Uneven Odds
32 Capítulo 21 - Juntos - Parte 2
Notas iniciais
Bella POV
Eu não sabia o que fazer para convencer Edward sobre uma nova gravidez. Não era agora ou amanhã, sabia muito bem que teria dificuldade para engravidar, mas ainda assim queria ter a chance de ao menos tentar.
– Você está horrível — Alice apontou me olhando clinicamente.
Ela já tinha recebido alta junto com sua pequena e aproveitei um tempo livre para visitá-las em casa.
– Eu sei. Não dormi bem — expliquei deixando escapar um suspiro cansado.
– Por causa do chamado na madrugada? — perguntou com um sorriso enquanto eu negava, incapaz de acompanhar seu bom humor.
– Não. Eu e Edward discutimos ontem — comentei. Ela arregalou levemente os olhos.
– Por quê? Vocês estavam tão bem.
– Eu falei sobre minha vontade de engravidar e Edward foi taxativo na resposta. Não quer de jeito nenhum — disse, olhando a pequena em seus braços toda embrulhada em pêssego. — Não sei o que fazer.
– Você pode tentar sem ele saber, seduzi-lo — opinou maliciosa. – Depois que estiver grávida, Edward não poderá fazer nada a não ser aceitar.
Não aguentei e ri do seu plano.
– Alice, eu não poderia engravidar pelas costas dele, isso só faria toda a evolução que tivemos ir para o espaço — descartei a ideia.
– Eu fiz e deu certo — sorriu, mostrando a filha em seus braços.
– É diferente e você sabe disso — apontei e ela aquiesceu.
– Tem razão, mas valeu a pena. Devia pensar nisso, não descarte a ideia. Edward só está com medo. Se você engravidar, mesmo que ele não saiba, vai ficar encantado. Você vai ver – insistiu.
Olhei para ela sem saber o que dizer. Não conhecia Edward tão bem para saber qual seria sua reação, mas Alice estava certa em uma coisa. Edward nunca renegaria um filho e posteriormente ficaria feliz com a noticia.
Mas a quê preço?
Algo me dizia que ele ficaria extremamente decepcionado comigo e eu não queria isso.
Me despedi de Alice e da pequena Jasmim e fui buscar Anthony na nova escola. Ele estava muito feliz por fazer novos amigos.
– Mamãe! — Anthony gritou, correndo para os meus braços.
– Como foi a aula? — perguntei, segurando sua mão conforme o motorista abria a porta do carro. Edward ainda insistia nisso, mas era por pouco tempo. Quando eu tivesse terminado meus testes de direção para renovar minha carteira, isso acabaria.
– Eu desenhei um monte de coisas. A professora adorou — disse animado. O motorista entrou e deu partida no carro.
– Muito bem, filho. E o que mais? Brincou muito com seus amigos?
Anthony assentiu e continuou contando animadamente sobre o seu dia.
Chegamos em casa e depois de dar uma olhada em Matthew que havia ficado com Irina, fui dar um belo banho em Anthony, ou melhor, supervisionar seu banho, já que ele insistiu que era um rapaz grande e podia tomar banho sozinho. Estava cada dia mais parecido com o pai. Secretamente, eu adorava poder olhar para ele e não ver a mãe. Nunca cheguei a falar com a tal Tanya, mas tinha visto algumas fotos. Era uma mulher linda. E ainda assim, Edward me escolheu. Sorri satisfeita. Para todos os efeitos, Anthony era nosso e nada mais importava.
Depois de pronto, Anthony foi comigo cuidar do irmão. Passamos o resto da tarde brincando juntos. Anthony, a cada dia, ficava mais paciente e atencioso com Matthew. Até mesmo nos cuidados com ele. Demos banho no pequeno, o colocamos para dormir e fomos para a cozinha. Enquanto ele ficava no balcão desenhando, eu fazia o jantar.
Já havia dispensado Irina, que agora, dividia seu trabalho entre cuidar da casa e ficar com meus filhos quando eu precisava sair. Ela havia recebido um bom aumento para isso, já que eu me negava a ter uma estranha em casa cuidando das crianças.
