Undisclosed Desires
3 Mesma cama, em mundos diferentes.
Notas iniciais

“...Você pode ser uma pecadora...”
Quando entrou no apartamento Sakura apenas correu, literalmente disparando até a espiral da escada que a deixou tonta e entrou no primeiro quarto a vista para chegar a um banheiro e se abaixar em frente o vazo, despejando tudo era aberrante para ela como se sentia tão enjoada, nunca fora uma pessoa e saúde fraca. E nas raras vezes que ficou doente seu corpo nunca respondera de forma tão violenta.
Empurrou o cabelo para trás e se levantou limpando o canto da boca ela seguiu direto para o quarto ignorou presença e o olhar interrogativo de Sasuke por que ainda estava puta com o que ele dissera no carro.
Ela já estava enjoada desde a festa e pediu para irem embora principalmente depois de toda a cena que foi quando anunciaram o noivado, uma chuva de flashs os atingiu e só pensar como eles poderiam revelar todo aquele plano a deixava mais doente.
Como todo bom empresário Sasuke ficou satisfeito em chamar atenção, por isso foi com uma carranca mau disfarçada que aceitou seu pedido. Ela quase vomitava a cada curva suave do carro e ele “pediu” que ela parasse de fazer drama.
Entrou no banheiro e se desfez da roupas, após um banho não teve paciência para usar o secador, enxugou o cabelo apenas com a toalha e saiu do quarto de roupão, notando o noivo sentado na cama com um computador e roupas confortáveis, ela desistiu de tirar um cochilo e foi para sala. Deitando-se no espaçoso sofá e esperando que o remédio que tomar findasse as tonteiras, tinha que marcar uma consulta para iniciar o acompanhamento da gestação, mas agora nem perdia tempo com isso, definitivamente não poderia ser em um hospital publico, o Uchiha com certeza a mandaria pra algum médico famoso em uma clinica famosa.
Tudo pra que aquela coisinha que ela levava tivesse o melhor tratamento, quando nada garantia que teria um pai.
Ele não poderia ter esse tipo de propensão, pra ele deveria apenas estar se precavendo contra um futuro escândalo, não queria se casar e ter crias com a ruivinha para um bastardo aparecer e sugar metade de tudo.
Era tudo questão de negócios, não havia diferença.
–ainda enjoada? – Sasuke pronunciou enquanto adentrava a sala. Ela não o fitou apenas pegou um folder que estava sobre a mesinha e o desdobrou, era sobre a faculdade que foram ver e ela dedicou um olhar apático sobre a lista de cursos.
–já terminei de ser dramática, obrigada – respondeu. E em resposta ele pareceu achar graça uma risada rouca e baixa, e então se sentou puxando as pernas dela e as pondo sobre o colo, Sakura tentou ignorar o incomodo e encarou o folder, ignorando o olhar negro perscrutador, quase invasivo que lhe disparavam.
Pra ele era como ser ignorado por um gato, principalmente quando ela passou a fita-lo de volta, o encarava bem no fundo dos olhos e desviava como se ele não fosse grande coisa, ou em ameaça, como se fosse fugir ou mesmo ataca-lo. Ele não, gostava de ser desafiado ou desdenhado, mas era cativante e instigante com ela.
Sakura bufou discretamente e voltou a encarar o folder, quando percebeu que ela começava a se interessar de verdade, ele puxou o folheto e virou para si encarando um dos quadros de curso, a mulher bufou de novo.
–o que é?!
–Medicina te agrada?
–como? – Sasuke arqueou a sobrancelha olhando-a e voltou o papel para ela – Medicina, você gosta?
– que diferença faz? E eu só estou entediada.
–hn, nunca pensou em voltar a estudar? –Sakura riu anasaladamente e meneou a cabeça em desdém?
–você esquece de onde me tirou? – Yahiko não gasta nem pra nos alimentar direito, que dirá materiais de estudo.
– você cursou até que ano?
–não terminei o médio, grande coisa.
–mas gostaria?
–onde quer chegar?- ela estava na defensiva, bom praticamente a chamava de ignorante, mas ele sabia que claramente havia algo a mais, muitas garotas entravam cedo na prostituição, provavelmente todas, mas se Yahiko não gastava em educa-las como ela poderia ser tão culta? Seriam só os anos de experiência?
–estou apenas curioso.
–me poupe...
– tem algo de mal em eu querer saber quem é a mulher com quem vou me casar?
Ela o fitou estreitando olhar irritada, mas então o desfez e sorriu, sorriu daquela maneira que o deixou distraído no coquetel, o fez lembrar cada pedaço daquela noite, e pensar em algo mais.
–ótimo – ela disse se recostando a pequena abertura na gola do roupão o fez prever que ainda estava nua – vamos conversar então, porque não disse que tinha desfeito seu noivado por mim?
Sasuke tirou os olhos do decote segundos depois e a encarou, vendo-a arquear a sobrancelha rosada em desafio. Desta vez ele não gostou nem um pouco, nem do que ouviu.
–onde ouviu isso?
–não foi difícil.
–eu não desmanchei nada, não havia mais nada a ser desmanchado.
–não foi bem o que eu ouvi.
–então o que você ouviu? – disse, recostando-se no sofá..
–que você não perdeu tempo chutando a ruiva pra me arranjar, que droga como espera que alguém engula essa porcaria de noivado? todo mundo vai saber que é mentira, e ainda vou sair como golpista?!
– ninguém vai dizer isso...
–duvido.
–eu não vou permitir, ninguém me calunia e saí limpo, e não vou permitir que aconteça com você, Sakura.
–humpf, veremos.
– você não disse quem te falou sobre isso...-ele comentou enquanto, fitava a pele branca de suas canelas, pousou os dedos numa e acariciou, macia como algodão egípcio, o perfume do hidrante exalava dela como se fosse próprio, da carne.
–e faz diferença?
–sim, porque soou como se estivessem jogando você contra mim.
–eu também achei...- Sakura comentou consigo enquanto encarava o nada – mas não me surpreende, seu amigo pareceu me odiar desde o primeiro olhar, não me admira que a namorada dele também.
Sasuke suspirou.
–Hinata... não se preocupe com ela, é inofensiva, e Naruto... ele só está zangado pela prima dele, a trata como irmã, é super protetor e não gostou mesmo da forma como levei as coisas, mas ele já devia saber que eu não sou irmão dele, não somos nada parecidos.
