Notas iniciais
saudades?

“...Eu quero exorcizar os demônios do seu passado...”

– perdão senhor, não a encontro, devo ligar para a policia? – Sasuke apertou os olhos com a cabeça erguida, frustrado, levou a mão para a junção cartilaginosa do nariz, entre os olhos e massageou.

– não... não agora...- desligou e largou o telefone no sofá, sentando-se na poltrona, se perguntou se realmente havia vacilado.

Ela tinha fugido?

Era tudo encenação aquela coisa do quarto do bebe?

Ela era uma gatuna esperta e se confiara demais em sua fragilidade física, ela ainda sabia pensar.

E agora poderia estar a milhas de distancia, tinha um cartão de alto limite e poderia estar com os passaportes também.

Sasuke agarrou o telefone mais uma vez, decidido a ligar par ao banco e ter informações sobre onde o cartão fora usado nas ultimas horas, e cancela-lo.

Por um momento cogitou que havia sido uma péssima ideia mentir para ela, que estava em reunião. Mas não era como se tivesse ido fazer um crime, ou mesmo que Sakura fosse se importar muito, apenas não conseguira resistir a tomar um café e conversar com Karin fora do trabalho.

Ele não podia negar, sentia falta da presença dela, das conversas aleatórias, entre planos de trabalho e lembranças da infância e adolescência. Apesar, e antes de tudo, eram amigos.

Conversaram umas duas horas antes de James ligar perguntando-lhe da patroa, que a perdera e ela não lhe atendia.

Mal a atendente começou a falar e ele viu a porta ser aberta, se levantou largando o aparelho novamente e encarou Sakura.

Como se não o visse, ela fechou a porta, e seguiu para as escadas, ele observou-a e acompanhou, vendo-a adentrar o quarto e então a viu se sentar na beira da cama, e largar a bolsa, ficando a encarar o nada. Sasuke se abaixou a sua frente, fitando-a sentindo seu olhar não só perdido, mas transtornado.

Franziu o cenho ao perceber manchas contornando o queixo dela, levou a mão até ali, vendo algumas roxas e outras avermelhando a pele delgada, empurrou o cabelo dela para trás e detectou manchas ao redor dele, de dedos, e chupões.

Quando voltou a realidade, Sakura percebeu que realmente estava de volta ao apartamento. Porém não pode se quer começar a maquinar como faria para ocultar tudo de Sasuke, seus olhos desembaçaram e ela encontrou aqueles diamantes negros.

Cintilantes de uma forma que nunca vira antes, não de desejo, nem de triunfo.

Chamas negras pareciam chispar naqueles olhos, e um frio ascendeu desde a base de sua coluna até se espalhar por todo o corpo. Como se religasse ela percebeu as mãos dele em si. Em volta de seu rosto, tocando seu pescoço, uma leve dor na pele fez um calafrio mais forte ainda.

E ela viu que era tarde para negar, não pode sequer desviar o olhar dele, e quis chorar e se encolher de medo quando ouviu o tom rascante, em puro ódio soar para ela.

– Sakura, quem fez isso com você?

****************************************************************

Montenegro.

Sasuke observou a vista que corria pela ampla janela do trem, era noite e as arvores altas e frondosas já mau podiam ser contadas ou diferenciadas, com um suspiro ele olhou para frente, vendo Sakura focada em escolher, ou adivinhar, que prato do cardápio seria menos gorduroso já que não fazia ideia do que estava escrito nele e nem haviam fotos da comida.

Ele observou atentamente seu rosto vendo que nenhuma marca havia ali depois de dois dias de viajem, ou talvez ela tivesse recoberto de maquiagem, de todo modo não era seguro para a sanidade de qualquer um deles que aquelas marcas ficassem a vista.

Apenas imaginar que Yahiko tinha tido a cara lavada de vir até ela, machuca-la, ameaça-la e ainda coagi-la o fazia lembrar da arma que tinha guardada no cofre, uma ponto quarenta que só usara quando estava praticando.

Obviamente não seria inteligente informar isso a Sakura, ela parecia avessa a violência, a visão de uma arma poderia pô-la em choque.

