Notas iniciais
Postei 3 capítulos seguidos (daqueles que eu já tinha postado antes do Nyah excluir a fic)

Quero chegar logo nos caps novos

Beijinhos

Não abandonem a fic, por favor

Beijinhos

Elena sentia-se péssima, já no seu primeiro dia de trabalho havia derrubado o café e creme na sua própria roupa e ainda quebrara a louça e teria que pagar por ela. Não tinha ganho quase nenhuma gorjeta porque os clientes todos reclamavam de como a morena demorava em trazer os pedidos e muitas vezes os traziam errado. Ela era mesmo uma negação, nem um trabalho simples ela conseguia fazer.

Por ela, largaria tudo e ficaria em casa chorando, mas ela não podia, uma vez que não ia morrer mesmo. Culpa dela também, não conseguira nem cortar os pulsos de uma forma que fosse fatal. A garota não tinha com quem contar, seus pais não queriam mais saber dela por causa do antigo noivo, ela havia fugido de casa para ficar com ele.

E o canalha a ainda tinha abandonado. Achou-se uma burra por tê-lo amado tanto e estar se guardando para ele. Sim, ela era mesmo uma idiota. Seus pais diriam que era bem feito e ela não precisava ouvir isso, já era doloroso o suficiente. Olhou-se no espelho e se achou horrível, muito pior que costumava achar.

Estava com uma aparência exausta e toda suja e para piorar, duvidava que a mancha de café no avental branco fosse sair totalmente. Ótimo, havia destruído seu uniforme, tudo isso por causa daquele idiota que havia atendido. Por que fora se importar com alguém como ele?

Alguém tão inconveniente, metido e...lindo. Mas que droga, Elena, pensou! Será que ela teve que reparar nele? Ele era um idiota e nada mais. Tudo bem, ele era o idiota mais lindo que ela já tinha visto. Ao mesmo seu horário de trabalho tinha acabado e ela poderia ir para casa.

Suspirou pesadamente, ir para casa não era assim tão bom, por diversos motivos; odiava a ideia de solidão, sua casa estava sempre vazia, não tinha amigos e principalmente, ela não tinha um marido, justo ela que tanto sonhou em se casar. E o segundo motivo era muito mais fútil, ela teria que pegar dois ônibus e metrô e eram mais de duas horas de viagem.

Ela trabalhava num bairro muito luxuoso, mas o bairro onde morava não tinha nada de luxuoso. Bem, pelo menos, ela tinha onde morar, pensou. Ela estava dramática demais naquele dia, mas o que não lhe faltavam eram motivos para todo aquele drama. Caminhou até o ponto de ônibus, que ficava em frente a um edifício comercial.

Já estava esperando há quase quarenta minutos e nada ainda, seus pés já estavam doendo de tanto ficar em pé em cima daquele salto altíssimo. Por que ela tinha que usar aqueles malditos sapatos para trabalhar? Que tipo de garçonete trabalha daquele jeito?

Nem iria mais se incomodar com isso, lembrou-se apenas que deveria trazer em suas coisas um tênis para quando fosse embora do trabalho.Depois de mais algum tempo, ela vira uma Ferrari preta conversível da garagem. A garota olhou curiosa e atentamente, era a primeira vez que via um carro tão caro assim tão perto.

Foi aí que ela pode reconhecer quem estava dirigindo. Era o “cara idiota” de mais cedo. Elena rolou os olhos, era por isso que ele era daquele jeito. Era rico, ou melhor, muito rico. Escondeu-se como pode para que ele não a visse, do jeito que ele era irritante, não duvidava que parasse só para provocá-la ou soltasse uma piadinha, mas isso não aconteceu.

Damon estava ocupado demais com a garota morena que estava com ele. Além de idiota, metido, inconveniente e irritante, ainda é um canalha, Elena pensou, lembrando-se de não se esquecer de nenhum adjetivo para descrevê-lo. Mais uns cinco minutos e finalmente o ônibus dela chegou, foram quase duas horas e meia até chegar em casa e quando chegara tivera que lavar a roupa e fazer alguma coisa para comer. Nem conseguiu assistir TV, estava tão casada e com os pés doendo tanto que simplesmente desmaiara ao deitar na cama.

...

O segundo dia na lanchonete não estava sendo tão melhor quanto o primeiro. Na verdade, estava sendo até pior, Elena era tão desastrada que havia derrubado uma bandeja cheia de pratos no chão, tivera que limpar toda a sujeira e para piorar quase perdera o equilíbrio diversas vezes. Ela não estava acostumada a usar salto alto, ainda mais um tão alto assim. Quando Elena percebera Damon estava chegando à lanchonete, a garota dera meia volta, não queria atendê-lo, deixaria que outra garçonete o atendesse.

–Olá senhor, onde deseja sentar? –Uma garçonete loira o atendeu.

–Desculpe-me, mas eu queria ser atendido pela garota morena ali. –Apontou exibindo um sorriso em seus lábios. Não sabia por que, mas havia gostado dela. A loira era muito bonita também, mas ainda preferia à morena. Ela era muito bonita e era bom começar o dia vendo uma mulher tão bonita. Aliás, mulheres eram o que ele mais gostava em toda a sua vida e adorava ter várias.

