Uneven Odds
5 Capítulo 4 - Briga
Notas iniciais
Edward POV
Peguei o termômetro e verifiquei a temperatura. 40 graus. Anthony se remexeu na cama e gemeu, mais uma vez chamando pela mãe. Olhei para meu filho com o coração apertado. Quando esse pesadelo iria acabar?
– Como ele está? — virei e encontrei meu irmão parado na porta, o semblante preocupado e tenso. Todos estavam assim por Tony.
– A febre não quer abaixar. Não sei mais o que fazer — confessei derrotado.
– Acho que você sabe exatamente o que tem que ser feito — contrapôs cruzando os braços.
– Se quer dizer, trazer Isabella aqui, já avisei a mãe dela. Só que não é algo com o que posso contar. Sei que ela está bem melhor desde que foi para casa, mas ainda assim sei que pode ser um choque para ela saber dos filhos. Não sei qual será sua reação.
– Ela está sendo irracional, e você, colocando ela em uma redoma de vidro, não está ajudando ninguém.
– Só estou fazendo o que o psicólogo me aconselhou, Jasper. Imagina o que é acordar com uma vida que nunca pensou em ter? Você sabe muito bem como ela era.
– Sei, e lembro como ela o fez sofrer. Não quero ver meu irmão daquele jeito de novo, Edward.
– De novo isso? — perguntei saindo do quarto. Não queria discutir na frente do meu filho. — Vocês precisam parar de trazer esse assunto a tona. É passado, Isabella não fez nada de errado. Sempre foi honesta comigo, sempre disse que não queria uma família. Eu que não soube lidar com a situação.
– Não, você não soube, e eu cheguei a pensar que ia perder meu irmão. Sei que a culpa não foi só dela, mas ela fugiu do que estava acontecendo, assim como está fazendo agora.
– É completamente diferente, Jasper. Ela está doente.
– E como sempre você está passando a mão na cabeça dela — acusou. Encostei o corpo contra a parede, sabendo que ele não estava completamente errado. Todo mundo já havia dito isso.
– Eu sinto falta dela — confessei em um sussurro. Jasper me olhou com compaixão.
– Isso é óbvio, Edward — disse se colocando ao meu lado. — Olha, eu gosto da Bella, de verdade. Tivemos problemas no passado, pelas circunstâncias, mas depois eu vi como ela mudou. Tudo o que fez por você, pelo Tony — indicou a porta. — O quanto sofreu com a perda do primeiro filho — fechei os olhos com força. Doía sequer lembrar desse momento. — Isabella conquistou a todos nós e agora eu estou revoltado e louco de raiva, porque essa garota fresca que voltou do coma está fazendo com que eu esqueça tudo de bom que ela já fez.
– Ela não está mais assim, Jasper.
– Como não? Se ela nem quis encontrar com Alice depois que voltou para casa?
– Isabella pediu um tempo, sozinha. O psicólogo assegurou que ela precisa disso agora. Ele me explicou que ela sofreu um surto pós traumático após acordar. É muito comum em pacientes que perdem a memória de tantos anos — confessei. Era a primeira vez que falava sobre isso com alguém.
– Eu não sabia — Jasper disse perdido. — Sinto muito, Edward.
– Reneé e eu preferimos manter entre nós, nem todo mundo é capaz de entender.
– Quer dizer Alice, não é? — assenti. — É, ela pode ser um pouco difícil.
– Eu considero Alice como uma irmã, mas ela não é o que Bella precisa nesse momento, assim como a presença de Jacob, ele acha que eu estou mantendo ela refém. Acredita nisso?
– Acredito, nem Alice está aguentando o irmão. Ele está insuportável. Nossos pais já sabem?
– Não, só você.
– Obrigado por confiar em mim, Edward. Significa muito.
– Nós tivemos nossas divergências quando saí da empresa, mas sei que é uma pessoa sensata, Jasper. E talvez possa me ajudar a lidar com Alice.
– Claro que sim, pode contar comigo. Sou seu irmão e além disso, serei eternamente grato por ter me ajudado, há alguns meses.
– Não tem o que agradecer, Jasper. Meu conselho não teria valido de nada se você tivesse escolhido ignorar.
– Ainda assim, foram suas palavras que me fizeram acordar. Caso contrário, eu poderia ser um homem separado e infeliz agora — disse com um sorriso brincalhão. Acabei sorrindo também. Era bom poder conversar com ele. — E como estão as coisas com nosso pai? — perguntou seriamente. Suspirei.
– Sinceramente, na mesma. Mesmo morando aqui, com essa correria, quase não o vejo.
– Ele vai acabar aceitando sua decisão.
– Será? Já faz quase um ano que saí da empresa e ele ainda não fala comigo. Era fácil ignorar isso quando não dividíamos o mesmo teto, mas agora eu sinto aquela tensão crescente de que a qualquer momento tudo vai explodir. Estou pensando em alugar um Flat ou apartamento, não sei ainda.
– Acho que não é uma boa ideia. Precisa pensar no Anthony e em quando o Matthew sair do hospital. Aqui você tem nossa mãe para ficar de olho nas coisas, lá você terá que contar com uma estranha — encostei a cabeça na parede e fechei os olhos.
– É, tem razão. Acho que estou tão obcecado em fugir de toda essa situação que acabo não pensando direito nas consequências — suspirei pesadamente. — As vezes eu fico pensando se eu não tivesse brigado com ela, se não tivesse sido tão grosso, talvez nada disso estaria acontecendo — admiti em voz alta.