Quando a havia trago consigo cometera o erro de tentar saber o que Yahiko faria quando descobrisse a gravidez dela, e ficado com isso na mente, perturbando-o lá no fundo, uma voz dissera: Foi por pouco, devia tê-la ouvido logo, antes passar pela merda de descobrir que era um golpe do que saber, ou não saber, que um filho seu foi assassinado. Que nem pode nascer.

Aquele bastardo não fazia ideia de com quem estava lidando, e pouco importava se ele havia saído daquele buraco e ido se esconder em outro, e se Sakura não fazia ideia de onde ele estava.

Descobriu uma vez, descobriria, de novo.

Bastava um telefonema, e aproveitaria, pra de uma vez por todas, começar a descobrir outras coisas também.

Aquele inseto a machucara, poderia tê-la matado, ou sequestrado e forçado a um aborto, e Sasuke não brincaria com isso, não mesmo. Por isso pegara o primeiro voo para a Europa e agora estavam naquele trem seguindo para a capital de Montenegro que faz fronteira com a Albânia, e, trazido Sakura.

Ela não estava com clima para viagens, e ele já estava de saco cheio de Naruto implorando pra que ele viesse até Montenegro para tomar frente as negociações, ele, como Sasuke havia previsto, não deu conta do recado e foi feito de gato e sapato, não conseguiu levar os donos da empresa e seus sócios no bico, e estes agora propunham um negocio que ajudaria muito o próprio lado deles.

E como não podiam dizer na cara deles que estavam dando uma de espertos, Naruto o queria lá pra tomar as rédeas e mostrar como deveria ser.

E bom, ele iria, e passaria mais uma folga com Sakura também. Ela não quis vir e tentou fazer pirraça, mas quando pegaram o trem ficou mais receptiva, só andara de metrô e pouquíssimas vezes, a ideia de comer num trem e até dormir, lhe pareceu uma novidade interessante o bastante para que parasse de resmungar.

Claro que ele também não faria questão de Naruto lá, disse que ia, e que o idiota devia voltar a Nova York para assumir as coisas por lá.

– caramba, não faço ideia do que escrevem aqui – ela disse, com ar derrotado.

– percebeu isso depois de cinco minutos encarando?

– humpf, você entende?

– vou te mostrar um truque, apenas observe – Ela arqueou a sobrancelha, com desconfiança, Sasuke ergueu mais a coluna e olhou em volta até localizar um garçom, ergueu a mão e o chamou, o homem assentiu e veio ate eles.

– pois não? Já escolheram?

–ah... Sinceramente não, mas aceitamos dicas.

– mas claro. – Garçom pegou o cardápio dele, Sasuke lançou um olhar de triunfo para a mulher que revirou os olhos, e o chamou de “babaca” entre os lábios. Ele acolheu a sugestão do atendente e assim os cardápios foram levados.

– entendeu?

– humpf, vou usar quando quiser fazer você gastar muita grana, eles sempre escolhem os pratos mais caros, babaca.

– não é como se eu quisesse ou precisasse economizar, criatura irritante – ele disse meio impaciente, ela o fuzilou com o olhar. – criaturinha – ressaltou como se fosse uma correção e a viu apertar a faca sobre a mesa. Fingiu não se importar e olhou para janela, Sakura bufou mais uma vez e olhou para o corredor, ansiosa para forrar o estomago e ir deitar, mas pensando se conseguiria pregar o olho com toda aquela trepidação pela qual o trem passava o tempo todo. Se bem que não vinha dormindo direito de todo jeito. Não queria viajar mas acabou que os fusos e contratempos com viagens puderam disfarçar o verdadeiro motivo de sua insônia.

Fechar olhos, era relembrar e imaginar, todo o pesadelo que poderia ter acontecido naquele carro. Não importava se o que ele propunha parecesse bom, e de bom grado, Yahiko a aterrorizara e sabia disso, no fim, ele queria que ela achasse que a proteção de Sasuke não adiantaria nada, e talvez não adiantasse. Mas ela não fora comprada pelo papo de ser gerente dele na Suíça, nem pelo de poder criar seu filho.

Ela se sentira tentada e iludida num breve momento, mas se afastar de Sasuke não era algo que lhe gerasse tanta ânsia a ponto de se jogar nas mãos daquele monstro. Yahiko já provara que não era de confiança quando a vendeu para o Uchiha, não poderia crer em nada vindo da boca dele, nem iria.

