Uneven Odds
2 Capítulo 1 - Consequências
Notas iniciais
Edward POV
– Filho, quer que traga algo da lanchonete para você? — apertei minhas mãos com mais força e neguei. — Edward, você tem que comer! — me repreendeu.
– Acha que eu posso pensar em comer nessa situação? — respondi secamente. O olhar de minha mãe caiu e percebi que havia sido grosso. Respirei fundo tentando segurar meu temperamento. — Desculpa, mãe... Eu só não consigo pensar em outra coisa que não seja Isabella — ela sorriu fracamente.
– Não se preocupe, querido, eu entendo — afirmou acariciando meu cabelo. — Vai dar tudo certo, ela é uma mulher muito forte.
Engoli em seco. Minha mãe estava certa. Isabella era forte, assim como a dor que eu sentia, ainda mais com essa demora para ter notícias. Estava no hospital há horas, assim como Alice, que estava no refeitório com Jasper e Jacob. Minha mãe, apesar do meu humor intragável, preferiu ficar comigo. Avisei a mãe de Isabella assim que soube do acidente e ela estava a caminho. Era uma longa viagem, mas não tive outra opção, o acidente foi sério e a situação era critica. Precisaram fazer uma cesárea de emergência e nosso menino nasceu prematuro. Era tão pequeno e frágil. Estava na UTI Neonatal, mas o médico nos deu esperança de que ele poderia sobreviver. Pelo menos uma boa noticia em meio a tanto desespero, já que Isabella estava na cirurgia há mais de três horas. Eu só conseguia pensar que não podia perdê-la, precisava dela, assim como nosso filho e Anthony. Não éramos nada sem ela.
Foi nesse momento de puro desespero e dor que lembrei das nossas discussões. Meu ciúmes descontrolado dos imbecis que cercavam ela. Suas provocações. Tanto tempo perdido com besteiras. Vivia com medo de que outro a tirasse de mim e agora algo muito pior podia acontecer. Algo que a tiraria de mim para sempre.
Levantei em um rompante da cadeira. Revoltado comigo. Com ela!
Por que tinha que ter saído sozinha? Por que não me chamou? Por que aquele filho da puta não viu o carro? Por que ele tinha que estar bêbado?
– Filho? Está tudo bem? — minha mãe perguntou, tocando com cautela minhas costas.
– Mãe, pode por favor me deixar sozinho? — pedi, pressionando minha testa com a ponta dos dedos.
– Edward...
– Por favor? — insisti. Ela olhou atentamente para mim e suspirou.
– Ok — concordou, afagando meu rosto. — Ela não vai desistir, Edward — assenti, sem conseguir responder nada. Era exatamente isso que eu precisava acreditar. Que ela iria lutar. Por mim. Pela nossa família.
Assim que Esme saiu, voltei a sentar, segurando minha cabeça com as mãos. Estava a ponto de explodir.
– Edward! — olhei para cima e encontrei Reneé. A mãe de Isabella estava tão desolada quanto eu. — Onde ela está? E o bebê? — disparou afobada, sentando ao meu lado.
– Ele está na UTI e... ela na cirurgia — respondi com a voz falhando. Não aguentei mais a pressão crescente em meu peito e chorei. Renné me puxou para seus braços.
– Calma, meu bem — me consolou.
Eu precisava ser forte, mas eu não estava mais suportando essa dor. Eu queria minha mulher de volta. Queria agora!
– Com licença — abri os olhos e encontrei o médico que estava atendendo Isabella. Levantei correndo, quase tropeçando.
– Como ela está? Posso vê-la? — ele parecia cansado, mas ainda assim confiante. Isso me tranquilizou.
– Conseguimos controlar a hemorragia e estacar o ferimento no crânio, mas devido ao sério traumatismo que sofreu, ela entrou em coma — meu corpo tencionou.
– Mas ela vai acordar, não é? — perguntei desesperado.
– Estamos controlando todos os sinais vitais e precisamos esperar para verificar como ela irá reagir, só então saberemos se ela irá responder ao tratamento ou não — senti meu corpo cair na cadeira e minhas mãos irem para o meu rosto. Voltei a chorar.