–mas vivem colados, os três...-ela comentou pegando folder e largando na mesa, ele lhe direcionou um olhar mordaz.
–ciúmes? – sugestionou, ela o fez de volta arqueando a sobrancelha bem no alto.
–deveria?
Ele sorriu, um repuxo travesso que ela não teve tempo de repudiar, Sasuke puxou seu tornozelo e arrastou-a pelo sofá até bater o traseiro contra a lateral de sua perna, ela soltou um gritinho irritado e assustado e ele subiu por sobre seu corpo, separando suas pernas, roçou a boca em seu queixo. A língua tocou de leve seus lábios, e o laço do roupão foi desfeito.
–não – ele afirmou, rouco e firme, quando catou seu seio numa mão e uniu sua boca a dela. Sugou com força, mas ela já sabia que faria aquilo, tentou empurrar seus ombros mas acabou puxando para abraçar as costas largas.- e você só vai ronronar pra mim, pequena gata.
Ah, ele lembrava? De tê-la chamado assim? Não gostava de apelidinhos, muito menos dos que atentavam contra sua altura. Mas era sempre como o cliente pedia, e não era diferente agora.
Depois de quase faze-la gozar apenas com os dedos ele enfim se ajoelhou na cama e tirou a camisa, puxando o cinto, deixou que ela abrisse a calça e tomasse na boca e mãos seu chamativo tamanho. Ela chupou a ponta, deslizando lentamente a mão pela extensão, tomando mais aos poucos, Sasuke gemeu enquanto juntava seu cabelo no punho para ter melhor visão, empurrando vez ou outra, não a deixou tentar um “garganta profunda”, a puxou pelo braço e deixando-a de joelhos beijou-a enquanto arrancava-lhe o roupão, largou-o no colchão. Quando se acomodou entre suas pernas, ela sentiu perfeitamente o calor e a umidade de seu pau contra a cocha, um arrepio correu-lhe a espinha e empurrou-lhe o ombro quando ele quase a invadiu.
–espera...
–o que? — Sasuke rosnou contra seu pescoço, e ela poderia ter e derretido porque gostava de seu tom ferino. Mas não naquele momento.
–não estamos com camisinha...- ele avançou outra vez e quando tentou empurra-lo, Sasuke segurou seu pulso e pôs acima de sua cabeça.
–não é mais necessário, esqueceu?
Ela tentou protestar, mas palavras se perderam quando ele abocanhou seu pescoço e deslizou para dentro, nem se quer sabia como era isso, diziam que não fazia diferença pelo látex ser tão fico e maleável, mas para ela, era totalmente singular, e assustador. Não só nunca praticara sexo sem proteção, como aprendera a temer isso com toda gana, falta de camisinha significava gravidez ou doença venérea, e se não servia para sexo, não servia pra nada. Yahiko as considerava inúteis e geralmente as largava quase mortas em alguma calçada suja, isso em caso de doença, de gravidez...
Ele parecia ainda mais quente, duro e encharcado dentro dela, até mais longo do que se lembrava e ela deitou a cabeça no estofado, gemendo e entrelaçando as pernas a dele.
–porra...- Sasuke riu enquanto a estocava mais rispidamente e gemeu em seu ouvido.
–boca suja...
Ela o arranhou e gritou sem se conter quando quase chegou lá. Uma coisa que gostava nele era o quanto era calado, apenas gemia gravemente vez ou outra, como se soubesse que não precisava falar coisas quentes para atiçar uma mulher, ele próprio era o fogo.
Lento e forte, tocando e se arrastando em cada parte dentro e fora dela.
–eu tenho um presente pra você – ele disse saindo dela com aquela coisa dura balançando no ar, só de vê-lo ela quis tomar mais uma vez, Sasuke a puxou e virou-a de costas, obviamente entendendo, ela apenas se apoiou no sofá, entre os joelhos e o sentiu deslizar para dentro outra vez, jogou a cabeleira para trás e sorriu deliciando-se, sentindo seu peito definido contra as costas, Sasuke alisou seus braços e chupou suas costas, mordeu e apertou os seios carnosos nas mãos. Embora tivesse certeza que ela estava satisfeita, aquele não era o presente que realmente tinha para ela.
Se afastou de suas costas e permaneceu estocando-a, enquanto ela mexia o quadril preguiçosamente. Ela conseguia ser apertada como uma menininha, mas sedutora e experiente.
Ele pegou a caixa que havia largado no outro canto do sofá e ela nem percebera, abriu e tirou dela o pesado colar, voltou a se aproximar do corpo dela, agarrou sua cintura com firmeza empurrando nela e a fazendo miar. Tocou seu clitóris encharcado e duro, e ela quase derreteu no estofado. Sasuke juntou seu cabelo e jogou para o lado beijando-lhe o pescoço, correndo a língua e sentido o sabor intrínseco nela, ele acariciou seu pescoço. E sussurrou para ela.
–por ser uma boa menina – murmurou estocando-a duramente, ela abriu os olhos e eles brilharam como as pedras que recobriam o corpo da joia, luxuriosos e hipnotizados pelo brilho, Sakura ergueu a mão meio tremula e tocou a cabeça da pantera que formava o pingente assim como a gota de esmeralda que ela segurava entre as patas.
E então gozou.
–oh meu...!
Ele riu assistindo-a ofegar, e trouxe o colar para seu pescoço, prendendo-o, se sentou no sofá, e ela se virou tocando a joia ainda atordoada com o orgasmo e com o peso do colar.
Uma pantera de ouro branco recoberta com diamantes em lapidação brilhante, olhos de esmeralda, pintas de ônix e uma gota de esmeralda de 18 quilates.
–isso é... sério?
Sempre desconfiada... Mas ela tinha certa razão, não era pra ser um agrado por ter se comportado tão bem no coquetel, ele pretendia chantageá-la, envolve-la com seu dinheiro e faze-la sentir o quão bem se daria naquele negócio, mas acabou presumindo que dessa outra forma seria melhor.
–por que não? E quero que use na próxima festa.
–hum...- ele levou a mão até o colar e tocou a cabeça do felino admirando a lapidação. A volta perfeita que o bicho dava ao redor de seu pescoço. Elegante e exótico, misterioso.
