Notas iniciais
Oi lindas

Postando mais 3 capítulos de uma vez.

Desculpem pela demora em postar.

Eu estou meio enrolada com os trabalhos todos que tenho para fazer.

Já comecei a escrever um cap novo, então amanhã devo postar os capítulos que eu já tinha quando a fanfic ainda era Nian

E logo posto o cap novo.

Beijinhos

Elena chegou ao trabalho atrasada. A garota dormira demais, afinal, tinha saído na noite anterior com Damon e acabou chegando muito tarde em casa e, além disso, também demorou bastante tempo para pegar no sono, pois ficara tempo demais pensando nele. Não deveria pensar nele nunca, mas simplesmente não conseguia deixar de pensar.

Ele tinha sido tão gentil com ela que fez com que ela pensasse que talvez, apenas talvez, ele pudesse não ser o safado que ela pensava que ele era. Pronto, ela já estava se envolvendo e aquilo era exatamente o que ela não deveria fazer. Mas havia um magnetismo entre eles, algo que atraía um para outro de uma forma inexplicável e mesmo que ela tentasse negar, sabia que estava lá, sempre estaria.

Elena suspirou profundamente ao entrar na lanchonete sob o olhar irritado de seu patrão. Ele a odiava, ela tinha certeza. Também tinha certeza que levaria uma baita bronca por seu atraso. Passou o mais rápido que pode pelo irritado patrão e foi atender os clientes.

A garota também tentou evitar o máximo que pode as perguntas de Caroline sobre Damon, não tinha acontecido nada demais e nunca iria acontecer, ela não tinha nada para contar e mesmo se tivesse, ela era muito tímida para isso. Só que ela não tivera como fugir da amiga o dia inteiro.

–Elena, você vai ter que me contar como foi ontem com o Damon! –Caroline exclamou num tom animado e principalmente curioso.

–Ah, Carr, foi normal, não aconteceu nada de incrível. –Elena falou calmamente, tentando se livrar daquela conversa quase constrangedora.

–Vocês se beijaram? –Perguntou ansiosa demais, precisava muito saber aquilo.

–Lógico que não! –Elena respondeu sentindo a pele de seu rosto queimar numa vergonha imensurável. –Bem... -Fez uma pausa, baixando o olhar. –Ele tentou me beijar...

–Como assim ele tentou de beijar? –Caroline perguntou quase surtando. –Você o beijou de volta, né?

–Não, eu não beijei. –Falou envergonhada.

–Espera um minuto. –A garota pareceu chocada. –Deixa-me processar o que você acabou de me dizer. –Fez uma pausa. –Um cara lindo e gostoso tenta te beijar e você não deixa? Você tem problemas, Elena?

–Não, eu não tenho. –Ela deveria ter mesmo algum tipo de problema, qualquer garota o teria beijado, mas ela não o fez mesmo querendo. A questão era que ela não queria ser usada por nenhum homem e não achava que alguém poderia gostar de verdade dela, aquele era o problema dela. –E além do que ele é um safado, eu já te disse isso.

–E daí? –Caroline perguntou sem entender. –Ele é safado, tá bom. Mas ele continua sendo muito gostoso. E é só um beijo, Elena!

–Sério agora, nós temos que ir trabalhar senão o patrão vai nos matar! –Arrumou uma desculpa para fugir do assunto.

–Falando no gostosão, ele acabou de chegar, Elena... -Falou exibindo um sorriso quase malicioso. –E ele está olhando para cá. –O sorriso se alargou no rosto da loira. –Ou melhor, ele está olhando para você.

–Eu vou lá falar com ele... -Falou ansiosa, não entendia porque seu coração acelerou-se no momento que o viu, queria ir conversar com ele, isso tudo porque o achava incrivelmente irritante, bem, isso era o que ela tentava convencer a si mesma, mas a verdade é que uma parte dela já o adorava.

–Senti um clima no ar... -Caroline brincou, ou melhor, ao invés de falar em um tom de certeza, falou em tom de brincadeira, porque estava óbvio que Elena já estava interessada nele.

–Ele é só um cliente que sentou na minha área e que eu preciso atender... -Elena fechou a cara. -Só isso.

–Sei, sei. –Tentou abafar uma risadinha sem muito sucesso.

...

Antes de ir até a mesa onde Damon estava sentado, Elena lembrou-se de ir rapidinho ao banheiro para arrumar os cabelos e pelo menos passar um batom. Sim, ela estava carregando maquiagem na bolsa, uma coisa que ela não fazia há algum tempo. Estava vaidosa e era óbvio que não estava tentando ficar melhor apenas para si mesma, nenhuma garota segue essa história de “quero ficar linda para mim mesma”, todas querem ficar lindas para outra pessoa, algum cara que seja especial e por mais que Elena tentasse se convencer que com ela era diferente, ou melhor, que ela nem estava tentando se arrumar, isso não era verdade.

–Oi. –Abriu um sorriso simpático ao chegar até a mesa dele. –Eu trouxe o seu café. -Tinha aproveitado e trazido logo o pedido, ele sempre tomava café, então, não precisava que ele pedisse para trazer.

–Uau. –Damon abriu um sorriso lindíssimo. –Você não deve me odiar mais... -Fez uma pausa, o sorriso alargou-se no rosto de traços perfeitos se tornando completamente irresistível. –Pelo menos não me odeia tanto.

–Por que você diz isso? –Elena perguntou sem entender, ela não estava fazendo nada demais, e continuava não gostando dele. Eu não gosto dele, repetiu a frase diversas vezes em sua mente tentando fazer com que aquilo se tornasse uma verdade, mas não era.

–Você trouxe café e não chá como você sempre faz só para me irritar. –Balançou a cabeça negativamente como se aquilo o divertisse e divertia mesmo ainda mais quando via a pele do rosto dela se avermelhar de vergonha.

–Eu trouxe o café porque é o meu trabalho, só isso. –Tentou falar num tom sério, mas sua voz soou muito mais frágil do que gostaria.

