Uneven Odds

11 Capítulo 10 - Telefonema


Notas iniciais
Boa leitura!

Bella POV

Assim que desliguei meu celular, minha mãe entrou no quarto.

– Você nem para avisar que chegou? Se não fosse pela Irina, acharia que ainda estava no hospital — reclamou. Sorri, levantando da cama.

– Não exagera, dona Reneé.

– Não exagera? — repetiu bufando. — Estava preocupada, especialmente depois do que aconteceu ontem.

– Eu sei, mas agora eu tenho aquele motorista brutamontes para me levar para todos os lugares. Não tem com o que se preocupar. À propósito, não deveria ter falado com Edward sobre o que aconteceu. Acho que ele já tem preocupações demais — ela sorriu, segurando minha mão.

– É claro que eu tinha que avisá-lo. Afinal de contas, ele ia acabar descobrindo de uma forma ou de outra. Jacob é irmão de Alice que é casada com Jasper. Imagina se isso chega aos ouvidos dele de outra maneira? Ele ficaria completamente desnorteado. Queria garantir que soubesse de todos os detalhes e que você está bem.

– Ele ficou muito preocupado? — perguntei, sem jeito. Ao mesmo tempo que gostaria que não se preocupasse, eu queria que ele se importasse comigo. Era tão confuso.

– Ficou, e louco de raiva do que o Jacob aprontou — bom, Edward compartilhava meu sentimento.

– Nem quero pensar nisso. Jacob me decepcionou demais. Quero ele longe de mim — afirmei com vigor.

– Faz muito bem — aquiesceu. — Agora, mudando para um assunto bem melhor: como meu neto estava hoje? — sorri.

– Cada dia melhor, o médico confirmou que na próxima segunda ele terá alta — senti meu peito comprimir, virei o rosto para a janela. — Preciso falar com Edward, sobre ele vir para casa — afirmei, sentindo um frio no estômago.

– O que está pensando em fazer?

– Ainda não sei — respondi incerta. Sem saber como agir.

– Quer que eu fale com ele? — sacudi a cabeça.

– Não, mãe. Eu quero fazer isso. Se precisar da sua ajuda, pedirei, mas por enquanto, acho que sou eu que tenho que tomar as rédeas da situação.

– Você está certa — concordou.

Seus olhos seguiram para minhas mãos e só então percebi que ainda segurava meu celular. Fui até o criado mudo ao lado da cama e o coloquei sobre o móvel.

– Com quem estava falando? — perguntou intrigada.

– Alec — respondi simplesmente. — Senti que precisava agradecer novamente pelo que fez por mim ontem — completei, virando para encará-la.

Apesar de contar como Alec havia sido um verdadeiro anjo para mim, minha mãe não parecia muito convencida.

– Não sei se é bom que mantenha uma amizade com uma pessoa que mal conhece — aconselhou.

– Eu sei que pensa assim, mas é porque não sabe como ele é. Alec é uma ótima pessoa. Divertido, cavalheiro, gentil. Muito mais confiável do que Jacob — defendi meu novo amigo.

– Jacob não é parâmetro de comparação para ninguém, o que ele fez está aquém da capacidade de compreensão. O que é mais um motivo para não confiar tão cegamente nesse estranho. Se Jacob, que era um amigo de anos, aprontou o que aprontou, o que dirá de alguém que conheceu há menos de um dia.

– Jacob já estava dando sinais que não era mais o mesmo, eu que ainda estava presa naquela ideia de que ele era o único que me entendia, só porque fazia o que eu queria. Agora, não. Eu tenho plena consciência do que me cerca. E me sinto segura perto do Alec. É bom conversar com ele. Pela primeira vez, em semanas, me sinto uma pessoa normal. Não alguém que perdeu a memória e praticamente uma vida inteira — seus olhos estreitaram.

– Você precisa se afastar dele. Não faz sentido uma mulher comprometida, conversando com outro homem — revirei meus olhos.

– Mãe, ele ainda é louco pela esposa — argumentei.

– Isso não importa, Isabella. O que me interessa é o que você sente e sinceramente, não estou gostando nada do que estou vendo na minha frente — minha testa franziu com seu tom acusatório.

– Do que está falando? — ela sacudiu a cabeça.

– Nada, só não gosto, assim como não gostava de Jacob perto de você. Só isso — desconversou.