–Claro, eu vou chamá-la. – A loira sorriu e acenou para Elena que fez uma cara feia, como se dissesse que ela não iria atendê-lo de jeito nenhum.

–Acho que ela está ocupada, senhor. –Falou em um tom simpático.

–Eu faço questão de ser atendido por ela.

–Claro.

A loira foi até Elena que tentava se manter o máximo de ocupada possível para não ter que atendê-lo, para não ter que responder caso ele acenasse chamando-a. Ela nem o conhecia direito, mas já não gostava dele, mas julgava que tinha motivos suficientes para isso.

–Elena, não adianta, ele faz questão que você o atenda.

–Mas ele é um idiota, Caroline. –Argumentou. –Ele ficou me cantando ontem.

–Ah, isso é normal. –A loira abriu um sorriso como se achasse graça. –Tem vários que são assim, você vai se acostumar com tempo. –Fez uma pausa. –Pelo menos, ele é gostoso, não é ruim ser cantada por ele.

–Fala sério. –A garota revirou os olhos. — Eu nem reparei se ele é bonito ou feio. –Mentiu, é lógico que ela tinha notado, era impossível não notar.

–Nossa, então você está precisando de óculos, amiga! Por que é o cara mais lindo que eu já vi em toda a minha vida, juro!

–Ele é um idiota e além disso eu o vi ontem enquanto esperava no ônibus com uma garota e tava na cara que ela não era namorada dele. O cara é um safado ainda por cima.

–Calma, Elena, ele é só um cliente da lanchonete. Você não precisa ter nada com ele. –Caroline divertiu-se.

–É, você tem razão. –Falou tentando se recompor, Caroline tinha razão. Não havia motivos para se irritar tanto, bem, ela tinha, ela odiava todos os homens por causa do que seu noivo tinha feito a ela e odiava ainda mais aqueles que se comportavam como safados.

Elena pegou o cardápio, já se prevenindo de alguma piadinha idiota sobre ela ter se esquecido de oferecer e foi na direção de Damon.

–Boa tarde! Aceita o cardápio? –Perguntou cinicamente.

–Hoje não. –O sorriso dele foi muito mais cínico do que o dela.

–Ah, claro. –Falou tentando conter a irritação, ele não iria querer ver o cardápio só porque ela o tinha levado. Mas que cara implicante, pensou. –E o que você vai querer?

–Primeiro, vou querer saber seu nome. –Falou num tom sedutor e olhou-a diretamente nos olhos fazendo com que a garota quase perdesse o ar. Ele era mesmo muito bonito, não tinha como negar.

–E por que você quer saber o meu nome? –Tentou manter-se calma, ele era só um idiota que logo iria embora, ou melhor, ele era um idiota que de alguma forma inexplicável exercia certo magnetismo nela.

–Porque você é a primeira garota que resiste ao meu charme. –Falou ironicamente, mas havia um fundo de verdade, todas as garotas se derretiam apenas de olhá-lo, mas ela não, e isso era de fato intrigante.

–Deve ser porque seu charme não é lá essas coisas.- Retrucou. -E você é muito convencido, "Senhor Eu Pego Todas as Mulheres que Eu Quero."

Damon divertiu-se achou graça da forma como a garota falava, ela tinha algo que o cativava e não era apenas a beleza, era algo além, algo que ele não era capaz de compreender.

–Eu não sou convencido, sou apenas realista- Abriu um sorriso provocador.-E você é muito bonita. -Falou num tom diferente, num tom sério enquanto a admirava, não de uma forma descarada, ele apenas admirava a beleza da garota.

–E isso é você tentando me seduzir? -Elena perguntou mal humorada, porém, por mais que ele pudesse a irritar, ela não conseguia dar as costas, ele a estava “prendendo” ali.

–Não, isso sou eu falando a verdade. -Falou num tom sincero, a garota era mesmo interessante, sentiu que se envolvia com ela naturalmente.

–É sério isso? -Elena perguntou muito mais calma, na verdade sentiu uma sensação estranha percorrer-lhe a espinha. -Você me acha mesmo bonita? -Do jeito que a garota andava sem autoestima e completamente insegura as palavras dele soaram de uma forma quase mágica.

–Sim, eu acho. -Percebeu o quanto a garota se modificara com apenas um elogio. Ela era bonita demais para não se considerar assim, mas ela não se achava, aquilo ficou muito claro. Damon sorriu contagiado pelo sorriso delicado da garota. Ela era mesmo uma graça.

–Ah, muito obrigado. -Elena agradeceu docemente enquanto tentava arrumar os cabelos. Ah, como ela era idiota, pensou no instante seguinte. Ela amou o elogio, ainda mais vindo dele. Havia algo nele que a envolvia, era mais do que a beleza dele, era algo que ela não sabia como definir. A garota se repreendeu mentalmente. Já estava se deixando levar pelo papo de um cara que provavelmente só queria rir da cara dela ou carregá-la para sua cama, usá-la e depois descartá-la. Ela era mesmo uma idiota por isso sua vida era assim, tão terrível.

–Será que agora você vai me falar seu nome? –Damon pediu abrindo um sorriso sedutor.