–Admita Elena, você adora a minha companhia. –Falou de forma sedutora enquanto a olhava diretamente nos olhos. A garota quase perdeu o ar, ele era mesmo tão lindo. –E você não consegue mais resistir ao meu charme. –Piscou descaradamente e sorriu.

–Você é chato e irritante. –Falou mal-humorada e revirou os olhos. Sentiu a pele de seu rosto queimar ainda mais. Que droga, pensou para si mesma. Por que ela sempre tinha que ficar vermelha na frente dele? Aquilo só a deixava ainda mais envergonhada. –E além do mais eu não posso ficar aqui conversando com você, eu estou trabalhando.

–Tudo bem. –Ele concordou tão rapidamente que ela nem mesmo acreditou. –Então eu vou querer um muffin, você trás para mim?

–Claro, eu já disse que é o meu trabalho. –Saiu de perto o mais rápido que pode.

Quando a garota voltou trazendo o bolinho ele lhe entregou um pedacinho de papel.

–Já que eu não posso conversar com você... -Sorriu naturalmente. — Eu escrevi um bilhetinho para você.

–Aff... -A garota revirou os olhos irritada, mas pegou o guardanapo onde ele havia escrito. Afastou-se dele e embora devesse jogar o bilhete fora sem ao menos ler o que estava escrito não conseguiu fazer isso. Abriu o papel ansiosamente.

“Você quer sair comigo hoje?”

Elena não acreditou quando leu aquilo. Ele queria sair com ela de novo. Aquilo não era possível. Qual era o problema dele? Será que ele não desistia dela? Será que ele gostava dela? Lógico que não, por que ele iria gostar dela? Se a autoestima dela não fosse tão baixa ela encontraria todos os motivos que ele já havia encontrado para se interessar por ela, mas ela simplesmente não conseguia.

Sim, ela pensou automaticamente. Claro que ela queria sair com ele, ele era sim uma ótima companhia e ela tinha se divertido muito com ele e fazia tanto tempo que ela não se divertia, que ninguém a fazia sorrir. Mas que droga, irritou-se consigo mesma. Ela estava se apaixonando por ele lentamente, por mais que tentasse evitar, não conseguia.

“Não”

Respondeu com tanta raiva, escrevendo com tanta força que rasgara o papel. Estava com raiva de si mesma, ela era mesmo uma burra, era uma burra por não sair com ele e também era uma burra por gostar dele. Colocou o papel na mesa dele e saiu de perto o mais rápido que pode.

Damon acenou para ela, que revirou os olhos e foi até ele.

–Você pode me trazer o cardápio? –Achou uma desculpa apenas para chamá-la novamente. Entregou o papelzinho para ela contendo outra resposta.

“Por que não? Você tinha se convidado para sair novamente comigo ontem, lembra?”

Elena não acreditou nisso, agora eles estava conversando por bilhetinhos. Aquilo era tão ridículo, sentia-se como se estivesse na primeira série, mas aquilo também era tão fofo, era como se eles estivessem partilhando algo que fosse só deles. Tonta, burra, xingou a si mesma. Será que ela tinha que ficar pensando isso? Será que ela tinha que achá-lo legal, fofo e lindo?

“Eu não me convidei. Eu só... ah, esquece!”

Decidiu não escrever mais nada se não iria acabar se complicando. Aliás, por que ela estava respondendo aqueles bilhetinhos idiotas, irritantes (e fofos)? Levou o cardápio para ele e entregou o bilhetinho.

Damon riu ao ler o que ela tinha escrito, ela era mesmo uma graça, ela era tão especial, tão incrível e não fazia a menor ideia disso. Ele gostava dela e fazia tempo que ele não gostava de uma garota de verdade, ele não costumava se envolver com ninguém, era no máximo algumas noites e pronto, ele não queria compromisso, mas ela o havia encantado. Chamou-a mais uma vez.

–Eu vou querer um suco de laranja e um misto quente. –Mais uma desculpa, ele não queria comer mais nada, nem tinha comido o muffin todo, o largou pela metade.

Elena revirou os olhos, anotou o pedido e pegou o pedacinho de papel.

“Eu adorei ter saído com você ontem. Será que eu vou ter que implorar para você sair comigo de novo?”

Elena abriu um sorriso ao ler bilhetinho, aquilo era muito lindo. Sentiu a pele de seu rosto queimar novamente. Tá bom, ele não era tão irritante assim. Ou melhor, ele era irritante, mas ela gostava dele assim mesmo.

“Tudo bem, você passa aqui às nove?”

Pronto, ele tinha conseguido. Ela iria sair com ele, ela queria muito sair com ele. Damon abriu um sorriso satisfeito e a garota acabou sorrindo em retribuição.

“Ok”

A garota pensou que finalmente pararia de trocar bilhetinhos com ele, mas para sua surpresa ele a chamou novamente, com mais algum pedido que ele fazia questão de fazer, mas nem tocava na comida quando ela trazia. Damon entregou-lhe mais um bilhetinho.

“Você é linda, sabia?”

Elena corou ao ler aquilo e quando o fitou percebeu o sorriso lindo dele, ele estava sorrindo para ela, somente para ela. Ela não estava mais conseguindo resistir, ou melhor, nunca conseguiu resistir direito.

“Assim você me deixa sem graça”

Respondeu sinceramente, fazendo com que ele sorrisse. Ela era mesmo especial e era uma princesinha.

Escreveu um novo bilhetinho.

“Você me dá um beijo?”

Elena sentiu seu coração acelerar ao ler aquilo. Bem, ela poderia ficar com raiva, achá-lo um cara de pau, ou um cretino ou qualquer outra palavra que ela encontraria facilmente para xingá-lo, mas não o fez. A verdade é que de alguma forma ela gostou daquilo, achou que, talvez, ele realmentegostava dela.

Não respondeu ao bilhete, serviu todos os novos pedidos que ele fizera até que Damon tivera que pedir a conta, afinal, já estava mais do que atrasado para ir ao escritório.

–Você não respondeu o meu bilhetinho. –Falou de forma sedutora enquanto a analisava de um jeito diferente, Elena achou que ele a olhava quase que carinhosamente.

