Undisclosed Desires
2 Noivado relâmpago.
Notas iniciais

“...Eu não vou deixar que você seja negada...”
Sasuke Uchiha, quando enfim saiu daquele antro de ratos e doenças, sentou no confortável banco e observou com mais atenção a mulher com quem compartilhara uma noite de pecado extremamente satisfatória dois meses atrás.
Quando ela pedira uma reunião em seu escritório ele ficara realmente irritado com aquela historia ainda mais porque podia espera vindo de qualquer outra prostituta mas não dela. Ela tinha um ar, naquela noite, de que estava ali apenas por trabalho, ela deve ter sido a primeira a levar seu pedido a sério, a ser ela mesma. As outras se diziam obedece-lo demonstrando apreciar cada parte, aquele trabalho e tudo mais, mas ele sabia que não, ninguém, nem tantas delas poderiam apreciar ser um objeto sexual, e Sakura Haruno não apreciava. Ela agira de forma apática desde que o recebera no quarto de hotel, ele ainda lembrava perfeitamente da camisola verde opaco que fora perfeita para seu humor e casava com seus olhos também sem brilho.
Mas ele os vira se ascender, durante o sexo, ela talvez tivesse tentado parecer que estava sendo obrigada, mas ele sabia quando uma mulher gostava dele e nem mesmo uma meretriz experiente podia engana-lo. Ela fez tudo o que ele queria e embora não fosse algo muito excêntrico, ele sabia que não tinha muito tato, era um pouco bruto mas ela não se importou e nem deveria afinal.
Sakura Haruno era uma mulher de baixa estatura porém, de curvas esbeltas e delgadas, seu rosto leitoso com olhos verdes e lábios cor de salmão davam-lhe uma ar quase adolescente mesmo usando maquiagens fortes.
Tinha pernas roliças e firmes, naturais, nada moldado por academia, seios redondos e pesados, traseiro em forma de coração de cabeça pra baixo graças aos quadris largos e cintura de vespa. Quando a viu chegou a cogitar que fosse de menor, mas ela tinha um ar maduro, e não só na parte sexual. Sabia agora que ela tinha quase a sua idade, vinte e sete anos, e aparentemente nenhum parente, ninguém que dependesse dela, ninguém de quem pudesse depender. Além daqueles atributos físicos tão apreciáveis ainda portava cabelos rosados, de tamanho médio, volumosos e lisos, uma franja de lado ocultava parte do rosto e lhe dava um ar misterioso com aqueles olhos desconfiados.
Mas a mulher que viu quando entrou naquele buraco estava pálida e arisca como se temesse que ele ou Yahiko a matassem, talvez achasse que o ruivo soubesse da gestação mas Sasuke não entrou em detalhes sobre o porque da compra da garota, apenas perguntou quanto valiam as rédeas sobre ela e o ruivo relutou bastante no começo, dizia que ela era uma das suas melhores garotas e que tinha clientes tão importantes quanto ele gostando dela e que isso traria um rombo pra ele.
Sasuke revirou os olhos pra todo o blá blá blá que se resumia em um preço alto, Sakura tinha uma divida com o cafetão e quando soube a quantia o Uchiha percebeu na hora que era só uma forma de prender a garota, ela não poderia dever-lhe tanto, Yahiko provavelmente cobrava em cima dos clientes, roupas caras e tudo mais que ela precisasse para agradar cada amante, mas sobretudo com certeza alterava números, adicionava mais cifras justamente pra deixar a quantia exorbitante.
Ele sabia disso, conhecia essa maceta era usada não só por cafetões, mas por quem cultivava trabalho escravo de todo gênero. Sakura não pagaria aquilo nem se fizesse programas todos os dias, recebesse uma quantia gorda por ele, e vendesse metade dos órgãos, a conta sempre aumentaria quanto mais ela juntasse.
