Undisclosed Desires

13 Vendetta e Santine.


Notas iniciais
Yooooooo! Saudades? :3 Querem dar porrada? eu entendo, já que tecnicamente estou postando na terça feira... Cap quilometrico pra vcs seus gostosos.

“...Você é a única...

...Você pode ser uma pecadora

Mas sua inocência é minha...”

– esse foi... O Jogo! – Sasuke gritou, mais uma vez, Sakura assentiu sorrindo e abraçando o travesseiro, ele saiu do banheiro apertando o cordão da calça de dormir, e seguiu para a cama – eu não vejo uma final dessas desde que tinha dezesseis! Puta merda! To arrepiado até agora.

– uhum...- ela murmurou, os olhos já fechados, ele puxou a coberta entrando para baixo e beijou o rosto da mulher, demoradamente.

– você deve ter dado sorte, baby.

– obrigada, querido, agora vai dormir, vai...

– ah cara, eu devia ter mandando alguém gravar...

– essas coisas sempre repetem na TV à cabo, logo vai estar passando em algum canal de esportes, agora dorme, amor.

– putz, verdade, será que já...- ele fez menção de sair, mas Sakura pegou seu braço.

– vai dormir, Sasuke.

– ah, tá – Sasuke se acomodou e se virou para ela, fitando-a. – agora é a sua vez, onde vamos amanhã?

Sakura bocejou e deu-lhe as costas.

– vamos ao Carnegie Hall...

A atenção dele, pela primeira vez desde que vieram do estádio, saiu do jogo por mais de três segundos e encarou as costas dela.

– que? Onde?

– ao Carnegie Hall, vamos ver a Orquestra Filarmônica de NY.

– que?

– vão apresentar Mozart, será maravilhoso.

– Mozart...? Mozart? Você quer ir ver... Mozart?

Mas Sakura não respondeu mais, se embalou em sonhos, o cansaço do jogo lhe causou muito sono e estava mais que ansiosa para que o dia seguinte chegasse logo.

Sasuke se virou encarando o teto, a empolgação toda passou de uma vez. E ele fez uma careta inconformada.

– mas Mozart?

Ele detestava ver orquestras ou shows de ópera, e não fazia ideia de onde Sakura tirou essa, seria apenas pra fazer chacota dele? Mas não se recordava de comentar tal desgosto para ela.

Mozart?

Inacreditável...

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– Sakura, anda logo, ou vamos nos atrasar. – Sasuke reclamou, outra vez e com um olhar impaciente, embora não estivesse nem um pouco feliz em ir, também detestava atrasos.

– oh, você nem está interessado – ela resmungou, meio ofendida.

– vamos logo querida, não vai querem enfrentar multidões, principalmente para os camarotes.

Ela enfim saiu e seguiu até ele sorrindo, segurou a lapela de seu smoking.

– eu disse que você conseguiria, não disse? São ótimos lugares não é?

– os melhores – ele admitiu, mas dera um trabalho infernal consegui-los, praticamente teve de se arrastar para comprar as entradas de um velho viciado e rabugento, nem Liza com toda sua educação e lances altos dera conta e Sasuke se viu ligando pessoalmente e usando o casamento recente como desculpa.

Não deu muito certo, mas quando disse que ela estava gravida, o humor do velho até mudara, Sasuke não entendera bem seus resmungos, algo como “finalmente alguém que quer ensinar musica de verdade aos filhos” e então veio o almejado sim.

– você está fantástica, isso tudo para ficar sentada comigo num camarote? – ela fez um bico, mas pareceu adorar o elogio mesmo assim, seu vestido era vermelho, longo e leve, com um detalhe prateado acima da barriga, e principalmente sem alças deixando seu belo colo nu.

Sasuke levou a mão a seu pescoço acarinhando o local.

– não vai por nada aí? Seu pescoço é tão lindo...

– você e seus fetiches estranhos, eu estou bem assim, de peso extra já basta o bebê, Deus nem acredito que estou deste tamanho, e ainda faltam dois meses! Este menino vai nascer andando?!

– e talvez já saia à procura de um emprego...

– babaca!

– você está linda, agora vamos, certo?

– sim! – ela disse, ansiosa. Sasuke vestiu um sobretudo e entregou o dela, branco, de pele sintética que ela achou muito fabuloso, adorando sentir a gola fofa, pegou uma carteira pequena e o acompanhou, não antes claro, de encher a gata de afagos, deitada sobre a poltrona dele.- seja uma boa menina, sim?

– vamos, querida.

– comporte-se mamãe e papai voltam logo. – ele revirou os olhos, já com a porta aberta, e Sakura enfim passou.

– tenham uma boa noite – James cumprimentou entregando-lhe a chave.

– oh James, você também, divirta-se.

– obrigado madame – muito satisfeita ela se sentou e Sasuke contornou entrando e observando seu sorriso, um tanto desconfiado.

– hum? O que foi?

– hn, nada.

– ora então vamos logo!

Ele ligou o carro e partiu, a casa de shows não ficava muito longe, mas o trânsito com foi bastante sufocante em alguns momentos. Sakura detestava o som das buzinas até xingamentos dos motoristas e estava para abrir a janela e mostrar o dedo e alguns palavrões bem fortes a um desses caras.

Mas decidiu que nada afetaria sua noite, e desceu muito satisfeita do carro, Sasuke entregou as chaves a um rapazinho e puxou-a para perto.

– senhor e senhora Uchiha, confirmam o casamento?! – um fotografo que o seguia com a câmera, Sakura se encolheu no casaco e preferiu lançar sorrisos a qualquer um que não tivesse uma câmera. Sentiu Sasuke puxar sua mão e exibi-la ao cara.

– isto tira suas duvidas? – se referia a aliança de ouro na mão dela, Sakura ainda a usava a de noivado na outra, e a de casamento era delicada com três pedrinhas em cima, duas verdes e uma preta, enquanto que a de Sasuke era mais grossa e facilmente notável, porém as pedras menores, e em alternância com as dela; duas pretas e uma verde no centro.

– é muito bonita senhor! Senhora Uchiha como vai a gravidez?

– me deixando cheia...- ela comentou baixinho e o Uchiha riu. Os dois enfim cruzaram o tapete vermelho até dentro do local, havia uma pequena recepção mas não quiseram se demorar por ali e foram direto para os camarotes, pelo meio do caminho foi anunciada o começo da atração e os corredores começaram a se encher de gente tal como as poltronas lá embaixo. O camarote era voltado bem para a frente do palco, e mesmo Sasuke teve que admitir que eram ótimos lugares mesmo, Liza fora estupenda, dera um jeito de conseguir a lista de clientes e ligara para aquele que tinha realmente o melhor lugar.

Sakura se aproximou da pequena amurada, encarando as poltronas abaixo de si, o palco tomado de cadeiras e instrumentos, a iluminação ainda estava baixa e ela observou cada musico tomar seu lugar ali, além de um coral numeroso.

E então o maestro entrou. E uma pequena salva de palmas se fez.

Sasuke se aproximou por trás dela, vendo seu olhar perdido em cada detalhe do local e principalmente nos músicos. Perdido, e encantado.

– querida? – murmurou-lhe — vamos nos sentar, certo? – Sakura assentiu, desperta, se sentou ao lado dele, numa das confortáveis poltronas. No camarote ao lado se sentaram um casal de idosos e do outro parecia haver apenas uma pessoa, mas a luz dele estava apagada e Sasuke só via a sombra que a iluminação de fora jogava.

Quando começou, Sasuke sentiu aquela velha onda de tédio, sono e mau humor o atingir, como uma criança birrenta, quase se deixou escorregar na cadeira, sentando de mau jeito.

Sakura deitou a cabeça em seu ombro, e ele se aprumou, fitando-a. Seus olhos verdes brilhavam em direção ao espetáculo, acompanhando cada movimento do maestro, dos instrumentos, do coral. Um sorriso de deslumbramento, genuíno quase infantil de tão puro, não deixava seus lábios carmim, e com um longo suspiro ela apoiou a mão no peito dele, tentando chamar sua atenção, sem saber que já a tinha completamente.

– não é lindo?

Sasuke suspirou pesadamente, e beijou sua cabeça.

– sim é.

Ela não tirara os olhos em nenhum momento, e mesmo louco pra tirar um cochilo ele se forçou a apreciar. Percebia que Sakura parecia até contar as notas. Seus olhos seguiam cada movimento dos músicos mas ele não tinha como saber qual instrumento era de seu interesse exatamente.

Quando se fez uma pequena pausa, ele saiu para caminhar um pouco, e pediu que levassem champanhe para sua cabine. Quando voltou Sakura estava impaciente para que retomassem logo o próximo ato.

– você pediu champanhe?

– sim.

– oh, fabuloso.

– além de Mozart... o que mais você gosta?

– hum? Chopin, é claro, Bethoven, e Tchaikovsky.

