masoquista afinal.
~
Os livros estavam espalhados pelo chão, e deitada no tapete do quarto, Hinata anotava algumas coisas nas folhas do caderno. Esperava o loiro chegar para começarem de vez o trabalho, já que a entrega era na semana que vem.
Sorriu divertida, se lembrando da pequena conversa no refeitório. Adorava cada vez mais as reações de Naruto. Escutou a campainha, mas sabia que Sasuke estava na sala e mandaria o loiro subir. Pode ouvir o barulho de passos se aproximando, e levantou os olhos dando de cara com o rosto vermelho dele. Foi em sua direção, abrindo espaço para que ele passasse, fechando a porta logo em seguida.
Ele parecia que iria explodir a qualquer momento de tão constrangido que estava, e ela não pode evitar o sorriso malicioso que apareceu em seus lábios.
– Então, vamos começar?
Naruto somente assentiu, sentando em sua frente e pegando um livro que estava na pilha. Durante uns vinte minutos, tudo o que se ouvia era o barulho dos lápis deslizando sobre os cadernos e da respiração de ambos.
Ela percebia a agitação dele, e sabia que não era somente por estarem sozinhos no quarto. Observava o loiro bagunçar constantemente os cabelos, encarar um ponto qualquer fixamente, e as vezes olhava para ela quando achava que não era observado, a encarando com olhos vagos e tristes.
– Algo o incomoda.
Com os olhos levemente arregalados e a boca entreaberta, ele olhou nos olhos dela, tentando entender o porque da pequena observação.
– C-como a-assim?
– Está inquieto.
Naruto corou, desviando o olhar do dela e tentando se concentrar nos livros em seu colo.
– N-Não é na-nada...
A morena apenas continuou o observando, sorrindo pela falta de jeito dele em tentar disfarçar. Ainda não conseguia entender porque gostava de analisar o Uzumaki. Para ela, ele sempre seria fascinante. E mesmo que inconscientemente, se importava com ele. Mas ainda sim, não sabia dizer o que ele representava.
O loiro tentava entender as palavras que seus olhos observavam do livro, mas sabia que seria uma tentativa inútil. Estava assustado por ela ter acertado em sua observação. Ainda estava pensando na faculdade, sobre ter que deixá-la, e entendia que provavelmente sua aflição deveria ter ficado exposta para ela. E o que mais o assustava era a possibilidade dela não ligar quando ele fosse embora, e ele sabia que seria exatamente isso que aconteceria. Sabia que nunca seria algo mais do que um 'brinquedinho' para a Hyuuga. E isso era uma constatação dolorosa.
Os pensamentos de ambos foram interrompidos pelo barulho de alguém batendo na porta, fazendo Hinata se levantar para atender e fechar logo depois, voltando com um prato cheio de morango com chantili.
Naruto engoliu em seco, ao vê-la sentar novamente e morder um morango, lambendo os dedos sujos de chantili em seguida. Não conseguia desviar os olhos da boca vermelha e pequena dela, e suas preocupações evaporaram imediatamente. Hinata sabia ser totalmente sensual. Sua respiração estava acelerada, e ele se sentia quente só de observá-la.
– Não vai comer?
Somente viu os lábios dela se mexer, totalmente focado em seus movimentos. Respondeu com um leve assentir de cabeça, pegando um morango aleatoriamente no prato. Mordeu calmamente, ainda a observando. Quando acabou de comer, pode ver nos lábios dela um sorriso divertido, e viu que ela se aproximava.
– Está sujo aqui – falou bem baixinho, perto de seu rosto, o fazendo sentir o cheiro de morango do seu hálito.
Hinata passou um dedo no canto dos lábios do loiro, enquanto olhava em seus olhos azuis já escurecidos. Quando acabou de limpar, sorriu para ele e direcionou o dedo para sua boca, lambendo o pouco de chantili que tinha. Naruto observou a morena morder os lábios levemente, o provocando, e suspirou fortemente, capturando seus lábios.
Porque não importava o quanto sairia machucado, jamais perderia a oportunidade de provar os lábios dela e se sentir nas nuvens.
O gosto de morango tornava o beijo ainda mais maravilhoso. Nenhum dos dois sabia dizer como, mas quando viram já estavam deitados sobre o tapete, com Naruto em cima dela. Ainda sim o beijo não fora interrompido, pelo contrário, ficava cada vez mais intenso. Os dois respiravam rapidamente, ofegando vez ou outra pela falta de ar.
A morena arranhava as costas do Uzumaki, o fazendo tremer e beijá-la ainda mais intensamente. Não queria parar. Desceu os beijos para o pescoço dela, mordendo fortemente, escutando os leves gemidos dela. Sua intimidade roçando na dela, o deixava louco demais. O calor o consumia cada vez mais. A cada gemido e arfada que ela dava, ele se sentia mais perto de perder seu controle. Tornou a beijar os lábios dela, sentindo ela inverter as posições, ficando sentada em seu colo.
