Uneven Odds

29 Capítulo 20 - Acampamento - Parte 1


Notas iniciais
Obrigada pela recomendação Bella Blake e a todos pelos comentários!! Adoro saber o que estão achando da história =D Em relação ao capítulo, o que posso dizer senão que mais uma vez me empolguei demais rsrsrs Acho que esse é um momento que os sentimentos precisam ser bem explorados e por isso não quero apressar nada. Teremos a visão de Edward sobre os últimos acontecimentos e uma lembrança muito fofa dele com Anthony e claro, uma parte bem família do acampamento! E não me matem por causa do final :p Boa leitura!

Edward POV

Aproveitei um tempo livre após o almoço para colocar minha agenda em ordem. Trabalhar em casa era bom, mas exigia um nível maior de organização e comprometimento. Liguei para minha secretária pedindo que me passasse os últimos relatórios e depois falei com Emmett sobre as mudanças necessárias nos algoritmos, já que a margem de erro estava bem maior do que havíamos previsto anteriormente.

Ainda que tentasse me focar no trabalho e nos números que precisava analisar, minha mente estava longe, ou melhor, no andar de cima, onde minha esposa e meus filhos deviam estar. Isabella me surpreendia a cada instante e se mostrava ávida em aprender tudo o que pudesse sobre bebês com a mãe enquanto ela estava conosco.

Apesar de ter aceitado a ideia da enfermeira, percebi que ela queria provar que não precisava de ajuda, que poderia fazer tudo sozinha. E quando ela colocava uma ideia da cabeça, nada era capaz de fazê-la desistir até que conseguisse seu objetivo. Essa era uma das coisas que não havia mudado nela, alias, via muito da velha Isabella na pessoa que tinha ao meu lado agora. A mesma determinação e teimosia, sem contar o jeito provocador. A maior diferença era que aquele muro que ela havia construído durante anos desabou. Todo aquele controle para que as pessoas ao seu redor não soubessem o que sentia, agora não existia mais. Ela estava exposta. Ao menos, para quem a conhecia bem.

Não podia negar que sentia falta da mulher que convivi durante anos, a que saberia exatamente o que fazer em situações difíceis. Como era o caso de Anthony e até mesmo minha briga com meu pai. Só que ao mesmo tempo eu via seu esforço em tentar ajudar e apenas isso já era o bastante para me dar forças e enfrentar tudo isso.

Se ela, que não lembrava de nada estava disposta a lutar por nossa família, como eu não faria o mesmo?

Sobretudo depois de ver a vontade explícita em seus olhos, o amor. Era raro Isabella me olhar daquele modo, tão entregue e apaixonado. Mas eu sabia o que significava. E era só isso que me importava. Nada mais. Nem os erros cometidos no passado. Nem os segredos. Somente o que sentíamos um pelo outro. Somente o que queríamos e construiríamos a partir de agora.

O único assunto que precisava de uma conclusão era Jacob. Meu ódio por aquele filho da puta ultrapassava qualquer coisa que já senti por Michael. Eu queria que ele pagasse pelo que fez. Isso não iria devolver nosso bebê, mas não era justo que saísse impune. Eu devia ter acabado com a vida dele naquele dia. Devia tê-lo matado.

Pensa em nós...

O pedido de Isabella veio a minha mente e eu relaxei. Ela tinha razão, não podia fazer nada que me prejudicasse, que fizesse minha família sofrer. Só via uma solução. Iria conversar com Alice, afinal ela tinha direito de saber o que o irmão havia aprontado e eu precisava da sua ajuda. Era a única que tinha contato com Jacob e precisava deixar bem claro para ele que não se aproximasse de Isabella. Além disso, por mais que ela não achasse necessário, iria pedir uma ordem de restrição. Pelo menos assim, a justiça estaria informada sobre as intenções dele.

Terminei minhas obrigações mais cedo do que imaginava. Contava os segundos para ficar com minha família e planejar nosso acampamento mais tarde, especialmente o que faria com Isabella. Sorri ao imaginar o que ela acharia dos meus planos. Desejava deixá-la mais a vontade ao meu lado. Conhecê-la novamente, do mesmo modo como queria que me conhecesse. Para então ganharmos cada vez mais intimidade.

