Uneven Odds

27 Capítulo 19 - Recomeço - Parte 2


Notas iniciais
O capítulo hoje está caprichado ;) Boa leitura!!

Bella POV

O clima dentro do carro estava insustentável. Edward irradiava tensão ao dirigir enquanto Anthony estava quieto no banco de trás. Eu olhava de um para o outro sem fazer ideia do que dizer ou fazer.

Edward estava certo em repreender e castigar Anthony, só que ao mesmo tempo, meu coração apertava ao ver seu rostinho molhado de lágrimas.

Quando recebemos a ligação da escola, no primeiro instante pensei no pior. Nunca teria imaginado nosso filho entrando em uma briga. A diretora nos explicou que encontraram os dois garotos se engalfinhando no playground. Ambos se negaram a dizer porque estavam brigando, mas os colegas disseram que foi Anthony que começou. Ele havia machucado somente o canto da boca e se sujado, o outro garoto parecia bem pior. Os pais dele estavam revoltados e queriam que uma atitude enérgica fosse tomada. A psicóloga da escola tentou amainar os ânimos, mas o pai do tal garoto estava irredutível dizendo que se Anthony não fosse expulso iria processar a escola por manter um delinquente como aluno.

Edward por muito pouco não fez uma loucura, segurei sua mão com firmeza e ele procurou manter a calma, explicando que o filho estava passando por um período de transição e que pedia desculpas pelo ocorrido.

Não adiantou.

Perante o ocorrido e da seriedade dos machucados do outro menino, a diretora não teve outra opção senão expulsar Anthony. Edward ficou revoltado com a decisão e culpou a escola, dizendo que ela sabia da situação delicada pela qual Anthony estava passando e que eles tinham a obrigação de chamá-lo se tivessem visto qualquer mudança no seu comportamento. A psicóloga se defendeu dizendo que a atitude de Anthony surpreendeu a todos, que ele nunca havia dado sinal de qualquer problema. Edward pareceu não aceitar sua explicação, mas não disse mais nada. Ele estava no limite.

Saímos da diretoria e Edward friamente notificou o filho que ele estava de castigo por tempo indeterminado. Sem TV e videogame. Anthony veio para os meus braços chorando, o peguei no colo e o consolei. Queria saber porque ele tinha feito aquilo, mas achei melhor fazer isso quando estivéssemos em casa.

Edward estacionou na nossa garagem e saiu, batendo a porta com força.

– Merda! — gritou, apoiando as mãos sobre o teto do carro como se precisasse de um tempo para digerir tudo o que estava acontecendo. Olhei para Anthony e ele parecia assustado com a reação do pai. Seus lábios tremeram.

– Papai está com raiva de mim — choramingou abaixando a cabeça. Segurei sua mão, incapaz de pensar em nada inteligente ou reconfortante para dizer a ele naquele momento.

– Eu vou conversar com o papai. Não saia daqui, ok? — pedi e ele assentiu, enxugando o rosto. Não queria perder Anthony de vista.

Desci do carro e dei a volta. Edward tinha os cotovelos sobre o teto e as mãos no rosto, parecia tentar se controlar. Aproximei lentamente e toquei suas costas com cuidado, fazendo um carinho. Ele virou o rosto na minha direção e seu olhar se suavizou. Soltou um suspiro e me puxou para os seus braços.

– Eu não sei o que dizer — confessei aborrecida.

– Não precisa dizer nada. Você é tudo o que eu preciso — respondeu me apertando contra o seu corpo. Sorri, afagando sua nuca e dando um beijo casto em seu pescoço. Edward inclinou para trás e me beijou. Um simples selar nos lábios que esquentou todo o meu corpo.

Segurou a minha mão com firmeza, e demos a volta no carro. Edward abriu a porta e se agachou na frente do filho.

– Vem, filho. Vamos subir e conversar — explicou mais calmo estendendo a mão. Anthony olhou para mim e depois para o pai.

