Uneven Odds

20 Capítulo 17 - Deslocada - Parte 1


Notas iniciais
Desculpem o atraso, mas essa semana a inspiração demorou para aparecer :-/ Boa leitura!

Bella POV

Terminei de me arrumar no closet e saí para meu quarto. Minha mãe, que estava sentada em uma poltrona ao lado da janela, levantou e veio na minha direção, sorrindo. Ela tinha passado a tarde inteira ao meu lado me ajudando. Havia me maquiado, arrumado meu cabelo e também a escolher a roupa que usava.

– O que acha? — dei uma volta para mostrar o resultado de toda a produção.

Minha maquiagem era bem leve e meu cabelo estava solto, com os cachos nas pontas bem marcados. Para finalizar, usava um vestido azul bem ajustado no corpo, mas confortável e um lindo par de saltos pretos. Era um alivio perceber que pelo menos para roupas e sapatos meu gosto não havia mudado muito, só que agora as peças e modelos, eram bem mais bonitos e estilosos.

– Está perfeita, filha — elogiou segurando minhas mãos. Tentei sorrir.

– Estou nervosa — confessei com o coração batendo acelerado.

Sabia que ir nessa festa era a melhor decisão, ainda assim, não deixava de ser um pouco assustador.

Como seria encontrar tantas pessoas que eu não lembrava?

– Não fique. Foi a decisão certa — disse com seu sorriso mais consolador.

– Edward acha que eu devia esperar.

– Ele só não quer que se sinta pressionada — respondeu como se fosse algo esperado.

– É, eu já percebi — disse, torcendo os lábios, não sabendo ao certo porquê isso me incomodava tanto.

– Não se preocupe demais com isso. Ele ainda está aprendendo a lidar com toda essa situação. Dê tempo ao tempo — aconselhou, carinhosa. Suas palavras tiveram o efeito desejado e comecei a me sentir mais calma.

– Estou feliz por estar aqui comigo, mãe — declarei, ela riu.

– Perdi a conta de quantas vezes você já me disse isso, Isabella. Eu sou sua mãe. É claro que estaria aqui com você — soltei um suspiro e me afastei, ficando de costas para ela.

– É que às vezes sinto que não éramos muito próximas antes do acidente — desabafei o que estava sentindo desde que passamos a morar juntas.

– Por que acha isso? — virei e a encontrei com o semblante um pouco tenso.

– Porque você não parece saber muito da minha vida, de mim — dei de ombros, sem saber direito como explicar essa sensação.

– É, você não está errada em se sentir assim, Isabella — começou dizendo parecendo um pouco perdida. — Não acho que foi proposital, sabe? Mas a distância, os compromissos, tudo isso acabou nos afastando. Eu sei, é fácil encontrar uma desculpa, só que foi o que aconteceu. Eu me senti culpada diversas vezes, como quando perdeu seu primeiro filho e eu não pude estar ao seu lado. Preferi enfiar a cabeça no trabalho a lidar com mais uma perda. Se não fosse por Edward, eu não sei o que teria acontecido com você.

Recordei as conversas com ela e Alice, e algo parecia fora do lugar.

– Tanto você quanto Alice me disseram que eu mudei depois da morte do meu pai, que fiquei mais racional, mais fria. Só que Alice comentou que eu fui me distanciando ao longo dos anos. Eu amava meu pai, muito, mas pelo que me lembro, eu tinha conseguido suportar a dor, levar uma vida no mínimo normal. Por que eu mudaria tanto? — ela desviou seus olhos e encarou as mãos. De alguma forma, eu havia tocado no ponto certo.

– Nós duas não lidamos bem com a perda do seu pai. Acho que ao invés de nos unirmos, nos separamos ainda mais — explicou com a voz levemente embargada. — Você era muito mais forte do que eu, sempre foi. Era tão parecida com Charlie — murmurou saudosa. — Você sofreu, mas não parou de viver. Eu, sim. Isso nos afastou. Você queria me ajudar, mas eu não queria ajuda. Eu esqueci de você, de tudo ao meu redor e me entreguei somente a dor. Perdi meu emprego e você precisou arrumar mais um trabalho para sustentar a casa. Eu me recuperei eventualmente, mas nossa relação nunca mais foi a mesma, você tinha mudado e eu nem podia julgá-la.

