Uneven Odds
28 Capítulo 19 - Recomeço - Parte 3
Notas iniciais
Bella POV
Eu não conseguia sequer definir a expressão que surgiu no rosto de Edward. Surpresa. Raiva. Ódio. Naquele mesmo instante veio o arrependimento por não ter sido mais cuidadosa ao despejar tal informação. Não era o lugar e nem a hora.
Edward agarrou meu braço com força e me puxou para fora do quarto de Matt. Seus olhos inflamados fitaram os meus.
– O que foi que você disse? — perguntou entredentes. Coloquei a mão sobre a sua, que apertava o meu braço e o forcei a me soltar. — Isabella! O que Jacob fez?
– Eu... ele... — pigarreei tomando coragem e o controle da minha voz. — Não sei. Uma hora era o Michael que estava na minha frente e de repente Jacob apareceu, me jogando contra a parede de um escritório que eu nunca vi... Ele disse que eu seria sua... — meu queixo começou a tremer com as lembranças, abracei meu corpo. Não queria chorar. Não queria. — Eu o beijei, mas só para distraí-lo. Juro. Depois, acho que o chutei, porque ele caiu no chão gemendo de dor e eu saí correndo, só então percebi que estava na casa dos seus pais. Comecei a descer as escadas e... — o ar me faltou com o bolo que se formou na minha garganta. — senti uma dor horrível no ventre e me desequilibrei.
Olhei para Edward e ele me observava passivamente, sem tecer qualquer comentário. Sua reação começava a me alarmar, já queria que ele voltasse a gritar, esbravejar e não ficasse daquele jeito.
– Fala alguma coisa — pedi controlando sem sucesso minhas emoções. Não aguentava mais esse silêncio entre nós.
– O que você quer que eu diga, Isabella? — questionou parecendo exausto.
– Não sei, mas qualquer coisa seria melhor que o seu silêncio — minhas palavras pareciam ter gerado o efeito que eu buscava.
– Eu quero matá-lo. Na verdade, era o que eu devia ter feito quando ele... — Edward parou e me encarou. — Jacob tentou alguma coisa aquele dia que a deixou na rua? — meu coração disparou. — Responde, Isabella! — gritou.
– Sim — minha voz saiu tão baixa que fiquei em dúvida se teria ouvido ou não.
– É, está decidido, eu vou matá-lo — arregalei os olhos e o encarei.
– Edward...
– O quê? — cuspiu como se eu o tivesse xingado.
– Isso não vai resolver nada. Sabe disso.
– Não? — devolveu com um sorriso sombrio. — Para mim vai resolver muita coisa, especialmente a raiva que estou sentindo. Ele quase abusou de você duas vezes, Isabella! Por culpa dele perdemos nosso filho!
– E você acha que eu não sei disso? Eu lembrei de toda a dor, Edward. Tudo de uma só vez. Acordei querendo meu filho e tendo que lidar com o fato de que ele nunca mais estaria comigo, com a culpa por esquecê-lo. Eu não vou deixar você arruinar a sua vida por causa de um canalha como Jacob. Não! Nossos filhos precisam de você. Eu preciso... — confessei com a voz trêmula incapaz de segurar as lagrimas que já queimavam em meus olhos. A expressão de Edward mudou completamente. Ele parecia surpreso e confuso.
– Eu também preciso de você, Isabella — deixou escapar em um sussurro. Dei um passo na sua direção, mas ele foi para trás, se afastando.
– Eu sinto sua falta — começou dizendo e eu entendia que se referia a velha Isabella. — Sinto falta da mulher com que dividi muitos momentos, com a qual enfrentei inúmeras dificuldades. Só que quanto mais eu descubro e penso sobre nosso passado, mais eu vejo que eu não a conhecia. É como se eu descobrisse outra pessoa. Pode até me dizer que esconder essa história do Jacob foi para que eu não fizesse uma loucura, mas não é assim que eu vejo, é só mais uma coisa que preferiu guardar para si ao invés de dividir comigo. E isso me magoa. Lembro como todo mundo dizia que não devíamos ter casado e de certa forma estavam certos. Fomos precipitados.
Minha cabeça latejava. Suas palavras estavam me dilacerando, só que eu não podia fazer nada para me defender. Edward estava certo em muitas coisas. Talvez fosse o melhor. Cada um seguiria seu caminho. Dividiríamos a guarda dos meninos e pronto. Eu teria a minha vida de volta. Sem casamento. Sem família. Sem ele.
– Está arrependido de ter casado comigo? — deixei escapar em um fio de voz.
Edward se aproximou e segurou minha mão, olhei para ele morrendo de medo do que diria a seguir.
