Uneven Odds

4 Capítulo 3 - Confusa


Notas iniciais
Capítulo caprichado!!

Bella POV

Despertei ao poucos, lutando contra o torpor que sentia em meu corpo. Estava tudo escuro, apertei o botão ao lado da cama e fechei os olhos quando a luz incandescente tomou conta do ambiente. Ajeitei-me na cama. Os fortes medicamentos que eu tomava para dor me faziam dormir quase que o dia inteiro e mesmo assim ainda acordava com dor. Não dava para entender. Estava prestes a chamar a enfermeira, quando ouvi uma batida na porta.

Meu coração acelerou, tinha medo que fosse ele, meu marido, mas assim que a porta abriu, pude respirar aliviada. Era a Allie. Nem pude acreditar quando a vi.

– Alice! Que saudades! — sentia como se fizesse anos que não a via.

– Oi, amiga — se aproximou sorrindo. — Que susto você nos deu — disse ao me abraçar.

– Eu sei, vou tentar evitar enfrentar veículos motorizados daqui para frente — brinquei.

– É bom mesmo, nos deixou loucos de preocupação — comentou com um sorriso, sentando na cadeira ao lado da cama. Observei seu rosto delicado. Alice não havia mudado nada. — O que foi? — perguntou ao perceber que a encarava.

– Você. Não mudou nada — ela riu. — Jacob me contou que se casou.

– É, vai completar cinco anos — respondeu sonhadora.

– Já?

– Pois é, o tempo passa rápido.

– Eu que o diga, acho que dez anos nunca passaram tão rápido — Alice segurou minha mão.

– Como você está com tudo isso?

– Levando, né, Allie. Foi bom saber que realizei muitos dos meus sonhos, mas ao mesmo tempo, não reconheço essa pessoa que me tornei — ela franziu o cenho.

– Como assim?

– Eu me casei, quando imaginou que isso ia acontecer? — sua expressão se suavizou.

– Você se apaixonou, Isabella. Isso acontece — fiz uma careta.

– Acontece com pessoas como você, não comigo. Não era o que eu tinha em mente para minha vida, Alice.

– Talvez não quando era adolescente, mas as pessoas mudam. Você mudou, demorou, mas mudou. Se ao menos desse uma chance para essa vida...

– Nem pensar! — fui categórica.

– Isabella, você sempre foi uma pessoa racional. Por que está agindo assim?

– Por quê? Eu acordo e descubro que sou casada com um ser que nem faço ideia de quem seja. Você tem noção do que está passando pela minha cabeça? Tem a mínima ideia do turbilhão de emoções que estou sentindo? — perguntei exaltada.

– Eu sinto muito mesmo pelo o que você está passando, não posso nem imaginar o que é isso, mas eu não vou permitir que magoe o Edward, ele não merece isso. Aquele homem é absolutamente louco por você — Jacob estava certo. Não era só minha mãe que adorava meu marido.

– Para mim ele não passa de um estranho — ela suspirou.

– Olha, eu não posso lhe dizer tudo o que vocês já passaram juntos, porque quem deve lhe dizer isso é o próprio Edward, mas posso garantir que ele nunca faria nada para te magoar. Você não tem noção de como ele está sofrendo com tudo isso. Edward não saiu desse hospital para nada desde que você deu entrada, Isabella. Ninguém conseguiu tirá-lo daqui. Mesmo sabendo que você não quer vê-lo e que não lembra dele — ainda que não quisesse, aquilo mexeu comigo. Não queria fazer outras pessoas sofrerem, mas isso não mudava minha opinião. Precisava pensar em mim. Eu, estava em uma cama hospitalar com amnésia, não ele.

– Alice, não vai adiantar nada você defendê-lo. Não quero nada com ele.

– Você podia ao menos manter a mente aberta e conhecê-lo.