– Você vai precisar confiar em mim sobre isso, mãe.

– O que quer dizer? Não vai deixar de falar com ele?

– Não, Alec é um bom amigo e quero manter assim.

– Isabella...

Alguém bateu na porta, interrompendo-a.

– Pode entrar — pedi. Irina, a governanta, adentrou no quarto.

– Com licença, senhora Cullen. Um homem chamado Michael Baum está esperando na sala — coloquei as mão no rosto. Saco! Havia esquecido completamente do meu compromisso com ele.

– Obrigado, Irina. Por favor, leve-o até o escritório e diga que em poucos minutos estarei lá. Não se esqueça de oferecer algo para ele comer e beber — ela assentiu e saiu do quarto, fechando a porta.

Corri para o banheiro. Precisava tomar um banho rápido e tirar o cheiro de hospital do corpo. Minha mãe me seguiu.

– Pode fazer companhia para ele enquanto eu me arrumo? — ela pegou as roupas que deixei jogadas pelo chão e colocou no cesto.

– Claro — respondeu um pouco seca, saindo do banheiro.

Não estava entendendo sua atitude hostil.

Por que minha amizade com Alec parecia incomodar tanto? O que ela não estava me dizendo?

Tudo bem que não conhecia Alec bem e deveria ter cuidado, mas ela precisava confiar em mim. Eu geralmente era boa em ler as pessoas, saber suas intenções. Errei com Jacob pelas circunstâncias. Baseie na pessoa que conheci na minha adolescência, sem me dar conta o quanto havia mudado.

Peguei o sabonete e decidi não pensar nisso por agora. Uma hora ela iria entender que Alec não era ameaça nenhuma.

Terminei meu banho e me vesti correndo. Colocando uma calça jeans escura e uma camisa branca. Afinal, seria um treinamento para meu trabalho. Nada como me vestir de modo mais formal.

Desci as escadas com certa pressa e me encaminhei até o escritório. Parei na porta e respirei fundo antes de girar a maçaneta. Minha mãe conversava tranquilamente com Michael, sentados no sofá de canto, enquanto tomavam um café.

– Boa tarde, Michael. Desculpe o atraso — ele se levantou e me cumprimentou. Os olhos azuis gentis e convidativos.

– Não peça desculpas, Isabella. Eu que me adiantei um pouco — rebateu de modo cordial.

– Bom, vou deixá-los trabalhando — minha mãe se pronunciou, pegando a bandeja com as xícaras e saindo do escritório.

Senti o nervosismo de ficar sozinha com um homem estranho me atingir. Ok, ele não era um completo estranho, já que trabalhamos juntos, ainda assim não me sentia confortável.

– Obrigada novamente por fazer isso — ele sorriu e em sua bochecha se formaram duas covinhas. Era uma graça.

– Não tem porque agradecer, você também me ajudou quando cheguei da Inglaterra.

– É, mas acho que darei mais trabalho para você do que você deu a mim — ele riu de um modo relaxado e tranquilo.

– É o que veremos — piscou para mim. Devolvi o sorriso, percebendo o clima mais ameno.

– Por favor, sente-se — apontei uma das cadeiras em frente a uma grande mesa que ficava no centro do ambiente. Ele pegou alguns livros que trouxe, seu notebook e colocou sobre a mesa, puxando a cadeira ao lado para que eu me sentasse. Acenei, agradecendo em silêncio.

– Por onde quer começar? — questionou, ligando seu computador.

Apesar de sempre gostar de tecnologia, ainda me sentia reticente em usar alguns equipamentos. Meu iPad, por exemplo, talvez por carregar tantas memórias, permanecia esquecido dentro da gaveta do meu criado mudo. Meu computador também seguia essa linha, parecia algo perigoso e letal, o qual eu nem sequer ousava me aproximar. Percebia agora que precisava perder esse medo, caso contrário, não poderia exercer qualquer profissão.

– Poderia me explicar o que eu fazia? — perguntei um pouco sem jeito.

Ele sorriu, pegando um caderno no meio da pilha de livros que havia trazido. Puxou um lápis do seu estojo e começou a desenvolver sobre a empresa que eu trabalhava e as funções que exercia.