– Eu quero a mamãe — pediu com a voz trêmula. Edward não pareceu se chatear, levantou e me deixou pegar Anthony nos braços. Ele se agarrou a mim com força.

– Calma, rapazinho — murmurei ao seu ouvido. — Não vou sair do seu lado — assegurei conforme entravamos na cozinha. Anthony relaxou um pouco e diminuiu o aperto no meu pescoço. Edward permanecia um pouco tenso ao meu lado.

– Olá, Irina — cumprimentei-a. Ela desviou o olhar da panela por um momento e sorriu ao se deparar com Anthony nos meus braços. — Tudo bem por aqui?

– Sim, senhora. Matthew acordou e sua mãe está lá com ele — explicou desligando o fogão. — Estou terminando de esquentar a mamadeira. A senhora quer levar para ele?

Anthony se encolheu no meu colo com a menção do irmão.

E agora?

Eu queria alimentar meu bebê, mas não podia deixar Anthony.

– Eu levo — Edward se prontificou, pegando um pano de prato sobre o balcão e enrolando a mamadeira.

Meus braços já estavam doendo com o peso de Anthony, o mudei de lado e segui para fora da cozinha. Edward logo nos alcançou. Chegamos no segundo andar e nos separamos.

– Encontro vocês daqui a pouco — Edward avisou antes de entrar no quarto de Matt.

Entrei com Anthony no seu quarto e o coloquei no chão.

– Vem, filho — disse, o levando até o banheiro. — Precisa de um banho, está parecendo um porquinho — apertei seu nariz e ele riu. Agachei na sua frente e tirei sua camiseta e calça.

–Mamãe? — Anthony chamou. — Não está zangada comigo? — perguntou em um fio de voz. Passei a mão pelo seu rosto e cabelo.

– Não, estou chateada com toda a situação e pelo estado que deixou o outro menino. Você o machucou, Anthony. Sabe disso, não é? — ele assentiu, abaixando a cabeça e encarando os pés. — Por que fez aquilo?

– Eu contei que meu irmão ia tá em casa e... — ele fungou, passando o braço pelo nariz. — o Caius disse que você e o papai não iam mais gostar de mim, que iam me mandar embora — seu rostinho franziu e ele começou a chorar. — Agora o papai não gosta mais de mim.

– Oh, meu bem — consolei, enxugando seu rosto com sua camiseta. — Isso não é verdade. Papai ficou nervoso com outras coisas, ele estava preocupado com você. Nós dois estávamos, porque amamos você. Ficamos loucos quando soubemos que tinha se machucado. Bater é errado, filho. Não pode fazer isso.

– Não faço mais, mamãe. Pometo– garantiu e o apertei nos meus braços, beijando seus cabelos. Ele cheirava a terra e suor. Meu pequeno travesso.

– Atrapalho? — ergui a cabeça e encontrei Edward na porta. Anthony se virou e encarou o pai com receio. Edward se abaixou e estendeu os braços para o filho.

– Desculpa o papai por ter gritado? — Anthony olhou para mim e eu acenei. Ele saiu do meu colo e foi correndo para os braços do pai. Edward o apertou e sorriu aliviado.

– Hum... esse menino está muito fedido — Edward disse fazendo cócegas em Anthony. Ele ria alto com a brincadeira. — Está precisando de um banho, não acha, mamãe? — sorri, me levantando.

– Está mesmo, não quero esse porquinho sujando toda a casa — respondi brincando. Fui até a banheira e liguei a torneira.

– Não quero mais tomar banho. É chato — Anthony resmungou cruzando os braços.

– E a invasão submarina que estávamos fazendo ontem? Se não tomar banho, como vai acabar? — Edward questionou como se fosse um assunto de extrema importância, os olhos de Anthony se arregalaram de horror.

– O polvo negro vai ganhar, papai! Não podemos deixar.

– Não mesmo — Edward negou com o mesmo afinco, e eu tentei segurar o riso.