Se ela não acordasse...
Eu não conseguia sequer cogitar essa hipótese. Ela era tudo para mim. Só de pensar que havia perdido momentos preciosos ao seu lado por causa de um ciúmes inútil, eu chorava ainda mais. Tudo o que eu mais queria era ela do meu lado dizendo o quão idiota eu era, e ela tinha razão, ela sempre tinha.
**
Já havia passado duas semanas desde o acidente e eu alternava meus dias entre o hospital e Anthony. Meu chefe foi extremamente compreensivo adiantando minhas férias. Nosso filho ainda continuava na UTI, mas conforme os dias iam passando eu via como ele ficava cada vez mais forte e saudável. Não tive outra escolha senão registrar ele sem ela, eu sabia qual era seu nome preferido e por isso o escolhi, Matthew Masen Swan Cullen. Queria Isabella feliz.
Entrei no quarto do hospital e a encontrei do mesmo modo, parecia um anjo dormindo, tão serena e pálida. Cada segundo que passava, meu desespero aumentava por ela não despertar. Ainda assim tentava manter o otimismo.
– Bom dia, süsse — cumprimentei-a com um beijo, como fazia todos os dias. — Trouxe suas flores preferidas — avisei colocando o buquê de rosas brancas sobre a cabeceira. Sentei na cama e segurei sua mão.
– Matt está melhorando cada dia mais, queria que estivesse aqui para vê-lo. Para conversamos sobre ele, sobre Anthony, meu garoto não para de perguntar sobre você, sente tanta a sua falta. Eu sinto sua falta — declarei, afagando seu rosto. — Estou completamente perdido sem você, mas isso eu imagino que já saiba, não é? — ri sem humor, brincando com seus dedos. — Queria poder conversar com você, desabafar, ouvir sua risada. Merda, eu sinto falta até mesmo de quando brigava comigo. Quando me chamava de idiota, e no instante seguinte dizia o quanto me amava. Volta para mim, Isabella? Por favor. Volta — pedi com ardor, beijando sua mão.
Foi então que tudo parou.
Meu coração começou a bater acelerado conforme eu observava sem acreditar seu dedo indicador se mexendo contra a minha mão. Comecei a sorrir e rir ao mesmo tempo. Apertei o botão para chamar o médico e beijei sua testa.
– Eu te amo. Eu te amo — sussurrei contra sua pele.
Logo em seguida, o doutor Malek entrou e pediu que eu saísse, para que pudesse examiná-la. Com muita relutância acatei seu pedido. Escorei na parede do lado de fora e esperei. Ela havia se mexido! Mal podia acreditar que minha garota estava acordando e que iria voltar para mim. Tudo daria certo.
– Senhor Cullen? — a voz grave do médico chamou minha atenção. Estava tão perdido em pensamentos que nem o vi sair do quarto.
– Ela está acordando, não é? — ele abriu um leve sorriso que me deu um grande alivio.
– Tudo indica que sim — ele parou, a testa franzida. Parecia preocupado.
– O que foi? Algum problema?
– Preciso voltar a alertar que o senhor e sua família têm que estar preparados. É difícil avaliar como um coma, mesmo sob observação, pode afetar a saúde de um paciente, especialmente no caso de sua esposa, que levou um golpe tão forte na cabeça — onde ele queria chegar?– Por isso tenho que pedir que se afaste do quarto dela até que ela acorde — encarei-o confuso.
– O quê? Por quê?
– Como já expliquei, estamos lidando com um caso delicado e precisamos deixar a paciente o mais confortável possível. Não sabemos como ela vai acordar e existe uma chance dela não se lembrar de nada ao redor dela e...
– Acha que ela pode ter uma amnésia? — perguntei preocupado. O médico suspirou e me olhou com atenção.
– O senhor lembra do que conversamos sobre os tipos de sequelas que sua esposa poderia ter? — balancei a cabeça aturdido.
– Não — confessei, tentando recuperar detalhes da conversa sem sucesso.