– Tchaikovsky? Qual seu favorito? – meteu-se a idosa e Sakura respondeu de muito bom grado.

Abertura 1812. – o casal assentiu, concordando.

– e o pequeno que leva aí? Quer ensina-lo desde pequeno a apreciar arte de verdade? – disse o senhor.

– oh, sim, Ah, Sasuke?! Fiquei tão distraída que mau lembrei de te contar.

– hum? – radiante ela acariciou a barriga.

– ele chutou bastante durante o ato! Acho que teremos um musicista sim senhor.

– ah vá?

– não seja rude! Melhor que as tralhas que esses moleques ouvem hoje.

– hn, quem diria, mas espero que também goste de bom Rock.- ele disse, acariciando seu ventre, Sakura revirou os olhos e o casal ao lado achou muita graça deles. – vejamos, ACDC ou Gun’s? um chute para um, dois para o outro.

– Não seja idiota!

Os dois sentiram o chute, e ele a fitou vendo-a de olhos arregalados, sorriu triunfante.

– ACDC, sim, ele tem muito bom gosto.

– humpf, cale-se, vai recomeçar.

Sasuke ainda rindo, se ajeitou na cadeira, mas desta vez não queria perder nenhum chute, ao menos queria se distrair com algo, passou o braço em volta dela e pousou em seu ventre. Um assistente veio e lhes serviu o champanhe que Sakura mau tomou. Um tempo depois, outra coisa tomou sua atenção, o camarote escuro ao lado. Talvez estivesse apenas ultra entediado, e entendesse que até mesmo Ryan apreciava a musica, mas ficou cheio de curiosidade sobre o ocupante ao lado. E as vezes tinha a impressão de que eram observados por ele.

Com um revirar nas orbitas, ele tomou mais champanhe e se obrigou a relaxar, com Sakura, não poderia dirigir minimamente alterado, mas se chutou internamente por não ter ocupado James aquela noite, poderia beber mais e se distrair melhor do tédio sem preocupar em por esposa e filho em risco.

**********************************************************************

– Sakura! Inferno! Anda logo!

– vai se foder! Seu babaca! – Sakura devolveu fula enquanto arrastava atrás de si uma mala enorme.

Ele suspirou e foi até ela pegando a pesada bagagem, Sakura estava com o sete meses completos, indo para os oito, e completamente irada e instável naquela manhã. Ele bem queria que a viajem fosse o bastante para acalma-la.

Mas viajar de Nova York até os Hamptons de carro seria a ultima coisa a deixa-la feliz.

O jatinho dele estava em manutenção, e por mais que quisesse (e pudesse) alugar outro, haviam decidido apreciar a o caminho por terra.

Claro, sem prever que ela acordaria possuída.

Sakura passou reto pela porta se importando de levar apenas um travesseiro e cobertor fofos e um saco de batatas chips. Usava calça de linho branca, um sapato folgado meio masculino, e um blusão de lã que pertencia a Sasuke e que ela se apoderou sem sequer avisar. Ele nem pensou em pedir de volta.

Ela o devolveria queimado e enfiara os resto na garganta dele.

Sasuke deu a mala a James que seguiu a patroa com bons passos de distancia segura. E Sasuke pegou outra mala e a gaiola onde Gisé estava muito confortavelmente abrigada.

Ele imaginou se acabaria pedindo abrigo a ela em algum ponto do caminho.

Entraram no carro, e Sakura não deu a mínima por ele ter se sentado ao lado do motorista. As malas entupiam o porta-malas e o banco era espaçoso o bastante para ela, Gisé e ele.

Mas ela aproveitou o espaço extra, deixando a gaiola numa ponta e bem presa ao cinto, ajeitou o travesseiro no banco e se deitou embrulhando-se e socando o travesseiro para deixa-lo macio, mas parecia que o objeto logo chutaria o balde.

– Sakura, tem que por o cinto – ele avisou.

– eu vou dormir, não tá vendo?!

– mas tem que por, não vai querer que sejamos parados por isso, olha, espere sairmos da cidade e quando pegarmos a estrada, vai poder cochilar até chegarmos.

Ela rosnou irada e se sentou e pôs o cinto de três pontos que era o adequado para ela. A mulher cruzou os braços e James ligou o carro.

Quando conseguiram vencer o transito e pegar a estrada Sakura se viu entretida com a visão das cidades pelo caminho, e principalmente das graciosas casas, qualquer um podia achar comum, para ela eram charmosas e aconchegantes só de olhar, haviam até crianças correndo nas calçadas e adultos decorando as faixadas com o tema Halloween.

Ela nunca fez muita questão de lembrar da infância, mas recordava-se que sempre quisera aprender a cortar as aboboras daquele jeito.

Mas ela mau teve o gosto de se fantasiar, não depois que seu pai se fora, ela não foi mais nem princesa, nem bruxinha, bailarina ou heroína.

Quando cresceu, não foi mais que versões pervertidas dos sonhos infantis, fantasias masculinas e machistas.

Ela estava tão fascinada, que nem se perguntara por que mesmo estavam passando por dentro destas cidades e até circulando nos bairros residenciais.

Sasuke tampouco queria que o fizesse, então pararam apenas numa loja de conveniência para comprar água e ordenou que James tomasse a rota correta ou se atrasariam. Não era questão de alimentar um possível desejo de Sakura em vir para o interior, mas de deixa-la senti-lo um pouco. Ele também não desgostava a visão de uma casa comum num bairro calmo, um jardim, e quem sabe uma casinha de cachorro, só tinha certeza que não faltaria um taco de beisebol de brinquedo, luva e bola largados no quintal.

Seja em realidade ou imaginação, ele definitivamente faria seu garoto ser tão fã dos Yankees quanto ele o era.

A imagem de um garotinho se preparando para acertar a bola o aqueceu, e ele se viu rindo ao cogitar que ele também seria um ótimo lançador de bolas, pois Sakura era ótima em lançar as coisas...

– o que este idiota está vendo pra rir assim? Feito um idiota? – Sakura disse, ele desmanchou a cara numa carranca, e se virou fitando-a, ela o encarou de volta e virou a cara com um sorrisinho debochado enquanto tinha Gisé em seu colo, a gata ronronava contra seu pescoço e as patas abriam e fechavam com preguiça, amaciando o cabelo da dona.

– pare de ser implicante e ponha ela de volta na gaiola – ordenou.

– oh, deixe-a em paz, ficar ali dentro cansa e sufoca.

– é mais seguro pra ela, se batermos o carro não vai querer que ela atravesse o vidro da frente...- Sakura arregalou os olhos em choque, mas ele preferiu assombra-la só um pouco mais... – e se não atravessar, vira patê...

Dois segundos depois Gisé repousava em sua gaiola e a própria gata arrumava o cinto e o firmava.

Muito satisfeito, ele se voltou para frente, James parecia meio incomodado também e Sasuke se perguntou se ele ficou ofendido quanto as suas capacidades no volante.

Pegaram a rodovia e estava mais movimentada que o comum, não poderia dar em outra com o feriado caindo numa sexta e prolongando o fim de semana, só fizeram parada para um lanche.

Quando finalmente alcançaram os Hamptons eram cerca de dez horas, geralmente se levava cerca de duas, mas como ele quis agradar a gata, levou mais tempo.

O cheiro do mar chegou até eles, a casa ficavam em Water Mill de frente para Mecox Bay e Sakura encarou pela janela os casarões elegantes e sofisticados pelos quais passavam.

– vê aquela casa? – Sasuke indicou, soltando-se do cinto e passando para o banco de trás, ela o fitou com a sobrancelha arqueada, não era ele que falava de segurança?

Sasuke se sentou ao seu lado e indicou a casa pela qual acabavam de passar, pintada em tons cinzentos e com muitas arvores ao redor.

– é a casa da Tsunade.

– é? Uau, porque nunca pensei em medicina? – ele riu um pouco, fitou-a desconfiado, encostou o rosto no cabelo dela e indagou.

– e tinha pensado em que? – Sakura se empertigou, mas ficou quieta.

– não faz mais diferença, mas, cansava menos que ser sua esposa – provocou, ele revirou os olhos, mas, concordava.

O carro fez uma leve curva, ela viu a sua direita um campo de areia ou terra e presumiu que ali se ergueria outro imóvel, mais a frente visualizou uma quadra de tênis, muitas arvores e viu que aquela mansão tinha muito terreno.

– estamos chegando. – ele anunciou beijando sua cabeça, e quando de uma, ela nem viu a casa que tinha a quadra porque tinha muitas arvores na frente, o carro fez uma curva entrando numa rua mais estreita e então diante de um portão, James pegou um controle no porta luvas e as abriu, adentraram um pátio de concreto liso e claro, pelos fundos da casa. E enfim, ela pode se livrar de verdade daquele cinto.