–Eu te respondo hoje à noite, pode ser? –Exibiu um sorriso quase malicioso e ousou flertar com ele tão naturalmente que ela mesma não acreditou.

–Tudo bem. –Respondeu satisfeito, tinha gostado da resposta dela. –Eu vou cobrar a sua resposta.

–Pode cobrar.

...

Elena não sabia o que estava acontecendo com ela, ou porque ela estava se comportando daquela forma, se deixando levar tão facilmente. Ela vinha tentando o máximo que podia para não se envolver, mas estava ficando cada vez mais difícil, porque cada vez que olhava para Damon sentia alguma coisa, um sentimento que ela julgou que nunca mais sentiria pulsava em seu corpo.

Não conseguia negar que estava gostando dele, gostava cada vez mais. Gostava até mesmo do jeito dele que, antes, tanto a irritava. Bem, ela iria sair de novo com ele e por mais que tentasse reprimir o que sentia, a ansiedade percorria seu corpo intensamente.

Estava aflita para vê-lo novamente.

A verdade é que seus dias se tornavam iluminados pela presença dele, assim que chegava ao trabalho ficava esperando por ele, ficava esperando para ver aquele sorriso lindo e irresistível e poder olhar profundamente para o mar azul dos olhos dele. E quando ele não aparecia, ela passava o dia inquieta, olhava o tempo inteiro em direção à porta, esperando vê-lo.

Por sorte, ele estava indo diariamente lá e bem, depois que eles saíram juntos no dia anterior, não houve um minuto em que ela não tivesse pensado nele, era como se ele preenchesse todos os seus sentimentos e, bem, era como se também preenchesse aquele vazio horrível que ela tinha dentro de si mesma.

As horas não passavam, se arrastavam pelo tempo, tentando se agarrar a ele e não deixar que ela pudesse encontrá-lo logo. Olhava para o relógio o tempo inteiro, por isso, a sensação de que o tempo não passava, mesmo sabendo que ele nunca se altera.

Seu turno na lanchonete finalmente acabara e ela teria apenas alguns minutos para se arrumar antes de Damon chegar. Para piorar, ela não tinha outra roupa a não ser a roupa do trabalho, afinal, não esperava receber um convite para sair e também não esperava ser tão burra ao ponto de não ter se lembrado disso quando aceitou o convite dele.

Por sorte, tinha maquiagem em sua bolsa, e isso sim era um fato surpreendente. Estava vaidosa por causa dele, somente por causa dele. Soltou os cabelos e agradeceu o fato deles não armarem mesmo depois de terem passado o dia preso no alto rabo de cavalo.

Penteou cuidadosamente os fios sedosos, deixando-nos cair sob suas costas naturalmente. Passou maquiagem, batom, lápis de olho, sombra. Estava linda, mesmo se achasse que não estava. Olhou-se no espelho, não acreditou que iria sair mesmo com as roupas de trabalho. Tirou o avental e se olhou novamente, bem, ela não estava assim tão mal. Passou um pouquinho do perfume que também passou a carregar na bolsa. Ela estava pronta e quando saiu Damon já estava lá a esperando.

–Oi, linda Elena. –Damon falou num tom provocador e abriu um irresistível sorriso. Bem, ela estava mesmo linda. A garota era tão incrível que ficava bonita até mesmo nas roupas de trabalho e nunca era enjoativo vê-la vestida daquela forma. Bem, é lógico que seria muito melhor vê-la sem roupas, mas isso não vinha ao caso naquele momento.

–Oi, sexy Damon. –Respondeu tentando entrar na brincadeirinha dele, mas ao contrário do que era para ele, fazer esse tipo de brincadeirinha não era costumeiro para ela, por isso sentiu a pele de seu rosto queimar numa intensa vergonha. Por que com tantas palavras, tivera que escolher justosexy? Não precisava ter se denunciado daquela forma, mas já tinha feito. Elena era mesmo burra, pensou.

Damon a abraçou e a garota sentiu um arrepio percorrer-lhe todo o corpo. Desde quando ela tinha lhe dado à liberdade de abraçá-la daquele jeito? Bem, ela não tinha dado, mas também não conseguiria dizer que ele não poderia abraça-la. Seu coração batia vergonhosamente alto num compasso acelerado.

Suspirou profundamente, tentando manter a razão. As suas bochechas se avermelharam ainda mais quando reparou que todos os estavam olhando enquanto caminhavam daquela forma, juntinhos.

Ele fora gentil o suficiente para abrir a porta do carro para que ela entrasse. Elena sentiu-se especial, quase uma princesa. Nunca ninguém abrira a porta do carro para ela, nem mesmo seu ex-noivo, aquela canalha, pensou. Olhou para Damon e demorou-se mais do que gostaria em cada detalhe dele.

Damon era mesmo lindo.

O moreno percebeu e sorriu, balançando negativamente a cabeça. Elena era uma graça. Quando pararam em um sinal, levou uma das mãos até a dela, segurando-a, fazendo carinho de leve. A garota congelou. Não sabia o que fazer, deveria tirar a mão, mas não conseguia, gostava do toque dele, gostava da sensação de formigamento que fluía por todo seu corpo, gostava daquela atração inegável.

Quando ele tivera que soltar a mão dela para voltar a dirigir, a garota suspirou alto num lamento. Damon sorriu satisfeito e Elena olhou para o lado envergonhada.

–Elena... -Chamou-a num tom suave, melodioso, sua voz rouca era extremamente sensual. Elena sentiu calafrios só de escutá-lo. Ele estava mexendo com ela e bem, ela também estava mexendo demais com ele. Ela era a garota com quem ele já investira mais tempo. Se uma garota se fizesse de difícil por muito tempo, ele se entediava e largava, embora quase nenhuma garota fosse difícil para ele. Só que ele não conseguia se entediar com ela, havia algo encantador nela, havia algo naquele sorriso tímido, no brilho daqueles olhos castanhos e até mesmo no mau humor dela. -Você vai me dar o beijo que eu pedi?