Gemi, lembrando da nossa loucura no sofá e como foi dormir com ela sem poder tocá-la. Seu corpo colocado ao meu. Seu aroma. Sua respiração batendo contra o meu pescoço. Foi impossível não ficar excitado. Demorei horas para pegar no sono e ainda assim foi a melhor noite que tive nos últimos dois meses.

Isabella me enlouqueceria com seu jeito doce e atrevido. Uma hora ela parecia tímida e nervosa por estar tão perto de mim e logo depois se atirava em meus braços sem que eu esperasse. Era um misto perfeito da mulher que casei e da que estava aprendendo a conhecer.

Levantei da cadeira, mas antes que chegasse até a porta meu celular tocou. Era Jasper.

– Diga, irmão — atendi já o cumprimentando.

– Boa tarde, Edward. Queria saber como foi com a chegada de Matthew. Alice e nossa mãe quiseram ligar ontem, mas achei melhor dar um tempo para vocês.

– Você fez certo. Ontem foi... complicado. Pode falar agora? — perguntei sabendo que a conversa seria longa.

– Posso.

Sentei no sofá que ficava em frente a mesa do escritório e comecei a desenrolar sobre tudo o que tinha acontecido em apenas um dia, excluindo o assunto sobre Jacob, isso deveria ser discutido pessoalmente. Quando terminei, Jasper ficou em silêncio, por certo, digerindo todas as informações que havia jogado sobre ele.

– Resumindo, as coisas evoluíram bastante desde a última vez que nos falamos — murmurou de forma automática. Ri.

– Sim, basicamente isso — respondi tranquilamente.

– E você ainda ri? — retrucou indignado. — Eu estou aqui sem saber o que pensar ou dizer, Edward. De verdade. Eu... Nossa! Nem posso imaginar o que faria no seu lugar. Acredito que já teria fugido.

– Não teria, não — disse com segurança.

– Talvez não, mas eu não estaria rindo e muito menos tranquilo como está agora. Como está aguentando tudo isso?

– Por amor. Amor pelos meus filhos. Amor pela minha esposa. Ela quer isso. Como eu posso virar as costas se eu quero o mesmo. Vamos partir do zero, Jasper — fiz uma pausa e continuei em seguida.

– Por muito tempo eu julguei vocês por serem contra meu relacionamento com Isabella, mas em uma coisa estavam certo. Fomos precipitamos. Deveríamos ter esperado. Me deixei levar pela urgência de querer a guarda de Anthony e de prender Isabella a mim, que acabei apressando tudo. Nada foi pensado com calma. Fizemos o que era preciso na época, sem nos importamos com as consequências. A aparição do Michael só colocou todos nossos problemas em evidência e ainda assim, não fomos capazes de enxergar.

– É como diz o ditado, Edward: há males que vem para o bem. O acidente foi uma fatalidade horrível, mas os uniu de uma forma que você mesmo não podia esperar. Foi o mesmo comigo, eu só percebi meus erros depois que Alice saiu de casa.

– É bem isso, Jasper. Agora só quero focar no futuro, nada mais.

– Faz bem... É só no que eu penso também e falando nisso, gostaríamos de visitá-los. O que acha do fim de semana? Tudo bem?

– Claro, vai ser ótimo. Até lá acredito que teremos nossa rotina mais organizada — comentei com um sorriso. — Mudando de assunto, como está nossa mãe?

– Bem, na medida do possível. Conversou muito pouco com nosso pai ontem à noite pelo telefone. Parece que ele aceitou o tempo que ela pediu. Pode ser bom para os dois, não sei. Aliás, é Alice que tem conversado com ela, eu fico completamente sem jeito em falar sobre o assunto — confessou acanhado.

Entendia bem seu receio, já que Jasper sempre foi muito mais ligado ao nosso pai. Eu, ao contrário, tinha muito mais em comum com nossa mãe. E era justamente por essa razão que estava preocupado com ela.