Notou que a mansão do Uchiha ficava bem na ponta inteiramente voltada para a baía.

– vamos, Sakura.

– tá – eles saíram e James fez a gentileza de tirar Gisé e entrega-la a ela antes de se dedicar a tirar as malas.

Sasuke caminhou um pouco pelo pátio, estudando o lugar, mesmo que não houvesse muito além da arquitetura para se ver, mas Sakura fez o mesmo. O Uchiha alongou as costas deliciado em se livrar do automóvel, usava uma camisa fina e de manga longas puxadas sobre os cotovelos de cor cinza, calça branca e solta e chinelos, óculos escuros, e embora não quisesse reparar, a pulseira que ela lhe deu de aniversário ainda estavam em seu pulso, além de claro, a grossa aliança de ouro refletir ao sol quase que com arrogância. Sakura beijou a cabeça de Gisé e ocultou nela um suspiro enquanto observava o marido.

Sasuke se voltou para ela com um sorriso de satisfação e ela desviou para o muro de arbustos dos fundos, tão perfeitamente aparado. Ele veio em sua direção e a puxou pelo ombro abraçando-a enquanto seguia para a casa.

– vamos, eu quero te mostrar tudo.

– não pode ser mais tarde? Já é quase hora do almoço.

– ah, sua chata, tudo bem...

– e um banho?

– certo, um banho, comida...

– e soneca? – ele a fitou estreito, sob os óculos.

– gata preguiçosa.

– qual é, vamos ter tempo, a festa é amanhã e vamos ficar até o domingo.

– certo, que seja.

Entraram e ela viu que aquela não era realmente os fundos da casa, tinha uma porta e janelas brancas e pintura em tom de terra, deparou-se com uma sala enorme e toda em tons claros, sofás em tons pastel, e grandes janelas que brindavam com a vista da baía.

– nossa... isso aqui é enorme.

– não sabe o quanto, eu adorava pular nesses sofás.

– devia ser divertido – ela admitiu, sorrindo um pouco, podia imagina-lo mesmo agora, um adulto, pulado sobre as almofadas.

– no térreo temos a sala de jantar, a cozinha, a sala de estar, e, a sala de cinema.- ele anunciou, como um perfeito consultor imobiliário.

– sala de cinema? Mentira.- Sasuke a puxou pela mão e guiou-a até o local, a cozinha era grande e tinha mais um espaço para descanso, e a sala de cinema existia mesmo, tinha um ar mais escuro, com cores queimadas e poltronas de couro, paredes azul claras se revezando entre faixas de madeira clara que também compunham o teto. – que droga, Sasuke, este lugar deve valer uma fortuna.

– quer que eu te diga?

– não, não vou ter um infarto agora, idiota.

– tudo bem! – ele deu de ombros, sabia que mais tarde ela perguntaria. – Gisé, no couro não – avisou pegando a gata de uma das poltronas onde ela se preparava para atacar.- vamos – levou-a num braço e Sakura pelo outro.

Passaram pela sala de jantar, cujos lustres ela adorou, e depois numa salinha com esculturas de felinos estranhos e um lustre esférico e colorido, então subiram as escadas.

– no andar superior temos os cinco quartos, todos com vista para o mar, o centro de fitness, e derreta-se, baby, a suíte principal tem um terraço.

– oh, parece incrível, amor, vamos ficar nela?

Sasuke lhe sorriu com aquela cara sacana, e beijou seu pescoço.

– claro – disse roucamente, ela se encolheu arrepiada.

Oh, o moleque safado voltara, uma parte criança também, ela reparou.

– você gosta desta casa não é?

– é... foram ótimos tempos.

– hnm, vamos, eu quero um banho.

– tudo bem, alias, acho que vai adorar saber que no exterior da casa está a piscina, o spa, o solário com casa de banho, o terraço coberto e o barbecue...

barbe– o que?

– a churrasqueira, querida.

– ah, tá... churrasco... hum, oh, vamos pra o quarto, quero banhar e comer! – resmungou, ele revirou os olhos e a guiou até o quarto principal. Era enorme em tons claros também, ela viu a escada para o terraço, e também os sofás em frente a TV enorme, além de uma porta para a varanda.

– gostou?

– é enorme, seu rico idiota!

– que bom que gostou tanto, amor, o banheiro é ali, e você, fique aqui, quietinha – ele pôs Gisé sobre a cama, e foi até a TV enquanto Sakura explorava o belo banheiro, a banheira era daquelas de desenho animado, toda graciosa com pezinhos de leão.

Ela praticamente se tele transportou para fora das roupas, encheu a banheira, e caprichou na espuma, entrou e relaxou sob a água morna.

Passou o tempo que quis e ouviu Sasuke falando onde deixar as malas, ela não viu muitos empregados, apenas o que parecia ser o caseiro e um rapazote indo ajudar James.

Quando saiu, Sasuke não estava lá, abriu a mala mas teve preguiça de remexer muito, então apenas pegou uma calcinha preta, e uma das camisas que tomara do Uchiha.

Seguiu atacada por preguiça para a varanda e deitou no sofá dela, abotoando a camisa apenas sobre os seios.

Sasuke entrou no quarto e foi direto ao banho, quando saiu, encontrou-a lá fora e se sentou no chão mesmo, ao lado da cabeça dela e se recostou, Sakura envolveu sua cabeça com o braço e manteve os olhos fechados, apreciando a frieza da pele úmida dele após o banho e sentindo certa saudade de banhar com ele.

Sasuke acarinhou sua barriga nua com uma palma e beijou a mão dela, e apenas permaneceram assim, durante um tempo, ela até cochilaria e tinha certeza que ele também se não estivessem com fome.

– o almoço está pronto?

– fominha... – ele murmurou, e ela aproveitou que estava sem camisa para arranhar seu ombro – argh, está quase, então não me coma vivo.

– só se o bebê quiser.

– tsc, não culpe o garoto.

Após alguns minutos eles ouviram batidas na porta e Sasuke se levantou.

– vê? Já deve ser a comida – ele seguiu até a cama, pegando uma camisa e no caminho para a porta, a vestiu. Abriu e deu com a governanta Natacha. – Natacha, como vai?

– muito bem, senhor Uchiha e feliz em vê-lo por aqui novamente.

– digo o mesmo, a casa está impecável.

– obrigada, eu venho avisar que o almoço está pronto, o senhor e sua esposa vão descer? A senhora Mikoto disse que está um pouco indisposta então...

– espera, Mikoto? Mikoto está aqui?

A mulher se empertigou encolhendo os ombros, ela não era tão mais velha que Sasuke mas trabalhava pra família tempo o bastante para entende-la.

– ela chegou ontem...

– ontem? O que ela veio fazer?

– algo sobre uma festa, creio que a mesma que o senhor vai, e seu irmão deve chegar pela tarde.

Sasuke suspirou meneando a cabeça em derrota.

– só faltava...

Ele adoraria dizer que poderia expulsa-los, mas a casa também era de Itachi, era da família, até mesmo os tios deles podiam vir quando queriam, era algo que Fugaku fez questão de manter compartilhado.

– tudo bem, não tem jeito, prepare a mesa, só duas pessoas, ao que parece, mas... sirva comida o bastante para três...

– eu ouvi isso, babaca! – Sakura avisou.

Ele riu amenizando o espanto da empregada.

– obrigado, Natacha.

–oh, claro.- ela se retirou e ele se virou cerrando a porta e vendo Sakura sentada no sofá com braços e pernas cruzados.

– fim de semana em família, que gracinha.- ela escarniou.

– nem me fale...

– bom, se não tem jeito...- Sakura se levantou indo em busca de algo pra vestir – que comecem os Jogos...

– você anda vendo filme de terror demais, criatura.

– é como um treino, babaca.

Após o almoço Sakura foi até o sofá em que ele se deitara e subiu, sentando-se em sua pélvis e fazendo questão de atrapalhar a leitura dele, dando petelecos no jornal que ele lia.

– para.

– não? – respondeu, travessa,e deu outro peteleco na folha.

– para, criatura chata, vai dormir.

– não? – outro pequeno golpe e ela conseguiu furar a folha, recolheu a mão contra a boca e o encarou com os olhos arregalados, Sasuke baixou o jornal e a fitou – opa.

– sua...

Ele jogou o jornal fora e se sentou agarrando-a e tentanto lhe fazer cócegas e morder seu pescoço.

– Não! Para! Não tem graça Sasuke!

– e tem graça rasgar meu jornal não é? Agora sei quem os deixa fatiados quando guardo pra ler!

– não! Não fui eu! Foi a Gisé! eu juro... para! Foi ela a culpa é sua quer larga em qualquer lugar!

Os dois se interromperam quando viram Itachi Uchiha adentrar a porta os fitando com atenção. Seu terno estava sobre um ombro, era de um azul quase imperceptível de tão negro, e a camisa branca meio amassada, por mais despojado que parecesse, para ela, ele ainda passava a visão de um Titã, um observador silencioso, exatamente como fazia agora.

