Uneven Odds

15 Capítulo 14 - Nós


Notas iniciais
Voltei!! E comigo mais um capítulo, curto, mas bem antes do que havia previsto! Eba!!! Boa leitura!!

Edward POV

Minha cabeça latejava. Parecia que ia explodir a cada batida do meu coração. Não estava familiarizado com esses sintomas, pelo menos, não nos últimos quatro anos. Abri os olhos e a primeira coisa que vi foi o relógio na cabeceira marcando onze horas.

Puta merda! Estava atrasado!

Sentei na cama em um rompante aumentando exponencialmente minha dor de cabeça.

– Porra! — exclamei, pressionando meus dedos contra a testa.

– Devagar. Aqui, isso vai ajudar — ergui o rosto e para minha surpresa, encontrei Isabella estendendo um comprimido e um copo na minha direção. Achava que ainda estaria brava comigo pela minha mentira. Peguei o remédio e tomei com a água, sem deixar de olhar desconfiado para ela. Lembrava vagamente de vê-la ontem, mas achei que fosse uma alucinação.

– O que está fazendo aqui? — perguntei um pouco seco, deixando o copo ao lado da cama. Ela se remexeu, constrangida. Pelo visto, não foi para brigar comigo.

– Queria conversar com você — sussurrou, virei o rosto, ignorando sua resposta. Levantei a coberta e percebi que ainda usava o mesmo par de calças da noite passada, mas sem camisa.

– Sua mãe me ajudou — comentou sem graça. Isso confirmava minha suspeita. Ela passou a noite aqui.

– Anthony? — perguntei ainda um pouco zonzo, mudando de assunto.

– Sua mãe o levou para a escola, e também ligou para seu trabalho e explicou que não iria hoje — acenei, tentando não demonstrar qualquer emoção.

– Ele viu você? — procurei saber.

– Sim, perguntou se eu vim buscá-lo — suspirei. Isso não era bom.

– Não devia ter ficado, sua presença aqui só vai deixá-lo ainda mais confuso — murmurei insatisfeito, pressionando minha testa, a dor ia diminuindo aos poucos.

– Eu conversei com ele, tenho certeza que entendeu — levantei a cabeça e a encarei incrédulo.

– Tem certeza? — devolvi irritado. — Você por acaso faz ideia do que está passando na cabeça dele? Dos pesadelos que ele tem toda a noite, pensando que você vai embora? Não, porque você não entende — acusei friamente. Ela deu um passo para trás como se eu tivesse acabado de agredi-la.

– Ale... Edward, eu... — fechei os olhos com força quando quase me chamou de Alec. Isso só me fazia lembrar da sua confissão.

– Melhor ir embora, Isabella. Não estou em condições de conversar com você hoje — avisei, levantando da cama e abrindo a porta. Em vão, ela tentou disfarçar seu choque com minha resposta. Pegou sua bolsa ao lado da poltrona que ficava no canto do quarto e se aproximou de mim. No breve instante que nossos olhos se encontraram, tudo o que eu queria era poder tomá-la em meus braços, só que algo me segurou. Talvez meu bom senso.

– Eu sinto muito, Edward. Por tudo — pediu, sua voz soou baixa e triste.

Arqueei minha sobrancelha. Não sabia exatamente pelo que estava pedindo desculpas.

Por não lembrar de mim? Por me trair? Por toda essa confusão?

Queria perguntar, mas nada saiu da minha boca. Ela suspirou e foi embora. Eu permaneci parado ao lado da porta, igual uma estátua enquanto toda nossa história passava pela minha mente. A primeira vez que nos vimos. As primeiras brigas. O primeiro beijo. A primeira vez. Praguejei e sem pensar em mais nada, saí correndo do meu quarto.

– Isabella! — ela parou no meio da escada e olhou para cima, surpresa. Desci rapidamente até ficarmos um na frente do outro. — O que você queria conversar? — não podia deixá-la ir sem saber o porquê de estar ali. Ela encostou no guarda corpo da escada, mantendo certa distância. Isso só me fez aproximar ainda mais. Isabella levantou a mão em um pedido silencioso para que eu não me aproximasse. Foi o bastante para que eu explodisse.

