Uneven Odds

12 Capítulo 11 - Lembrança


Notas iniciais
Muito obrigada pela recomendação, Flavia Caldeira Brant. Sei que é complicado recomendar fics ainda no começo, por isso agradeço imensamente a confiança. Espero que a história continue agradando :) Agora dois recados: Primeiro: quero agradecer por todos os comentários. Adoro saber o que estão achando da história e principalmente, porque os comentários me animam a continuar escrevendo. Por tudo isso. Muito obrigada!! Segundo: sei que algumas coisas na fic podem parecer um pouco confusas no momento. Vários personagens, Michael, Alec, Edward, Jacob. De qualquer forma, quero dizer que logo as peças vão se encaixar e saberemos um pouco mais do passado da Bella e do Edward, começando pelo capítulo de hoje. Boa leitura!

Edward POV

O celular deslizou da minha mão e foi direto para o chão acarpetado... O mundo ao meu redor ficou silencioso e sem cor, sem vida. Eu só sentia meu coração batendo a mil por hora. As batidas ecoando ao pé do meu ouvido, pontuando cada palavra conforme elas me matavam um pouco mais por dentro.

Nós tivemos um caso.

Nós. Tivemos. Um. Caso.

Minha mente repetia em um ciclo infinito. Meu corpo estava entorpecido. Assim como naquela vez. Era como se essas palavras confirmassem tudo o que tinha acontecido. Tudo o que ela havia dito. Uma testado de certeza. Eles eram perfeitos um para o outro. Eu sabia disso. Sempre soube. Eu devia ter acreditado na época, mas eu não consegui. Achei que fosse mentira... que ela só havia dito para me machucar. Mas não. Eu me enganei. De novo, eu me enganei. E como punição, a memória, a lembrança, o momento que eu preferia esquecer, veio a tona, só para caçoar do meu sofrimento.

– O que você estava fazendo com ele? — Isabella seguiu calada para nosso quarto. — Não vai responder? — respirei fundo, tentando em vão controlar minha raiva. — Vai me ignorar?

– O que você quer que eu diga, Edward? — perguntou irritada.

– Quero a verdade, porra! — ela sacudiu a cabeça.

– Não, não quer. Você diz que quer a verdade, mas quando eu sou sincera você não acredita em mim, do que adianta? A única coisa que você consegue enxergar é o que você quer, Edward. É esse seu ciúmes estúpido que está tomando conta do seu cérebro.

– Estúpido? Eu vi, Isabella! Ninguém me falou nada, eu vi!

– Viu o quê? Posso saber? — questionou aborrecida. Antes que minha mente viajasse para algo que já havia enterrado, preferi me manter no presente.

– Vocês dois, conversando e rindo, parecendo um casal patético de namorados! Há quanto tempo estão juntos? Fala, Isabella! — peguei a primeira coisa que vi na minha frente e joguei contra a parede. Ela se assustou quando o objeto se espatifou.

– Para com isso, Edward...

Só que eu não parei. A raiva me cegou de uma forma que eu esqueci tudo ao meu redor. Esqueci que ela estava grávida, o quanto eu a amava. Esqueci tudo o que vivemos. Eu só via ela e ele juntos na minha frente. Juntos!

– Você sentiu falta, não foi? Da sua vida de antes, da liberdade, de poder fazer o que quiser, onde quiser, com quem quiser... — ela deu um passo para trás, completamente em choque. Meu peito subia e descia, a respiração errática e acelerada.

– Eu... eu — balbuciou, sem saber ao certo o que dizer, como se defender. Então me olhou com determinação e foi minha vez de sentir medo. — Eu cansei, não dá mais. Não aguento mais isso! Não podemos continuar assim! — tentei não me deixar abalar. Ela nunca foi minha. Eu que fui burro suficiente para insistir nessa história. Todos diziam que eu ia sofrer e estavam certos. Sempre estiveram.