– Não, eu só acho que precisávamos de mais tempo antes de casarmos. Ou melhor, precisávamos dedicar mais tempo um ao outro. Sua distância e dificuldade em lidar com sentimentos. Meus ciúmes. Tudo foi ganhando uma dimensão cada vez maior e o mais importante foi se perdendo. Agora que sabemos onde cada um errou e eu vejo que você quer isso tanto quanto eu, sei que podemos fazer esse casamento dar certo — franzi minha testa, sem saber se eu teria ouvido direito. — Nós nos amamos, Isabella. E esse amor vale a pena.
Meu corpo retesou. Ele se declarou? Não, espera. Ele estava dizendo que eu o amava? Não. Isso não fazia sentido. Nos conhecemos praticamente ontem.
Edward me abraçou, beijando minha cabeça.
– Vamos dormir, está tarde — comentou com tranquilidade, enquanto minha cabeça estava dando voltas. Ele segurou minha mão e me levou para nosso quarto. — Posso dormir aqui? — perguntou e eu arregalei meus olhos. — Só dormir — garantiu logo em seguida. Assenti, ainda um pouco assustada. Nossa conversa desconexa de alguns instantes ainda rodava na minha mente.
Edward foi sincero em cada palavra e, pela primeira vez, confidenciou seus medos e aflições comigo. Eu devia fazer o mesmo.
– Eu não te amo, pelo menos não ainda — falei de uma vez, deixando claro que era uma possibilidade para o futuro. Edward, que já estava deitado na cama, sorriu. Estranhei sua atitude, estava tranquilo demais. Ele esticou o braço e puxou a coberta e o lençol do meu lado.
– Vem deitar, Isabella.
– Você não vai dizer nada?
– Acho que já falei tudo o que pensava. E sinceramente, você pode demorar o tempo que quiser para dizer que me ama, eu não me importo. Agora, vem — pediu mais uma vez, estendendo sua mão na minha direção. Segurei-a e deitei ao seu lado. Ficamos os dois encarando o teto do quarto.
Por ter dormido durante a tarde, eu não conseguia fechar os olhos, ainda mais com Edward tão perto. Pensei até em continuar o que fazíamos no sofá, só que a timidez não deixou que me movesse um só centímetro. Era como se tudo tivesse um significado maior por estarmos na cama, principalmente depois da nossa conversa. Eu não sabia dizer se Edward estava certo. Ele mexia comigo, isso era óbvio. Mas amor? Não. Eu não tinha certeza se poderia denominar o que eu sentia de amor. Paixão, talvez.
– Temos que falar com Alice sobre Jacob — Edward comentou. — Quem sabe pedir uma ordem de restrição.
– Ele está na Austrália, Edward.
– Não interessa, e se ele voltar sem avisar? Precisamos pensar em tudo.
– Mesmo assim, eu nunca mais ficarei sozinha com ele. Não quero contar para Alice o que ele fez.
– Ela precisa saber, Isabella — Edward insistiu virando o rosto para me encarar.
– Eu sei disso, só que é algo que eu preferia esquecer e não sair falando para outras pessoas — contrapus com a voz carregada. Senti os dedos de Edward passeando pelos meus cabelos e olhei para ele. — Sabia que tinha perdido um bebê, mas nunca pensei que a dor pudesse ser tão forte...
Edward puxou meu corpo contra o seu enquanto eu chorava.
– Eu o queria, Edward? — perguntei entre os soluços. Precisava saber qual tinha sido minha reação ao descobrir a gravidez. Ele afagou minha costas.
– No inicio foi um choque, demorou um tempo para a ideia de ser mãe entrar na sua mente, mas aos poucos, foi se apaixonando por ele. Lembro que um dia eu cheguei em casa e você estava na cama, deslumbrada com um sapatinho que tinha comprado. Você estava linda — declarou. Seu sorriso, iluminou todo seu rosto e acabei sorrindo também. — Não foi planejado, mas era muito mimado e amado. Foi difícil depois do que aconteceu. Você se fechou ainda mais. Demorou até que voltássemos a nossa rotina. Na época, eu estranhei quando se afastou de Jacob por completo. Você explicou que estava cansada dele ser contra nosso relacionamento e o queria longe. Para mim foi uma ótima notícia, já que não suportava ele. Nunca iria imaginar que... — sua voz morreu e ele me apertou nos braços. — Eu não sei se serei capaz de me controlar se o encontrar.
– Pensa em nós... — murmurei sentindo-me sonolenta.
Queria me manter acordada, mas toda essa carga emocional estava cobrando seu preço. E o corpo de Edward era tão confortável. Era impossível não relaxar e...