Ele enfiou o dinheiro e mais um bom extra no ruivo sendo claro o bastante sobre pra que lado corda arrebentaria se algo sobre aquela negociação vazasse, também pagou pra que tudo sobre a vida dela que contasse nas mãos do outro fosse apagado, recibos, fotos qualquer coisa, ele devia calar até as outras garotas e faze-las esquecerem completamente da ex colega.
Sakura seria sua noiva que ele conheceu em uma viagem, não gostava do papel de idiota apaixonado mas, se teria que passar por um enrabichado pelo rabo da saia dela só pra que pudessem casar e ter a criança da forma mais tranquila o possível, ele faria. Sabia que seria questionado e dezenas de perguntas recairiam sobre ela, mas eram as consequências que estava disposto a receber.
Olhando mais atentamente como ela se trajava, ficou bastante surpreso, ela usava roupas formais tal como as que usara quando foi ao escritório dele, saia lápis cor de creme até os joelhos blusa de seda e blazer, parecia uma perfeita secretária ou mesmo uma esposa elegante. Ele vira algumas das outras garotas quando entrou e algumas ainda vestiam lingerie ou roupas apertadas, chamativas, e pensou que acharia a mulher da mesma forma.
Ela ficara calada quando disse que iriam se casar e em sua face viu total descrença, porém ela parecia atordoada demais para dizer algo. Ainda pálida, exausta, ele se perguntou se continuara fazendo programas mesmo gravida. E não gostou da ideia.
Olhou para janela notando que já estava chegando ao seu prédio e disse, quase assustando-a quando sua voz soou pelo automóvel cujo até o moto era silencioso.
–estava viajando? Por isso a mala pronta? Ia a um programa fora?
Ela piscou sem entender no começo, mas depois virou a cara bufando um pouco.
–estava indo embora.
Ele arqueou a sobrancelha incrédulo.
– e Yahiko...
–claro que ele não permitiria, estava fugindo, se ele me pegasse...
–se pegasse? – insistiu e ela o encarou o contorno escuro em seus olhos deixou as gemas verdes mais ferozes, falando entredentes ela confirmou a suspeita que o perturbaria por um bom tempo.
–não teria que se preocupar com mais nada – revoltada, ela se voltou para frente, os lábios comprimidos de raiva e talvez humilhação.
O carro parou e Sasuke se ocupou em sair sem nem mesmo esperar o motorista, este abriu a porta para ela e foi pegar a mala.
Sakura parou ao seu lado fitando o prédio de moderna arquitetura se erguendo como um titã a sua frente, segurando a bolsa como se temesse ser assaltada, mas ele sabia que era só desconfiança. Seus olhos verdes pareciam tão ariscos quanto os de uma gata. Ela combinava com esse bicho, o contorno dos olhos, o jeito pequeno e andar lento, a forma como o traseiro mexia ao caminhar, se tivesse uma cauda estaria abanando de forma lenta, sua voz era um pouco rouca e lembrava um ronronar quando falava normalmente, e definitivamente miava quando gozava forte e arranhava também, sua voz se elevava como um bichano ao brigar, e o cabelo até parecia se eriçar como se fossem os pelos da coluna, imaginar isso, o fez cuspir uma risada e só percebeu que não fora interna quando a mulher o fitou parecendo indignada.
–o que foi?
Sasuke se recompôs rapidamente e seguiu em frente.
–nada, vamos – a pequena gata, quer dizer, mulher, o seguiu tentando alcançar seus passos e olhando em volta.
–onde estamos?
–vai ficar aqui por um tempo, talvez até o bebê nascer.
– e que lugar é esse?
–um condomínio, eu moro aqui.
–e por que temos que ficar no mesmo lugar? Alias porque só não me põe em algum apartamento afastado?
–vamos nos casar, não tem porque fingir que estamos agindo de forma comum ainda mais sendo que logo sua barriga vai aparecer.
–eu não quero me casar, eu só quero ir embora!
Ele ignorou e entraram no elevador o motorista usou o de funcionários mas mesmo assim Sasuke não quis perder tempo com aquilo ali. Nem em lugar nenhum.