– Isso não vai mudar nada, Alice. Eu só quero um minuto de paz. Um instante para pensar em mim e não nele. Será que é pedir muito? — questionei, já cansada desse assunto.

– Não, não é. Você tem esse direito — suspirei.

– De qualquer forma, obrigada por estar aqui — ela apertou minha mão e sorriu.

– Sempre que precisar, amiga. Quero que saiba que só queremos o seu bem.

– Eu sei, Alice. Só que me pressionar não está ajudando — ela assentiu.

– Eu entendo. Antes que me esqueça, trouxe algo para você — pegou sua bolsa e tirou de dentro um objeto retangular.

– O que é isso?

– É seu iPad — olhei para ela confusa. — É como se fosse um computador portátil. Tem de tudo aqui.

– Nesse aparelho? — perguntei abismada. Alice sorriu, me passando o objeto.

– Sim. Vou mostrar como funciona — disse prestativa. Eu observava tudo atentamente. Sempre fui aficionada por tecnologia e aquilo era incrível. Podia fazer quase tudo com ele. — Tem muitas fotos e vídeos seus, talvez possa ajudar a lembrar de alguma coisa — engoli em seco.

– Isso é bom — respondi sem emoção. De repente tudo o que eu queria era jogar o aparelho no chão, como se pudesse sumir com essas lembranças.

– Agora eu preciso ir.

– Obrigada por vir. Eu fiquei muito feliz por ainda sermos amigas.

– Saiba que sempre que precisar pode me ligar, como te mostrei, no iPad tem todos os meus dados — assenti.

Assim que ela foi embora, encarei o aparelho na minha frente. Ali tinha tudo o que eu precisava da minha antiga vida. Mas eu não queria saber nada dela ou dele. Deixei o aparelho no criado mudo e apertei o botão para chamar alguém. A dor, que antes parecia tolerável, agora estava insuportável.

Quando a enfermeira apareceu, expliquei a situação e ela injetou mais uma dose de remédio. Suspirei aliviada. Pelo menos dormindo eu não pensava em nada.

Edward POV

Acordei com meu corpo moído, resultado de mais uma noite no sofá duro. Observei Isabella e ela dormia tranquilamente. Espreguicei e fui até o banheiro fazer minha higiene e tomar um banho. Peguei na mala minha última peça de roupa limpa. Ia aproveitar que iria para casa hoje e levaria as roupas para lavar. Saí do banheiro e encontrei o médico examinando o prontuário de Isabella.

– Bom dia, Malek.

– Bom dia, Edward. Como passou a noite? — perguntou solicito.

– Tentando achar uma posição para dormir — disse me aproximando. Ele se virou para mim e sorriu. — Como ela está?

– Muito bem, é possível que lhe dê alta mais cedo do que tinha imaginado.

– Ela ficará feliz com isso — comentei, sem tirar os olhos dela. Era uma pena que eu não poderia estar ao seu lado nesse momento.

– Mas ainda vou precisar que ela venha ao hospital pelo menos duas vezes por semana. Precisamos monitorar a fratura no crânio e seria bom para ela fazer um acompanhamento psicológico, por conta da perda de memória — completou.

– Eu acho isso ótimo, estamos tentando ser sinceros com ela, mas existem alguns assuntos que não sei se seria bom falar agora. Tenho receio da reação dela.

– Eu entendo, percebi que ela ficou mais agitada depois de saber sobre o casamento, talvez seja interessante vocês tomarem uma outra abordagem, ela está indo muito bem, não queremos prejudicar sua recuperação.

– Esse é exatamente o meu medo — olhei para Isabella. Não queria falar sobre esse assunto na presença dela. — Podemos conversar lá fora? — pedi, Malek assentiu e me seguiu para fora do quarto.

– Qual o problema, Edward? — suspirei, procurando a forma certa de trazer o assunto a tona.

– Eu acho que ela não está pronta para saber que é mãe — decidi ser direto.

– Por quê?