– Edward, foi um acidente. Não tinha como você fazer nada. Vocês brigaram e fizeram as pazes, acontece com todos os casais — sacudi a cabeça, negando.
– Não foi apenas uma briga, Jasper. As coisas não estavam indo bem há algum tempo — sua testa franziu.
– Sério? Não achei que a situação estivesse assim.
– Pois é. Todo mundo pensa que foram simples crises de ciúmes. Uma bobeira, mas não. Era mais forte do que eu. Eu a acusava toda vez que se atrasava ou ele ligava. No começo, ela conversava comigo, assegurava que não tinha nada, que eu não tinha o que temer, só que eu continuava a pressioná-la e ela foi perdendo a paciência. Depois da gravidez, as coisas acalmaram e eu esqueci todo o resto. Só que um dia eu fui buscá-la para almoçar e os encontrei rindo. Aquilo me deixou louco. Discutimos no carro e depois em casa. Ela disse que estava cansada e eu... — engoli em seco.
– Você o quê?
– Eu a expulsei de casa, disse que não queria uma vadia como esposa — Jasper me encarou boquiaberto.
– Eu não acredito nisso. Você é uma das pessoas mais serenas que eu conheço, Edward. Sempre tratou Isabella como uma rainha. Eu... eu não sei o que pensar. O que ela fez?
– Gritou comigo, me xingou de todos os nomes possíveis e inimagináveis e por fim disse que eu estava certo, que ela tinha um caso, que ele era muito melhor do que eu. Depois correu para o closet e começou a fazer as malas. Eu fiquei parado em transe. Sem saber o que pensar. Sem saber o que fazer. Estava tudo desmoronando. Ela dormiu fora de casa aquele dia. Foi a pior noite da minha vida. Repassei nossas brigas. Eu havia extrapolado, muito. Sabia que ela não seria capaz de me trair, ainda assim o ciúmes me cegou completamente.
– E o que aconteceu?
– Eu descobri o hotel que ela estava e fui atrás dela, mas quando cheguei lá, ela já tinha saído. Voltei para casa acreditando que tinha ido ficar com a mãe. Minha mente rodava, não fazia ideia do que eu faria para me perdoar — um sorriso se formou no meu rosto. — Só que eu cheguei em casa e a encontrei sentada no sofá, com a mala ao seu lado — Jasper acabou sorrindo também. — Ela perguntou se era mesmo aquilo que eu queria. Eu não pensei em mais nada e a puxei para meus braços. Ela me xingou tanto, mas sem parar de me beijar. Então no dia seguinte, aquilo tudo aconteceu. Fico pensando se essa perda de memória não foi uma forma dela se proteger.
– Não pensa assim, Edward. Ela voltou para casa, se isso prova alguma coisa, é o quanto Isabella te ama. O acidente foi uma fatalidade.
– É o que eu gostaria de acreditar, Jasper — olhei para ele com carinho. — Obrigado por me ouvir. Isso já estava me enlouquecendo.
– Sempre que precisar, irmão. E se você quer saber de uma coisa, Isabella, com memória ou sem, vai acabar sentindo sua falta. E isso não vai demorar, Edward — assenti não muito seguro. Talvez ele estivesse certo, talvez não. — Agora, desculpe perguntar, quem é esse cara que você morre de ciúmes? — meu maxilar travou. Odiava sequer lembrar que aquele ser existia.
– Michael, eles se conheceram quando ela viajou para Inglaterra — pude ver a compreensão passar pelo rosto de Jasper.
– Uh. Isso explica muita coisa. Tiveram alguma coisa?
– Sim — respondi insatisfeito.
– Você também não foi nenhum santo nesse período, tanto que Anthony está aí para provar — arqueei minha sobrancelha.
– Está defendendo ela agora? — ele balançou a cabeça com um sorriso.
– Longe disso, só estou apontando os fatos. Não tem receio dele procurá-la?
– Tenho, por isso mesmo não permiti a entrada de pessoas que não fossem os familiares.
– E se ele for atrás dela na sua casa?
– Eu já disse, Jasper. Isabella não quer ver ninguém, mas estou pensando em contratar um segurança.
– Acha que ela vai aceitar isso? — sorri.
– Não, não vai, mas é preciso.
– E em relação ao trabalho dela. Como vai ser?
– Eu conversei com seu chefe e ele compreendeu a situação. Ela tem seis meses de licença maternidade. Se ela não recuperar a memória nesse tempo, vai ser complicado voltar. Tenho fé que esse tempo seja o bastante para ela conseguir se lembrar. É o que eu preciso acreditar nesse momento — Jasper acenou, concordando.
O toque do meu celular chamou minha atenção. Peguei o aparelho do meu bolso, já ansioso. Sabia que era de casa. Respirei fundo antes de atender.
– Reneé? Está tudo bem?
– Está sim, Edward — sua voz parecia embargada, como se tivesse chorado. — Acabei de conversar com Isabella, meu filho. Ela reagiu muito melhor do que eu esperava — suspirei aliviado. Pelo menos era uma boa notícia.
– Isso é ótimo, Reneé, já é um começo.
– Tem mais uma coisa — avisou, só isso foi o bastante para voltar a ficar tenso.
– O quê? — estava preparado para qualquer coisa, menos para o que Reneé disse a seguir:
– Ela quer ver o Anthony.
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