Sasuke se deitou sobre a almofada outra vez acariciando a barriga dela, enquanto o mais velho os fitou com uma sobrancelha negra arqueada, idêntica a do mais novo.

– estou interrompendo algo intimo?

– não... – ela estranhou.

– depende do que você define como íntimo – Sasuke disse, sorrindo cinicamente e com a bendita sobrancelha também no alto.

– estavam fazendo sexo?

– não! – ela indignou-se e o marido a abraçou fazendo mensão de levantar sua camisa.

– estamos sim!

– oh, cale-se idiota! Me solta! Seu grudento!

– você que veio toda fogosa!

– vai se danar, babaca!

Itachi apenas suspirou e caminhou para fora da sala rumo aos quartos.

– esse cara é estranho.- ela disse agora deitada de lado sobre Sasuke.

– tanto quanto eu?

– você é excêntrico.

– hnm.

– e mimado.

– humpf, bem que você podia me mimar de novo.

– oh? quer outra punheta?

– vai se danar!

– não, é sério, você quer?

– você é tão vaca!

– ora pois...

– doutor, madame, onde devo por isso? – James indagou da entrada da cozinha, o que ele levava eram duas caixas uma branca e outra cor de chumbo, as duas largas e baixas.

Sasuke a encarou e ela a ele, com olhos arregalados, e antes que ela o agarrasse e o mantivesse ali, ele escorregou de debaixo dela e saltou sobre o sofá rindo atéo motorista.

– Sasuke! Volta aqui! Não dá pra ele James!

– eu fico com as duas! – ele disse tomando-as, ela se levantou toda torta e irritada foi até ele aproveitando para tomar a caixa branca que estava por cima.

– não vai não!

– porra, qual é! Deixa eu ver!

– então deixa eu ver também!

– não tem graça!

– o mesmo vale, babaca!

Ele revirou os olhos emburrado, segurava a caixa com a fantasia que escolhera para ela, e ela, que encomendara para ele. Desde que chegaram os dois estavam loucos pra descobrir a escolha do outro, e Sakura fez questão de esconder dentro do porta-malas pra ele não tocar, e ele, também.

James se retirou deixando os dois a alternarem olhares de desafio e curiosidade entre si e as caixas.

– a festa é amanhã...- ela começou.

– eu sei, seria bom saber logo pro caso de trocar.

– está do seu tamanho, vai por mim eu tenho certeza.

– não é tão difícil acertar o seu, gata, agora sem muitas curvas...- ela fez menção de avançar nele uns dois passos fazendo-o recuar contra o sofá. – opa cuidado!

– babaca! Eu quero saber que penteado vou precisar usar!

– eu posso dar uma dica, deixa ele meio solto, que tal?

– não!

– também pode ser preso, ficará ótimo também.

– ugh, eu vou guardar isso, onde você não pegue – bufou ela, dando as costas.

– vai ser difícil, conheço cada canto dessa casa...

Sakura tentou ignorar a verdade e fez o mesmo, sabendo que ele também esconderia e irritada por ele ter muita vantagem, conhecia a maldita casa, e ainda tinha mais disposição para procurar que ela que já sentia as pernas cansadas só de subir as escadas.

Ela caminhou feitou uma tola por todo o lugar em busca de algo que desse ao menos mais trabalho a ele.

Quando já estava desistindo e resolvendo apenas ameaçar as bolas dele, deu de cara com o cunhado pelo corredor.

Mau teve tempo de se encolher, encarou ele e a caixa e sorriu.

– pode me ajudar? Sasuke está sendo um porro comigo.

– hn? E quando ele não é?

A resposta descontraída a fez sorrir ainda mais, embora tentasse parecer um anjo, ela sabia que estava mais para um diabrete de cabelo rosa e barriga de melancia.

*********************************************************************

– puta que pariu.

Ele não estava acreditando, onde infernos ela esconderia uma caixa daquelas?

Já era manhã de sábado, e ele mau dormira depois de procurar duas vezes antes do jantar e após e não ver o mínimo sinal.

Sasuke espiou-a sentada na beira da piscina balançando as pernas na água, e Mikoto lendo uma revista deitada em uma das espreguiçadeiras, as duas ignoravam perfeitamente bem a existência uma da outra.

Se podia citar uma semelhança entre elas era se fazerem de deusas inatingíveis.

Vendo cada uma seu trono e nem um pouco interessada e perturbar a outra, ele voltou à caçada, além de curiosidade estava achando muito divertido brincar com ela, por que sabia que ela também estava em busca da caixa dele.

Ela levantara três vezes durante a noite ele sabia que não era pra atacar a geladeira ou a dispensa, quando era, Sakura o castigava indo comer na cama mesmo, só pra que ele de alguma forma pagasse pelas ânsias incontroláveis que a gravidez a fazia sentir.

Ela estava farejando em busca da fantasia.

Ele verificou cada lugar com atenção, nem mesmo nos carros ela escondeu, nem na dispensa (o primeiro lugar que ele procurou, mas ela não precisava saber disso).

Rodou a casa inteira e cansado e irritado, se largou deitado no sofá da suíte, segundos depois Sakura adentrou com um olhar desconfiado, mas quando o viu, disfarçou e ele percebeu, se ela ainda cogitava que ele tivesse escondido a fantasia na suíte deles, era por que não teve qualquer sorte com o resto da casa, e isso o fez se sentir vingado.

Sasuke encarou o teto por um longo momento, enquanto ela acarinhava a redonda barriga de Gisé, sobre a cama.

O Uchiha suspirou.

– um trato....

– aceito! – Ele se sentou encarando-a feio por já ter aceitado, mas sabia que se tivesse sido ela a pedir ele faria o mesmo.

– tudo bem, eu mostro a fantasia, você também, ao mesmo tempo, certo?

– certo!

– vai buscar.

– tuuuudo bem! – ela saiu pela porta e ele também desceu até o andar de baixo e procurou Natacha, sua cumplice.

Subiu trazendo a caixa e com a empregada em seu encalço, muito risonha ao perceber a infantil competição deles.

Antes de entrar Sasuke se deparou com a porta do quarto do irmão se abrindo, ele saiu e Sakura logo atrás, muito satisfeita com a caixa nos braços.

– mas que... porra é essa?

– oh? Você pediu pra ela guardar?! Não acredito!

– você escondeu?! – ele encarou o irmão que deu de ombros, enquanto fechava a porta.

– eu disse que você estava sendo insuportável, e ele concordou que você era sempre assim, e não estamos errados, você atrapalhou a vida até a pobre moça!

– sua...

– bela fantasia – Itachi disse.

– você viu?!

– por que não?

– isso é sacanagem, Sakura!

– huh? Ele que espiou juro que não mostrei, você não é único curioso huh? – ela encarou o cunhando afiadamente, ele deu ombros.

– bom, é melhor que a minha só vou usar isso – Itachi mostrou celular com a imagem de uma simples mascara negra que só cobria o rosto.

Sakura arregalou os olhos e corou, ela corou.

– só-só isso?! – Sasuke entendeu com ela entendeu a historia e revirou os olhos, a mulher alternou olhares escandalizados entre eles – ma-mas que diabos de festa é essa, Sasuke?!

– ah, cale-se, você é louca.

– louca?! Essa cara vai numa festa a fantasia usando... usando isso?! E eu sou louca?! Nem mesmo eu usei tão pouco assim...!

– ah,fala sério! – irritado ele abriu a porta e puxou a mulher para dentro.

– bom, não que vá ficar exatamente feio nele...- ela comentou agora analisando Itachi de cima á baixo – não, não vai ficar.

– hn? – Itachi indagou, muito perdido na conversa. Sasuke bateu a porta fazendo uma careta, e ele concluiu que sua cunhada era tão estranha quanto seu irmão.

Talvez fosse dar certo afinal...

– e eu achando que já tinha visto de tudo...- Sakura resmungou muito constrangida, enquanto punha a caixa na beira da cama, Sasuke largou a dele, irritado e a encarou, apontando o dedo indicador.

– você é tão... sem noção!

– huh?!

– que seja, dane-se, abre logo isso aí!

– ah, abre você, é sua.

– tudo bem! – ele riu, puxou-a para o lado e ficou em frente a caixa. – tudo bem, no um...- meio segundo depois ela já tinha lançado a tampa da caixa escura pelo ar e empurrava o papel de seda que protegia o conteúdo, Sasuke revirou os olhos, emburrado, mas resolveu dar corda à própria curiosidade e abriu a caixa branca.

A primeira coisa que Sakura viu foi seda, seda cor de champanhe, ela puxou com uma careta de puro estranhamento, e encarou a peça.

– um... robe?

– Caralho! Não acredito! PUTA QUE PARIU! – Sasuke puxou da caixa uma mascara de Guy Fawkes – não pode ser! Merda, caralho! Porraaaa!