– Mamãe, o que acha? — Anthony levantou a folha de papel e mostrou o que tinha feito. Era um desenho com toda a nossa família. Edward. Eu. Anthony e do lado dele, bem pequeninho, Matthew.
– É lindo, filho – elogiei tentando segurar a emoção.
– Você gostou mesmo? É para você — sorri emocionada, deixei os legumes na tábua e enxuguei as mãos para pegar o desenho.
– Obrigada, meu bem — agradeci e o abracei. Sem perceber, me vi chorando.
– Pô que está chorando, mamãe? — perguntou baixinho.
– É que eu amei o presente — expliquei, enxugando o rosto. — As pessoas choram quando estão felizes também — ele sorriu e me beijou.
– Boa noite.
Ergui o rosto e meus olhos se encontraram com os de Edward. Anthony desceu do banco e foi correndo para os braços do pai.
– Papai!
– Hey, rapaz! — disse, pegando-o no colo. — O que está fazendo?
– Fiz um desenho para a mamãe e ela gostou tanto que chorou — falou me olhando.
– Aposto que é um desenho muito bonito — Edward disse sem tirar os olhos de mim.
– É sim — respondi, levantando o desenho para mostrar. — Nossa família — completei, Edward me encarou com intensidade, como se estivesse buscando algo a mais em meu olhar.
– É lindo — elogiou e sorriu. Desviei meus olhos dos seus e voltei minha atenção aos legumes que cortava no balcão.
– O jantar está quase pronto — avisei. — Pode levar o Anthony para lavar as mãos, Edward?
– Claro — concordou e o levou para cima.
Suspirei aborrecida ao vê-lo sair da cozinha. Um bolo se formando na minha garganta. Ele nem havia me dado um beijo quando chegou ou tentado alguma aproximação. O que isso significava? Era assim que ficávamos quando discordávamos um do outro? Como faríamos as pazes?
Desanimada, terminei a refeição e coloquei a mesa. Assim que Edward e Anthony desceram, jantamos. Felizmente, Anthony não parava de falar, já que Edward e eu ficávamos nas frases e respostas rápidas.
Como foi o trabalho? Bem.
Como passou o dia? Bem.
Como Alice estava? Bem.
Aquilo já estava me deixando nervosa e impaciente.
Quando acabamos o jantar, tirei a mesa e pedi para Edward ficar com Anthony assistindo TV enquanto eu arrumava a cozinha. Geralmente, ele me ajudava, mas no momento precisava ficar sozinha.
Eu ainda não sabia como lidar com essa situação. Qual postura deveria tomar? Deveria insistir no assunto com Edward ou dar um tempo para ele? Não queria estragar o que havíamos construído nos últimos meses, mas também não podia deixar que o medo coordenasse nossas vidas. Joguei o copo na secadora de qualquer jeito.
Argh. Relacionamentos eram tão complicados. Se ao menos viessem com um manual de instrução...
– Ainda está chateada comigo? — ouvi Edward perguntar. Virei, encostando o quadril contra a pia.
– E o Anthony? — questionei, ignorando sua pergunta. Não sabia ao certo se estava chateada ou não.
– Ele dormiu e o levei para o quarto — explicou se aproximando. — Isabella, eu...
– Edward, está tudo bem — me vi dizendo. — Mesmo — garanti mais para mim mesma do que para ele.
Não estava tudo bem, mas eu não suportava mais aquele clima, aquela distância. Decidi naquele instante que daria um tempo para ele aceitar a ideia da gravidez. Faria a cabeça dele de forma paliativa. Eu tinha tocado no assunto cedo demais. Edward abriu um sorriso de lado e segurou minha cintura. Minha respiração ficou presa na garganta com seu toque.
– Não, não está — afirmou me encarando fixamente. — Eu estou vendo que está chateada comigo. E eu odeio isso — toquei seu peito, brincando com o tecido da sua camiseta entre os dedos, como uma forma de distração.
– Não é culpa sua, Edward — expliquei. — Eu entendo suas razões. Não posso imaginar o que foi para você enfrentar tudo aquilo — sua mão apertou minha cintura.