– É tão ruim assim ficar perto de mim? Me tocar? — questionei irritado, lembrando o modo como ela puxou sua mão quando nos encontramos naquele restaurante.

– Não é isso, é que... — balbuciou atrapalhada.

– Saiba que você adorava quando ficávamos juntos — disse chegando mais perto, tocando sua cintura. — Quando eu a beijava — senti sua respiração acelerar.

Não resisti e acariciei seu nariz com o meu, achei que ia me empurrar, mas não. Isabella entreabriu os lábios e fechou os olhos, oferecendo um convite que eu não iria recusar. Umedeci meus lábios, e a beijei. Deveria ser apenas um singelo selinho, mas eu não consegui me segurar. Precisava de mais, muito mais. Minha língua invadiu sua boca com mais avidez, Isabella parecia tímida e por um instante pensei que não estivesse gostando, entretanto, não demorou e suas mãos foram para minha nuca e cabelo, algo que ela sempre fazia, deixando-me louco. Abracei-a apertado, como se pudesse fundir nossos corpos.

Era como se tudo que tinha acontecido não tivesse passado de um pesadelo. E agora ela era minha de novo. Minha. Sorri, respirando com dificuldade não querendo parar de beijá-la, até que senti sua mão no meu peito, me empurrando. Aquilo foi como um soco no estômago. Sabia que havia sido precipitado.

Olhei para ela, esperando alguma bronca, um tapa, mas ela permaneceu calada, parecendo perdida. Então, para minha completa surpresa, começou a chorar. Instintivamente a puxei para os meus braços, ela me abraçou apertado, chorando contra o meu peito. Minha mãe apareceu, vindo da cozinha e me olhou preocupada, quando fez menção de vir na nossa direção, sacudi a cabeça, ela deu meia volta, nos deixando a sós.

Isabella se afastou, fungando e enxugando o rosto de qualquer jeito.

– Eu... desculpa... — pediu, descendo a escada, no entanto, eu a segurei. Ela me olhou confusa. — Você não queria que eu fosse embora? — rebateu nervosa.

– Eu já não sei mais o que eu quero, Isabella — confessei derrotado. Ela olhou para mim.

– Eu também não — respondeu em um sussurro e só então lembrei que eu não era o único que não sabia o que fazer ali. Ela estava tão perdida quanto eu. Desci dois degraus até que ficasse da sua altura.

– Você quis que eu a beijasse — afirmei. — Por quê? — seus olhos não desviaram dos meus.

– Eu queria lembrar e achei que...

– Me beijando isso ia acontecer — completei e ela assentiu, insegura.

– Sei que foi uma ideia estúpida, eu só pensei que talvez, não sei, pudesse dar certo — respondeu, movendo os ombros. Não sabia ao certo o que pensar. Claramente seu plano não deu certo, ainda assim, sua intenção era o que mais importava.

– Por que você queria lembrar? — perguntei intrigado, ela sorriu timidamente.

– Vi os vídeos e as fotos no iPad — confessou. Senti meu coração acelerar. Ela havia visto, finalmente. — Eu nunca quis uma família, Edward, mas aquelas imagens mexeram comigo. Eu estava feliz ali, muito feliz — ela mordeu os lábios, segurando para não chorar. — É por isso que eu quero lembrar, eu quero a minha vida de volta — disse com afinco.

Depois de ouvir todo o seu discurso, eu sinceramente não sabia dizer se ela queria mesmo lembrar da nossa vida ou apenas estava encantada pelo que tinha visto nos vídeos e fotos. Afinal, éramos uma família feliz, algo que Isabella, mesmo que inconscientemente, queria desde que perdeu o pai. E agora, com a lembrança da sua morte ainda recente em sua mente, ela via essa oportunidade. Por mais que eu quisesse que tudo voltasse a ser como era, não era fácil.

– Não é tão simples — respondi, ela assentiu, concordando.