–Eu ainda estou pensando sobre isso. -Respondeu docemente, a voz abalada, afetada por ele. Estava se tornando quase impossível resistir a ele, ao jeito dele. Todo seu corpo pulsava por ele, era como se de alguma forma, ele a hipnotizasse.

–Mas você disse que iria me responder hoje... -Ela também o encantava, era a única, em muito tempo, que fez com que ele se sentisse daquela forma. Não podia perdê-la, mas não conseguia conter a ansiedade de pelo menos sentir o gosto da boca dela, a textura dos lábios femininos. Precisava beijá-la.

–Eu disse que eu ia te responder essa noite... -Sussurrou de uma forma incrivelmente sexy. Damon não sabia como ainda não tinha lhe roubado um beijo, aquela garota o estava enlouquecendo. -E a noite ainda não acabou...

–Eu ainda posso ter alguma esperança? -Perguntou ansioso, virou o rosto para olhá-la. Ela era tão bonita e aquela roupinha justa a deixava ainda mais linda. E bem, não era só a beleza inegável da garota, o jeito meigo era o que a tornava diferente, especial.

–Eu acho que sim. -Ela deveria ter dito que não, que jamais iria beijá-lo. Elena não podia acreditar em si mesma parecia que já tinha até se esquecido do que seu ex lhe havia feito, do tanto que ela sofreu e ainda sofria. Deveria olhar paras marcas em seu pulso escondidas pelas luvas que usava e perceber que iria sofrer mais ainda se ela se envolvesse com outra pessoa. Quem iria gostar de alguém como ela? Ela era um fracasso em tudo.

–Isso é muito bom. -Falou num sussurro, a voz rouca e melodiosa. Bem, ele poderia gostar de alguém como ela, ou melhor, já gostava. Não sabia dizer exatamente como se envolveu com ela, quando percebeu já estava completamente encantado.

–Para onde nós vamos? -Perguntou curiosa, precisava sair daquele carro logo, pois já estava ficando completamente viciada nele, na voz sedutora, o perfume, o sorriso e aqueles olhos tão azuis...

–Para minha casa. -Respondeu naturalmente e sorriu ao perceber que a garota se encolheu no banco do carro. -Fica tranquila, eu não vou tentar nada com você. -Tentou conter o riso, mas não conseguiu completamente. Tentava imaginar o que se passava na cabeça dela. Ela era realmente diferente e muito intrigante. -Bem, eu posso tentar roubar a resposta de você, se você não me der. — Fez referência ao beijo que havia pedido mais cedo a ela.

Elena ficou sem palavras, a pele de seu rosto queimava numa temperatura cada vez mais alta, não sabia o que dizer e bem, não queria se complicar falando alguma coisa que pudesse denunciar que ela queria realmente beijá-lo, embora fosse fazer de tudo para se controlar e não beijar.

–Eu pensei que como você sempre fica me servindo quando eu vou à lanchonete, então decidi que sou eu quem vai servir você hoje. -Abriu um daqueles sorrisos de tirar o fôlego de qualquer garota. -E eu também vou cozinhar para você.

–Você sabe cozinhar? -Perguntou surpresa e então, viu a oportunidade de fazer uma piadinha. -Ou eu já devo me preparar para passar muito mal depois?

–Não precisa se preocupar. -Falou ainda sorrindo, ela era mesmo uma graça e uma ótima companhia. -Eu sou um ótimo cozinheiro. –E o que você vai querer comer?

–O que você sabe fazer? –Perguntou interessada.

–Tudo. –Respondeu de forma convencida.

Elena revirou os olhos. –Tudo bem, então o que você mais gosta de cozinhar?

–Pizza. –Respondeu tranquilamente.

–Então, eu quero pizza.

–Então, eu vou fazer pizza para você.

–Eu não consigo te imaginar cozinhando. -Falou sinceramente.

–Uma semana atrás você não conseguia nem me imaginar sendo um cara legal... -Provocou.

–E quem disse que eu te acho legal? –Tentou disfarçar, é lógico que ela o achava legal e até mais do que isso. –Eu continuo te achando o mesmo chato, irritante e safado.

–Então por que você está saindo pela segunda vez comigo? –Perguntou exibindo um sorriso convincente em seus lábios.

–Porque você ficou me irritando até aceitar seu convite. –Falou irritada.

–Eu acho que é outra coisa... –Continuou no mesmo tom provocador.

–E o que poderia ser? –Perguntou curiosa.

–Você está apaixonada por mim, Elena. –Falou numa certeza inabalável. Se ele estava se apaixonando por ela, é lógico que ela também estava se apaixonando por ele.

–Eu apaixonada por você? –Revirou os olhos. –Claro que não. –Balançou a cabeça negativamente. –Lógico que eu não estou apaixonada por você.

–Claro, claro. –Respondeu rindo. Adorou ver a expressão da garota. Ela estava nervosa, envergonhada como sempre.

Finalmente chegaram até a casa de Damon. Elena observou atentamente cada detalhe. A casa dele era e muito bonita.

–Bem, essa é a minha casa — Falou enquanto suas mãos buscavam a dela e a conduziam pelo imenso apartamento.

–Você quer dizer que essa é a sua mansão. –Falou ainda deslumbrada com aquela casa perfeita. –Isso aqui é imenso e lindo. –Naquele instante, Elena sentiu alguma coisa roçando nas suas pernas, um arrepio percorreu-lhe sua espinha, assustou-se e apertou a mão dele com ainda mais força.

–Calma, Elena. –Damon começou a rir. –É só o meu gatinho. –Apontou para o bichinho que continuava a se esfregar numa Elena congelada de medo.

–Ai, que susto. –Suspirou aliviada e abriu um sorriso constrangido. Abaixou-se para olhar par ao gatinho. –É tão bonitinho. –Falou enquanto acariciava a orelha do bichinho. –É tão fofo.

–Que bom que você gostou dele, já estava achando que você tinha medo. –Falou ironicamente. –Ele gostou e você sabia?

–Por que você diz isso?

–Porque ele não costuma se esfregar em qualquer pessoa assim tão fácil.