As pequenas mãos abriam os botões de sua camisa, e ele não tinha forças para faze-la parar. Não queria que ela parasse. Segurou um gemido ao sentir ela deslizar as mãos sobre sua barriga, arranhando levemente. Hinata beijava seu pescoço lentamente, o torturando. Suas mãos, sem que pudesse evitar, puxaram a blusa dela, deixando a somente com um sutiã vermelho. Naruto mordeu os lábios ao ver. Tão linda e sensual, era só o que pensava.
Acariciou vagarosamente por cima do tecido, sentindo o leve tremor dela. Apertou um pouco mais forte, calando o gemido dela com um beijo. A queria demais. Suas mãos já trabalhavam no fecho do sutiã, o abrindo rapidamente.
Batidas na porta os tiraram do transe que se encontravam. Naruto levou as mãos ao cabelo, puxando os fios. Não queria mesmo ter parado, e apesar de morrer de vergonha ao pensar assim, se sentia frustrado pela interrupção. Observou a morena se levantar, fechando o sutiã e colocando sua blusa. Ele somente suspirou, fechando a camisa e se levantando. Depois de devidamente arrumados, ela caminhou em direção a porta.
– Desculpe interromper senhorita Hinata, mas a senhora Yume deseja vê-la em seu escritório.
– Já chegou de viagem?
– Sim senhorita, chegou agora a pouco.
– Avise a que já estou indo.
Fechou a porta depois da confirmação da empregada, e olhou para o loiro. Como esperava, ele estava envergonhado. O sorriso malicioso fora involuntário, ao pensar que provavelmente iriam até o fim se não fosse a interrupção. Caminhou até ele, parando a sua frente.
– Depois continuamos nosso 'trabalho'.
O duplo sentido estava evidente para Naruto, e ele ruborizou ainda mais com isso.
– O-ok.
– Até amanhã loirinho.
E logo sumiu de suas vistas. Frustrado e envergonhado, decidiu ir logo embora. Novamente não conseguiu se controlar. Diferente da outra vez, em que ficou assustado com seu descontrole, ele quis possuí-la. Puxou os cabelos novamente, com o rubor crescendo ainda mais em seu rosto. E só de pensar que ainda iriam terminar o maldito trabalho no dia seguinte, seu coração acelerava alucinadamente.
E mesmo que inconscientemente, ele já contava as horas para isso.
Tinha certeza agora, era um masoquista de primeira.
~
Quando viu o carro vermelho estacionado em frente a sua casa, teve vontade de dar meia volta. Suspirou pesadamente, se preparando psicologicamente para as besteiras que escutaria do velhote. Fazia tempo que ele não aparecia, e mesmo que metade das palavras que ele soltava fossem maliciosas, o loiro sentia falta dele. Porque apesar de ser um velho tarado, totalmente gamado na sua mãe, ele sabia dar ótimos conselhos quando alguém precisava.
Abriu a porta calmamente, pensando em como abordar o assunto com ele, sem que ficasse constrangido. Impossível, pensou. Podia ouvir os resmungos da mãe na cozinha, e sabia que Jiraya já estava jogando charme pra cima dela. Balançou a cabeça negativamente, sorrindo minimamente com a cena que presenciou ao chegar no cômodo.
Tsunade estava cortando alguns legumes na pia, enquanto olhava as panelas que ferviam no fogão. Jiraya apenas a observava, com um sorriso tremendamente idiota no rosto. Vez ou outra dizia alguma besteira, sendo rapidamente ameaçado com a faca pela loira.
A cena era bem familiar para Naruto. Ali, na pequena cozinha com o cheiro maravilhoso da comida, eles pareciam uma família de verdade. O loiro sorriu feliz pela presença do velhote pervertido. Porque apesar de toda a irritação que sua mãe demonstrasse devido as cantadas baratas de Jiraya, ele percebia a aura feliz que ela emanava quando ele estava por perto, e o leve sorriso que ela soltava quando ele não estava olhando.
O Uzumaki resolveu se pronunciar, pigarreando para chamar a atenção dos dois. Se sentia meio constrangido por interromper o momento deles, mas realmente precisava dos conselhos do velhote.
– Naruto! A quanto tempo garoto.
Retribuiu o sorriso de Jiraya, se aproximando para que pudesse apertar a mão que ele estendia.
– Sim, muito tempo. Achei que nunca mais voltaria de suas 'pesquisas'.
O loiro viu o olhar assassino que Tsunade lançou para Jiraya, e só pode rir da cara apavorada dele.
– É-é s-sim, p-pesquisas... Mas mudando de assunto, fiquei sabendo que está namorando!
Naruto se engasgou com a própria saliva, tossindo debilmente enquanto tentava processar o que acabara de ouvir. Maldito Sasuke, pensou.
– Pela sua reação eu vejo que estou certo.
