Uneven Odds

3 Capítulo 2 - Vida nova


Notas iniciais
Que tal começar a semana com um capítulo fresquinho =D

Edward POV

Na noite seguinte, encontrei Alice no refeitório.

– Como você está? — perguntou sentando à minha frente.

– Deveria perguntar como ela está.

– Eu sei como ela está, Edward, e você?

– Bem, na medida do possível — suspirei.

– Você está tão abatido — apontou preocupada.

– Se algo tivesse acontecido com ela ou com nosso filho. Eu... — não consegui terminar.

– Ei... Ela vai se lembrar.

– Talvez seja melhor que não se lembre.

– Que absurdo, Edward!

– Eu a amo tanto e mesmo assim só a fiz sofrer, Alice — disse agoniado.

– Você não pode levar toda a culpa para si, Edward. Tem que parar com essa mania irritante de sempre protegê-la, sempre encobrir qualquer erro dela.

– Eu não faço isso — rebati aborrecido com sua acusação.

– Faz sim, e você sabe! Eu a conheço praticamente desde que nasci, sei muito bem como Isabella pode ser difícil e mais do que isso, eu vi o que você já sofreu por causa dela.

– Isso é passado — cortei-a, querendo esquecer esse assunto.

– E não é esse passado que trouxe todo esse ciúmes a tona? Não é dele que você está morrendo de medo? — engoli em seco, sabendo que de certa forma ela estava certa. — Olha, Edward, você sabe que o considero muito mais que um cunhado, para mim você é o irmão que Jacob nunca foi. E eu amo Isabella da mesma forma, só que eu não posso ver você assim, sentindo-se culpado por erros cometidos por ambos. Precisa esquecer isso e focar no presente e no que fará para se aproximar dela.

– Você a viu? — perguntei interessado.

– Sim. Parece a adolescente de dez anos atrás. Tentei falar de você — suspirei.

– Alice, deixa isso para lá.

– Edward, você não vai desistir, não é? — indagou séria.

– Claro que não. Ela é tudo para mim — segurei minhas mãos. — Mas ela precisa de um tempo, Reneé tem razão, é muita coisa.

– É, nisso tenho que concordar, é informação demais — aquiesceu. — Acabei de ver Matt na UTI, ele parece bem melhor — sorri, falar dele sempre melhorava meu humor.

– Ele é muito valente — Alice devolveu o sorriso e passou a mão pelo ventre ainda plano.

– Não vejo a hora de segurar o meu. Estávamos tão animadas por engravidarmos juntas — comentou com pesar. Assenti, lembrando da animação de Isabella com a gravidez da amiga. Ouvi seu celular tocando. Alice o atendeu com um sorriso. Já podia imaginar de quem se tratava.

– Sim, amor, estou indo — falou rapidamente e desligou. Era bom ver que estavam se dando bem novamente. — Jasper está me esperando — explicou, antes de se levantar. — Devia ir para casa, descansar — aconselhou preocupada.

– Eu estou bem aqui — ela sorriu e foi embora.

Saí do refeitório e encontrei minha sogra saindo do quarto de Isabella. Ela estava indo para casa e insistiu que eu fizesse o mesmo, me neguei. A noite era o único momento que eu tinha para ficar com Isabella.

Entrei no quarto e a encontrei dormindo tranquilamente, resultado dos remédios fortes que tomava para dor.

Droga! Por que isso estava acontecendo? Já não bastava tudo o que passamos para ficarmos juntos? Todo o sofrimento? O desespero de não saber o que aconteceria a partir de agora estava me enlouquecendo aos poucos, a dor era horrível. Se antes eu tinha medo que alguém a tirasse de mim, agora eu temia que ela mesma me deixasse.

Deitei no sofá que tinha no quarto sem tirar meus olhos dela, pedindo sem parar que ela se lembrasse de mim, de nós.

Bella POV

Acordei um pouco zonza, a luz incomodava muito. Senti uma forte dor na testa e no corpo, além de muita sede e fome.

– Hum — resmunguei. Quando tentei levantar meu braço, alguém segurou minha mão.

– Não, meu bem — encarei, confusa, a senhora toda de branco na minha frente.

– O que houve? Onde estou? — minha voz soou pastosa.

– No hospital, você foi atropelada. Não se lembra? — neguei. — Não se preocupe o médico já está vindo te ver.

– Estou com sede — a enfermeira se aproximou e pegou um copo de água que tinha ao lado da cama.

– Só alguns goles, devagar — alertou, me ajudando com o copo, tomei com cuidado. Era tão bom.

– Minha mãe já sabe?