– Quer separar, Isabella? — rebati ríspido. — Ótimo! Mas tenha a certeza que farei o que estiver ao meu alcance para que meu filho fique comigo — apontei para seu ventre. — Você não nasceu para ser mãe. Para ser esposa. Eu nunca devia ter me casado com uma vadia como você — seus olhos arregalaram e seu maxilar tremeu, o rosto transformado em dor e banhado em lágrimas. — Some da minha casa, da minha vida, da vida do meu filho! — indiquei a porta. — SOME! — gritei alto, como se as palavras pudessem fazer a dor que eu sentia sumir. Como se o seu sofrimento fosse capaz de anular o meu.

– Canalha! Eu odeio você! Odeio! — vociferava enlouquecida, vindo na minha direção e batendo contra meu peito. Segurei seus braços com força, a afastando de mim, tomando cuidado com seu ventre dilatado.

– Você está grávida, Isabella! Cuidado!

– Agora você lembrou disso? Agora?! Vai se foder! — retrucou me empurrando e me dando as costas.

Pensei em segurá-la, mas não o fiz. Imagens que eu queria tanto esquecer dela com aquele desgraçado apareciam na minha mente. Eles se beijando. Gemendo. Ela dizendo o nome dele. Como eu poderia pensar que não estava acontecendo o mesmo agora?

– E quer saber a verdade, Edward? — perguntou ao chegar na porta do close, chamando minha atenção. — Eu transei sim com ele e ele é muito melhor do que você. Muito mais homem, seu cretino!

Um som. Um barulho irritante me despertou do pesadelo. Abri os olhos e encarei meu celular no chão. Vibrando e tocando. Seu apelido piscava na tela.

Süsse

Peguei o parelho e fiquei olhando para ele como se fosse algo perigoso. Coloquei no mudo enquanto ainda tremia contra minha mão. Eu não queria atender. Não queria falar com ela.

Deitei na cama e joguei o celular ao meu lado.

Acabou...

Você é um idiota.

Sua voz soou na minha mente, delicada e calma, mesmo quando me dava bronca. Sorri com tristeza. Sem pensar, retruquei em voz alta:

– Por quê?

Porque eu escolhi você. Eu me casei com você. Eu amo você. Só você, Edward.

Mas lembrou dele. Lembrou que teve um caso com ele.

Suspirei derrotado. Talvez esse fosse o real motivo de não querer se encontrar comigo. Devia estar se sentindo culpada. Por isso ligou. Queria conversar. Desabafar. Sem nem imaginar que eu era seu marido.

Peguei o telefone que ainda vibrava sobre a cama e o atendi. Não adiantava fugir, tinha que encarar de frente meus problemas.

– Isabella... — comecei, mas ela me interrompeu, afobada.

– Alec! Ainda bem que você atendeu. Aconteceu alguma coisa? Eu ouvi um barulho e o telefone ficou mudo. Estava preocupada. Você está bem? — sua preocupação exagerada trouxe um breve sorriso aos meus lábios.

– Estou, só tropecei e o celular escorregou para debaixo do armário — inventei uma desculpa qualquer.

– Se machucou?

– Nada que eu não possa superar — respondi secamente, incapaz de disfarçar a tristeza na minha voz.

– Tem certeza que está bem? — inspirei o ar com força.

– Sim, não se preocupe.

– Você me assustou, já estava pensando em arrumar um jeito de rastrear seu número para mandar socorro — meu sorriso voltou e senti meu corpo aquecer. Era uma boa sensação saber que ela se importava comigo.

– Não era para tanto, Süsse... — parei assim que percebi meu deslize. Droga!

– Süsse? — questionou intrigada. Apertei minha testa com a ponta dos dedos.

– É como eu costumava chamar minha esposa — expliquei. Ficamos em silêncio. Não sabia ao certo o que isso significava. Será que ela teria lembrado de algo?

– Ah, o que significa? — sua resposta derrubou meu ânimo e esperança.

– Doce, docinho, em alemão. Foi onde passamos nossa lua de mel — recordei. — Ela não conseguia dizer a palavra inteira e para provocá-la, passei a chamá-la assim. No começo, ela ficava brava, mas depois passou a amar — comentei saudoso. Pedindo mentalmente que ela se lembrasse também. Mas de novo o telefone ficou mudo. Essa era a minha deixa. — Isabella? Eu queria...