**
Acordei com uma movimentação na cama. Abri os olhos e encontrei Edward sentado ao meu lado dando mamadeira para Matthew. Sorri e fiquei admirando a cena. Meu marido e meu filho. Como se percebesse que estava sendo observado, Edward virou e sorriu para mim.
– Bom dia — cumprimentou.
– Bom dia. Que horas são? — perguntei um pouco desnorteada.
– Quase nove horas — explicou voltando a atenção ao filho, que não tirava os olhos de Edward. — Decidi trabalhar em casa essa semana, espero que não se importe — completou.
– De modo algum — descartei, não entendendo o porquê dele pensar que eu me importaria. — Ele acordou durante a noite?
– Só uma vez, depois dormiu direto.
Olhava admirada para Edward. Era um pai zeloso, atencioso. Nosso filhos tinham muita sorte. Bom, eu também. Ele era o homem perfeito para mim. Sentei na cama e cheguei mais perto para ver meu lindo bebê. Matthew tinha o cabelo ainda ralo e os olhos não tinham uma cor definida, mas eram grandes e vivos.
– Ainda não acredito que esse menino lindo é metade meu — comentei com um sorriso.
– Quer segurar? — ofereceu com expectativa.
– Não sei — respondi insegura, com medo dele voltar a chorar.
– Precisar tentar, Süsse. Só assim você vai perder o medo.
– Ok, só vou lavar o rosto e escovar os dentes antes.
Levantei e fui até o banheiro, fiz minhas necessidades e voltei. Sentei ao lado de Edward e com cuidado ele passou Matt para meus braços. Estava nervosa e tremia.
– Fique calma — Edward aconselhou. Assenti, segurando a mamadeira e observando cada detalhe do seu rostinho. Matt me encarava de volta, sem parar de mamar. Sorri emocionada e só percebi que chorava quando Edward enxugou meu rosto com o seu polegar. Ergui a cabeça e ele se inclinou, me beijando.
Quando que eu imaginaria que uma manhã como essa poderia ser tão boa?
– Mamãe? — virei e vi Anthony na porta. Sem me dar a chance de dizer qualquer coisa, ele saiu correndo para fora.
– Eu vou falar com ele — Edward se manifestou indo atrás do nosso garoto. Ficava completamente sem chão ao ver como Anthony estava sofrendo com a chegada do irmão. Não fazia ideia do que fazer para uni-los.
Matthew terminou de comer, coloquei a mamadeira vazia sobre o criado mudo e ele sobre meus ombros, para que arrotasse. Nem pude acreditar quando consegui. Trouxe ele para meu colo e fiquei ninando-o, tudo parecia ir bem, até que começou a chorar. Tentei manter a calma e verifiquei sua fralda, sua temperatura. Tudo parecia normal. Não sabia o que fazer.
Deitei ele na cama e peguei meu tablet. Abri o aplicativo de música e deixei tocar. Fiquei por cima dele e finge que cantava. Ele finalmente parou de chorar e ficou me olhando. Fiz um monte de caretas e sem que pudesse esperar, Matthew riu. Parei em choque. Ele riu! Voltei a cantar e brincar. Matthew soltava uns gritinhos e ria. Peguei o tablet e comecei a tirar fotos dele. Completamente apaixonada por aquela cena.
Estava tão focada nas nossas brincadeiras, que demorei a perceber que Edward nos observava com um sorriso. Sentei na cama enquanto ele se aproximava.
– E o Anthony, como está? — perguntei preocupada. Ele torceu os lábios, desgostoso.
– Arredio. Ficou dizendo que o amigo dele tinha razão, que só queríamos o Matthew agora. Não consegui fazer com que viesse comigo — suspirei.
– O que faremos?
– Vou marcar uma hora com o psicólogo dele. Precisamos agir com cautela — assenti, concordando. — Vocês estavam se divertindo — comentou sentando na cama e observando Matt, que olhava para todos os lados, como se quisesse entender o que estava acontecendo ao seu redor.
– Ele riu, acredita? — disse animada, Edward sorriu.
– É, eu vi. Foi um cena e tanto — respondeu carinhoso. Não entendia bem o porquê, mas acabei corando. Para disfarçar, deitei minha cabeça em seu ombro.
– Obrigada por não desistir de mim. De nós — agradeci, deslizando minha mão sobre a sua e a segurando. Edward entrelaçou nossos dedos e beijou minha cabeça, um gesto que era completamente seu.
– O único que tem algo a agradecer sou eu, Isabella. Você podia ter ido embora com sua mãe ou aceitado nosso casamento como uma imposição, mas você foi além. Muito além.