As portas em tom de cobre se abriram para um amplo corredor cor de mogno e piso branco, seguiu direto para a última porta, grande e negra, ele a destrancou e entrou sem fazer convites. Sakura adentrou a sala enorme, em tons de branco ao metálico, o sofá cor de vinho se localizava num nível mais baixo do piso e a TV enorme acoplada estava rodeada de estantes com filmes, CDs e livros. Um vaso com uma bonsai decorava a mesa, as portas da sacada estavam fechadas, havia uma escada em semi caracol que levava a um andar que ela já cogitava pertencer todo a ele, ali pareciam haver apenas sala, cozinha e talvez, lavanderia.
Sasuke, sempre sem cerimonias seguiu para as escadas e não querendo ficar a toa, ela o seguiu observando tudo com atenção, nas paredes nenhuma foto, apenas quadros de arte moderna, que pra ela mais pareciam jatos de tinha e pinceladas feitas por uma criança de quatro anos.
–gosta de arte moderna? – ele comentou, ela bufou virando a cara mas não resistiu a pequena cutucada que lhe veio a mente.
–não, apenas pensando que o meu filho poderá fazer algo igual na aula de artes. – o Uchiha a fitou sobre o ombro com o cenho no alto, mas virou e fitou os quadros com mais atenção, deu de ombros continuando o trajeto.
–se saírem tão caros quanto esses, eu não vou me importar.
Ela revirou os olhos para aquilo e chegaram ao segundo andar, ele seguiu direto para uma das portas e ela reparou que haviam mais umas três, Sasuke seguiu para a que ficava no fim do corredor, ele entrou e ela o seguiu encontrando um amplo quarto, as portas da sacada estavam abertas e davam para uma piscina, pelo o que pode ver entre as esvoaçantes cortinas brancas, a cama era grande em madeira cara e escura, armários amplos e duas portas do outro lado, uma do closet e outra para o banheiro. Perto da sacada também havia uma mesa redonda para café.
O motorista entrou, deixou sua mala, acenou com a cabeça e se retirou.
–as empregadas devem chegar logo, eu tenho que ir, vou para o escritório e volto só a noite.- ele disse, enfim voltando-se para ela.
– acha mesmo que vai chegar a algum lugar com isso? – ela questionou cruzando os braços.
–quer dizer que vai fugir? Não é como se pudesse, senhorita... Haruno? Qual seu verdadeiro nome? – ele rebateu, vindo até ela. Sakura franziu a testa ligeiramente.
– eu não uso outro nome, sou Sakura Haruno oras.- foi a vez dele franzir o cenho.
–não usa um nome falso? Um codinome ou sei lá?
–você quer dizer um “nome de guerra”? Isso é quem tem que esconder o que faz ou fazer charme, eu não preciso disso, não tenho nada que precise esconder.
–bom, agora tem, isso pode tornar um pouco difícil esconder quem você foi.
Ela deu de ombros, cinismo bailou em seus olhos verdes afiados.
–não precisaria ter trabalho por isso, você sabe.
Ele revirou os olhos ante aquilo, e se aproximou de forma intima embora fosse mínimo considerando o que já fizeram, pressionou um beijo ligeiro na boca dela e a contornou seguindo para a porta.
–não é trabalho nenhum, querida.
Antes de sair ouviu um sonoro “Babaca” e embora quisesse muito voltar e ensinar aquela boca impertinente a se comportar, Sasuke se concentrou em sair dali e continuar a revolver suas pendencias.
Somente o silencio como companhia. Sakura se sentou na cama e se sentiu afundar em sua fofura, os lençóis alvos a receberam confortavelmente, e deprimida, tonta com a reviravolta que sua vida tomou, ela se arrastou para baixo das cobertas deixando apenas os sapatos no chão, encolheu-se tão indefesa quanto a criança que levava, e deixou algumas lágrimas de frustração e temor serem derramadas.
