Uneven Odds

19 Capítulo 16 - Realidade - Parte 3


Notas iniciais
Capítulo surpresa de quarta e recadinhos!!! Primeiro: quero pedir desculpas pelos capítulos "picados", esses três últimos deveriam ser apenas um capítulo, mas como ando meio enrolada, não sabia quando iria terminar tudo do jeito que eu havia planejado, por isso fui postando o que conseguia escrever para que não ficassem esperando. O próximo já será o 17. Segundo: Sei que todos estão entusiasmados para a conversa que teremos nesse capítulo, mas só gostaria de alertar que pode não ser como esperavam. Eu não quero que eles resolvam tudo de uma vez, acho melhor que seja aos poucos. Por isso, esse é apenas um começo. A partir do próximo, as coisas vão mostrar uma mudança maior e finalmente caminhar. Estou planejando um capítulo bem animado e divertido. Espero que saia como quero rsrs Bom, é isso :) Boa leitura!

Bella POV

O caminho até em casa foi silencioso, mas de modo algum desagradável. Parecia natural. Como se fosse um final de noite como outro qualquer. Como se nada tivesse mudado. Era um sensação de normalidade muito bem vinda.

Edward estacionou o carro e piscou para mim quando abriu sua porta. Devia ser algum código nosso, ou um simples modo para manter o clima ameno. Não sabia direito. Saí do carro enquanto Edward pegava Anthony nos braços. Busquei as chaves na bolsa e abri a porta da sala.

– Vou colocá-lo na cama — Edward avisou conforme subia as escadas.

– Ok, vou preparar algo para bebermos. Prefere chá ou café? — ofereci. Fazer alguma coisa talvez me acalmaria um pouco.

– Chá, por favor — respondeu com um sorriso, assenti e fui para a cozinha.

Deixei a água fervendo e fui atrás das ervas. Camomila seria bom. Tudo o que eu precisava no momento era calma. A conversa que teríamos seria definitiva e eu estava a flor da pele, sem ter a mínima ideia do que dizer ou de como tudo iria caminhar. Ainda bem que minha mãe dispensou a empregada mais cedo. Era bom que ficássemos a sós.

Peguei duas xícaras, desliguei o fogo e as enchi com a água. Colocando com cuidado os saquinhos de chá.

Sobre o que falaríamos primeiro? Sobre o recomeço? Deveria ser sincera e falar sobre meu receio dele querer esquecer o passado?

Essa noite eu senti isso bem acentuado em tudo o fez. Em nenhum momento ele impôs ou disse algo sobre como eu era. Não entendia essa sua atitude.

Ele não deveria querer que eu lembrasse? Como faria isso se ele não ajudava?

Tirei os saquinhos de chá e joguei no lixo, coloquei as xicaras sobre o balcão da cozinha, sentei e fiquei esperando. Soprei meu chá e tomei um gole.

– Desculpe a demora, Anthony acordou e aproveitei para dar um banho rápido nele — ouvi sua voz e virei, sorrindo.

– Sem problema — Edward sentou ao meu lado. — Ele estranhou de estar aqui? — perguntei, voltando a tomar meu chá.

– Um pouco, perguntou se tínhamos voltado para casa — fiquei desconcertada.

– Ele sempre fala sobre isso — comentei, sem saber o certo o que dizer. — O que você respondeu? — questionei interessada, Edward deu de ombros.

– A verdade, que íamos conversar e seria melhor que ele passasse a noite aqui, depois ele pediu uma história e pareceu esquecer o assunto — assenti, passando o dedo pela xícara, tudo aquilo era minha culpa.

– Eu sinto muito por essa confusão — me vi dizendo.

– Isabella, por favor, você não tem culpa. Foi um acidente.

– Eu sei, mas eu me sinto horrível por ver vocês sofrendo com toda essa situação. Essa era a sua casa e eu praticamente o expulsei daqui — seu semblante tencionou.

– Isso não é verdade. Você só precisava de espaço, tempo. Não vou mentir e dizer que é fácil, porque não é, mas eu entendo. Não quero forçar nada, Isabella.

– É por isso que quer esquecer o passado?

– Eu não quero isso.

– Foi o que eu entendi quando ofereceu para recomeçarmos.

– Não. Não era o que eu tinha em mente — negou, o cenho franzido.

– Não? Então porque parece que você não faz questão que eu seja como sempre. Hoje mesmo, você podia ter dito o que eu queria comer sem problemas. Por que se importar com minha opinião? Você me conhece melhor do que eu mesma, Edward — sua testa franziu, como se não me compreendesse. Confesso que nem eu estava entendendo onde queria chegar.

– Queria comer pizza de brócolis? Achei que não gostasse — proferiu confuso.

– Eu não gosto, mas a Isabella antes do acidente, sim — retruquei como se fosse um argumento válido em meio a essa discussão sem sentido.