Pedi para Jasper passar o telefone para nossa mãe e conversamos alguns minutos. Sua tranquilidade só me mostrava a gravidade da situação. Ainda assim, ela insistiu que estava bem e que eu deveria estar cuidando da minha família.

Desliguei o telefone pensando na situação dela com meu pai. Sentia-me impotente. Tinha feito o que podia para fazê-lo enxergar seus erros e nada havia dado certo. Nem mesmo Jasper e nossa mãe ele ouvia mais. Se continuasse se comportando dessa forma corria o risco de perdê-la para sempre, assim como quase tinha acontecido com Jasper.

**

Abri a porta do quarto de casal com cuidado. Havia procurado os três em quase todos os cômodos do andar de cima e finalmente os encontrei. Encostei no batente da porta, observando, com um sorriso largo, minha esposa e meus dois filhos. Matthew estava deitado no meio enquanto Anthony prestava atenção na mãe, que parecia contar uma história. Como se pudesse sentir minha presença, ela parou e virou o rosto, sorrindo para mim. Aproximei assim que Anthony percebeu minha presença.

– Papai, mamãe estava contando sobre um príncipe que matava bandidos e cobras — olhei para Isabella com a sobrancelha arqueada, ela deu de ombros.

– Não consegui pensar em outra história — respondeu, interpretando de forma errônea minha expressão.

– Príncipe da pérsia? — questionei, ela assentiu com um sorriso.

– Era meu jogo preferido quando criança — explicou e novamente me surpreendeu.

– É um jogo? Eu quero! — Anthony se intrometeu. Ri, balançando a cabeça.

– Quando for mais velho, mocinho — adverti.

– Mas a mamãe disse que era criança e jogava — bufou cruzando os braços sobre o peito.

– Não tão jovem, filho. Eu tinha uns oito anos. Quando tiver essa idade deixaremos você jogar, mas aposto que achará sem graça — Isabella tentou dissuadi-lo.

– Claro que não! Ainda mais com as caveiras que se mexiam na terra e as cabeças que flutuam. Deve ser muito legal — Isabella arregalou os olhos com a declaração do nosso filho e me encarou assustada, como se tivesse feito algo de errado ao contar a história para ele.

– Edward...

– Eca! O Matt está cheirando mal — Anthony reclamou tampando o nariz e fazendo uma careta, interrompendo Isabella. Ela suspirou e virou para pegar Matt no colo.

– Vou trocá-lo — avisou, saindo do quarto.

– Bebês são fedidos, papai — Anthony disse fechando os olhos e mostrando a língua. Ri da expressão de nojo feita por ele.

– Você também já foi assim — comentei, apertando seu nariz. Ele me olhou como se duvidasse. — Vem, vamos ajudar sua mãe com Matt — estendi a mão e ele a segurou, me seguindo para o quarto do irmão.

Entramos e Isabella já estava tirando a fralda suja de Matthew e limpando seu bumbum. Anthony ficou ao lado dela fazendo inúmeras perguntas, sem deixar de tampar o nariz, fazendo com que sua voz saísse nasalada.

Babãe, doeu quando o Batthew saiu da sua barriga? — Isabella virou o rosto para mim e parecia em pânico com a pergunta.

Eu, no entanto, estava calmo.

Na época da gravidez de Isabella ele já havia me perguntado tudo sobre bebês, inclusive de onde vinham. Expliquei com calma e sinceridade e no fim a conversa tinha saído melhor do que eu esperava.

– Filho, vem cá — chamei e Anthony sentou no meu colo. Abri um livro especializado no assunto para crianças e comecei a explicar, conforme passava pelos desenhos. — O papai tem uma sementinha chamada espermatozoide e a mamãe tem um pequeno ovo chamado óvulo. Quando fazem amor, o papai coloca o espermatozoide dentro da mamãe, e ele se encontra com o óvulo, os dois se unem e começam a formar um bebê. Você percebeu como a barriga da mamãe está crescendo aos poucos? — ele assentiu, prestando atenção as figuras de uma mãe com a barriga aumentando a cada imagem. — Quando o bebê estiver grande e forte, vamos no médico e ele o tira da barriga da mamãe — Anthony olhou para o desenho do bebê saindo da mãe pela vagina com o cenho franzido e depois de volta para mim.