–combina com você – a fitou — perfeitamente – Sakura, como sempre, procurou mentira em seu olhar, e pegou sua mão quando ele a afastou, e levou a boca mordiscando seus dedos. Engatinhou para cima dele.
–e sabe o que combina com você, senhor Uchiha? – Sasuke não respondeu, apenas se recostou no sofá e a fitou com olhos entrecerrados enquanto ela vinha para seu colo, se apoiando em seus ombros erguendo os seios quase a altura de sua boca o encarando de cima, se abaixou e lhe ronronou ao ouvido. – sexo quente e selvagem...
Ele concordou apertando suas cochas roliças e o quadril, a puxando para baixo e atacando seu colo. Sakura gemeu para ele deixando a cabeça e as costas caírem para trás, ele deixou, passando a palma desde seu ventre até entre os seios e pescoço quando a tinha deitada para trás, a cabeça quase tocando o chão enquanto ainda mexia e rebolava para ele, deixando-o admirar seus seios empinando-se, e a cintura fina.
Ele a puxou pelo pescoço de volta para cima, era tão fácil manipular seu corpo pequeno e leve, podia levar facilmente do jeito que quisesse. Excitado com as unhas longas cortando suas costas mesmo que depois fosse odiar tomar banho graças a elas.
Sugou seu seio, o bico duro cutucou sua língua e ele de volta, provocando. Sakura puxou seu cabelo e outro miado anunciou seu orgasmo, ele a puxou com mais força obrigando-a quicar deliciosamente, quando retomou sua boca gozou junto com ela, a sincronia os deixou atordoados assim como da primeira vez, ele girou no sofá deitando-a nele e se deitando ao lado, chupou seu queixo e então puxou sua perna abrindo-a enquanto saia dela lentamente e assistia seu gozo escorrer entre as dobras coradas, era uma de suas visões preferidas, ele descobriu um gosto ainda maior por aquilo, naquele momento.
Ele havia realmente gozado dentro dela, a oportunidade perfeita para procriar, sempre se pegava imaginando isso, não importava qual mulher fosse, mesmo que por uma noite apenas, ele se imaginava germinando uma semente dentro delas. E justo quando não tinha a mínima pretensão para isto, aconteceu.
Subiu a atenção pelo corpo bonito e natural, imaginando as mudanças futuras, ele apoiou o cotovelo no estofado e descansou a outra mão no ventre liso e macio dela, sentindo a cova do umbigo e também como ficara tensa. A fitou vendo-a encara-lo com aqueles olhos desconfiados, quase espantados, mas ignorou e voltou a acariciar, apreciando o máximo contato que poderia ter agora, com seu filho. Sakura relaxou o corpo aos poucos, mas ele sentia seu desconforto, compreendia que ela não devia estar acostumada a caricias depois do sexo, ele mesmo apenas dormiu e deixou-a dormir em paz, ela havia partido primeiro na manhã seguinte.
Mas não era sobre ela agora, era apenas ele, e seu pequeno feto.
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– tédio – Sakura resmungou assistindo com um olhar enfadonho enquanto Sasuke colocava roupas na grande mala.
–você pode ir se quiser – ele reafirmou, e ela revirou os olhos, deitada na cama apenas desdenhava a ideia de passar um fim de semana na Califórnia para uma corrida de Drift, o que a surpreendia era que ele não iria assistir, iria correr.
De fato a convivência nesses últimos dois meses tem revelado vários aspectos dele para ela.
Sasuke era implacável nos negócios e tremendamente exigente com seus funcionários, ficara surpresa ao saber que ele vivia trocando de empregada, e as duas que trabalhavam no apartamento, nem ela que passava praticamente todos os dias lá, via com frequência, quando chegava para comer a refeição já estava posta, vez ou outra as via limpando por aí e elas eram hábeis em só faze-lo quando ela não estava no local. Silenciosas e discretas, só vinham até ela perguntar-lhe se queria algo especial para comer, ou trazer o telefone porque Sasuke a estava ligando do escritório.
Ele também detestava desorganização e quase teve um chilique por que ela largara umas roupas no closet, Sakura só não o mandou a merda e se defendeu por achar que as empregadas já haviam arrumado porque se dissesse isso, ele voltaria a fúria para elas, e com certeza aumentaria a lista de demissões. Só porque ela nunca teve um emprego decente e nem teria na vida, não sairia estragando o dos outros.
Ele usava óculos também mas só no escritório o que considerava uma pena, ela gostava dos nerds da escola, sempre lhe davam cola sem, ou não ousando esperar nada em troca, uma pena ela não ter dado, poderia ser tudo diferente.
E agora descobrira que ele gostava de corridas de Drift, que corria sempre que podia, não era uma competição oficial mas ele correria no carro de um dos pilotos que a empresa Uchiha patrocinava. Estava indo passar o fim de semana numa corrida de mimados ricos que nem ele.
E embora gostasse de ser levada a esses eventos caros e desfrutar de todo o luxo e regalias que eles proporcionavam, ela não estava afim de encontrar mais gente do circulo dele, sabia que Naruto Uzumaki estaria lá com sua noivinha cafona, e já estava farta dos olhares desgostosos e até ofensivos dele. E claro, da falsidade de Hinata, ela com certeza engoliu seu papel de moça inocente que nunca sonhou que estaria num triangulo amoroso e ficava nervosa com a acidez do melhor amigo de seu namorado.
Hinata Hyuuga era uma cobra, vez ou outra ligava para ela tentando marcar algo, e no começo Sakura aceitou de bom grado uma tarde de compras no shopping, mas aconteceu que Hinata sempre deixava “escapar” algo sobre o antigo relacionamento de Sasuke com a ruiva, sempre pondo a tal Karin num pedestal, mas tentando mostrar que se importava com o relacionamento dela com Sasuke e assim passar tudo para a ruiva. Disso ela tinha certeza.
E além disso, sua barriga estava crescendo, havia completado quatro meses a poucos dias e tinha uma consulta no sábado para saber o sexo, e embora soubesse disso, Sasuke não mudou de ideia.