O sorriso ero de Jiraya complicava mais ainda a situação, e o loiro sentia vontade de enfiar a cabeça de baixo da terra e ficar por lá.
– Hi-Hinata não é m-minha na-namorada!
O grisalho ficou pensativo, mas logo voltou a sua pose de sempre.
– Esse é o tipo de afirmação que pessoas dizem quando desejam o contrário do que afirmaram.
Naruto não pode deixar de concordar, afinal, realmente adoraria ser o namorado de Hinata. Balançou a cabeça rapidamente, tentando se concentrar para que não ficasse mais vermelho do que já estava.
– Vejo nos seus olhos que precisa de meus conselhos garoto. Sou a pessoa perfeita para te aconselhar sobre esse assunto. Venha vamos para a sala que te explicarei tudo – Jiraya caminhou na frente logo sumindo das vistas dos dois.
Ouviu o suspiro de sua mãe, e pode ver ela balançando a cabeça negativamente. Sorriu para ela, se aproximando e lhe dando um beijo na testa. Caminhou até a porta, e antes de sair ela o chamou.
– Não acredite muito nas besteiras que ele fala, se não vai acabar poluindo sua mente. Velho tarado! Nunca muda esse jeito sem vergonha.
Riu divertido com a cara emburrada que ela fez.
– E por isso você o ama tanto.
Piscou para ela, vendo a expressão de surpresa cobrir seu rosto. Ainda conseguiu escutar a risada dela enquanto caminhava até a sala.
Jiraya o aguardava, sentado no sofá e bebendo seu precioso sake. Sentou na poltrona de frente para ele, esperando para ouvir o que ele tinha a dizer.
– Naruto, é muito normal você ficar nervoso nessa situação. Todos passam por isso. Não precisa se preocupar, o momento certo chegara. O que você precisa saber é como agradá-la devidamente quando a hora chegar. Saber do que ela gosta é fundamental meu caro. As mulheres necessitam sentir prazer, e você deve...
Naruto não conseguia mais ouvir o que ele falava. Seu rosto fervia tanto que ele começava a achar que iria desmaiar. Estava hiperventilando. Tentou se concentrar, respirando fundo, e pensando em qualquer outra coisa que não fosse as besteiras que acabara de ouvir. Realmente acreditou que o maldito velho o ajudaria, mas se esqueceu com quem estava falando. O famoso criador da séria erótica mais vendida, jamais perderia a oportunidade de lhe dar uma aulinha sobre sexo. Respirou fundo novamente, afastando esses pensamentos para que pudesse voltar ao normal.
– N-não é na-nada di-disso seu ero!
O rosto do grisalho se tornou surpreso, e o loiro suspirou aliviado quando ele adquiriu uma postura mais séria.
– Então não se trata de sexo – o Uzumaki negou, completamente constrangido – O que significa que está apaixonado!
O suspiro frustrado do loiro não passou despercebido por Jiraya, e ele logo chegou a sua conclusão.
– E não é correspondido ao que parece...
Naruto somente assentiu lentamente, com uma expressão tristonha em seu rosto.
– Eu já não sei mais o que faço.
– Sasuke somente me disse que havia uma garota envolvida, e que você até mesmo a protegeu uma vez, lutando contra os possíveis estupradores. Fico feliz que ainda se lembre de meus ensinamentos. Apesar de ter achado loucura sua atitude, mas foi por uma boa causa afinal.
– No momento eu realmente agradeci por ter me ensinado a lutar, se não eu estaria literalmente ferrado.
Jiraya o encarou sério, procurando as palavras certas para dizer.
– Não sou muito bom em dar conselhos amorosos garoto, pois eu nem mesmo sigo os meus. Mas eu sei como é amar uma pessoa e não tê-la ao lado, devido ao sentimento não ser recíproco.
– É diferente velhote. Você e minha mãe se amam, só são teimosos demais pra admitirem um para o outro.
O rosto corado de Jiraya provocou risadas divertidas no loiro.
– A questão aqui é você moleque! O que eu quero dizer é: Siga o seu coração. Acho que não há solução melhor que isso.
Jiraya apenas lhe lançou um sorriso encorajador antes de caminhar em direção a cozinha.
Ainda meio em choque, o loiro tentava reorganizar seus pensamentos. Não discordava de Jiraya. Realmente achava que seguir o coração seria a solução mais adequada. No entanto, falar sempre seria mais fácil do que fazer.
Porque não havia garantia de que no final tudo terminaria bem. Pra dizer a verdade, na mente do Uzumaki, não havia nem um pingo de esperança de que daria tudo certo. Então, porque tentar? Porque se arriscar, se tinha certeza que iria se dar mal?
Não sabia responder. Mas seu coração pulsava lento e intensamente, em conflito com sua mente.
"Não desista" – seu coração lhe transmitia.
"Não persista" – sua mente lhe alertava.
Qual deles deveria escutar?, pensava atordoado.
Fale com o autor