– ai, para de gritar – ela resmungou ainda tentando entender que diabos era aquele robe longo e mangas largas, largou-o de lado e tentou descobrir mais, havia o que parecia ser um corpete preto de veludo que provavelmente só lhe cobria os seios mesmo, e shorts também de veludo. – que droga é essa?

– Caralho! Eu não acredito! Uma fantasia do V porra Sakura!

Ela largou a roupa estranha de lado, e se voltou para ele vendo-o vibrar com a mascara e a peruca negra.

– caralho, caralho, caralho! – ele parecia uma criancinha e ela não entendeu por que tanta vibração.

Sasuke tirou de dentro a capa, e ficou ainda mais louco a perceber que estava tudo lá, até mesmo as malditas adagas, botas, tudo! Agora entendia por que a caixa dela era mais pesada.

– não pode ser! Caramba!

– eh? Você gostou mesmo?

– eu claro que eu gostei, eu

– eu comprei por que...

– Eu amo V!

Os dois se encararam, incrédulos, e Sakura riu com desdém.

– ah vá, até parece né?

– o que? Eu que devia estar dizendo isso, você? Gosta do V? Boa, gata, diz logo como descobriu, você fuçou nas minhas HQs escondidas no fundo do armário?

– o que?! Eu lá ando fuçando suas coisas! V é o meu personagem favorito!

– ah sério?! Então prova.

Ela bateu as mãos em desafio.

– pode mandar!

– qual a primeira vez em que foi publicado?

– pft, sério isso?

– sem enrolação.

– Tudo bem! Foi entre 1982 e 1983.

– tá essa foi...

– primeiro foi publicado em preto e branco pela editora britânica Warrior, mas não chegou a ser finalizado. Em 1988, e incentivados pela DC Comics, Allan Moore e David Lloyd retomaram a série e a concluíram com uma edição colorida. – ele deixou o queixo cair, encarando-a e ela mandou-lhe um beijinho sacana e uma piscada. – mais alguma pergunta, amor?

Sasuke apertou o punho, irritado.

– tudo bem! Quero ver se conhece essa: “Eis que me fiz de santo...

...quando na verdade era o demônio...” – Sakura revirou os olhos.

– não fode...

– certo minha vez, não?

– tá, pode mandar.

“O que fizeram comigo me criou, é um principio...

–“...básico do universo, que toda ação cria uma reação igual e oposta.” Hah! Toma essa! – Sakura deu de ombros com um bico. – minha vez.

– chatoooo.

– Tá com medinho é? Então manda outra.

– sério?

– por que não?

– tudo bem, “Quem? É só a forma que deve ter um porque e o que eu sou um homem de máscara...– ele não a deixou nem chegar na metade, pegou a mascara e pôs contra o rosto enquanto também imitava o trejeito do personagem que mais admirava.

“...Isso eu já notei. é claro que já; não questionei seus poderes de observação apenas enfatizei o paradoxo de perguntar a um mascarado quem ele é. mas nessa noite ospiciosa permita que no lugar de uma alcunha corriqueira eu sugira o caráter dessa persona dramática...”

Para seu espanto, Sakura estava com os olhinhos brilhando de encanto.

– ficou perfeito!

– obrigada, obrigada – ele achou graça, então ofereceu-lhe a mascara – sua vez.- ela ficou sem jeito e o fitou, oferecendo-lhe de volta, sorrindo com muita confiança enquanto disparava com perfeição.

–“ Voilà! À vista, um humilde veterano vaudevilliano, apresentado vicariamente como ambos vítima e vilão pelas vicissitudes do Destino...

– ah, não fode – ele não podia crer mas, ela continuou.

... Esta visagem, não mero verniz da vaidade, é ela vestígio da vox populi, agora vacante, vanescida, enquanto a voz vital da verossimilhança agora venera aquilo que uma vez vilificaram. Entretanto, esta valorosa visitação de uma antiga vexação, permanece vivificada, e há votado por vaporizar estes venais e virulentos verminados vanguardeiros vícios e favorecer a violentamente viciosa e voraciosa violação da volição. O único veredito é a vingança, uma vendeta, mantida votiva, não em vão, pelo valor e veracidade dos quais um dia deverão vindicar os vigilantes e os virtuosos. Verdadeiramente, esta vichyssoise de verbosidade vira mais verbos e vis-a-vis uma introdução, então é minha boa honra conhecê-la e você pode me chamar de V.”

Sasuke largou a mascara sobre a cama e puxou o rosto dela, sepultando um beijo em sua boca, por tempo o bastante para roubar-lhe o ar e faze-la tentar se soltar.

Ele jamais a largaria.

Encarou-a arquejante e sorriu mordendo os lábios prazerosamente ao declarar.

– você foi feita pra mim, sabia? – Sakura enrubesceu e bufou, constrangida.

– humpf, agora me diz, que droga é isso – ela indicou a própria fantasia.

– ah isso, você vai ser uma linda cortesã, legal não?

– huh? Cortesã?

– é, sabe aquelas garotas de cabaré parisiense? É bem isso.

– espera, está me dizendo que, basicamente, vou me vestir de puta?

Sasuke revirou os olhos.

– não seja chata...

– oh me desculpe!

– é serio, é até ofensivo comparar uma cortesã de Paris com as garotas de hoje, elas eram mais artistas do que garotas de programa sabia?

– devolve minha fantasia do V – ela resmungou pegando a caixa e ele impediu, rindo.

– não, Sakura, não seja assim.

– que não seja assim o que! te compro a roupa do meu personagem favorito e você me vem com essa de cortesã! Sai! Eu que vou de V!

– uma V grávida? Que loucura...

– uma puta gravida? Que loucura...- ela imitou seu tom, que só o fez rir mais, ela estava indignada e talvez ofendida, mas ele estava adorando vê-la com aquelas bochechas praticamente infladas. Tomou-lhe a caixa e afastou-a, Sakura se sentou com os braços cruzados. – eu não vou!

– vai sim, vem cá, vou te contar uma historinha.

– não quero!

– mimada.- Sasuke a puxou para perto, tecendo beijos em seu rosto — Nos finais do século XIX, a arte da joalheria atingiu o seu expoente máximo de criatividade e sofisticação. Por esta época, uma dama cortesã e artista, teve como objetivo na vida obter um colar de diamante soberbo de modo a mostrar ao mundo o seu valor.

– e? – ele sorriu, abrindo a blusa dela, apenas o bastante para ter acesso a seu pescoço.

– O tamanho real das joias era diretamente proporcional ao sucesso social ou ao amor do seu dono e por conseguinte, isso era comum ver peças em reuniões mundanas de cortar a respiração de qualquer reles mortal.

Sakura o empurrou, os olhos brilhando de desconfiança e curiosidade, o sorriso sedutor armado para arrancar dele a verdade com sua voz de veludo.

Ele podia imagina-la perfeitamente numa fantasia de cortesã, principalmente sem estar gravida, se no mundo moderno ela fazia sucesso, na Paris do século XIX ela teria ganho o mundo.

Mas, não era o mundo que ele queria lhe dar?

– e o que eu tenho haver com isso? E o que joias, tem haver com isso?

– isso, minha linda cortesã, vai descobrir mais tarde.

– ah, só podia...

– e só se vestir a roupa.

Ela olhou com desgosto para as peças, mas suspirou e deu de ombros.

– eu visto, mas não significa que aceitei ir.

– tudo bem....

– humpf.

– agora vou experimentar minha fantasia de V.

– oh, sim! Quero ver como fica!

**************************************************************

– você está linda.

Sakura fez um daqueles bicos enquanto se auto avaliava em frente o espelho, a bustiê ao estilo corpete comprimiu tão perfeitamente os seios cheios dela que ele ficou em duvida se queria leva-la mesmo. E voltou a ter ciúmes da barriga, por que diabos escolhera algo que a mostrava mesmo?

O shorts era confortável e o veludo brilhava com elegante descrição em destaque a suas belas cochas que tinha apenas um palmo de pele amostra antes de serem cobertas até os pés por meias negras. O robe de seda longa era o maior destaque da roupa arrastando-se atrás dela, mangas longas e largas, fechado apenas na altura do ventre redondo, a gola era um pouco armada dando um ar fantasioso e deixando seu pescoço nu mais bonito ainda. Ela enrolara o cabelo em cachos simples e prendeu num coque para cima deixando apenas os cachos caindo sobre a nuca e lados do rosto.

– é, pelo menos não pareço uma bola.

– claro que não, eu tenho ótimo gosto – ele disse enquanto ajeitava a longa capa negra, e também as adagas de acrílico no cinto, eram tão realistas que quase não pareciam pesar tão pouco, ele não resistiu a pegar uma e brincar com ela.

– parece um garotinho – Sakura provocou, enquanto colocava um par de brincos, ele parou e se curvou numa mesura.

