Undisclosed Desires in your Heart !
14 Flores e Chocolate
Notas iniciais
Segunda-feira, 19 de outubro de 2015:
Estou a caminho do curso e não sei como vou encarar Brian. Não entendo porque ele ficou irritado no sábado, não fiz nada para afetá-lo. O que havia de errado para ele no beijo que Jason me roubou? Não podia ser só o fato que ele não sabia que o beijo havia sido roubado. Não fazia sentido. A única hipótese que tinha mais sentido era a que ele estava interessado em mim. Mas isso complicaria muito mais as coisas. Até por que, como ele poderia se interessar por mim, tendo tão pouco tempo que me conhece?
Essa é uma questão que eu não consigo resolver. E essa mesma questão se aplica a Jason. Passei o domingo inteiro pensando nisso enquanto assistia a uma maratona de filmes, mas não consegui achar uma resposta. Ele não sabe nada sobre mim, não passamos quase nenhum tempo juntos, e mesmo assim ele me beijou e quer sair num encontro comigo. E o pior é que bem no fundo eu quero aceitar e ver no que vai dar. Mas não vou ser tão fácil, principalmente se não sei quais são as reais intenções dele. Isso chega até a ser cômico. Eu, que nunca fui desejada por qualquer garoto, estou fugindo do primeiro garoto que demonstra interesse. Qual o sentido disso? Não sei, mas por enquanto parece ser o certo a se fazer. Essas questões precisam ser respondidas antes de qualquer coisa.
Mas, no momento não vou deixar essas dúvidas serem minha preocupação primordial. É tudo bobagem, acho que é melhor me preocupar com os estudos primeiro, depois com outras coisas. Em vez de me preocupar em como vou encarar Jason, vou pensar em como fazer a teacher Alessandra ter uma boa impressão de mim. Não sei por que, mas acho que futuramente o inglês vai ser muito útil pra mim. Então preciso me dedicar bastante e falar fluentemente o idioma. Vou até escutar umas músicas em inglês agora e treinar meus ouvidos. Vou começar com Demi Lovato.
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Quando chego ao curso ainda faltam 30 min pra aula começar e vou rapidamente pra sala, onde fico sozinha. Afinal, naquela situação, fugir de Jason e de suas tentativas de me agarrar era a única certeza que eu tinha. Entrei na sala, pego um livro em minha mochila e começo a lê-lo. Eu já estava feliz enquanto lia um livro, achando que minha tentativa de fuga havia funcionado, mas uns 20 min antes da aula começar Jason estava parado na entrada da sala de aula, com o braço esquerdo em frente ao corpo segurando hortênsias roxas, e outro braço para trás.
— Oi — ele disse com mais um de seus sorrisos que me ofuscavam.
— O que significa isso? — respondi com um tom de indignação.
— São flores pra você ué — ele respondeu como se a resposta fosse óbvia.
— Flores? Pra mim? Por quê? — respondi ainda indignada, sem nem me mover de meu lugar enquanto Jason se aproximava.
— Elas têm que ter motivo? Não posso dá-las a você simplesmente porque eu gosto de você? — disse ele chegando cada vez mais perto.
— Não. Você deu flores a minha mãe, então por que dar a mim a mesma coisa que você deu a ela?
— Porque sei que você gosta de hortênsias. E, além disso, não trouxe apenas flores — ele disse colocando o braço direito em frente ao corpo também, mostrando que tinha em mãos uma caixa de chocolate — Trouxe chocolate também. Não sabia qual chocolate você gosta, então peguei o clássico chocolate ao leite.
— Você é louco! Não vou aceitar isso — disse com um tom de voz firme, tentando disfarçar minha vontade de atacar o chocolate que, aliás, era o meu preferido.
— Isso não é opcional — ele respondeu colocando cuidadosamente as flores sob minha mesa, e abrindo a caixa de chocolate.
— Me obrigue — falei cruzando os braços.
— Okay — ele disse e pisou em meu pé com força.