Quando acordou parecia ser fim de tarde, ela se sentou na cama, sonolenta e ainda se sentindo cansada, ao olhar em volta não achou sua mala no canto ao lado da porta, se levantou e desconfiada foi até o armário, o abriu encontrando suas roupas e não só elas mas outras, peças ainda embaladas que ela tirou e olhou, Louis Vuitton, Chanel, Dior Elie Saab, eram só alguns dos vários exemplares, na parte superior avistou sapatos, e só um Jimmy Choo a fez se sentir tonta, embaixo haviam mais, alguns chapéus, e uma verdadeira maleta de maquiagens e produtos para o cabelo.
Sakura seguiu para o outro lado do armário e ao abrir seu queixo caiu, estava organizado e lotado de ternos, blazers, calças, sapatos e sobretudos, em cores escuras, tudo masculino, Armani era só a ponta do iceberg e o fato de nada estar embalado afirmou que não eram novas e inutilizadas como as dela.
–aquele...- ela deu as costas correndo até o closet e encontrou os dois lados dele lotados um com casacos e outros acessórios masculinos e o outro com roupas totalmente novas embaladas, e femininas.- babaca.
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Um agradável perfume feminino pairava no quarto quando ele entrou, suave, discreto e sensual assim como a dona.
Sasuke olhou em volta localizando a mulher deitada na cama, encolhida como um felino mas acordada, entre a coberta grossa e os cabelos ondulosos ela o fitou, sem expressão aparente, embora ele esperasse alguma reação irritada, havia dito que viria vê-la ainda na noite do dia em que a trouxera mas acabara fazendo uma viagem rápida até uma filial, agora era manhã de domingo, e ela desfrutara descanso, pelo o que soube dos empregados Sakura não tentara sair, não transitara pelo apartamento, praticamente não saíra da cama e ele presumiu que já estivesse apreciando não ter que “trabalhar”.
Ele foi até a cama, ainda de sobretudo se sentou na beira sob o olhar desconfiado e curioso da mulher que não se moveu.
–foi uma boa folga? – comentou.
–depende.
–do que?
–do que vou ter que fazer para compensa-la depois.
–hm, faz sentido.
Ela se sentou, empurrando a cabeleira para o lado e olhando para a sacada para ver o sol refletir na piscina.
–que horas são? – perguntou com voz meio rouca, ele a fitou de soslaio enquanto tirava os sapatos, percebeu que usava uma camisola branca mas transparente, as aureolas dos seios perfeitamente visíveis assim como a cintura e calcinha de renda. Ele concluiu, mesmo não estando minimamente acostumado, que ter uma mulher na sua cama todo santo dia não era de grande incomodo. Olhando daquele ângulo, parecia um ótimo negócio.
–quase sete – respondeu, tirando uma das meias, Sakura se largou na cama outra vez e se cobriu até a cabeça – fique pronta até sete e meia – ele disse – temos um compromisso.
–quem sai sete e meia num domingo? Alias, por que tenho que ficar no mesmo quarto que você?
–aparências? Somente o motorista sabe de onde eu te trouxe, e o porquê, então seja discreta com o resto dos empregados.
–bastardo.
– nem de longe, deixe de ser preguiçosa certo? – puxou a coberta descobrindo o rosto dela – a ocasião é formal mas um café da manhã.
–tudo bem, eu sei como me vestir, agora se vai usar o chuveiro seja rápido.
–não me importo de compartilhar.
–ah, vá à merda.
Sasuke se levantou seguindo para o banheiro onde terminou de se despir, quando saiu foi para o armário e pela porta aberta do closet a mulher devia estar procurando algo lá, ele se vestiu rápido e preferiu espera-la no térreo lendo o jornal sabendo que ela ainda tinha de tomar o café.
Olhando no relógio ele suspirou já um pouco impaciente, não sabendo se era birra ou se teria de se acostumar ao ritmo de uma mulher em sua vida.
Era irônico que só agora, se pegava pensando nesses detalhes, entretanto isso envolvia muito mais coisas do que antes.
–senhor – o motorista tossiu, chamando sua atenção e indicando a abertura dos elevadores Sasuke se levantou da cadeira deixando o jornal sobre a mesinha e se voltou para frente vendo a mulher vir em sua direção.