– devo a vossa senhoria.- Ela riu e foi até com a mascara.

– põe logo, vai – Ele revirou os olhos ajeitou a peruca e então pôs a mascara, foi meio difícil no começo, enxergar por ela, mas conseguiu se acostumar.

– nossa, ficou incrível – Ela disse, um tanto rouca.

– sério mesmo? – Sakura assentiu mordiscando os lábios carmim, e passando as mãos pelo peito dele com um olhar maravilhado e...

Puta que pariu.

Excitado.

Quando experimentou pela primeira vez, achou que era só impressão, mas estava errado.

Ele não podia crer, mas reconhecia aquele olhar de gata safada dela.

– está incrível mesmo, nem acredito, tenho meu próprio V!

– tudo bem...

– você está um espetáculo, ficou ótimo em você, mais do que fantasiei...

– que?! – ele levou a mão para tirar a mascara mas Sakura o impediu, olhando-o feio.

– não tira!

– não estamos na festa.

– e daí? Não tira, poxa, vai perder a magia.

– magia?

– claro! Ninguém nunca viu o V, que graça teria se mostrasse a cara? – ela ajeitou os fios lisos da peruca e por fim, muito caprichosa, colocou o chapéu. – você está um arraso, baby, agora vamos?

Muito animada ela seguiu para fora, Sasuke bem queria comemorar também, afinal descobriu algo que não achou que Sakura tivesse.

Um fetiche.

Ela tinha fetiche pelo V, ele achava meio estranho afinal, era seu personagem favorito desde moleque.

Mas quando ela contou que descobriu o Vendetta lendo as revistas antigas dos caras que vigiavam ela e as garotas, ele percebeu que V tinha sido a único herói que ela tinha conhecido a vida toda, a vida toda que viveu no inferno.

Não esperava que ele a viesse salvar por que ele era de um mundo alternativo ao dela. Ainda sim, ela apreciava seus ideais o bastante. E talvez eles a consolassem em algum momento.

Sasuke arrumou a adaga de volta no cinto e pegou os convites da festa sob a cômoda. Saiu do quarto e seguiu para baixo.

– Sasuke? – Mikoto indagou, do sofá, apenas para ter certeza que era ele.

– me chame de V – ele disse, e ela suspirou meneando a cabeça. – vamos? – Sakura sorriu muito empolgada e deu-lhe o braço seguindo para a porta.

Ela reparou que poucas casas tinham decoração de Halloween, talvez nem todos os donos viessem para lá, no feriado e muito menos se importavam de decorar.

Mas ainda viu crianças fantasiadas correndo pela rua com cestinhas.

– doce ou travessura? – disse um Batman entrando no caminho deles.

– Ela comeu todos, percebe? – Sasuke indicou a barriga dela, e ela deu-lhe uma cotovelada.

– idiota! – menino riu e correu atrás de outra casa. – você é um idiota sabia?

– não seja chata, ele achou graça.

– humpf.

Eles caminharam pela rua e Sakura sentiu um pouco de frio naquela fantasia chata, mas logo estavam em frente a mansão de sua medica toda decorada com o tema da festa, musica vinha de lá e haviam muitos carros em frente.

Quando entraram foram recebidos por um coroa de uns cinquenta anos, cabelos bem brancos vestido de samurai ou coisa assim, só pelo sorriso ela não foi com a cara dele.

– velho – Sasuke cumprimentou estendendo-lhe a mão.

– moleque! Por que essa cara toda coberta? Apanhou da patroa?

– está com a cara toda inchada, coitado – ela disse.

– nossa, quem diria hein, Sasuke?

– ela não é hilária? Pode ser comediante, vou investir nisso, depois que o bebê nascer.

– o que não vai demorar hã? Muito prazer, senhora, sou Jiraya.

– Sakura.

– já ouvi falar muito de você.

– devo me assustar?

– haha, se ouviu o que ouviu de mim, não – ele piscou – todo mundo tem o rabo preso, benzinho, não de atenção a eles.

– hn.

– você é muito mais bonita do que na foto, aliás, estou magoado, comose casam assim, na surdina?

– foi só o civil, depois que o bebê nascer, vamos ter festa, certo? – disse o Uchiha. Jiraya concordou enquanto adentravam a ampla sala cheia de gente, o lustre fora trocado por uma enorme caveira de crista e morcegos pendiam do teto.

– é um macho certo?

– meus espermatozoides são caras inteligentes. – Sakura revirou os olhos.

– devia ter te amordaçado, calado fica muito mais realista também – resmungou.

– resmungona como Tsunade disse, aliás, não quer ir ve-la?

– onde?

– ela está no quarto, entre milhões de fantasias, mas no fim sei que vai vestir algo chato, descer e ficar no máximo quinze minutos, então vai voltar para os pacientes.

– então talvez não seja bom uma delas ir até lá.

– talvez por isso mesmo a convença a descer, Margot? Leve a dama até sua patroa – uma empregada vestida de empregada zumbie assentiu e ofereceu o caminho para ela, Sakura a seguiu e também pegou de uma mesa, uma mini abobora com uma carinha assustadora que estava cheia de guloseimas e subiu as escadas.

Jiraya se voltou para Sasuke mas ele esperou a gata sumir nas escadas para tirar a mascara.

– não a está deixando comer tanto está? Sabe que o bebê sai e o que fica é só o extra, né? Vai por mi, já vi muito avião se tornar paciente da Tsuna e virar ferro velho depois...

– eu sei, mas ela por si só já é bastante neurótica com o peso, se eu falar ela me corta as bolas.

O velho riu enquanto os dois se aproximavam de uma janela, ficando mais longe da musica.

Logo ele ficou sério e suspirou.

– conversei com Naruto, ele veio aqui.

– hn, suponho que tenha aprendido palavrões novos.

– também, e gastei com lenços de papel – suspirou ele – Hinata terminou noivado.

Sasuke suspirou baixando a cabeça, embora soubesse que havia uma chance, ele também esperava que Naruto contornasse a situação, quando ele não deu a cara na empresa e disse formalmente por e-mail que estava se ausentando para uma viajem particular chegou a cogitar que ele estivesse acertando as coisas com a Hyuuga em um tipo de pré Lua de Mel.

– você sabe como ele é, Jiraya.

– sei sim, sei que deve ter insistido até a borda para ele respeitar sua opinião, mas admita que foi um golpe baixo.

– eu só mostrei que ele estava sendo hipócrita, porra, ele transou com provavelmente todas aquelas garotas, inventou viagens de negócios e o caralho a quatro, eu o acobertei, Jiraya, ele não podia fazer o mesmo pela família que estou construindo? É uma família, não uma transa paga ou uma orgia, porra.

– eu entendo, eu não vou te criticar, eu também seria hipócrita, e mas eu também acho que me foderia se alguém esfregasse o que faço na cara da Tsuna, pode soar egoísta e falso, mas independente de quantas eu tenha, ela é minha mulher, e nenhuma perua vai mudar isso.

– você sabe que ela percebe não é? Ela não é burra, Jiraya, talvez só por ainda estar com você.

– e agradeço a isso todo dia, quando a conheci, tudo que ela tinha era aquele namorado, o Dan, o perfeitinho, era o que toda garota sonhava, focado nos estudos, bom partido, boa família, bonito e de bom caráter, mas eu ainda queria ser o favorito dela, queria que ela apreciasse meu estilo Bad Boy, queria que ela se arrastasse por mim mesmo podendo ter um cara que se arrastaria por ela e a poria num trono, cruel não?

– sim, é.

– então quando ele morreu, eu me vi bancando justamente ele, e quando vi que isso até mesmo me ajudou a conseguir casar com ela eu vi que tinha falhado, Sasuke, não é pelos livros, não é pela luxuria, é apenas por que, ainda quero que ela se arraste por esse Bad Boy aqui, ela está lá em cima, ela continua acima de mim, ela jamais vai se arrastar, e eu acho que não percebi quando parar ainda.

– até que ela o faça se arrastar? – ele desdenhou e o velho riu com certa amargura.

– talvez? Mas enfim, Naruto falhou com aquela menina, vá por mim sei que ela não é santa.

– eu sei.

Hinata era uma danadinha no colegial, mas se convertera ma noiva perfeita para ter Naruto. Sasuke desdenhava da hipocrisia dos dois, ela se fazendo de boa moça para tê-lo, ele exigindo isso quando não tinha-lhe o mínimo respeito.

Mas talvez, mesmo sendo tão torto e sujo, fosse assim que eles se amassem.

– mas ela mudou por ele, ele devia ter feito o mesmo, não só por fora, eu disse isso a ele, eu não sei se ele vai atrás dela, mas lhe disse que se fosse para voltar ao que eram, que não fizesse, vai se tornar um ciclo vicioso e destrutivo, os dois sabem quem realmente são, mentir na cara um do outro vai tornar aquela relação um perigo para eles, os dois vão se explodir, ou encontrar outro Sasuke para faze-lo.