– E como o espematoide entra dentro da barriga da mamãe?

– Espermatozoide — repeti com calma.

– Isso. Como ele entra lá dentro?

– Sabe o pênis? — perguntei, já havia explicado sobre os órgãos masculinos e femininos para Anthony e esperava que isso tornasse a tarefa menos difícil.

– Sei, é da onde sai o xixi — explicou inocentemente.

– Bem, o pênis também serve para colocar o espermatozoide dentro mamãe através da vagina — virei a página que mostrava o desenho de um casal fazendo amor. — Entendeu?

Para minha surpresa Anthony começou a rir.

– O Caius é tão bobo, papai. Ele disse que a cegonha trouxe a irmã dele — tentei não rir.

– Talvez não souberam explicar para ele como era.

– Ah, mas ele é bobo por acreditar. Pô que um passarinho faria isso? E como a barriga da mamãe ia crescer se o bebê estava com o passarinho?

Depois das suas considerações sobre o assunto, eu só pude concordar e ficar feliz por ter contado a verdade para ele e não inventado histórias. Anthony era esperto demais e eu só iria me enrolar se tivesse dito algo como “nasceu de um repolho” ou “veio da cegonha.”

– Edward! — Isabella me chamou, me trazendo de volta a realidade. — Estou um pouco enrolada aqui, pode explicar para o Anthony sobre o meu parto? — perguntou ansiosa jogando a fralda de Matthew no lixo.

– Claro, mas vou precisar da sua ajuda — ela franziu a testa.

– Em quê? — respondi com um sorriso e agachei na frente de Anthony. Ele tirou o dedo do nariz quando percebeu que a mãe tinha terminado de limpar Matthew e jogado a fralda fora.

– Filho, lembra quando o papai explicou sobre os bebês e como eles nascem?

– Sim, pô isso queria saber se a mamãe sentiu dor.

– O caso da mamãe foi diferente. Por causa do acidente, tiveram que fazer uma cirurgia para tirar o Matthew. O médico deu um remédio para ela não sentir dor e cortou a barriga para tirar o Matt — olhei para Isabella e pedi para ela se virar. Sabendo qual era minha intenção, ela levantou a blusa que usava e abaixou um pouco a calça, até aparecer uma fina cicatriz em seu ventre.

– Está vendo aqui — indiquei para Anthony. — É por onde o médico tirou seu irmão.

Anthony ergueu a mão e antes de tocar o local, perguntou:

– Dói, mamãe? — ela sacudiu a cabeça, negando.

Ele passou o dedo pela cicatriz e depois sorriu e a abraçou, ela devolveu o carinho, abaixando e beijando sua cabeça.

Matthew choramingou sobre o trocador. Pelo jeito, Anthony não era o único ciumento.

– Filho, pode ir até o quarto do papai e pegar os lençóis e travesseiros para arrumarmos nosso acampamento? — Anthony concordou animado e saiu correndo do quarto.

Isabella acompanhou a saída do filho e depois me olhou, enquanto pegava uma fralda limpa na gaveta.

– Acho que nunca conseguiria explicar tudo aquilo com tanta calma. Foi assim quando falou sobre bebês com ele? — levantei e fiquei ao seu lado, fazendo caretas para Matthew.

– Mais ou menos. Por fora estava controlado, mas por dentro morria de medo de dizer algo errado. Sempre achamos que o melhor caminho era sermos honestos com ele, sobre qualquer coisa, mesmo que tenha sido difícil explicar sobre pênis e vagina para uma criança de quatro anos — ela sorriu. — No fim, ele desdenhou da história da cegonha e disse que aquilo não fazia sentido. Acredita? — Isabella riu, passando a fralda sob Matthew e fechando as pontas.

– Acredito, ele é muito inteligente — ela parou e virou para me olhar. — As vezes não parece real que eu faça parte da vida dele, da sua educação. Desde quando Anthony mora conosco?