– Porque ela nunca quis isso. Isabella sequer gostava de crianças. Tenho medo dela surtar, não sei — Malek pareceu ponderar o que havia dito.

– Esse é mesmo um assunto delicado. Se eu puder dar um conselho, seria que vocês esperassem que ela estivesse em casa. Dar a noticia de modo paliativo, com calma, só que nunca omitir ou mentir. Isso só piora as coisas.

– Eu pensei nisso, mas lembrei da cesárea. Não quero que ela leve um choque quando ver a cicatriz — comentei preocupado.

– Levando em conta que os pontos já estão bem cicatrizados e que ela ainda tem vários cortes e hematomas pelo corpo, acho difícil perceber do que se trata instantaneamente, mas assim que ela conseguir tomar banho sozinha, se vestir, vai acabar vendo que a cicatriz não é como as outras. Vocês tem esse tempo da recuperação dela em casa para contar a verdade. Aconselho você a conversar com nosso psicólogo, Edward. Tenho certeza que ele irá ajudá-lo nessas questões e em outras que possa ter.

– Obrigado pela ajuda, Malek — agradeci. — Isabella irá para a sala de exames agora?

– Sim, precisamos monitorar as funções cerebrais e garantir que tudo esteja indo como planejado. Acredito que em pouco tempo estará de volta no quarto.

– Ok, vou descer e marcar a consulta com o psicólogo, depois quero dar uma olhada no nosso filho. Acha que Matthew pode receber alta junto com ela? — perguntei interessado.

– Acredito que não, Edward. Matthew está indo muito bem, mas precisa ganhar mais peso. Só depois poderá sair, talvez mais quatro ou cinco semanas — assenti.

– Eu entendo, de qualquer forma já fico feliz em ver como ele está indo bem, como já parece mais saudável.

– É um garoto muito forte — assim como a mãe. O pensamento cruzou minha mente antes que pudesse impedir.

– Bom, vou passar na recepção e ver sobre o psicólogo — disse, não muito seguro. Eu sempre me sentia apreensivo quando tinha que me afastar de Isabella, mesmo que fosse apenas de seu quarto.

– Não se preocupe, cuidaremos dela — garantiu com um sorriso reconfortante e voltou para o quarto.

Respirei fundo e segui até o elevador.

Precisava começar a pensar em como seria quando Matthew tivesse alta. Talvez contratar uma enfermeira para cuidar dele. Será que até lá Isabella já teria aceitado o filho? Ou recuperado a memória?

Isso seria um sonho. E sonhar era tudo o que eu podia fazer nesse momento.

**

Segui até a recepção do hospital e consegui uma consulta com o psicólogo ainda pela manhã. Seria bom conversar com alguém sobre tudo isso e saber qual o melhor caminho para seguir. Caminhava até o elevador quando vi Reneé entrando no hospital. Chamei-a e pedi para conversarmos.

– Está tudo bem, Edward? — perguntou conforme nos sentávamos na sala de espera.

– Sim, Isabella está indo muito e terá alta mais cedo — ela sorriu aliviada.

– Ai, que bom.

– E o médico aconselhou um acompanhamento psicológico, assim que ela sair.

– É, vai ser bom ela conversar com alguém sobre tudo isso.

– Tem mais uma coisa. Eu comentei com o médico meu receio de Isabella saber sobre as crianças e ele sugeriu que eu converse com um psicólogo antes, para saber como agir — Reneé ficou parada em choque.

– Edward, esqueci de falar para você, mas ontem à noite, depois que Alice saiu, eu vi o iPad de Isabella no quarto. Acho que Alice trouxe para ela.

– Merda! — esbravejei. — Ela chegou a ver alguma coisa?

– Acredito que não, quando cheguei no quarto ela já dormia — suspirei aliviado.

– Ainda bem. Não quero que Isabella descubra isso sozinha.

– Acha que pode ter visto hoje?