–Não. –Fechou à cara, ela o odiava e nem sabia por quê. Não queria nem pensar em que poderia se aproximar de algum homem novamente, ela já tinha tido o suficiente pela vida inteira. Pensou melhor, ela estava exagerando. O que ele iria fazer sabendo o nome dela? Meneou a cabeça e finalmente mudou sua resposta. – Ah, tá bom, meu nome é Elena.

–Agora, sim, eu vou tentar te seduzir, Elena. –Sorriu em seu melhor jeito convencido e aquilo foi extremamente sedutor. Ele era mesmo lindo e muito charmoso. Elena não conseguira deixar de olhar, ele podia ser um idiota, mas era um idiota muito lindo.

–Aff...-Resmungou. –Será que agora você pode fazer o seu pedido e me deixar trabalhar?

–Eu vou querer café. – Não conseguiu conter um sorrisinho jocoso e muito menos perder a piada. – E tente não derrubar todo o café em você hoje.

Elena rolou os olhos irritada, não respondeu, apenas saiu de perto dele antes que fosse capaz de matá-lo.

Já havia se passado cerca de um mês em que Elena estava trabalhando na lanchonete, mas nada tinha mudado muito, ou melhor nada mudara. Sua vida continuava a mesma, a mesma tristeza, o mesmo vazio, o mesmo nada tão costumeiro que já nem lhe fazia tão mal assim, parecia que o tempo a estava anestesiando e não curando.

E bem, no trabalho, ela continuava a mesma desastrada e desatenta garçonete, que quebrava os pratos, trocava os pedidos, não ganhava gorjetas e cujo patrão já a odiava por sua completa incompetência. Naquele dia, em particular, tinha sido ainda mais desastroso e improdutivo do que os anteriores, Elena parecia estar mais desligada de que costume.

Ela não entendia porque, mas estava extremamente dispersa, não conseguia se concentrar em nada e para piorar ainda tinha se machucado no dia anterior quando, por acidente, quebrara uma xícara e quando fora recolher os cacos ferira sua mão profundamente, o que acabou resultando num doloroso corte, não tão doloroso quanto os que ela mesma fizera em seus pulsos há não muito tempo atrás.

Já era de noite quando a garota estava levando um pedido para uma mesa de cinco pessoas, mas quando fora servi-los, um dos clientes notou que o que ela estava trazendo não era em absoluto o que eles haviam pedido. Ela não entendia como poderia fazer tantas confusões, bem, cada prato tinha um código que ela deveria anotar na comanda e ainda não havia decorado todos, ou melhor, não tinha decorado nenhum, também não tinha se esforçado em nada, sua vida era tão vazia que não lhe permitia nem isso. Portanto, a garota sempre terminava confundindo os códigos e trazendo tudo errado.

–Elena, venha cá. –O dono da lanchonete e chamada exibindo uma expressão furiosa em seu rosto.

A garota se arrepiou, sentiu uma sensação gelada percorrer-lhe a espinha. Já conseguia imaginar o que viria em seguida -Sim, senhor. –Respondeu suavemente e foi na direção dele.

–Isso não é possível, garota. –Falou aos gritos enquanto mostrava a comanda com os pedidos que ela havia anotado errado. – Como você pode ser tão desatenta? Todos os dias você faz tudo errado! –Bufou, nunca conhecera uma garçonete tão incompetente quanto aquela, nem entendia como fora capaz de contratá-la.

–Desculpe-me senhor, eu estou tentando melhorar. –Não, Elena não estava realmente tentando melhorar, sentia-se tão triste e quando não se sentia triste, se sentia entorpecida, não tinha vontade de fazer nada, não tinha sequer vontade de decorar o cardápio para ao menos tentar ser uma boa garçonete, já havia se acostumado com a ideia de que ela era um fracasso completo mesmo.

–Eu não quero saber o que você está tentando! Eu quero saber do que você vai fazer para cobrir todo o prejuízo que eu estou tendo –Continuou falando mais irritado do que antes. –Você vai ter que pagar por isso! Só agora você me deu um prejuízo de mais de cento e cinquenta dólares!

–Mas eu não tenho esse dinheiro, senhor. –Falou preocupada. Ela não poderia pagar, não tinha condições. –Eu preciso desse trabalho para pagar meu aluguel, eu prometo que eu vou me esforçar mais.

–Eu vou descontar do seu salário. –Bradou, estava cansado daquilo. –Assim, quando você pagar a conta também, você vai ter que aprender a ser mais cuidadosa.

–Por favor, não faça isso, senhor, eu juro que eu não vou mais fazer isso, eu vou prestar atenção. –Pediu, estava aflita, se ele descontasse tudo que ela já havia quebrado ou os pedidos que trocara, daria muito mais dinheiro do que ela tinha a receber. Ela estaria devendo, teria que trabalhar vários meses para pagar.

–Eu que deveria pedir para que você não fosse tão incompetente. –Todo aquele papo da garota o estava irritando, só sabia pedir para que ele não a descontasse, mas quem ficaria com a conta? Ele que não iria ficar. A culpa era toda dela e ela que arcasse com isso. –Mas é isso que você é, não é mesmo? Você é uma incompetente e principalmente, você é a garota mais burra que eu já vi, Elena!

A morena não conseguiu falar, as palavras ficaram presas em sua garganta, à medida que as lágrimas nasciam em seus olhos. Era horrível ver alguém falando assim dela, mas era mesmo a verdade, ela não sabia fazer nada, ela era burra mesmo, muito burra.