Porque ele também não largava seus planos facilmente, para ele, ela poderia esquecer a consulta e ir na outra semana, ainda que ele também não fosse ir com ela. Porque apesar de ter feito de rotina sempre tirar uma ou mesmo duas horas de seu tempo para sentar e ficar tocando a barriga dela, ele não fazia questão ou esforço de ir em alguma consulta, ele mesmo escolheu a médica, uma tal Tsunade que mesmo mais velha, os seios fariam sucesso na “pista”, e tudo que Sakura fazia era deixar os resultados dos exames sobre a mesa dele ou mesmo mandar James entrega-los no escritório.
Ela não trocaria um fim de semana apreciando saber que gênero de pessoinha levava na barriga por estar exposta ao veneno dos amiguinhos de Sasuke, a mídia já estava enchendo o saco depois que ele finalmente revelou sua gravidez e sabia que haveriam câmeras por todo o lado lá.
Ela odiava fotos com toda força. Não aceitou nem a sugestão de Hinata de fazer um book de gravidez, odiava ser exposta desta forma, porque também sabia que ela só queria tirar fotos suas “gorda” depois de ter insinuado que Sakura estava ganhando peso rápido.
Ela precisava de um espelho urgentemente! E algo pra mudar aquela vozinha adocicada e irritante!
Sua barriga estava aumentando e seus enjoos e oscilações de humor não cessaram, além de também ter mudanças na pressão. Não, não precisava daquela viagem, mas ainda estava curiosa para vê-lo correr, como ele ficaria naqueles macacões de corrida?
–não, obrigada – respondeu enquanto folheava uma revista.
–tudo bem, é bom que não se exponha.
Claro, ele também não iria querer passear por aí com uma baleia, tão acostumado estava a levar modelos e herdeiras entre os braços.
Ela sabia que ele estava começando a evitar sair com ela, antes quase a arrastava, mas depois que seu amiguinho asqueroso surtou ao saber da gestação, Sasuke não a chamou mais, poderiam dizer que ele só não queria que ela se estressasse, mas o problema dela era com o casalzinho, mesmo que também detestasse as caras dos outros amigos como TenTen Mitsashi, Kiba Inuzuka e sua cara de cachorro no cio, Shikamaru que sempre dormia nas festas e terminava saindo brigando com sua namorada que parecia uma lutadora de UFC feminino (era assim que chamavam?), ela se perguntava se ele apanhava de Temari mas devia cair dormindo no primeiro tapa, no sexo também? Faria sentido dada a cara azeda da loira, também tinha outra loira, Ino Yamanaka, sinceramente, era a única que não parecia fazer panelinha em prol da ruiva Uzumaki, parecia burrinha demais para tal, o tipo loira burra e perua, mas tinha bom gosto pelo menos e andava acompanhada de um verdadeiro pedaço de homem, Sai era apenas branco demais, mas se ela ainda fosse anfitriã dos lençóis vermelhos com certeza lhe daria o numero para que a visitasse.
Sasuke notou sua admiração e sugeriu que ela fosse mais discreta quando quisesse comer um dos amigos dele em mente, ela respondeu que Sai era o único que lhe apetecia dentre os amigos dele, mesmo que todos fossem bonitos, odiava a cara de sexo vinte quatro horas de Kiba, o jeito morto de Shikamaru e as frescuras de Neji Hyuuga, primo de Hinata, era bem comível, mas um metrossexual de merda que tinha um cabelo mais bem cuidado que o dela.
Apostava um dedo da mão que ele era gay.
Sasuke que só falava com ele por ser primo da noivinha do seu melhor amigo, achava que ele era pretencioso demais para qualquer tipo de sexo, se achava tão grande coisa que ninguém era digna (ou digno) de dar-lhe um orgasmo.
Mas ele não gostou de ela ter rejeitado noventa e nove por cento de seus amigos, aprovando apenas Ino e com muito esforço. Claro que ele achava que ela devia se adequar e se acostumar, e claro que ela não perderia tempo esperando que ele encontrasse amizades que agradassem e envolvessem os dois.
E ela preferiu ficar no velho jogo de falsidades e regalias, nem tinha amigos mesmo, talvez não devesse pensar tão mau dos dele.
Porém, Naruto Uzumaki nunca a engoliria, e nem ela a ele. E Sasuke não fazia questão de força-los juntos, e nem de leva-la a eventos mesmo quando o loiro babaca estava fora.
No fim, eles viviam no mesmo lugar, mas levavam vidas diferentes.
E Naruto aparentemente fizera um escândalo no escritório após saber de sua gravidez, provavelmente a chamou de golpista, tentou empurra-lo de volta pra priminha e o caralho a quatro, lembrava que Sasuke chegara soltando fogo pelas ventas, foi a primeira vez que ele entrou no banheiro largando roupas, sapatos e até a maleta pelo chão, fazendo bagunça.
Sakura também não estava de bom humor naquele dia, o telefone tocara milhares de vezes, jornais e revistas querendo entrevistas. Mas resolveu que ficar de mau humor junto a ele não ajudaria.
Estava no terceiro mês de gestação e nesse período ainda podia ocorrer um aborto espontâneo. Tsunade disse que sua pressão bagunçada podia ser um fator contundente.
Então ela optou por aplacar a fera da maneira que conhecia, se despiu e pôs apenas o robe, ainda não tinha uma boa elevação na barriga e então não se sentiu fazendo algo estranho. Seguiu até o banheiro e parou diante do box assistindo pelo vidro embaçado pela água quente a silhueta do homem embaixo do chuveiro, apenas admirou cada parte antes dele flagra-la e bufar empurrando o cabelo para trás.
“-o que foi? Não gosta de fila?”
Sakura encarara fixamente seus olhos antes de abrir a porta do box, passou rapidamente o olhar sobre tudo, e o fitou de novo, deixando a língua passear entre os lábios enquanto abria o robe “–vim te dar um banho, pra ver de desfaz essa cara azeda-“ o deixou cair em meia lua ao redor dos pés, pôs um para dentro e a agua morna quase a fez ter arrepios, fechou a porta atrás de si, e se aproximou dele. Sasuke observava cada movimento seu com a pericia de um predador, e quando ela se aproximou de seu corpo aquecido e levou a boca para a dele, foi atacada.
Uma foda no banho, como ela gostava, o deslizar dos corpos ensaboados, o calor da água, senti-lo sem nenhuma barreira dentro de si. Seu gozo quente a preenchendo.
Foi totalmente relaxante. Embora Tsunade provavelmente não fosse aprovar seu método de relaxar, sexo também aumentava a pressão.