Anthony tirou a cueca e foi correndo para o armário pegar seu submarino de plástico e mais um monte de brinquedos. Entrou na banheira e começou a se divertir. Edward e eu sentamos no chão do lado de fora e entramos na história. Ele era o polvo negro, arquinimigo do capitão do submarino, Fittz, ou seja, Anthony. Eu acabei ficando com o papel muito interessante do tubarão Ross, agente duplo, que trabalhava dos dois lados.

Era incrível até onde a criatividade de uma criança era capaz de ir.

Ficamos um bom tempo ali, nos divertindo e curtindo aquele momento. Depois, sob muitos protestos, lavei a cabeça de Anthony, enquanto o pai passava o sabonete. Anthony só se acalmou quando o banho acabou. Edward o enxugou, cuidou do seu machucado e o ajudou a se vestir conforme eu limpava e guardava seus brinquedos. No fim, Fittz havia derrotado o polvo negro e apreendido o tubarão Ross. Foi um final feliz, eu acho.

A conversa que tivemos em seguida foi a parte mais difícil. Anthony ficou chateado ao saber que não voltaria mais a mesma escola e que teria que frequentar outra. Edward garantiu que seus amigos poderiam ir quando ele quisesse em casa, assim que seu castigo acabasse. Isso pareceu tranquilizar um pouco ele.

Ou talvez ele só estivesse cansado.

O dia tinha sido longo e extenuante. Anthony nem conseguia manter os olhos abertos enquanto falávamos com ele. Edward o pegou no colo e o colocou na cama. Ele agarrou um dos seus dinossauros e murmurou um boa noite quando lhe demos um beijo. Parecia um pequeno anjo. Edward acendeu o abajur com figuras coloridas e segurou minha mão, me puxando para fora do quarto. Assim que fechou a porta, o encarei ansiosa.

– Como está o Matt?

– Bem, dei a mamadeira e fiquei um pouco com ele. Sua mãe me cobriu enquanto ia falar com Anthony.

– Você lidou muito bem com a situação — apontei orgulhosa. Edward suspirou.

– Eu perdi a cabeça mais cedo, gritando daquele modo perto dele.

– É compreensível, Edward. Também fiquei com vontade de dar na cara daquele pai e da diretora — disparei aborrecida. — O que faremos agora? Acha que vamos conseguir uma escola quase no final do ano letivo?

– Não sei, mas estou pensando em deixá-lo em casa esse período e só matriculá-lo no ano que vem quando completar os cinco anos. Acho que vai ser bom, assim vai poder ficar mais próximo de nós. Ele está precisando disso. É só alguns meses — ponderei suas palavras por alguns segundos.

– É, acho que você tem razão — conclui, concordando com seu plano. — E vai ser ótimo tê-lo aqui, já que minha mãe irá voltar para Nova Iorque daqui uns dias.

– Pensei nisso também — admitiu. — Ah, e não podemos esquecer que temos que contratar uma enfermeira para ajudá-la com o Matthew.

– Depois, agora eu quero vê-lo — desconversei, virando e seguindo para o quarto de Matt.

Não queria pensar nesse assunto e voltar a discutir por causa daquela oferecida. Eu não estava com ciúmes. Só não estava de acordo em colocar uma mulher abusada como aquela cuidando do nosso filho. E perto do meu marido...

Droga! Não tinha como negar, eu estava morrendo de ciúmes!

Entramos no quarto e minha mãe estava na cadeira de balanço conversando com Matt e brincando com seus dedinhos. Os olhos dele estavam bem abertos enquanto ela falava. Parecia até entender o que dizia. Renée sorriu quando me viu e se levantou, estendendo Matthew para os meus braços.

No entanto, assim que o peguei, ele começou a chorar. Chorar, não. Gritar. Edward fechou a porta e eu olhei desesperada para ele e minha mãe, tentei acalmá-lo como havia visto em alguns sites, revistas e livros, mas nada dava certo. Matt só parou quando Edward o pegou e o ninou. Sentia-me a pior das mães.