Ela veio sem parar de encara-lo, como sempre, em desafio, seus olhos estava destacados de preto mas com leveza, o vestido de um branco puxado para o creme de alta costura encorpava suas medidas, realçava os seios e estava a um comprimento mais que respeitoso, deixando apenas as canelas e os scarpins a mostra, a carteira que usava tinha um tom de madeira e o sobretudo sobre os ombros era da cor do vestido.
–muito bom – o motorista concluiu com um sorriso satisfeito, Sasuke meneou a cabeça se vendo obrigado a concordar e ignorar sua indiscrição, James raramente ditava suas impressões sobre algo, discreto, ágil e competente, era o empregado que mais durou com ele.
– atrasada? – Sakura disse, e ele deu de ombros, pegou sua cintura e guiou para a saída com James já indo á frente.
Ele admirou que ela se portasse exatamente como seu par, deixando um braço ao redor de seu ombro e a perfeita pose de poder que passaria a ter agora, ela não fora educada apenas para o sexo, era uma acompanhante de festas também embora ele soubesse que Yahiko não deixava as mais caras serem vistas, ele reservava algumas para serem de companhia e outras para a cama.
–você está espetacular – comentou sempre olhando para frente.
Sakura não respondeu, ou elogiou de volta, não era como se precisasse, o homem era um deus, e tão bem vestido, usava um terno slin, despojado em um tom cinzento, o cabelo negro esvoaçava a qualquer vento e por isso não perdia tempo penteando-o demais, nem precisava.
Dava-lhe o ar selvagem que ela sabia exatamente onde e quando ele sabia empregar. Com seu cavalheirismo frio, ele ajudou-a a sentar no banco e contornou para entrar.
Silencio se seguiu dentro do carro, Sakura viu que eram levados a uma espécie de prédio ou campus escolar, a placa em frente anunciava a inauguração de uma faculdade particular e uma feira de negócios, o carro parou e eles desceram sob um perfeitamente aparado gramado imperial, a seguir, na entrada do prédio havia um pátio aberto em arquitetura semelhante a vitoriana, mas o que a fez perder o ar foi o poder que exalava da decoração neutra e principalmente das pessoas, como ela previra, não era só por ser um evento de manhã e de ar leve que todos ali se vestiriam de forma casual, os vestidos e ternos tinham tons claros mas cortes assimétricos e marcas de luxo.
Carregavam elegantes taças de suco e compartilhavam quitutes feitos por mestres da cozinha.
Sakura só percebeu que travou no lugar quando sentiu o braço de Sasuke tentar faze-la seguir adiante.
–vamos.- ele murmurou, olhando para frente e mantendo a expressão séria, apenas a observou quando a viu negar com os olhos vidrados e ressabiados ao extremo.
–eu não posso.
–é claro que pode, Sakura.
–não, eu não posso – ela reafirmou encarando-o — não posso, isso não é pra mim, não é meu mundo – Sakura girou se desvencilhando dele e fixando o olhar para o carro vendo-o como um toca para se esconder, ele a puxou de novo meio bruto e apertou sua cintura contra si erguendo-a quase deixando na ponta dos pés, a fitou nos olhos, deixando o nariz roçar ao lado do dela.
– não era seu mundo, agora é, e não tem que se preocupar com nada, eu disse que resolveria tudo, não disse?
Sakura desviou o olhar amedrontado para o lugar e ele a sacudiu discretamente para exigir sua atenção.
–eu não disse?
Ela assentiu, respirando fundo e se apoiando em seus ombros meio tonta, tragou temendo se sentir enjoada.
Sasuke relaxou o aperto ao redor dela e voltou a guia-la contornando sua cintura com apenas um braço, ela levava o sobretudo e carteira numa das mãos e entregou a peça de roupa para um garçom quando enfim adentraram o pátio, olhares se voltaram para eles e alguns flashs também.