Ela bem sentia falta de aproveitar mais do noivo, mas na sua atual situação, a ideia era repugnante, tudo bem que casais praticavam, mas como diziam, o “amor” tem dessas coisas estranhas.
Ele pegou mais uma camisa perfeitamente dobrada e pôs lá dentro, Sakura revirou os olhos e usando o pé, empurrou a tampa fechando-a, ele a fitou arqueando a sobrancelha.
–se é apenas um fim de semana, pra que tanta roupa? Pretende ficar mais?
Ele suspirou meio cansado, e apoiou as mãos nos quadris arqueando um pouco as costas para relaxa-las.
– não é o plano, mas nunca se sabe, e não são muitas – ela preferiu nem comentar, ele era tão organizadinho que dava-lhe enjoo, só esperava que não fosse TOC, não sabia se esse troço era hereditário.
–que seja...- comentou folheando a revista, era de casamento e apesar de terem resolvido marcar para depois do nascimento do bebe, ela apenas tentava achar algo que a fizesse ficar animada com a ideia.
–tudo bem ficar sozinha? James vai estar de folga, e as empregadas também, mas chamei outra.
Sakura de ombros.
–não fará diferença.
Ele apenas observou-a, deitada de lado, a barriga se evidenciando na camisola cor de champanhe, pra ela parecia mesmo não fazer diferença. Incomodava-o apesar de que também não era um ser sociável, mas ele realmente tentara faze-la se “enturmar” mas era muito arisca nisso, isso antes, agora, confessava que não insistia mais, apenas se acomodou.
Sakura não era alguém difícil de conviver exceto quando o mau humor repentino a atacava e ela não queria deixa-lo se aproximar do bebe, parecia ficar com nojo de tudo e se isolava em algum cômodo, em geral eles só compartilharam a cama, o escritório do apartamento, o sofá e o chuveiro, isso no sexo, agora, ela estava ficando mais arisca ainda e só se acompanhavam quando ele tinha tempo de comer com ela, ver algo na tevê ou dormir.
Não tinha tempo de acompanhar as consultas mas Tsunade o mantinha informado de tudo e Sakura entregava cada exame, ela também devia estar ansiosa para saber o sexo do filho deles embora para ele não fizesse muita diferença.
A quem estava querendo enganar? Claro que tinha suas preferencias, um menino, obviamente, e ela deveria preferir uma garotinha. Era melhor nem falar sobre isso, porque sempre que discutiam, ele virava o babaca e ela a criatura irritante.
Em vez de “criatura” ele havia escolhido “tampinha” mas na primeira vez que chamou ela quebrou um vazo de oito mil euros na parede, que claramente iria acertar sua cabeça se ela não tivesse soltando um miado alto e estridente enquanto lançava, ele desviou por pouco. E só perdoou pelo aviso da médica.
Olhou no relógio e concluiu que James e o avião já o estavam esperando, fechou a mala e pegou o terno, vestindo em seguida o sobretudo, estava ansioso pelo calor da Califórnia e a adrenalina da corrida. Ajudaria a expulsar um monte de tensão acumulada. Mesmo que Sakura tenha ajudado bastante antes, feito até sumir, agora ela não queria sexo. Ele não era o tipo que ficaria desesperado justamente porque Drift, paraquedas e Bunge Jump eram suas fugas preferidas.
Pôs a mala no chão e seguiu para porta.
–estou indo.
–tá, e vê se não morre, sou nova demais pra ficar viúva – ela disse, acenando sem nem olha-lo, ele riu.
–nada de amantes, senhorita – declarou, e ela bufou passando a revista com raiva, o som das folhas quase rasgando foi a ultima coisa que ouviu, Sakura obviamente não estava se dando bem com a forma que estava adquirindo e provavelmente já se sentia enorme e pouco atraente. Os vestidos teriam que ficar ainda mais largos e discretos e ele já avisou que não a queria perambulado por aí de saltos.
Ela chiou que ele não podia tomar os saltos de uma mulher, ele quase disse que ela só não queria assumir sua altura real, lembrando dos vasos, e que ela tomaria o cuidado de não fazer barulho ao atirar outro, ele deixou pra lá.
Califórnia o esperava, e quem sabe, se ela estivesse de bom humor e não tentasse sacaneá-lo, ele saberia o sexo do bebe após uma ligação.
Tsunade disse que ele devia estar mais presente, mas Sakura não dava a mínima, e ele não se via, ironicamente esperando sentado em uma sala ao lado dela e entre uma dezena de mulheres com barrigas enormes e maridos carinhosos. E achava que Sakura também não.
Ela não era frescurenta, e isso realmente ele apreciava nela.
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– bom, por que isso não me surpreende? – Tsunade disse, Sakura apenas se levantou e seguiu para dentro, sem pedir licença adentrou a sala.já devia saber que a velha lhe encheria o saco, vivia dizendo que ela devia exigir mais compromisso as parte do Uchiha, mas para ela Sasuke já estava fazendo mais que o bastante, e ele fez o filho e vai sustenta-lo, nem toda mulher tinha essa mínima sorte.
Embora vez ou outra ela se visse vulnerável e fragilizada naquele apartamento enorme e sem vida, tinha certeza que só ansiava um pouco mais da atenção do pai do seu filho por conta dos malditos hormônios enlouquecidos dentro dela.
A essa altura todos sabiam que o bilionário estava em São Francisco e correria dali algumas horas.
–bom dia também, doutora, aliás, porque trabalha nos sábados? – comentou ela, enquanto se sentava na cadeira em frente a mesa. Tsunade contornou e se acomodou na poltrona.
– as vezes sim, as vezes não, porque? A senhora tinha um compromisso? – Sakura se remexeu desconfortável na cadeira, não com a insinuação, mas com o “senhora” ela não era alguém a ser chamada sequer de senhorita, desta forma então.
–poderia passar o dia em casa lendo algo.
Tsunade riu brevemente enquanto abria e analisava os últimos exames dela, Sakura mexeu na bolsa e tirou dela o cartão pré-natal já sabendo que ela o pediria para marcar mais alguma coisa.