Mas estava com medo, e tirar os pés de Nova York a acalentou bastante. Ver Sasuke tão furioso deixara com medo dele também, afinal era um homem, ao qual ela só vira sair do controle uma vez, e quando lembrava, era o bastante para também vê-lo vir pra cima dela com tanta sede de sangue quanto quando foi no próprio amigo.

Sakura viu mais dos lados ruins dos homens e nem se lembrava do ultimo que pode olhar e pensar: Esse, esse é um bom homem.

No fim, todos eles tinham seu lado sujo, e não era importante esconder dela por muito tempo, afinal, ela era uma ninguém.

– com licença — o garçom disse, pousando os pratos em frente eles. Sakura suspirou se pôs a focar em explorar a comida.

– Devemos chegar a Podgorica pela manhã – Sasuke comentou – pegamos um carro e seguimos para costa, e então vamos pra ilha Sveti Stefan, já ouviu falar?

– não.

– uma ilha, um vilarejo que repousa sobre a ilhota foi erguido no século 15 para abrigar 12 famílias do poderoso clã Pastrovic, algo assim, foi comprado e virou uma ilha Hotel, vamos ficar lá.

– hum, sinto cheiro de glamour. – comentou.

– vamos ver, não?

Ela assentiu, sorrindo brevemente e voltando a atenção para a comida.

Sakura foi a primeira a se deitar na cama, e ele percebeu que parecia mais inquieta agora, estreitando o olhar ele se sentou na beira e a encarou.

– o que foi?

– como assim?

– está toda estranha, o que aprontou?

– por que eu teria de ter aprontado algo?

Sasuke deu ombros e cruzou os braços, Sakura pareceu perder a paciência, bufou e olhou para o próprio travesseiro onde enfiou a mão por baixo e puxou uma caixinha preta a qual jogou para ele.

– feliz aniversário, senhor Uchiha – Ele franziu mais ainda testa enquanto analisava a caixa, deu uma breve olhada no próprio relógio que tinha calendário e viu que aniversariaria em duas semanas.

– um presente adiantado?

– hunpf, só é estranho guarda-lo por tanto tempo, e só comprei porque James comentou.

– ah é? Então por que apenas não comprou perto do dia? – ele sorriu desafiador, e ela enrubesceu e rosnou muito indignada, bateu no travesseiro e se virou dando as costas.

– eu só fiz porque poderia acabar esquecendo e não quero ninguém me olhando feio por isso, vai que de repente fazem alguma festa e nem eu saberia, seria estranho... Ah dane-se você!

Sasuke revirou os olhos ante tamanha relutância, fitou a caixa e então as costas dela.

– então não devo me preocupar de ser uma bomba não é?

– infelizmente não vendem no shopping, e se fosse eu não ficaria ao seu lado, babaca.

Ele se deitou de lado, pensando se deixava para abrir no dia, inegavelmente era o tipo estranho de criança que nunca pedia para abrir os presentes de Natal antes do dia, enquanto seu irmão e primos se remoíam de ansiedade, ele esperava paciente, por que via mais graça em fazê-lo na manhã de Natal, tal como seu pai dizia sempre.

Porém, a ideia da festa surpresa também poderia assombra-lo a partir de agora, embora nem tanto, Naruto e Karin vez ou outra vinham com essa, mas este ano suspeitava que ninguém lembraria, afinal nem era lá uma grande data, vinte e oito anos, não eram vinte, nem vinte e cinco, ou trinta.

Deixou-se então levar pela curiosidade, e abriu a caixa, de começo esperou um relógio, ou mesmo algo mais careta como abotoaduras, sempre ganhava de Liza.

Mas Sakura não era careta, era até meio excêntrica... Porém o que havia, era uma elegante, desportiva e despojada pulseira, um cordão preto com três anéis de parafusos gráficos, dois de ouro branco com diamantes e um preto que poderia ser de cerâmica, não tinha como abri-la, mas encaixou-se em seu pulso, folgada, mas sem riscos de cair.