– Eu sei que não é, ontem mesmo disse isso para minha mãe — suspirou. — Não é preciso ser um gênio para perceber que nosso casamento estava passando por problemas — comentou e eu fechei a cara, o assunto não me agradava em nada. — Eu queria poder garantir a você que suas suspeitas são infundadas, que eu não o traí, mas eu não posso. A única coisa que posso dizer, é que a Isabella que está na sua frente seria incapaz de fazer isso. Sei que não é uma grande garantia, na verdade, não é nada, mas você deve me conhecer, melhor do que eu mesma e eu não acredito que tenha mudado tanto assim. Você acredita? — deixou a pergunta no ar.

Suas palavras me pegaram completamente desprevenido. Eu queria dizer que acreditava nela, mas o ciúmes, as lembranças, o medo, não deixavam.

– Acreditaria se você não tivesse lembrado dele — acusei. Sua testa franziu.

– De quem está falando? — bufei. Que tipo de pergunta era essa? Ela não sabia?

– Oras, do Michael — Isabella me encarava como se eu fosse louco.

– Eu não me lembrei dele — afirmou, me deixando confuso.

– Como não? Você disse que haviam tido um caso, foi o que me falou no telefone — olhava para ela esperando uma resposta que explicasse tudo isso. Que tirasse todo esse peso que estava carregando.

– Eu disse a primeira coisa que veio a minha cabeça, não imaginei que ia interpretar dessa forma — Ela não lembrou dele? Não podia acreditar nisso!

– E de que forma achou que eu ia interpretar? — indaguei, completamente desnorteado. — Você tem a mínima ideia do que eu passei por causa disso? Das coisas que eu pensei? — esbravejei aborrecido.

– Pensou porque quis! — rebateu no mesmo tom. — Eu nunca disse que havia lembrado dele, se ficou assim, é porque é um idiota! — praguejou, surpreendendo-me e me fazendo abrir um sorriso enorme. Ela cruzou os braços e estreitou os olhos, irritada. — Posso saber porque está sorrindo? — desafiou. Céus! Havia esquecido como ficava linda brava.

– Porque você tem razão, eu sou um idiota — ela virou o rosto, mas pude perceber que sorria. — Se você não lembrou, como sabe que tiveram um caso — perguntei intrigado.

– Ele me disse — contou, voltando a me encarar.

– E você acreditou? — questionei aborrecido. Ela deu de ombros, sem saber o que dizer.

Jasper tinha razão! Era ele que estava colocando coisas na cabeça dela. Respirei fundo. Eu ia matar esse desgraçado. Agora! Subi as escadas correndo.

– Edward, espera! — Isabella pediu, mas continuei seguindo para o meu quarto com ela no meu encalço. Estava furioso.

– Eu vou acabar com a raça dele! — gritei, pegando minha camiseta no chão e um tênis no armário. Estava com tanta raiva. Por culpa do filho da puta eu quase fiz uma loucura. Ou seria por minha culpa? Minha testa franziu.

– Por quê? — sua pergunta chamou minha atenção. Parei o que estava fazendo e olhei para Isabella, incrédulo.

– Como por quê? Ele enganou você! Acreditei que fosse verdade quando pensei que tivesse lembrado. Agora, não. Sei que é mentira. Michael não é confiável — assegurei.

– Ele disse que foi antes — contrapôs, franzi meu cenho.

– Antes?

– É, em uma viagem que fiz a trabalho para a Inglaterra e que eu e você não estávamos juntos ainda, que eu voltei mais cedo por sua causa — sentei na cama, aturdido. — É mentira? — olhei para Isabella sem saber o que responder. Ela voltou por minha causa? Eu não sabia disso. – Edward, é mentira? — insistiu. Neguei.

– Não, é verdade. Não estávamos juntos — ela suspirou aliviada.

– Então, eu não traí você — concluiu, satisfeita. Sua afirmação fez com que eu finalmente percebesse a extensão do meu mal entendido. Eu quase pedi o divórcio. Quase coloquei tudo a perder.

– Não, não traiu — afirmei, ainda perdido em pensamentos. Eu era mesmo um idiota.

– O que vamos fazer agora? — perguntou hesitante. Olhei para ela e segurei sua mão, acariciando os nós de seus dedos.

– Vamos recomeçar.

Notas finais
Finalmente os desentendidos foram desfeitos o/ Animados para esse recomeço? Beijos e até o próximo!