– E só por isso ia fazer algo que não gosta? — rebateu e eu suspirei derrotada. Ele tinha razão, mas se não fosse assim como eu iria retomar a minha vida, voltar a ser a Isabella de antes?

Então, um pensamento me ocorreu.

Eu queria ser a mesma? Eu nem ao menos sabia quem eu era, e o pouco que Alice havia me contado, me enojava.

– Eu não vou forçá-la a ser como antes, Isabella — Edward determinou com seriedade, como se pudesse ler meus pensamentos. Olhei para ele intrigada.

– Por que não?

– Porque são dez anos entre quem você foi e quem é agora. É muito tempo. Se você se lembrar, tudo bem, mas até que isso aconteça, prefiro que seja você mesma — explicou com calma.

Sua resposta foi um choque.

Ser eu mesma.

Desde que saí daquele hospital tudo o que eu ouvia era que eu precisava aceitar uma vida que eu não reconhecia, ser alguém que eu não fazia ideia de quem era. E agora, a pessoa, que provavelmente, me conhecia mais do que qualquer outra, pedia para que eu fosse eu mesma. Dizendo que não era fácil para ele, mas que entendia a situação.

Deve ser uma sensação horrível, como entrar em uma história pelo fim.

Dissera quando o conheci como Alec. E ele estava certo. Ninguém havia resumido o que eu sentia como ele. Isso me fez lembrar da pessoa que eu confiei sem ao menos conhecer, de alguém que me entendia como ninguém. Não era difícil ver porque me casei com ele. Edward era único. E era meu marido.

– Eu agradeço por isso, Edward. Por pensar no que eu sinto. Por pensar em mim — respondi com um alívio que nem imaginava que iria sentir. Seu olhar um pouco perdido enquanto encarava a xícara e seu dedo brincava com a alça.

– É o mínimo que posso fazer — murmurou como se aquilo não fosse o suficiente. Ou talvez eu estivesse vendo coisas. Afinal, eu mal o conhecia. Como poderia saber o que estava pensando ou como se sentia?

– O que você tinha em mente quando propôs que recomeçássemos? — resolvi colocar o assunto que havia nos trazido ali em pauta. Edward ergueu rosto e me encarou.

– Eu pensei que seria interessante nos conhecermos novamente. Aos poucos — adicionou em seguida.

– Como assim?

– Bem, continuaríamos morando cada um em um lugar, mas com uma maior interação. Sairíamos juntos com as crianças. Faríamos programas em família como hoje. E, — ele se remexeu na cadeira. — quem sabe, se você aceitar, teríamos alguns encontros — completou com certa tensão na voz.

Seu plano era... bom. No entanto, algo havia me incomodado, só não sabia o quê.

– É, eu acho que é uma boa ideia — aprovei, um pouco hesitante.

Edward tombou a cabeça, minimamente, para o lado. Seus olhos insistentes sobre mim. Achei que diria alguma coisa, mas não. Ele sorriu, pegou sua xícara e tomou um gole do seu chá.

O que o deixou intrigado sobre minha resposta? Queria perguntar, só que ao mesmo tempo não queria saber.

– Podemos ir buscar Matthew juntos. O que acha? — perguntou tranquilamente, depositando a xícara sobre o balcão.

– Seria bom — respondi automaticamente. Seu jeito estava me deixando confusa.

– Perfeito, então — disse, levantando do banco. Franzi meu cenho.

– Você já vai? — questionei, aturdida.

– Sim, ainda preciso terminar alguns relatórios para amanhã — explicou.

Droga! Ele estava certo. Tinha que trabalhar. Não podia prendê-lo aqui o resto da noite. Além do que, precisaríamos mais do que algumas horas para conversar sobre tudo o que estava acontecendo. Ao menos, o mais importante já havíamos combinado. Teríamos tempo para acertarmos o restante.

– Ok. Eu o acompanho até a porta — falei, levantando e saindo com ele da cozinha.

– Amanhã venho para trazer o material de Anthony e levá-lo na escola — avisou conforme passávamos pela sala de estar.

– Por que não vem mais cedo e toma café da manhã conosco? — ofereci, com expectativa. Seria uma forma de colocarmos tudo o que planejamos em prática. Edward sorriu, perecendo satisfeito com minha proposta.

– Eu vou adorar — sorri em resposta.

É. Isso daria certo.

Paramos ao lado da porta e sem deixar de sorrir, estendeu sua mão na minha direção.

– Foi um prazer, Isabella — disse, fingindo certa formalidade.

Por alguma razão, esse simples gesto chamou minha atenção. Estreitei meus olhos.

– Por que eu tenho a impressão que está me provocando? — indaguei, intrigada. Seu sorriso aumentou. Devia ficar irritada, mas eu simplesmente não conseguia. Um lado meu adorava isso, mesmo que ainda não soubesse bem o porquê.

– Porque talvez eu esteja — atiçou em um sussurro, como se fosse um segredo.