Meu coração batia em um ritmo acelerado. Parecia que ia sair da boca. Virei para encará-lo e Edward tinha, como sempre, um belo sorriso nos lábios. Ele nunca esteve tão bonito como naquele momento. Ergui minha mão e passei pelo seu rosto, a barba cerrada pinicou a palma e senti um arrepiou ao imaginá-la passando pelo meu pescoço, entre meus seios, minhas pernas. Engoli em seco ao olhar para Edward e ver a mesma urgência do desejo e aquele algo a mais que agora eu sabia muito bem o que era.
Amor. Profundo e puro.
Estava a ponto de beijá-lo quando Matthew soltou um gritinho. Edward e eu nos encaramos e rimos. Nosso pequeno estava se tornando especialista em nos interromper. Inclinei sobre ele e beijei sua barriga. Matt riu, feliz por ter nossa atenção toda para si. Percebi que nada disso era completo sem Anthony.
– Já volto — avisei, saltando da cama e nem dando tempo de Edward dizer qualquer coisa.
Segui pelo corredor e fui até o quarto de Anthony, ele estava no chão, os joelhos contra o peito e a cabeça apoiada sobre os braços. Agachei na sua frente e o toquei, Anthony se afastou.
– Filho, não faça isso. Assim eu e o papai vamos achar que não gosta mais de nós.
– Vocês não precisam de mim. Tem o outro — murmurou com a voz embargada.
– É seu irmão e o amamos da mesma forma... — Anthony não me deixou terminar e se levantou.
– Não quero mais morar aqui. Vou morar com a Tanya. Ela é minha mãe. Não você — acusou deitando na cama e virando o rosto para a parede.
Anthony podia ter apenas quatro anos e estar agindo por ciúmes, mas suas palavras me magoaram. Levantei e fui até ele. Sabia que se tentasse tocá-lo, ele me rechaçaria.
– Você pode não me considerar mais sua mãe, Anthony, mas você sempre vai ser meu filho — declarei segurando para não chorar.
Saí do seu quarto e assim que vi Edward no corredor, fui correndo para seus braços. Ele ficou confuso, mas não falou nada. Apenas me abraçou apertado. Voltamos para nosso quarto e percebi que ele havia levado Matt.
– Ele dormiu — explicou antes que eu pudesse perguntar. Assenti de modo automático, sentando na cama. — Quer que eu fale com Anthony? — ofereceu. Sacudi a cabeça.
– Não, ele está bravo conosco, não vai adiantar pressioná-lo. — Edward sentou do meu lado e segurou minha mão.
– Aquele rapazinho sabe como nos atingir — afirmou e eu concordei.
– Mamãe? — ergui o rosto e Anthony estava na porta, me encarando com os olhos vermelhos.
Sorri e abri meus braços. Ele não perdeu tempo e veio correndo, pulando na cama e direto para meu colo. Beijei seus cabelos.
– Eu não quero a Tanya como minha mãe. Quero você — choramingou contra o meu peito. Edward na hora entendeu.
– O que você tem que dizer para a mamãe, Anthony? — perguntou para nosso filho. Ele levantou o rosto e me encarou.
– Desculpa, mamãe — apertei nos meus braços.
– É claro que desculpo, mas não pode mais fazer isso, Anthony. Nós amamos você — ele assentiu e voltou a deitar a cabeça contra meu peito. Como se fosse um bebê.
– Está frio hoje. O que acha de acamparmos à noite na sala? — Edward disse, Anthony sentou animado no meu colo.
– Sim! Sim! Mamãe você vai adorar. Papai liga o fogo e assamos marshmallow com chocolate — passou a língua pelos lábios e eu ri. — Matt vai poder comer, papai? — era a primeira vez que Anthony incluía Matthew em uma conversa. Edward e eu trocamos um olhar cúmplice.
– Ainda não, mas vamos preparar uma mamadeira caprichada para ele, não é, mamãe? — sorri para meu marido.
– Claro, Matt vai adorar acampar — completei, Anthony pulou do meu colo e avisou que ia contar para a avó sobre nosso acampamento. — Vai ser divertido — comentei, olhando para Edward. Ele sorriu de lado e me deitou na cama, ficando sobre mim.
– O que acha de um acampamento especial só para os pais, depois que colocarmos as crianças para dormir? — mordi os lábios, entre a expectativa e o medo do que esta proposta implicaria. Queria uma intimidade maior com Edward, mas ao mesmo tempo sentia um frio na boca do estômago que não conseguia entender ou controlar.
– E o que tem nesse acampamento de tão especial? — perguntei provocante, tentando disfarçar meu nervosismo. O sorriso de Edward se alargou. Ele inclinou e sussurrou no meu ouvido:
– Você e eu, mais nada.
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