– Ele vai se acostumar, filha — minha mãe tentou consolar. — Vem, vou mostrar como dar banho nele — disse, querendo me distrair.

Enquanto Edward ficava no quarto com Matt, fomos no banheiro para preparar tudo. Renée explicava os cuidados que deveria ter com o cordão umbilical, a temperatura da água e que nos primeiros meses, um pouco de água com um pano era o suficiente. Eu já havia lido sobre isso, mas era bem melhor uma aula prática.

Infelizmente, o banho só serviu para mostrar que Matt abominava minha presença. Era só eu chegar perto, que ele começava a chorar. Estava com medo de que acordasse Anthony, quando Edward explicou que os quartos tinham isolamento acústico. Matthew chorava e chorava. Chegou uma hora que eu precisei sair do banheiro para ele parar. Sentei na cadeira completamente abalada.

– Ele me odeia — disparei, assim que vi Edward de pé ao meu lado.

– Não diga besteiras, Isabella. Ele não a odeia.

– Odeia sim, ele sabe que eu o rejeitei, conscientemente ou não, foi o que eu fiz. Ele queria a mãe e eu não estava lá — Edward se agachou na minha frente e segurou minhas mãos trêmulas.

– Ele nunca chorou quando você ia no hospital. É questão de costume — tentou me consolar. — Porque não vai relaxar um pouco. Toma um banho, descansa. Os bebês podem sentir quando estamos ansiosos — assenti não muito segura.

Levantei e ele me deu um beijo no topo da cabeça. Um gesto completamente seu. Isso elevou um pouco meu ânimo. Mas era só pensar em Matthew e sua reação, que eu voltava a me sentir péssima.

Fui para meu quarto completamente destruída. Tirei a roupa sentindo minha garganta apertar e, antes mesmo de ligar o chuveiro, eu já estava chorando. Cada dia parecia pior do que o outro e eu já começava a duvidar se conseguiria suportar toda essa pressão.

Foco, Isabella. Mantenha o foco. Pense nos momentos bons. Em como foi tomar café da manhã com sua família. Lembre das fotos. Isso vale a pena. Não desista. Não. Desista.

Chorei tudo o que pude e saí do banheiro me sentindo mais leve. Ao voltar para o quarto, encontrei uma bandeja com um prato de sopa sobre a cama, ao lado tinha um bilhete.

Descanse, Süsse

Sorri com seu carinho. Edward era capaz de se virar em mil só para cuidar da sua família e isso só fazia com que eu o admirasse ainda mais. Sentei na cama e tomei toda a sopa. Estava deliciosa. Coloquei a bandeja no chão e deitei na cama. Olhei o relógio na cabeceira que marcava oito horas da noite. Bocejei. Ia tirar uma soneca e depois ver como estavam os meninos. Só alguns minutos...

**

Acordei em um sobressalto. Havia tido um sonho estranho. Rostos desconhecidos. Matthew chorando. Uma verdadeira confusão. Sentei na cama e me espreguicei. Virei para ver a hora e levei um susto. Passava das onze.

Porcaria!

Pulei da cama e corri para o closet. Nem pensava em voltar a dormir. Não podia acreditar que havia apagado dessa forma.

Saí do quarto e o corredor estava todo escuro. Queria tanto ter conversado com Edward, passado um tempo com ele. Pedir desculpas pela nossa discussão sem sentido mais cedo.

Agora só poderia fazer isso pela manhã, ou melhor, depois que ele voltasse do trabalho. Já entrava em pânico ao pensar em como lidaria com Matthew nesse meio tempo, pelo menos minha mãe ainda estaria aqui para me ajudar. Não tinha jeito, teria mesmo que contratar uma enfermeira. Bem, desde que não fosse aquela abusada, por mim estaria tudo certo.