– Você deveria lutar por ela, pela sua esposa — sua afirmação me interrompeu, fiquei calado enquanto ela continuava. — Eu sei que não deveria me intrometer, mas o modo como fala dela é tão bonito. Algo assim não pode acabar — nunca havia ouvido Isabella falar daquela forma romantizada. Ela sempre foi do tipo mais prático e direto. Estava pasmo e admirado. — E se ela não quiser nada com você, desculpe, mas é uma imbecil — completou determinada. Agora sim, era a Isabella que eu conhecia. Queria poder rir, só que não conseguia.

– Será que podemos conversar, quer dizer, pessoalmente? Tem assuntos que eu prefiro não comentar pelo telefone.

– Claro. Quando gostaria de sair?

– O que acha de amanhã? Pode ser?

– Pode. Onde?

– Tem um restaurante muito aconchegante perto do lago. Eu mando o endereço para você e nos encontramos lá.

– Ok. Nos vemos amanhã então — ela hesitou por um instante. — Boa noite, Alec.

– Boa noite, Isabella — me despedi e desliguei o telefone.

Precisava pensar muito bem como falaria com ela. Como contaria a verdade. Quem sabe antes não deveria questionar mais sobre o assunto Michael. Descobrir tudo o que ela lembrou sobre ele. Mesmo que machucasse, eu precisava saber o que aconteceu. Porquê ela me traiu. Porquê lembrou dele e não de mim.

– Pai? — levantei a cabeça e vi Anthony na porta. O rosto banhado em lágrimas. Será que ouviu nossa conversa? Abri meus braços e ele veio correndo.

– O que foi, filho? — ele fungou contra o meu peito.

– Pesadelo — murmurou. — Posso dormir aqui? — abracei-o com mais força, beijando seu cabelo.

– Claro que pode — ele se afastou e limpou o nariz com a manga do pijama. Recebendo um olhar recriminador meu.

– Isso não é lugar de limpar o nariz, rapaz — avisei, ele fez uma careta e pediu desculpas, depois tirou a camisa do pijama, ficando com uma regata branca, que usava por baixo. Peguei a roupa suja e levantei da cama, erguendo a coberta. Anthony entrou de uma só vez. Segui para o banheiro.

– Onde vai? — perguntou assustado.

– Pegar um papel para limpar esse nariz direito — ele riu, se encolhendo na cama.

Joguei sua roupa no cesto e lavei as mãos e o rosto na pia, lutando contra a ânsia que estava sentindo. Minha vida estava de cabeça para baixo e eu não fazia ideia de como colocar tudo em seu lugar.

– Papai! — Anthony chamou. Enxuguei o rosto com pressa, peguei o papel higiênico e voltei para o quarto.

– Assoa o nariz aqui — ele fez o que pedi. Joguei o papel na lixeira do banheiro, lavei as mãos e voltei para o quarto. Peguei uma camisa minha e dei para meu filho. Deitando ao seu lado.

– Está melhor? — perguntei, afagando seu cabelo. Ele assentiu, me abraçando.

– Eu sonhei que a mamãe não me queria. Que ela foi embora, igual a Tanya — senti meu peito apertar com sua confissão.

– Sua mãe te ama, Anthony. Ela não vai deixar você. Nunca mais — garanti com segurança. Pelo menos para ele eu poderia assegurar isso.

– Eu quero voltar para casa.

– Eu sei. Eu também, filho — beijei sua cabeça. — Eu também.

Bella POV

Coloquei o telefone no seu lugar, sentindo um certo mal estar. Alguma coisa tinha acontecido com ele. Esperava que não fosse nada sério. Suspirei, recordando o modo como ele falava de sua esposa ou melhor, ex-esposa. Era uma mulher de sorte.

Deitei na cama e encarei seu lado vazio. Alec havia resumido perfeitamente meu receio em reencontrar meu marido. Era como entrar em uma história pelo fim. E por alguma razão, eu sentia que não havia sido um final feliz.

**

– Isabella, onde você vai? — minha mãe perguntou seriamente assim que terminei de descer as escadas.

– Vou sair, e antes que diga qualquer coisa, vou com o motorista. Então não tem com o que se preocupar.