Quando eu abri minha boca pra falar que havia doído, ele quebrou um pedaço do chocolate e jogou em minha boca. Jason era mais esperto do que pensava.
— Pronto. Já te obriguei a comer o chocolate. Agora vou pensar em como te obrigar a aceitar as flores — ele disse se sentando na carteira a minha frente, depois colocando a mão no queixo e fazendo uma expressão pensativa.
— Se for me machucar pra conseguir isso, não será necessário, eu as aceito agora — respondi, peguei as flores da mesa e as aproximei de meu nariz para sentir o cheiro.
— Elas são tão lindas quanto você — ele disse e sorriu.
— Deixe de ser louco — eu disse tentando disfarçar meu constrangimento, o que era difícil, pois minhas bochechas estavam vermelhas.
— Não sou louco, sou realista — ele disse — E todos concordam comigo em dizer que você é linda.
— Não e ponto. Agora, quais suas intenções me dando flores e chocolate? — indaguei.
— Não tem intenção alguma, deixe de ser tão desconfiada — Jason respondeu. Ele colocou uma parte do meu cabelo atrás da orelha e começou a acariciar meu rosto.
— Jason... Melhor você parar com isso... — falei tentando parecer incomodada com as caricias, sendo que na verdade não queria que ele parasse.
— Não, eu gosto de te tocar, me traz uma sensação tão incrível — ele disse com um olhar de quem estava almejando algo, no caso, a mim.
— Não quero atrapalhar o casal, mas você está no meu lugar — disse Brian com um olhar raivoso.
— Casal? Enlouqueceu? — respondi com nítida indignação na voz- Não somos um casal.
— Você quis dizer que ainda não somos um casal né? Pois vamos ser um casal um dia — Jason disse e piscou pra mim.
— Não vamos não — respondi.
— Não importa se são ou não um casal. Mas da pra sair do meu lugar maninho? — Brian disse.
— Calma senhor irritadinho — Jason respondeu se levantando e olhando em seu relógio — Vou pra minha sala Nath.
— Tchau Jason — Brian falou.
— Combinaremos por mensagem o dia e o horário que vamos sair, já sei o lugar perfeito pra te levar.
— Não vou sair com você Jason — respondi sem nem pensar.
— É o que veremos — ele disse e tascou um beijo em minha bochecha. Depois o observei se virar e ir embora.
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Quando Jason saiu da sala, faltavam 5 min pra aula começar. A sala já estava cheia. Eu estava tão concentrada em Jason e suas loucuras que não vi meus colegas entrando. Só percebi que havia outras pessoas na sala quando Brian chegou. E ele agora parecia tão irritado que me causava medo. Pensei em perguntar o por que de tanta raiva mas a professora chegou antes que eu pudesse perguntar.
A aula transcorreu tranquila. A professora começou com um conteúdo novo, e todos colaboraram para que a aula fosse proveitosa. Brian e eu não dirigimos uma palavra sequer ao outro. Eu ainda ia perguntar por que ele estava assim, mas só depois que a aula terminasse.
E assim o fiz. Quando o sinal tocou, Brian rapidamente pegou sua mochila e foi em direção a porta. Mas eu fui tão rápida quanto ele, e antes que ele cruzasse a porta, segurei a mão dele com minhas mãos.
— O que você quer? — disse ele bruscamente depois de se virar.
— Calma. Vamos sair da porta e depois conversamos, afinal estamos atrapalhando a passagem dos outros — respondi e o puxei pela mão, o levando de volta a nossos lugares.
— Agora me diga: O que você quer? — ele disse enquanto se sentava em seu lugar e colocava a mochila na mesa.
— Quero entender por que você está tão irritado. O que eu fiz pra você?
— Nada, não estou bravo — ele disse num tom áspero.
— Não, é em minha imaginação então que você está sendo grosso, seco, áspero, é apenas imaginação esse sentimento de hostilidade que sinto você emanar — falei enquanto meu rosto mostrava impaciência.
— Agora sim você está certa.
— Deixe de ser criança Brian! Você é mais velho, deveria ser maduro, não como uma criança birrenta.