–Então o gato é mais exigente que o dono? –Perguntou sarcasticamente. –Não se esfrega em qualquer uma.

–Voltamos à estaca zero. -Revirou os olhos. –Você me achando um canalha, safado e galinha.

–Eu nunca deixei de achar. –Respondeu irritada.

–Tem razão. – Falou sedutoramente enquanto a abraçava e sentia o corpo da garota amolecer. –A diferença é que agora você gosta de mim mesmo me achando um canalha. –Um sorriso desenhou-se nos lábios perfeitos.

–Eu já disse que eu não gosto de você. –Falou irritada, mas a verdade é que sim, ela gostava dele, mas nunca iria admitir, não admitiria nem para si mesma.

Damon a levou até a enorme sala de jantar. Puxou a cadeira para que ela se sentasse, Elena sorriu, já deixando se encantar novamente por ele. Por mais que tentasse resistir, sempre terminava se envolvendo, havia um magnetismo entre eles, uma atração, um sentimento.

–Vinho? –Perguntou enquanto escolhia o melhor vinho que possuía em sua adaga.

–Pode ser... -Respondeu hesitante, não era do tipo que costumava beber, mas, faria uma exceção naquela noite.

Damon serviu duas taças de cristal e levou até a mesa, deixando, também, a garrafa sob a mesa. Elena abriu um sorriso delicado para ele e pegou a taça dando um golinho. Aquele vinho era mesmo delicioso, suave e doce como ela gostava.

–Pelo visto eu escolhi o vinho certo. –Damon falou num tom mais cuidadoso e carinhoso do convencido.

–É eu acho que sim. –Falou envergonhada.

–Ótimo. –Um novo sorriso brincou em seus lábios. –Bem, você quer ouvir música?

–Sim, eu quero. –Continuou ainda um pouco constrangida, não estava acostumada a ser bem tratada. O patrão gritava com ela quase que o dia inteiro, os pais a abandonaram, o noivo a havia abandonado...

–Que tipo de música você gosta?

–Qualquer uma...

–Você parece ser uma menina romântica. –Concluiu, enquanto colocava uma música suave e lenta para tocar.

–Eu gosto dessa. –Sorriu, agora um pouco mais confiante.

–Acertei de novo. –Sorriu em retribuição, ela fica tão linda quando sorri desse jeito, pensou. –Quantos acertos mais eu vou precisar?

–Para que? –Perguntou confusa?

–Para você me beijar...

–Voltamos a isso. –Sussurrou. Não, ela não podia beijá-lo, já tinha ido longe demais estando ali. Ela havia prometido a si mesma que nunca mais se envolveria com outro homem, não queria se magoar novamente.

–Nós nunca saímos disso. –Falou enquanto a olhava diretamente nos olhos. Aqueles olhos tão castanhos possuíam um brilho único, eram tão lindos, o rosto de traços delicados, e aquele sorriso frágil e tímido... Ele estava mesmo se apaixonando pela garota.

–Você não vai desistir, não é?

–Não.

–Por quê? –Perguntou confusa. -Por que você quer tanto me beijar?

–Porque eu gosto de você, Elena. –Falou sinceramente. –Por que você não acredita que alguém possa gostar de você?

–Porque eu... -Fez uma pausa. Não ela não precisava contar tudo que lhe acontecera. –Esquece.

–Eu quero saber. –Falou eu um tom preocupado. –Eu realmente me importo com você.

–Mas eu não quero falar sobre isso. –Encolheu-se, como se estivesse se defendendo. –Não agora.

–Tudo bem. –Foi compreensivo. –Bem, eu vou até a cozinha fazer a sua pizza. –Fez uma pausa. –Qual sabor você gosta?

–Tente adivinhar. –Abriu um sorriso.

–Se eu adivinhar, você vai me beijar? –Tentou novamente e a olhou com uma carinha pidona.

–Talvez. –Sorriu.

Damon foi até a cozinha, precisava fazer a massa da pizza, por sorte, possuía uma receita rápida, não queria deixá-la esperando muito tempo. Só que Elena não queria esperar tempo algum, queria ficar perto dele, gostava da companhia dele.

–Posso ajudar? –Perguntou docemente.

–Não precisa. –Falou suavemente. –Você passa o dia em pé de um lado para o outro, descansa um pouco lá na sala.

–Eu sei que eu sou desastrada. –Sorriu sem jeito — Mas eu juro que eu não vou derrubar toda a farinha.

–Eu não achei isso. –Falou sorrindo, ela era mesmo uma graça. –Bem, mas eu ia ficar muito feliz se você não derrubasse a farinha em cima de mim.

–Que engraçadinho você. -Revirou os olhos.

–Não que eu ache que você possa ser capaz disso. –Sorriu. -Nunca que você derrubaria a farinha ou qualquer outro ingrediente.

–Lógico que não... -Sorriu também.

–Bem, se você quiser, eu posso te ensinar a fazer a massa da pizza...

–Eu quero.

Damon a ensinou pacientemente, falou todos os ingredientes e explicou como deveria mexer para que a massa ficasse no ponto certo. Elena estava encantada, não imaginava que ele realmente pudesse saber cozinhar, mas pelo visto ele sabia. Na verdade, ela achou que ele não soubesse fazer nada que fosse, alguém mimado cujas vontades eram todas satisfeitas e que ele não precisaria se incomodar em aprender nada. Ele era mesmo incrível, muito melhor do que ela poderia imaginar.

–Você vai querer qual sabor de pizza?

–Você não ia tentar adivinhar qual é o meu preferido?

–Hummm... -Fez uma pausa. –Você tem cara de que gosta de portuguesa. –Falou num tom confiante.

–Como você adivinhou? –Perguntou surpresa.

–Acho que eu simplesmente conheço você só de olhar. –Falou num tom carinhoso e Elena o olhou bem nos olhos, os olhares se encontraram de uma forma diferente, quase apaixonada.

–Bem, a gente pode fazer uma pizza doce também? –Perguntou tentando mudar de assunto, seu corpo estava perturbadoramente próximo ao dele, não podia continuar com isso, não podia.