– É aí que a senhorita se engana. Quero saber onde vai, ou melhor, com quem vai se encontrar? — decidi ser sincera.

– Com Alec, mãe.

– Eu não acredito nisso, Isabella! Eu já disse para se afastar desse estranho! Você não vai sair com ele — segurou meu braço, mas eu puxei-o com força.

– Vou sim! Já disse e repito, ele é um bom amigo. Alguém que confio e que claramente está precisando de uma amiga.

– Confia? Como, Isabella? Você o conheceu há dois segundos! — fiquei olhando para ela, assustada com sua atitude. Desde ontem ela estava assim. Arredia quando o assunto era minha amizade com Alec.

– Não estou entendendo essa sua reação. Não é para tanto.

– Não é? — retrucou. — Você não vê, Isabella? Você está apaixonada! — afirmou, me deixando chocada.

Apaixonada? O quê? Alex era só um amigo. Nada mais que isso. Um homem incrível, completamente apaixonado pela esposa.

– De onde tirou essa ideia absurda? — perguntei transtornada.

– Eu conheço você, Isabella — alegou com autoridade.

– Eu não sou mais a mesma, mãe — afirmei. Dei-lhe as costas e segui até a saída.

– Se sair agora, saiba que isso só vai confirmar o que eu disse — não respondi, apenas continuei caminhando, abri a porta da sala e entrei no carro que já me esperava.

**

Cheguei no local marcado e meu coração disparou. Era uma reação irracional e que eu ainda não compreendia muito bem. Respirei fundo e saí do carro. Marcus, o motorista, pediu que quando quisesse ir embora, ligasse para ele, pois ali não era permitido estacionar. Assenti e caminhei até a entrada do restaurante, controlando meu nervosismo.

– Boa tarde, senhorita. Tem reserva? — um senhor bem vestido perguntou, assim que entrei.

– Combinei com uma pessoa, Alec...

– Isabella? — senti meu corpo liquidificar apenas ao reconhecer sua voz.

Virei lentamente, e tentei disfarçar minha inquietação.

– Alec — sorri, estendendo minha mão. Ele fez o mesmo. O semblante sério e tenso. Parecia realmente preocupado.

– Isabella — respondeu um pouco seco. Sua frieza me incomodou. — Vamos? — indicou com a mão o caminho e seguimos o maître até nossa mesa, que tinha uma bela vista do lago. Olhei de soslaio para ele enquanto pedia nossas bebidas.

Eu já havia percebido que era um homem atraente, mas vê-lo, pela primeira vez, a luz do dia, sem o gorro e os óculos escuros era algo a mais. O cabelo loiro escurecido bem aparado e os olhos verdes, se destacavam em seu rosto bem moldado. Nunca havia visto uma tonalidade de verde tão linda. Mesmo os belos olhos de Anthony perdiam em comparação.

Assim que o garçom saiu, voltou sua atenção para mim, ainda sem dizer uma só palavra. Decidi quebrar o gelo.

– Achou suas lentes de contato? — ele pareceu confuso. — Você disse que tinha perdido, lembra? Por isso estava usando óculos escuros aquela noite — expliquei.

– Ah, sim. Tinha esquecido — respondeu distraído.

– Está tudo bem?

– Não, não está — afirmou com seriedade. — Minha vida está desmoronando — murmurou abatido. Me senti mal ao vê-lo assim.

Estiquei minha mão e segurei a sua, que estava sobre a mesa. Ele abriu um breve sorriso e enlaçou nossos dedos. Meu coração acelerou e senti um frio no estômago. Sua mão era quente e macia. E sem que pudesse evitar, imagens dela pelo meu corpo tomaram conta na minha mente. Puxei-a de volta, assustada, como se tivesse levado um choque. Alec me encarou intrigado.

Será que minha mãe estava certa?

Olhei para Alec, completamente perdida. Querendo fugir dali. Não podia me sentir assim. Não era certo. Não agora que tinha decidido colocar minha vida em ordem. Em encontrar meu marido. Começava a entrar em pânico, pensando em qualquer desculpa para ir embora.