– Bom, resumindo, sua esposa pode ter desde problemas motores até perda parcial da fala. E levando em consideração onde ocorreu a fratura, temos que considerar uma possível amnésia, por esse motivo é aconselhável deixá-la acordar sozinha, sem interferências. De ninguém — insistiu.
Eu queria entender o que ele havia dito, mas a ideia dela não se lembrar de mim, mesmo que por um momento, me congelou no lugar.
O que eu faria se isso acontecesse?
**
Estava desconsolado na sala de espera já que não podia entrar no quarto. Isabella estava acordando e eu proibido de vê-la.
– Como ela está? — virei e dei de cara com Jacob, ele parecia estranhamente animado com a notícia de minha esposa ter perdido a memória.
– Bem. O médico está monitorando sua evolução, ela pode acordar a qualquer momento.
– Avisou a mãe dela?
– Sim, já está a caminho.
– Que bom — disse, sentando ao meu lado. — Fico feliz em saber que você hospedou Reneé em sua casa — olhei para ele, sem entender seu comentário.
– Ela é minha família também, Jacob, assim como a casa é minha e de Isabella.
– Não sei, depois de tantas discussões, achei que estavam pensando em separação — Do que ele estava falando?
– Separação nunca foi uma opção, Jacob. E se quer saber, já resolvemos nossos problemas.
– Ela não merecia sua desconfiança — rebateu. Respirei fundo, essa não era uma conversa que gostaria de ter no corredor de um hospital, ainda mais com Jacob.
– Eu sei.
– Não entendo como a mãe dela admite que a trate assim — desdenhou. Estava a ponto de explodir com ele.
– Eu que não sei o que isso te interessa.
– Ela é minha melhor amiga. E não vou admitir que você faça mal a ela — levantei e me afastei, antes que perdesse a cabeça. — Não quer ouvir a verdade, Edward? Ela só está lá dentro por sua culpa. Você é o responsável por isso. Eu espero mesmo que ela tenha perdido a memória e tenha esquecido você e tudo de mal que fez a ela! — encarei-o com ódio.
– Edward? — Reneé chamou, me distraindo da presença insuportável de Jacob. — Olá, Jacob. Como vai?
– Bem, tia Reneé.
– Então, como ela está? Já acordou?
– Ainda não — ela me olhou preocupada.
– E você, como está?
– Melhor agora que ela vai acordar.
– Pena que a culpa não vai embora, não é, Edward? — Jacob alfinetou. Fuzilei-o com o olhar. O pior é que eu não podia contradizê-lo, de certa forma estava certo.
– Jacob, por favor — Reneé interveio. Senti a mão dela no meu ombro. — Não ouça ele, Edward. Você não tem culpa de nada — era o que eu gostaria de acreditar também.
O médico finalmente apareceu, o semblante carregado e tenso.
– Como ela está? — perguntei ansioso. Ele respirou fundo.
– Todos os sinais vitais e membros estão funcionamento perfeitamente, mas infelizmente ela perdeu a memória — fiquei parado em choque, ainda tinha esperanças de que não tivesse sequela nenhuma.
– Ela não se lembra de nada? — Reneé perguntou.
– No caso dela, a perda de memória foi seletiva, ela se esqueceu dos últimos dez anos da sua vida.
DEZ ANOS? Não podia ser! O que eu faria? O que eu faria? Olhei para Jacob e vi um brilho em seu olhar. Claro, era tudo o que ele queria, que ela se esquecesse de mim.
– Ela vai recuperar a memória? Pode ser algo passageiro? — Reneé quis saber.
– Na maioria das vezes o paciente consegue recuperar parte da memória ou ela completamente. Não é algo exato. O melhor nessas ocasiões é ser honesto e ir aos poucos mostrando o que aconteceu nos anos que se passaram. É importante também que o paciente volte a antiga rotina que tinha — explicou. — Ela pediu para ver a mãe — o médico completou e eles entraram no quarto. Sentei na cadeira, apoiando minha cabeça com as mãos. Completamente perdido.
– Espero que nunca se lembre de você — Jacob falou. — Aposto que vai odiar saber que é casada — não respondi, ele estava certo. Quando conheci Isabella, ela abominava a ideia de se casar, ou sequer se apaixonar. Meu mundo inteiro estava desabando, eu não tinha mais nada. Nada.