Sakura sentiu a luz ser apagada mas a mais suave na parede acima da cama permaneceu acesa, abriu os olhos quando sentiu o braço pesado dele passar sobre si e envolve-la, a mão dele se encaixou na sua, entremeando os dedos entre os dela, o tilintar dos anéis da pulseira denunciou o porque daquilo e ela revirou os olhos, encolhendo-se mais e suspirando contra o travesseiro, ao fechar os olhos.

– exibido.

Sasuke riu contra sua nuca e a beijou.

– você não viu nada, querida, espere só até chegarmos.

Ela enrugou um pouco a testa, curiosa pra saber o que diabos ele estava aprontando, mas se recusou a cair em suas gracinhas, alias, ele vinha sendo tão engraçadinho desde que tudo começou que ela simplesmente lembrava do titã frio e arrogante que conhecera, comparava-o ao homem jovial, quase um moleque, de agora e ficava atordoada com a diferença. Talvez, com medo também.

Quantos Sasukes ela ainda estava por descobrir afinal?

– Sakura?

– que?

– Obrigado.

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Aman Sveti Stefan.

O táxi estacionou no começo do istmo que dá acesso à ilha. A partir dali, foi preciso desfilar por cerca de 100 metros até adentrar o grandioso portal do vilarejo medieval, sob o olhar atento dos banhistas das praias ao redor, era como se desse a eles gloriosos quinze minutos de fama. Sakura quis chorar, sentindo-se como uma bola, os europeus e turistas alias deviam achar graça de ver aquela bolota envolta num pano fino que o vento sacudia sem dó, e ainda de seus cabelos rosados vibrando sob o sol.

Ela nunca deu grande importância a cor deles, mas de certo que tanto podiam constrange-la quanto aderir alto preço a ela, e preço alto era a ultima coisa que ela poderia repassar tendo aquela forma. Sasuke, ao contrário dela parecia um deus grego caminhando em direção a uma de suas moradas terrenas. E assim ela entendeu aquelas mulheres dos programas e filmes que ficavam iradas por terem de carregar todo o fardo da gravidez, daquela forma, perdendo a destreza, a beleza, e a auto estima.

Pela esquerda tinha uma pequena praia acompanhando-os em seus passos, e europeias vermelhas como camarões erguiam seus óculos escuros para verem com todo interesse o Uchiha passar, claro que não ligavam de parecerem camarões, eram ricas, e não tinham a circunferência de uma bola. Pela direita havia apenas água, e mais para longe alguns barcos, e se não fosse por estarem caminhando pelo centro do Istmo (e não esquecendo a considerável quantidade de testemunhas ) ela o teria empurrado para lá.

Talvez por já estar acostumado ou apenas por ser o serzinho arrogante e indiferente que era, Sasuke parecia alheio a tudo até mesmo a alguns gracejos proferidos em línguas que ela não entendia, ele usava óculos escuros, uma camisa social fina e confortável e uma bermuda escura, chinelos, e mesmo não querendo mostrar que reparou, a pulseira.

O máximo que ele fez foi dar uma encarada nos barcos, e então apenas encarava a frente, ela além de tudo não se sentia confortável em ser levada pela mão, parecia mais que era uma criança, já que o fato de estar grávida não fazia as camarões pararem de comê-lo com os olhos.

E dizem que os americanos é que eram assanhados, humpf.

– ande mais rápido, criatura.

– hunpf, por que não me faz ir rolando? – ele arqueou a sobrancelha.

– dá certo?

– vá à merda!

Sasuke a puxou abraçando sua cintura, ou o que sobrara dela.

– deixa de frescura, devia estar adorando, vai poder dormir o dia inteiro, tem um Spa enorme aí, e o pior, eu até deixei que trouxesse a coisa.

Sakura bufou ligeiramente, mas acabou sorrindo, muito satisfeita, ao lembrar de Gisé que era trazida mais atrás dentro de uma confortável gaiola que caberia duas dela, se não fosse tão acolchoada e fofa, ora claro que ela não aceitaria vir sem ela, Sasuke sairia o tempo todo com os grã-finos e sabia disso, afinal sempre era alugada para esse tipo de coisa, o cliente a levava para ser seu relaxamento após um dia inteiro de negociações, e compromissos chatos. Ela ficava no quarto de hotel ou passeando e se aproveitando de todas as regalias nele, dependendo do quanto o cliente gostasse dela.