Passei no quarto de Matthew e fiquei observando ele. Dormia tranquilamente, por isso evitei tocá-lo. Em seguida, fui ver Anthony. Sentei em sua cama e beijei sua testa. Ele resmungou e apertou seu dinossauro de pelúcia. Ri baixinho e saí do quarto.

Aproveitei que estava acordada e decidi levar a bandeja com o prato até a cozinha. Desci as escadas e ouvi alguns sons vindo da sala de TV. Deixei tudo na cozinha e voltei para a sala, abri a porta de correr, que dividia o ambiente, com cuidado e encontrei Edward deitado no sofá passando os canais sem parar em nenhum.

– Perdeu o sono? — perguntei, ele virou o rosto e me encarou com um sorriso lento.

– Sim, não consegui dormir — explicou. Fechei a porta atrás de mim e fui até ele. — E você? Achei que ia dormir direto — comentou me observando.

– Meu plano era apenas um cochilo, assustei quando acordei e era tão tarde. Queria ter ajudado você com o Matt — lamentei chateada.

– Você precisava descansar.

– E você, não? — rebati, arqueando a sobrancelha.

– Estou acostumado a lidar com essas situações — respondeu de forma branda. — Você também vai se acostumar — completou, pouco depois.

– Eu realmente quero acreditar nisso.

– Não vamos apressar nada, Isabella. Já disse isso um milhão de vezes. Não se pressione demais. Dê tempo ao tempo — aconselhou. Acenei, sabendo que era a mais pura verdade. Tudo isso ainda era novo para mim. Para nós.

Edward se ajeitou no sofá, mas continuou deitado. Pensei em sentar na poltrona do seu lado, mas mudei de ideia. Estava na hora de fazer o que eu queria e não o que eu devia.

Em uma atitude ousada, caminhei até ele. Edward não disse nada, apenas ficou me observando. Ajoelhei na ponta livre do sofá e com cuidado fui subindo sobre o seu corpo, até deitar minha cabeça em seu peito. Seu coração estava tão disparado quanto o meu. Senti uma de suas mãos abraçar minha cintura e a outra segurar minha mão e levá-la aos lábios.

Ergui o rosto e sorri, ele sorriu também e se inclinou para me beijar. Lento e delicioso. Deixei um suspiro satisfeito escapar enquanto o abraçava e aprofundava o beijo. Edward foi mais sensato do que eu e se afastou. Ri baixinho ao sentir sua ereção dura sob minha coxa. Precisava me controlar.

Com cuidado, fui mais para o canto do sofá, que felizmente, era bem espaçoso. Queria dar liberdade para Edward e não deixá-lo constrangido.

Ficamos alguns minutos em um silêncio confortável. A TV exibia um filme qualquer enquanto Edward continuava a afagar minhas costas. Eu não conseguia pensar em nada melhor do que isso.

– Me conte algo que ninguém saiba. Nem mesma a velha Isabella — pedi subitamente, aproveitando o clima gostoso entre nós.

– Algo que nem você saiba? — repetiu intrigado, levantei o rosto e o encarei.

– Exato. Quero conhecer você, Edward. Como mais ninguém — defendi. Ele sorriu satisfeito e respirou fundo.

– Hum.. algo que eu nunca contei para você... — ponderou em voz alta. Pensou uns instantes, então seus olhos se iluminaram. — Já sei! Meu primeiro encontro — evitei fazer uma careta com o tema e o deixei continuar. — Eu devia ter uns 14 anos, não sei. Foi horrível — lembrou com humor. — Tinha pego uma virose e me sentia péssimo, mas não queria desmarcar — ele sacudiu a cabeça. — Ela nem falou “oi” e eu vomitei nela — arregalei os olhos horrorizada.

– Eu não acredito. O que a menina fez?

– Ela nunca mais quis me ver na frente dela. Ganhei o apelido de vômito no colégio — não aguentei e gargalhei. — Isso não é engraçado! — repreendeu, mas nem isso me fez parar. Minha barriga chegou a doer. Não ria assim desde... Nem me lembrava.