– Não, quando saí de lá ainda estava dormindo e pelo cronograma deve estar fazendo uma série de exames agora.

– Quando você vai ver o psicólogo? — olhei o relógio.

– Daqui dez minutos.

– Ótimo, vou aproveitar que irei vê-la e já pego o aparelho — assenti, tentando sorrir sem qualquer sucesso. — Vai dar tudo certo, querido — Reneé me confortou carinhosamente, percebendo meu péssimo estado de espirito.

– Vai mesmo, Reneé? Eu já não sei, é tanta coisa. Nosso filho na UTI, Anthony louco para falar com a mãe, Isabella com amnésia. Não sei o que fazer — murmurei derrotado. Ela afagou minhas costas.

– Eu vou conversar com ela — sacudi a cabeça.

– Melhor não, não quero que ela fique agitada — Reneé sorriu.

– Sempre protegendo a sua garota, não é, Edward? — abri um sorriso triste. — Pois saiba que, como mãe, eu digo que está na hora dela acordar. Sei que é muita coisa, mas isso não é razão para agir como uma criança birrenta. Isabella nunca foi assim, sempre foi madura, racional. E vou ser sincera com você, não gosto de Jacob perto dela, acho que isso só está piorando ainda mais a situação.

– Nem me fale dele, estou com vontade de esganá-lo. Posso apostar que está aproveitando da situação para colocar Isabella contra mim.

– Eu não duvido, Edward, mas não se preocupe. Hoje isso acaba, terei uma conversa séria com ele — segurei sua mão e a apertei levemente.

– Obrigado, Reneé. Por tudo.

– Ah, meu filho. Não tem o que agradecer, nós dois queremos a mesma coisa, que Isabella fique bem — sorri, finalmente com um fio de esperança.

Era só nisso que eu conseguia pensar. Que ela ficasse bem. Que ela voltasse para mim.

Bella POV

Tomava meu café da manhã tranquilamente após uma série exaustiva de exames, quando minha mãe chegou.

– Bom dia, filha — cumprimentou com um sorriso, entrando no quarto.

– Bom dia — respondi comendo meu mingal sem gosto. — Tenho uma novidade — disse animada.

– Ah, é? Qual?

– Vou receber alta mais cedo, não é ótimo?

– Estragou minha surpresa, era o que eu ia contar para você — ri do bico que ela fez.

– Nem acredito que finalmente vou sair daqui — minha mãe se acomodou na cadeira ao meu lado, e sua atenção foi atraída para o iPad, jogado em um canto do meu criado-mudo.

– Você chegou a dar uma olhada nele? — ela perguntou, parecendo preocupada.

– Ainda não — minha mãe assentiu, aliviada.

– Algum problema? — estava achando a atitude dela estranha.

– Nada, eu só acho que talvez seja melhor que mexa nele quando estiver em casa — disse pegando o aparelho e colocando na bolsa. Dei de ombros.

– Por mim tudo bem, não faço questão de ver nada do meu futuro ou passado, seja o que for.

– Isabella! — repreendeu. Ignorei e continuei comendo. — Filha, preciso falar com você — ah, não! Lá vinha mais uma bomba.

– Sobre o quê? — questionei receosa.

Antes que pudesse responder, a porta abriu.

– Bom dia. Posso entrar? — assim que vi Jacob, um sorriso se alastrou pelo meu rosto. Minha mãe pareceu não gostar, mas não consegui evitar. Pelo menos Jake me entendia.

– Claro! — ele trazia um ramalhete lindo de flores. — São lindas, Jake — se aproximou e me deu um beijo no rosto.

– Pela sua recuperação — disse sorrindo.

– Obrigada — peguei o ramalhete. Rosas brancas, minha favorita, agora sabia quem era o responsável pelo meu quarto estar repleto delas. Minha mãe pegou as flores e colocou sobre o sofá. Não precisava ser um gênio para perceber que ela não estava nada feliz com a presença dele aqui.