– Desde os oito meses — sua expressão foi de surpresa ao choque.

Voltou a atenção para Matthew que fazia bolinhas com a saliva. Ela riu e percebi que enxugava uma lágrima do rosto. Abracei-a pela cintura e beijei sua cabeça.

– Eu nunca gostei de crianças, sempre as achei chatas e barulhentas, mas agora eu não posso imaginar minha vida sem esses dois — confessou baixinho. — Não consigo entender como alguém é capaz de deixar o próprio filho — suspirei.

– Tanya nunca quis a criança, só o usou como uma forma de me prender a ela. Como não conseguiu, foi embora — senti o corpo de Isabella tencionar.

– Você não gostava dela, nem um pouco? — perguntou reticente.

Apoiei minha cabeça sobre seu ombro e a apertei em meus braços.

– Depois que conheci você, ninguém mais existia para mim — declarei, ela tentou disfarçar um sorriso, mas foi incapaz.

Segurei seu queixo, virando seu rosto e a beijei. Subi um pouco minha mão e toquei seu seio sobre a blusa, ela gemeu e esfregou o quadril contra meu membro que começava a ficar ereto.

– Papai! — Anthony gritou da porta. — Já coloquei tudo na sala, vamos lá arrumar! — pediu com urgência. Isabella riu se afastando e voltou a atenção para Matthew. Anthony segurou minha mão e me puxou. — Vamos!

– Depois continuamos — sussurrei no seu ouvido e ela sorriu, assentindo.

Saí do quarto, carregado por Anthony. Incapaz de disfarçar minha ereção, precisei passar no banheiro antes. Não estava a fim de responder perguntas desconcertantes sobre sexo hoje.

**

Enquanto Isabella tomava banho, fiquei com as crianças para terminar de preparar tudo. Matt olhava, do meu colo, tudo com interesse, como se quisesse entender o que estávamos fazendo.

Isabella já havia pedido para Irina preparar pipoca, alguns lanches leves, esquentar o leite de Matthew e separar o chocolate, as bolachas e o mashmallow.

Matt deitou a cabeça no meu peito e colocou o dedo na boca, chupando-o. Parecia que toda a nossa movimentação estava deixando ele relaxado. Coloquei ele no seu cesto sobre o sofá e ajudei Anthony a fazer as barracas com os lençóis e espalhar os travesseiros pelo chão. Normalmente colocaria colchões no chão para passarmos a noite ali, mas hoje tinha outros planos.

Irina trouxe tudo para a sala e sorriu ao ver nossa pequena bagunça. Era como se tudo estivesse voltando ao normal.

Liguei a lareira quando Isabella apareceu. Ela olhava para a sala admirada e com um lindo sorriso.

– Olha o que fizemos, mamãe! Eu ajudei — Anthony falou animado, correndo até ela.

– Ficou lindo. Acho que nunca acampei em um lugar tão bonito — comentou. Ele pareceu ainda mais feliz com o elogio e a puxou pela mão. Sorrimos um para o outro.

Isabella sentou no chão, ao lado do cesto onde Matthew estava. Ela o pegou no colo e eu passei a mamadeira para ela. Matt puxou o liquido com vontade.

– Guloso — Anthony sussurrou. — Papai, coloca o mashmallow para mim? — pediu e o ajudei. Ele sabia muito bem como fazer isso, mas percebi que estava disputando a atenção com o irmão.

– Sua mãe não quis descer? — perguntei para Isabella, conforme comia um pouco de pipoca.

– Ela preferiu ficar no quarto, está organizando algumas coisas que precisa para a viagem.

– Eu gosto da vovó aqui. Pô que ela não pode ficar? — Anthony quis saber, desviando a atenção que antes dava para seu marshmallow.

– Ela tem o trabalho dela em Nova Iorque, meu bem. Mas sempre que puder virá nos visitar — Isabella explicou.

– E nós vamos nela também? Nós nunca fomos — ele comentou em seguida. Isabella riu do bico que Anthony fez.