– Só a ideia de algo acontecer com você de novo... — deixou a frase no ar. A voz carregada de tensão e agonia. Seus olhos passavam um medo, o qual eu era incapaz de compreender a extensão. Toquei seu rosto com a ponta dos dedos.
– Foi besteira minha, acho que é por causa da gravidez da Alice e também porque, mesmo tendo engravidado duas vezes, eu não me lembro. Sei lá. Queria sentir minha barriga crescendo e todas essas coisas — sorri sonhadora, mas logo em seguida voltei a ficar séria. Já tinha decidido. Não ia mais insistir, pelo menos, não nos próximos meses.
– Vamos esquecer isso — pedi, forçando um sorriso. — Você, Anthony e Matt são tudo o que eu preciso. — Edward me observou com atenção e suspirou profundamente.
– Você tem que me prometer que vai se cuidar, que não vai sair dessa casa sozinha ou sem falar comigo. Eu sei que posso estar sendo exagerado, mas... — coloquei a mão na sua boca, impedindo que continuasse.
– Do que você está falando? — perguntei com o coração batendo acelerado.
– Eu não posso te negar isso, Isabella
– Quer dizer que... — eu não conseguia dizer.
– Vamos deixar acontecer, ok? — propôs e eu assenti, sorrindo de orelha a orelha e pulando no seu pescoço.
– Eu vou me cuidar, juro — assegurei. — Vou fazer tudo o que você disser — Edward segurou com firmeza meu rosto.
– Eu não vou perder você de novo — garantiu para si mesmo.
– Não vai — respondi com convicção e o beijei. Eu o amava tanto. — Obrigada, eu sei que isso não é fácil para você.
– Difícil é negar algo que você tanto deseja. Eu te amo, Süsse. E o que estiver ao meu alcance para lhe fazer feliz, eu farei.
Sua declaração me emocionou. Ele estava fazendo tanto por mim, não podia imaginar o que significava tal esforço. Pior, que ele estivesse fazendo isso apenas porque eu queria.
– Eu não quero isso se você não quiser — fui categórica.
– É claro que eu quero, eu só tenho que superar esse medo irracional de que algo fora do meu controle aconteça — respirei aliviada e o abracei. Edward me apertou em seus braços.
– Nós vamos conseguir. Juntos.
– Vamos sim – afirmou, beijando minha cabeça.
– Alice disse que eu deveria seduzi-lo — contei e Edward riu.
– Bem, eu não me importaria se a parte da sedução começasse agora — provocou, sussurrando no meu ouvido, beijando meu pescoço em seguida. Eu estremeci.
Edward segurou minha mão me tirando da cozinha. Quando chegamos na porta do quarto, ele parou e me pegou no colo, dei um grito pela surpresa.
De repente, várias imagens preencheram minha mente, me deixando zonza, agarrei seu pescoço, escondendo o rosto no peito dele.
– Isabella, tudo bem? — perguntou me deitando na cama. Fechei os olhos e tentei me acalmar. — Isabella? — chamou preocupado. Levantei a cabeça e respirei fundo.
– Não sei o que houve — respondi em um fio de voz.
– O que está sentindo?
– Não sei, vi um monte de imagens e acabei ficando zonza.
– Que tipo de imagens?
– Você tentando me carregar e eu brigando com você. Isso aconteceu? — ele sorriu e se deitou ao meu lado.
– Muitas vezes. Você não gostava de ser carregada, mas no fim acabava deixando. Você quer ir no médico? — perguntou me observando com atenção.
– Não, estou bem — respondi, deitando sobre o seu peito e o beijando.
– Acho melhor só dormimos — advertiu, me afastando.
– Deixa de ser chato, Edward. Me beija — pedi, passando a língua pelos meus lábios, provocando-o. Edward nos girou na cama, ficando por cima de mim e me beijou. Não queria pensar em mais nada a não ser nós dois.
– Eu te amo — sussurrou nos meus lábios.
– Eu também te amo. Muito — gemi enquanto suas mãos passeavam pelo meu corpo incendiando todas as partes.
Essa noite ia ser longa e se dependesse de mim não terminaria nunca.