– Adivinha? — disse, voltando minha atenção ao Jacob.

– O quê?

– Vou ter alta depois de amanhã.

– Isso é ótimo, Bells! — respondeu entusiasmado.

– Também acho. Não aguento mais esse lugar. Alias, para onde eu vou quando sair daqui? — perguntei para minha mãe. Ela olhou diretamente para Jacob.

– Acho que o melhor é que você volte a vida antes do acidente. Isto quer dizer, ir morar com seu marido.

– O QUÊ? NÃO! — exclamei desesperada. — Você não pode fazer isso comigo, não pode me obrigar a morar com ele.

– Filha, calma.

– CALMA? Como posso ter calma quando minha mãe quer que eu vá morar com um completo estranho.

– Ele é seu marido, Isabella.

– E daí? Eu não me lembro dele. Para mim ele é um estranho.

– Eu concordo com ela — Jacob disse, recebendo um olhar frio da minha mãe.

– Está vendo. Finalmente alguém sensato.

– Vocês não podem deixar ela ir morar com alguém que ela não se lembra. É errado — Jake me defendeu.

– Jacob, Edward é o marido dela, ele a ama, nunca faria nada para magoá-la ou machucá-la. Ela terá seu espaço, e eu estarei lá também.

– Mesmo assim, ela não sabe quem ele é — Jake argumentou.

– Eu não vou morar com ele — rebati decidida.

– Isabella, você não tem mais dezesseis anos, é uma adulta. Ninguém te obrigou a casar, você fez isso porque quis, mesmo que não se lembre foi uma decisão sua.

– Você disse bem, eu não me lembro, portando posso muito bem ignorar essa decisão imbecil que eu tomei. Quero ir para casa.

– Sua casa é com ele — minha mãe respondeu.

– Você sabe o que eu quis dizer, a menos que não me aceite.

– Claro que sim, Bella. Mas filha, você tem que voltar a sua vida.

– Eu não quero essa vida, eu não me lembro dela e nem quero me lembrar.

– Você pode ficar comigo se quiser — Jacob interveio. Antes que pudesse abrir a boca, minha mãe interrompeu.

– Nem pensar! — disse séria.

– Você é casada, não pode morar com outro homem. Se não quer ir para sua casa, você volta comigo para Nova Iorque.

– Tá bem, mas quanto ao fato de estar casada quero resolver isso.

– Como assim?

– Vou pedir o divórcio — os olhos de minha mãe se arregalaram e um sorriso estranho surgiu nos lábios do Jacob, não sabia o porquê, mas seu gesto me incomodou.

– De jeito nenhum! — minha mãe interveio.

– Por que não? É minha vida.

– Você acabou de voltar de um coma, está confusa, não se lembra de nada. Essa é uma decisão importante, por favor, Isabella. Nada de se precipitar — bufei — Ouviu?

– Ouvi! — respondi secamente.

– Ótimo. Agora você, Jacob — seu olhar frio o fuzilou — Quero falar com você, agora! — avisou, saindo do meu quarto.

Assim que a porta fechou, olhei para Jake.

– Acho que você está encrencado — ele sorriu.

– Tudo bem. Prometi que não te deixaria sozinha e vou cumprir.

– Obrigada, Jake. É uma pena não podermos dividir um apartamento. Ia ser divertido.

– Ia mesmo, mas não se preocupe, não sairei do seu lado para nada — sorri, não muito segura. Algo no jeito dele parecia estranho. Sacudi a cabeça, isso não fazia sentido. Ele estava do meu lado, e era isso que importava. — Agora vou ver o que sua mãe quer — me deu um beijo no rosto e saiu.

Só esperava que minha mãe não fosse dura demais com ele. Voltei minha atenção ao mingal, que agora estava frio e com um gosto ainda mais sem graça. Deixei a bandeja de lado e esperei Jacob e minha mãe retornarem, no entanto somente ela voltou ao quarto.