– Sim, está lá fora com o resto da sua família.

– Não posso vê-la?

– Ainda não, o médico precisa examiná-la antes — acomodei minha cabeça no travesseiro e encarei o teto. Ouvi vozes e olhei para a porta, um senhor de jaleco conversava com a enfermeira. Ela saiu e ele se aproximou da minha cama.

– Como está se sentindo?

– Bem, eu acho. Só com uma dor forte no corpo e na testa, também estou com fome. Muita fome — ele sorriu, compreensivo.

– É normal, depois que fizermos os exames peço para trazerem algo leve para comer, tudo bem? — concordei e ele começou os exames. — Você está evoluindo muito bem. Agora, preciso fazer algumas perguntas. Qual seu nome completo?

– Isabella Marie Swan — respondi e ele me encarou de um modo estranho.

– Quantos anos tem?

– 16, vou fazer 17 em setembro — assentiu, sem falar nada. Ainda assim pude perceber sua expressão tensa e preocupada.

– Em que ano estamos, Isabella? — franzi a testa. Que pergunta mais ridícula...

– Oras, 2005 — ele respirou fundo. Colocou a prancheta que segurava nos pés da cama e se sentou na cadeira ao meu lado. Sua postura estava muito estranha, como se estivesse se preparando para me dar uma péssima notícia. — O que tem de errado? Pode falar — pedi.

– O golpe que você sofreu na cabeça foi muito sério, você ficou alguns dias em coma — encarei-o espantada.

– Quantos dias?

– Duas semanas — estanquei ao ouvir aquilo. Não foram dias, foram semanas. — Felizmente seus ferimentos se cicatrizaram mais rápido que o previsto, mas a possibilidade de sequelas era grande — gelei. Bom, minhas pernas estavam se movendo, meus braços. Qual era o problema?

– Eu não entendo, me sinto bem apesar da dor na cabeça e no corpo — olhei-o sem entender.

– Você perdeu a memória, Isabella.

– O quê? Como assim? Quanto tempo? — perguntei em choque.

– Dez anos — meus olhos arregalaram. Isso não fazia sentido. Não podia ser verdade.

– Eu não entendo, é muito tempo — dizia desnorteada.

– Você precisa ficar calma, caso contrário terei que lhe aplicar um calmante — tentei controlar minha respiração. Não queria ser dopada. — Por isso quis falar com você antes que visse alguém da sua família, esse tipo de trauma é muito comum com pessoas que sofreram o mesmo ferimento que você.

– Vai demorar para minha memória voltar?

– Não sabemos, pode levar alguns dias, meses, anos ou nunca voltar — estava muito difícil digerir tudo aquilo. E se eu nunca recuperasse a minha memória? — Tenho certeza que seus familiares lhe ajudarão e o mais rápido que você puder voltar a sua rotina, melhor.

– Mas eu nem sei onde eu moro, o que eu faço — disse perdida.

– Por isso vai ser importante a ajuda deles — ele segurou gentilmente minha mão. — Eu nem posso imaginar o que você está passando agora, mas com um pouco de esforço, tenho certeza que logo será capaz de retomar a sua vida — tentei um sorriso. Vida? Que vida?

– Eu gostaria de ver a minha mãe.

– Claro, só não se esforce demais, tudo bem?

– Ok. E quando poderei sair daqui?

– Se continuar assim, dentro de cinco dias lhe darei alta — assenti e ele saiu.

Quando o médico voltou com minha mãe, ela veio correndo na minha direção, emocionada. Ficamos um tempo assim, até que aproveitei sua presença e pedi para me levar até o banheiro. Levantei sentindo meu corpo inteiro queimar. Fiz minha higiene o mais rápido que pude, queria votar logo para cama.

Assim que me acomodei, o médico pediu para conversarmos. Enquanto ele falava e falava sobre minha situação, observava em minha mãe, como o tempo havia passado. A expressão em seus olhos mudou, percebi algumas rugas. Dez anos era muito tempo! Tinha tanta coisa que eu queria saber, mas por onde começar?

Depois que o médico terminou as explicações e saiu, uma enfermeira apareceu com comida. Senti minha boca encher de água. Minha mãe sentou na minha frente enquanto eu devorava a comida. Não havia tempo para mais nada. Estava com tanta fome, que mesmo sem tempero, a canja parecia a melhor coisa que comi na vida.

– Como está se sentindo, filha? — perguntou assim que terminei, emburrando a bandeja para o lado da cama.

– Melhor agora que comi, mas no geral confusa. O que houve com a minha vida nesse tempo? Fiz algo bom? — perguntei com receio. Vai que eu tenha me transformado em uma pessoa completamente diferente.