–Claro, Elena. –Tentou diminuir ainda mais a distância que havia entre eles, mas a garota se afastou.

Quando as pizzas ficaram prontas, levaram-nas até a mesa na sala de jantar. Damon a serviu cuidadosamente.

Elena provou um pedaço da pizza. –Uau, está ótima. –Falou impressionada e o observou cuidadosamente. Ele era tão bonito e bem, ele era sim muito legal. Ela gostava dele, seu corpo inteiro pulsava por ele.

–Eu disse que eu sou um ótimo cozinheiro. –Piscou descaradamente.

–Bem, falando nisso, eu não sei quase nada sobre você. –A garota falou num tom baixinho, evitando olhá-lo nos olhos.

–E o que você quer saber? –Perguntou naturalmente.

–Você trabalha com o que?

–Eu sou dono de uma agência de prostitutas. –Falou em tom de piada só para provocá-la.

Elena revirou os olhos. –Sério.

–Eu sou dono de uma agência de publicidade. –Fez uma pausa. –Sou eu quem faz muitos dos anúncios que você vê na televisão.

–Por isso que você conseguiu me convencer a sair por duas vezes. –Sorriu. –Você é bom.

–Não tão bom assim. — Damon falou sedutoramente, levou uma das mãos até a dela, que deixou que ele a acariciasse em nenhuma resistência. –Você ainda não me beijou...

–A noite ainda não acabou... -Abriu um sorriso quase malicioso. –Por que nós não terminamos de jantar primeiro?

–Tudo bem. –Concordou, afinal, não havia muita coisa que pudesse fazer.

Terminaram o jantar e foram até a sala de estar, sentaram-se no confortável sofá.

–Bem, você tem razão, eu te acho legal agora. –Falou meio sem jeito enquanto brincava com o copo de vinho. –Bem, não que você não possa ser incrivelmente irritante quando quer... -A pele de seu rosto corou.

–Eu sei disso. –Sorriu enquanto a abraçava, cortando a distância que havia entre os dois.

Elena se arrepiou, deveria se afastar, mas não conseguia, gostava daquela proximidade. Damon acariciou os longos e sedosos cabelos castanhos, sentiu o cheiro inebriante do perfume dela. As mãos tocaram a face de pele macia, percorreu cada traço, cada centímetro.

Os lábios se aproximaram, selando-se um no outro, iniciando um beijo suave, doce. Elena levou uma das mãos ao rosto dele, acariciou-lhe a pele cuidadosamente. Seu corpo inteiro vibrava, não queria se afastar nunca mais do dele. O beijo se intensificava, se tornava profundo, delicado e ao mesmo tempo ardente. Só que de repente, os dois puderam sentir a gatinho de Damon pular no colo dele e ficar no meio dos dois, passando a se esfregar nele. Elena começou a rir, aquilo era tão fofo, mesmo o bichinho tento atrapalhado o beijo dos dois.

–Eu acho que ele tem ciúmes de você. –Falou ainda sorrindo.

–Ou ficou com ciúmes de você. –Brincou. –Faz tempo que eu não trago ninguém tão bonita e especial para casa.

–Sabia que quando você fala assim você me deixa sem graça? –Falou num tom afetado, estava se derretendo por ele.

–Eu só estou falando a verdade. –Sussurrou no ouvido dela enquanto brincava com seus longos cabelos. –Você é linda.

–Obrigada. –Abriu um sorriso lindíssimo e deixou os lábios encontrarem os dele novamente, a língua abrindo caminho, procurando pela dele para que se entrelaçarem numa dança ritmada. Beijaram-se longamente, o beijo se aprofundava, os sentimentos se tornavam mais intensos, quase palpáveis.

–Eu gosto de você. –Elena finalmente admitiu entre os beijos, mordiscou-lhe o lábio inferior e voltou a beijá-lo apaixonadamente.

–E eu adoro você, Elena. –Damon também confessou, acariciou-lhe o rosto cuidadosamente enquanto a beijava, o gosto do beijo dela era o mai doce que já havia experimentado em toda a sua vida. Aquela garota era mesmo a garota mais especial, a que ele queria que fosse para sempre sua.

...

Elena acordou pensando que havia vivido algum tipo de sonho na noite passada, o encontro que tivera com Damon foi simplesmente magnífico, o mais perfeito que tivera em toda sua vida. Ainda não podia acreditar que não ficara na casa dele, não passara a noite com ele, isso, com certeza, teria feito com que tudo tivesse sido ainda melhor, mas ela não ficara, não estava pronta para se entregar a ninguém, ainda mais para se entregar a ele.

Havia uma parte dela que jamais conseguiria entender porque um homem como Damon poderia se interessar por ela e por mais demonstrações de afeto que ele pudesse lhe dar, ela sempre acharia que ele queria se aproveitar, de alguma forma, dela. Arrependeu-se de tê-lo beijado, arrependeu-se de ter se deixado levar, de ter se envolvido com ele, de ter confessado, em voz alta, que gostava dele.

Na verdade, não conseguia se arrepender, afinal, seu coração pulsava acelerado só de pensar no nome dele, seu corpo inteiro pulsava. O que estava acontecendo com ela? Ela não estava apaixonada, não poderia estar, mas já estava, não podia negar o que sentia, não podia evitar a forma como ele a cativava. Elena, sua idiota, repreendeu a si mesma. Já está apaixonada por outro canalha, vai ser bem feito quando ele partir seu coração, continuou brigando consigo mesma.

Ela que tinha prometido que jamais amaria de novo, já estava percorrendo a trilha do amor novamente e ela já deveria saber para que ela, esta trilha só reservava espinhos e decepção. Tentou ignorar todos aqueles pensamentos pessimistas, pelo menos por alguns minutos, ou melhor, por algumas horas, afinal, concordou que ele podia passar na casa dela, de manhã cedo, para levá-la ao trabalho. Irritou-se ao lembrar-se que não poderia se arrumar toda, escolher uma roupa bonita e sexy, teria que vestir aquele uniforme ridículo de trabalho.