Silencio predominou na sala, e embora o apreciasse, ela não gostava do silencio daquela mulher, também nem de quando ela falava, sempre tentando pega-la por indiretas, presumindo coisas, jogando verde, quando Sakura afirmou que não sabia e nem se importava se na família tinha incidência de gêmeos a mulher lhe estreitou o olhar e lhe perguntou sobre a família, se tinha alguém para acompanha-la.
Tsunade era uma velha espertinha e sabia jogar pra conseguir informações, mas pra que, ela não fazia ideia, se perguntava se era Sasuke querendo descobrir mais de seu passado, mas duvidava, ele mal tinha interesse em seu presente.
De todo modo, se sentia sempre apreensiva perto da coroa.
–bom, está tudo bem, sua pressão está começando a estabilizar, e pra manter ela assim continue seguindo as risca a dieta que mandei Shizune passar pra você, sem carnes e ovos crus ou mau passados, sem cafeína, sem peixes ou frutos do mar crus, você sabe que tem alergia certo? – a jovem mulher assentiu e ela prosseguiu – sem queijos, e claro, absolutamente nada de álcool, continue com as vitamina pré-natal e...
–sobre aquilo... não vai me deixar gorda certo?
Tsunade suspirou e apoiou os cotovelos sobre a mesa, os seios repousaram na mesa e se fosse um homem ou uma mulher infeliz nesse quesito ela prenderia o olhar ali.
– o suplemento pré-natal é apenas para auxilia-la a ingerir as vitaminas que naturalmente seu corpo pode não ter acesso ou não saber aproveitar, também vai fortalecer seu sistema imunológico e o do bebe.
–isso não responde a minha pergunta- ela respondeu arqueando a sobrancelha.
–ugh, geralmente as gestantes engolem de primeira, mas se quer tanto saber, digo que se você precisa, você vai ter, se vai ter mais do que acha que precisa, é apenas a forma como seu corpo reage.
Sakura deixou a cabeça cair para o lado fitando a janela.
–vou ficar enorme...
–se quer me traduzir assim...
–como não? Você quer que eu coma cinco ou sei vezes por dia, que ser humano come tanto assim?
Ela deu ombros então se levantou e seguiu para o lado da sala onde ficavam a cama e os aparelhos.
– bom, vamos lá, hora de saber se devo temer a vinda de um moleque presunçoso como o pai ou uma moleca metida a sabidona como a mãe.
Onde estava a ética?
Sakura se perguntou enquanto se sentava na cama e deixava a bolsa de lado, quando ergueu a blusa e suas costas tocaram a superfície do colchão um arrepio a atacou com a frieza causada pelo ar condicionado bem acima, resfriando o tecido, ela quis xingar, detestava a sensação de deitar naquele frio, sozinha. Seu olhar vagou para porta e quando percebeu que imaginava vê-la se abrindo.
Voltou a se chutar mentalmente por estar cedendo aos hormônios.
–pronta? – Tsunade perguntou e ela assentiu sem olha-la escondendo qualquer indicio de perturbação que pudesse espelhar em seu olhar. A médica se instalou na cadeira ao lado da cama e derramou sobre sua barriga o gel espesso e frio, lembrava-lhe as mãos de Sasuke quando ele queria toca-la logo após ter tomado um banho, detestava isso e quando ele a chamava de fresca. E agora detestava lembrar isso, e imaginar que se ele estivesse ali, estaria a chamando de fresca de novo e rindo de forma elegante e sexy da careta que ela fazia.
Tsunade, espalhou a substancia e com o monitor e os aparelhos já ligados pousou aquele troço também gelado e o deslizou em seu ventre.
–vamos ver, é bom não bancar o tímido, mas se puxou os pais...
Ah, ela não sabia quão desinibida Sakura geralmente tinha de ser, enquanto mau entendia as formas que se formavam na tela, ela repousou a cabeça no travesseiro e olhou noutra direção, respirando profundamente, tentando engolir qualquer coisa que ousasse ficar entalada em sua garganta agora. Se forçando a ficar vazia. Como sempre.
– ora vejam só! Alguém é muito desinibido! – a médica comemorou e Sakura quis rir amargamente. Tinha a quem puxar, ela só esperava que o bebe não se sentisse obrigado.
–Sakura?
–hum? – gemeu voltando-se para ela.
–aqui está – ela indicou a tela, Sakura era péssima para entender aquelas coisas e sempre se arrependia de não tirar imagens em 3D eram muito mais fáceis de compreender, mas quando Tsunade indicou, como sempre fazia, ela viu o rosto do neném, suas feições não estava formadas, mas ela achou-o tão em paz, que parecia-lhe cruel a ideia de um dia ter de libera-lo e vê-lo abrir os olhos naquele mundo.
Porque crianças ainda nasciam afinal?
A única lei natural que ela gostaria que existisse era a de que nenhuma criança nascesse enquanto o mundo continuasse naquele caos, e os já nascidos, já vividos, mesmo os que já estivessem prontos para partirem , é quem deveria lutar e mudar o mundo para que mais voltasse a nascer.
Não terminar de acaba-lo.
–agora vamos ser um pouco invasivos certo? – Tsunade comentou enquanto descia, a maquina mais baixo em seu ventre, ela parou e ligou uma caixa e um som abafado e compassado, meio rápido soou – esse é o coração, está normal...
–o coração?
–sim.
–mas parece tão rápido...
–é normal nessa parte da gestação, querida, agora vamos ao que interessa.
A imagem borrada se modificou aos poucos, ela pode identificar a barriguinha, os bracinhos e mãozinhas fechadas, algo que talvez fosse o cordão umbilical, e as pernas. E entre elas. Mas ela não entendeu o que viu ou o que não viu.
Mas Tsunade mais uma vez lhe explicou, paciente, e curiosa com sua reação.
Tudo passou meio lento para ela, após o exame, ela não focava em nada, e se sentia com vontade de sorrir, porém, não conseguia faze-lo.
–tudo okay, parabéns, senhora Haruno.
Ela assentiu após sair de seus devaneios e seguiu para a porta agora acompanhada da nutricionista que trabalhava com Tsunade, que veio lhe trazer uns papeis e por isso, a lira não se incomodou de acompanha-la.
– acho que vou encerrar por essa tarde, descansar em casa e assistir uma corrida na teve, ainda são quase nove da manhã e só deve começar pra hora do almoço, mais ou menos umas cinco horas certo? — ela comentou, Sakura a fitou de soslaio da porta, e deu de ombros, perdida.