– Se fez algo bom? Vai sentir muito orgulho da sua vida — sorri aliviada, agora estava curiosa sobre essa nova Isabella.

– A Allie e o Jake ainda são meus amigos?

– Sim, ainda são muito amigos — uma onda de alivio percorreu meu corpo.

– Sério? — o sorriso que se abriu em meu rosto era enorme.

– Seríssimo — confirmou. Não podia acreditar naquilo, era bom demais! Eles eram meus melhores amigos, éramos como se fossemos irmãos. Bom, nem tanto, já que Jacob e eu havíamos tido um rolo. Então veio o choque que nem tudo poderia ser assim tão maravilhoso.

– Que foi filha?

– Essa situação, é tão estranha, mas deixa para lá, vamos continuar, o que eu faço? Trabalho em quê?

– Você é design e trabalha há anos na área — meu rosto começava a doer, tamanho era o meu sorriso.

– Consegui fazer o que tanto queria? Isso é perfeito! — exclamei animada. — E onde estou morando? Em Seattle?

– Exatamente — minha mãe respondeu com um sorriso.

– Isso é mesmo possível? Eu estava morrendo de medo da vida que ia encontrar e de repente é tudo o que eu sempre quis.

– Tem mais uma coisa — comentou, um pouco tensa. Fiquei preocupada. Não parecia ser bom.

– O que é?

– Você se casou.

Olhei para minha mãe e comecei a rir. Rir muito. Tanto que minha barriga começou a doer, assim como o resto do corpo e a cabeça. Precisava me controlar.

– Mãe, não posso rir. Dói — choraminguei, tentando parar de rir.

– Isso não é uma brincadeira, Isabella. É sério — olhei para minha mãe e ela parecia tensa demais para ser uma piada. Merda!

– Não pode ser — rebati na defensiva.

– Nós estudamos se dizíamos ou não, mas o médico disse que tínhamos que ser sinceros e esconder algo só seria pior.

– Estava bêbada? Casei em Vegas, foi isso?

– Claro que não. Foi um casamento tradicional. Ele é um rapaz excepcional, Isabella — estava claro o quanto minha mãe gostava dele.

– Pode até ser, mas isso não me faz entender como fui capaz de me casar — disse cruzando os braços. Simplesmente tudo de bom que tinha acontecido na minha vida durante esses dez anos havia desaparecido nesse instante.

– Quem sabe quando o conhecer, você não...

– Eu não quero conhecê-lo, não quero ele perto de mim.

– Isabella, você tem que voltar a sua vida, só assim vai recuperar sua memória.

– Se a minha memória for depender que eu conheça um completo estranho, prefiro ficar do jeito que estou.

– Filha... — antes que completasse, eu a impedi de continuar.

– Por favor, só enquanto eu estou aqui, é muita coisa para digerir — ela suspirou. Isso me daria tempo para pensar.

– Ok, você merece esse tempo — não conseguia digerir essa história de casamento.

– Quem mais está aí? — perguntei a fim de mudar de assunto.

– Jacob. Quer vê-lo?

– É claro! — disse animada.

Minha mãe se despediu e prometeu voltar no dia seguinte. Quando Jacob entrou, não pude acreditar em meus olhos, o safado estava ainda mais bonito. Assim que me viu, se aproximou com um sorriso enorme no rosto e me abraçou. Era tão bom saber que ainda éramos amigos.

– Nunca mais nos assuste desse jeito, ouviu? — disse me repreendendo, eu sorri.

– Prometo que vou tentar — ele se sentou na cama. — Você está diferente -comentei, ele sorriu, ficando ainda mais bonito.

– Diferente bom ou ruim?

– Bom. O tempo te fez muito bem.

– É, você também não está nada mal — mostrei a língua para ele, que riu. — Nem acredito que se esqueceu de dez anos. Como está se sentindo?

– Péssima, ainda mais depois de descobrir que sou casada com um ser que nunca vi na vida — reclamei de mal gosto.

– Não deve ser uma noticia fácil de receber, mas nós estamos aqui para você, eu, a Allie, sua mãe. O que você precisar pode contar conosco.

– É tão bom saber que continuamos amigos depois de tanto tempo — Jacob acariciou minha mão. — E a Allie, como está?

– Ela está ótima, casada e muito feliz com a gravidez — senti um frio na barriga. Será que eu também tinha filhos? Não, por favor, isso não! Eu não suportava crianças, eram irritantes e chatas, mas acho que se eu tivesse uma, minha mãe já teria dito. Era algo que eu nem queria pensar.