Sentei na minha cama, tentando absorver as informações que minha mãe estava dando. Não parecia algo fácil para ela e imaginava que não era mesmo. Afinal, estava admitindo sua parcela de culpa.

– Eu não sei o que pensar — sussurrei completamente desnorteada.

– Eu sinto muito, por tudo, filha — se aproximou e sentou ao meu lado. Olhei para ela incapaz de dizer qualquer coisa. — Depois que se casou com Edward passamos a nos falar com mais frequência e aos poucos fomos nos reaproximando. Eu até vim visitá-la quando soube da gravidez. Era como se tivemos ganhado a chance de sermos mãe e filha novamente — seu sorriso morreu quase que instantemente. — Então veio o acidente e eu achei que havia perdido você para sempre — ela não conseguiu mais segurar a emoção e começou a chorar. Sem pensar, eu a abracei o mais apertado que pude.

Era muita informação, mas ao mesmo tempo era o que eu precisava. Era como se tudo fosse um grande quebra-cabeça e as peças aos poucos iam se encaixando. Percebia cada vez mais que Edward estava certo, eu tinha que focar no que estava acontecendo e não ficar presa em conjunturas do que eu sequer me lembrava. O que importava no momento era que minha mãe estava ali, e mais do que isso, queria estar ao meu lado.

– Obrigada por me contar a verdade — agradeci, ela se afastou e enxugou o rosto, um pouco desajeitada, assim como eu.

– Eu não sabia a hora certa de dizer, você parecia tão perdida e precisava tanto de mim. Tive medo que quando soubesse o que aconteceu entre nós pedisse que eu fosse embora — neguei.

– Nunca, mãe. Não depois de tudo o que construímos durante esse tempo. É isso aqui que eu quero. Essa relação que temos agora — tentei parecer forte. Ela sorriu emocionada.

– Eu tenho tanto orgulho de você, Isabella — declarou. Senti minha garganta apertar e uma lágrima escorrer pelo meu rosto. — Não chora, filha — pediu com carinho.

– É tanta coisa, mãe — deixei escapar. Dessa vez, foi ela que me abraçou.

– Eu sei, meu bem. Eu sei — beijou minha cabeça e ficou me embalando, como se ainda fosse uma criança.

Aos poucos fui ficando mais calma e sentindo certo alivio. Era como se uma barreira tivesse se quebrado e tudo fizesse sentido. Pequenos detalhes de conversas desconexas.

– Acho que agora eu entendo um pouco melhor todo esse xodó que você tem pelo Edward — comentei e senti minha mãe rindo.

– Você gosta dele, não é? — apontou, inclinando para trás e me observando.

– Eu não sei — fui sincera. — Ele mexe comigo, muito, mas eu ainda não consigo definir exatamente o que isso significa.

– Não pense demais, meu amor — aconselhou e eu só pude assentir.

Era o que eu queria, só que parecia tão difícil. Torcia para que essa noite pudesse realmente começar a parar de querer examinar cada milímetro da minha vida e simplesmente deixar as coisas acontecerem.

Edward POV

– Por que eu não posso ir? — Anthony perguntou enquanto terminava de abotoar minha camisa.

– Eu já expliquei, filho. É uma festa só com adultos, vai ficar entediado.

– Mas a mamãe vai tá lá. Ela pode se divertir comigo — retrucou. Abaixei até ficar na sua altura. Anthony conseguia ser tão teimoso quanto Isabella.

– Acontece que faz tempo que a mamãe não vê os amigos dela, ela vai querer conversar com eles. Você vai se divertir mais aqui do que lá — ele cruzou os braços e fez um bico. — Vamos, não faça essa cara. Segunda-feira você vai ficar com a mamãe e o Matthew e vão poder brincar juntos — tentei animá-lo, mas pareceu surtir o efeito contrário.

– Por que ele pode morar com a mamãe e eu não?

– Você quer morar com ela? — perguntei surpreso.

– Quero, mas só se você também for — completou tocando no assunto de sempre.

– Ainda não está na hora, Anthony — argumentei, pressionando os dedos em minha testa.

– Por que não? A mamãe já está boa. Ela saiu com a gente. Foi divertido. Por que não podemos morar juntos? — inquiriu com a voz um pouco chorosa.

– É complicado, filho.