— Você acha que é quem pra me dar lição de moral? Você não tem moral nenhuma, não se está saindo com Jason.
— Ah então é esse o problema. Primeiramente saiba que não estou saindo com ele, aquele dia no boliche ele me roubou um beijo para provocar Hanna. E se eu estivesse saindo com ele, qual o problema? O que você tem a ver com isso? — falei de forma bem grosseira.
— Atah, se ele te roubou um beijo, eu sou o bozo — ele disse revirando os olhos e num tom sarcástico — E se você quer sair com um idiota que só vai te machucar, o problema é seu. Eu não tenho nada a ver com isso. Apenas não diga que não foi avisada.
— Não quero e não vou sair com ele. E estou falando a verdade, ele me roubou aquele beijo. Mas se não quiser acreditar, tanto faz. Tchau Brian — disse e depois de virar-me comecei a andar em direção a porta da sala.
— Nath, espere! — ele disse e me puxou pelo braço, me prendeu entre seus braços e me pressionou contra seu corpo — Me desculpe pelo modo como lhe tratei. Estou apenas preocupado, mas não sei como demonstrar isso. Não estou acostumado a me preocupar com alguém além de mim mesmo.
— Mas por que toda essa preocupação? Jason é uma pessoa tão ruim assim? — perguntei olhando nos olhos dele enquanto ele mexia em meus cabelos.
— Não necessariamente. Já não tenho muito contato com ele, talvez ele tenha amadurecido. Mas não acho que seja uma boa ideia confiar nele. Melhor prevenir do que remediar.
— Você não acha que todos merecem uma segunda chance? Não sei o que ele fez pra você e sua irmã não confiarem nele, mas acho que todos merecem uma segunda chance.
— Não concordo muito com essa ideia, mas tudo bem.
— Acho que já demoramos demais pra sair — disse tentando me soltar dos braços dele- Hey me solta!
— Não posso, não ainda — ele disse com um olhar que me fez sentir como um animal preso em uma armadilha.
— Por que ainda? — perguntei com a voz um pouco trêmula, esperando que ele não tivesse percebido minha hesitação.
— Preciso fazer isso — ele disse se inclinando na altura do meu rosto, olhando em meus olhos por uns minutos e dando um beijo em minhas bochechas — Agora sim podemos ir.
— Seu bobo! — falei aliviada, pois enquanto ele me olhava senti como se ele fosse beijar minha boca.
— Por quê? — ele perguntou fazendo uma expressão de desentendido.
— Nada — disse e dei um soco fraco em seu braço — Vamos logo.
— Okay chatonilda, não vamos ficar trancados — ele disse dando um sorriso — Relaxa!
A calma com que ele disse aquelas palavras me fez relaxar, pois naquele momento tive certeza que a raiva dele havia passado. Observei-o colocar sua mochila nas costas e estender a mão até mim.
— Vamos? — ele disse.
— Claro — disse fingindo que iria dar minha mão à ele — Mas que tal irmos.... Correndo? — conclui, empurrei-o e sai em disparada.
— Hey isso é trapaça — ele disse assim que começou a correr — Mas mesmo você trapaceando, ainda é muito lenta pra mim — ele disse quando chegou ao meu lado, me dando um susto.
— A é? Mas veremos quem ganhará a corrida! — falei dando de ombros e sorrindo pra ele — Quem perder paga um sorvete pro outro no próximo dia de aula.
— Okay — ele disse quando começamos a descer as escadas.
Descemos as escadas tão rápido que fiquei sem fôlego quando chegamos ao pátio. Olhei para Brian e vi que ele olhava atônito para o portão. E ao olhar para o portão entendi o porque. O portão estava trancado. Nós estávamos trancados.
— Acho que demoramos um pouco — Brian disse com um sorriso torto.
— Pois é — falei e dei um suspiro — Como vamos sair daqui?
— Tenho uma ideia, mas acho que você não gostará muito dela.