– da minha parte esta foi a ultima.

– tomara hã? Mikoto não daria conta.

– humpf.

– como vai a lady Uchiha? Implicando com a norinha?

– nem se falam, ela está aí, achei que viria para festa, agora que você comentou...

Mikoto não estava arrumada e nem parecia com intenções de faze-lo, ele percebeu, ela estava bem confortável vendo TV e uma revista. Teria desistido de ultima hora?

– eu convidei, mas talvez ela não queira se bicar com Tsuna hoje.

– ah, faz sentido.

– eo bebê? Quando Tsuna disse que é de risco me preocupei, mas ela parece bem.

– ela está melhor, não pode se movimentar demais, logo vai sentar em algum lugar reclamar dos pés, o bebê está bem também.

– vai vir quando?

– pelo Natal, provavelmente.

– uh, que presente huh?

– estou ansioso.

– só até a primeira fralda suja.- ele revirou os olhos.

– devia ter feito um, velho.

– cruzes! Sai de mim, pra tomar o seios da Tsuna, só eu, certo?

– argh, seu velho escroto!

– hehehe.

*********************************************************************

– senhora Senju? Tem uma visita – a empregada anunciou, Sakura adentrou o grande quarto se deparando com uma cama king size cheia de fantasias, algumas ainda embaladas, sapatos e chapéus.

– nossa.

– Sakura? – ela se voltou para uma penteadeira, e encontrou sua médica sentada, de roupão e com o cabelo todo amassado, um par de óculos sob o rosto e um cigarro entre os dedos.

– parece um tanto indecisa – comentou.

Tsunade suspirou e apagou o cigarro no cinzeiro com um ar enfadado.

– não vou, e você não devia estar comendo isso é cheio de corantes – a Uchiha revirou os olhos e se sentou na beira da cama.

– por que não vai? Está sendo uma festa e tanto, embora eu não possa sair dançando.

– que bom que Sasuke sabe disso, aliás, soube de uns certos fatos...

– reais, pode crer. – a mulher a fitou analisando-a.

– e eu achava que já tinha visto de tudo... e olha que já tive uma cliente que trabalhava com tigres, ela foi tão teimosa que quase deu a luz na reserva deles.

– e eu sou esquisita?

– prostitutas não apreciam ter filhos, que eu saiba.

– humpf, também soube certos fatos, mas não acho que sejam da minha conta.

– oh, é, bem vinda aos Hamptons, Revenge não se passou aqui a toa.

– só espero que ninguém mate ninguém hoje.

– essa foi boa, onde está Sasuke.

– com seu marido, não fui com a cara dele, parece um velho safado.

– parece não, é.

– uh, nossa, mas enfim, tem um monte de franguinhas lá, parece até uma American Pie.

– hah, bem a cara dele – a loira comentou, amargamente.

– mas então, eu não entendo muito desta coisa de casados, na verdade, casamentos e filhos foram a ultima coisa que pensei em ter pra mim durante muito tempo, na verdade, eu acho que nunca quis isso, que não era algo para alguém como eu.

– entendo.

– mas e você, não deveria estar lá embaixo pondo aquelas franguinhas dentro dos ovos?

Tsunade arqueou a sobrancelha encarando-a enquanto, inocentemente, Sakura mexia nas roupas e olhava.

– é? E como acha que eu deveria fazer isso?

A Uchiha ergueu os olhos encarando-a, sua expressão se tornou perigosa e desafiadora, além de maliciosa.

– eu posso dizer, mas a questão é, você daria conta de faze-lo?

********************************************************************

– Jiraya... por que me sinto numa festa da faculdade? – Sasuke indagou olhando em volta, não tinha dado muita atenção, haviam muitos conhecidos, mas um numero razoável de garotas e caras novos ali.

O velho deu de ombros tomando whisky.

– filhos de alguns amigos, alguns eu nem conheço...

– fala serio, esse monte de fraldinhas aqui? Não acha que vai irritar Tsunade?

– se ela ao menos descesse.

Uma modelo passou por eles, vestida de coelhinha, piscando para os dois, Sasuke tentou não revirar os olhos e Jiraya sorriu para ela, como um bom anfitrião.

– que bundinha huh? – comentou depois – hey, me empreste essa mascara, ela disfarça bastante.

– ótimo, agora não sei se tiro ou se ponho.

– a patroa é brava? Deveria, ela já esteve do outro lado...

– por que já esteve que conhece todas as manhas, e não estou interessado nesse tipo de diversão, ela e a empresa já me enchem até o pescoço, e ainda tem a casa nova.

– não esqueça de dar uma festa.

– claro, mas acho que só vamos mudar após o bebê nascer, quero ir do hospital para lá.

– entendo...

– por que tirou a mascara?! – ele quase saltou para o lado e Jiraya encatou com a bebida, os dois encararam Sakura que fulminava o Uchiha com o olhar.

– po-po-por calor, e não chegue nesse passo de gato! Quer me matar caramba?

– ganho algo com isso? – ela rebateu, arrancando a mascara da mão dele.

– não, ainda não mudei meu testamento – ele desdenhou, Sakura ignorou, colocando a mascara nele de novo.

– cala a boca, e não tira isso!

– estava com calor, Sakura.

– dane-se, não pode sair do personagem.

– pelo amor de Deus, estou fantasiado, não interpretando.

– pra mim está, e cale a boca, só abra pra falar rebuscadamente – ela instruiu, com ar professoral.

– como posso mandar você se ferrar rebuscadamente, amor?

– poderia fazer a gentiliza, caro cavalheiro mascarado, de ir para um lugar distante e de ambiente nocivo o bastante para que passe por muitas dificuldades?

Sasuke ergueu a mascara encarando-a com um olhar estreito.

– para que tá ficando chato.

– posso usar isso num dos meus livros? – Jiraya brincou, Sakura revirou os olhos e puxou a mascara para o lugar de novo, olhou para o alto da escada e sorriu maldosamente.

– oh, não acho que serve muito, mas e aquilo? Serve? – os dois olharam para lá, Sasuke puxou a mascara pra cima de novo e o velho deixou o copo que segurava cair.

Tsunade desceu as escadas sem pressa, sobre um par de saltos negros lustrosos, meias com listras negras emolduravam as pernas até as cochas juntando-se a uma body por cintas ligas com lacinhos.

A body por sua vez era negra, e com o centro em tecido semitransparente, um decote escancarado e apertado segurava os fartos seios, havia uma lacinho em sua garganta, um pequeno chapéu no topo da cabeça onde os fios loiros desciam como seda, brilhosos.

Numa as das mãos ela levava uma espécie de varinha com ponta felpuda e quando alcançou o piso, só havia silencio e um monte de olhares embasbacados.

– Tsunade? – Sasuke disse – que roupa é essa?

– assistente de palco – Sakura disse, sorrindo muito satisfeita, ele a fitou e viu que tinha patinha dela no meio disso.

A loira, que se ele soubesse que ficava tão bem assim talvez tivesse virado sai fantasia de mulher mais velha quando moleque, encarou a todos e sorriu de com gentileza e polimento que eram suas marcas.

– boa a noite a todos, gostando da festa?

Todo mundo avançou cumprimentando, e Jiraya só voltou a si quando um fedelho comentou algo como um: “Melhor agora!”. E segundos depois parecia um samurai de verdade, ao lado da mulher, com os braços cruzados e uma cara de poucos amigos.

Mas principalmente, um cara de cachorrinho.

Sasuke nunca achou que viveria para ver tal coisa, e logo sua visão foi atrapalhada por Sakura, descendo arrumando a bendita mascara na cara dele, outra vez.

– para de bagunçar! – ela brigou.

– você se meteu nisso não foi?

– hum? Nisso o que? – Sakura sorriu matreira.

– nisso – ele indicou o casal.

– ah eu só dei umas dicas sobre fantasias, vai por mim, eu entendo.

– entende é? Bom saber venho pensando no próximo Halloween – comentou abraçando a cintura dela.

– é? Algum pedido especial?

– sim, muitos na verdade, e não decidi se te quero de coelhinha, ou quem sabe –murmurou – diabinha.

– haha, vou pensar no seu caso, agora vamos embora?

– já?

– essa festa parece um American Pie, mas não tem ninguém engraçado, seria mais divertido sair pedindo doces.

– hn, será que daria por causa do bebê?

– babaca! Vamos ou não?

– mais meia hora. – Sakura bufou, e ficaram fazendo pose por mais aquele tempo, ela tinha que admitir que ficara surpresa com a própria “criação” mesmo já tendo certeza que os peitos da medica faria sucesso na pista, não achou que o resto também fosse tão bom material.

– aposto que se arrependeu de não ter batido uma pra ela quando era moleque – comentou, Sasuke riu e beliscou-a levemente.