– Vamos sim, dessa vez ficaremos mais próximos — garantiu, olhando com carinho para Matthew.

Ele terminou de mamar e Isabella o fez arrotar. Nem parecia que fazia apenas um dia que estava com ele. Era uma mãe nata. Quando percebeu que os observava, sorriu para mim. Inclinei e a beijei.

– Mamãe, termina a história do príncipe? — Anthony pediu e me afastei sem parar de sorrir. Nossos filhos estavam se tornando mestres na arte de nos interromper.

– Acho melhor pedir outra história para seu pai.

– Ah, não! Quero a do príncipe — choramingou. Isabella parecia não saber o que fazer.

– Pode contar, não tem problema — disse com tranquilidade.

– Pensei que fosse inapropriado para a idade dele — explicou baixo, só para que eu ouvisse.

– Agora já é tarde, porque também estou curioso para ouvir sua versão da história — desafiei com um sorriso.

Ela não pareceu muito segura, mas fez o que pedimos e começou a contar sobre o príncipe que precisava resgatar a princesa das mãos de um malvado feiticeiro. Anthony ria quando a mãe imitava as caveiras ou o príncipe. Eu também não aguentei e comecei a rir. Até mesmo Matthew parecia se divertir, soltando uns gritinhos com os movimentos que a mãe fazia.

Quando ela terminou, foi minha vez. Inventei uma história sobre um dinossauro que precisava encontrar sua família perdida. Ficamos assim por várias horas. Anthony se lambuzou de comer e também contou sua história, em que ele era um astronauta e encontrava um novo planeta cheio de perigos.

Depois começamos uma competição de sombras na parede, ideia de Isabella.

– É um dinossauro, mamãe — Anthony disse, ela balançou a cabeça.

Não fazia ideia do que era a tal figura e chutei:

– Já sei. É uma arte abstrata de Picasso — Isabella estreitou os olhos e me mostrou a língua. — Abusada — repreendi, o que fez com que ela desse risada.

– Gente, é um coelho — explicou, mexendo o que seria as orelhas do tal coelho, mas que pareciam antenas ou pernas do jeito que a sombra se movia. Eu e Anthony nos encaramos e gargalhamos. Ela fingiu ficar brava, pegou Matthew, que estava nos meus braços e sentou entre minhas pernas. Sorri com sua atitude.

– Ótimo, quero ver vocês fazerem melhor — desafiou.

Anthony levantou e fez o sinal de paz, mexendo os dedos como se fossem as orelhas do coelho.

– Bom, isso é um coelho — falei para provocá-la.

– É, ficou melhor — ela admitiu enquanto eu a abraçava e beijava seu rosto.

– O Matt também pode brincar? — Anthony perguntou olhando para o irmão, que mordia um brinquedo.

– Não, filho. Ele ainda é muito pequeno — expliquei, fazendo cócegas na barriga de Matt, que riu.

– Ah, que pena — lamentou. — Quando ele crescer vou ensinar um monte de coisas para ele — disse animado. Isabella sorriu para mim.

– Ele vai aprender muito com você — Anthony sorriu satisfeito e começou a fazer outra sombra para adivinharmos.

**

Passava das dez da noite quando Anthony começou a ficar com sono. Nem toda energia dada pelo chocolate e os doces o segurou. Matthew também dormia nos braços da mãe. Isabella levantou e avisou que ia levá-lo para o berço.

Fiz o mesmo com Anthony e o levei para seu quarto. Lavei seu rosto e mesmo resmungando o ajudei a escovar os dentes. Assim que o coloquei na cama, dormiu, agarrado ao seu dinossauro de pelúcia.

Saí do quarto e encontrei Isabella no corredor. Ela se aproximou e segurou minha mão, sorrindo para mim. Um sorriso cheio de promessas.

Nossa noite estava apenas começando.

Notas finais
Hum... essa noite promete mesmo *0* Quem está amando essa família super fofa o/ Vontade de apertar todos e agarrar esse paizão que é o Edward :P Deixem seus comentários e digam o que estão achando. Estamos chegando ao fim ;) Beijos e até o próximo ;)