– Nunca mais conto nada para você — ameaçou com um sorriso que o contradizia. Segurei seu rosto e o beijei.

– Vou guardar seu segredo, só não vomite em mim — provoquei e ele apertou minha barriga. Eu ri e mordi seu queixo. Edward inclinou para trás e me encarou aturdido.

– O que foi? — perguntei intrigada. Ele sacudiu a cabeça.

– Nada. É que... você costumava fazer isso antes — comentou com naturalidade.

– Oh. Morder você? — perguntei maliciosa, ele riu.

– Morder meu queixo, para ser mais exato — corrigiu e sorri.

– Talvez saber mais sobre você esteja reavivando memórias antigas. Vamos continuar. O que mais você tem escondido aí, senhor Cullen? — ele riu e passou o indicador pelo meu rosto.

– Não tenho grandes segredos, sempre tentei ser muito aberto, especialmente com você — explicou. — Entretanto, tem uma coisa que nunca pensei em contar.

– É algo sério? — indaguei reticente. Ele abriu meu sorriso preferido e mais sedutor e negou.

– Não, eu só não achava que faria diferença você saber — sua resposta aguçou minha curiosidade.

– Bom, agora quero saber. Pode dizer — incentivei, animada. Seus olhos fitaram os meus com ardor, seu indicador seguiu para o meu lábio e o contornou.

– Eu me apaixonei por você na primeira vez que nos vimos, naquele aeroporto — começou dizendo. Meu coração parecia que ia saltar do peito. Era a primeira vez que ele se declarava. Era para a velha Isabella, claro. Mas ainda assim mexeu comigo. — Não precisei de muito tempo para ver como éramos diferentes e que tinha tudo para dar errado, mas não consegui fugir, era você. Desde que a vi, eu soube. Simples assim — concluiu com naturalidade. Aproximei do seu rosto, sem tirar meus olhos dos seus. Eu adorava olhar para ele.

– Algo me diz que foi assim para mim também — confessei. Ele arqueou uma sobrancelha, como se não acreditasse. — Não. É sério. Pode ser que eu não tenha percebido com a mesma rapidez que você, ou demonstrado na época, mas eu tenho certeza que você mexeu comigo. Foi assim quando o conheci como Alex e é assim toda vez que eu o vejo, eu...

Edward não me deixou terminar. Simplesmente cobriu meus lábios com os seus e nos perdemos um no outro. Um beijo completamente cheio de paixão, desejo e algo a mais que eu não sabia identificar. Sua mão desceu pelo meu corpo e apertou meu bumbum, gemi, me esfregando sem qualquer vergonha contra sua ereção. Era perfeito. Seus beijos desceram para meu pescoço e eu me vi perdida em uma miríade de emoções.

Era cedo demais ou devia simplesmente me deixar levar?

Sua outra mão subiu por dentro da minha camiseta e tocou meu seio nu. Senti um espasmo passar pelo meu corpo.

Nada de esperar... Tinha que ser agora. Tinha que...

O som agudo de um choro invadiu o ambiente. Edward parou os beijos e eu me perguntei o que estava acontecendo. Só quando encarei a babá eletrônica sobre a mesa de centro que voltei a realidade.

Matthew!

Pulei do sofá e sem querer coloquei meu joelho bem em cima do membro de Edward. Ele grunhiu se encolhendo.

– Desculpa. Desculpa — pedi desesperada. Ele gemeu de dor.

– Tudo... bem — respondeu pausadamente. — Vai subindo, eu já vou — avisou e eu não tive outra alternativa a não ser fazer o que ele disse.

Idiota atrapalhada!

Subi correndo as escadas. Entrei no quarto de Matthew e só então parei de pensar no meu recente desastre. Ele chorava sem parar. Queria pegá-lo, mas tinha medo que isso só piorasse a situação.

– Calma, bebê — pedia com a voz baixa. — Quer que eu cante uma música? — seu choro aumentou. Já estava entrando em desespero quando Edward apareceu.