Damon que chegara à lanchonete a alguns momentos apenas, ouvira parte daquela conversa e achara algo totalmente reprovável à forma como o dono da lanchonete falava com a garota. E bem, não gostaria de ver ninguém tratando uma garota assim, ainda mais aquela.

Ainda não tinha entendido muito bem o porquê Elena o atraía tanto, havia algo encantador na garota. Não que ele pudesse, de alguma forma, gostar dela, ele não era do tipo que se envolvia com ninguém, mas havia algo de especial nela que prendia a atenção dele. Decidiu que iria até lá, não iria deixar a pobre garota ser insultada daquela forma.

–Burra, burra,burra! – O dono da lanchonete continuava gritando, tão alto que todos os clientes da loja estavam escutando.

–Cara, você não deveria tratar uma garota assim. –Damon interveio, se colocando na frente de Elena que a essa altura mal conseguia conter o choro.

–Você não sabe o que essa incompetente faz todos os dias. –Falou descontroladamente. – E você não tem nada a ver com isso.

–Eu tenho sim, eu venho todos os dias aqui e não quero ficar ouvindo gritos e não gosto da forma como você a trata, ninguém deve ser tratado dessa forma. –Ainda mais ela, pensou. Ela não merecia ser tratada assim, quando se olhava nos olhos da garota, era muito fácil perceber que havia uma tristeza muito profunda ali, algo muito triste, ela não merecia mais nada que a fizesse mal.

–E quem vai pagar pelo meu prejuízo? –Perguntou mal-humorado.

–Eu pago. –Damon respondeu naturalmente, pagaria tranquilamente, o dinheiro não iria fazer nenhuma falta para ele, e ainda iria fazer bem à ela de alguma forma. –Desde que você pare de gritar com ela e peça desculpas por tê-la tratado dessa forma tão desrespeitosa.-Impôs uma condição.

–Eu não vou pedir desculpas. –Retrucou.

–Seja homem pelo menos uma vez e se desculpe com a garota.

O homem não estava muito disposto a se desculpar, achava que estava no direito de agir daquele jeito, mas Damon acabou fazendo com que ele tivesse um mínimo de caráter e se desculpasse com a garota.

–Obrigado. – Elena agradeceu tão sem jeito, estava tão envergonhada. Todos haviam ouvido a gritaria e os insultos e para piorar Damon havia a ajudado e ela não ia nem um pouquinho com a cara dele. Bem, ele não era alguém tão ruim assim, ele podia ser muito fofo quando queria, como no dia que dissera que ela era bonita, ou como hoje que a ajudara sem que ela pedisse. Talvez, ela pudesse gostar um pouquinho dele.

–Quem sabe assim, você goste só um pouco de mim. –Damon piscou descaradamente e abriu um sorrisinho provocativo para a morena.

Elena rolou os olhos. –Olha se você está achando que você vai me levar para a sua cama por causa disso... –Iria continuar mas foi interrompida pela gargalhada de Damon. Elena sentiu seu rosto queimar de vergonha.

–É sério que você acha que eu fiz isso só para transar com você? –Não conseguia conter o riso. Lógico que levá-la para a cama sempre seria uma ideia tentadora, qual homem não gostaria de possuir uma mulher tão linda quanto aquela? Mas ele não precisava disso. –Se eu quisesse uma prostituta, eu iria pagar por uma. –Balançou a cabeça negativamente, ainda estava achando graça.- Você é uma figura, sabia?

–Eu não sei o que falar. –Elena falou totalmente sem jeito enquanto ele abria a porta da lanchonete para que ela saísse. Bem, o trabalho havia se encerrado mais cedo para ela naquele dia. Pelo menos, ela ainda tinha seu emprego e não seria descontada, mas nem aquele alivio podia abrandar a vergonha que ela estava sentindo naquele momento.

–Por que você me odeia tanto, Elena? –Perguntou curioso, tentando decifrar a fisionomia da garota, cada linha de sua expressão que se contorcia em um sentimento diferente. Ela era quase como um enigma, ela era muito comum, mas ao mesmo tempo, era diferente de todas as outras garotas, ela não funcionava como as outras.

–Eu não te odeio. –Falou sinceramente. –Eu só não gosto de você. –Respondeu tentando se livrar daquele assunto, ou melhor, tentando se livrar dele, porque, no fundo, um sentimento estranho surgia em seu peito cada vez que ela o via, o sentimento que ela fazia de tudo para reprimir completamente.

–Que fora! –Damon exclamou, mas mesmo assim sorriu inabalável para a garota. Não achou que ela estivesse realmente falando sério. –Então, por que você não gosta de mim?

–Porque você é um idiota, canalha, safado, metido, cara de pau...-Fez uma pausa lembrando-se de mais alguns adjetivos, mas só as boas qualidades vieram em sua mente. –Bem, você pode ser gentil e muito fofo às vezes...

–E o que mais? –Perguntou interessado. Ele estava certo, ela não o odiava de verdade. Ela era só uma garota muito diferente e talvez, fosse um tanto quanto problemática, mas, ainda assim, bastante especial.

–Ah...-Fizera uma pausa...-Você é muito bonito também. –Admitiu, ele era realmente lindo, não havia como negar. –E por que você me ajudou hoje? Não tem sentido.