– Onde está o Jake?

– Ele vai pensar um pouco nas atitudes que anda tomando.

– Que atitudes? Me entender? Ficar do meu lado?

– É isso que você pensa, Isabella?

– É sim! Ele é o único que não me julgou por não correr para os braços do meu amado marido, que entendeu como isso é difícil.

– Você não vê que ele está se aproveitando da situação? — acabei rindo.

– Por favor, mãe. Isso é ridículo! Jacob está me ajudando, ao contrário de você e da Alice, que só pensam no tal Edward e esquecem que eu existo! — minha mãe respirou fundo. Sentou na cama e me encarou seriamente.

– Você está feliz, Isabella?

– É claro que não, você não vê? Eu não quero estar casada, não...

– Para! Não é disso que estou falando — disse me interrompendo. — Você está feliz por estar no hospital, por sentir dor, por não lembrar de nada? — engoli em seco e depois de pensar por um instante, balancei a cabeça.

– Não — murmurei.

– Jacob está feliz com isso — revirei os olhos.

– Ele está feliz por eu estar bem mãe, por sermos amigos de novo, porque seu querido genro fez questão de nos afastar. Sabia disso?

– Sabia, mas quem o afastou não foi o Edward, foi você mesma — franzi o cenho.

– Está mentindo. Jacob sempre foi meu amigo, não teria razão nenhuma para afastá-lo — respondi na defensiva.

– As pessoas mudam, Isabella. Jacob não é mais o adolescente que conheceu assim como você não é a mesma.

– Você quer me afastar dele, só porque ele não abaixa a cabeça para o tal Edward, só porque ele me apoia. Porque ele sabe a merda de vida que eu tinha. Deve ser por isso que eu a esqueci!

– Isabella! — minha mãe exaltou. — Saiba que você era muito feliz e amava e muito o seu... — coloquei a mão nos ouvidos.

– PARA, PARA! — gritei e comecei a chorar. — É tanta coisa para lidar, eu estou perdida e tudo o que vocês fazem é pressionar, me forçar a ver alguém que eu não faço ideia de quem seja, aceitar uma vida que eu não quero — disse soluçando. Minha mãe me abraçou e acariciou minhas costas.

– Não quero forçar você a nada, meu amor. Só não quero que Jacob se aproveite dessa situação para influenciá-la. Ele está feliz com seu sofrimento, filha. Isso é ser seu amigo? — não queria acreditar nisso, mas algumas atitudes de Jacob o condenavam. Assim como algumas coisas que ele havia dito no dia anterior que ainda não faziam sentido. — Eu já menti para você? Alguma vez? Sobre qualquer coisa? — perguntou e neguei, sem sair dos seus braços. — Eu só quero que você pense por si. Seja aquela garota racional, madura e inteligente, que esteve ao meu lado quando perdemos o seu pai — sua voz falhou. — Aquela menina que, com apenas quinze anos arrumou um emprego para me ajudar em casa, porque a pensão e o salário de professora não davam para pagar as contas da casa e as dívidas do hospital — solucei ainda mais ao lembrar do meu pai e de como doeu perdê-lo naquele incêndio. Abracei-a com força.

– Eu não sei o que fazer — confessei. Minha mãe alisou meu cabelo.

– Eu sei, filha, isso tudo é assustador, mas você não está sozinha — garantiu, não respondi nada. Não tinha mais o que dizer. Tudo já havia sido dito. Apenas fiquei ali, aproveitando a segurança nos braços da minha mãe e esperando que o dia seguinte fosse melhor.

Notas finais
É, parece que a situação só complica. O que acham que a Bella vai fazer quando souber dos filhos? E quanto ao Jacob, ela já percebeu que ele não parece o mesmo, será que vai seguir o conselho da mãe e se afastar dele? Como acham que o Edward vai lidar com tudo isso? #coitado Beijos e até semana que vem!