–talvez...?
Nem sabia porque estava respondendo a velha, estava muito fora de orbita pra ter se esquecido que Tsunade parecia nunca dar um ponto sem nó. E que responde-la era cair em seu joguete.
A médica deu de ombros, recostando-se na cadeira para descansar a coluna que devia sofrer com o peso dos seios.
– sei lá, faz tempo dede que estive pras bandas da Califórnia, a viagem deve demora mais ou menos isso certo? Shizune?
A outra de ombros sorrindo com gentiliza.
–e até fui convidada para ver a corrida e até poderia ir agora, mas só chegaria perto do final e pra mim não tem graça, então vou ver tudo em casa, ah, bom fim de semana, senhora.
Sakura apenas assentiu, saindo e segurando o telefone que vibrara em sua bolsa enquanto a loira falava.
Aos poucos enquanto saia do prédio e entrava num taxi sua mente clareou o bastante para que entendesse onde a velha faceira queria chegar.
Mas a questão era, ela teria coragem de seguir a “sugestão”?
Coragem tinha.
Mas valia a pena?
Olhando telefone ela encontrou uma mensagem de Sasuke, perguntando se estava tudo bem.
E então duas ligações da Hyuuga. E pela primeira vez aligou de volta, apenas para ver se o veneno dela a fazia esquecer da ideia tola que estava se formando em sua mente controlada por hormônios excessivamente carentes.
–senhorita Hyuuga? – disse.
–ah, Sakura, que bom que ligou, imaginei que estivesse ocupada...
–estava um pouco, e não percebi o telefone, algum problema?
–longe disso, mas fiquei um pouco decepcionada por você não ter vindo pra São Francisco, o dia está maravilhoso!
–oh sim? Que bom, mas eu não me dou muito bem com aviões, e achei melhor ficar em casa, eu fico enjoada fácil e tinha uma consulta hoje.
–oh Sasuke está aqui quer falar com ele? Ah ele já foi, saiu com Naruto e Karin aqueles três deve estar indo para o bar vão beber na conta do Sasuke só porque ele está se mantendo limpo e concentrado na corrida, ele fez uma corrida de teste hoje sabia? Foi o mais rápido!
–oh sim? Incrível... não sou muito chegada a velocidade, mau dirijo! Mas que bom que está se divertindo mau tem tempo de descansar depois do trabalho.
–uma pena, Sasuke adora carros e tudo mais, ele competia clandestinamente sabia?
–oh?
Aquele chato perfeitinho? Quem diria..
–sim sim, mas não diga que eu contei, ele e Naruto competiam e Karin era a garota que descia abandeira! – ela riu e Sakura revirou os olhos, o motorista a fitou e achou graça, mas ficou na dele – você sabe ela foi modelo e seeempre chamou a atenção, até hoje o faz, é sempre a garota da corrida quando os meninos participam, não é demais?!
–sim sim! Que legal! Oh, o carro chegou... tenho que descer...- motorista a fitou e fez menção de reduzir achando que ela desceriam mas ela fez um aceno e o mandou prosseguir.
–tudo bem querida, é melhor eu desligar, não é bom sair andando por aí com o telefone na mão, até mais!
–Até.
Sakura desligou, e largou o telefone na bolsa com uma súbita vontade de vomitar. Então a ruivinha estava marcando por lá, de novo, ao redor de seu terreno, ela se perguntou o que diabos mais teria que fazer pra aquela coisa ruiva dar volta e pedir pra sair. Embora ignorasse sempre as tentativas de Hinata em envenena-la desta vez ela se viu aceitando tomar a poção.
Talvez por que o babaca poderia ter uma recaída enquanto estivesse todo eriçado após ganhar a bendita corrida, claro que ela devia pensar na possibilidade de ele perder, mas não sabia imaginar Sasuke Uchiha perdendo alguma competição, odiava isso, mas era como o via.
Um maldito de um vencedor nato.
E babaca também.
E tinha, gostando ou não, que segurar a coleira dele com firmeza, poderia fazer com sexo, se não estivesse parecendo uma porra de uma melancia. Mas ela era uma porra de uma melancia agora, e era isso que teria de usar.
–hey – disse após se decidir, já estavam parando em frente o condomínio – me espere aqui, volto logo.
–sim, madame.
Sakura saiu e antes mesmo de chegar ao elevador ligou para o apartamento e foi atendida pela empregada substituta.
–arrume uma mala pra mim, roupas para São Francisco, estou subindo para pegar.
–sim senhora, deseja que ligue para o aeroporto e peça a liberação do jatinho particular do senhor Uchiha?
Ela travou já dentro do elevador.
– o babaca tem um jatinho?
–como? – Sakura meneou a cabeça sentindo-se uma idiota por não imaginar isso, claro que ele tinha e tinha também um helicóptero, pois na cobertura tinha aquele símbolo de heliporto e tudo mais. Mas claro que além de um transporte no ar pela cidade, ele teria um para viajar até mesmo para fora do país, porém estranhou que ele não tivesse ido nele, teria se precavido caso ela resolvesse ir?
Duvidava.
–esquece, reserva sim, alias, como o senhor Uchiha foi para lá? Noutro jato?
–pelo o que me foi passado ele foi de primeira classe, acompanhado dos sócios dele o senhor...
–já entendi, obrigada – Sakura já ouvia ao fundo o farfalhar de suas roupas, Sasuke não contratava qualquer um nem mesmo como substituto, a mulher já providenciava tudo, tinha até mesmo a agenda de números importantes dele em mãos, apenas para cumprir com múltiplos papeis além do de doméstica.
–que excêntrico – ela resmungou, mas apreciou a facilidade, mesmo que já soubesse do jatinho iria ligar para secretária dele, sabia que esta também estava lá, mas bastaria pedir que ela não dissesse nada o Uchiha. Pelo menos não se preocuparia em comprar passagens e talvez no caso de nem haver um avião no horário que precisava.
Quando entrou no apartamento a empregada já vinha com uma mala média. E trazendo o telefone que ofereceu a ela.
–é o senhor James, ele quer falar com a senhora.
–James? O motorista? Ele não estava de folga?
–ele também é o piloto particular do senhor Uchiha, ele quem vai leva-la.