– eu disse que ela se comportaria, é um amorzinho – falou orgulhosa, da gata que nem se manifestava ao ser levada sobre o carrinho com as malas e provavelmente não se importara com a viajem de avião ou na de trem.

Gisé era um admirável poço de tranquilidade e ficar com ela também a acalmava, o que era um ótima alternativa já que não podia recorrer aos calmantes. Sasuke achava a gata preguiçosa. E bem, ela tinha a vida que qualquer um pediria a deus, por que se estressar?

O Uchiha foi quem bufou desta vez e eles enfim chegaram ao fim do Istmo e entraram para a esquerda chegando a uma porta que dava a acesso ao vilarejo convertido em hotel. A vista da cidade do outro lado, na costa, e as plantas na entrada davam a um ar misterioso e com certeza uma sensação de viagem no tempo.

Foram recepcionados por um membro da Staff do Hotel e ele os guiou falando um inglês bastante carregado pelo sotaque de sua origem.

Passaram por vielas medievais. Quando adentraram o quarto Sakura parou encantada com a decoração, tudo o que ela mais amava, conforto e delicadeza, uma decoração minimalista. Cerca de quarenta metros quadrados muito bem decorados e sem exagero, moveis em madeira branca, paredes nuas e também brancas e quando seguiu para uma das quatro grandes janelas ela viu águas azuis e até mesmo pessoas andando de canoa, a radiação não batia na janela e ventava de uma maneira deliciosa.

Ela gemeu apreciando a vista, o cheiro salino e quando Sasuke a abraçou por trás, pousando a cabeça em seu ombro não resistiu a recostar-se em seu amplo peito.

– gostou? – ela inspirou profundamente, apertando os olhos e os abriu encarando a vista.

– Podemos morar aqui?

– num hotel?

– você não pode comprar? – Sasuke riu meneando a cabeça.

– fico feliz que ache que eu possa, mas isso faz parte de uma rede de hotéis de luxo, e bem esse não é lá um ramo que me interesse – a virou para si recostando a testa na dela – mas, ainda podemos desfrutar muito, não?

– sim, podemos voltar? Quem sabe... Na lua de mel? – sugestionou ela, brincando com a gola de sua camisa, Sasuke a fitou quase chocado com as sobrancelhas unidas no alto.

– está me propondo voltar aqui em troca de sexo?

– estou propondo voltar aqui e andar de biquíni, caso meu corpo não esteja completamente flácido, é claro — resmungou – já quanto ao sexo...- ela se ergueu o máximo que pode beijando seu lábio inferior – não vou só estar cumprindo meus deveres... Matrimoniais?

– interessante, vou pensar, com cuidado, na sua proposta, senhorita Haruno.

– e com carinho também? – pediu manhosa, e ele a beijou.

– com tesão...

– haha, pervertido. – Sasuke ignorou acusação, aproveitando de sua boca manhosa e que nunca perdia o gosto de sedução e perdição. E ainda do ótimo clima que a ilha trouxe entre eles já agora. Enfim, Sakura mostrou genuíno interesse no casamento, e no depois. Coincidentemente quando ele planejava mais um passo para isso.

Depois de desfazerem as malas, ele deitou com ela na cama, mas só ficou até que ela dormisse, cedendo ao cansaço da viajem. Deixou que Gisé tomasse seu lugar na cama, e saiu procurando um guia para algum ponto onde pudesse encontrar Liza, ela não era fã de trens e viera quase a viajem toda de avião, e então de carro.

A encontrou no Aman restaurante enquanto provava uma bebida e ela repassava os contatos e programações.

– tudo bem se encontrar com eles hoje? Pode dizer que quer passar o primeiro dia com sua noiva.

– hn, ela está no terceiro sono e só deve acordar pra devorar algo, ou talvez a minha cabeça, marque pra depois do almoço.

– tudo bem.

– ah senhor, a ligação que fiz para senhora Uzumaki — Sasuke arqueou as sobrancelhas relembrando, havia pedido para Kushina lhe retornar, ela era decoradora de ambientes e ele queria que ajudasse Sakura com o quarto do bebe, mas a ruiva não retornou e acabou ficando tudo com a gata, ela não pareceu se importar, na verdade apenas deu trabalho a si mesma. Ele queria dar-lhe uns cascudos só de lembrar daquela asneira de quarto cor de rosa.