Quando a mãe dela saiu do quarto, avisou que Isabella queria ver o Jacob. Ele entrou com um sorriso enorme no rosto. Encostei na parede.
– Nós brigamos no dia anterior do acidente. Eu disse coisas horríveis. Ela está aqui por minha causa — confessei.
– Para com isso. Você a ama, eu sei disso.
– A senhora não sabe como eu agi nos últimos meses. Eu fui tão cego.
– Os ciúmes? — encarei-a confuso.
– Ela te contou?
– Disse que não sabia o que fazer com você. Que era um cabeça dura — acabei sorrindo. — Isabella te ama tanto, Edward.
– Contou para ela sobre o casamento? Sobre mim? — perguntei mudando de assunto. Reneé assentiu, parecendo tensa. — Ela odiou — conclui, já esperando por isso.
– É muita coisa, Edward. Ela acha que tem dezesseis anos e descobre que está casada, só precisa de um tempo.
– Imagino que ficou feliz em saber que o Jacob estava aqui — Reneé me olhou de soslaio.
– Ciúmes de novo? — suspirei fundo.
– Eu não sei o que vou fazer se ela não quiser mais me ver. O que vai ser de mim? Da nossa família?
– Não se preocupe. Ela vai se lembrar — ouvimos a porta abrir e um Jacob animado aparecer.
– É incrível, parece que voltei há dez anos — ele olhou para mim. — Ela não quer te ver de jeito nenhum. Está morrendo de raiva.
– Jacob! — a mãe dela o repreendeu.
– É melhor que ele saiba agora. Nunca a vi tão indignada e com raiva antes. — levantei. Caso contrário iria pular no pescoço dele.
– Com licença.
– Edward, é melhor você nem ficar aqui, ela não vai querer te ver mesmo — saí, ignorando Jacob e segui até o refeitório. Peguei o celular e liguei para a casa dos meus pais, precisava saber como Anthony estava.
– Casa da família Cullen.
– Carmen, pode chamar minha mãe, por favor?
– Claro, só um momento, Edward.
Esperei algum tempo, até que minha mãe atendeu.
– Filho. Tudo bem? Como ela acordou?
– Ela não se lembra de mim. Não quer me ver.
– Oh, meu bem. Eu sinto muito.
– Vou precisar que Antony fique mais alguns dias aí, tudo bem?
– Filho, você precisa ir para casa, precisa descansar.
– Eu não posso deixá-la, mãe. Quero conversar com o médico, saber o que podemos fazer, qual o melhor modo de me aproximar, não sei.
– Tudo bem, não se preocupe. Eu vou cuidar dele.
– Obrigado, mãe. Posso falar com ele?
– Claro, vou chamá-lo.
Não demorou e ouvi a voz alegre de meu filho.
– Papai! Onde cê tá? Quando a mamãe volta?
– Filho, a mamãe acordou e eu vou ficar cuidando dela. Ok?
– Ela tá melhor? — respirei fundo.
– Ela está se recuperando. Logo estaremos juntos — não devia mentir, mas não podia falar sobre isso por telefone. Depois, com mais tempo conversaria com ele.
– Quero vê ela, papai!
– Ainda não, filho. Vamos esperar ela ir para casa.
– E meu irmão? Quando eu vô vê ele?
– Logo.
– Diz para mamãe que eu amo ela.
– Digo sim — senti minha garganta apertar. Mesmo não sendo filho de Isabella, ele era absolutamente louco por ela, assim como ela era por ele.
– Vou fazer um cartão bem bonito para ela e para meu irmão.
– Ela vai amar — suspirei. Como eu diria para meu filho que a mulher que ele amava como uma mãe não se lembrava dele?
– Você vai ligar mais tarde para contar uma história para eu dormir? — sorri com a sua inocência.
– Claro que sim, filhote. Que história vai querer? — perguntei interessado.
Enquanto Anthony descrevia todo animado sobre os personagens que queria ouvir na sua história, eu me permiti fugir um pouco da realidade e acreditar que tudo ficaria bem, que isso não passava de um pesadelo.
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