– vai ser uma diaba, você é não presta, garota.

– ué, to errada?

– eu ainda posso bater uma mesmo agora, tá?

– tarado, não gosta as mais das minhas mãos?

– sinto falta da boca.

– você também não presta.

– eu sei, quer ir?

– por favor?

– vamos – eles de despediram e Sakura teve certeza que na próxima consulta a medica estaria com uma cara ótima.

Ela estava ignorando o marido perfeitamente então antes do fim da festa o teria se arrastando pra ela sobre a cama.

Quem diria que apenas um pouco de atitude uma fantasia mais ousada poderia fazer o jogo virar, pelo menos por um tempo.

Ironicamente, ao conversar com uma pessoa já casada a tanto tempo, Sakura sentiu mais como se tivesse ensinado do que aprendido.

Quem dera pudesse ser assim com ela, um casamento de verdade, com problemas reais e comuns.

Como marido e mulher.

Sasuke arrancou a mascara e se jogou na cama.

– caramba, essa roupa faz calor, não é a toa que se passa na Inglaterra, lá é mais frio.

– humpf – ela se sentou na beira da cama, livrando-se dos saltinhos, e ele as luvas de couro grossas e a capa.

– amanhã só quero mofar na beira daquela piscina então se vai sair, vai sozinho.

– que tal um passeio na praia?

– talvez.

– chata, espera, não tira ainda – ele ordenou, impedindo-a de tirar o robe.

– o que? Pra que? – Sasuke se levantou, e seguiu até o armário, apalpando o fundo encontrou a parte falsa que escondia um cofre eletrônico e Sakura observou da cama, curiosa, enquanto Gisé já se esfregava nela querendo atenção.

Ele tirou uma caixa de veludo azul escuro, um tanto grande e veio até ela, sentando-se ao seu lado.

– lembra da historia que te contei?

– não fez nenhum sentido.

– tá foi mais enrolação mesmo, mas tem um filme, não sei se já viu, se chama Moullin Rouge.

– e lá vamos nós para as cortesãs parisienses...

– exatamente, é um musical, vou te levar pra ver ou alugar qualquer dia desse, o legal dele é que para o filme foi feita uma joia de verdade, um colar encrustado de diamantes ao qual recebeu o nome da personagem principal, foi usado por ela, e está avaliando em milhões de dólares, muitos milhões.

– hum...- Sasuke pegou a caixa novamente abriu para ela, Sakura deixou os olhos recaírem sobre o brilho, e a boca também se abriu, ela arquejou.

– meu deus.

– o colar foi batizado de Santine.

– oh meu deus... você é louco. – Sasuke riu, e tirou dele o Maxi colar um peça em estilo rebuscado formando desenhos elegantes, que cobriria todo o colo dela, com cuidado ele a pousou em seu pescoço e o fechou, o brilho inundou o colo leitoso, exatamente como havia imaginado melhor até, e ficou muito mais satisfeito.- caramba, como isso pesa, caramba...

– O Santine foi produzido em ouro branco 18 quilates, 1308 diamantes escolhidos a dedo e uma joia de safira, pesando quase meio quilo.

– puta que pariu Sasuke!

– mas esse não é o Santine – Sakura parou de tocar o colar com os dedos trêmulos e o encarou atordoada.

– co-como assim? – ele suspirou ainda meio frustrado.

– eu tentei compra-lo, mas Canturi, o joalheiro que confeccionou, foi irredutível em vende-lo.

– então...

– mas não em fazer uma réplica.

– só pode estar brincando...

– não esse foi confeccionado com diamante também mas com pedra de esmeralda em vez de safira.

– oh — ela se fitou no espelho da tampa, o brilho dos diamantes parecia refletir no rosto dela, mas viu sim as maravilhosas esmeraldas engastadas nos detalhes, e ficou apenas mais assombrada, encarou Sasuke.

– Sasuke... Não – ele sorriu daquela maneira jocosa, superior, um titã.

– mandei fazer pra você, Sakura, mais de um mês.

Ela arquejou mais ainda, e sentiu que poderia chorar, de medo, puro medo.

Aquela coisa em seu pescoço pesava, a soberba em cada detalhe a fazia se sentir um insetinho, aquilo não era para ela, era para uma rainha, uma mulher de classe, com bom sangue.

Uma mulher como Karin Uzumaki, ou mesmo Mikoto Uchiha, nascidas para estarem em tronos, educadas para tal.

Dignas, por mais baixo que pudesse ir ou serem jogadas.

Não alguém como ela, que sempre esteve por baixo, criada no Brooklyn, em escola publica onde os alunos eram revistados para entrar, que não completou o colégio e nem pode decidir que faculdade faria, uma puta com qualquer outra, quebrada e medrosa demais para andar com as próprias pernas, não importando o quanto quisesse.

Ela era medrosa demais par fugir. E só estava fingindo aceitar e gostar, sempre, fingindo aceitar e gostar, ou odiar e apenas fazer, odiar e apenas fazer.

Não sabia em que ponto começou a apenas a gostar, fazer, e sentir que era real. Mas sabia que tinha de parar já.

– eu não posso.- ele achou graça dessa declaração, mas, encarando-a sorriu de forma tão terna, que ela quis se encolher sob ele e dizer que aceitava tudo, e que estava feliz, e que podia faze-lo.

Que era de verdade.

Sasuke beijou seu rosto carinhosamente.

– claro que pode, não é só um presente, mandei fazer para você, só pra você, quero que use no nosso casamento.

– Sasuke...

– é assim que é, eu sou seu V, e você é minha Santine, certo?

– você é louco.

– ou um visionário...

– ou idiota.

– eu sou Edmond Dantes, sou seu pai e sua minha mãe. Seu irmão, Seu amigo. Eu sou você e eu. Eu sou todos nós...

Sakura deixou escapar uma lágrima e uma risada fraca.

– que adaptação interessante. – Sasuke sorriu e começou a beija-la.

– também sou seu amante...

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“Nossa integridade é vendida por tão pouco, porem ela é tudo que temos”...

Ele a encarou e suspirou.

– você é mais íntegra do que pode imaginar, Sakura.

– será?

Outra frase sobrevoou a mente dela antes de Sasuke beija-la e novamente faze-la achar que ele estava certo, que era verdade.

“Você usa a mascara tanto tempo que se esquece de quem é por baixo...”

Provavelmente era isso que estava acontecendo com ela.

Mais tarde da noite, enquanto ela ressonava na cama abraçada com a gata, Sasuke se sentou no sofá e encarou a tela do computador, verificando a janela de e-mails.

Havia um novo, um endereço que ele quase havia esquecido, e pelo anexo longo que veio junto.

Ele se viu diante de um verdadeiro dilema. Um que poderia destruir tudo o que vinha tentando construir com Sakura, mas que uma vez tirado a limpo, poderia reforçar e principalmente fechar e ficar grande lacunas na relação dos dois.

Tudo o que ele queria era construir um futuro limpo e transparente ao lado dela, um que pudesse acolher com pureza o filho deles, como era merecido.

Mas para isso precisa, necessitava que também o passado deles estivesse limpo, revelado e que fosse discutido.

O dele estava, mas e o dela?

Sasuke esfregou o rosto e abriu o anexo, que demorou um pouco para carregar, talvez até mesmo fosse esse um sinal para não faze-lo.

Mas ele o fez, consciente do que poderia causar, mas pela primeira vez, na vida, não sabendo se poderia lidar.

“Vi veri veniversum vivus vici.”*- sussurrou, quase como se fosse uma oração. Talvez devesse ser.
Torcia para que esta frase fosse verdadeira, que pudesse se aplicar à Sakura, ou ele estaria perdido.

Ele poderia perde-la.

“...Eu quero exorcizar os demônios do seu passado...”

** "Vi veri veniversum vivus vici."
Latim que significa: "Pelo poder da verdade, eu, enquanto vivo, conquistei o universo".

Notas finais
Alguém duvida que no proximo cap vem Treta? Não deveria. Ai cara como eu amo oV! Link da mansão nos Hamptons: http://www.idealista.pt/news/decoracao/casas-de-sonho/2012/11/29/10720-casas-de-sonho-villa-exclusiva-com-cais-e-ilha-privada-nos-eua-fotos Link da roupa do V: http://mlb-s1-p.mlstatic.com/fantasia-v-de-vinganca-de-luxo-completa-replica-do-filme-14109-MLB4407304266_052013-O.jpg Link da roupinha da Tsuna ( Jiraya vai virar cachorrinho dela depois dessa): http://i.imgur.com/p5x70YV.jpg Não tem da Sakura por que não achei nada do estilo cabaré para gravidas então imaginei tudo, Já o colar... Sim ele existeeeee! ( QUERO): http://i.imgur.com/JGkPU3j.jpg Comentários? recomendações? beijinhos? amo vcs