Outra parte dela achou que aquilo era ótimo, afinal, não seria outro encontro, era apenas uma carona, nada demais. Ela não iria mais continuar se envolvendo com ele. Eles seriam apenas amigos, estava decidido. Ainda assim, Elena demorou-se no banho, cuidou dos cabelos, passou um creme perfumado no corpo, maquiou-se cuidadosamente e então vestiu aquele uniforme ridículo, mas que definitivamente lhe vestia bem, afinal, ela tinha um corpo muito bonito, curvas bem desenhadas, proporções perfeitas.

Ela era linda, mesmo se não acreditasse nisso. A garota demorou mais do que o usual para se arrumar, por isso, acabou se atrasando um pouco, Damon já estava esperando por ela, dessa vez estava com outro carro, não a Ferraria que ela estava acostumada a ver, dirigia desta vez uma Mercedes Benz. Elena sentiu-se quase desconfortável com aquilo, afinal, ela morava num bairro no meio do nada, numa casa horrível e ele tinha sabe-se-lá quantos carros e morava numa mansão, a vida dela era horrível e a dele era quase que perfeita, eles não tinham nada em comum. Ela entendia menos ainda como ele podia perder seu tempo com ela.

–Bom dia, linda. -Damon falou exibindo um sorriso irresistível em seu rosto enquanto analisava a garota numa expressão quase maliciosa, ela estava tão bonita, não conseguia deixar de notar, não conseguia deixar de desejar aquele corpo de curvas perfeitas nem por um segundo.

–Oi, Damon. -Elena abriu um sorriso natural, carinhoso e depois se encolheu, envergonhada, ao perceber a forma como ele a olhava, ou melhor, ele quase a devorava com o olhar.

Damon saltou do carro, caminhou até ela. Elena achou que iria morrer, o ar lhe faltou, ele era tão bonito, e a expressão sonolenta dele, os cabelos meio bagunçados, os primeiros botões da camisa abertos deixando o peitoral sarado à mostra... Céus, como ele é lindo, pensou ainda tentando recuperar o fôlego. Ele a puxou pela cintura e todo o corpo dela pulsou, pareceu incendiar só com aquele gesto.

Os lábios dele alcançaram os dela, precisava beijá-la novamente, Damon estava sedento por ela, pelo sabor delicado e adocicado da boca de Elena. A garota correspondeu instintivamente ao beijo, ignorando todos os avisos que sua mente lhe dava sobre o quão era errado se envolver com ele. Não deveria beijá-lo, mas simplesmente não podia parar. Por um instante, se entregou totalmente, deixou que as mãos dele avançassem mais do que deveriam sob seu corpo, explorando-o em cada mínimo detalhe. Só que ela não tivera a mesma coragem para que suas mãos passeassem livremente no corpo dele, era tímida demais para isso e foi aquela timidez que a freará e fizera com que ela parasse e se afastasse dele. Elena ainda arfava quando olhou nos olhos azuis dele com uma expressão sem jeito, sem graça.

–Você não devia me beijar desse jeito... -Falou com dificuldade, sua respiração acelerada não deixava que ela controlasse seu tom de voz.

–Por que não? -Damon perguntou exibindo um sorriso carinhoso em seus lábios. Levou uma das mãos até a face da garota e acariciou suavemente, sentindo a textura delicada da pele feminina. O sorriso se alargou em sua face, ele gostava mesmo dela, gostava daquele jeitinho doce. Ela era especial, era um tipo de garota que não se encontra facilmente por aí.

–Por que eu não quero me apaixonar por você... -O tom de sua voz ainda era fraco, extremamente frágil assim como o coração da garota. Não podia gostar dele e ser deixada, magoada, não seria capaz de suportar.

–Você já está apaixonada por mim, Elena. -Damon falou com convicção, podia perceber pela forma como ela o olhava que ela estava apaixonada, podia perceber facilmente pela forma como ela correspondeu ao seu beijo. -Completamente apaixonada. -Falou exibindo um sorriso quase convencido.

Elena ficou sem palavras, encolheu-se novamente, o rosto queimou ainda mais forte de vergonha. Por que ela tinha que demonstrar tudo que sentia? Ela era mesmo uma burra, uma idiota, uma tonta, xingou-se novamente. -Eu já te disse que eu não estou apaixonada... -Falou no tom mais convincente que possuía, mas não fora capaz de convencer a si mesma.

–Claro, claro... -Damon concordou sem nem mesmo conseguir conter seus risos. Balançou a cabeça negativamente, achando graça da atitude da garota.

–E eu estou atrasada... -Elena falou num tom quase mal humorado, e mudou sua expressão numa raiva forjada.

Damon continuou sorrindo, divertia-se com o mau humor dela, ela ficava ainda mais bonita quando se irritava. Abriu a porta do carro para que ela entrasse.

Quando ele entrou no carro também, Elena cruzou os braços e olhou para o lado. Às vezes, ela parecia uma menininha mimada, mas isso era o que a fazia tão diferente, tão especial, ela não era como as outras.

Elena bufou quando percebeu que Damon a estava olhando quase que encantado, mas no fundo, ela adorava quando ele a olhava daquela forma, fazia bem a ela, fazia com que ela se sentisse linda.

–Eu trouxe café... -Damon falou pegando os copos da Starbucks que estava no suporte do carro. -Já que eu vinha te buscar hoje, achei que não precisava ir até a lanchonete para tomar café com você. -Fez uma pausa para analisar a expressão dela que se suavizava pouco a pouco. -E bem, nós poderemos tomar café realmente juntos. -O sorriso se alargou em sua face. -E sem que eu tivesse que implorar para você aceitar tomar café. -Falou num tom brincalhão, mas a verdade era que se ele tivesse que convidá-la para tomar café ela iria demorar horas para aceitar ou apenas iria dizer que estava atrasada para o trabalho.

–Ah... -Elena abriu um sorriso achou muito doce e gentil a atitude dele, ele era o único que a tratava assim, o único que parecia se importar com ela. -Muito obrigado. -Falou enquanto pegava o copo e dá um golinho.

–Eu também trouxe muffins, achei que o de chocolate fosse seu preferido.