– Você prometeu que ia trazer ela de volta! Você prometeu! — gritou, ficando vermelho.

– Anthony! — repreendi, o segurando pelos braços. Completamente em choque pelo seu rompante.

– Me solta! Eu não quero você, quero a mamãe! — continuou gritando e empurrando o meu peito, querendo se soltar de mim. Não vi outra alternativa a não ser deixar ele ir. Quando se viu livre, virou de costas e correu para o seu quarto.

Que bela porcaria de pai eu sou!

– Era o Anthony gritando? — minha mãe apareceu na porta com o semblante preocupado.

– Foi — respondi ainda em transe. — Ele gritou comigo — completei em choque.

– Por quê? — sentei no chão e tapei o rosto com as mãos.

– O de sempre, quer que voltemos para casa. Eu não sei mais o que dizer para ele, mãe. Como explicar a situação. E agora, com a alta do Matthew, eu estou achando ele mais arredio, toda vez que falo do irmão ou ele ignora ou fica chateado.

– Converse com a Isabella. Acho que já está na hora de vocês voltarem para casa. Ela vai precisar de ajuda com o Matthew e não tem ninguém melhor que o pai.

– Eu não sei se ela está pronta para um passo tão grande.

– Então, pergunte. Ao menos que quem esteja com dúvidas seja você.

– Claro que não! Só quero que isso parta dela, não quero pressioná-la. Isabella já tem muito com o que lidar.

– E você, não? Pare de protegê-la, Edward! Isabella é uma adulta e se você deixar, vai ver que lidará com a situação melhor do que espera, aliás ela já está fazendo isso. Dê algum crédito a ela. Caso contrário vai ficar dando voltas sem nunca chegar a lugar nenhum e o pior, vai acabar fazendo seu filho odiá-lo por isso — despejou de uma só vez e saiu, sem me dar o direito a uma resposta.

Eu mesmo não sabia o que fazer. Ou até mesmo o que sentir. Sacudi a cabeça, querendo espantar tais pensamentos. Levantei do chão, peguei meu casaco no armário, as chaves do carro em cima da cômoda e fui até o quarto de Anthony. A porta estava encostada, mas pude ouvir a voz de minha mãe contando uma história para ele. Preferi não interromper, afinal eu não tinha nada de bom para dizer. Só que isso ia mudar. Eu não ia desistir. Não quando tudo estava indo tão bem.

Iria cumprir minha promessa. Por nossa família. Por mim.

Bella POV

Quando encontrei Edward na sala, precisei me segurar. Era como se algo me puxasse para ele com tanta força, que eu sentia vontade de sair correndo e pular em seus braços.

Claro que era uma ideia estúpida e ele ia me achar uma louca. Quando pensei em deixar as coisas acontecerem, isso não estava nos planos. Por isso segui com o cumprimento formal. Edward, apesar de parecer um pouco abatido, estava uma verdadeira tentação. E pelo modo como me olhava, era visível que também mexia com ele e isso me deixava satisfeita.

Nos despedimos de minha mãe e seguimos para o apartamento de Alice. Queria perguntar porque ele parecia chateado, mas não sabia como puxar o assunto. Felizmente o trânsito estava carregado e aproveitamos esse momento para conversar, esperava que ele mesmo dissesse o que estava aborrecendo-o.

Contei para Edward sobre minha conversa com minha mãe e como aquilo havia mexido comigo de uma forma boa, que apesar de um momento ter me sentido soterrada pelo excesso de informações, depois me senti aliviada. Ele ouviu tudo com atenção e pude ver em seus olhos admiração.

Em seguida, falamos sobre nossos filhos. Conversamos sobre a alta de Matthew e a enfermeira que iriamos contratar.

Eu não estava muito certa sobre isso, mas Edward insistiu que no começo seria necessário ter alguém, além da minha mãe, para me auxiliar nos cuidados com o bebê. A verdade é que eu queria que essa pessoa fosse ele. Sabia que Edward estaria por perto, só que eu o queria ainda mais próximo. Na mesma casa para ser mais exata. A única coisa que faltava era encontrar a coragem para trazer o assunto a tona.

– Anthony ficou chateado por não poder vir — comentou, mudando de assunto.

– Aposto que fez a maior birra — respondi com um sorriso, lembrando das caretas que ele sempre fazia quando eu o contrariava. Edward, no entanto, não sorriu. Na hora percebi que era isso que o estava afligindo.