Ela sorriu de maneira discreta, virando um pouco o rosto da direção das câmeras deixando a franja esconder o rosto, e envolveu o braço ao redor do quadril dele.
–senhor Uchiha, não vai apresentar sua companhia? – um fotógrafo perguntou e Sakura sorriu para ele inocente e sensual vendo-o desconcertar-se ligeiramente e assim dando tempo hábil a Sasuke de ignorar sua pergunta discretamente.
–minha namorada – o Uchiha proferiu, ela quase arregalou os olhos para ele que apertou um pouco mais sua cintura mantendo-a mais perto – Sakura – apresentou, ela quis muito revirar os olhos, irritada por seu jogo de charme ter sido desperdiçado, detestava ter qualquer esforço seu jogado fora, por isso em geral não se esforçava por nada que não lhe trouxesse lucro de alguma forma, ou mantinha qualquer expectativa que parecesse minimamente inútil.
Sasuke cruzou o salão dando apenas breves acenos com a cabeça e ela agradeceu por estarem longe de qualquer raio solar. Tinha horror a pegar sol, até mesmo o mais ameno como o do começo da manhã, só pegava por auto obrigação e não era uma mulher a cultivar marcas de biquíni embora gostasse de fazer pose em frente uma piscina.
Ela odiava suar e só se acostumara a isso durante o sexo, as vezes ficava enojada e corria para um banho ou mesmo induzia o cliente a tomar banho com ela, as vezes nem se importava e as vezes... Muito raras... Lembrou, fitando o homem que a tinha ao lado como se realmente a possuísse.
As vezes suar era prazeroso, e excitante.
Sasuke a fitou ao perceber que ela o encarava, embora ela não estivesse olhando para ele agora, e sim para ele antes.
–algum problema?
A mulher despertou e meneou a cabeça sorrindo um pouco e dando brevemente de ombros.
–nada.
–hn.
– estou com sede.
Ele concordou e os dois se moveram para uma das mesas com aperitivos, um garçom serviu-a com água e Sasuke pegou uma taça com suco.
– Sasuke? – os dois se voltaram para ver uma estonteante ruiva vir em sua direção. Usava um vestido azul marinho de alfaiataria elegante e bem emoldurado em curvas exuberante e esbeltas, alta como uma modelo e cabelo num corte médio e repicado. Seus olhos brilharam vindo de encontro a Sasuke e Sakura percebeu dele um suspiro pesado.
–Karin – disse ele quando ela o abraçou energicamente – não sabia que vinha...
–eu não poderia deixar de vir! Mas eu achei que você estaria fora...
Ele deu de ombros e envolveu a cintura da Haruno mais uma vez, trazendo-a em evidencia Sakura apoiou a mão em seu ombro se permitindo uma posição de posse.
–esta é Sakura Haruno, Sakura esta é Karin Uzumaki prima de um dos meus sócios e amigos.
A ruiva a fitou, primeiramente surpresa, seus olhos avelã quase vermelhos se permitiram analisa-la rapidamente antes de sorrir radiantemente outra vez.
–muito prazer!
–prazer.
–você é muito bonita!
–obrigada, você também.
–aí estão vocês! Priminha e o idiota – disse um loiro cujo sorriso era radiante como o da ruiva e trazia junto de si uma mulher de curvas cheias e longo cabelo negro que Sakura julgou fora de moda pra alguém da idade dela, o que salvava era a franja, cabelos longos até a cintura estavam fora de moda a um booom tempo.
Porém ela sorria docemente e se vestia com roupas graciosas, era contrastante com um corpo tão mulher, não combinava. Parecia que queria parecer mais nova e graciosa.
–Naruto – Sasuke cumprimentou ignorando o insulto embora sua voz tivesse uma pontada de aviso.
–o que estão fazendo? Achei que não vinha! — Sasuke cumprimentou a morena com um aceno da cabeça e só então lhe respondeu.
–estava resolvendo uns negócios e dando uma passada em Veneza, fui buscar alguém.
–alguém?