–Não acho certo ver ninguém gritando daquela forma com outra pessoa, ainda mais como uma garota. –Olhou-a diretamente nos olhos e viu que o olhar da garota adquiriu um brilho diferente. –E eu gosto de você.

–Você gosta de mim? –Perguntou incrédula. –Como você pode gostar de mim? Nem uma boa garçonete eu sou. Eu te trago chá no lugar de café e às vezes, nem é porque eu me confundi, eu faço só para te irritar, mas você nunca se irrita. –Admitiu.

–Quer dizer que a senhorita faz de propósito? –Perguntou achando aquilo muito divertido. Elena era mesmo uma graça, uma menininha muito bobinha e inocente mesmo.

–Sim. –Respondeu envergonhada. –Desculpa por isso.

–Não sei se eu posso aceitar. –Abriu um daqueles seus sorrisos irresistíveis. –Você vai ter que pagar por isso. –Falou imitando a voz do patrão de Elena.

–E o que o senhor vai querer de pagamento? –Perguntou sorrindo, finalmente ela havia sorrido, nem acreditou que aquilo fosse possível.

–Que você aceite o meu convite para jantar amanhã à noite. –Piscou.

–Ah, não...-Relutou. –Isso não, eu.eu não...

–Você não gosta de homens? –Perguntou descaradamente. –É uma pena...-Lamentou. –Tão bonita para ser lésbica.

–Eu não sou lésbica! –A garota exclamou!

–Eu não tenho nada contra. –Sorriu, divertindo-se com a atitude dela.

–Sério...agora você está começando a ser irritante de novo...

–É só um convite para jantar. –Fez uma carinha de coitadinho. –Só isso

–Você deve ser muito solitário para querer sair comigo...-Elena observou.

–Solitário? Não mesmo. Não é isso.–Damon abriu um sorriso lindíssimo. –Eu quero uma companhia tão especial como você. –Procurou a mão dela, de início, Elena hesitou, mas acabou deixando que ele segurasse sua mão entre as dele.

–Eu não sei...-Ela não queria se deixar levar, mas não conseguiu evitar. Na verdade, era ela quem era muito solitária, que não tinha amigos. Ela que precisava sair e sair com ele poderia ser muito bom.

–Por favor...

–Tá, tá bom...eu aceito.

Elena ainda não podia acreditar em si mesma. Ela não deveria ter aceito o convite de Damon, não deveria mesmo. A morena havia prometido a si mesma que não iria se envolver nunca mais com outro homem. Só que de alguma forma muito reprimida, ela já estava envolvida.

Havia algo nele que ela não podia negar. Repreendeu a si mesma, não podia pensar nele nem por um só instante, mas já estava pensando, já estava estragando as coisas. Iria sair com um cara rico, mulherengo, lindo, gostoso, safado...Bem, o que alguém como ele iria querer com uma garçonete que não poderia oferecer-lhe nada e que de uma forma ou de outra ainda lhe devia dinheiro uma vez que ele tinha pago por tudo que ela havia quebrado na lanchonete?

O único pagamento que ele poderia esperar era que ela se deitasse com ele e lhe fizesse as vontades. Mas isso era exatamente tudo que não faria, mesmo se inconscientemente pudesse se imaginar entre lençóis com alguém tão bonito. Era fácil ter os pensamentos mais luxuriosos com ele.

Afastou aquelas ideias de sua mente, no que ela estava pensando afinal? Ela era uma garota "conservadora" demais para pensar nisso. Sempre se guardou esperando o dia em que se casasse com o amor de sua vida, mas isso não iria mais acontecer. Ela não daria outra chance para o amor, ou melhor, para que a decepção encontrá-la, porque era apenas isso que ela conseguia cada vez que gostava de alguém.

Deveria ligar e dizer que não ia, na verdade, nem deveria ter aceito aquela ideia maluca de sair com ele. Pelo menos, seria só à noite, depois do trabalho, até lá, ela poderia pensar em alguma desculpa para poder desmarcar. Não poderia ficar pensando nisso durante horas, a garota precisava terminar de se arrumar para ir para o trabalho.

...

Vestiu seu uniforme, agora o considerava um pouco menos ridículo, apenas pelo fato de estar um pouco mais acostumada com ele, ainda assim tinha momentos que o odiava e ir para o trabalho vestida assim era um deles, a roupa justa lhe rendia muitas cantadas e olhares maliciosos e isso a irritava demais. Ignorou tudo isso, tudo que vinha em sua mente e seguiu para o trabalho.

Tivera que correr para não chegar atrasada, se ela chegasse atrasada naquele dia era provável que seu patrão a demitisse, ainda mais considerando o quanto ele ficara bravo porque Damon o obrigou a pedir desculpas para a garota.

Bem, pelo menos ter visto a cara daquele arrogante lhe pedindo desculpas foi algo ótimo. Quando chegou ao trabalho, Elena tentou evitar ao máximo os comentários e perguntas sobre o que rolava entre ela e Damon, uma vez que ele a tinha defendido e isso não é algo comum de acontecer, tinha que existir algum tipo de envolvimento entre os dois. E o que iriam falar se a visse saindo depois do trabalho com ele? Aí que iriam falar mais ainda.