– Ele está bem? — perguntou pegando Matthew no colo.

– Não sei, ele não para de chorar — expliquei sem ter qualquer noção do que podia estar acontecendo.

Edward o ninou, mas ele não parava de chorar. Tocou sua barriga e voltou a observá-lo. Eu ficava ansiosa, sem saber o que fazer. Edward foi até o trocador, verificou sua fralda e pediu que eu pegasse uma manta no armário. Fiquei feliz por ser útil. Entreguei a manta e o vi enrolá-lo nela. Voltou a pegar Matthew no colo e diminuiu um pouco a luz do ambiente. Ficou andando de um lado para o outro, balançando ele suavemente. Aos poucos o choro foi diminuindo até parar por completo. Edward continuou ninando ele. Olhava para os dois admirada.

– Quer segurá-lo? — perguntou se aproximando.

– Acho que não é uma boa ideia — desconversei. Não queria que ele voltasse a chorar. — O que ele tinha?

– Ele está um pouco estressado. Ambiente novo, cheiros novos. O médico alertou que isso podia acontecer — explicou com suavidade.

– Você é tão bom nisso — elogiei.

– Prática, Anthony deu muito trabalho nessa época, Matthew parece mais tranquilo, pelo menos por enquanto, é cedo para dizer — respondeu com um sorriso.

– Acho que estava certo, vou mesmo precisar de ajuda na sua ausência — disse em um suspiro.

– Sua mãe ainda vai ficar alguns dias, vai dar o tempo que precisamos para encontrarmos a melhor candidata.

– Pensei que já tivesse escolhido a enfermeira do hospital — comentei com secura. Ele franziu a testa.

– Não, ela que sempre se ofereceu para a vaga, mas nunca pensei em chamá-la. E já que tocamos no assunto, quero deixar claro que não tivemos nenhum envolvimento — completou em seguida.

– Eu sei, desculpa por ter feito aquela pergunta. Foi estúpida.

– Nisso eu tenho que concordar. Ainda assim, sua atitude me surpreendeu. Você nunca fez nada igual. Foi interessante vê-la com ciúmes.

Sua resposta chamou minha atenção

– Eu nunca tive uma crise de ciúmes? — questionei interessada. Ele sorriu e negou. — E com a mãe do Anthony? — deixei a pergunta escapar. Nem mesmo entendia porque estava perguntando isso. Nem sabia como a tal mulher era. Só agradecia por ela morar longe.

– Mesmo ela. Desde o inicio você lidou com a situação com maestria. Eu confesso que não conseguiria agir da mesma forma. Acho que já percebeu que eu tenho um sério problema com homens perto de você.

– Homens em geral ou Michael? — corrigi, tocando diretamente na ferida. Precisava entender ao certo o que acontecia entre nós três. Edward suspirou.

– Em geral, mas Michael era diferente.

– Por que você o conhecia antes, não é? — Edward me encarou surpreso. — Quando lembrei da nossa briga, também lembrei que eram amigos, mas você nunca me disse isso, por quê? — Matt choramingou e Edward voltou a caminhar com ele nos braços, achei que ia aproveitar essa distração para mudar de assunto, mas não foi o que aconteceu.

– Michael e eu nos conhecemos quando estudei na Inglaterra — sentei na poltrona e esperei que continuasse. — Estávamos fazendo uma especialização em gestão de negócios. Ele era gerente de uma empresa de design e queria muito uma promoção como diretor da área criativa. Nos tornamos bons amigos na época. Eu terminei o curso e voltei, para trabalhar com meu pai e meu irmão. Foi quando eu a conheci — ele sorriu brevemente. — Bom, você sabe o que aconteceu depois, ficamos juntos, nos separamos e...

– Eu fui para a Inglaterra — completei e Edward assentiu.