Michael era calmo e prestativo. Sabia balancear o humor e a seriedade de uma forma graciosa. Sem contar sua paciência comigo e minhas infinitas perguntas. Não era difícil entender porque nos tornamos bons colegas de trabalho. Éramos muito parecidos, em vários aspectos, e isso aos poucos foi me deixando mais à vontade na sua presença.

Por volta das sete da noite, minha mãe trouxe um lanche para nós e aproveitei para matar minha curiosidade sobre como nos conhecemos.

– Você foi fazer um treinamento na filial da empresa em Londres e eu era um dos responsáveis pelo setor — explicou tranquilamente enquanto tomava seu chá com biscoitos. — Nos demos bem instantaneamente — sorri, sabendo que fazia todo o sentido.

– Quanto tempo fiquei na Inglaterra?

– Alguns meses — seu semblante alterou-se, parecendo um pouco incomodado pelas lembranças. — Você deveria ficar um ano, mas adiantou sua volta.

– Por quê? — ele colocou sua xícara sobre a bancada.

– Edward — respondeu simplesmente, como se isso explicasse tudo.

– Ah, nós estávamos juntos? — questionei, mostrando o quanto estava perdida nesse assunto.

Alice havia mencionado que Edward e eu passamos por muitas coisas, mas não fazia ideia do quê. Minha mãe sabia muito pouco sobre o início do nosso relacionamento, haja visto que acompanhou tudo a distância. Alice, que era a única que podia me esclarecer alguns pontos, ainda não queria falar comigo. Agora tinha Michael, que pelo visto, sabia mais sobre mim do que poderia imaginar.

– Juntos? Você e Edward? — devolveu a pergunta. Franzi minha testa em resposta.

– Sim, quem mais poderia ser? — sorri, achando graça, mas ele ficou sério, encarando qualquer coisa menos eu. Minha espinha arrepiou e senti meu couro cabeludo pinicar. — De quem achou que eu falava? — questionei. Ele abaixou a cabeça, antes de voltar a olhar para mim.

– De nós — fiquei parada absorvendo aquelas duas pequenas palavras. Nós? Existia um nós?

– O que quer dizer?

– Nós tivemos um relacionamento enquanto estava na Inglaterra — explicou com calma, assim como fazia com tudo. Senti meus batimentos cardíacos acelerarem e minha cabeça pesar.

– Eu traí Edward? — a pergunta saiu em um sussurro. Estava horrorizada com essa perspectiva. Felizmente, sua reação espelhou a minha e seus olhos arregalaram.

– Não, claro que não. Vocês ainda não estávamos juntos. Quer dizer, não oficialmente, já que ele parecia não sair da sua mente — respondeu desgostoso, claramente aborrecido com esse ideia.

– Eu não entendi — ele fechou os olhos por um breve instante.

– Não acho que isso importa agora. Desculpe por trazer isso à tona quando você ainda está tão fragilizada com o acidente. Nem deveria ter tocado nesse assunto — disse, desligando seu computador e recolhendo seu material.

– Por favor, não se sinta mal por isso. Eu que fico cada vez mais curiosa sobre essa vida que eu tinha e não me lembro mais — Michael segurou minha mão com delicadeza. Ergui a cabeça e encarei-o. Seus olhos me fitavam com um sentimento que eu não conseguia discernir.

– Tenha a certeza, que o que precisar, pode contar comigo — garantiu com segurança, deixando um beijo casto sobre as costas da minha mão.

Observava a cena, procurando em minha mente algum sentimento além da simpatia por esse homem. Desejo talvez? Mas nada vinha à tona. De um modo estranho e confuso, me vi comparando-o com Alec, alguém que acabará de conhecer, mas que despertará mais sentimentos em mim do que ele, que ao meu ver, não passava de um colega de trabalho, apesar do nosso suposto passado juntos.

Agradeci sua atenção e me afastei, já incomodada com a intimidade que mostrava ter comigo e que na minha mente não parecia certo. Michael terminou de arrumar suas coisas e prometeu voltar no sábado seguinte, para continuarmos nossas aulas. Por um breve momento, pensei em cancelar tudo. A tarde havia sido produtiva, mas ao contrário do que imaginava, não lembrava de nada relacionado ao que fazia. Talvez todo esse esforço não passasse de uma perda de tempo. E mesmo Michael sendo extremamente cortês e educado, algo no modo como me olhava, dizia que seus sentimentos iam muito além de uma simples amizade. Precisava pensar bem, antes de ter certeza se tudo isso valia a pena ou não.

