Notas iniciais
Espero que gostem, por favor deixem comentários.

Beijinhos

As marcas ainda estavam presentes em seus pulsos, estariam lá para sempre, lembrando-a que ela era mesmo um fracasso, era um fracasso em tudo que fazia, nem se matar, ela havia conseguido, Falhara em tudo que podia e em tudo que não podia tudo que ela tentara fazer em sua vida dera errado.

No colégio, podia ter sido até uma boa aluna, mas nunca passou disso, nunca fora excelente, nunca. Nunca tivera amigos, ninguém gostava dela, achavam-na esquisita, estranha. Largara a faculdade por um sonho, um sonho que não era para ela. Achou que havia encontrado o amor, que teria uma família...

Elena achou que seria feliz, mas isso não era para ela.

O homem que ela amava a havia deixado por outra, ela não deveria ser uma boa namorada também. Eles eram noivos e ele simplesmente sumira apenas algumas semanas antes do casamento... O que ela poderia fazer? Deprimir-se? Foi exatamente isso que acontecera a ela.

Mergulhou-se em um precipício e a onda da tristeza a acerta em cheio. Tentara se matar, queria acabar com toda a dor, mas parece que ela merecia mesmo sofrer. Seus amigos diziam que ela deveria recomeçar, mas é claro que falar é muito mais fácil, difícil mesmo era estar na situação dela vivendo sem nenhuma esperança.

Havia encontrado um emprego, mas não era nenhum trabalho excepcional, nada do que ela deveria se orgulhar. Ela estava trabalhando como garçonete em uma luxuosa lanchonete, ou melhor, aquele seria seu primeiro dia de trabalho.

Para quem tinha planos tão incríveis ser uma garçonete era algo frustrante. Vestiu seu uniforme, uma saia vermelha justa que caía um pouco acima da altura de seus joelhos, uma blusinha de manga também justa e vermelha com um bonito decote e por cima um avental branco.

Prendera os longos cabelos lisos e castanhos que estava um tanto quanto mal tratado em um rabo de cavalo. Havia quase se esquecido de colocar as luvas brancas com detalhes vermelhos. Sentiu-se ridícula por estar vestida daquela forma, ou melhor, sentiu-se totalmente ridícula.

Que tipo de uniforme era aquele? Mais parecia uma aeromoça do que uma garçonete pensou achando aquilo muito irônico e sem sentido. Faltou apenas calçar o scarpin também vermelho e estava pronta. Tivera tanta raiva de morar tão longe do emprego e ter que "desfilar" com aquela roupa estranha e tão vergonhosamente justa e desconfortável pela cidade.

Tivera que aguentar as cantadas de todo o tipo de cara no metrô e no ônibus. Quisera morrer, se enfiar em algum canto para não ser vista. Como odiava aquelas cantadas horríveis, como odiava aqueles homens, ou melhor, ela odiava qualquer homem e havia jurado a si mesma que jamais teria um novamente. Passaria a vida solteira e ela tinha apenas 19 anos. Tivera que correr quando saltara do ônibus, mas um pouco e se atrasaria e não podia se dar ao luxo de se atrasar em seu primeiro dia.

...

Eram sabe-se-lá que horas quando Damon acordou ainda sentindo o gosto amargo do álcool em sua boca. Estava atrasado, de novo, mas isso não era importante, um empresário rico e de sucesso como ele poderia chegar no horário que quisesse no trabalho ainda mais se considerando a empresa era dele.

Olhou para o lado e não reconheceu a linda garota que estava ao seu lado, mas aquilo também era normal, afinal, levava tantas mulheres para seu apartamento que era impossível lembrar-se de todas ainda mais quando ele ficava bêbado do jeito que costumava ficar em todas as festinhas que ia. Levantou-se preguiçosamente da cama, foi até o banheiro precisava de um relaxante banho, talvez até convidasse a "loira gostosa e vadia" para fazer lhe fazer companhia.

Acabou chamando-a, qual o problema de se atrasar mais uma hora ou duas quando já se está atrasado? Nenhum, pensou. Quando a nova "festinha" na banheira terminou, Damon vestiu-se para ir ao trabalho, colocou uma calça jeans qualquer, uma camiseta branca e um blazer Armani. Lembrou-se de vestir suas botas pretas que era suas favoritas. E apenas para fazer um estilo colocou um chapéu preto. Estava pronto, não estava vestido como um homem de negócios e pouco se importava.