–ah, mas caramba ele está de folga. – suspirou pegando o telefone a empregada perguntou se ela queria conferir a mala e Sakura assentiu vendo-a abri-la sobre o sofá. Passou os olhos por tudo, inclusive produtos enquanto falava com o homem.
–milady? – ele chamou sempre enxuto educado.
–sim sou eu...
–a senhorita realmente quer ir agora?
–você é mesmo o piloto? Eu posso ir de linha comercial...
–não senhora, eu estou completamente disponível assim como o meu copiloto, além do mais o senhor Uchiha disse que não deveria deixa-la viajar em outro transporte que não fosse da família.
–hein? Ah que seja, mas você não está de folga?
–do trabalho de motorista.
–motorista, piloto, que diferença faz? Não é transporte de todo jeito? – Sakura agarrou dois vestidos e os tirou da mala, mandando a moça leva-los e trazer outros dois, assim como trocar os hidrantes que trouxera por outros mais consistentes e trazer também o bloqueador solar e uma sobrinha porque nem morta ela deixaria o sol da Califórnia ataca-la.
–faz muita, senhora, que dera eu tivesse tido a mesma facilidade para ter a carteira de piloto como tive pra ter a de motorista.
O motorista estava fazendo piadas? Ou ela estava muito azeda ou todos ao redor dela estavam animadinhos demais com o fim de semana, ela só queria poder ficar, porque sabia que tinha esse direito. Mas lá estava ela indo se jogar no tonel de cobras, sapos e lagartos asquerosos.
–bom... que seja...
–estou completamente a sua disposição ainda mais em seu estado, devo leva-la pra onde quiser e puder sempre que pedir, então já chamei o copiloto e uma atendente de bordo, na verdade só espero a confirmação de uma e já poderei estar esperando a senhora.
–hum, obrigada.
–disponha, informo se houver qualquer outro contratempo.
–tá... espera!
–sim?
Sakura deu uma olhada furtiva no corredor se precavendo da vinda da empregada e mordiscando a unha, sugestionou.
–não precisa ser exatamente uma mulher certo? Pode ser um homem... bem faça como quiser só seja rápido. – ela jurou que ele tinha rido, e se perguntou se fora burra de tentar esconder isso logo da empregada substituta quando era o motorista e empregado mais durável com Sasuke que devia se preocupar, não era como se quisesse um gogo boy para dançar para ela e lhe faze massagem durante a viagem, mas estava farta da presença de mulheres ao seu redor, não era a defensora dos homens e sua amante mais fiel, só apreciava suas carteiras e quando lhe davam prazer de verdade.
Mas ela queria um homem circulando ao seu redor e perguntando se queria nem que fosse um pacote de amendoim, se Sasuke resolvesse achar que ela estava querendo diversão fora, acusaria os malditos hormônios, era tudo culpa deles.
E admitia, a viagem era culpa deles também.
–sim senhora, até daqui a pouco.
–hum, obrigada – ela desligou e a moça voltou com o resto do que pedira, pos tudo organizadamente na mala e a fechou.
–mais alguma coisa, senhora?
–não obrigada, curta seu fim de semana.
–obrigada, e aqui estão seu passaporte e outros documentos que possa precisar – Sakura pegou tudo enfiando na bolsa e vestindo um casaco, seguiu para a porta e empregada a acompanhou até o térreo levando sua mala. O taxista ainda esperava pôs sua mala no porta-malas, e ela ficou satisfeita em dar uma boa gorjeta porque sabia que tinha demorado mais que o que prometera.
Entrou no carro e deu um aceno breve a moça que acenou com a cabeça de forma culta enquanto o carro se afastava.
–para o aeroporto, por favor.
–sim, senhora.
Todos pareciam obedece-la com tão boa vontade, ela queria ter esse poder sobre Sasuke.
No meio do caminho, James a ligara outra vez e lhe instruiu para que guiasse o motorista a para a pista particular, o jatinho que a esperava lá era branco e devia levar quase vinte pessoas. James e um homem mais velho a esperavam e quando desceu, o copiloto foi apresentado por ele e levou sua mala para dentro, dispensado o taxista, ela subiu as escadas meio receosa, a única verdade que disse a Hinata era que se sentia enjoada com voos. E detestava adrenalina demais.
James a levou a se instalar numa confortável poltrona e até a ensinou a usar o cinto, ela chegou a presumir que ele não tinha conseguido nenhum comissário de bordo. Mas quando as portas se fecharam,e ele foi pra cabine de comando, um carrinho de metal parou ao seu lado, ela sentiu cheiro de glacê de mel e de bebida.
– deseja algo, senhora? Talvez champanhe? – Sakura ergueu a cabeça espantada com a voz masculina.
Um rapazinho de uns vinte anos, perfeitamente encaixado num uniforme de comissário lhe sorriu tão gentil quanto o príncipe de um filme.
Cabelos castanhos perfeitamente penteados para trás, e olhos dourados num rosto másculo, mas de menino também. Desconcertada ela olhou em volta se perguntando se era uma pegadinha. Mas apenas o viu oferecer-lhe licor.
–oh não...eu não bebo, no... momento.
–ah claro, perdão, deseja algo?
–bem...- se ajeitou na poltrona e sorriu da melhor maneira possível tentando tirar a própria atenção de sua barriga.- o que temos aí?
–bolo de chocolate com cobertura e recheio de morango e frutas cristalizadas, croissants, café preto e também caputtinos se quiser, suco de laranja e de nectarina, amendoim...
–não poderia faltar – ela comentou e ele riu um pouco concordando enquanto mostrava mais coisas, ela iria ficar só no suco e talvez com uns biscoitinhos, mas aproveitaria para encara-lo e apreciar a presença de alguém tão bonitinho e agradável, e apenas assentiu sorrindo.
Oh essa viajem poderia ser interessante na verdade, pelo menos a ida, nada poderia dizer da estadia ou da volta, mas adoraria voltar com a companhia do maravilhoso Dennis.
E agora, de seu menininho.
Seu bebe agora reconhecido, sempre amado, ainda mais esperado, tanto que nem ela mesma compreendia.
Como amar alguém que nunca se conheceu?
Para ela era mais complexo que isso, era descobrir que era capaz disto, deste tal amor. Talvez ela não estivesse tão perdida afinal.
“...Mas sua inocência é minha...”
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