–Elena...-Caroline a chamou quando a lanchonete estava quase vazia, estava curiosa, queria saber tudo que estava acontecendo entre Elena e Damon. –Eu posso falar com você um minutinho?

–Claro, amiga. –A morena respondeu num tom simpático, mas já imaginava o que viria a seguir. Com toda a certeza, Caroline iria perguntar sobre Damon, afinal, era sobre o que todos estavam falando.

–Qual é a sua com o gostosão? -A garota pareceu animada e extremamente interessada no assunto, mas, também, que não estaria?

–Que gostosão? –Elena se fez de desentendida, queria mostrar que não tinha nem ideia do que ela estava falando, assim, o assunto acabaria de uma vez.

–Fala sério, Elena, você fala como se ninguém tivesse visto o bonitão dos olhos azuis defendendo você! –A loira falou revirando os olhos, Elena não iria esconder nada dela.

–Eu nem sei por que ele fez isso, sério. –A morena falou com sinceridade, por mais que ele tivesse respondido, ela ainda não conseguia entender como um cara como ele poderia se importar com ela.

–Porque ele deve gostar de você. –Caroline falou num tom divertido e piscou.

–Carr, nada a ver isso. –Elena fez uma expressão de quem estava achando tudo aquilo uma grande bobagem, mas no fundo, gostaria que algo fosse real. Será que alguém era capaz de gostar dela de verdade?

–Nenhum cara, ainda mais um tão bonito como ele, defende uma garota se não estiver interessado nela, Elena. –A loira continuou. –Isso foi tão fofo, tão fofo!

–E ele me convidou para jantar. –Elena falou sentindo a pele de suas bochechas queimarem num rubor vergonhoso. No fundo, queria saber o que a loira achava disso, queria algum incentivo, porque no fundo, gostaria muito de ir jantar com ele aquela noite. De alguma forma sentia algo, algo que não sabia explicar.

–Aimeudeus! Que coisa mais fofa. –A loira exclamou. –E você vai, né? –Não acreditou quando viu o rosto da morena se contorcer numa expressão de dúvida. –Nenhuma mulher do planeta recusaria o convite dele, Elena! Acorda antes que seja tarde!

–O que você acha que um cara tão bonito e rico pode querer comigo? –Perguntou num tom de quem já sabe a resposta. -Ele só quer me levar para a cama, Carr. -Lamentou, mas essa era a verdade.

–Ah, Elena, eu acho que se fosse só isso ele não ia perder tanto o tempo dele com você...-A loira falou tentando animar a garota.

–Eu falei isso para ele...-Elena sussurrou constrangida. — Que ele só queria me seduzir.

–E o que ele respondeu? -A loira pareceu muito curiosa.

–Que se ele quisesse uma prostituta pagaria por uma...-A morena tentou repetir exatamente as palavras dele.

Caroline começou a rir. Conseguia imaginar Damon falando daquela forma. E não conseguia era imaginar como ficou a expressão de Elena na hora. Deve ter sido muito engraçado, pensou. -Ah, Elena, talvez, ele queira largar a vida de galinha e tenha escolhido você como sortuda para ser a namorada dele.

–Ah, para com isso. -Elena falou séria. -Foi só um convite para jantar e eu nem sei se eu vou. -Estava tão insegura, queria ir mais ao mesmo tempo não queria.

–Você vai nem que seja arrastada. Nenhuma garota normal perderia a chance de pelo menos dar uns pegas nele!

...

Elena estava ansiosa, nervosa, tentava buscar alguma tranquilidade na agitação que eram as batidas de sem coração, mas não obteve nenhum sucesso. Não tivera coragem suficiente para ligar para Damon e desmarcar, mas também não estava com coragem suficiente para vê-lo e naquele dia, ele não fora até a lanchonete. Talvez, fizera isso para poder dizer que havia se esquecido de que a tinha convidado.Ele deve ter recuperado o juízo e desistido de sair com alguém como ela, Elena pensou de uma forma pessimista demais.

Ele jamais a deixaria esperando, principalmente porque estava ansioso para vê-la, essa era a verdade. Não conseguira entender ainda porque aquela garota havia o conquistado, havia algo de especial nas profundezas castanhas dos olhos dela. Elena possuía algo que as outras não possuíam. Ela era cativante.Ela não tinha noção de tudo isso, mas Damon tinha, ela percebia que ela era muito melhor do que ela acreditava ser. Gostava dela, não que pudesse estar apaixonado, afinal, ele não era do tipo que se apaixonava assim tão fácil, ou, talvez, isso fosse até conhecê-la.

Ele iria buscá-la na porta da lanchonete, mesmo a garota não trabalhando a noite naquele dia, a verdade é que ela não queria que ele fosse até a casa dela, pois achava que morava num lugar horrível, não era tão ruim assim, mas a garota andava um tanto quanto dramática nos últimos tempos.

Elena vestia uma calça preta bem justa, uma blusinha branca de frente única com brilho e uma sandália preta de salto. Não era nada demais, mas ela não se sentia bem usando mais do que isso. Ainda assim, tivera seu momento de vaidade preocupando-se com a maquiagem, com os cabelos que deixara soltos e bem lisos. A verdade é que mesmo não se achando, Elena estava lindíssima e foi exatamente isso que Damon reparou quando chegou com sua Ferrari preta na porta da lanchonete. Damon saltou do carro, foi cavalheiro o suficiente para abrir a porta para ela poder entrar.