Foi até a garagem e entrou em sua Ferrari preta, estava a fim de andar de Ferrari naquele dia, afinal, no dia anterior estivera com sua querida Mercedes prateada. Estava ardendo em dor de cabeça, vivia daquela forma, afinal, estava de ressaca quase todos os dias, mas isso fazia parte daquele estilo de vida louco que girava em torno de mulheres, dinheiro e bebida e bem, ele adorava aquilo, principalmente a parte em que envolvia mulheres.

Damon já havia perdido as contas de com quantas já havia se deitado. Precisava de um café, um café bem forte para aliviar a dor. Parou na lanchonete perto de seu escritório, não queria saber se estava servindo café, almoço ou lanche. Isso pouco importava, tudo que ele queria era uma imensa xícara de café preto extra forte.

Elena suspirou profundamente ao ver mais um cliente, já estava exausta e seu dia mal havia começado, queria ir para casa e descansar, talvez, chorar, mas tudo dava no mesmo no fim das contas. Ela nunca mais seria feliz. Caminhou até o homem que se sentou numa mesa no canto próxima a janela.

–Olá Senhor! -Falou no tom de simpatia mais forçado que conseguia fingir. -O que gostaria de pedir?

–Você não deveria me oferecer o cardápio? -Damon perguntou cinicamente exibindo um sorriso em seus lábios.

Elena deveria ter se irritado, mas aquele sorriso irresistível e aqueles olhos incrivelmente azuis a fizera perder o ar muito mais facilmente do que poderiam fazer com que ela perdesse a paciência.

–O Senhor gostaria de ver o cardápio? -Perguntou sem jeito, nem para garçonete ela servia, pensou.

–Não, eu quero apenas um café bem forte e sem açúcar. -Falou enquanto examinava a morena, ela era linda, com certeza uma daquelas que ele levaria para sua cama sem pensar duas vezes.

–Se o Senhor já sabia o que pedir porque reclamou que eu não ofereci o cardápio? -Elena perguntou quase aborrecida, ainda não tinha aprendido que não se deve confrontar os clientes.

–Hummm...-Fez uma pausa. Divertiu-se com a expressão da garota. -Vamos dizer que eu só queria conversar mais tempo com a minha garçonete bonitona. -Piscou num flerte descarado.

–Ah, fala sério. -Cortou no mesmo momento. Ele era muito cara pau, mas era tão lindo, aqueles olhos azuis como o mar... Elena desaprovou a si mesma não deveria reparar nele, não deveria reparar em ninguém. Todos os homens estavam mortos para ela e ainda mais os idiotas como ele.

–É sério, você é garçonete mais linda que eu já vi. -Insistiu, jamais perderia a oportunidade de cantar qualquer garota ainda mais uma tão bonita.

–Não adianta esse charme todo, não vou colocar creme extra no seu café por causa dos seus lindos olhos, você vai ter que pagar. -Respondeu a provocação, tentou ser irônica, mas não conseguiu. Ela era um desastre em tudo.

–Quem disse que eu não iria pagar? -Retrucou.

–Chega, vou pegar seu café.

Elena saiu bufando, ela merecia aquilo mesmo, merecia para deixar de ser uma idiota, para não ser um fracasso tão grande e terminar ali. Pegou a xícara e entornou o café de qualquer jeito nela. Colocou na bandeja e aproveitou e levou um pote inteiro de creme, quem sabia assim, ele parava de encher.

Aquele era o cliente mais idiota que tivera durante o dia inteiro e com toda a certeza o mais lindo também. No caminho até a mesa dele, a garota se desequilibrou e acabou caindo derrubando todo o café e o creme em si mesma bem na frente dele. Ai que vergonha, pensou.

–Eu iria te dar gorjeta, mas depois disso, eu não vou mais. -Damon falou achando graça da falta de jeito da garota e de como o rosto dela queimava de vergonha.

–Senhor, me desculpe, vou trazer outro café. -Falou completamente constrangida e saiu o mais rápido que pode da frente dele.

–Eu acho que eu ainda vou dar a gorjeta só porque você fica linda nessa sainha apertada. -Riu, imaginando a forma como a garota deve ter ficado com aquela provocaçãozinha.