Assim que ele foi embora, passei o resto da noite introspectiva. Perdida em meus pensamentos. A única coisa que me animou foi conversar com Anthony. Ele contou todo animado sobre o acampamento que fez com o pai e como se divertiu ao sair para patinar com ele. Edward era mesmo um paizão. Um homem admirável e incrível. Suspirei.

O que será que me fez ficar com Michael se eu já não tirava Edward da cabeça? O que Michael quis dizer com “vocês não estavam juntos oficialmente” ? O que isso significava? Será que Edward e eu teríamos brigado e por isso eu fiquei com ele? Para me vingar? Eu seria capaz disso?

Argh! Eram tantas perguntas sem resposta.

O pior é que eu nem poderia perguntar para minha mãe, já que, por certo, ela nem fazia ideia sobre o que tinha acontecido e também porque passou o restante do dia de cara fechada, claramente me ignorando. Ela sempre fazia isso quando não concordava com minhas decisões. Ela acreditava que assim, eu mudaria de ideia.

Deitei e fiquei revirando na cama, incapaz de conseguir pegar no sono. Pensando em tudo o que tinha acontecido. No que Michael havia me dito. Não conseguia tirar isso da cabeça. Não sabia bem o porquê, mas me incomodava saber que tinha tido um caso com ele. Ainda que não estivesse oficialmente com Edward na época, algo não parecia certo. Queria conversar com alguém, desabafar, mas a única pessoa que vinha a minha mente, talvez não fosse a mais indicada.

Olhei meu celular sobre o criado mudo e senti meu coração bater mais rápido. Sentei na cama, pegando o aparelho em minhas mãos e sem pensar, me vi ligando para ele.

Droga! O que eu estava fazendo?

Cancelei a ligação e coloquei o celular no seu lugar, voltando a deitar na cama. Encarei o teto. Apesar de tudo o que fez por mim, no fundo minha mãe tinha razão, ele era um estranho e eu mal o conhecia.

Então porquê eu só conseguia pensar nele? Bufei, virando na cama. Era melhor tirar essa ideia da cabeça. Ele devia estar em algum lugar com os amigos. Se divertindo. Com outras mulheres...

O som do celular vibrando contra a madeira do criado mudo tomou conta do quarto. Minha respiração ficou mais rápida e meu coração acelerou novamente. Peguei o aparelho com as mãos trêmulas enquanto seu nome aparecia na tela.

Alec.

Meu polegar estremeceu em direção ao botão vermelho, mas antes que o alcançasse, eu mudei de ideia e respirando fundo, atendi a ligação.

– Alô — disse, torcendo para que ele não percebesse meu nervosismo.

– Isabella? Está tudo bem? — perguntou urgente, com uma preocupação latente em sua voz.

– Sim, desculpe ter ligado essa hora. Eu só... — meu dedos mexiam no lençol, como uma forma de distração. Queria dizer que precisava conversar, mas não sabia como. O que eu diria?– Deixa para lá, eu não devia ter ligado. Desculpe novamente.

– Não, não tem problema algum — apressou em dizer. — Eu também não estava conseguindo dormir — confessou, algo que me impressionou.

– Sério? Pensei que estivesse em alguma balada ou saído com os amigos, afinal é sábado.

– Não, eu sou muito caseiro — acabei sorrindo com sua resposta. — Mas já que estamos ambos sem sono, que tal conversarmos um pouco? — ofereceu e me senti instantaneamente bem. Era como se ele pudesse ler meus pensamentos.

– Seria bom. Como foi seu dia?

– Poderia ter começado melhor — respondeu um pouco tenso.

– O que aconteceu?

– Eu briguei com um cara — sua voz soou baixa.

– Você se machucou? — foi a primeira pergunta que veio a minha mente. Ele riu.

– Não, eu não dei chance para ele me atingir — ouvi sua respiração pelo telefone. — Esse não sou eu, Isabella. Eu juro. Eu só estava com tanta raiva — completou, parecendo realmente arrasado com o que tinha acontecido. — Por um segundo, fiquei com medo de cometer uma loucura — sua confissão m pegou de surpresa.

Ele seria capaz de matar? E por que estava confessando isso para mim?

Sua mãe avisou. Ela estava certa sobre Jacob, talvez esteja certa sobre Alec também. Se afaste dele.