– Eu ainda vou descobrir o que significa cada um desses seus sorrisos e olhares. Não fique se achando — respondi estendendo minha mão. Edward riu e eu senti meu estomago vibrar, como se estivesse descendo uma montanha russa. Que sensação estranha.

– Estou ansioso por isso — desafiou, segurando minha mão e a levando até seus lábios, onde deixou um beijo. Senti o local formigar e puxei minha mão com certa pressa. — Tenha um ótima noite, Isabella — murmurou, assenti, um pouco perdida com as sensações que ele me provocava.

Assim que saiu, fechei a porta e encostei nela. Meu coração praticamente saindo do meu peito. Eu não conseguia compreender tudo o que eu sentia quando estava na sua presença. Edward era diferente de todos os homens que conheci. Claro que eu lembrava de meus colegas sendo apenas moleques, mas ainda assim, nenhum jamais havia mexido comigo desse modo. Nem Jacob. Eu adorava provocá-los, deixá-los loucos, mas eu mesma nunca me permiti sentir o mesmo.

Até agora.

Desde que conheci Edward, ainda como Alec, era como se ele me puxasse para si. Algo nele me desarmava e isso me incomodava profundamente. Eu odiava me sentir assim. Não estava acostumada a lidar com esses sentimentos. Não desde a morte do meu pai. E isso me apavorava.

Não! Não podia permitir que isso me atingisse. Estava na hora de assumir o controle da situação, racionalizar todos os fatores e não me deixar levar. Isso era um relacionamento, mas não precisava necessariamente involver sentimentos mais fortes.

Afinal, um casamento para dar certo era necessário algo mais do que paixão e amor. Isso poderia acabar com o tempo, mas a amizade e cumplicidade, não.

Claro! Era exatamente isso que deveria ter em mente para manter meu compromisso com Edward.

Sem paixões. Ciúmes. Medos. Talvez um pouco de sexo. Sorri sapeca, lembrando das sensações que ele me causava. Ok. Muito sexo.

É. Seria perfeito.

**

O resto da semana seguiu tranquilamente. Pela manhã, como de costume, ia me ambientando a tudo o que aconteceu durante os últimos dez anos. Não era fácil, mas necessário. Minha mãe tentava ajudar, o quê de alguma forma pareceu nos unir. Percebia cada vez mais que nossa relação antes do acidente não devia ser muito próxima e eu queria mudar isso.

Na quinta-feira, Alice ligou me convidando para uma festa que faria em sua casa no sábado. Ela insistiu que seria uma boa oportunidade de me enturmar e conhecer seu marido. Quando comentei com Edward, ele pareceu reticente, achando que isso seria uma pressão pela qual eu não precisava passar ainda, mesmo assim, decidi aceitar o convite de Alice. Não podia ficar presa em casa e só perto da minha família. Uma hora precisaria seguir minha vida e essa era uma boa oportunidade. Ainda que contrariado, Edward me apoiou e concordou ir comigo.

Como se ele tivesse escolha. Se tivesse dito não, eu o arrastaria contra sua vontade. De modo algum iria sem ele.

Aliás, nossa relação nesse tempo havia evoluído muito. Inclusive visitamos Matthew juntos. Edward vinha com bastante frequência em casa e sempre fazíamos programas em família. Anthony adorava, mesmo que ainda continuasse a reclamar do fato de não morarmos juntos. Tentávamos, da melhor forma possível explicar a situação para ele, mas eu sabia que não era algo fácil de entender, eu mesma me via perdida em uma confusão de sentimentos e desejos.

Todos relacionados diretamente a Edward, claro.

Ele era a razão pela qual eu passava noites em claro, vendo fotos e vídeos no tablet. Tentando entender o que estava se passando comigo. Sempre que estávamos juntos, eu me via provocando-o, as vezes, sem nem perceber. E com ele era o mesmo, seu sorriso maroto, parecia colocado no rosto toda vez que dizia algo para me provocar. O tempo passava e eu me via ainda mais a vontade ao seu lado. Em muitos momentos, não querendo que fosse embora, mas nunca externando meu desejo. Assim era com os telefonemas também. Queria ligar, só que algo me segurava. Talvez um certo orgulho. Nunca fui de correr atrás de ninguém e pelo pouco que Alice me contou, isso não parecia ter mudado.

O plano de que eu poderia manter meu casamento na base da amizade e quem sabe, sexo, foi apenas uma ilusão. Quanto mais tempo eu passava ao seu lado, mais difícil percebia que seria ficar distante. Recordava que minha mãe não queria que me aproximasse de Alec por achar que estava apaixonada. Eu mesma cheguei a sentir esse medo ao ver o quanto mexia comigo. E agora, com tudo esclarecido, ao invés do medo ir embora, ele havia aumentado. Justamente porque eu tinha a certeza que seria inevitável me apaixonar por ele. E o pior era que, mesmo assustada, eu queria isso. Queria uma vida ao lado de Edward.

Notas finais
Beijos e até o próximo!