–Você está ainda mais bonita do que de costume, Elena. –Falou num tom encantador enquanto admirava a bela garota. Ela era realmente muito linda e ficara ainda mais linda quando abrira um sorriso tímido para ele.

–Obrigado. –Agradeceu, sentiu-se um pouco constrangida com a forma como ele a olhava, por mais que ele tentasse disfarçar ele a estava devorando com o olhar e Elena percebia isso. –Você também está muito bonito. –Falou tentando soar mais descontraída. E, sim, ele estava lindo, a camisa preta com os dois primeiros botões abertos mostrando parte de seu corpo sarado, que quase fizera com que Elena perdesse o ar.

–Finalmente você me fez um elogio. –Damon falou num tom extremamente sedutor, seus lábios desenharam um sorriso lindo, irresistível.

–Você não é tão ruim assim. –A garota riu já contagiada pelo sorriso dele. Estava se sentindo muito melhor do que sequer poderia imaginar. Talvez, pudesse achar que ele era uma ótima companhia.

–Ótimo. –Falou enquanto a fitava diretamente nos olhos e naquele instante, os dois pudera sentir algo, uma chama que nascia lentamente. -É um bom começo. -Concluiu.

–Começo do que? -Elena perguntou curiosa enquanto ainda o olhava. Sentiu uma onda de sentimentos percorrer-lhe o corpo, mas não pode definir muito bem o que aquilo significava.

–Um bom começo no meu plano de seduzir a minha linda garçonete. -Tivera que se conter para não começar a rir com aquele comentário, na verdade, falara aquilo só para ver a reação dela, Elena fica ainda mais bonita quando estava irritada.

–Fala sério, Damon. -A garota pareceu mais calma do que ele pudera imaginar. Não iria se aborrecer, na verdade, eu humor estava muito bom para isso.

–Não é isso que você acha que eu quero? -Era lógico que era isso que ela achava e ele tinha certeza disso e também era óbvio que ele queria levá-la mais cedo ou mais tarde para cama, mas não era apenas isso, havia algo que o fazia realmente gostar da garota.

–Por que? Não é isso que você quer? –A garota perguntou num tom diferente. Será que ele gostava dela? Não, ela não deveria se iludir. Depois de tudo que ela já tinha passado com o safado do seu ex-noivo, não deveria acreditar em outra coisa que não fosse que todos os caras queriam apenas usá-la.

–Eu acho que você deveria arriscar e descobrir. – A voz soou melodiosamente sexy, Damon piscou para a garota que quase se derreteu com aquela atitude. No fundo, conquistá-la não era assim tão difícil.

Chegaram a um luxuoso restaurante. Com toda a certeza, era o mais bonito que Elena já tinha visto. Sentaram-se numa mesa reservada, pediram bebidas.

–Pensei que você iria me levar para algum dos “inferninhos” que você deve frequentar. –Elena falou exibindo um sorrisinho provocador.

–Bom saber que você acredita que eu só frequente prostíbulos. –Meneou a cabeça como se achasse aquilo tudo muito engraçado. A garota era mesmo uma graça. –Não se precisa de tanto para achar uma vadia, as festinhas de luxo aonde eu vou tem muitas delas.

–Era esse tipo de inferninho que eu estava me referindo. –Continuou no mesmo tom. –Essas festinhas...-Completou. Sempre se sentia um tanto quanto ridícula falando dessa forma, mas não conseguia evitar.

–Se você quiser eu posso te levar numa dessas festas, não é tão ruim como você imagina. –Damon abriu um sorriso. Até podia imaginar como seria aquela menina numa festa. Não duvidava que ela nunca tivesse ido a nenhuma e com certeza não deve ter sido por falta de convites, afinal, ela era muito bonita.

–Isso é um novo convite para sair? – Elena sorriu, parecia interessada naquela possibilidade. Mas no que ela estava pensando? Deveria parar de pensar nessas coisas, deveria parar de olhá-lo e achá-lo assim tão lindo, e principalmente, deveria parar de achá-lo tão gostoso, mas não conseguia.

–Eu não falei nada, mas já que você já se convidou para sair comigo de novo...-Fez uma pausa, queria provocá-la um pouco e só ele ter dito que ela estava se convidando para sair, já fez com que ela ficasse vermelha de vergonha. — Você pode considerar como um convite...-Completou.

–Por que você está perdendo o seu tempo comigo? –A garota perguntou de uma forma muito mais doce do que pretendia.

–Porque eu gostei de você. –Damon a olhou de um jeito quase carinhoso. –E eu já te respondi isso outro dia, Elena, eu gosto de você.

–E por que você iria gostar de mim? –Perguntou incrédula, não importava quantas vezes ele respondesse, ela ainda não iria acreditar.

–Você é diferente. –Falou sinceramente, ela era realmente diferente das outras garotas que ele já havia conhecido. Existia algo de especial nela. –Você é doce, mesmo quando tenta não ser. É divertida e é muito linda.

–Ah...-A pele da garota queimou de vergonha. Ninguém a elogiava, não estava acostumada aquilo. Não soube nem o que falar.