–sim, esta é Sakura, minha namorada – ele apresentou e assim como os três ela também o fitou perguntando-se de onde ele tirou essa coisa de Veneza.
Sasuke pressionou com delicadeza sua cintura e ela deixou o assunto de lado, se voltou para o homem que a encarava com uma expressão meio incrédula e sorriu.
–muito prazer – afirmou pousando a mão no peito de Sasuke.
–namorada...? – a morena murmurou e então sacudiu a cabeça e sorriu estendendo-lhe a mão — prazer, sou Hinata Hyuuga.
–Sakura – ela cumprimentou de volta.
–e-esse é o Naruto...
–Naruto Uzumaki – Sasuke disse enquanto trocava olhares com o loiro, o significado Sakura não quis saber. O loiro era-lhe um tanto familiar mas ironicamente ela nunca perdia tempo memorizando um homem.
Eram todos iguais com gostos diferentes, quando Yahiko queria que agradasse algum, aí ela tentava lembrar como eles gostavam, mas geralmente quando tinha muitos programas ela sabia só de vê-los.
Normalmente os que clientes que mais tinha de agradar eram mais velhos, eles sim repetiam mais a noite, os mais novos preferiam variar. Assim como Sasuke, ele já pegara outras colegas dela.
E se não fossem as circunstancias, ele provavelmente experimentaria todas antes de resolver repetir.
Ela estendeu a mão amigavelmente mas não teve resposta, e antes que fitasse Sasuke em busca de uma mínima resposta o loiro se manifestou ainda o encarando.
–posso falar com você?
Sasuke suspirou demonstrando enfadado mas a soltou e o seguiu para um canto, quando voltou-se para as mulheres a ruiva havia desaparecido e restara apenas a morena provando o suco.
–acho que não dei uma boa impressão não é? – Sakura comentou.
–touché...- Hinata disse com um acentuado sotaque francês, quando a encarou franzindo o cenho ela sorriu docemente.- não se importe esses dois são assim mesmo, nem parecem melhores amigos, Naruto ficou surpreso, Sasuke nunca falou sobre... sobre você...
– eu entendo, nos conhecemos a pouco tempo, mas... nos gostamos muito.
–sério?
–claro, ele é... Um homem maravilhoso.
Se convenceu Hinata não sabia, mas era aberrante ouvir tal coisa de si mesma. A quem queria enganar? Ela nunca se apaixonara ou namorara na vida, se tornara uma puta quando as meninas de sua idade tentavam agradar os garotos do time da escola com beijinhos e almoços feitos por elas mesmas.
Ironicamente se entregar a um deles, não a fizera popular, não da forma como acontecia com as outras meninas.
Com um suspiro, Sakura provou da água e percebeu que era com gás, quis cuspir a bebida amarga e enxergar que a ruivinha ainda cercava seu agora único ganha pão deixou-a enojada, irritada.
Pousou o copo na mesa ao lado com certa rudeza recebendo um olhar surpreso da coisona que queria bancar a coisinha com toda aquela renda que a fazia desnecessariamente gorda. Sorriu forçadamente desta vez (não que todas as outras tenham sido espontâneas...) e voltou a vista par ao trio, eles agora falavam de forma leve, a ruiva segurava os braços dos dois e sorria. Naruto gargalhava como um cavalo e Sasuke esboçava um sorriso charmoso, mas contido.
–eles parecem se gostar muito...- comentou.
–sim, praticamente cresceram juntos embora Karin estivesse a maior parte do tempo no exterior.
–hm... Ela e Sasuke parecem tão amigáveis...
–ah sim... Eles tiveram um relacionamento a pouco tempo... Não sabia?
Sakura a fitou negando e tentando parecer inocentemente interessada.
–muito... Pouco?
–bem... Eles eram noivos, até um mês atrás, mas desfizeram, porém estavam juntos ainda... Quer dizer, até essa semana, até...
–até eu chegar...- ela completou pensativa. Como aquele idiota lhe ocultava algo assim?