De toda forma, não receber uma resposta da mulher, não lhe fora estranho, afinal era mãe de Naruto, tão xereta e cheia de si quanto ele e quase tão focada em empurrar a sobrinha para Sasuke quanto. E ele não podia negar que fizera quase como uma provocação, mas achou que Kushina ao menos seria profissional para ligar e negar seu pedido de forma direita, mas seria esperar demais, Naruto puxou a ela o péssimo costume de misturar as coisas e querer tudo a seu modo.

– o que ela disse? – Liza ficou nervosa, e quando ele a viu abrir a agenda de novo, e soube que a resposta fora algo que ela jamais teria coragem de pronunciar.

Pegou a agenda e olhou para o espaço de anotações indicado por ela.

“ Perdão senhor Uchiha, mas para receber meus serviços é necessário um quesito que considero muito valioso: Decência.

O que já sabemos, não é algo que sua “noiva” conheça, e ao que parece o senhor também, e ainda agradeceria se deixasse de aparecer em certos círculos, pois muito me desagrada a ideia de compartilha-los como sua Vagabunda.

Atenciosamente, Kushina Uzumaki.”.

Sasuke inclinou a cabeça para o lado estudando o texto mais algumas vezes com atenção, passou os dedos pelos lábios enquanto estreitava o olhar.

– como uma mulher que não terminou sequer uma faculdade, vive de arrumar a casa dos outros se guiando por revistas especializadas, do trabalho do marido que também não passa de um herdeiro cuja função é apenas manter o que o pai dele construiu, e principalmente bancar a casamenteira do filho dos outros, pode achar que é melhor que os outros? – perguntou-se, e então dirigiu o olhar para Liza fazendo a mesma pergunta.

– é sempre mais fácil acusar os outros, doutor.

– sim, é, e deixar os círculos? Eu tenho cara de quem anda nas rodas de fofoca? Discutindo revista de moda e preços de Botox? Aquela mulher devia agradecer por eu permitir que entre nas festas – devolveu a agenda a ela e se levantou tomando um último gole da bebida – por enquanto – completou, seguindo para a saída do local.

Ao chegar ao quarto encontrou uma Sakura sonolenta, bocejando e coçando uma cabeleira desgrenhada e má presa num rabo de cavalo, mas charmosa.

Sentou na beira da cama e acariciou o rosto dela, empurrando aquelas mexas mais curtas da franja repicada.

– Boa soneca?

– estou um caco – ela resmungou puxando a liga que prendia o cabelo e soltando a juba rosada – quero dormir por uma semana.

– e perder toda a diversão? – Sasuke se sentou atrás dela pegando a liga esquecida sobre o colchão, juntou o cabelo dela sem pressa para prendê-lo outra vez, num rabo alto, quando terminou ficou observando os fios que escapavam da parte inferior e decoravam a nunca.

– não posso jogar, não posso correr, não posso usar biquíni, não posso transar, o que tem de divertido pra fazer?

– quem disse que não pode transar?

– pervertido.

– e esse é um lugar cheio daquela coisa cultural, é uma ilha medieval, podemos caminhar por aqui à vontade, e tem um SPA que acho que você vai apreciar bastante.

– hum, tá insinuando que preciso de um trato?

Ele entreabriu a boca para se defender e Sakura se afastou indo se embolar outra vez nos lençóis.

– porque você está certo. – completou puxando Gisé para perto e abraçando, coisa que a gata ignorou e voltou a dormir – feche as cortinas quando sair.

– vai querer almoçar aqui mesmo?

– sim, você não?

– vou dar uma volta.

– vai dar um trato nos camarões é?

Sasuke franziu o cenho enquanto seguia para fechar as cortinas.

– que? – mas ela apenas acenou e ele revirou os olhos seguindo para a porta – nenhum homem aqui, certo? – provocou.

– oh não, quando eu estava afim do carregador de malas – ela resmungou.

– lembre-se que ele não pode bancar seu caviar.