– Isso. Eu desabafei com Michael e ele disse que você estava na equipe dele. Não pude acreditar naquela coincidência, achei que era o destino. Pedi a ajuda dele para saber como você estava, se de alguma forma sentia a minha falta, mas ele dizia que você nunca demonstrou nada ou sequer falou sobre alguém em especial. Apesar de tudo, eu não queria desistir, tinha algo especial entre nós e eu me negava a acreditar que você não sentia o mesmo. Michael me incentivou a ir atrás de você e eu fui — ele parou no meio do quarto e olhou para Matthew. — Eu avisei a ele quando aterrissei em Londres, Michael deixou a porta do apartamento aberta, assim como a do seu quarto — Edward virou de costas e colocou Matthew no berço. Ele não voltou a me encarar. — Eu ouvi os gemidos e congelei quando eu reconheci sua voz — senti o ar me faltar com sua confissão. Edward havia me pegado na cama com seu amigo. — Em um primeiro momento eu não quis acreditar, foi só depois de me aproximar do quarto e ver você sobre ele... — suas mãos apertaram a grade do berço com força. — eu fui embora logo em seguida. Nós não estávamos juntos, mas eu me senti traído.

Estava dura sobre a poltrona. Incapaz de mover.

– Comecei a me envolver com muitas mulheres, foi quando fiquei com a mãe de Anthony. Ela era filha de uns amigos dos meus pais e sempre estava presente nas festas de família. Eu tentei esquecer você, mas não consegui — sua voz soou baixa. Criei coragem e levantei. Fui até Edward e o abracei, colocando minha cabeça em suas costas.

– Fico feliz por não ter conseguido — respondi com sinceridade.

Podíamos brigar, discutir, só que nada disso mudava o fato de querê-lo ao meu lado. Edward se virou lentamente e segurou meu rosto, fazendo com que olhasse para ele.

– Nunca vou me arrepender de ter ido atrás de você depois que nos encontramos na casa da Alice, assim que voltou da Inglaterra — sorri. — Você estava certa mais cedo, quando falou sobre ser difícil saber o que conversar comigo, já que não se lembra de nada. Não é fácil para mim também. Só que nada é pior do que descobrir quantos segredos existiam entre nós. Sempre fui sincero com você e mesmo assim, omiti algo importante. Nunca contei que vi vocês juntos e você nunca disse que sabia que éramos amigos. Isso só tornou nossa situação ainda mais complicada quando ele apareceu. Eu não quero que seja assim, Isabella — pediu com afinco. — Nada mais de segredos, por favor — insistiu.

Desviei o olhar e sai dos seus braços, virando de costas. Não sabia como dizer isso, mas ele estava certo. Segredos quase nos separaram uma vez. Não podia deixar isso se repetir.

– Eu lembrei do meu aborto — confessei, abraçando meu próprio corpo.

– Quando?

– Ontem, antes de você chegar.

– Foi por isso que estava tão abalada?

– Sim... eu senti uma forte dor de cabeça e de repente não estava mais aqui. Estava na casa dos seus pais.

– É, foi assim mesmo — disse com tristeza. — Você passou mal e caiu das escadas — senti Edward atrás de mim, me abraçando e depositando um beijo na minha cabeça. Sua resposta só confirmava que ele não sabia o real motivo. Virei e o observei, seus olhos me encaravam com carinho e compaixão pela nossa dor.

– Na verdade, aconteceu algo antes... — minha voz parecia presa na garganta. Edward arqueou a sobrancelha, seu corpo tencionou sob minhas mãos.

– O quê?

Respirei fundo, tomando coragem e disparei:

– Jacob tentou abusar de mim.

Notas finais
Ixi!! E agora?? Quem acha que dessa vez o Edward mata mesmo o Jacob se ele aparecer levanta a mão o/ Parece que as coisas estão esquentando entre esses dois. Se agarrem logo!!!! Coitada da Bella com medo de segurar o Matt :( E o Anthony, pobrezinho, ainda não está lidando bem com a chegado do irmão... Deixem seus comentários e digam o que estão achando ;) Beijos e até o próximo!!