Sacudi a cabeça. Ela conhecia Jacob. Alec, não. Ele era diferente. Eu sentia isso.

– Mas não cometeu. Você é um bom homem, Alec. E tenho certeza que tinha suas razões para estar com tanta raiva dessa pessoa — as palavras saíram da minha boca antes que pudesse registrar.

– Não tem medo de mim? — murmurou, sua voz carregada de insegurança e medo.

– Não, eu acredito em você — afirmei com sinceridade.

– Obrigado, Isabella. Eu... eu sei que não deveria despejar isso sobre você, mas eu precisava desabafar. Isso já estava me sufocando. Estava me sentindo um monstro.

– Você não é. Posso não conhecê-lo o suficiente, mas um sexto sentido, instinto, não sei, algo me diz que posso confiar em você. Eu me sinto segura ao seu lado e já tem um bom tempo que não me sinto assim com alguém — confessei.

– Você não faz ideia do que isso significa para mim. Saber que se sente assim perto de mim — disse, soando realmente agradecido. Sorri e decidi mudar de assunto. Deixar o clima mais leve.

– E como foi o restante do seu dia?

– Melhor, muito melhor. Saí com meu melhor amigo, foi bom para me distrair e esquecer o que aconteceu. E você, o que fez hoje?

– Nada demais — fui evasiva. — Conversei há umas duas horas com meu filho.

– Ah, é? E sobre o quê? — perguntou interessado.

– Muitas coisas, ele estava elétrico pelo telefone — ri, lembrando de toda a energia do meu pequeno. — Contou que foi patinar com o pai hoje e sobre o acampamento improvisado que fizeram ontem na sala. Deve ter sido divertido — comentei sonhadora.

– Você não estava junto?

– Hum... Não — respirei fundo e no instante seguinte me vi desabafando. — Acho que não cheguei a comentar, mas eu e meu marido não estamos morando juntos. Por causa do que aconteceu comigo, a perda de memória... — comecei a balbuciar. — Eu queria reencontrá-lo, ter nossa família unida... só que eu tenho...

– Medo? — finalizou.

– É, eu sei que é bobagem — murmurei, passeando meus dedos pelo travesseiro ao lado da cama, aquele que devia pertencer ao meu marido.

– Não, não é. Deve ser uma sensação horrível, como entrar em uma história pelo fim, sem saber o que aconteceu para chegar até ali — sua resposta me surpreendeu. Ele havia resumido em uma frase, exatamente tudo o que eu sentia.

– É isso mesmo! Eu sei que ele deve ser uma pessoa extraordinária, um pai incrível, mas eu gostaria que houvesse outra forma, não sei. Ser apresentada ao homem que eu deveria amar, com quem tenho dois filhos, parece tão estranho. E se isso não bastasse, a cada dia eu descubro detalhes da minha vida que me deixam ainda mais confusa e perdida. Eu não sei o que fazer, Alec — suspirei. — Eu nem devia jogar tudo isso em cima de você. Sinto muito.

– Não sinta. Sabe, eu tenho ao meu redor inúmeras pessoas apontando e dizendo o que eu deveria fazer em relação a minha separação. Julgando, mesmo em silêncio minhas atitudes, por isso não posso falar com eles sobre nada. Conversar com você me faz bem, Isabella. Sentia falta disso, de falar sem medo de me abrir — sorri, contente por saber que ele confiava em mim.

– Eu também me sinto assim — admiti. — Todo mundo parece saber mais da minha vida do que eu mesma. É sufocante. E com você, não, tudo parece mais simples — mais completo.

– O que aconteceu hoje? — perguntou de repente, deixando-me confusa.

– Como assim?

– Eu sei que tem algo a incomodando. Pode me dizer — incentivou. Virei na cama e voltei a encarar o teto.

– Eu estou fazendo um treinamento para tentar voltar ao trabalho e hoje foi o primeiro dia. Esse homem, Michael, ele foi meu colega e veio até em casa para me ajudar... — parei de falar, sem saber como continuar.

– E?

– Nós tivemos um caso...

Ouvi um barulho do outro lado da linha e o telefone ficar mudo.

– Alec? Aconteceu alguma coisa? Alô? Alec?

Notas finais
Esse final foi cruel... Não me matem!! Beijos e até o próximo!!