– Acho que já deveríamos pensar em um nome — comentei com Edward. Tínhamos acabado de voltar do médico e descobrimos que teríamos um menino.
– Verdade — concordou enquanto beijava e acariciava minha barriga. Ele olhava deslumbrado para mim, os olhos verdes ainda mais vivos e brilhantes. Edward estava uma verdadeira tentação e isso só fazia a minha libido despertar novamente.
– Já pensei em um — comentou, chamando minha atenção e me fazendo esquecer por um instante meus desejos gestacionais.
– Qual?
– Eu estava querendo algo diferente e inovador — olhei desconfiada para ele.
– E em que nome você pensou? — perguntei finalmente.
– Sete — franzi meu cenho, confusa.
– Você quer que nosso filho se chame um número? — questionei tentando entender. Ele deu de ombros.
– É diferente, único, eu gosto — defendeu.
– É claro que é único, quem mais ia chamar o filho de "Sete"? — segurei a vontade de rir. Ele devia estar brincando.
– Acha isso engraçado? — perguntou com a cara fechada. Pela sua reação percebi que falava sério.
– Não, Edward. É só que eu não quero que meu filho se chame Sete. Que tal Seth? — propus.
– Não, perde completamente o sentido — reclamou aborrecido. Não aguentei e comecei a rir do seu bico.
– Que bom que eu divirto você — disse chateado se afastando de mim e sentando na ponta da cama.
– Desculpa, mas você tem que concordar comigo que é um nome estranho. Imagina na escola? Sete você tirou sete.
Sem perceber eu estava gargalhando, Edward que estava sério, também começou a rir.
– Tá, você tem razão — concordou rindo, voltando a se sentar mais próximo de mim e a acariciar minha barriga. — Eu só não queria algo comum, como Andrew, ou Johnson.
– Achei que você gostava do nome do Anthony.
– Eu gosto, mas se pudesse não teria dado o meu segundo nome. Queria algo diferente — olhei para ele.
– Então Matthew está fora de cogitação, né? — perguntei, ansiosa pela sua reação.
– É o que você quer? — assenti.
– Acho tão lindo esse nome.
– É bonito mesmo — concordou, mas logo fez uma careta. — Mas é tão comum — tive que rir.
– Eu posso te convencer — provoquei, o puxando para um beijo. Queria matar todo o desejo que sentia por ele e quem sabe ganhar essa luta.
– Ah é? E como vai fazer isso? — provocou escovando seus lábios nos meus.
– Eu tenho um ótimo plano para isso — mordi seu lábio inferior enquanto minha mão passava pelos seus cabelos e nuca. Sentei em seu colo e aprofundei o beijo, cada vez mais quente, cada vez mais delicioso, cada vez ...
Sentei na cama, arfando, a respiração irregular.
– Isabella? Aconteceu alguma coisa? — Edward perguntou acendendo a luz do abajur. Me virei e olhei para ele.
– Você queria que o Matt se chamasse Sete? — ele me olhou assustado.
– Você lembrou disso?
– É verdade? — rebati pasma.
– É. Eu contei e você...
– Caí na gargalhada — completei, ainda processando o fato de ter tido mais uma lembrança completa de um momento no passado. — Por isso você escolheu o nome Matthew? Por que era o meu favorito? — questionei admirada. Ele sorriu e acariciou meu rosto.
– Tudo o que eu queria era ver seu sorriso quando acordasse e soubesse da surpresa.
Eu não sabia o que fazer ou dizer para esse homem maravilhoso. Então, simplesmente, pulei no seu colo e o enchi de beijos.
– Eu te amo, te amo, te amo, te amo — Edward ria entre os beijos que eu dava em seu rosto. — Obrigada por estar na minha vida — agradeci o olhando. Quanto mais eu conhecia meu marido, mais eu me apaixonava.
– Eu que tenho que agradecer — respondeu acariciando minhas costas.
Enterrei minhas mãos em seus cabelos e trouxe seus lábios para os meus em um beijo tão delicioso quanto o do meu sonho.
Porque essa era a minha realidade.
E se dependesse de mim, seria assim para sempre.
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