–Você adivinhou de novo. -Elena falou surpresa e encantada. -Como você faz isso?

–Eu já disse, eu conheço você... -Damon falou naturalmente, aos poucos uma expressão irônica se delineava em sua face. -Mais um motivo para você ser apaixonada por mim... -Piscou sedutoramente.

–Você é mesmo maravilhoso... -Elena finalmente admitiu. -Eu gosto de você. -Fez uma nova pausa, tentando conseguir coragem para continuar falando, porque havia uma parte dela que simplesmente queria esquecer-se de tudo que sofrera e se jogar nos braços dele. Ela precisava recomeçar, precisava esquecer o quanto seu ex a fizera sofrer. -Só que eu não quero me envolver com ninguém.

–Por quê? -Damon perguntou confuso, como aquela garota tão linda, doce e romântica não queria um namorado?

–Porque eu... -Fez uma longa pausa, era difícil falar sobre tudo que tinha passado. -Eu me envolvi com alguém que me magoou demais, não quero ser magoada de novo.

–Você não deveria achar que todos vão magoar você. -Falou de forma compreensiva e a olhou carinhosamente. -Eu não vou te magoar, Elena, eu realmente gosto de você. -Confessou.

–Não é tão simples assim. -Lamentou. -E eu não... -Não conseguiu continuar, nem queria mais falar sobre aquilo. -Será que nós podemos apenas aproveitar o nosso café da manhã?

–Tudo bem. -Concordou, não iria pressionar para que ela falasse, ele iria conquistá-la pouco a pouco, já estava conquistando.

Elena estendeu o braço para pegar o copo de café no porta-copos e foi aí que Damon reparou nas marcas que as luvas que ela costumava usar escondiam.

–O que são essas marcas nos seus pulsos? -Perguntou quase assustado, haviam cicatrizes horríveis nos pulsos da menina.

–Ah, eu esqueci minhas luvas. -Foi à primeira coisa que conseguira dizer, aquelas luvas brancas eram as únicas peças que gostava em todo seu uniforme, principalmente porque elas escondiam as marcas.

–Sério, Elena... -Ele pediu, já imaginando o que acontecera, afinal, não se era muito difícil de adivinhar, era muito fácil, na verdade, aquelas marcas de cortes nos pulsos da garota falavam por si mesmas.

–Não é nada. –A garota cruzou os braços novamente, escondendo a área dos pulsos.

–Você tentou se matar. –Aquilo não era uma pergunta, era uma afirmação. –Por quê?

–Damon... -Sussurrou como se pedisse para que ele não insistisse.

–Você precisa falar sobre isso com alguém... -Ele tentou, não iria desistir de saber o motivo, ele gostava dela e por isso se preocupava com ela. Queria ajudá-la.

Elena baixou o olhar, sentiu todo seu corpo se agitar, só de se lembrar do dia em que tentara suicídio, sentia um desespero terrível tomar conta de sua alma como se revivesse aquele momento. –Foi por causa do meu ex-noivo... -Finalmente respondera. –Ele me abandonou um mês antes do casamento, eu passei um ano inteiro planejando a festa, já tinha até distribuído os convites. -Conteve-se para não chorar, Damon levou um dos braços até as costas dela, a envolvendo, a trazendo para mais perto, ela se acomodou, gostou daquela proximidade, podia ficar juntinha com ele enquanto ele dirigia.-Eu me senti tão sozinha, todo meu mundo desabou. –Fechou os olhos. –Meus pais não queriam mais saber de mim porque eu escolhi ficar com ele, eu não tinha ninguém com quem contar, não conseguia mais viver, eu sentia tanta dor e ela não passava, ela nunca passava e eu me sentia tão sozinha... -Falou em meio às lágrimas, não conseguiu segurá-las. –Tudo que eu queria era morrer...

–Eu sinto muito por tudo isso, Elena. –Falou suavemente, enquanto a acariciava. Agora entendia porque ela tivera raiva dele, porque fugia tanto e porque não queria se envolver com ele ou com ninguém. –Você é uma menina maravilhosa, você é linda, é doce, é meiga, você é apaixonante. –Tudo que ele dizia era verdade, ele tinha certeza que ela era à garota mais incrível do mundo, nunca conhecera alguém como ela, nem ninguém que sequer chegava perto de como ela era e ele já tivera muitas garotas, mas nunca tão especial. –Se ele não conseguiu ver tudo isso, tenha certeza que o problema estava com ele. –Sorriu carinhosamente. –E você não precisa mais se sentir sozinha, eu vou estar aqui com você, eu gosto de você. –Admitiu mais uma vez.

–Muito obrigada. –Falou numa voz suave, afetada pelas lágrimas e pela sensação calmante que as palavras dele lhe deram Sentiu-se querida pela primeira vez em muito tempo, sentiu-se protegida. –Eu também gosto de você, você é muito fofo. –Sua voz soou quase infantil, estava encantada por ele, hipnotizada, completamente apaixonada.

–Finalmente, um elogio. –Ele riu. –Fofo é um elogio, não é?

–Claro que é. –A garota riu também.

Ficou abraçadinha nele quase o tempo inteiro enquanto ele dirigia até chegarem à lanchonete. Naquele dia, lamentou que ele não fosse entrar e pedir que ela lhe trouxesse café, ela costumava reclamar tanto quando ele chegava, mesmo se no fundo, quisesse que ele fosse e ficasse bastante tempo lá, mas naquele dia, ela não queria reclamar, ela queria apenas a presença dele, não queria se afastar nem por um minuto e aquele era justo o dia que ele não poderia ficar, tinha uma reunião logo cedo na empresa e era algo muito importante, não podia se atrasar e também não podia desmarcar, teria que ir. Despediram-se com um longo beijo na boca, um beijo que revelara muitos dos sentimentos que eles ainda não haviam confessado em voz alta, os dois estavam apaixonados, aquele “gostar” já estava se tornando algo muito mais forte, um sentimento muito forte e sincero que se tornava cada vez mais intenso, mais profundo.

Notas finais
Por favor, comentem

=*