– babaca! – Sasuke saiu fechando a porta e ouvindo o som abafado de um travesseiro chocando-se contra ela, pelo menos não era um vaso, ela era capaz de jogar nele tudo o que encontrasse, menos a gata.

Após mais um passeio junto ao guia ele enfim encontrou os empresários e depois, sozinho, desvendou dezenas de locais interessantes da ilha, vielas escondidas, capelas reformadas, as praias, a parte do anexo coberto por parreiras, a piazza que Sakura poderia adorar, e enfim o terraço, já era quase noite, e ele observou a vista de cima, por poucos minutos, tinha de voltar e se arrumar para a primeira noite de poker e falação.

– bela vista não?

Sasuke quis rir, e deus, como quis ter uma arma agora, e deus, como queria se virar e encontra-lo perto o bastante para que o puxasse e lançasse dali. Meneou a cabeça, se perguntando se sempre fora capaz de sentir tanta raiva de seu melhor amigo, ou se eram apenas os últimos acontecimentos.

Naruto sempre o irritara, a vida toda, ele só estava chegando ao limite, um dia chegaria, com ou sem Sakura entre eles.

Se virou e percebeu o loiro longe o bastante, camisa e calção, a pele mais dourada que o normal indicava que havia passado a tarde em alguma das praias, ou mesmo passeando de barco. Naruto tinha um olhar ameno, ou tentava ter, porque ele via o brilho de desafio no fundo de seus olhos, afinal, era um desafio.

– pensei ter dito que devia voltar.

Ele deu ombros, descruzou os braços pondo as mãos nos bolsos.

– eu ia, mas Hinata estava conversando com as garotas, e acabou que... temos uma galera agora.

– o que?

– ah você sabe, Ino, principalmente ela, quando soube que viemos pra cá e soube da porra daquele SPA ficou louca, e chamou todo mundo, agora estamos em “pré-férias” algo assim.

Sasuke levou a mão ao cabelo e empurrou-o para trás, o couro cabeludo ardeu e ele não estranhou que fios tivessem vindo entre os dedos.

Naruto inspirou agora preocupado, mudou o peso de um pé para o outro.

– não foi intencional, mas sabe como esse mulherio é, não temos nenhuma intenção de te provocar, muito menos Karin.

– então ela está aqui também, huh?

– ela não dispensaria um SPA, ainda mais com todas as amigas vindo, sem besteiras, sem estresse, sei que é um negocio.

– sem estresse? Estou puto só de olhar pra sua cara.

– olha você não pode falar nada, não depois do que fez com minha mãe.

– e o que eu fiz com ela? Que eu lembre, apenas pedi para que me ligasse, e o que ela faz, manda o recado cheio de xingamentos e hipocrisia.

– e o que queria com ela? Vai me dizer que não ia contrata-la pra algo?

– ia sim, mas pelo visto ela está tranquila fazendo disso um hobby e não trabalho, então tudo bem, vou procurar alguém disposto a trabalhar de verdade e não em apenas aparecer em revistas.

– tch, percebe o que está fazendo? Voltando-se contra todo mundo que te ama apenas...

– pelo meu filho? – cortou – pela mãe dele? Não me arrependo, estas pessoas que dizem que me amam parecem achar que podem tomar tudo de minhas mãos e resolver, mas fodam-se vocês, nunca pedi pra segurarem minha mão e definitivamente não quero agora.

– então é esse seu veredito? É assim que vai fazer as coisas? Sozinho? De novo, que legal Sasuke vai ver por isso seu filho quase...

Sasuke cortou o chão na direção dele, parou a sua frente apontando a mão para seu queixo enquanto tinha o rosto lado ao dele.

– meu filho quase morreu porque você como porco egocêntrico que é não enxergou que ele estava lá quando acertou o rosto da mãe dele. – rosnou, Naruto se limitou a olhar para a frente – agora ele e a mãe dele correm risco, e você também.

Bateu no ombro dele quando se afastou e seguiu para fora.

– está aqui com ela? – Naruto indagou com um tom ainda ameno que ainda assim fazia o Uchiha querer voltar e joga-lo do terraço.

–está, e claro que não vai ser problema para vocês.

Não foi uma pergunta.

“...Você pode ter certeza...”

Notas finais
palmas ou pedras? coments ou mesmo recomendações? ja ne!