— Pelo menos você tem uma ideia. Diga logo, qual é a ideia?
— Pularmos o portão — ele disse olhando fixamente para mim, provavelmente tentando analisar minha reação.
— Sem chance. Sou muito desengonçada, isso vai dar errado — Falei com firmeza.
— Deixe de bobagem! Eu te ajudo — Brian disse com um sorriso.
— Como?
— É muito simples. O portão ser desses com grade facilita e muito. Você vai colocar os pés entre as grades na primeira fileira e depois eu te ajudo a colocar os pés na segunda fileira de grades pra poder ir pro outro lado e descer do mesmo jeito que subiu. Entendeu?
— Mais ou menos.
— Você consegue — ele disse com aquele sorriso sincero que me transmitia paz — Já volto.
— Estou esperando — disse e o observei se retirar e pegar uma cadeira no pátio.
— Agora com essa cadeira podemos começar, ou então com sua altura, aliás, a falta dela, você não alcançaria a primeira fileira de jeito algum — ele disse rindo quando voltou com uma cadeira.
— Hey! Deixa de ser idiota — falei rindo também.
— Suba na cadeira e coloque os pés na primeira fileira — ele disse.
Então eu subi na cadeira e coloquei os pés na primeira fileira de grades.
—Que fácil.
— Agora coloque só um dos pés na segunda fileira — Brian disse e eu obedeci.
— E agora o que faço? Está meio desconfortável aqui- disse e foi quando o vi em pé em uma cadeira que o deixara da minha altura.
— Quando eu disser já você tira o pé que está na primeira fileira.
— Okay — foi o que disse quando senti duas mãos envolverem minha cintura. Olhei para Brian e nossos olhares se cruzaram.
— Já — foi o que ele disse e então eu tirei o pé e ele me impulsionou e eu consegui colocar o pé na segunda fileira.
— Olha, consegui!
— Agora vem à parte mais complicada — Brian disse já chegando ao meu lado — Me observe.
Após dizer isso, Brian passou a perna direita por cima do portão e a colocou na segunda grade do outro lado. Depois, passou também a perna esquerda e então já estava do outro lado.
— Agora é sua vez Nath.
Fiz o mesmo que ele, e consegui ir para o outro lado com êxito.
— Agora é só descer da mesma forma que subiu. Mas pare quando estiver na primeira fileira.
Comecei a descer e parei na primeira fileira. Então senti novamente as mãos de Brian segurando minha cintura e dessa vez me tirando do portão e colocando-me no chão.
— Uau, que garota pesada! — Brian disse colocando a mão nas costas como se estivesse doendo.
— Não pedi pra ninguém me descer.
— Ainda é ingrata, vê se pode — ele disse e riu.
— Obrigada, mas agora tenho que ir. Está muito tarde.
— Quer que eu te leve em casa? — Ele propôs.
— Não, mas obrigada mesmo assim. Então vou indo. Boa noite Brian. Até a próxima aula.
— Antes me deixe fazer um convite. Por que não vai lá em casa quarta-feira? Você já sabe que minha mãe cozinha bem — ele sugeriu com um sorriso largo.
— Quarta eu tenho aula no curso de dança, mas agradeço o convite.
— Então que tal sábado? Mas em vez de ir lá em casa, quero te levar a um ensaio da minha banda — Ele sugeriu demonstrando grande expectativa para ouvir um sim.
— E se eu não quiser ir? — falei com um tom áspero.
— Não vou te obrigar a nada. Mas seria legal se você fosse, e sei que você iria adorar.
— Humm — coloquei a mão no queixo e fiz cara de pensativa — Onde e que horas te encontro? — disse e sorri.
— Maravilha, você vai! Encontre-me às 15 hrs no metrô Tatuapé. Acho que seria bom você me passar seu número para o caso de atrasos ou imprevisto.
— Okay.
Peguei um papel e uma caneta na mochila, anotei meu número e entreguei a ele. Então nos despedimos com um abraço rápido e fui para casa. Tinha sido um dia longo e o que eu mais queria era descansar.
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