– Eu...

– Olha só, que coincidência — congelei na cadeira. Alec estreitou os olhos, encarando com raiva a pessoa que nos atrapalhava.

Era só o que faltava.

– Jacob, o que está fazendo aqui? — questionei sem paciência. Quando virei, me assustei. Seu rosto estava todo machucado, o olho esquerdo inchado, a sobrancelha cortada, assim como o canto da sua boca. — O que aconteceu com você?

– Ainda se preocupa comigo, Bells? — indagou com certo desprezo.

– Não me chame assim — exigi. Ele olhou para Alec com ódio.

– Por que não pergunta para seu querido marido. Aposto que ele sabe muito bem o que aconteceu comigo. Não é, Edward? — debochou. Fiquei parada, completamente em choque. Do que ele estava falando?

– Vai embora, Jacob — Alec ordenou, olhando para mim, com um pedido de desculpas silencioso.

Eu não podia acreditar naquilo. A briga de ontem que Alec me contou foi com Jacob. Alec era Edward. Meu marido.

– Ou o quê? Vai me bater de novo? — Jacob se aproximou ainda mais dele, seu semblante repleto de desdém. — Eu não me importo, Edward. Pode me matar se quiser.

Levantei em um rompante, querendo sumir daquele lugar.

– Isabella, espera! — ouvi me chamarem, mas não parei de andar. Peguei o telefone na bolsa e chamei por Marcus.

Quando alcancei a saída, aquele imbecil segurou meu braço. Virei, desferindo um tapa com força em seu rosto. Jacob me encarou alarmado. Alec, Edward, sei lá, parou a poucos metros de nós.

– Por que você ainda insisti? Eu já disse, Jacob! Acabou! Nossa amizade acabou! Pare de me perseguir. Isso só faz mal a você.

– Eu te amo, Isabella — declarou. Doía olhar com tanta raiva para alguém que significou tanto para mim, mas que agora, me dava medo.

– Se me ama de verdade, vai me deixar em paz — ele deu um passo na minha direção e eu fui para trás. Seu rosto se contorceu.

– Você vai sofrer — apontou para o lado. — Ele vai fazer você sofrer. Já fez isso antes, vai fazer de novo — argumentou.

– É minha vida, minha escolha — disse decidida. Jacob levantou as mãos para cima.

– Ok, se é assim que você quer, assim será. Eu lavo minhas mãos — Jacob olhou para ele e depois para mim. — Seja muito infeliz, Isabella — desejou e saiu, caminhando pela calçada. Virei o rosto para a rua, esperando meu motorista. Segurando a vontade louca de chorar.

– Eu imagino que não queira conversar agora.

– Não, não quero. Especialmente com você — respondi amarga. Sem saber ainda o que pensar sobre tudo o que aconteceu. Sentia-me traída.

– Eu sinto muito.

– Devia ter pensado nisso antes de se infiltrar na minha vida pelas minhas costas — acusei, chateada. — Eu confiava em você — murmurei, já sem conseguir segurar as lágrimas.

– Eu não fui o único que cometeu uma traição — sua acusação trouxe a tona minha confissão na noite passada. Isso só me machucou ainda mais. Pelo jeito ele já sabia de alguma coisa e só queria uma certeza. Virei e o encarei.

– Foi por isso que você fingiu ser outra pessoa? Para ver se eu ia traí-lo? Um teste? — seus olhos arregalaram levemente.

– Não! Não foi assim — tentou se justificar. Sacudi a cabeça. Percebendo que nada disso era importante. Percebendo que eu não fazia ideia da pessoa que eu era.

– Não importa mais. A errada aqui sou eu — retruquei desanimada. Sua falta de resposta mostrava que ele concordava comigo. Suspirei.

Do que adiantava tentar me defender? Se eu mesma não sabia da minha vida?

Meu carro chegou e estacionou no meio fio do restaurante. Abri a porta, antes mesmo que o motorista se habilitasse, apenas entrei no carro e pedi que fôssemos embora.

Sem olhar para trás.

Tentando imaginar que tipo de pessoa eu havia me tornado.

Notas finais
Beijos e até o próximo!