– Foi mais do que isso — sua voz soou baixa.

– O que ele fez? — perguntei intrigada. Ele inspirou o ar com força, sem desviar os olhos da rua.

– Gritou comigo — confessou triste.

– Por que você disse que ele não podia vir? — rebati surpresa. Ele negou.

– Não, foi outra coisa. Eu prometi algo para ele e não cumpri — suspirou derrotado. — Anthony nunca havia gritado daquele jeito comigo — completou magoado e eu me senti mal. Não gostava de vê-lo assim. Tinha que animá-lo.

– Bem, eu andei lendo alguns livros sobre crianças nessa faixa etária e esse tipo de comportamento é normal. Já percebi isso pelas birras que ele faz quando está comigo — Edward franziu o cenho. — Não fique chateado, é só o modo que ele encontrou de chamar atenção. Acho que isso tem a ver com a chegada do Matt também. Ele anda com muito ciúmes e...

– Você leu livros sobre crianças? — questionou, surpreso, parando o carro em um semáforo.

– É, achei que ia me ajudar a entender melhor o Anthony — respondi um pouco sem graça pela sua reação.

Será que não foi uma boa ideia? Deveria ter perguntado para ele antes? Afinal ele era o pai, devia conhecer Anthony muito melhor do que eu, podia até ficar ofendido por eu querer me meter, sem nem lembrar nada.

Edward respondeu minha perguntas não feitas com um sorriso. Um enorme sorriso.

– Por que está sorrindo? — indaguei completamente confusa enquanto o sinal abria e ele dava partida no carro.

– Porque é muito bom poder conversar com você sobre esses assuntos e melhor ainda, é ver o quanto você se importa. Eu senti falta disso — respondeu e moveu sua mão sobre a minha. Senti meu corpo arrepiar e esquentar, tudo ao mesmo tempo.

Encarei nossas mãos unidas e de volta para Edward. Ele me olhou de relance e abriu um sorriso convencido, que me fez revirar os olhos e ele rir alto. Apertei sua mão na minha e virei o rosto para a janela, sem conseguir esconder meu próprio sorriso.

**

Chegamos no apartamento de Alice e Jasper e o ambiente já parecia bem animado. Assim como Edward. Conversei um pouco com os anfitriões e gostei muito de Jasper. Edward comentou que o irmão havia mudado muito depois que conheceu Alice e que agradecia a cunhada por ter feito seu irmão menos chato. Jasper deu um soco no ombro de Edward e ambos riram.

Seu comentário chamou minha atenção.

De alguma forma aquilo se refletia sobre nós também. Sobre minhas mudanças. Nem pude pensar muito no assunto, já que Alice me puxou e foi me apresentar a todos. Edward pareceu apreensivo, mas tentei tranquilizá-lo.

Eu tinha que fazer isso.

Só não imaginava que seria tão difícil.

Conforme as pessoas iam passando e me cumprimentando, uma certa agonia foi crescendo dentro de mim. Aquelas pessoas me conheciam e ao mesmo tempo eu não fazia ideia de quem eram. Alguns deixavam escapar alguns comentários ou piadas que só me deixavam ainda mais desconfortável. Nem mesmo a presença dos amigos de Edward, Emmett e Rosalie, que havia conhecido no jantar na última segunda-feira, conseguiu me animar.

O incômodo se tornou tão desconfortável que precisei pedir licença e escapar até o banheiro. Ultimamente sentia que esse era o único lugar que podia me esconder. Ou não.

– Isabella? Está tudo bem? — ouvi a voz urgente de Edward do outro lado da porta. É claro que ele viria atrás de mim.

– Sim, só preciso usar o banheiro — arrumei a desculpa mais óbvia.

– Ah... Ok. Desculpe o incomodo. Se precisar estarei ao lado do bar com Jasper — avisou e acabei sorrindo.

– Tudo bem — respondi, me sentindo um pouco mais calma. No entanto, só a ideia de voltar para lá já me deixava com o coração na boca.

Vamos, Isabella! São só pessoas.

Pessoas que me conhecem mais do que eu mesma.