– Allie sempre quis ser mãe, imagino como deve estar feliz — comentei, sabendo como essa vida era o sonho da minha amiga.

– Ela está nas nuvens.

– E o marido dela? Como é?

– Jasper? Bem, ele é legal — disse sem certeza.

– Você não me parece muito certo.

– É que eles tiveram uns probleminhas um tempo atrás, ele estava dando atenção demais ao trabalho, deixando Alice de lado, mas Edward colocou a cabeça dele no lugar, parece que agora está mais centrado na família — Edward? Não sabia porquê, mais quando ele disse aquele nome eu me senti estranha.

– E quem é esse Edward? — Jacob ficou sem jeito. Como se tivesse dito algo que não devia.

– É o irmão de Jasper, cunhado da Alice — respondeu de modo enviesado. Conhecia ele bem o bastante para saber o que isso significava.

– Você parece não gostar dele — comentei.

– Nós temos nossas diferenças, além disso, Alice o trata como se ele fosse o irmão dela e não eu.

– Ciúmes, Jacob? Sério?

– É, pode se dizer que sim. Ele tem essa mania de tomar tudo o que é meu — arqueei minha sobrancelha.

– Hum... estou sentindo que tem mulher nesse meio — comentei com um sorriso, mas ele não correspondeu como esperava. A seriedade de Jacob sobre o assunto me alarmou. — O que foi? Estou certa? Aconteceu alguma coisa? — ele suspirou.

– Não dessa forma. É que esse tal de Edward, ele é... seu marido, Isabella — mais uma vez, naquele dia, senti como se tudo ao meu redor não fizesse o mínimo sentido.

– Eu sou casada com o irmão do marido da Alice?

– Pois é, foi no casamento dela que se conheceram.

– Saco! Era só o que me faltava. Eu não consigo nem pensar em encarar esse cara, Jacob, e agora eu descubro que ele está ainda mais próximo do que eu poderia imaginar.

– Pode contar comigo para tudo, Bells, até mesmo para manter ele longe — tentou me confortar.

– Isso significa muito para mim, Jake.

– Eu sei que pode parecer egoísmo, mas eu estou tão feliz por ter você perto de mim de novo — olhei-o confusa.

– Como assim? Não continuamos amigos?

– Sim, só que você casou e seu marido não é meu maior fã. Isso nos afastou — era incrível como a cada segundo eu conseguir odiar ainda mais esse ser que nem conhecia.

– E eu não fiz nada? Eu não entendo. Nunca fui do tipo que faz o que os outros mandam, ainda mais um homem.

– Você não gosta de falhar, queria que o casamento desse certo, ainda mais com a pressão da família.

– É, eu percebi como minha mãe parece gostar dele.

– E não é só ela, como disse, Alice o adora também. Você não tinha muita opção.

– Pelo modo como você fala, até parece que eu casei para agradar outras pessoas, essa não sou eu.

– Não era, você quer dizer — franzi o cenho.

Será que eu poderia ter mudado tanto assim? Casar só para agradar as pessoas ao meu redor? Isso não fazia sentido. Só que casar também era uma ideia absurda. Queria ser livre, não ficar presa a um homem só. Achava essa ideia arcaica e ridícula. Alias, todo o ideal de amor romântico passava longe de mim. Nunca sequer me apaixonei, nem mesmo por Jacob. Alice havia me alertado que podia sentir algo a mais depois que transássemos, só que não foi assim. Foi bem ruim para falar a verdade, mesmo ele sendo experiente. Doeu e eu não senti prazer algum. Ainda tentei outra vez com ele, mas pouca coisa mudou, simplesmente não havia paixão entre nós. E não nunca houve por nenhum outro. Talvez eu tenha casado só para manter as aparências. Ainda assim, não entendia como era capaz de acatar as ordens do meu suposto marido. Quem era esse homem para pensar que mandava em mim?

– Estou com tanto medo — confessei, não me lembrava de nada e ainda tinha que lidar com esse casamento que a cada instante ficava mais e mais complexo.

– Não vou deixar nada acontecer com você. É uma promessa — suspirei um pouco mais tranquila, era bom saber que Jacob estava do meu lado e sabia que esse casamento era um erro. Agora só restava convencer a minha mãe. Porque nada no mundo me faria aceitar essa situação.

Notas finais
É, Isabella não é nada fácil... Será que Jacob vai conseguir manipulá-la assim tão fácil? Será que ela ainda sente algo por ele? Bom, tomara que não, porque ele é um babaca >:( Beijos e até o próximo!