Damon colocou a mão sobre a dela suavemente, ela pensou em evitar aquele toque, mas não foi capaz. Não conseguiu resistir. Ainda estava encantada demais pelas palavras dele para conseguir racionar de forma coerente.

–Você é muito melhor do que você pode imaginar, Elena. -Falou suavemente, perdeu-se no brilho do olhar da garota. Ela era realmente especial.

–Você é o único que pensa assim. -Falou delicadamente. Baixou o olhar, evitando o mar azul que eram os olhos dele, porque se olhasse, ficaria ainda mais difícil resistir a ele.

–Então os outros são todos loucos, porque você é uma menina incrível. -Acariciou a mão da garota com gentileza e surpreendeu-se ao perceber que ela deixou.

Elena sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo quando Damon a acariciou. Ele não podia ser tão canalha assim, na verdade, ele parecia ser tão gentil. Ela gostava dele. Não, não! Ela não gostava, não podia se envolver com ele! Prometeu a si mesma que jamais se envolveria com outro homem.

–Ou talvez, você seja o louco...-Respondeu exibindo um sorriso meigo em seu rosto. Damon a achou ainda mais especial do que antes. Ela era tão delicada, parecia uma princesinha.

–Eu não ligo de ser louco. –Respondeu e um sorriso meio irônico se desenhou em seus lábios.

–Eu também não ligo que você seja louco. –Sorriu, bem, ele deveria ser louco mesmo para estar com ela, mas estava tudo bem para ela.

Estudou a garota por um instante. Uma menina tão bonita e divertida não poderia estar sozinha. Na verdade, ela não tinha nenhuma autoestima e isso não combinava com a aparência dela. Havia algo de errado com ela, ele sabia disso.

–Por que você não gosta de se envolver com as pessoas, Elena? -Perguntou num tom suave, mas ficou imaginando se ela iria se aborrecer ou não com aquela pergunta.

–Porque eu já tive o suficiente. -Respondeu de forma ríspida. Não precisava falar sobre o que lhe tinha acontecido.

–Alguém te magoou? -Damon perguntou pacientemente, sendo bastante carinhoso com a garota. Realmente, só podia ser isso, ela deve ter tido alguma desilusão amorosa.

–Sim...-Elena respondeu entristecida. -Na verdade, eu fui muito magoada...-Lamentou. -Por isso, eu decidi que o amor não é para mim.

–Eu acho que você não deveria falar assim. -Sorriu afetuosamente. -Não é porque um idiota te magoou que todas as pessoas vão fazer o mesmo...

–Eu prefiro não me arriscar. -A voz soou num sussurro. Ela não podia se envolver, porque no final iria sofrer e ela não aguentaria sofrer mais. -E eu não quero falar sobre isso...

–Tudo bem. -Não iria pressioná-la. Queria que ela se divertisse e não que falasse sobre assuntos que faziam mal a ela.

–E você? Por que alguém como você não tem uma namorada? -Elena perguntou curiosa. -Você é gay? -Tivera que se controlar para não rir, é lógico que ele não era gay, ela sabia disso.

–Claro que eu sou, amiga. -Ele respondeu tentando fazer uma voz feminina, mas soou apenas estranho, o que fez a garota rir. Ele tinha mesmo um ótimo senso de humor.

–Logo vi. -Elena fez cara de quem sabe tudo. -Para sair comigo, você deveria querer uma garota só para "manter as aparências" -Os dois riram do comentário dela. -Sério, agora, por que você não namora, Damon?

–Porque eu estou apenas curtindo a minha vida. -Abriu um sorriso irresistível. -Pode me chamar de safado agora. -Falou em tom de piada.

–Safado! -Ela riu. -Você tem que tomar jeito na vida, Damon!

–Bem, o máximo de tempo que eu já fiquei com a mesma garota foram três meses.

–Por quê?

–Por que eu não queria namorar sério e elas eram vadias e burras. Nenhuma delas realmente me interessou de verdade.

–Se você parasse de sair com vagabundas, talvez vez encontrasse alguém que te interessasse.

–É o que eu estou fazendo hoje. -Sorriu para ela de um jeito muito mais sincero do que apenas sedutor. -Eu estou saindo com uma garota linda, inteligente e que parece ser uma princesa.

Elena não soubera o que responder. Ficou num silêncio quase constrangedor. Sentiu que o rosto dela estava muito próximo do dele, as bocas quase roçando. Não! Ela não podia beijá-lo, mas ela queria tanto... Só que ela não podia. Deixou os lábios fugirem dos dele no momento em que eles estavam se tocando.

Sentiu seu corpo pulsar num lamento, numa frustração. Ela queria muito, mas era claro que se ficasse com ele, ele a largaria e ela sofreria. Tinha que entender que não podia ficar com ele, ninguém a amaria de verdade, nem mesmo ele. Deixou que o momento romântico passasse e eles ficassem apenas conversando. Gostava de conversar com ele, gostava da companhia dele. Gostava dele, mesmo querendo não gostar.

Os dois ficaram apenas conversando, falando sobre besteiras, fora uma noite muito agradável. Elena até se entristeceu quando eles foram embora. Por ela, ficaria ali para sempre. Ficaria com ele, só isso.

Notas finais
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