Fechei os olhos por um breve instante. Esse era o meu maior problema. Seria sempre uma estranha em meu próprio corpo. O que eu não daria para recuperar minha memória. Para voltar a minha vida normal. Sem medos. Sem surpresas do passado. Sem ficar tensa em ver alguém e não saber se a pessoa é confiável ou não. Tantas coisas mudaram.

Como lidar com tudo isso? Às vezes eu tinha tanta certeza do que eu queria e outras, eu só gostaria de fugir. Não! Isso, não. Fugir não era a solução. Nunca foi. Nunca seria.

Tomei coragem e abri a porta, saindo do meu esconderijo. Fui caminhando pelo corredor até a sala. Parei e fiquei a certa distância, observando a todos. Vários grupos estavam formados. Alice conversava e ria com algumas mulheres enquanto Jasper estava em um canto com Edward. Suspirei. Não queria interromper nenhum deles e muito menos tentar uma conversa inútil com um desconhecido/conhecido.

A única estranha ali era eu mesma.

Peguei uma taça de vinho que um dos garçons me ofereceu e fui explorar o apartamento. Era um local amplo e bem decorado. Branco era a cor predominante, mas os quadros e algumas mobílias em cores mais vibrantes davam certo requinte e vida ao lugar. Em cada detalhe podia ver a influência de Alice.

Ao lado de um dos quadros, uma porta de correr toda de vidro chamou minha atenção. Abri e dei de cara com paredes recheadas de livros. Sorri. Esse era o lugar perfeito para ficar.

Deixei minha taça de vinho intacta sobre a mesinha de centro e comecei a vasculhar os títulos dos livros, como uma forma de me distrair.

– Entediada? — não era nem preciso virar para saber quem era.

– Mais para deslocada — respondi ao senti-lo bem ao meu lado. Ergui o rosto e fitei seus belos olhos verdes.

– Alice é um exagero com festas — comentou com um sorriso.

– Bom, pelo menos isso não mudou — brinquei.

– Ela sempre foi assim? — perguntou curioso.

– Pior — sussurrei como se fosse um segredo e Edward riu, relaxado e feliz. Sorri satisfeita e voltei a encarar os livros, sentindo aquela alegria rapidamente esvair. — Eu acreditei que estava pronta para isso, mas me enganei — confessei amargurada, o gosto da derrota queimando minha garganta como fel.

– Não deixe que isso a abale, Süsse. Você tentou e logo vai tentar de novo e de novo, até se sentir à vontade — me confortou e senti o costumeiro arrepio quando sua mão segurou a minha. — Eu que sou precavido demais, sempre fui. Tento evitar que sofra, mas acabo exagerando. Só quero que saiba que não importa as decisões que tome, eu estarei aqui, ao seu lado — suas palavras, tão belas, serviram como um bálsamo para todo o turbilhão de emoções que estava sentindo.

Incapaz de dizer qualquer coisa, deitei minha cabeça em seu peito e fui recebida pelos seus braços. Ali, embalada pelo seu calor e aroma, me senti em paz, como há muito não me sentia.

– Quer sair daqui? — queria responder que não, mas entendi que ele se referia a festa.

– Alice não vai ficar chateada? — perguntei, quase sem me mover.

– Ela vai entender — disse afagando minhas costas.

– Não quero ir para casa ainda — murmurei, Edward riu.

– Quem disse que vamos para casa? — questionou, ergui o rosto e o encarei desconfiada.

– Para onde vamos, então? — quis saber. Ele estendeu sua mão na minha frente.

– Confia em mim?

Sem tirar meus olhos dos seus, coloquei minha mão sobre a sua. Seu sorriso cresceu ainda mais. Edward segurou minha mão e saímos da biblioteca.

Não fazia ideia para onde iriamos. E nem me importava.

Notas finais
Finalmente estão progredindo. Será que está na hora de uns beijos e amassos?? rsrsrs E aí, para onde acha que o Edward vai levar a Bella?? Deixem seus comentários!! Enquete! Deixei essa pergunta no face e farei o mesmo aqui. Qual dessas duas músicas do Ed Sheeran vocês preferem para ser a trilha do nosso casal?? - Photograph - https://www.youtube.com/watch?v=kUWQCWRef5Y - Thinking Out Loud - https://www.youtube.com/watch?v=dLQ0QJUG3Hs A escolhida vai aparecer em uma cena muito fofa :3 Beijos e até o próximo!!