–touché...- Hinata comentou, e desta vez ela percebeu perfeitamente o tom de ironia que a coisona novamente disfarçou com um sorriso gentil.
Gentil, é?
Com se ela já não tivesse tido o bastante para vomitar ali mesmo, agora via e tinha certeza que nunca seria a noiva que aquele loiro escandaloso como um caipira queria para seu amado amigo.
Uma pena para ele porque se ela não poderia escapar, iria amarrar Sasuke Uchiha com correntes, calcinhas e claro, fraldas.
Mas isso eles não sabiam, ainda.
Ela sorriu como a perfeita mulher sensual que treinara para ser, o vestido que usava agora não era exatamente sensual como estava acostumada, mas ela sabia trabalhar com o que tinha.
Caminhou sem pressa, quando fitava muito uma pessoa ela percebia, e Sasuke percebeu que era ele seu alvo, até quem estava por perto percebeu e também usaria isso, chamar a atenção, hipnotizar, isso acrescia um valor ainda maior a mercadoria. Quanto mais o ouro reluzisse mais atraente e caro era.
E era isso que ela era, o ouro que todos queriam tocar ao menos uma vez. Mesmo que depois a jogassem fora como latão velho.
Um balanço lento mas acentuado dos quadris deixava até mesmo os seios mais atraentes e o vestido tomara que caia ajudaria nisso. Viu quando ele fixou o olhar em seu colo e pareceu lembrar também de quando pegou sua cintura com jeito aquela noite. Oh, ela o faria lembrar de tudo, sem nem toca-la.
Até mesmo o loiro a provou com o olhar e o sorriso da ruiva reduziu para uma linha de lábios reta e sem vida.
– você já disse a eles? – perguntou docemente com uma alegria nas palavras enquanto voltava a envolver o tronco largo dele. Sasuke segurou sua cintura quase como um reflexo, assim como viu mais de perto seu busto, até enfim se ligar ao que ela tinha dito corresponder com um sorriso presunçoso e malicioso. Ele poderia tê-la beijado se não tivesse dito isso, e ela sabia. Ele se conteve, mas ela não permitiria, não em frente o amiguinho e a ex noiva.
–sobre?
–a novidade, ou devemos esperar? – um lampejo de entendimento passou pelos olhos dele e o sentiu ficar tenso.
– eu diria... Melhor esperarmos, não?
Não era uma pergunta apesar de como soara, e ela concordou dando de ombros para demonstrar que era só uma sugestão boba, ele pareceu quase aliviado, mas mau sabia que ela já tinha a isca lançada.
– que novidade? – o loiro indagou quase não disfarçando a irritação. Ela, mesmo se sentido enjoada só de ouvi-lo, saboreou por dentro enquanto por fora, preservava-se o mais inocente possível.
Sasuke lhe explicando ou não, ela já sabia qual seu papel. Seria a inocente garota que ele conheceu em uma viajem a Veneza, traçou e engravidou e por quem (acreditasse quem quisesse) se apaixonou e agora iria desposar.
Ela sabia um pouco de Italiano, e passara por Veneza e Roma, um empresário alemão já a levara para passar uma semana sendo só dele por lá e embora tivesse saído pouco do quarto ela poderia citar alguns lugares e costumes com propriedade, e se Sasuke sabia disso não tinha certeza. Mas não se passaria por uma italiana, e sim por alguém que viajava pra lá sempre.
Sakura voltou um olhar interrogativo e dócil para o Uchiha deixando-o decidir se aqueles três eram confiáveis para saber sobre o bebê ou se apenas anunciaria o noivado de forma informal.
Sasuke suspirou, mas como ela esperava, meio aborrecida também, ele não deu para trás. O maldito playboy não desistia daquela maluquice mesmo entre pessoas que deveriam ser importantes para ele.
Ele continuaria com a mentira e ela também até que achasse um jeito de escapar dele, assim como vinha buscando uma forma de pagar Yahiko.
–nós... Vamos nos casar, na verdade, eu ia pedi-la hoje depois do coquetel.
“...Você pode ter certeza...”
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